Postagens com a palavra-chave ‘Venezuela’

Crime sobe no regime chavista

21/08/2010

Informa o Portal Globo. com:

“Um dia depois de um tribunal de Caracas ter revertido parcialmente uma medida preventiva que proibia os jornais do país de publicar fotos que retratassem violência, uma pesquisa encomendada pelo governo venezuelano veio a público, confirmando que a insegurança no país é crescente.

De acordo com os dados apresentados pelo estudo, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística do país, 19.133 pessoas foram assassinadas na Venezuela em 2009, um número alto para um país de 28 milhões de pessoas.

Desses homicídios, cerca de 80% foram cometidos com armas de fogo. Os números indicam também que, no ano passado, um venezuelano foi morto a cada 27 minutos”.

O governo Hugo Chávez é mesmo um sucesso.

Digo e repito: O governo venezuelano é semi-ditatorial, autoritário, personalista, opressor, censurador e ineficiente.

Qualquer avanço social atingido é elogiável mas não justifica nem um pouco os equívocos enormes do regime.

Na realidade a Venezuela precisa de uma alternativa democrática, que olhe pelo social, mas que respeite as liberdades individuais e as regras básicas da política econômica.

Os venezuelanos precisam buscar essa alternativa, criá-la se for preciso e não perdoar Chávez pelas arbitrariedades apenas por terem sido governados por uma oligarquia cleptocrática antes da eleição dele.

 

Coluna do dia: Lula, O Mestre da Hipocrisia

02/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Mais uma vez percebemos como o enfoque partidário, aplicado numa área que deveria ser eminentemente pragmática, pode ser danoso a imagem do Brasil como nação. O episódio em que o presidente Lula muda sua opinião em relação à iraniana acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento é mais um de muitos maus exemplos e vexames dados pela administração atual.

Há poucos dias, Lula havia comentado sobre o assunto dizendo: “Se pedirmos para que um país ignore suas leis, o negócio acaba em esculhambação”. Diante da repercussão eleitoral negativa e da ameaça de sua candidata ser confrontada com esse apoio às piores ditaduras do planeta e a suas práticas; Lula se viu obrigado a voltar atrás.

Mas, o que seria até uma oportunidade de mudar realmente de direção, acabou se transformando em mais um escárnio aos direitos humanos. Ao dizer: “Se esta mulher está causando problemas, teremos prazer em recebê-la (…)” – Lula mostra claramente que ainda apóia a absurda lei islâmica e pouco se preocupa com a aplicação de uma pena desumana e bárbara. Afinal de contas, é a mulher que está “causando problemas” e não o governo iraniano que tem leis medievais e pune exageradamente “crimes” insignificantes.

Não era de se esperar coisa diferente. Pois, quem anseia por uma oportunidade de se tornar um “líder” autoritário e impor a sua vontade sobre os “dissidentes” não poderia agir e pensar de outra forma.

Ao brasileiro médio falta a capacidade de “ler nas entrelinhas” e de inspirar-se nos exemplos de um passado tenebroso e nem tão distante para evitar que os mesmos erros cometidos nos assombrem.

Perdemos relevância em nossa área tradicional de atuação e somos ridicularizados pelas grandes potências. Muito ao contrário do que a propaganda governamental quer mostrar, o assento no Conselho de Segurança da ONU nunca esteve tão distante de nós como agora.

Ao optar por ser “o do contra”; o Brasil deixa de lado seu papel de potência emergente para se tornar apenas um bufão internacional e um “gigante iludido”. Nos tornamos uma “Venezuela Grande”. Conduzidos por um “líder” que se acha “o messias reencarnado” e levados como um rebanho de carneiros para o abate moral que se anuncia no horizonte das grandes nações, o Brasil simplesmente não merecia o papel de palhaço que faz hoje.

