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Coluna do dia: Imagine

20/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Imaginem um presidente brasileiro conservador. Aliás, mais do que isso: imaginem um presidente de extrema-direita. Sim, eu sei que não é fácil, afinal o Brasil está acostumado a ter há décadas, uma disputa entre as várias matizes da esquerda, sem que haja um representante sequer da direita.

Mas, ainda assim, peço um esforço a vocês. Tentem imaginar, apenas por um momento, que o Brasil tem um presidente extremista de direita. Feito isso, imaginem que o sujeito tenha escrito uma carta mais ou menos nos seguintes termos:

“Queridas Companheiras e Companheiros

Há 20 anos, 42 partidos e movimentos conservadores da América Latina e do Caribe reuniram-se em São Paulo – convidados por nós – para um Encontro sem precedentes na recente história política de nosso Continente.

Nascia o que um anos depois, no México, seria chamado de Foro de São Paulo.

Vivíamos tempos difíceis no início dos anos noventa.

Em muitos países começava a ganhar força um discurso radical de esquerda, alimentado por líderes oposicionistas carismáticos, como Lula da Silva e Hugo Chávez, inspirados no exemplo do tirano homicida chamado Fidel Castro. Esses caudilhos ameaçavam as democracias vigorosas e dificultavam a luta dos trabalhadores.

Pairava sobre nosso Continente a ameaça de um novo espectro comunista.

(…) A predominância dessas idéias de extrema-esquerda, era reforçada pela profunda crise das referências tradicionais da direita radical. Suas políticas não permitiam explicar a realidade mundial mas, sobretudo, mobilizar as grandes massas.

A reunião de São Paulo e tantas outras que se seguiram nestes 20 anos tiveram como mérito fundamental criar um espaço democrático de conhecimento e de discussão das extremas-direitas. Esse espaço não existia, muitas vezes, nem mesmo em nossos países.

(…) Hoje, nossa região vive uma situação radicalmente diferente daquela de vinte anos atrás. Muitos dos que nos encontramos no passado nas reuniões do Foro de São Paulo como forças de oposição, hoje somos Governo e estamos desenvolvendo importantes mudanças em nossos países e na região como um todo.

(…) Uns poucos tentam caracterizar o Foro de São Paulo como uma organização autoritária. É o velho discurso de uma esquerda que foi apeada do poder pela vontade popular. Não se conformam com a democracia de que se dizem falsamente partidários.

A contribuição de meu partido e outros partidos de extrema-direita do Brasil para esta nova realidade do Continente é de todos conhecida.

(…) O Brasil mudou e vai continuar mudando nos próximos anos.

Mudou junto com seus países irmãos do Continente.

Mudou como está mudando a Argentina que agora acolhe mais este encontro do Foro de São Paulo.

Recebam, queridos amigos, o abraço do seu irmão e companheiro”

Continuando o nosso exercício de imaginação, considerem que os destinatários da carta acima, assinada pelo presidente brasileiro de extrema-direita, sejam integrantes de partidos com inspiração em Mussolini, Pinochet, Franco, bem como em herdeiros políticos dos militares que governaram Brasil e Argentina durante décadas de ditadura. Imaginem, assim, que tais movimentos políticos sejam as forças políticas integrantes do tal Foro de São Paulo.

Ah, quase esqueci! Considerem também que, além dos movimentos políticos acima mencionados, essa entidade representativa das extremas-direitas da América Latina contasse, ainda, com a participação de um grupo paramilitar, conhecido internacionalmente por sequestrar, torturar, estuprar, matar e traficar drogas.

Como a opinião pública reagiria diante de semelhante organismo internacional? O que diriam a OAB, a CUT, o MST e a CNBB? Qual seria o posicionamento da imprensa e dos intelectuais brasileiros a respeito? Como se comportaria a academia brasileira? Gente como Emir Sader, Marilena Chauí, Maria da Conceição Tavares, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim diriam o quê?

