Postagens com a palavra-chave ‘Tolerância’

Coluna do Dia: Os camisas negras do PT fazem mais uma vítima – Acorda, menina!

31/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Acorda, menina! Acorda antes que seja tarde! Antes que o direito individual violado seja o seu. Antes que a liberdade subjugada seja a sua.

Tenho certeza que todos já sabem a última façanha dos – como é mesmo que Lula dizia? – “aloprados” do PT. Aquela turma que se aboletou na Receita Federal para servir ao Partido, mostrou mais uma vez que os direitos e garantias constitucionais não querem dizer absolutamente nada pra eles. Mais um punhado de tucanos teve seu sigilo fiscal quebrado pelos camisas negras do PT, sempre prontos a mostrar que o Estado é deles.

Mas e daí? Esses tucanos são mesmo uns direitistas neoliberais, reacionários, preconceituosos e de olhos azuis, não é mesmo? Ou, como disse um conhecido meu, eleitor histórico de Lula e, atualmente, partidário de Dilma, “se eles reclamam, é porque têm alguma coisa a esconder.” Eis o abismo tenebroso no qual o país foi atirado por essa inversão de valores morais parida pelo lulo-petismo. Mas não pensem que vou defender os tucanos. Que nada! No Brasil lulista, já ficou claro que eles são indefensáveis – assim como qualquer outro que faça oposição ao “grande pai do povo”.

Os petistas, segundo sua lógica sociopata, estão travando uma guerra, não uma disputa democrática. E os opositores são, aos olhos deles, “inimigos”. E a morte de um “inimigo” não pode ser lamentada, não é mesmo? Mas e quanto aos civis inocentes?

Junto com os sigilos fiscais de meia-dúzia de tucanos, a Stasi de Lula também violou o sigilo de ninguém menos que Ana Maria Braga, que, suponho, deve ser uma perigosíssima espiã infiltrada pela direita burguesa na grande mídia. Acorda, menina!

Minha dúvida é: queriam vasculhar os dados fiscais da “mãe” do Louro José por quê? Vai ver ela é suspeita de trabalhar para o consórcio neoliberal formado por PSDB e DEM. Ou então o programa dela vem fazendo campanha negativa contra Dilma, principalmente quando prepara pratos à base de carne, e todo aquele sangue fica à mostra, na TV.

Nunca se sabe quando alguém vai ligar sangue ao passado terrorista de Dilma, não é mesmo? Ou, então, vai ver espionaram Ana Maria Braga pra chegar ao… Louro José! Sim, deve ser isso! Aquele papagaio de uma figa, todo pintado de verde e amarelo. Fica evidente que ele é contra o vermelho do PT.

Não se deixem enganar pela bizarrice do episódio. Nem pensem que de nada adianta apontar essas coisas diante das pesquisas eleitorais favoráveis a Dilma, a Lula e ao PT. Pouco me importa se faço parte daquele um por cento que insiste em não dobrar os joelhos para o apedeuta. Continuarei apontando cada pequena investida contra o sistema de liberdades democráticas, pelo menos enquanto ainda existir liberdade para fazê-lo.

É divertido ver o contorcionismo retórico que os petistas fazem no afã de negar o caráter evidentemente fascista do seu governo.

Percebam que estão presentes todos os pilares fundamentais: 1) o culto à pessoa do líder; 2) a ocupação do Estado e a condição de subserviência deste ante o Partido; 3) o apelo populista para conquistar as massas; 4) a subversão dos valores morais, paulatinamente substituídos pelos valores d’O Partido; e 5) a utilização despudorada dos recursos estatais para minar qualquer tipo de oposição ao regime. “Falta o uso da força!”, zurrarão os petistas. Sim, falta. Ainda! Dado o que temos hoje, é válido perguntar: o petismo não recorre à força contra “a direita preconceituosa e golpista” por que não quer? Ou por que (ainda) não pode?

Na esteira do que escrevi semana passada, façamos um rapidíssimo exercício de imaginação: e se fosse o DETRAN de São Paulo, governado pelo PSDB, que estivesse vasculhando as multas e crimes de trânsitos existentes em nome de Marta (Favre-Belisário-Wermus) Suplicy, de Netinho de Paula, ou da “neocompanheira” Mulher Pêra? O mundo já teria desabado sobre a cabeça de Serra, não? E com muita razão! O que custo a entender é: por que, quando se trata do PT, as coisas são vistas com mais – como direi? – “tolerância”?

Por que diabos, mesmo depois de oito anos no governo, os petistas ainda ostentam esse ar meio “café-com-leite”, que lhes permite transgredir regras que para os adversários são imperativas?

Nossa, é claro! Já sei por que Ana Maria Braga foi espionada ilegalmente pela Gestapo petista. É que a companheirada nunca perdoou o fato da apresentadora ter se apresentado na TV, na manhã seguinte à reeleição de Lula, vestindo preto da cabeça aos pés, em sinal de luto. É a tal busca contínua pela unanimidade. O desejo reiterado de destroçar todo e qualquer foco de resistência ao líder, ao Partido.

Falando tanto na contratada da Globo, lembrei de Regina Duarte, e do medo que ela disse sentir em 2002. E posso concluir com facilidade que o pior dos medos dela não chegava nem perto daquilo que os petistas vêm se mostrando capazes de fazer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, escrevendo hoje excepcionalmente terça-feira é  editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Artigo do leitor: Outra visão sobre Ahmadinejad

02/12/2009

Caríssimos leitores,

Se inicia hoje mais uma possibilidade de interação entre os leitores deste blog, que já recebem considerável atenção deste blogueiro. Digo considerável pois, embora ela seja muito grande, sempre há o que melhorar.

