Por Yashá Gallazzi*
Imaginem que um petista acuse ACM Neto ou Paulo Bornhausen de serem uns coronéis, membros de oligarquias. Vamos, façam uma forcinha. Nem é tão difícil, afinal já cansamos de ouvir petistas falando isso, não é mesmo?
Pois agora imaginem que ACM Neto respondesse à acusação do petista mais ou menos assim: “Não, não sou coronel. Se fosse já teria mandado um jagunço matar você!” Não é difícil imaginar que o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Rapidamente algum intelectual da esquerda – aposto em Emir Sader… – rabiscaria um texto denunciando o “fascismo das velhas elites tradicionais de direita”. Gente como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha desfilaria sua indignação jornalística. Ah, claro! Quase esqueci! É barbada que algum promotor veria ilegalidade na fala de ACM Neto e ajuizaria uma ação – qualquer uma – contra o deputado do DEM.
Mas nada disso aconteceu. ACM Neto não insinuou que mataria de bom grado algum político do PT. No máximo andou falando, há alguns anos, que queria estapear Lula. Não se pode culpá-lo, né? Quem não gostaria de dar umas bofetadas no apedeuta? Eu adoraria! Mas já me desviei. Retomo.
Os leitores conhecem André Vargas? Não?! Bem, André Vargas é Secretário Nacional de Comunicação do PT. Ele gosta, pois, de se “comunicar”. Se “comunica” como ninguém. Ontem, no afã de se “comunicar” com os eleitores brasileiros, André Vargas disse, sem meias palavras, que Índio da Costa deveria ser sequestrado ou morto.
Não! Não acreditem em mim. Visitem o twitter do sujeito (@AndreVargas13) e leiam, vocês mesmos, in loco, a frase que transcrevo abaixo:
“Não temos ligação [com as FARC], você acha que se tivessemos (sic) ligação com as FARC o INDIO E SUA TRIBO estariam ou sequestrados ou mortos. Rsss”
Os 140 caracteres do twitter costumam limitar – e muito! – os textos. Mas, apesar disso, não é difícil perceber as nuances que se encerram na declaração de André Vargas. Percebam, por exemplo, que o sujeito admite, sem sombra de dúvidas, o caráter criminoso das FARC. Mas isso nem é o mais grave.
Pior mesmo é ler que ele constrói, sem exitar, uma ameaça explícita a um candidato a Vice-Presidência da República. Está tudo lá, cristalino como as águas de um riacho: se o PT tivesse ligação com as FARC, Índio da Costa só teria dois destinos no horizonte: o sequestro ou o assassinato. Aliás, não apenas o vice de Serra foi ameaçado, como toda a “sua tribo”. Pergunto: que tribo seria essa? O DEM? A coligação PSDB-DEM? A tal “direita golpista”, preconceituosa, reacionária e de olhos azuis? Ou os tais 3% de pessoas que insistem em desaprovar Lula nas pesquisas de opinião? A fala de André é bastante ampla… Poderia ser qualquer um.
Lembram o que aconteceu quando Índio da Costa apontou as claras e incontroversas ligações existentes entre PT e as FARC? Rapidamente a justiça eleitoral tratou de punir a coligação formada por PSDB, DEM e PPS, concedendo, inclusive, direito de resposta a Dilma Rousseff. O que ela dirá ao fazer uso de tal direito? Não tenho ideia… Mas estou curioso para ver que rodeios ela fará a fim de negar o companheirismo histórico que há entre os petistas e aqueles vagabundos terroristas da Colômbia, que vivem de “combater o neoliberalismo” por meio de sequestros, estupros, torturas e assassinatos.
Fico cá me perguntando: será que algum promotor vai se interessar pelas insinuações criminosas feitas por André Vargas a Índio da Costa? Será que a justiça eleitoral concederá ao DEM algum direito de resposta. Se bem que, dado nível da coisa, seria melhor que o judiciário designasse agentes para garantir a segurança do vice de Serra, afinal falou-se abertamente no sequestro e assassinato dele. Por menos – bem menos… – que isso, o FBI designou proteção para Obama em 2008, e desafio qualquer um a encontrar uma declaração sequer parecida com a de André Vargas dita por um alto membro do Partido Republicano.
Estou exagerando? Não é pra levar uma tirada de twitter tão a sério? Bem, acho que nunca é bom duvidar dos petistas quando eles fazem esse tipo de – como direi? – “promessa”. Celso Daniel e Toninho e Campinas estão aí pra mostrar que essa turma não brinca em serviço, não é mesmo?
Não! A verdade é que não há exagero algum! A fala de André Vargas é escandalosa, e revela, ainda que de forma oblíqua, toda a alma sórdida dessa gente. Está estampada ali a digital que caracteriza todas as distopias coletivistas, prontas a matar qualquer um que impeça a construção do “outro mundo possível” deles.
A subjugação dos adversários – até a morte, se preciso – é só um traço dos mais latentes do DNA deles, e aquela risadinha estilizada (“Rsss”) com a qual André Vargas encerra seu comentário – ou sua ameaça… – só reforça isso. Essa gente é íntima da morte e do terror, por isso conseguem brincar com tais elementos com tamanha desfaçatez. Por isso conseguem idolatrar um regime homicida como o de Fidel Castro. Por isso acham que se sentar à mesa com Ahmadinejad é “só negócio”. Por isso emprestam suporte ideológico, moral e material a um grupo terroristas como as FARC.
A fala de André Vargas deveria aparecer no horário eleitoral da oposição todo santo dia, lembrando à sociedade a intimidade que essa “nova classe” tem com o horror. Infelizmente isso não acontecerá, afinal, a justiça eleitoral ordenaria a retirada do ar da inserção, alegando se tratar de “propaganda negativa”…
Eis o Brasil atual… Aqui, não se pode denunciar uma apologia de crime, sob pena de incorrer em multa do poder judiciário. Mas insinuar o sequestro e a morte de um candidato a vice-Presidente é permitido. Isso confere vantagem a quem? Ora, a quem é companheiro de grupelhos terroristas e, por isso mesmo, guarda intimidade com o assassinato.
Os bárbaros já chegaram. Estão entre nós há bastante tempo. Já nos impuseram seu modo pútrido de fazer política e, quando menos esperarmos, terão nos obrigado a viver segundo seus valores morais homicidas. Ainda há uma pequena esperança de detê-los: basta não entregar o voto a quem flerta com o sequestro e com o assassinato. Ainda que quem patrocine os aliados do terror seja Lula, um Presidente tão popular como nunca houve “na história dessepaiz”.
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi