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Coluna do dia: As palmadas que faltaram a Lula

17/07/2010

Por Yashá Gallazzi*

“Entra na minha casa. Entra na minha vida. Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas…”

O que vai acima é um trecho de uma dessas músicas “gospel” de péssimo gosto que, de uns tempos pra cá, passaram a fazer sucesso no Brasil. Mas bem que poderia ser a trilha sonora ideal para a mais nova tara totalitária do lulismo, conhecida como “Lei da palmada”.

O governo do PT, tal qual toda agremiação fascistóide que já rastejou na face da Terra, não sentiu qualquer pudor na hora de entrar em nossas casas, entrar em nossas vidas e mexer com nossas estruturas. Para os totalitários de Lula, não basta mais doutrinar nossos filhos nas escolas, ensinando aos moleques que o assassino conhecido como Che Guevara foi um herói, ou mesmo que o psicopata chamado Mao Tsé-Tung foi um grande pai para o povo Chinês. Isso é pouco! Agora os burocratas do progressismo também querem nos impedir de dar uma bela palmada nos traseiros rebeldes de nossas crianças.

Lula, que parece ter levado umas surras do pai alcoólatra na infância, quer descontar em toda essa “sociedade burguesa” seus próprios traumas. O “grande pai” do Brasil decidiu, de uma vez por todas, substituir a todos nós, estabelecendo que não é mais permitido dar uns tabefes quando o moleque decidir se jogar no chão do supermercado, insistindo em levar o décimo pacote de balinhas. Este é o Brasil moldado à imagem e semelhança do PT: mensalão pode; tapa de pai e mãe, não.

Na cerimônia em que se cantaram as glórias da tal “Lei da palmada”, Lula fez questão de dizer que nunca encostou a mão num filho seu. Entendo… Vai ver foi por isso que Lulinha não viu nada de ilegal ou imoral em receber um aporte financeiro da Telemar em sua pequena empresa de esquina, não é? Tivesse tomado um corretivo quando era hora, duvido que sua noção de valores morais fosse tão deturpada hoje em dia.

Pode não parecer à primeira vista, mas o esbulho da intimidade das famílias – verdadeiro núcleo motor de toda sociedade civilizada – é gritante! Note-se que a lei não vem coibir a agressão e/ou a violência doméstica. Contra isso já existe uma Constituição (tratando dos direitos individuais), um Código Penal (prevendo pena para lesões corporais) e uma lei específica – o ECA. A nova invenção progressista é específica contra a “palmada”, ou seja, visa alçar as crianças – em especial as travessas – ao posto de ditadoras do lar.

Não é difícil imaginar crianças já grandinhas (quase adolescentes) apontando o dedo para os pais e falando: “Se me bater eu denuncio você!” É assim que o progressismo pretende criar o “novo homem”: substituindo os pais pelo Estado; trocando a repreensão sadia – e necessária! – pela passada de mão na cabeça. E assim cultiva-se, desde sempre, a ideia da impunidade. Assim incentiva-se a mitigação da autoridade familiar, primeira – e principal – que se encara na sociedade.

Sempre que o Estado tentou cercear o indivíduo, intrometendo-se na intimidade das famílias e substituindo-se à autoridade paterna, o que se viu em seguida foi alguma das vertentes de fascismo que tomaram o mundo de assalto. É isso que o petismo está tentando fazer no Brasil em vários frontes: no controle da mídia, nas cotas, no malfadado plano de “direitos humanos” e, agora, na “Lei da palmada”.

Meu instinto revolucionário foi despertado! Resistirei firmemente contra o poder reacionário do estado… progressista!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Debate: Os constantes 5% que desaprovam Lula

12/06/2010

O jornalista e blogueiro Ricardo Kotscho, ex-assessor de Lula, constrói textos que têm uma característica constante, interessante e elogiável: Apresenta argumentos comuns a todos os petistas, contudo, de forma mais franca, analítica e sensata. Sendo assim, tem mais credibilidade do que os mais raivosos.

Do alto de sua maior credibilidade, Kotscho, a quem respeito, escreveu artigo questionando o passa pela cabeça dos 5% de brasileiros que desaprovam o governo Lula. Comentando que este patamar se mantém estável, o jornalista se pergunta o que pode motivar essas pessoas a manterem-se contrárias a uma política que, segundo ele, é favorável para o País.

A partir deste texto, publicado no blog Balaio do Kotscho, foi construída uma argumentação desenhada pelo jornalista Sandro Vaia e publicada no Blog de Ricardo Noblat. Nela, Vaia, que é ex-Diretor de Redação do jornal O Estado de São Paulo, explica os inúmeros motivos que podem levar alguém a fazer parte, tranquilamente, dos 5% que rejeitam Lula.

O debate é interessantíssimo e o Perspectiva não poderia ficar de fora.

Seguem abaixo os dois textos. Os comentários estão abertos para a sua opinião, caro leitor.

Que Brasil é Este dos 5% do contra?

Ricardo Kotscho

O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica  ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%?

Entra pesquisa, sai pesquisa, eles estão sempre lá do mesmo tamanho. São os que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. A aprovação do presidente e do governo pode variar entre 70 e 80%, conforme o instituto, os restantes ficam na categoria regular e, invariavelmente, temos os 5% de insatisfeitos com os rumos do país, tanto faz o que esteja acontecendo naquele momento de bom ou ruim.

Quem são eles, onde vivem, o que fazem, o que pensam? Já que ninguém se atreve a investigá-los, disponho-me aqui a encontrar algumas respostas sobre o perfil deste minoritário, mas sólido contingente de brasileiros que não mudam de opinião, mesmo remando contra a maré.

Mais do que um posicionamento político-partidário ou mesmo ideológico, como à primeira vista indicam as pesquisas, creio que se trata de um fenômeno psíquico, algo mais ligado aos sentimentos do que à razão, ao comportamento humano de um núcleo duro que é do contra porque é do contra, quaisquer que sejam suas motivações.