Abro espaço nesta postagem para um artigo do leitor Carlos Robson, que, nele, trata sobre a questão das críticas ao Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e ao fato dele ter sido recebido com pompa e circunstância em nosso País. No artigo, Robson questiona a validade deste posicionamento crítico que, para ele, pode ser um tanto hipócrita.

É um prisma a ser observado.

Dito isso, confiram o texto de nosso leitor que, como todos os outros, pode agora, além de comentar sem moderação e ter a certeza de ter seu comentário respondido, submeter artigos ao blog.

Outra visão sobre Ahmadinejad

Carlos Robson*

Com a controvertida visita de Armadinejad ao Brasil foram gerados muitos protestos e críticas, porém, as motivações em jogo na verdade não se enquadram na política nacional.

Para os israelitas, tudo é claramente motivado por sua política, e não pela nossa. No que tange os homossexuais, a crítica é puramente religiosa. E, para os que foram no vácuo, a reclamação é preconceituosa mesmo.

Aos que criticam, não importam os acordos comerciais e nem tecnológicos, aliás, para os EUA e Israel isso tudo é muito incômodo, pois um inimigo que estava quase isolado agora encontra “um palanque no Brasil”.

O professor Peter Demant, holandês, doutor em seu país sobre a colonização israelense, morou e pesquisou em Jerusalém, chegando ao Brasil em 1999, e desde então, leciona Relações Internacionais e História da Ásia na USP. Ele defende que o mundo muçulmano historicamente apresentou um comportamento muito mais tolerante para com suas minorias do que o mundo cristão com as minorias na cristandade.

Podemos lembrar que ambas as religiões são monopolistas da verdade, expansionistas que, em princípio, querem converter todo o resto do mundo. Contudo, o Islã aceita o Judaísmo e o Cristianismo como antecedentes legítimos de sua própria religião, como formas um tanto modificadas da mesma mensagem de Deus. Assim, essas religiões têm um papel reconhecido e protegido dentro de uma sociedade religiosa, resultando em uma tolerância – mediante certas desqualificações sociais, econômicas e outras.

É claro que sempre temos a tendência de desqualificar a política, a cultura e a religião alheias e esquecemos que a verdadeira democracia, baseada na res publica (coisa pública), com certeza é o sistema político mais seguro contra ditadores e injustiças sociais. Pelo menos, era assim que deveria ser.

Porém, na nossa atual política ainda é muito comum o abuso do poder econômico para comprar cargos públicos e é praxe nas campanhas se falar em quanto  custa se eleger para um determinado cargo político. Digo isso para que possamos aperfeiçoar nosso sistema antes de criticar o sistema dos outros.

Mas, voltando a Ahmadinejad, aposto que se fosse o Rei Abdullah bin Abdelaziz, da Arábia Saudita, a vir aqui, ninguém faria esse absurdo que alguns fizeram com o  iraniano. E Abdullah sim é um ditador monárquico (mas como ele é aliado dos EUA não passa nada).

Será que ninguém nesse mundo vê as injustiças que acontecem com o povo árabe? Os EUA invadem os países deles, saqueiam e querem controlar a política e, daí, quando algum país sai de seu controle, eles usam toda a mídia mundial para encapetar uma nação (por que essa é a realidade – criaram uma imagem super negativa dos árabes).

Há maior terrorista no mundo do que George Bush filho? Eu não duvido nada que ele possa ter manipulado facções extremistas e fomentado aquele ataque de 11 de setembro para se reeleger e, depois, de quebra, ter apoio do povo americano para sua guerra pessoal e corporativa, já que as empresas de sua família são concorrentes dos xeques do petróleo.

Depois disso, fica a maioria dos ocidentais de cultura de  “robôs papagaios” só repetindo o que a mídia norte-americana diz.

Daí, no subconsciente das nações ocidentais fica o arquétipo de Rambo, ou de Schwarzenegger e de outros patetas fuzilando os demônios árabes, enquanto o mundo ocidental, embriagado pela fascinação cinematográfica norte-americana, aplaude e aplaude, até hoje, embevecido.

Os retratam como a polícia do mundo, mas, na verdade, os EUA não são a polícia do mundo, senão os sabotadores. A Africa está lascada muito por culpa do governo americano que apoiou ditadores nesses países (tal como fez na America Latina no passado).

Duvidas? Assista ao controvertido e premiado documentário, ao estilo de Michael Moore, que fala sobre a influência americana na Líbia e resto da Africa. Verás de maneira clara quem são os “policiais do mundo”…

Não morra sem ver isto!

*Carlos Robson é leitor do Perspectiva e submeteu artigo ao blog

Coluna do dia: Dia da Consciência Negra – Quem dera ele fosse desnecessário

29/11/2009

Por Jessica Riegg*

O Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, foi comemorado em todo o País. A data faz referência à morte de um dos líderes mais famosos dos escravos: Zumbi dos Palmares.

Como sou jornalista, fui cobrir a data conversando com a assessora de educação do movimento negro de Divinópolis e ela me disse coisas que me espantaram.