Ora, não é difícil concluir que o mundo desabaria sobre a cabeça do tal presidente brasileiro de extrema-direita, não é mesmo? E com razão! Um fórum com clara inspiração fascista e totalitária, formado por movimentos cujo ideário descende de tiranias assassinas, não mereceria mesmo respeito algum! Vou além: não mereceria sequer existir! A democracia não pode, por amor aos seus princípios, tolerar a existência daqueles que, se pudessem, os destruiriam.

Agora, diante de tudo o que vai acima, considerem que o tal Foro de São Paulo realmente existe, e que não é apenas fruto de um exercício de imaginação proposto por mim. Considerem ainda que ele realmente é composto por partidos e movimentos políticos de inspiração ditatorial, e que tem entre seus membros um grupo paramilitar como o descrito ao alto. Mas atentem para o seguinte: considerem que ele não é de extrema-direita, mas de esquerda.

O que custo a entender, o que não me parece nada lógico, é o seguinte: por que repudiamos – acertadamente, diga-se! – um Foro de São Paulo de extrema-direita, mas aceitamos um de extrema-esquerda? Por que seria escandaloso um presidente brasileiro mantendo relações com partidos inspirados em Mussolini e Franco, mas não causa escândalo algum ver Lula sentando à mesa com gente que se espelha em Stalin e Mao Tse-Tung? Por que seria inadmissível ver o governante do país chamando um grupo paramilitar de direita de “companheiro”, mas é aceitável que o presidente atual derrame abertamente seu amor pelas FARC?

Que deturpação descabida de valores morais é essa, capaz de nos levar a rejeitar o nazismo e o fascismo, ao mesmo tempo em que ainda nos faz parecer aceitável conviver com o socialismo e com o comunismo? Se concordamos todos em rejeitar uma das faces do horror, por que não concordamos também em rejeitar o horror por inteiro? Por que o totalitarismo de esquerda é tolerado no Brasil, a ponto de termos no poder um presidente que mantém relação pessoal de amizade com Fidel Castro? Por que o “terrorismo progressista” é tolerado no Brasil, a ponto de termos um presidente que se senta à mesa com as FARC?

Ou, para colocar as coisas de uma outra forma, a ponto de termos uma candidata que militou em grupos paramilitares, aqui mesmo no Brasil, com grandes chances de se tornar presidente?

Esta é, enfim, a curiosidade antropológica que mais me instiga no momento presente. Sei que o povo mais pobre, aquele sustentado pela bolsa-esmola oficial, não dá a menor importância para escolhas políticas e ideológicas. Escolheria um tirano (de esquerda ou de direita, tanto faz), se este garantisse o saldo do cartãozinho de benefício social ad eternum. Mas e a porção “pensante” do país? E a academia? E o jornalismo? Por que ainda há gente que não se escandaliza ao perceber que o principal partido do Brasil – assim como o principal líder político da atualidade – tem, sim, bandidos de estimação?

Não me assusta que o PT tente esconder o Foro de São Paulo, ou, por vias oblíquas, diminuir a importância dele. Não me assusta que marqueteiros de plantão se ocupem em fazer apenas a tal “campanha positiva”, exaltando até aquilo que nunca foi feito. Isso é do jogo. O que me assusta é notar que o mesmo país capaz de se escandalizar com o Fiat Elba de Collor, com os dólares de Roseana ou com a cueca daquele petista, não veja nada de errado em uma carta na qual Lula confessa sua relação direta (e antiga!) com a escória da América Latina.

Temos, assim, a prova de que o terror foi relativizado, criando-se, assim, o terrorismo – e o totalitarismo – “do bem”. Como é pra ajudar “ozoprimido”, na tentativa de construir o tal “outro mundo possível”, então tá tudo certo.

Em qualquer sociedade minimamente civilizada, aquela carta de Lula seria motivo para “impeachment”. Entraria para a história como “a carta testamento” do petista: aquilo que acabou com sua presidência e com as chances do seu partido de continuar no governo. Mas o Brasil atual, de civilizado, tem muito pouco.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: André Vargas, o PT e o estranho vício que essa gente tem de querer os adversários mortos

31/07/2010

                                                                                                                Por Yashá Gallazzi*

Imaginem que um petista acuse ACM Neto ou Paulo Bornhausen de serem uns coronéis, membros de oligarquias. Vamos, façam uma forcinha. Nem é tão difícil, afinal já cansamos de ouvir petistas falando isso, não é mesmo?