Apanhamos da Bolívia, que invadiu e expropriou nosso patrimônio sem pagar as indenizações devidas. Apanhamos do Equador, que construiu uma enorme hidroelétrica e várias estradas com os nossos impostos e não pagou. Tomamos um “passa fora” da Colômbia, graças ao nosso “líder” falastrão e suas idiotices e, finalmente, até a Argentina nos rouba constantemente impedindo que nossos produtos sejam vendidos em seu solo; aplicando taxas e sobretaxas alfandegárias a despeito do que reza o tratado do Mercosul.

E nós; o que fazemos?

Ficamos fazendo beicinho para o “imperialismo yankee”.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Coluna do dia: Chega de “campanha de alto nível”!

23/07/2010

Por Por Yashá Gallazzi*

O PT processou Índio da Costa, Serra, o DEM, o PSDB e mais meio mundo, só porque os petistas não estão acostumados a ouvir a verdade. Não gostaram que o Vice de José Serra dissesse, com todas as letras, que Dilma, por ser petista, é aliada dos terroristas narcotraficantes das FARC, aquele grupo paramilitar que pretende criar o “outro mundo possível” por meio do sequestro, do estupro, da tortura e do assassinato.

Mas o processo em si, a judicialização do debate eleitoral por si só, nem é a pior parte. O mais ridículo mesmo é ver gente como José Dirceu pedindo uma “campanha de alto nível”. É… Vai ver ele prefere todo mundo quietinho, cuidando apenas de juntar dinheiro para comprar apoio parlamentar no Congresso. Ou ainda bolando maneiras de pagar os serviços de publicidade por meio de contas fantasmas no exterior. Discutir ideologia e moral? Ah, isso é “jogo sujo” para essa gente.

Eu estou convencido que a “síndrome do alto nível” é responsável por boa parte do desastre democrático que assola “essepaiz”. De uns tempos pra cá, criou-se o mito de que todo o debate eleitoral deve se dar em torno da gestão e da economia, deixando de lado os chamados temas polêmicos. A ideia era evitar os tais ataques pessoais entre os candidatos, direcionando a campanha apenas para aquilo que o marketing convencionou chamar de “aspectos propositivos”.

Besteira! Eu quero ver sangue! O povo quer ver sangue! Essa ladainha de ficar disputando quem é o gerentão mais sério já cansou. Estamos escolhendo um Presidente, não um síndico de prédio. É evidente que as escolhas ideológicas e morais dos postulantes devem, sim, ser objeto de profunda investigação e debate.

Não sou lá muito velho. A primeira eleição que lembro com mais detalhes foi a de 1998. Meu primeiro voto foi só em 2000, nas municipais daquele ano. Mas gosto do assunto. E procurando vídeos, reportagens e coisa do tipo, concluí há algum tempo que a melhor campanha eleitoral do Brasil desde a redemocratização foi a de 1989. Ou alguém vai negar que era divertido ver Lula dizer que Maluf era competente porque “compete, compete, compete, mas nunca ganha”? Ou ver Collor dizendo que Lula era o “candidato do bloco comunista”? Ou ver Covas e Brizola dizendo que “Collor era só um moleque mimado”? Bons tempos aqueles, quando um candidato podia dizer na cara do outro o que pensava sobre ele. Hoje, o TSE estaria em polvorosa, pressuroso de julgar os milhares de pedidos de resposta, interpelações judiciais e chicanas jurídicas afins.

Por que é “baixo nível” evidenciar a real ligação ideológica que existe entre o PT e as FARC? Ora, a turma da esquerda não vive forçando a mão para ligar Índio da Costa à ditadura? E fazem isso mesmo sabendo que o cara era pouco mais que um moleque na época do regime militar! Por que então não se pode apontar uma relação política e moral que existe de fato entre o partido do atual Presidente da República, e um grupo terrorista?