Quando perguntei a ela se a data era importante para os negros, ela me respondeu que é muito triste pensarmos que precisamos de um dia para lembrar à população que o racismo é um crime. E a assessora estava certa! Essa data deve ser lembrada todos os dias, pois os negros são enorme parte da essência desse País, eles nos ajudaram a construir a nossa história.

Esse dia pode, possivelmente, aumentar a diferença entre negros e brancos, afinal, não existe o Dia da Consciência Branca. Esse feriado pode institucionalizar uma suposta diferença entre as pessoas, diferença essa que não existe.

Os negros são discriminados, e isso não é nenhuma novidade. Mas eu pergunto a vocês: Como um País que é, em sua maioria, negro ou misto, pode permitir esse tipo de situação? Isso é um absurdo!

Independentemente da cor, todos somos iguais e deveríamos ser tratados de forma igual. Mas aí é que surge a questão: Como retirar da população um preconceito que vem sendo embutido há séculos? Como obrigar o governo a aplicar penas mais efetivas aos autores dos crimes de racismo? Como ensinar tudo isso à população?

A resposta dada pela assessora foi simples e ao mesmo tempo eficaz: Devemos ensinar isso às crianças, tanto nas escolas quanto em casa.

O governo já orientou para que as escolas desenvolvam matérias que dizem respeito à cultura negra, e isso está acontecendo, mas em pequena escala. Torço para que as escolas realmente implementem essa matéria de suma importância aos alunos, ensinando valores éticos e morais que as crianças estão perdendo atualmente.

Valores que deveriam ser ensinados pelos pais, mas que vem sendo deixados de lado.

O Dia da Consciência Negra é feriado ou ponto facultativo em oito Estados e em setecentas e cinquenta e sete cidades do País, conforme levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

Bom, enquanto tudo o que defendi acima não acontece, essa data talvez continue sendo apenas um feriado…

*Jessica Riegg escreve no Perspectiva Política todos os domingos

Coluna do dia: Ahmadinejad e a hipocrisia tupiniquim

24/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Essa semana, veio a estas nossas terras, sofridas e quase inóspitas, o Presidente de um dos poucos países (talvez o único) autenticamente soberanos deste Mundo aloprado e tresloucado no qual nós, Espíritos Livres (tanto quanto os Cativos) passamos nosso tempo entre o Não-Ser que há antes e o Não-Ser que há depois. Refiro-me, obviamente, a Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã sob a douta Auctoritas Espiritual do grandioso Aiatolá Khamenei.

Como verdadeiro amante do diálogo internacional (não é o Irã quem ameaça outros países de bombardeio, e nem é o Irã quem se recusa a receber inspetores da ONU), veio Ahmadinejad buscar uma tão benfazeja aproximação de cunho diplomático e econômico entre seu nobilíssimo e antiquíssimo país, herdeiro da Pérsia, e nossa triste terra tupinambá, ainda repleta de “selvagens”, mas que por ser obeso em tamanho e em PIB, e possuir mulheres e CEOs de fama internacional, vê a si mesmo como estando ‘a um passo do primeiro mundo’.

Um dos principais interesses que ambos os países têm em comum é o enriquecimento de urânio e a utilização de usinas nucleares para fins energéticos. Os dois têm feito avanços interessantes nesse sentido, e o Brasil até mesmo já pode se dizer ‘com alguma experiência’ na área, tendo até mesmo desenvolvido um método alternativo de enriquecimento de urânio.

Apesar de muitos medos, pois o Fantasma de Chernobyl ainda vive na mente de muitos, a Energia Nuclear se apresenta como uma das fontes mais eficientes e seguras, dentre as fontes de energia que poderiam servir como alternativa aos combustíveis fósseis. É belo que a partição da própria matéria-prima da existência seja capaz de liberar tamanha energia como o faz. Ainda que signifique algo temível e abominável, como tudo que é “divino”, o ‘Cogumelo Atômico’ possui tal magnitude e poder que inevitavelmente transmite uma sensação que só posso ver como análoga a estar diante de um aspecto de Deus. A total indiferença frente ao Humano, que não passa de uma formiga frente ao Macrocosmo… A sensação de expansão inelutável em direção ao infinito…

Essa impressão estética é compreensível, quando se apreende que estamos diante de algo tão primordial quanto a força que deu existência material ao Universo bilhões de anos atrás. O átomo é tanto força de Criação como força de Destruição. É oportuno lembrar de uma passagem do ‘Bhaghavad Gita’, mais importante obra espiritual do Hinduísmo, citada pelo cientista genocida Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan: “Agora tornei-me Morte, o Destruidor de Mundos.”

Deixando esse tema um tanto de lado, voltemos para o tema primário deste artigo.

Veio Ahmadinejad, líder democraticamente eleito do Irã, apesar da tentativa de golpe orquestrada pela CIA, e quão patética toda a reação dessa massa jornalística e “intelectualóide” brasileira, chorando e rastejando no pó, gemendo de ódio irracional e meramente repetindo mitos e ‘lugares-comuns’.

O que é mais cômico é que, alguns dias antes, quando recebemos alguém que realmente poderia ser dito como genocida, Shimon Peres, Presidente de Israel, absolutamente NENHUM desses indivíduos, de jornais grandes ou pequenos, disse uma única palavra sequer de desaprovação a respeito.

Ora, respeitáveis leitores, isso ocorre porque toda essa massa jornalística tem um lado que possui um quê de sionista. Quem diria que essa ideologia fincaria raízes tão fortes aqui no Brasil. Ou talvez minha surpresa seja indevida… Quem tiver disposição e coragem, que procure e leia “História Secreta do Brasil”, de Gustavo Barroso, membro da Academia Brasileira de Letras.

Só posso admitir que a maior parte desses sionistas brasileiros o seja por mera osmose. “Todos acham isso, então deve ser verdade…” Desafio qualquer um de vós, jornalistas anti-iranianos, a vir aqui me trazer a mítica “ameaça de genocídio contra Israel feita por Ahmadinejad.” Eu estou falando com seriedade. Desafio qualquer um a provar que tal citação apócrifa seja autêntica. Mas já afirmo de antemão que não admitirei como provas links do ‘The New York Times’, do ‘Haaretz’, ou de qualquer jornal de linha editorial similar. Quero o texto ou vídeo em que Ahmadinejad faz tal afirmação, com uma tradução feita para o português por alguém que fale sua língua.

Como é fácil distorcer palavras alheias ou mesmo as inventar… Principalmente quando se possui o monopólio da informação.

Só posso compreender o sentimento anti-iraniano como fruto de ignorância ou arrogância humanista. “Toda Nação deve possuir auto-determinação…”. Mas ai das nações que ousem contrariar os preceitos do Humanismo Liberal! Elas são más! Elas devem ser destruídas! Assim é que o Multiculturalismo mostra sua verdadeira face. Se todo país deve abarcar a todas as formas de auto-expressão e liberdade, então todo país deve ser idêntico e, portanto, não há diversidade.

Touché. Adoro brincar de assassinar ídolos. Principalmente “ídolos ideológicos”. Deve ser culpa das minhas leituras excessivas de Nietzsche.

“Devemos ter Tolerância”! Mas parece que isso não vale com relação a aqueles que discordam de nós verdadeiramente. Podemos tolerar que um indivíduo seja Social-Liberal, Social-Democrata ou Liberal-Democrata. Devemos tolerar essas diferenças. Mas coloque um tolerante humanista diante de, por exemplo, um fascista ou um muçulmano tradicionalista e veja como ele se transforma em alguém ululando de ódio, clamando por execução sumária e gritando slogans humanistas entrecortados por insultos vulgares.

Toda a tolerância humanista é muitas vezes uma máscara da mais profunda intolerância. Quanta hipocrisia.

Talvez seja pior viver sob o Totalitarismo Liberal. Em um país autoritário, todos sabem o que se pode fazer e o que não se pode fazer; o que se pode dizer e o que não se pode dizer; o que se pode ler e o que não se pode ler. Nas democracias liberais modernas, você pode fazer, dizer e ler tudo. A não ser aquilo que esteja em discordância com a ideologia oficial. Qual a diferença então?

Se há liberdade para questionar tudo, menos o Humanismo, menos a Moral Cristã, menos a Democracia, menos o Iluminismo, menos o Multiculturalismo, então não há liberdade nenhuma. Há um embuste. Há uma farsa.

Pior que a escravidão evidente e declarada é aquela que se disfarça trajando sem pudores as roupagens da Liberdade.

Quereis provar que estou errado?

Então começai atacando Israel, o ÚNICO país do Oriente Médio possuidor de armas nucleares e o ÚNICO que se recusa a receber inspetores da ONU. Começai pelos que hoje, enquanto você está sob lençóis de veludo, chacinam diariamente palestinos, usando para isso inclusive armamento proibido.

Qual poderia ser minha reação, senão rir até não poder mais, quando vi na televisão os tipos que protestavam contra Ahmadinejad, os quais certa rede de televisão abertamente sionista chamou de “representantes da sociedade civil”.

Festejemos a tolerância e o humanismo! Mas o façamos sob o som do fuzilamento dos que discordam de nossos “valores”. O humanista enche a boca para falar sobre a “desumanização” de minorias e outros “grupos santificados e vitimizados da modernidade”. Mas se o humanista se vê como representante do Bem, e todos que discordam essencialmente dele como representantes do Mal, quem é então o verdadeiro culpado pela desumanização? Olhai nos olhos de um humanista, quando ele fala de um inconformista. Ele olha com um olhar que é um misto de arrogância pequeno-burguesa e total desumanização do Outro.

“O Irã deve ter liberdade”! Menos para escolher ser Tradicionalista e Muçulmano. Caso isso ocorra devemos bombardear o Irã, até que ele seja salvo e aprenda o valor da tolerância.

Que os adormecidos despertem, que os cegos vejam e que os hipócritas passem a ter um mínimo de vergonha na cara, porque já está ficando difícil de aturar tudo isso.

Por fim, recomendo vídeo pouco divulgado que demonstra que Ahmadinejad dialoga com judeus e que prova que judaísmo e sionismo não são a mesma coisa.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

2ª Coluna do dia: As Olimpíadas e a essência da democracia

03/10/2009

Por Matheus Passos*

Geralmente, o chamado “senso comum” associa democracia a eleições. Assim, se um país tem eleições regulares, o mesmo seria democrático, já que permitiria ao povo expressar suas opiniões a respeito de que grupo político deve governar o país.