Em termos absolutos, estes 5% representam mais ou menos 9 milhões de brasileiros, o mesmo universo dos que lêem habitualmente jornais e revistas da grande mídia, o que pode representar uma primeira pista para entendermos seu pensamento.

Noto isto pelos comentários dos leitores publicados aqui no Balaio. Qualquer que seja o assunto, política, futebol, literatura, música, cinema, observações de viagem, mulheres bonitas, praias, botecos ou buracos de rua, sempre aparecem os mesmos comentaristas, escrevendo as mesmas coisas, com os mesmos argumentos: nada funciona, ninguém presta, tudo está ruim, a vida não vale a pena.

Confundem o país com o governo, a vida real com o noticiário do poder, ao reproduzir o que lêem nas manchetes e nos editoriais dos grandes veículos, nos blogs da Veja.com, nas colunas de O Globo ou ouvem dos comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se você fala bem de alguma coisa acontecendo no país, logo te chamam de vendido, chapa-branca, idiota.

Não importa o assunto. Nas viagens pelo Brasil que fiz nas últimas semanas, falei da minha alegria em revisitar as cidades de Teresina e Rio de Janeiro, que me encantaram por algumas características que tornam a vida dos seus moradores mais agradável, mesmo com todos os problemas de qualquer capital, grande ou pequena.

A grande maioria dos leitores destes dois lugares gostou do que escrevi, até me agradeceu por falar bem destas cidades que normalmente só aparecem no noticiário pelo lado negativo, dando-se mais destaque às suas mazelas do que aos seus encantos.

Mas lá estavam também os 5% de sempre, que me esculhambaram por elogiar a cidade onde vivem, dizendo que eu não vi nada, que a vida ali é um inferno, que não existe nada de bom, que só pensam em ir embora de lá.

Teresina é administrada pelo PSDB e, o Rio, pelo PMDB, em aliança com o PT, o que me prova não se tratar de implicância partidária, mas de um estado de espírito.

Como não posso pedir ajuda aos universitários, apelo aos leitores para que juntos encontremos outras respostas capazes de explicar que Brasil é este dos 5%. Ou será que vivemos em países diferentes?

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Esses Estranhos 5%

Sandro Vaia

Que espécie de gente serão esses 5% que não acham o governo Lula nem ótimo nem bom? O repórter que propôs investigá-los (no sentido de pesquisar,conhecer,tentar entender, como ele bem explicou), pode encontrar algumas boas pistas aqui.Eles podem ser:

1- Pessoas que acreditam que a democracia não é apenas o governo das maiorias, mas também e principalmente o que não discrimina as minorias e as respeita, garantindo seus direitos constitucionais de manifestação e expressão.

2- Pessoas que não concordam que a atual política externa seja responsável, altiva e independente, mesmo que os outros 95% achem isso.Elas têm todo o direito de achar que é uma política aventureira,irresponsavelmente jactanciosa, longe das tradições da diplomacia brasileira, e afastada de seus valores básicos, que sempre foram os de não apoiar regimes de exceção, autoritários e ditatoriais.

3- Pessoas que acreditam que o atual ciclo de crescimento do País não começou com um estalar de dedos de um ser divino e providencial,mas é resultado de um processo que teve início em governos que se dedicaram a implantar os fundamentos de um crescimento sustentado, fundamentos esses que foram incontestavelmente assimilados, respeitados e mantidos, apesar das promessas – ou ameaças -em contrário.

4- Pessoas que acreditam que a ética e a honradez na política são valores que não podem ser desprezados.

5- Pessoas que sabem reconhecer que a divergência de idéias faz parte do processo democrático e são contrárias a qualquer tipo de controle da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão.

6- Pessoas que acreditam que a melhora dos índices sociais,a melhor distribuição de renda, o acesso de todos a uma educação de qualidade, não precisa ser feita através da instituição de um tipo reverso de discriminação social e racial, que institua o rancor e o ódio entre pessoas,grupos étnicos e classes sociais,separando em vez de unir a Nação.

7- Pessoas que acreditam que todos são iguais perante a lei e que ninguém está acima dela, e que, portanto, ninguém pode transgredi-la impunemente.

8- Pessoas que acreditam que debochar das instituições é um mau exemplo e uma agressão à democracia, principalmente quando parte de quem é responsável pela salvaguarda dessas instituições.

9- Pessoas que acreditam que a popularidade do presidente da República é um indicador inequívoco de apoio popular, mas que não acreditam que isso seja uma franquia para ultrapassar os limites da lei.Um presidente não pode tudo, ao contrário do que achava Richard Nixon.

10- Pessoas que acreditam que o presidente da República é um magistrado, e como tal deve comportar-se durante todo o tempo de seu mandato, inclusive durante uma campanha eleitoral.

São valores mais ou menos básicos, simples e fundamentais, mas possivelmente tão exóticos, nos dias de hoje, que só seja possível encontrá-los entre esses estranhos 5% de brasileiros.Pode até ser que não sejam pessoas “em fase de desespero diante das últimas pesquisas da campanha eleitoral”, mas gente tão normal e digna quanto os outros 95%.

Coluna do dia: A utopia moral e a ideologia pacifista

15/04/2010

Por Raphael Machado Silva*

Em um âmbito social mais localizado, o Pacifismo como ideologia moral é subversivo. Fundado no misticismo e no hocus-pocus liberal, o pacifista considera a vida humana individual como o maior dos bens. Se a vida é o maior dos bens, não há mal maior do que a perda ou retirada de uma vida, ou que a ameaça a sua integridade por meio da violência. Para o pacifista, absolutamente nada é pior do que a violência.

O pacifismo é o fruto de uma doença espiritual do homem. O progenitor do pacifismo é o burguês urbano e cosmopolita. Estando completamente alienado dos autênticos processos da Vida, por meio dos artifícios da vida cômoda, o burguês é incapaz de compreender a Natureza e, portanto, a falsifica moralizando-a. Foge à compreensão do pacifista que tudo no Universo se constrói por meio do embate entre forças que estão constantemente tentando se sobrepôr umas às outras.