“Ah, mas as FARC não são terroristas!”, gritará o esquerdista mais radical. Ok. É um ponto de vista. E um ponto de vista que decorre de uma opção ideológica e moral de mundo. E isso precisa, sim, ser discutido numa campanha. Que Dilma se levante, pegue o microfone, e explique por que diabos as FARC não são uma associação criminosa. Defenda seus amigos, oras!

E por que não ir mais além? Por que tanto medo de discutir escolhas morais? Por que ninguém se interessa por temas como o aborto, a eutanásia, o casamento gay e a pena de morte? Essas coisas pautam campanhas em todo o mundo civilizado, mas aqui são tratadas como algo secundário, que pode levar a questionamentos de cunho pessoal e, portanto, recair no chamado “jogo sujo”. Ora, por que é jogo sujo dizer que Dilma e o PT são favoráveis ao aborto? Não é, pois, verdade que o são?! E se o são, por que não defendem isso abertamente, como escolha moral e de partido? Por que ficar tergiversando de forma reiterada, escondendo-se atrás da resposta padrão (“podemos fazer um plebiscito”…)?

O problema é que engessaram as campanhas eleitorais brasileiras, e muito disso é culpa da crise institucional pós-Collor. Como a eleição de 1989 deu no que deu, tudo aquilo ligado a ela foi considerado lixo. A partir de 1994, com o advento vitorioso do Plano Real, passou-se a considerar que a única agenda permitida na campanha era formada pelo binômio gestão-economia. E isso, diga-se, com o aval do PSDB e de FHC, então favoritos à vitória final. As campanhas perderam, assim, qualquer toque de Machado de Assis, e passaram a ser enfadonhas narrações bem ao estilo Sarney.

A justiça eleitoral, sedenta de um poder cada vez mais absoluto, entrou no jogo, engessando cada vez mais as campanhas eleitorais. Não tardará a chegar o dia em que Serra será obrigado a pedir voto para Dilma – e vice-versa – só para que não haja “desigualdade” nas eleições…

A sanha reguladora e controladora do Estado é assustadora. Se um candidato “A” diz que o seu adversário, o candidato “B”, é pior, a justiça considera isso “propaganda negativa”. Ora, mas se um político não puder falar que seu adversário é pior que ele mesmo, para quê a disputa? Se Índio da Costa aponta uma ligação de fato entre o PT e as FARC, a justiça, em vez de permitir e até estimular o debate, silencia as partes por meio de sua clava totalitária, cerceando o debate e prejudicando, assim, a sociedade.

De resto, por que me surpreendo com esse cenário eleitoral absurdo criado pelas instituições brasileiras? Vivemos em um País onde o direito de exercer a democracia foi transformado, pela voracidade controladora do Estado, em “obrigação de votar”. Fere-se de morte, assim, o princípio mais básico de uma sociedade civilizada: a liberdade individual. A partir do momento em que do cidadão é tirado o direito de simplesmente ficar em casa, cortando a grama no domingo eleitoral, sem tomar partido do processo, a democracia já está tecnicamente morta. Nenhum direito é direito quando somos obrigados a exercê-lo.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Olhares sobre a mudança

11/04/2010

Por Tiago Franz*

Nesta segunda-feira, 12 de abril, minha coluna no Perspectiva chega ao primeiro aniversário. É uma enorme satisfação ser colaborador – e ter sido o primeiro colunista – deste conceituado blog. Agradeço a todos os leitores, comentaristas e colegas colunistas pela constante troca de experiências. E dedico um agradecimento especial ao editor e pai do Perspectiva, nosso estimado Bruno Kazuhiro, pela acolhida e prestatividade.

Ninguém que tenha vivido um intenso período de aprendizado, como o que eu vivi aqui no Perspectiva nos últimos doze meses, deixa de mudar ou amadurecer algumas opiniões. Mas, apesar de eu ter muito o que falar sobre mim, não é o que interessa aqui.