Pois agora imaginem que ACM Neto respondesse à acusação do petista mais ou menos assim: “Não, não sou coronel. Se fosse já teria mandado um jagunço matar você!” Não é difícil imaginar que o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Rapidamente algum intelectual da esquerda – aposto em Emir Sader… – rabiscaria um texto denunciando o “fascismo das velhas elites tradicionais de direita”. Gente como Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha desfilaria sua indignação jornalística. Ah, claro! Quase esqueci! É barbada que algum promotor veria ilegalidade na fala de ACM Neto e ajuizaria uma ação – qualquer uma – contra o deputado do DEM.

Mas nada disso aconteceu. ACM Neto não insinuou que mataria de bom grado algum político do PT. No máximo andou falando, há alguns anos, que queria estapear Lula. Não se pode culpá-lo, né? Quem não gostaria de dar umas bofetadas no apedeuta? Eu adoraria! Mas já me desviei. Retomo.

Os leitores conhecem André Vargas? Não?! Bem, André Vargas é Secretário Nacional de Comunicação do PT. Ele gosta, pois, de se “comunicar”. Se “comunica” como ninguém. Ontem, no afã de se “comunicar” com os eleitores brasileiros, André Vargas disse, sem meias palavras, que Índio da Costa deveria ser sequestrado ou morto.

Não! Não acreditem em mim. Visitem o twitter do sujeito (@AndreVargas13) e leiam, vocês mesmos, in loco, a frase que transcrevo abaixo:

“Não temos ligação [com as FARC], você acha que se tivessemos (sic) ligação com as FARC o INDIO E SUA TRIBO estariam ou sequestrados ou mortos. Rsss”

Os 140 caracteres do twitter costumam limitar – e muito! – os textos. Mas, apesar disso, não é difícil perceber as nuances que se encerram na declaração de André Vargas. Percebam, por exemplo, que o sujeito admite, sem sombra de dúvidas, o caráter criminoso das FARC. Mas isso nem é o mais grave.

Pior mesmo é ler que ele constrói, sem exitar, uma ameaça explícita a um candidato a Vice-Presidência da República. Está tudo lá, cristalino como as águas de um riacho: se o PT tivesse ligação com as FARC, Índio da Costa só teria dois destinos no horizonte: o sequestro ou o assassinato. Aliás, não apenas o vice de Serra foi ameaçado, como toda a “sua tribo”. Pergunto: que tribo seria essa? O DEM? A coligação PSDB-DEM? A tal “direita golpista”, preconceituosa, reacionária e de olhos azuis? Ou os tais 3% de pessoas que insistem em desaprovar Lula nas pesquisas de opinião? A fala de André é bastante ampla… Poderia ser qualquer um.

Lembram o que aconteceu quando Índio da Costa apontou as claras e incontroversas ligações existentes entre PT e as  FARC? Rapidamente a justiça eleitoral tratou de punir a coligação formada por PSDB, DEM e PPS, concedendo, inclusive, direito de resposta a Dilma Rousseff. O que ela dirá ao fazer uso de tal direito? Não tenho ideia… Mas estou curioso para ver que rodeios ela fará a fim de negar o companheirismo histórico que há entre os petistas e aqueles vagabundos terroristas da Colômbia, que vivem de “combater o neoliberalismo” por meio de sequestros, estupros, torturas e assassinatos.

Fico cá me perguntando: será que algum promotor vai se interessar pelas insinuações criminosas feitas por André Vargas a Índio da Costa? Será que a justiça eleitoral concederá ao DEM algum direito de resposta. Se bem que, dado nível da coisa, seria melhor que o judiciário designasse agentes para garantir a segurança do vice de Serra, afinal falou-se abertamente no sequestro e assassinato dele. Por menos – bem menos… – que isso, o FBI designou proteção para Obama em 2008, e desafio qualquer um a encontrar uma declaração sequer parecida com a de André Vargas dita por um alto membro do Partido Republicano.