Ou, quando ele visualiza a ‘Guerra Total’ que é a existência, ele vê isso como um Mal, porque sua Utopia Moral é ‘extra-mundo’, reside fora do Mundo. Então, ele não julga seus Ideais segundo a Natureza. Ao contrário, o utopista moral, o pacifista burguês, quer julgar a Natureza segundo sua Utopia, e impor essa Utopia ao mundo, independentemente das consequências. Ele é incapaz de contemplar as possíveis consequências, ou quando é capaz, nada disso importa, porque a Utopia Moral é o Bem Absoluto e qualquer mal na direção de sua consecução não passa de um ‘mal menor’.

Não há ‘barbárie’ na Natureza. Há apenas as diversas manifestações da ‘Vontade de Poder’. E, mais importante ainda, a Natureza não é um ‘Outro’ a respeito do qual seja possível ao Homem falar ‘à distância’ como se a mesma fosse um objeto. O Homem é perpetuamente parte disso a que se chama Natureza e está submetido a todas as suas leis e processos.

Isso não quer dizer que ‘a guerra é melhor do que a paz’, como alguma pessoa demente ou com dissonância cognitiva poderia (mal) interpretar essas considerações.

O que se quer dizer é que, para a realização de seus objetivos, os homens possuem ao seu dispor uma grande gama de possíveis métodos. Entre esses métodos estão a violência e a guerra, as quais podem ser tranquilamente vistas como meios válidos de resolução de problemas e conquista de objetivos, dependendo das circunstâncias. E não é nem necessário moralizar e postular: ‘Violência só em último caso’.

Para além da violência como fato, está a postura ética do Homem como Guerreiro. Essa postura não se define pela aplicação efetiva da violência, mas sim por uma disposição constante para fazer uso dela em defesa de seus direitos, no cumprimento de seu dever, ou para conquistar seus objetivos e realizar seus ideais em geral.

Toda tentativa de se impor uma visão sobre o Mundo, toda Ação é uma forma de violência. O artista, o guerreiro e o estadista, são animados por esse mesmo ímpeto, o de transformar a realidade por meio da Ação. E o que anima essa possibilidade de Ação é a ‘Vontade de Poder’ do Homem, que sempre quer se expandir e se impôr sobre o mundo e sobre todos os outros Homens.

É a ‘Vontade de Poder’ com sua vitalidade beligerante e disposta a tudo o fator essencial capaz de erguer das areias do deserto uma nova civilização. Todas as civilizações foram criadas e preservadas por homens ‘violentos, beligerantes’. Nenhuma foi criada por pacifistas. É unicamente a disposição para fazer tudo o que for necessário para conquistar e superar, a disposição capaz de gerar belas obras. E essa disposição, mesmo no poeta e no filósofo está associada à beligerância e à mais pura testosterona, mesmo que o referido poeta nunca pegue em armas. Que sirva como testemunha o maior poeta da língua inglesa, Lord Byron, que partiu para a Grécia para participar na guerra de liberação do berço da civilização ocidental contra os turcos e lá encontrou sua morte.

Alguém tentará ‘normalizar’ essas reflexões dizendo: ‘Não sei porque você está escrevendo essas coisas, quando o pacifismo só busca que haja um pouco menos de violência no mundo!’. Esse tipo de intervenção só pode surgir de alguma mente míope demais para ver qualquer coisa para além de objetivos declarados.

Ocorre que, e eu tenho que repetir isso, para a consecução da Utopia Moral, não há meio indigno e imoral. Ora, a Paz Perpétua não pode ser simplesmente alcançada evitando ou impedindo que as instâncias individuais de violência ocorram, porque isso é simplesmente impossível. Então, o que se deve fazer? A resposta é óbvia, descobrir porque os indivíduos são violentos, porque eles são predispostos à violência, que fatores psicológicos, sociais, culturais e biológicos os levam a querer usar da força para conquistar seus objetivos.

Nenhuma manipulação social, então, é imoral se o objetivo é tornar os homens mais ‘tolerantes’, ou seja, passivos, moscas-mortas, incapazes de conquistar qualquer coisa. Hoje, o Ocidente é bombardeado por uma pesada propaganda cultural que associa os valores combativos e beligerantes a símbolos e figuras indesejados. O único herói admissível hoje é o ‘herói moralista’, ou seja, o herói que se vinga em nome da Utopia Moral. A esse é permitida toda barbárie, como se pode verificar no filme mais nojento e demente já feito por Quentin Tarantino. A moralidade é legitimadora da barbárie.

Os valores viris, ativos, beligerantes, são marginalizados em prol de uma figura humana afeminada, meio andrógina, ultra-tolerante, dialética, conciliadora, que passa a ser vista como o tipo humano ideal. Experiências psicossociais já são realizadas em locais como a Suécia, por exemplo, onde meninos desde a tenra idade são obrigados a se vestirem de menina, e vice-versa, com a finalidade de ensinar a ‘tolerância’.

Quanto tempo irá demorar até que se resolva, por meio de mudanças na alimentação, reduzir a taxa de testosterona dos homens? Que isso já está sendo feito, é fato. A taxa de testosterona masculina tem se reduzido na maioria dos países ‘desenvolvidos’. Não é à toa que poucos ‘homens’ hoje são capazes de desenvolver uma barba de verdade.

A única questão discutível é se essa redução tem sido intencional, ou se é apenas produto das porcarias plásticas e artificiais que passam por ‘comida’ na dieta ocidental. Isso sem falar na possibilidade futura de manipulações e experiências genéticas com a finalidade de impôr a paz no mundo, por meio da castração hormonal da humanidade. O mundo caminha na direção de uma eugenia inversa, uma autêntica disgenia.

Surreal? Ninguém iria tão longe para conquistar a ‘Paz Perpétua’? Por que, se esse objetivo é o mais moral que há, e se é o Bem Absoluto? Se alguém tem a possibilidade material de impelir o mundo nessa direção, por que não o faria?