Tenho observado, em alguns políticos brasileiros, mudanças de postura assumidas com o tempo, muitas vezes vistas como incoerência ideológica ou sob outro aspecto negativo. No Brasil, as mudanças de pensamento e atitude por parte de pessoas públicas, no geral, têm sido muito mais objeto de críticas do que de elogios. É claro que também há recepções positivas. O que determina isso são as rivalidades históricas construídas a partir de divergências ideológicas, somadas a uma boa dose de conveniências eleitorais e de interesses diversos.

Alguns exemplos:

Na semana passada, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública sobre a política externa do Brasil, no Senado, questionou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as medidas e posições adotadas pelo atual governo. Quem acompanha a questão sabe muito bem que a oposição (PSDB/DEM), mesmo reconhecendo, até certo ponto, o prestígio internacional alcançado pelo Brasil neste governo, critica a forma com que a equipe de Lula conduz as relações com países como o Irã, Cuba e Venezuela.

O curioso foi o momento em que Virgílio falou sobre Cuba. O tucano lembrou o tempo em que foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e admirador da revolução cubana, quando, segundo ele próprio, Lula era apenas um torneiro mecânico sindicalista sem muita relação com o comunismo. Pois é. Inversamente, hoje Lula abraça os Castro e Virgílio os critica. Onde o tucano quis chegar com essa lembrança? Para Arthur Virgílio, Lula também deveria reconhecer os erros de Cuba e, ao manter relações com os Castro, aconselhá-los a mudar.

A mudança de posição do Senador amazonense é, para ele, um amadurecimento. E Virgílio faz questão de reconhecer seu passado, de certa forma para, espertamente, antecipar-se a possíveis questionamentos. E é claro que muita gente vê tal transformação pelo lado negativo. Afinal, é do jogo.

Com Marina Silva a coisa é mais interessante ainda. A Senadora e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV) desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano passado, após militar por 30 anos na sigla. As críticas a ela vêm de todos os lados. Muitos “esquerdistas” a condenam por uma dita aproximação com empresários e com a direita. Muitos “direitistas” a condenam pelo passado comunista, que consideram ainda determinante em sua postura.

Mas, deixando de lado as parcialidades, até que ponto e quando as mudanças de pensamento e de postura devem ser consideradas ruins? Em que casos há um processo de transformação consciente e quando há apenas interesses escusos? Quando há honestidade intelectual e quando há mera infidelidade partidária ou incoerência ideológica?

Marina e Virgílio amadureceram ou apenas seguiram a tendência de despolarização pós-Muro de Berlim? Amadurecer significa encontrar um meio-termo?

Encerro por aqui, mais uma vez com muitas perguntas não respondidas.

Este sou eu, Tiago Franz, colunista do Perspectiva há um ano, indagador, sempre em movimento.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: O Brasil e a diplomacia do arrasa quarteirão

22/03/2010

Por Arthurius Maximus*

O Brasil gastou alguns milhões de reais para levar o Presidente Lula para uma fantasiosa excursão turística ao Oriente Médio. Entre gafes e erros táticos o saldo ficou apenas nisso: gastos desnecessários.

Lula, em sua ilusão arrogante de que é “o mediador”, deixou clara sua posição pró-palestina, “pisou” em um dos mais caros símbolos dos nacionalistas israelenses e, ao mesmo tempo, sepultou qualquer chance do nosso País ter mesmo algum papel na mediação do conflito.

Nada mais justo para coroar a mais infame campanha de nossa diplomacia desde que o Brasil foi “descoberto”.

Hoje, para ser embaixador ou diplomata, não é mais necessário dominar um idioma estrangeiro (nem mesmo o inglês – a linguagem universal da diplomacia).

Além disso, o próprio Celso Amorim deixou de lado a tradição de imparcialidade que o cargo exige para filiar-se ao PT. Se para um “cidadão comum” não influenciaria em nada, para um funcionário de carreira de Estado, que exige neutralidade absoluta, a filiação a uma agremiação política e a uma determinada ideologia pode, antes de qualquer coisa, trazer influências nefastas para um ambiente que deveria ser, em primeira análise, neutro.