Estou exagerando? Não é pra levar uma tirada de twitter tão a sério? Bem, acho que nunca é bom duvidar dos petistas quando eles fazem esse tipo de – como direi? – “promessa”. Celso Daniel e Toninho e Campinas estão aí pra mostrar que essa turma não brinca em serviço, não é mesmo?

Não! A verdade é que não há exagero algum! A fala de André Vargas é escandalosa, e revela, ainda que de forma oblíqua, toda a alma sórdida dessa gente. Está estampada ali a digital que caracteriza todas as distopias coletivistas, prontas a matar qualquer um que impeça a construção do “outro mundo possível” deles.

A subjugação dos adversários – até a morte, se preciso – é só um traço dos mais latentes do DNA deles, e aquela risadinha estilizada (“Rsss”) com a qual André Vargas encerra seu comentário – ou sua ameaça… – só reforça isso. Essa gente é íntima da morte e do terror, por isso conseguem brincar com tais elementos com tamanha desfaçatez. Por isso conseguem idolatrar um regime homicida como o de Fidel Castro. Por isso acham que se sentar à mesa com Ahmadinejad é “só negócio”. Por isso emprestam suporte ideológico, moral e material a um grupo terroristas como as FARC.

A fala de André Vargas deveria aparecer no horário eleitoral da oposição todo santo dia, lembrando à sociedade a intimidade que essa “nova classe” tem com o horror. Infelizmente isso não acontecerá, afinal, a justiça eleitoral ordenaria a retirada do ar da inserção, alegando se tratar de “propaganda negativa”…

Eis o Brasil atual… Aqui, não se pode denunciar uma apologia de crime, sob pena de incorrer em multa do poder judiciário. Mas insinuar o sequestro e a morte de um candidato a vice-Presidente é permitido. Isso confere vantagem a quem? Ora, a quem é companheiro de grupelhos terroristas e, por isso mesmo, guarda intimidade com o assassinato.

Os bárbaros já chegaram. Estão entre nós há bastante tempo. Já nos impuseram seu modo pútrido de fazer política e, quando menos esperarmos, terão nos obrigado a viver segundo seus valores morais homicidas. Ainda há uma pequena esperança de detê-los: basta não entregar o voto a quem flerta com o sequestro e com o assassinato. Ainda que quem patrocine os aliados do terror seja Lula, um Presidente tão popular como nunca houve “na história dessepaiz”.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Chega de “campanha de alto nível”!

23/07/2010

Por Por Yashá Gallazzi*

O PT processou Índio da Costa, Serra, o DEM, o PSDB e mais meio mundo, só porque os petistas não estão acostumados a ouvir a verdade. Não gostaram que o Vice de José Serra dissesse, com todas as letras, que Dilma, por ser petista, é aliada dos terroristas narcotraficantes das FARC, aquele grupo paramilitar que pretende criar o “outro mundo possível” por meio do sequestro, do estupro, da tortura e do assassinato.

Mas o processo em si, a judicialização do debate eleitoral por si só, nem é a pior parte. O mais ridículo mesmo é ver gente como José Dirceu pedindo uma “campanha de alto nível”. É… Vai ver ele prefere todo mundo quietinho, cuidando apenas de juntar dinheiro para comprar apoio parlamentar no Congresso. Ou ainda bolando maneiras de pagar os serviços de publicidade por meio de contas fantasmas no exterior. Discutir ideologia e moral? Ah, isso é “jogo sujo” para essa gente.

Eu estou convencido que a “síndrome do alto nível” é responsável por boa parte do desastre democrático que assola “essepaiz”. De uns tempos pra cá, criou-se o mito de que todo o debate eleitoral deve se dar em torno da gestão e da economia, deixando de lado os chamados temas polêmicos. A ideia era evitar os tais ataques pessoais entre os candidatos, direcionando a campanha apenas para aquilo que o marketing convencionou chamar de “aspectos propositivos”.

Besteira! Eu quero ver sangue! O povo quer ver sangue! Essa ladainha de ficar disputando quem é o gerentão mais sério já cansou. Estamos escolhendo um Presidente, não um síndico de prédio. É evidente que as escolhas ideológicas e morais dos postulantes devem, sim, ser objeto de profunda investigação e debate.