A violência, a guerra, a morte e o sofrimento, podem ser aspectos feios, horríveis, da existência humana. Porém, ainda assim, possuem seu lugar nessa existência. Todos esses aspectos cumprem uma função, de algum modo possuem um sentido relevante para as experiências humanas.

Não é ‘banindo a morte’, rejeitando os aspectos da realidade que nos são desagradáveis, que vamos aprender a lidar e crescer por meio dessas experiências.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Coluna do dia: O mito da igualdade (Parte II)

23/03/2010

Continuando o texto iniciado na coluna passada. Confira-o aqui

A ‘Igualdade’ é uma impossibilidade ontológica. Um ente é ele mesmo por conta de suas características individualizadoras. Eu sou ‘eu’, por conta daquilo que me diferencia de tudo que é ‘não-Eu’.

Toda a multiplicidade de entes se realiza como multiplicidade pela Diferença, pela Individualidade. Assim, retirando-se os elementos individualizadores, a ‘Diferença’, que é o meio de alcançarmos a ‘Igualdade’, a partir do momento que tivermos dois entes idênticos, não teremos mais dois entes, mas apenas um.

Se a Diferenciação é o que gera a multiplicidade de entes, ou seja, aquilo a que chamamos ‘Universo’, ‘Realidade’, a desconstrução das diferenças entre os entes só pode ser vista como uma tentativa de se engajar em um processo de destruição do Universo. O ‘Igualitarismo’, é uma teologia ‘Anti-Vida’, uma teologia da destruição.

Não possuindo base natural, ou seja real, o Mito da Igualdade só pode se sustentar por meio da coação oficial do Estado, ou por meio das formas difusas de coação, originadas da infra-estrutura social, principalmente dos meios de comunicação e da educação. A principal demência derivada do Mito da Igualdade consiste exatamente na crença de que ‘se não há igualdade, isso é um erro, pois deveria haver’, e agir com base nesse preceito teológico, sustentando e tentando impor a ‘Igualdade’ frente a uma Realidade indiferente e hostil aos retardos supersticiosos dos homens.

‘Se não há igualdade, deveria haver’. Por quê? Por quê deveria haver igualdade? De onde se pode retirar a legitimidade para se estabelecer como Juiz da Natureza? Não se pode. Isso não existe onde há qualquer tipo de reflexão autêntica. E como se pode derivar um ‘dever ser’, de um ‘não ser’? Não se pode. Não há qualquer elo de necessidade, seja lógico, ontológico ou existencial, entre esses dois juízos.

Inevitavelmente, a única fundação possível, a única fonte de legitimidade para esse juízo falso, é novamente a teologia cristã, a superstição bárbara. Se os homens possuem uma ‘essência’ igual.

Se todos os homens são iguais em um plano abstrato, seja teológico, seja racional, então deve-se fazer o possível para atualizar essa potência igualitária metafísica na realidade, como se estivesse a criar um ‘Paraíso na Terra’, como se quisesse promover a materialização da ‘Jerusalém Celeste’.

Vê-se, portanto, que o ‘Mito da Igualdade’ possui fortes características messiânicas e escatológicas, principalmente por estar intimamente associada a outro Mito, o do ‘Progresso’.

As consequências sociais dessa teologia anti-humana são evidentes. Todos os entes só podem ser aquilo que são, e nada mais. Sendo as diferenças entre os entes ontológicas e essenciais, qualquer tentativa de se gerar igualdade só pode ser efetuada nos entes que se diferenciam nos graus de uma mesma qualidade.

Ocorre, porém, que o que é inferior em grau em uma certa característica, não pode se elevar para além dos limites da própria capacidade. Ao contrário, o que é superior em grau, pode se rebaixar, pois já guarda consigo, a priori,  todas as gradações que lhe são inferiores.

Isso significa basicamente que todo processo de equalização se realiza exclusivamente mediante uma ‘nivelação por baixo’, por uma mediocrização imposta ao que é superior, para que ele se aproxime do que é inferior.

Pensemos um cavalo de corrida e um ‘burrico’. Queremos torná-los iguais. ‘É injusto que o cavalo de corrida possa correr mais que o burrico! O burrico não merece isso!’. Que faremos então?

Poderemos tentar ‘educar’ o burrico a correr como um cavalo de corrida.

Logo perceberemos, porém, que isso é impossível.

O ‘burrico’ poderá correr um pouco mais do que já corre, mas apenas dentro das limitações apriorísticas já contidas nas próprias potencialidades dele mesmo.

Se ao invés de nesse momento percebermos que a ‘Igualdade’ é um engodo e resolvermos sabiamente que o cavalo de corrida e o ‘burrico’ devem ser utilizados naquilo que cada um tem de seu, ao invés de equalizados, quisermos continuar nesse projeto igualitário demente, qual será a opção restante? Aleijar o cavalo de corrida. Apenas assim será conquistada a Igualdade.

Parece, porém, que a maioria das pessoas crê em algo que não só é impossível, como também prejudicial para a sociedade. As razões para essa crença são duas apenas.

A primeira é a soma do ressentimento e da inveja daqueles que enxergam a si mesmos como incapazes frente a semelhantes mais afortunados. O desejo pela ‘Igualdade’ nesse caso não passa de manifestação de um medíocre sentimento vingativo.

A segunda, o desejo por ‘Igualdade’ dos que não são incapazes, surge a partir de um auto-destrutivo senso de ‘piedade’, e de uma deficiência mental, uma ‘dissonância cognitiva’.

Inevitavelmente, esse Mito levará o Ocidente à ruína. Será uma ruína merecida, porém. Restará, para os que sobrarem, a missão de construir uma nova civilização sobre fundações mais sólidas.

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças

Coluna do dia: Aos libertários – Liberdade sem regras é escravidão

12/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Há algumas semanas, conversava com um amigo sobre a realidade política brasileira. Ele me perguntava como era possível que as pessoas encarassem o PSDB como sendo de direita. Lembro que ele disse algo mais ou menos assim:

“De direita? O partido das agências reguladoras? Dos programas assistencialistas? Do SUS? Francamente.”

De fato, só mesmo no Brasil, onde o quadro político-partidário é caótico e absolutamente ilógico, é que alguém poderia considerar uma agremiação autodenominada social-democrática como de direita. Meu diagnóstico para isso é simples e linear: falta uma direita de verdade no Brasil. Uma direita séria, democrática e propositiva, não esses sectários filofascistas, como o PRONA de Enéas, que, por sinal, se extinguiu ao formar o PR em aliança com o antigo PL.

Ao serem corrompidos pela ligeireza do discurso político promovida pelas esquerdas brasileiras, os eleitores acabaram comprando a tese absurda de que qualquer um que renegue o socialismo é, necessariamente, de direita. E mais: no Brasil, criou-se o corolário de que toda a direita é sempre má. Mas eu pergunto: toda a esquerda é sempre boa? Desnecessário dizer que ao comparar a herança de ambas em cadáveres, o legado da esquerda é infinitamente mais deletério.

Com o surgimento de expoentes radicais de esquerda, como o PSOL, o PSTU e o PCO, o PT ganhou o direito de se apresentar como moderado; moderno até. Assim, Lula pode falar em estabilidade econômica e controle inflacionário, pois cabe a gente como Heloísa Helena a defesa da “ruptura com tudo isso que está aí”.

Não é de estranhar que o petismo tenha experimentado um crescimento importante nas últimas décadas: a esquerda radical avocou para si o papel de besta-fera dos moderados, brandindo as bandeiras ultrapassadas do socialismo e do comunismo. Ao PT coube apenas ocupar o espaço destinado aos moderados, fazendo, ainda que indiretamente, um “aggiornamento” de sua figura. Em outras palavras, a turma da estrelinha pode se declarar moderna, sem ser obrigada a explicar o inacreditável paradoxo que a expressão “socialismo democrático” representa.

E os tucanos? Bem, se a esquerda radical é representada pelas várias “Heloísas Helenas”, ao passo que o PT é o moderado, resta aos adversários das esquerdas a… direita! Assim, pouco importam os atos e os programas de PSDB e DEM, pois a máquina de propaganda do PT já decidiu: “São nossos inimigos. São a direita!” Claro que isso seria muito diferente se existissem partidos verdadeiramente direitistas no Brasil, afinal, eles próprios cuidariam de “empurrar” o PSDB mais para a esquerda.

Pois eis que há coisa de dois dias atrás, aquele mesmo amigo citado ao início mandou-me um e-mail que trazia em anexo o manifesto de um novo partido, o Libertários – ou Líber. Ao final da mensagem, ele arrematou: “Surgiu finalmente uma alternativa séria à direita?”

Se considerarmos a direita liberal, sim, sem dúvida. Li rapidamente as propostas dos Libertários e pude notar que eles pregam a desregulação completa da economia, a redução drástica do Estado e a consolidação plena do mercado livre. Sem dúvida trata-se de uma novidade no mínimo curiosa dentro da política brasileira, sempre tão estatizante. Fico sinceramente curioso para saber como o novo partido será recebido pelos eleitores, mesmo prevendo que a aceitação – pelo menos a inicial – não será lá muito entusiasmada… Os brasileiros, meus caros, adoram a figura do Estado-pai.

De minha parte, posso dizer que não me reconheço no tal partido. O Brasil, aliás, não me inspira muita esperança… Quando o mundo civilizado mostra ter sepultado coisas arcaicas como o comunismo, percebemos que aqui ele ainda é reverenciado publicamente. Da mesma forma, quando finalmente surge uma alternativa séria à direita, percebe-se que é aquela menos confiável. Pelo menos aos meus olhos.

Ora, claro que eu concordo com o livre mercado e com uma considerável redução no tamanho do Estado brasileiro. Mas o Libertários está propondo, a meu ver, uma espécie de anarcocapitalismo, coisa que considero absolutamente inviável na prática. Imaginar que a ausência quase que completa de regras e normas levaria, por si só, a um equilíbrio social é, na melhor das hipóteses, ingenuidade. E isso não melhora apenas porque se propõe tal sistema no bojo de uma sociedade capitalista. “O homem é lobo do homem”, lembrem. Por isso a mediação feita por meio do Estado é indispensável.

O lado – como direi? – “social” do programa dos Libertários também não me seduz nem um pouco. Para ser breve, posso mencionar duas divergências inconciliáveis que me distanciariam demais deles: 1) o apoio à legalização do aborto; 2) o apoio à legalização das drogas.

Dizer o quê? No meu mundo moral, não há sistema de liberdades capaz de justificar o assassinato. A ideia de que a liberdade ideal confere à mulher o direito de escolher o que fazer do seu corpo colide de forma frontal com o direito do bebê à vida. No mais, desafio qualquer liberal clássico a me mostrar em qual plano de valores absolutos o direito à vida não é, de per si, a expressão máxima do direito à liberdade.

Não, meus caros. Sem a existência de imperativos morais e éticos, não há maneira de ver uma sociedade prosperar. A sociedade de mercado, indiscutivelmente a melhor parceira até hoje encontrada para a democracia, não nasceu apartada dos chamados valores morais – hoje erroneamente associados aos chamados conservadores. Pelo contrário: ela foi dada à luz por aqueles.

Foram as instituições próprias da democracia que criaram os fundamentos inerentes ao capitalismo, não vice versa. E a democracia, queiram ou não os direitistas mais liberais – ou os esquerdistas mais extremos -, traz em sua essência um conjunto de postulados éticos e morais sem os quais a sociedade livre simplesmente não conseguiria sobreviver. Vou até um tantinho além, no afã de provocar – quem sabe? – um futuro aprofundamento do debate: a democracia tal qual a conhecemos hoje é, no plano político, herdeira da tradição ética e moral desenvolvida, no plano filosófico-humanístico, pela cultura judaico-cristã. Mas esse último aspecto, reconheço, mereceria um artigo próprio. Ou até uma tese, mais longa e abrangente.