O apoio irrestrito a ditadores africanos condenados por genocídio, o flerte com intolerantes árabes (que assumem queimar livros em praça pública), as declarações constantes e equivocadas em defesa do Irã e de seu programa nuclear suspeitíssimo (no mínimo) e a indefectível parcialidade em relação aos presos políticos cubanos e às atrocidades antidemocráticas cometidas na Venezuela, fizeram do Brasil uma piada em matéria de política internacional, nos renderam inúmeras condenações de organismos internacionais respeitados e acabaram por sepultar qualquer intenção do País em conseguir o tão sonhado assento definitivo no Conselho de Segurança da ONU.

Mesmo assim, a arrogância e o enorme séquito de bajuladores seguem assolando o Presidente Lula e cegando nosso mandatário para os reflexos (e para o ridículo) que os rumos de nossa política externa terão.

No mais novo (e triste) episódio, o representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional – FMI –,  Paulo Nogueira, “expulsou” e “demitiu”, como se sua emprega fosse, a representante da Colômbia no FMI. Pelo telefone, Nogueira exigiu que Maria Inés Agudelo abandonasse seu escritório em 24 horas. Não satisfeito, ainda enviou uma notificação ao Presidente do Banco de La República (o BC de lá) exigindo que enviassem currículos de novos candidatos para a sua apreciação.

Não é à toa que, ante a descoberta do sonho secreto de Lula de tornar-se Secretário-Geral da ONU, o mundo apenas gargalhe e esperneie convulsivamente diante de tamanha pretensão.

Afinal de contas, o despreparo, o destempero e a falta de qualquer senso ético norteiam a atual diplomacia brasileira, incapaz sequer de mediar um imbróglio entre Argentina e Uruguai, e colocam em xeque a capacidade decisória do Presidente e de seus assessores em qualquer coisa que não seja relacionada a um embate “Corinthians versus Palmeiras”.

Falta a Lula um assessor que tenha peito de dizer-lhe ao pé do ouvido:

“Menos presidente… Menos…”

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Pré-sal – Egoísmo e hipocrisia

18/03/2010

Por Felipe Liberal*

Quem foi aquele que reclamou do protecionismo americano em relação aos países mais pobres? Quem foi? Enlouqueceu?

Quem foi aquele que falou mal de Clinton, Bush pai e baby Bush sobre a exploração econômica, se valendo de superioridade financeira e social? Como podem? Vocês são um bando de hipócritas de 5ª categoria!

Muitos dos mesmos que abominam essa prática dos países “abençoados por Deus” estão a favor da ganância e egoísmo praticados pelos cariocas e fluminenses, que estão querendo tomar todo o dinheiro dos royalties do petróleo unicamente para os estados que fornecerão à Petrobras seus territórios para a exploração petrolífera do mar negro ali existente.

Onde estão agora os sentimentos de solidariedade e unidade nacional? Cadê o patriotismo? Regionalismo e “bairrismo” não são para radicais de esquerda e comedores de criancinhas? É difícil de entender tamanha contradição.

Mesmo como historiador não saberia contar quantos braços foram escravizados no nordeste durante os séculos XVII e XVIII, para produzir riquezas que foram da fronteira do Uruguai até a fronteira com a Venezuela, enchendo os bolsos de quem trabalhava com o comércio de açúcar e algodão.

Já no final do século XIX e em todo o século XX, também não saberia contar quantos braços nordestinos foram “escravizados” para tornar o Rio de Janeiro, e principalmente São Paulo, o que são hoje. A dívida histórica é monstruosa. E mais monstruosa ainda é essa fragmentação nacional, quando na verdade se fala de uma riqueza que pertence à União, ao Brasil como um todo.

Todos os brasileiros, sem exceção, devem e merecem beber um pouco desse petróleo, receber investimentos vindos do dinheiro do petróleo, principalmente devido à importância quantitativa do problema.

A camada do pré-sal é gigantesca.  Não estamos falando de uma pequena mina de carvão descoberta no interior do estado do Acre ou uma minúscula jazida de ouro aberta sob o solo do Tocantins.

Temos que analisar o fato isoladamente, observando a tremenda injustiça que estão querendo fazer com os estados-membros que precisam de ajuda urgentemente. Nada e nem ninguém cresce sozinho.

Igualmente ao planeta Terra, o Rio de Janeiro nunca se tornará uma potência dentro do Brasil, se os problemas dos outros estados não forem combatidos e resolvidos.

Tem que haver um sentimento de partilha e solidariedade para que todos nós possamos crescer juntos, sem distinção, tornando o Brasil um grande País, e não um grande Rio de Janeiro dentro de um pequeno e medíocre Brasil.

Como dizia o finado Raúl: “… Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…”.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: “Nenhuma delas é cubana”

12/03/2010

Por Yashá Gallazzi*

Certa vez, numa discussão um tanto acalorada com alguns conhecidos, perguntaram-me quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Na ocasião, ri da pergunta e nem dei muita importância, afinal estamos em um País onde qualquer um que critique o socialismo é automaticamente chamado de “direitista”.

Mas eis que hoje descobri quando me tornei um “porco direitista”. Foi no momento exato em que compreendi que Alexander Soljenitsin não é igual a Marcola; que Wladmir Herzog não é igual a Fernandinho Beira-Mar; e que Nelson Mandela não é igual a Elias Maluco. Em outras palavras, diferentemente dos esquerdistas que hoje governam o Brasil, este “porco direitista” aqui sabe bem a diferença entre um preso político e um delinquente vagabundo.

Lula, que assentou boa parte de sua mitologia pessoal na personagem do operário perseguido pela ditadura militar, resolveu mostrar ao mundo sua verdadeira face. Munido de seu cinismo sem limites, rasgou as vestes elegantes do “pobre-coitado-que-bebia-água-com-caramujo-e-virou-Presidente”, olhou na cara dos jornalistas e disse, “sem medo de ser feliz”, que Cuba tem direito de ter suas próprias leis e que o Brasil não se meterá nos assuntos internos daquela ilha.

É um democrata, esse Lula! Respeitador da tal autonomia dos povos, desde que – é claro! – os povos em questão sejam esquerdistas… Afinal, quando se tratou de defender a democracia de Honduras, Lula preferiu se alinhar aos golpistas, na esperança de criar mais uma “republiqueta bolivariana”, onde há mais igualdade, fraternidade e justiça social, mas falta sabonete e papel-higiênico…

Eu, como todo “porco direitista” que se preza, dou a maior importância para produtos de higiene pessoal. A civilização deles – dos esquerdistas – é aquela que pretende criar o “outro mundo possível”, o “novo homem”, a “igualdade plena”. A nossa civilização, por outro lado, é aquela dos antibióticos, da água encanada, da escrita e da literatura. Por isso somos incompatíveis, da mesma forma que nossas visões de mundo jamais poderão conviver pacificamente.

Mas há outra variante de tal “pensamento”. A “lógica” de Lula poderia servir para justificar até mesmo o horror nazista! Imaginem um repórter entrevistando Lula nos idos da década de 1930: “Senhor Presidente, dizem que há judeus sendo presos, torturados e mortos na Alemanha. O que o Sr. tem a dizer?”

E Lula, do alto de sua sabedoria de boteco, mandaria ver: “Veja bem, meu caro: eu estou convencido de que cada país tem direito a ter suas leis, e nenhum outro deve ficar dando pitaco de fora. Ou seja, quem sabe da situação da Alemanha direito é o meu querido Hitler, e só ele pode dizer com precisão as razões das medidas que ele toma. Eu só acho que se as leis da Alemanha estão sendo respeitadas, não cabe ao Brasil dizer o que é certo fazer, da mesma forma que o técnico do São Paulo não pode dizer pro meu querido Mano Menezes que esquema tático ele deve usar num jogo do Corinthians.”

