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Coluna do dia: Tragédia e fragmentação europeias

04/03/2010

Por Felipe Liberal*

Algum tempo atrás, eu escrevi um artigo intitulado “Globalização da Fragmentação”, falando, entre outras coisas, da limitada e frágil integração continental através da União Europeia e do euro. Uma união entre deuses e demônios, impossível de prosperar.

Vendo agora a tragédia dos déficits português, espanhol, italiano, irlandês e principalmente, grego, podemos supor que tudo isso é apenas o início de uma verdadeira desintegração do continente, que se juntará ao descontentamento francês com a moeda, fortalecendo as imortais divergências com as grandes potências europeias, principalmente a Alemanha, que é o “país-chefe” do euro.

Dos 27 países que assinaram o Tratado de Maastricht, fazendo parte da Comunidade Europeia, cerca de 70% possuem graves déficits financeiros em suas contas, mostrando a instabilidade da união “divina” no continente.

Porém, deverá haver uma ação de solidariedade dos grandes bancos europeus (principalmente dos bancos alemães) para com esses países em crise mais séria, levando a uma desesperada estabilidade momentânea.

Alguns falam em exclusão da zona do euro de alguns países periféricos, o que não deve acontecer, pois existem as ilusórias pretensões dos grandes países europeus em fortalecer ainda mais o euro, criando organismos de centralização, para bater a libra inglesa e o dólar americano. Excluindo esses países, esse objetivo seria impossível.

E esse objetivo é a grande questão do momento. É muito improvável que a Inglaterra e os EUA deixem que uma centralização política e econômica se torne viável. Esses dois irmãos siameses são os maiores interessados em uma desintegração da CEE e da moeda europeia.

A Inglaterra só tem a perder com o fortalecimento do euro e os americanos teriam um novo inimigo, caso tudo isso se concretizasse de forma perfeita.

Isso sem falar da França, que tenta se “libertar” das amarras do euro desde 2006, quando quis criar um bloco paralelo com países da África e do leste europeu.

Conhecendo a História, os EUA e a Europa, é bem fácil de prever o futuro do velho continente nos próximos dez ou quinze anos: crise, fragmentação e guerra.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte III)

22/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O cerceamento, e consequente proibição, do porte de armas é uma das muitas manifestações modernas da destruição do Homem frente a um Ente Absoluto, Universal, Genérico, Total, o Estado-Deus.

Que fique entendido aqui que não sou um Liberal e nem um Individualista. Apenas exponho os fatos como eles o são.

Muito acertadamente, Carl Schmitt afirmou, em ‘Teologia Política’, que todos os conceitos políticos são ideias teológicas secularizadas.

O Estado Moderno é o repositório de todas as aspirações humanas, e portanto, cabe a ele, por meio de sua “intervenção divina” “salvar” a todos os seus “filhos”. A atitude que se espera que o cidadão tenha frente ao Estado é a mesma que se espera que o Homem tenha frente ao Deus Abrahâmico. O Homem deve permanecer em um perpétuo estado de perplexidade passiva, impotente para realizar o que quer que seja sem as bênçãos de seu Senhor, adorando-o como única fonte de solução para todos os problemas, e amaldiçoando-o por todos os males pessoais. É o paternalismo.

Já vimos a importância do porte de armas para a defesa nacional e para a defesa pessoal. Ora, leitores, as últimas considerações já feitas nos revelam uma terceira importância, a qual ouso dizer ser a principal (não esconderei minhas ligeiras simpatias anarquistas).

Como muito bem sabia Thomas Jefferson, um dos Pais Fundadores dos EUA e, indubitavelmente, um grande militante pela autêntica Liberdade, o Homem deve poder portar Armas, para que ele possa se defender do próprio Estado, quando este se transforme em Tirania e se volte contra a própria Sociedade.

Não há qualquer exceção ao longo da História. Todo Estado Moderno ou Contemporâneo a banir Armas, ou era uma Tirania ou está/estava em vias de se tornar uma Tirania. Toda Tirania proíbe o porte de Armas. E sim, incluo nessas relações a Grã-Bretanha e os demais países da União Europeia, pois os que acompanham os desenvolvimentos sociais europeus não podem negar que a Europa caminha na direção de uma tirania abjeta.

Aos que duvidam, me expliquem as onipresentes câmeras de vídeo. Me expliquem as prisões dos que não acreditam no Holocausto. Me expliquem a perseguição arbitrária de partidos nacionalistas. Me expliquem a entrada de vários países na União Européia após plebiscitos nos quais os habitantes desses países rejeitavam a entrada (como nos países escandinavos, por exemplo). Me expliquem a ratificação do Tratado de Lisboa contra a vontade de boa parte da população de vários países (como por exemplo dos portugueses).

Porém, só posso parafrasear Jefferson novamente e dizer: “A árvore da Liberdade deve ser regada de tempos em tempos, tanto com o sangue de patriotas como de tiranos”.

Ah! E aos pequeno-burgueses alienados e pacifistas, que defendem a destruição do Homem frente ao Estado por meio da proibição do porte de Armas, sob a desculpa sofística e esfarrapada de que tal medida serve para diminuir a violência, me explicai então porque os dois países com o maior percentual de civis com porte de Armas são exatamente Suíça e Finlândia, e não África do Sul e Haiti.

Sem mais.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.