O fato é que o livre mercado praticado sem democracia, acaba em totalitarismo. E a democracia, está posto, só sobreviveu em sociedades onde uma profunda ética sempre esteve arraigada nos cidadãos.

O mercado não proporciona liberdade. Ele depende dela. E uma sociedade escrava das drogas, por exemplo, jamais será livre. Da mesma forma, uma sociedade que minimiza a vida humana e permite o assassinato de bebês, escolhe vilipendiar a essência do ser humano. Como poderá, pois, ocupar-se dos negócios?

O Libertários, uma novidade interessante na política nacional, não passa de um PSOL à direita. Ou, em outras palavras, de um grupo radicalmente favorável ao Estado mínimo, da mesma forma que a esquerda conta com grupos radicalmente favoráveis ao Estado paquidérmico. Um erra porque entrega o livre mercado a uma comunidade desregrada. O outro, porque entrega o livre mercado a um Estado totalitário. Ambos, cada um à sua maneira, sucumbirão aos vícios próprios de seus sistemas.

Não consigo ser otimista com o futuro do Brasil. As opções políticas que nos são dadas acabam por ser flagrantemente ruins. Não bastasse a infinidade de partidos de esquerda filosoviéticos, agora a direita também resolve entrar em campo com aquilo que tem de pior a oferecer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Uma crítica da “civilização” americana

10/02/2010

Por Raphael Machado Silva*

Ao se falar em Civilização Ocidental, é demasiado comum fazer-se referência aos Estados Unidos da América como o ente paradigmático e simbólico desta Civilização. Não são apenas os americanófilos que exaltam os EUA como os guardiões dos “valores” do Ocidente, mas mesmo seus opositores utilizam os termos “EUA” e “Civilização Ocidental”, como se fossem termos intercambiáveis; como se fossem sinônimos. Essa semântica caduca origina-se na Guerra Fria, a qual é representada por muitos historiadores e analistas como uma oposição entre um “Oeste” e um “Leste”, ou seja, entre um “Ocidente” e um “Oriente”.

Porém, seria tão ignóbil chamarmos o mundo soviético de “Civilização Oriental”, como o é chamarmos o mundo americano, o mundo americanizado e globalizado, pós-Guerra Fria, de algo como uma “Civilização Ocidental”. A noção dos EUA, ou do Oeste geográfico, como representante ou parte daquilo que autenticamente pode se chamar de Civilização Ocidental não passa de uma grave falácia, derivada da total ausência de consciência histórica que aflige os intelectuais modernos.

Inicialmente, pode-se dizer que esse grave equívoco possui como uma de suas raízes a falsa questão da concepção linear-progressiva da história. Os adeptos das religiões ideológicas da modernidade possuem a utópica e patológica tendência de assumir que há um sentido moral positivo na mera sucessão de momentos fáticos, ou seja, a passagem do tempo histórico representa um “progresso” ou “evolução”, uma continuidade absoluta a qual tende à perfeição da inércia absoluta, ou seja, ao “Fim da História”. Uma genealogia dessa concepção ridícula facilmente demonstra que ela se origina da concepção religiosa judaico-cristã da história, a qual é fundamentalmente messiânica. Liberais e marxistas são idênticos nessa crença. Em verdade, segundo muitos liberais nós já estamos muito próximos desse momento.

À parte o fato de que qualquer análise rigorosa da História demonstra sem sombra de dúvidas que os fatos e entes históricos se manifestam em movimentos cíclicos, os quais sempre possuem uma tendência decadencial, e que a noção de “progresso”, portanto, não passa de uma medíocre mitologia, o que se pode afirmar é que entende-se que a “Civilização” Americana é a Civilização Ocidental, simplesmente pelo fato de que a primeira sucedeu temporalmente a segunda no mesmo espaço geográfico anteriormente ocupado por esta.

Um estudo das origens e fundações dos EUA revela com clareza, porém, que ao invés de representar uma continuidade e, posteriormente sucessão, o surgimento dos EUA representa em verdade um rompimento absoluto com o Ocidente de até então. Se, portanto, as raízes filosóficas e ideológicas dos EUA são anti-ocidentais, só se pode concluir que o Mundo Americano, ou seja, o Mundo Contemporâneo, talvez seja um Anti-Ocidente.

Os EUA e o Mundo Contemporâneo, com seus valores iluministas e humanistas, não são um “desenvolvimento” das fundações civilizacionais ocidentais, as quais residem no Mundo Greco-Romano e na Idade Média. Ao contrário, não passam do fruto de uma caducidade patológica espiritual, essencialmente movidas por uma lógica de degeneração, cuja finalidade só pode ser a auto-destruição.

Não é ao menos possível dizer que o Mundo Americano constitua realmente uma Civilização, (por isso as aspas no título), pela total ausência de uma autêntica Ordem em seus desdobramentos históricos. A “Civilização” Americana não representa Ordem alguma, ao contrário, ela é exatamente a ausência de qualquer Ordem. Mais do que isso, a “Civilização” Americana é a ausência de todo e qualquer sentido não-material da existência. A “Civilização” Americana é, essencialmente, a “Civilização” da Ausência. A Modernidade (ou Americanidade; são sinônimos) constitui exatamente aquilo contra o quê Nietzsche alertou e que ele batizou de “Niilismo Passivo”.

A Modernidade é a rejeição de todos os valores autênticos, ou seja, Tradicionais e Orgânicos. Porém,  ela não é sua substituição por Ideais superiores, mas sim a ausência de qualquer proposta de superação, e até mesmo da própria possibilidade de se conceber a proposição de Ideais civilizatórios normativos. Sem sentido para a própria existência, a não ser a da própria perpetuação, a “Civilização” Americana é uma “Civilização” fadada ao fracasso, à ruína e ao esquecimento. Em troca dos Velhos Ideais, pelos quais acreditava-se valer a pena matar e morrer, ganhamos apenas uma “Tábua Moral” de valores negativos.