Logicamente, o conceito de democracia vai muito além de eleições. Tendo como base as ideias de Bobbio, expressas em seu Dicionário de política, vemos que a democracia pressupõe a presença dos seguintes itens: 1) Membros dos poderes Legislativo e Executivo eleitos direta ou indiretamente pelo povo; 2) Todos os maiores de idade devem poder votar, sem distinção de raça, de religião, de sexo ou de renda; 3) O voto deve ter o mesmo peso para todos; 4) Todos devem escolher suas opções de maneira livre; 5) Devem haver no mínimo duas alternativas distintas ao eleitor; 6) Aquele partido que obtiver maioria vence; 7) Nenhuma decisão tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria, de um modo especial o direito de tornar-se maioria, em paridade de condições.

Além dos itens acima – que correspondem a uma definição bastante formal de democracia –, eu incluiria outro item, que é bastante subjetivo: o respeito à opinião do outro. Esta ideia não está associada à ideia de garantir que o outro se expresse, ou seja, não se refere apenas à ideia de liberdade de expressão: está relacionada a um elemento que, na disciplina de Antropologia, é chamado de relativismo cultural. Neste sentido, deve-se ter em mente que não existem sistemas sociais (jurídicos, políticos, econômicos…) melhores ou piores, superiores ou inferiores: existem sistemas sociais (jurídicos, políticos, econômicos…) diferentes.

A liberdade de expressão não deve ser entendida como “tolerar a opinião do outro”, porque quando eu afirmo que tolero o que o outro pensa ou o que o outro tem a dizer, estou implicitamente me colocando como superior ao outro – e não devemos imaginar que o sistema social (jurídico, político, econômico…) no qual vivemos é, necessariamente, o melhor, o mais correto, o mais avançado.

É nesse sentido que a definição das Olimpíadas como tendo lugar no Rio de Janeiro em 2016 serve como um exemplo para mostrar o quanto nosso País ainda precisa avançar em seu elemento democrático. Para provar tal argumento, faço apenas uma única pergunta: Foi bom o Rio de Janeiro ser escolhido como sede das Olimpíadas?

Haverá aqueles que dirão que não, e alguns argumentos para se ser contra as Olimpíadas poderiam ser os que se seguem. O orçamento está previsto em R$ 25 bilhões e é muito dinheiro para apenas um evento. Provavelmente, tal orçamento acabará ficando maior, seja por superfaturamento, seja por corrupção, seja por atraso das obras, o que leva a um gasto excessivo. Serão construídos estádios, salas de imprensa e uma vila olímpica que ficarão para a posteridade e não serão usadas para nada. O País tem outras prioridades e o dinheiro poderia ser investido em outras áreas que são mais importantes. O tráfico no Rio irá se esbaldar com os turistas estrangeiros. E por aí vai.

Por outro lado, haverá aqueles que defenderão as Olimpíadas. Poderão argumentar que parte dos R$ 25 bilhões previstos como gastos já estavam orçados e seriam utilizados de qualquer jeito – o que as Olimpíadas fazem é apenas acelerar o processo. Ou então que os R$ 25 bilhões correspondem a apenas 1% do PIB atual e que este valor será diluído em sete anos – portanto, o impacto em termos de gastos será pequeno. Ou que o projeto olímpico, em termos de melhorias de infra-estrutura, é realmente necessário, e que as mudanças na área de transportes, por exemplo, irão melhorar a vida dos cariocas. Ou ainda que a decisão nada mais é do que o reconhecimento internacional do Brasil e que a sede, sendo aqui, trará mais visibilidade – e consequentemente investimentos – em nosso País.

Qual visão é a certa e qual é a errada? Ambas podem estar certas e ambas podem estar erradas e minha pergunta é apenas retórica porque, no contexto de um pensamento efetivamente democrático, não poderíamos perguntar “qual é a certa e qual a errada”. No contexto democrático, haverá pessoas que concordarão que as Olimpíadas trarão mais prejuízos que benefícios, enquanto outras defenderão o inverso.

Contudo, independentemente da defesa de uma ou outra opinião, o indivíduo realmente democrático deve ter em mente que não pode menosprezar a opinião do outro, nem mesmo “tolerar”, no sentido afirmado anteriormente.

O indivíduo realmente democrático deve apresentar suas ideias, ouvir as ideias do outro e enxergar nas ideias deste outro algo diferente, mas não inferior ou superior – pois o pensamento de que algo é melhor do que outro dá ao primeiro, consciente ou inconscientemente, legalmente ou não, legitimamente ou não, o direito de achar que, por ser melhor, pode subjugar o pior, em uma espécie de “messianismo auto-declarado”.

A História nos mostra que tal superioridade auto-atribuída não leva a outro lugar que não seja a desunião, a discórdia e o extermínio. Deixo aqui uma pergunta no ar: Ao sermos democráticos, podemos realmente acreditar que existam os “mocinhos” e os “bandidos” no mundo?

Se sim, isto nos dá o direito de usar quaisquer meios para exterminar os “bandidos”? Não nos esqueçamos de que este pensamento dicotômico, que enxerga o “meu” como melhor e que enxerga o “outro” como pior e que, consequentemente, não respeita o outro por ele ser “pior”, deu origem ao nazismo e ao Holocausto, bem como ao pensamento recente de George W. Bush de que “nós somos os bonzinhos e eles são os malvados” – com todas as consequências negativas que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre o assunto pode observar.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Coluna do dia: Combatendo o bom combate

18/09/2009

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores do blog devem saber que sou um grande fã de São Paulo, o apóstolo. Fã? Sim, fã. Costumo dizer que qualquer ensinamento necessário para a vida de cada um de nós está lá, nas epístolas escritas por ele. Ali aprendemos, por exemplo, que é preciso combater o bom combate ao longo da vida (I Timóteo 6,12), defendendo a verdade e as liberdades.

E por que essa introdução um tanto religiosa? Bem, este blog de vanguarda, a partir de onde vos escrevo semanalmente, está há um ano combatendo o bom combate. E eu, como integrante da equipe de colunistas dele, sinto o regozijo próprio de quem sabe que também combate, com afinco, do lado do bem. Bem, eu disse? Sim, disse. Pode parecer simplório e maniqueísta falar de “bem e mal” hoje em dia. Mas não nos deixemos enganar: há, sim, um lado do “bem”, onde impera a verdade e a liberdade. E há o “mal”, que vive a atacar aquilo que é bom e justo. Já chego ao ponto.

Como os leitores devem saber, eu moro em Macapá, capital do Amapá. Aqui, um rincão apequenado e apartado da civilização, prerrogativas basilares de uma sociedade livre e democrática ainda nos são tolhidas diuturnamente, como se cidadãos não fossemos. Este estado, é sabido, só acabou por existir a fim de garantir a José Sarney um lugar perpétuo no Senado Federal. E vem cumprindo com impressionante zelo tal tarefa, reelegendo o maranhense pleito após pleito, tomando sempre a mesma direção, independentemente da quantidade de caminhos existentes – como um grupo de equinos que trota por automação, preso aos limites de seus antolhos.

Neste lugar, a liberdade de expressão é algo que jamais se fez presente. Sempre que alguém tentou criticar as autoridades políticas do Amapá, precisou enfrentar os “rigores da lei”. Quais? Bem, nas eleições de 2006 – últimas vencidas por Sarney -, mais de 100 pessoas foram processadas pela coligação do autor de “Brejal dos Guajas”. Ofenderam o imortal Senador? Que nada! Apenas se manifestaram, dizendo que não o queriam mais como representante do Amapá no Legislativo, questionando seu legado como Presidente e seu passado estreitamente ligado à ditadura militar. Tudo dentro do óbvio jogo democrático, onde o cidadão descontente é livre para questionar seus representantes. Mas isso, caros, não se aplica ao Amapá.

Este escriba, ao final das eleições municipais de 2008, escreveu um pequeno artigo criticando a situação sócio-política do estado. Na ocasião, afirmei algo que muitas ilustres figuras consideram demasiado ofensivo: disse que a única saída para o Amapá seria uma invasão americana. Em tal caso, a exemplo do que aconteceu no Iraque, sofreríamos com os bombardeios iniciais, mas terminaríamos conhecendo as luzes do mundo civilizado. Haveria, é claro, inúmeras baixas civis, mas, como diria Bush, tratar-se-ia de algo aceitável. A coisa toda, é óbvio, não passa de uma metáfora. Uma construção textual destinada a evidenciar meu profundo pessimismo com relação ao futuro deste lugar. Mas a tara autoritária que acomete o Amapá não tolerou a crítica e a divergência.

Numa ação sem precedentes, a Advocacia-Geral da União decidiu, a pedido do então Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, me interpelar judicialmente sobre o referido texto. Sim, vocês leram direito: a AGU, órgão mais importante de assessoria e consultoria da Presidência da República, achou por bem movimentar o aparelho judiciário do Estado contra um indivíduo. E tudo em razão de uma opinião pessoal, nada mais. Trata-se de algo sem precedente jurídico, sem mencionar que constitui uma flagrante aberração democrática. Trocando em miúdos, temos que o Estado, em vez de garantir as liberdades individuais, se ocupou de questioná-las, levando um cidadão aos tribunais.

Não vou tergiversar sobre nenhum drama pessoal, mesmo porque a ação proposta pela AGU era juridicamente deprimente. Imaginem que chegaram a embasar todo o petitório na malfadada Lei de Imprensa, condenada há muito à inconstitucionalidade. Eu me ocupei de apontar isso ao Juízo, além de lembrar que a tal ação fora ajuizada sem que qualquer precedente existisse no direito brasileiro. Experimentem pesquisar e verão: “nunca antes na história deste País” a AGU, a pedido de um tribunal judiciário, movimentou o aparelho jurídico-punitivo do Estado contra um indivíduo. Na ocasião, brinquei: eu era o Larry Rohter do Amapá.

Mas por que isso é importante? Bem, porque enfrentar a censura, a perseguição do Estado e a falta de discernimento democrático que ainda vigora em alguns rincões do Brasil é, sim, combater o bom combate. E é isso que se faz, diariamente, aqui no Perspectiva Política. Quando fui convidado por Bruno Kazuhiro – a quem tenho a audácia de chamar de “amigo”, mesmo sem conhecer pessoalmente – para ser um colunista do blog, senti que me era dada a chance de perseverar no bom combate. Torno a citar São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Romanos 12, 21).

Rogo aos leitores que não me tomem por um “carola” de primeira hora. Longe disso. Admiro, antes, o São Paulo teólogo, estudioso. Aquele que, como dito antes, compilou em suas cartas as regras basilares de conduta que, a meu aviso, nos distinguem da barbárie. E, sim, estou entre os que acreditam que os ensinamentos cristãos foram responsáveis por unir o Ocidente e permitir que crescesse como civilização – mas tal tema, sei disso, é um tanto mais polêmico e fica, pois, para outra ocasião.