Não sou lá muito velho. A primeira eleição que lembro com mais detalhes foi a de 1998. Meu primeiro voto foi só em 2000, nas municipais daquele ano. Mas gosto do assunto. E procurando vídeos, reportagens e coisa do tipo, concluí há algum tempo que a melhor campanha eleitoral do Brasil desde a redemocratização foi a de 1989. Ou alguém vai negar que era divertido ver Lula dizer que Maluf era competente porque “compete, compete, compete, mas nunca ganha”? Ou ver Collor dizendo que Lula era o “candidato do bloco comunista”? Ou ver Covas e Brizola dizendo que “Collor era só um moleque mimado”? Bons tempos aqueles, quando um candidato podia dizer na cara do outro o que pensava sobre ele. Hoje, o TSE estaria em polvorosa, pressuroso de julgar os milhares de pedidos de resposta, interpelações judiciais e chicanas jurídicas afins.

Por que é “baixo nível” evidenciar a real ligação ideológica que existe entre o PT e as FARC? Ora, a turma da esquerda não vive forçando a mão para ligar Índio da Costa à ditadura? E fazem isso mesmo sabendo que o cara era pouco mais que um moleque na época do regime militar! Por que então não se pode apontar uma relação política e moral que existe de fato entre o partido do atual Presidente da República, e um grupo terrorista?

“Ah, mas as FARC não são terroristas!”, gritará o esquerdista mais radical. Ok. É um ponto de vista. E um ponto de vista que decorre de uma opção ideológica e moral de mundo. E isso precisa, sim, ser discutido numa campanha. Que Dilma se levante, pegue o microfone, e explique por que diabos as FARC não são uma associação criminosa. Defenda seus amigos, oras!

E por que não ir mais além? Por que tanto medo de discutir escolhas morais? Por que ninguém se interessa por temas como o aborto, a eutanásia, o casamento gay e a pena de morte? Essas coisas pautam campanhas em todo o mundo civilizado, mas aqui são tratadas como algo secundário, que pode levar a questionamentos de cunho pessoal e, portanto, recair no chamado “jogo sujo”. Ora, por que é jogo sujo dizer que Dilma e o PT são favoráveis ao aborto? Não é, pois, verdade que o são?! E se o são, por que não defendem isso abertamente, como escolha moral e de partido? Por que ficar tergiversando de forma reiterada, escondendo-se atrás da resposta padrão (“podemos fazer um plebiscito”…)?

O problema é que engessaram as campanhas eleitorais brasileiras, e muito disso é culpa da crise institucional pós-Collor. Como a eleição de 1989 deu no que deu, tudo aquilo ligado a ela foi considerado lixo. A partir de 1994, com o advento vitorioso do Plano Real, passou-se a considerar que a única agenda permitida na campanha era formada pelo binômio gestão-economia. E isso, diga-se, com o aval do PSDB e de FHC, então favoritos à vitória final. As campanhas perderam, assim, qualquer toque de Machado de Assis, e passaram a ser enfadonhas narrações bem ao estilo Sarney.

A justiça eleitoral, sedenta de um poder cada vez mais absoluto, entrou no jogo, engessando cada vez mais as campanhas eleitorais. Não tardará a chegar o dia em que Serra será obrigado a pedir voto para Dilma – e vice-versa – só para que não haja “desigualdade” nas eleições…

A sanha reguladora e controladora do Estado é assustadora. Se um candidato “A” diz que o seu adversário, o candidato “B”, é pior, a justiça considera isso “propaganda negativa”. Ora, mas se um político não puder falar que seu adversário é pior que ele mesmo, para quê a disputa? Se Índio da Costa aponta uma ligação de fato entre o PT e as FARC, a justiça, em vez de permitir e até estimular o debate, silencia as partes por meio de sua clava totalitária, cerceando o debate e prejudicando, assim, a sociedade.