Não é à toa, portanto, que o homem moderno seja um completo covarde. Mesmo quando ele faz a guerra, ele não a faz como guerreiro, mas como mercenário. O homem moderno só crê na guerra e só a abraça, quando ele já se visualiza como absolutamente superior ao inimigo. Apenas quando ele sabe que o inimigo não tem chances, é que ele luta, a exemplo dos israelenses, que se regozijam massacrando palestinos armados com pedras, mas que choram quando são imigrantes na Europa e se veem sob a ameaça de nacionalistas.

É esse sentido pervasivo de Ausência, de Perda, que gera aquela constante sensação de angústia, da qual padece a maioria dos indivíduos nesse contexto. Essa é a razão pela qual o homem moderno está em uma constante busca do prazer. Por meio do bombardeio de estímulos sensoriais, o homem moderno busca anestesiar o sofrimento existencial generalizado da Modernidade. Não fosse isso, ele se atiraria de uma ponte, tornar-se-ia um louco (para ser internado por psicanalistas freudianos), ou viraria um revolucionário com sede de Sangue. Será coincidência o fato de que nunca tanta gente viveu à base de remédios?

Mas não é exatamente a maior parte da Humanidade ocidental que se encontra doente. É sua “Civilização” que é doentia. Ela não passa de um inverno, de um longo processo de agonia que antecede um ocaso, a qual, se houver homens de Valor, será sucedida por uma nova primavera, e uma nova civilização, a qual realmente representará um resgate de Velhos Ideais, que criem um novo Sentido para a Existência.

Já sei então como devo chamar a partir de agora aquilo que até então eu chamava “Civilização” Americana. A chamarei de “Patologia Americana”.

Pena faltarem, aparentemente, os Médicos adequados…

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva às terças

Coluna do dia: A educação infantil e as explicações dos desvios de conduta

07/02/2010

Por Jessica Riegg*

A todo momento vemos matérias envolvendo violência e jovens, além de várias mortes provocadas por esses “pirralhos” que mal sabem o que estão fazendo. Vemos na nossa frente a juventude se tornar completamente diferente do que fomos…

Muitas vezes os pais culpam os professores por não educarem bem os filhos, mas ao mesmo tempo reclamam quando uma atitude incorreta é punida. Reclamam de tudo, mas não se lembram do mais importante: quem deve educar não são os professores e nem as babás, e sim os pais!

Alguns desses “irresponsáveis” deixam os filhos soltos nas ruas à noite, até a hora que desejarem. Vemos cada dia mais crianças de 12, 13 anos que ficam na rua até meia noite, ou mais, e nunca fazendo coisas produtivas. O que os pais alegam é que não tem mais jeito. Fico inconformada de ver que esses pais realmente acham que não há mais solução e que os adolescentes sabem o que é melhor para vida deles… Com 12 anos de experiência…

Bom, o que acontece depois é que com a falta de punição severa dos pais, esses garotos vão para a marginalidade e são punidos pela Justiça. E quando são presos e seus responsáveis são chamados, ninguém sabe como isso tudo aconteceu, o que a causou os desvios de conduta…

Depois culpam o governo, afirmando que suas políticas são fracas e ineficazes. Alegam que as escolas deveriam ser integrais para que eles trabalhem o dia inteiro, e a escola crie essas crianças… Realmente faltam mais ações do governo na educação, mas nem tudo pode ser culpa dele!

Pais, fiquem em alerta! Cuidem dos seus filhos desde que eles nascerem, eduquem-nos e nunca desistam de tentar ensiná-los alguma coisa! Nenhum filho está totalmente perdido, desde que seja bem orientado pelos pais.

As chances de ter um filho perdido para o crime são bem menores quando ele é bem educado e monitorado. Mas essa educação vem dos pais, e nunca da Justiça ou dos professores.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Análise: A aprovação da reforma do sistema de saúde americano e o governo Obama até aqui

25/12/2009

Informa o Estadão:

“O Senado norte-americano aprovou um projeto de reforma para o sistema de saúde de US$ 871 bilhões, que prevê a extensão de seguro-saúde para 31 milhões de norte-americanos. A aprovação deixa a principal prioridade do presidente dos EUA, Barack Obama, um passo mais próxima da realidade.

Como esperado, o projeto foi aprovado com o placar de 60 a 39, com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, presidindo a votação. Os 58 senadores democratas e dois independentes votaram a favor da reforma, enquanto todos os 39 republicanos votaram contra.

O líder da maioria no Senado, Harry Reid (democrata de Nevada), forjou um compromisso há apenas alguns dias que garantiu o apoio suficiente para que a medida atingisse os 60 votos e assim não precisasse sofrer um adiamento. O produto final do compromisso de Reid fez pouco para acalmar os liberais, que queriam a inclusão de um plano de seguro-saúde administrado pelo governo, mas ganhou apoio importante de centristas, como Ben Nelson (democrata de Nebraska), que até então estavam em cima do muro.

As linhas gerais do projeto continuaram de maneira geral consistentes. Ele propõe a criação de um sistema extensivo de créditos fiscais para pessoas de renda média e baixa para a compra de seguros-saúde em ‘bolsas’ estatais, a partir de 2014. As pessoas físicas terão de ter seguro, bem como todas as empresas, menos as pequenas.

O projeto também tornaria o Medicaid, um programa estatal de assistência de saúde para famílias de baixa renda, disponível para um número maior de pessoas.

A aprovação do projeto no Senado vem após a Câmara dos EUA aprovar sua própria versão do projeto em 7 de novembro. Os dois lados tentarão agora conciliar seus projetos numa conferência, que deverá começar quando os congressistas voltarem a Washington em janeiro.”