A cada semana, quando chega a hora de escrever minha coluna semanal, sinto-a como uma nova chance de vencer o mal com o bem. Sinto que sou empurrado a continuar combatendo o bom combate, erguendo minhas armas em favor da democracia e do sistema de liberdades individuais. E isso só é possível porque há cerca de um ano o meu jovem amigo Bruno Kazuhiro– e aqui torno a chamá-lo assim por minha própria audácia – decidiu, também, que era chegada a hora de combater o bom combate e de vencer o mal com o bem. Qual bem? Aquele que prima pela tolerância, pelo debate, pelo contraditório e pela pluralidade. Aquele que tem por fim elevar a sociedade, fornecendo a ela os meios necessários para aperfeiçoar ainda mais os valores fundamentais, como a liberdade de expressão, a democracia, o respeito, a justiça e a sensatez.

E aqui reside todo o meu regozijo e minha esperança: para cada tentação autoritária que se ergue contra o indivíduo e a sociedade – como acontece rotineiramente no Amapá -, há que surgir uma trincheira de liberdade e democracia, como o Perspectiva Política. Focos de liberdade como este blog são, em sua essência, a viga mestra de sustentação de uma civilização livre, que se mostra disposta a enfrentar os inimigos.

Ruy Barbosa, objeto da admiração de Bruno e de todo homem de bem, costumava citar esta famosa frase: “No império dos homens, a pena é mais forte que a espada.” Ele estava, como sempre, correto. Um espaço amplo, livre e democrático como o Perspectiva Política vale por mil exércitos juntos, se o objetivo é defender a primazia das liberdades, a começar pela liberdade de expressão. E eu me sinto orgulhoso e grato por ter o privilégio de erguer minha pena junto com o restante da equipe deste blog, em defesa daquilo que faz de nós uma civilização verdadeira e grandiosa.

Às vésperas do primeiro aniversário do blog – o primeiro de muitos, estou certo -, concluo que o grande presenteado sou eu, que posso tomar parte neste projeto audacioso. Que assim seja: continuemos todos a combater o bom combate!

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia – Hipocrisia israelense

19/05/2009

Por Raphael Machado Silva*

Existe um país no Oriente Médio que não só é um ninho de cobras hipócritas, mas também é a maior ameaça à paz no Oriente Médio. Não, meus queridos, não é o bicho-papão favorito dos conformistas liberais, o Irã do sapientíssimo Aiatolá Khamenei. O país ao qual me refiro é Israel, a queridinha dos EUA e da elite financeira “ocidental” .

Sejamos realistas. Onde raios Israel já deu algum motivo para que fosse considerado um país Ocidental? Não é Israel um Estado religioso judaico, e não possui o Judaísmo valores bem diferentes dos do Ocidente Cristão?  Eu e os outros que são céticos e realistas morremos de rir com toda a bajulação votada a Israel por vários grupos religiosos cristãos, cuja recompensa não é nada mais, nada menos, que desprezo. Reconheçamos! Os israelenses são muito inteligentes! Enquanto nós, ocidentais, passamos nossa vidas em lamúrias covardes e repletos de excusas, Israel usa o Ocidente para fazer seu serviço sujo em seu quintal.

E que perigo maior para a paz no Oriente Médio pode haver do que Israel, o único país da região em posse de armas nucleares? Armas essas que, apesar de todos saberem que existem, Israel nega possuir e não só, mas também, possui a audácia de impedir inspeções em suas instalações nucleares. Que país possui lobistas em todos os países do Ocidente pressionando por legislações draconianas contra historiadores que buscam apenas investigar mais a fundo certos aspectos do passado recente que dão “respaldo moral” para os arbítrios e atrocidades israelenses? Que país tem lobistas pressionando e incentivando parlamentares de vários países ocidentais a defender os interesses do país de origem desses lobistas ao invés de defender os interesses de seu eleitorado? Não é o Irã. Tampouco o Líbano.

Quanta audácia possuem esses israelenses, achando que possuem autoridade para determinar como devem ser os discursos do Papa Bento XVI. O que eles esperam ganhar com esse comportamento? Isso não é o oposto do tipo de comportamento que leva à tolerância e à convivência? Mas será que é esse o interesse dos israelenses? Bom, enquanto no maligno Irã a comunidade judaica floresce, como será que vão as comunidades árabes e palestinas em Israel?

Os problemas gerados por Israel devem ser resolvidos pelo mesmo. Os países do Ocidente já possuem problemas demais em seus próprios países para gastar dinheiro dos contribuintes para apoiar um Estado genocida que possui como costume romper tratados e convenções quando isso lhes convém. Há por acaso normas internacionais específicas para Israel e outras para o resto do mundo? Se o Islã é um inimigo do Ocidente hoje, isso não torna Israel um aliado. Vamos começar a adquirir um pouco de sabedoria geopolítica, ou vamos continuar tateando no escuro?

Convenhamos, Israel é um fardo que arruinará qualquer país que cismar em querer “tomar suas dores”. Cuide de seu nariz, Ocidente! E se os outros povos quiserem resolver seus problemas com violência, eles que o façam por sua conta e risco e assumam a responsabilidade por seus atos.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Lula e Obama: Diferentes

14/03/2009

“Lula e Obama têm trajetórias semelhantes, diz Dilma”

Já falei sobre este tema neste blog, aqui, mas falarei novamente:

Tirando o fato de Lula e Obama terem sido eleitos presidentes lutando contra tabus e não sendo advindos da classe política dominante, eles não tem nada em comum. As circunstância são totalmente diferentes. Ambos terem pregado a mudança não quer dizer que as mudanças sejam as mesmas. Até porque as situações que desejavam alterar nas épocas das campanhas não eram as mesmas.