Exagero? Não creio… Alguns dos leitores, conhecendo Lula e tendo lido o que ele disse sobre o regime cubano, não conseguem imaginá-lo dizendo o que vai acima? Eu consigo. E consigo por um motivo simples: é algo perfeitamente coerente com o caráter pedestre dele. Com sua moral maleável. Ou, melhor dizendo: com suas várias morais.

Morais, eu disse? Sim. Costumo dizer que tenho apenas uma moral, ainda que isso possa soar um tanto aborrecido ao leitor. Os “esquerdistas modernos”, como Lula, são melhores que eu: têm várias morais! Querem ver? Pois bem, se os presos políticos cubanos são iguais aos assassinos, sequestradores e traficantes presos em São Paulo, a “lógica” lulista me leva a concluir que Lula, Dilma e os demais presos políticos subjugados pelos militares brasileiros eram, também, iguais aos bandidos paulistas. Há alguma falha lógica nisso?

Mas isso valeria se essa gente tivesse uma moral só – como nós, os “porcos direitistas”. Como, porém, eles possuem várias, cada uma aplicável a um determinado caso específico, dirão que não! Os esquerdistas tupiniquins aprisionados pelos militares eram homens bons. Humanistas, dispostos a – como é mesmo? – “dar a vida em nome da democracia”. Em outras palavras, eles dividem os presos entre os que têm “pedigree” esquerdista, e os demais.

Quando você aceita a tese de Lula, aceita que um homem como Mandela pode ser, eventualmente, igualado a um vagabundo como Elias Maluco. Isso porque, segundo a “moral” torta desses “humanistas”, qualquer um que ouse se levantar contra a “revolução socialista” tem mais é que ser preso mesmo! Lênin, um dos maiores facínoras que o mundo já conheceu, não era menos sutil: todos precisam tomar parte na revolução. E quem não quiser? Simples: passa-se fogo!

Eu, não! Não aceito que Soljenitsin seja igualado a Marcola. Não admito que Herzog seja tratado como um Fernandinho Beira-Mar. De acordo com a minha única moral de “porco direitista”, uma pessoa aprisionada apenas por suas ideias políticas não é apenas um atentado à democracia: é uma humilhação para a espécie humana! Quem condescende com isso empresta justificativas para a barbárie mais abjeta. Flerta com a escória do mundo!

Hoje, os esquerdistas que defendem a maior e mais sangrenta tirania das Américas podem livremente pregar seu “outro mundo possível”, amparados pelas garantias do Estado democrático de direito que eles tanto abominam. Em Cuba, a ilha-prisão dos irmãos Castro, quem ousa contestar o regime assassino é preso e torturado. Isso se tiver sorte! Caso contrário, pode acabar sumariamente fuzilado.

Eis aí a diferença essencial entre nós – que eles chamam de “burguesia” – e eles, os esquerdistas: abraçamos a democracia e a liberdade como valores básicos, perenes e inegociáveis. Não consideramos as instituições democráticas meras “invenções da classe dominante”. Sabemos, ao contrário, que são criações da sociedade civilizada, aquela que tem por obrigação conter os bárbaros revolucionários.

Me tornei um “porco direitista”, aos olhos da realidade política brasileira, a partir do momento em que compreendi que as garantias e liberdades do indivíduo estão acima de qualquer distopia coletivista pregada por uma manada acéfala. Por isso acho que nenhum cidadão deve ser tolhido em seu legítimo direito de protestar contra qualquer governo. Mesmo quando se arvora a criticar os irmãos Castro, aqueles redentores que querem apenas nos salvar do jugo capitalista.