De resto, por que me surpreendo com esse cenário eleitoral absurdo criado pelas instituições brasileiras? Vivemos em um País onde o direito de exercer a democracia foi transformado, pela voracidade controladora do Estado, em “obrigação de votar”. Fere-se de morte, assim, o princípio mais básico de uma sociedade civilizada: a liberdade individual. A partir do momento em que do cidadão é tirado o direito de simplesmente ficar em casa, cortando a grama no domingo eleitoral, sem tomar partido do processo, a democracia já está tecnicamente morta. Nenhum direito é direito quando somos obrigados a exercê-lo.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: De onde veio o dinheiro de Dilma?

09/07/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam o FIAT descaradamente supervalorizado que Dilma declarou à justiça eleitoral. Isso é coisa pouca. O que me intriga mesmo, o que merece o interesse da sociedade brasileira é a quantia obscena de dinheiro vivo que a ex-terrorista disse ter em sua casa. De onde veio esse dinheiro? Como é possível que algo assim não seja notícia, nem desperte o interesse do País?

Os leitores conhecem Eike Batista, não é? Pra quem não sabe, ele é aquele sujeito cuja fortuna não foi suficiente para ajudá-lo a segurar a mulher: esta preferiu o bombeiro de setecentos reais por mês. Pois bem, o tal Eike Batista é tido como o homem mais rico do Brasil e um dos mais ricos do mundo. Duvido que ele guarde em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo. Nem ele, nem Bill Gates, nem ninguém! Por que Dilma precisa de tanta grana assim à mão? Que dinheiro é esse?

Fossem outros tempos – uns 25 ou 30 anos atrás -, seria fácil adivinhar a origem da grana: provavelmente tudo seria fruto de alguma ação terrorista do grupelho ao qual Dilma (ou era Wanda?) pertencia. Quem sabe o resgate pago em razão do sequestro de algum figurão, ou ainda o produto de um assalto a banco. Mas hoje em dia, não. Hoje a moça é séria e abraça a democracia, não é mesmo? Sendo assim, permanecem as perguntas: de onde veio tanto dinheiro? Por que tê-lo em casa, ao alcance da mão? Com qual objetivo ele seria usado?

Eu sei que petistas não gostam de explicar a origem de dinheiro vivo, basta ver o frenesi que criaram em 2006, quando Alckmin perguntou a Lula de onde viera a grana dos “aloprados”. Essa turma que carrega o estandarte da redenção “dozoprimido” se acostumou apenas a julgar os demais. Não suportam estar na defensiva, pois entendem que fazer política é apenas um direito deles. Tudo isso é notório, mas, ainda assim, não resisti. Ao ver que os R$113 mil em dinheiro vivo que Dilma guarda em casa passaram desapercebidos pela tal “grande mídia golpista, preconceituosa e de direita”, resolvi eu mesmo dar uma de “golpista, preconceituoso e direitista”: faço questão de saber tudo sobre esse dinheiro!

Onde Dilma o guardava? Se ela vai presidir a nação, acho justo que a sociedade conheça seus hábitos. É importante saber se ela esconde R$ 113 mil reais no meio da roupa íntima, dentro do colchão ou ainda no fundo falso de alguma parede.

Eu adoro um exercício de imaginação. É divertido. Querem ver? Pois bem, imaginem que fosse José Serra, o tucano (malvado, feio e bobo) quem tivesse tanto dinheiro vivo nas mãos. É lícito deduzir que rapidamente a máquina petista de moer reputações seria colocada em movimento, não é? Vamos além: imaginem que aquela grana fosse declarada por FHC, a besta-fera dos petistas. O mundo viria abaixo. Por que, então, ninguém questiona Dilma? Por que ela pode ter em mãos dinheiro suficiente para comprar uma bela quantidade de eleitores sem que ninguém diga uma palavra a respeito?

“Ah, mas ela está nas cabeças! E tem o apoio de Lula. Ela não precisa comprar eleitores.” Pois é… Esse sempre foi o mais deletério legado da tal “era Lula”: a ideia absurda de que aprovação popular é salvo-conduto para fazer qualquer coisa, ainda que ilegal. Isso porque basta aos petistas recorrer ao velho truque marxista de dizer que o conceito de legalidade não é absoluto, porquanto forjado pela tal “sociedade burguesa” – no caso brasileiro, “pelazelite”.