A reforma do sistema de saúde americano é uma das grandes bandeiras do governo de Barack Obama. O Presidente americano, fenômeno de popularidade e detentor de uma oratória fulminante, tem visto seu sucesso se reduzir com o passar dos meses de sua gestão e confia que a mudança, para melhor, da saúde do povo americano pode lhe devolver o status de mito. Obama já mira a reeleição em 2012.

Este mesmo que vos fala foi e é um entusiasta de Barack Obama. Como político, mas não como Presidente.

O Presidente americano trouxe os valores e os princípios, a mobilização da juventude e a confiança das massas, tudo isso baseado em uma enorme capacidade de oratória e em uma inteligente retórica. Em resumo, Barack reviveu importantes máximas que estavam distantes da política. Portanto, como político, é extraordinário.

Contudo, a Presidência de qualquer país requer mais do que capacidade política, carisma e oratória. É preciso gestão. É necessário unir discurso e ação. E é aí que Obama ainda configura uma dúvida. Seu governo ainda não empreendeu nada de concreto que tenha o tamanho da promessa Obama.

Digo tudo isso pois a reforma do sistema de saúde americano pode representar, finalmente, uma ação de grande magnitude do atual governo democrata. Obama poderá, com ela, mostrar para o mundo que não só fala, mas faz.

Se a reforma for aprovada de vez e configurar um sucesso, terá Obama atendido, pelo menos de certa forma, parte das expectativas de muitos, entre eles este blogueiro.

Por outro lado, se a reforma não sair como planejada, ou for um fracasso, Obama estará mais perto ainda de ser uma das maiores frustações da história recente.

A ver.

Coluna do dia: Dia da Consciência Negra – Quem dera ele fosse desnecessário

29/11/2009

Por Jessica Riegg*

O Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, foi comemorado em todo o País. A data faz referência à morte de um dos líderes mais famosos dos escravos: Zumbi dos Palmares.

Como sou jornalista, fui cobrir a data conversando com a assessora de educação do movimento negro de Divinópolis e ela me disse coisas que me espantaram.

Quando perguntei a ela se a data era importante para os negros, ela me respondeu que é muito triste pensarmos que precisamos de um dia para lembrar à população que o racismo é um crime. E a assessora estava certa! Essa data deve ser lembrada todos os dias, pois os negros são enorme parte da essência desse País, eles nos ajudaram a construir a nossa história.

Esse dia pode, possivelmente, aumentar a diferença entre negros e brancos, afinal, não existe o Dia da Consciência Branca. Esse feriado pode institucionalizar uma suposta diferença entre as pessoas, diferença essa que não existe.

Os negros são discriminados, e isso não é nenhuma novidade. Mas eu pergunto a vocês: Como um País que é, em sua maioria, negro ou misto, pode permitir esse tipo de situação? Isso é um absurdo!

Independentemente da cor, todos somos iguais e deveríamos ser tratados de forma igual. Mas aí é que surge a questão: Como retirar da população um preconceito que vem sendo embutido há séculos? Como obrigar o governo a aplicar penas mais efetivas aos autores dos crimes de racismo? Como ensinar tudo isso à população?

A resposta dada pela assessora foi simples e ao mesmo tempo eficaz: Devemos ensinar isso às crianças, tanto nas escolas quanto em casa.

O governo já orientou para que as escolas desenvolvam matérias que dizem respeito à cultura negra, e isso está acontecendo, mas em pequena escala. Torço para que as escolas realmente implementem essa matéria de suma importância aos alunos, ensinando valores éticos e morais que as crianças estão perdendo atualmente.

Valores que deveriam ser ensinados pelos pais, mas que vem sendo deixados de lado.

O Dia da Consciência Negra é feriado ou ponto facultativo em oito Estados e em setecentas e cinquenta e sete cidades do País, conforme levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

Bom, enquanto tudo o que defendi acima não acontece, essa data talvez continue sendo apenas um feriado…

*Jessica Riegg escreve no Perspectiva Política todos os domingos

Morre o ex-Prefeito paulistano Celso Pitta

23/11/2009

Informa o Globo:

“O corpo do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi enterrado na tarde deste sábado no Cemitério Getsêmani. Aos 63 anos, o ex-prefeito morreu no Hopital Sírio-Libanês na noite de sexta-feira.

Em janeiro, ele havia sido submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino grosso. Novos tumores surgiram e, no último dia 17, ele havia sido operado novamente, mas o câncer já havia se espalhado para o abdome e o fígado. Segundo o advogado do ex-prefeito, Remo Battaglia, Pitta vinha trabalhando como economista, prestando assessoria a empresas.

De acordo com o hospital, Pitta faleceu às 23h50m desta sexta-feira e estava internado desde o dia 3 de novembro. O corpo foi velado na Assembléia Legislativa de São Paulo.”

É fato notório que Pitta teve seu estado de saúde abalado pelo seu estado emocional.

Desde que foi envolvido em escândalos durante seu mandato na Prefeitura de São Paulo, Pitta enfrentava o ostracismo e a rejeição da população. Terminou seu mandato, mas viu o fim de sua vida pública.

Após ter sido preso na Operação Satiagraha, junto com o empresário Naji Nahas, tudo se agravou: A situação financeira, a situação jurídica, a situação emocional e a situação de sua saúde.

Nada mais justo do que imaginar que os rumos que Pitta deu para sua vida contribuíram para sua morte que, para os padrões de hoje em dia, pode ser considerada precoce.

Fica o exemplo para os que pensam em seguir os caminhos que ele seguiu.

Não digo que a pena para os escândalos seja a morte. O que quero dizer é que não se deve pensar que coisas desse tipo passam impunes.

Por mais que a Justiça possa safar alguns das acusações, o cotidiano destes os lembrará delas dia após dia.

Deixada de lado uma questão de valores e princípios éticos que para mim já é suficiente para demonstrar o quão condenável é o caminho da esperteza, fica a questão:

Vale a pena?

Aposto que não.