Além disso, se por um lado Lula era sindicalista e metalúrgico, Obama é advogado e professor. Se por outro Obama é formado em Harvard, Lula não tem muita instrução.

Ideologicamente também não há muitas semelhanças. Por mais que ambos preguem ideais de justiça social e tolerância, a ligação fica por aí. Lula já foi socialista, Obama afirma sempre ter entendido um capitalismo mais justo como caminho.

Resumindo, aproximar as imagens de Lula e Obama é claramente uma tentativa da equipe do Presidente de fazê-lo pegar carona no rojão.

Totalmente desnecessário.

Barack Obama foi meteórico. Lula tentou a presidência quatro vezes  para conseguir vencer. Barack Obama tem uma incrível oratória que chega a emocionar. Lula chega a usar, algumas vezes, palavras de baixo calão.

A principal diferença é que Lula é um político que faz uma política comum e que, embora tenha seu inegável apreço pelos pobres, pela distribuição de renda e pela justiça social, faz um governo com bastidores como outro qualquer. Existem conchavos e arranjos. Obama, ao contrário, prega ideais de igualdade, de retidão, de honestidade. Obama, embora possa vir a ter um governo maculado, dá a esperança de que isso não aconteça. O democrata mobiliza.

Obama não é o salvador da pátria, não é uma divindade, não é o Superman. Obama pode muito bem desapontar o mundo inteiro. Lula já governa, já teve seu desgaste natural e isso deve ser levado em conta, porém, no geral, a verdade é que Lula, ou talvez sua equipe de marketing, está querendo pegar uma carona no fenômeno Obama, porém, Lula, de Obama não tem nada.

Fora hipocrisia

20/11/2008

Hoje é 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. O reconhecimento da data é grande, inclusive, sendo feriado em alguns lugares, como no Rio de Janeiro. Por ser a data da morte de Zumbi dos Palmares, estipulou-se como sendo hoje o dia em que devemos refletir sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Esse é o verdadeiro fundamento do feriado, ele não existe apenas para que não se trabalhe e se gerem, de tempos em tempos, feriadões.

Sendo hoje, então, o dia para se refletir sobre o papel que está sendo interpretado pelo negro na sociedade, por que não fazer isso? Por que não pensarmos sobre como andam a relação do negro com o mercado de trabalho, o debate sobre as cotas universitárias e a discriminação? Por que não falarmos sobre o nosso país, que diz que não é racista mas o é, e muito? Por que não falarmos a verdade e negarmos o Brasil de todas as raças e credos que é colocado para os turistas?

No Brasil, sempre ouvimos aqueles argumentos de que temos uma pátria miscigenada, formada pela mistura e naturalmente alegre e tolerante. Não é bem essa a realidade. O negro é, ainda, discriminado, tratado como inferior em alguns casos, concorrendo sem igualdade de condições com os brancos em campos como o mercado de trabalho. Infelizmente, não podemos nos orgulhar de termos uma nação realmente tolerante, o racismo existe no país, embora um pouco camuflado.

Se o Brasil é o país da mistura, onde todos são iguais e onde todos se entendem, por que os negros necessitam de cotas universitárias? O que foi a eleição de Barack Obama nos EUA, senão uma demonstração de que o nosso país ainda está muito aquém do que poderia ser, já que nem se vislumbra um negro brasileiro que possa ser presidente?

A verdade é que os brasileiros têm de enfrentar a realidade nua e crua e admitirem que os negros ainda tem menos acesso à educação, ainda são discriminados, ainda sofrem com certa intolerância. É claro que certas medidas, como as cotas universitárias, são questionáveis. Isso é fato. Porém, é inegável que os negros estão mais presentes nas classes mais pobres da população e que para que eles possam ter condições iguais às dos brancos, a desigualdade social, como um todo, necessita diminuir. E essa desigualdade não diminui só com Bolsa Família. Os acessos à educação, à saúde, ao saneamento básico e até mesmo à justiça devem ser universalizados.

De fato, uma vida melhor para os brasileiros mais pobres traria consigo uma vida melhor para uma grande parcela dos negros do país, pois eles são, infelizmente, grande fatia dessa parte do povo brasileiro. No caso do preconceito, ele deve ser punido exemplarmente, seja qual for a classe social do ofendido e a do que ofende. A impunidade, principalmente, deve ser combatida.

Em suma, a melhoria das condições de vida dos brasileiros em geral, afetaria, obviamente, os negros. Juntamente com isso, precisa ser diminuído o preconceito, que atinge até mesmo a minoria de negros que teve oportunidades. O Brasil precisa ser realmente tolerante. O país que os negros brasileiros encontram não é o país do carnaval e da mistura, apresentado para os turistas. É quando os turistas não estão vendo que os negros tem de poder ter chances, assim como todos os brasileiros.

No Dia da Consciência Negra, este blog pede oportunidades para todos os brasileiros, inclusive os negros, que estão, por circunstâncias históricas, entre os mais necessitados. Pede também que o preconceito seja combatido, assim como a hipocrisia que o aponta como inexistente.