Eis aí… A “sociedade burguesa” realmente acha estranho que um candidato à Presidência tenha em casa mais de R$ 110 mil em dinheiro vivo, sem que se saiba a origem ou o destino de tal montante. Mas a “sociedade burguesa”, no Brasil, representa só aqueles 5% que insistem em não aprovar Lula. O resto do povo, sabemos, já perdoou o mensalão e os vários dossiês. Muitos sequer conhecem os detalhes escabrosos envolvendo a morte do prefeito Celso Daniel. Por que se preocupariam com as notinhas guardadas no cofrinho de Dilma?

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: “Vamos tirar o Brasil do vermelho!”

16/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

A frase que utilizo como título foi dita pela Senadora Kátia Abreu, que pediu ao Ministério da Justiça a adoção de ações concretas a fim de prevenir as invasões de terra protagonizadas pelo MST, aquela milícia clandestina criada por João Pedro Stédile, o homem que pretende transformar o Brasil num País mais “justo e igualitário”, inspirando-se, para tanto, em ninguém menos que Mao Tsé-Tung, o carniceiro chinês responsável pelo assassinato de 70 milhões de pessoas.

O slogan cunhado por Kátia Abreu – e pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela Senadora do Democratas – é o melhor e mais eficaz mote de campanha que a oposição brasileira, liderada por José Serra, poderia usar. A ideia seria partir abertamente para um confronto ideológico, como nos velhos tempos: eles são os “vermelhos”, que apóiam Cuba, Venezuela e o MST. E, por isso, o Brasil não pode confiar neles.

É claro que Serra e os tucanos não farão nada disso, afinal, são uma – como é mesmo que eles dizem? – “oposição construtiva”. São pessoas elegantes, que se preocupam apenas em fazer uma “campanha propositiva” focada, principalmente, em mostrar uma infinidade de obras feitas pelos políticos do PSDB. E haja “choque de gestão”, “eficiência” e “competência” pra preencher tantos discursos. Confronto ideológico? Ah, isso é coisa do passado! Ninguém mais liga pra isso hoje em dia, dizem os especialistas.

Bem, os especialistas estão errados! Lembram da campanha de 2006? O melhor momento de Alckmin foi quando ele deixou de lado aquela patacoada de “eu vim de ‘Pinda’” e passou a colocar o dedo na cara de Lula, perguntando insistentemente: “De onde veio o dinheiro do mensalão e do dossiê?”

Lembram de 89? Esqueçam as teorias conspiratórias que pretendem atribuir o triunfo de Collor à edição de um mísero debate. Isso pode até ter ajudado, mas não foi decisivo. Collor venceu porque conseguiu incutir no povo o medo de um candidato do “campo comunista”, como ele chamava Lula repetidamente na TV. E o eleitor brasileiro, majoritariamente conservador, rejeitou o barbudinho com cara de mau.

Na campanha atual, Serra e Dilma não vão tocar no tripé que sustenta a economia brasileira. Se houver alguma mudança, ela será feita pelo tucano – que não precisa pagar pedágio ao mercado financeiro -, não pela petista.

Além do enfadonho discurso do “pós-Lula”, o que resta aos candidatos?

Passaremos meses vendo Dilma, de um lado, tentando se apresentar como aquilo que é: um avatar de Lula. E Serra, do outro, dizendo que tudo está bom, mas ele sabe como pode melhorar ainda mais. Só de imaginar já me sinto aborrecido…

E o confronto de valores, como fica? O que eles pensam sobre aborto, liberação das drogas, pena de morte, liberdade de imprensa e valores democráticos? Por que diabos o candidato da oposição não vai apontar o dedo para Dilma e cobrar a petista por seu passado terrorista? Por que o PSDB não cuida de associar, da forma mais explícita possível, o PT aos bandoleiros de Stédile? Porque isso tudo não tem importância? Tem, sim!

Uma pesquisa do Ibope, feita em 2008, procurou saber como os brasileiros viam o MST. As respostas não deixam margem para dúvida:

- 50% são contrários ao movimento;

- para 45%, a palavra que melhor descreve o movimento é “violência”.