Meu – se me permitem a construção – “porco-direitismo” nada tem a ver, pois, com crenças econômicas. No caso específico do Brasil, você será automaticamente um “porco direitista” sempre que se recusar a igualar bandidos comuns a pessoas que pregam, pacificamente, o fim de uma ditadura sanguinária e a instalação de um regime democrático. E, acreditem: isso é libertador! Esqueçam o consenso progressista e politicamente correto que tomou conta “dessepaiz”: a sensação de defender quem combate os tiranos é revigorante. Não quer ser chamado de “porco direitista”? Ah, deixe disso! “O que é um nome?”, diria Shakespeare? “Aquilo que chamamos de rosa, caso tivesse outro nome, guardaria o mesmo perfume.”

Há milhares de ativistas políticos espalhados pelo mundo militando em favor da democracia. Estão na Europa, na Ásia e na Oceania. Nos Estados Unidos, no Brasil, no Chile, na Argentina e na Venezuela. Onde há liberdade – ainda que um filete dela apenas -, há um ser humano exercendo seu direito legítimo de contestar o governo. Há pessoas de várias nacionalidades, crenças, etnias e religiões protestando livremente por todo o globo.

E, como diria Fidel Castro em sua frase célebre, “nenhuma delas é cubana”.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Absurdo completo: Depois de quatro décadas, Petrobras importa gasolina

17/02/2010

Informa o Zero Hora:

“A crise do etanol levou a Petrobras a retomar a importação de gasolina depois de cerca de quatro décadas de autonomia.

O combustível foi embarcado na Venezuela, que já conta com encomendas futuras, e chegará ao litoral brasileiro ainda neste mês.

Segundo a empresa, foram importados aproximadamente 270 mil metros cúbicos. É o equivalente a cerca de 2 milhões de barris. ‘Para os meses subsequentes, a Petrobras está avaliando a necessidade de importação e, se existente, estimará o volume a ser importado’, informou a estatal, por meio de nota. A compra da gasolina venezuelana resultará em uma conta de cerca de US$ 140 milhões para a empresa.

Para Ildo Sauer, professor da Universidade de São Paulo e ex-diretor da Petrobras, o volume de 2 milhões de barris não chega a ser expressivo, já que é equivalente à produção diária da companhia. Mas se surpreendeu com a importação.

– A empresa era superavitária de gasolina desde a entrada do Proálcool, nos anos 70 – lembra.

Especialista em energia, Adriano Pires, diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), analisa o movimento da petroleira brasileira.

– Há quase uma década o Brasil se tornou um exportador. Primeiro, foi o anúncio da Petrobras de que interromperia a exportação, há cerca de um mês, e agora tem de comprar de outros produtores. É surpreendente – afirma Pires.”

Não há falta de etanol que justifique esta notícia. Não há problema na colheita de cana ou aumento do uso desta na produção de açúcar que torne aceitável este fato. Não há aumento da demanda por conta do crescimento das vendas de veículos automotivos que traga explicações convincentes.

Trata-se de falha grave, gravíssima, de gestão. Ponto final!

Estamos diante, sim, de uma incompetência coletiva que une o governo brasileiro capitaneado por Lula e Dilma Rousseff – ex-Ministra das Minas e Energia -, a administração de José Sérgio Gabrielli na Petrobras e, principalmente, o atual Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que se já não tem aliados dos melhores, agora parece não ter também uma capacidade gestora muito admirável.

Parece-me um péssimo nome para o Ministério, que foi indicado, diga-se de passagem, pelo famigerado José Sarney. Não poderia ser diferente, não é mesmo?

No fim das contas, olhamos para um absurdo completo!

Depois da notícia de que o Brasil importará álcool de milho dos Estados Unidos, somos obrigados a ouvir que, embora tenhamos uma tão alardeada auto-suficiência em petróleo, vamos importar gasolina. E da Venezuela, curiosamente. Está mais para insuficiência.

Ministro Edison Lobão, o senhor é um fanfarrão.