- 31% discordam totalmente do objetivo do MST;

- 38% concordam com o objetivo, mas acham que o MST se desviou dele;

- 60% acham que as tais “organizações camponesas” estão se aproximando da criminalidade

            E não venham me dizer que os brasileiros condenam o MST porque são doutrinados pela mídia conservadora, reacionária, preconceituosa e de direita. A Rede Globo, grande besta-fera das esquerdas radicais brasileiras, nunca chamou os milicianos de Stédile de criminosos ou terroristas. Eles são sempre “militantes”. Se isso é ser parcial, resta forçoso concluir que a parcialidade em questão só ajuda o MST.

            A Senadora Kátia Abreu percebeu que o confronto ideológico contra o MST só pode ser uma boa jogada, afinal, a maioria da população não vê lá com muita simpatia aqueles bandoleiros. Ela se mostra, assim, “o melhor homem da oposição”, numa paráfrase da famosa frase usada por Ronald Reagan para descrever Margareth Thatcher.

            Uma campanha sem confrontação de valores é morna e sem graça, coisa que não é do interesse da oposição atual. A mensagem de Serra é ótima: “fizeram muito. Tenho experiência para fazer muito mais. Minha adversária não tem.”

            O problema é que para Dilma a coisa também é muito simples: basta a petista convencer o eleitor de que, se é para melhorar o que de bom foi feito, o mais prático é votar em alguém da situação, não da oposição. Isso, associado a um ou outro lance de guerrilha política, como espalhar a falsa ideia de que os tucanos acabarão com o Bolsa Família, pode virar o jogo facilmente.

            A oposição deveria perceber o óbvio: uma sociedade – qualquer que seja ela – tem valores morais próprios. Exatamente por isso o confronto ideológico nunca é ignorado pelo eleitor. Ele pode, sim, ser relativizado, principalmente num cenário de fartura econômica. Mas ignorado ele nunca será.

            O problema é que a oposição brasileira tem medo do confronto ideológico. Serra tem medo de chamar Dilma de terrorista, porque ela pode responder acusando-o de ter simpatia pela ditadura. E aí? Um embate de ordem moral nunca é fácil de ser feito, pois os tiros – dos dois lados – sempre são pesados. É preciso muito traquejo para explicar, no Brasil, que ser anti-comunista não quer dizer ser fascista, coisa que muitos ainda confundem.

            Mas o principal nem é o medo do contra-ataque. O problema é que Serra e o PSDB são muito de esquerda para fazer algo assim. Lá no fundo dos seus corações emplumados, há tucanos que ainda caem naquela baboseira de que “a resistência armada” foi importante para a construção da democracia. Eles querem, em resumo, disputar com o PT o “campo progressista”, pois morrem de medo quando são acusados de serem conservadores e direitistas.

            Isso para não mencionar que a própria moral dos principais expoentes do tucanos foi forjada a golpes de martelo esquerdista. Ou alguém se espantou quando FHC – o monstro neoliberal, lembram? – se disse favorável à liberação das drogas? Eu não esperava outra coisa dele. Da mesma forma que não espero ver um partido como o PSDB se dizendo publicamente contra o aborto, afinal, abraçar a defesa da vida virou um fardo a ser suportado só pelos “neocons”, não é? E eles são “progressistas”!

            É por tudo isso que a campanha será muito dura para ambos os principais candidatos. E imprevisível também. Tudo porque a oposição insiste em disputar no terreno do PT, que é o terreno das esquerdas. Morrem todos de medo das chamadas “bandeiras conservadoras”, por isso se negam a chamar o MST de milícia partidária, afinal, não querem ser acusados de “criminalizar os movimentos sociais”…

            Não sei se a eleição seria menos difícil para Serra se ele adotasse o lema de Kátia Abreu, conclamando os eleitores a “tirar o Brasil do vermelho”. Mas tenho certeza que ela seria bem menos chata para mim.

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

            Coluna do dia: Quando uma espécie de neonazismo é praticada pelo PT

            02/04/2010

            Por Yashá Gallazzi*

            Há duas semanas, escrevi sobre a greve dos “professores” de São Paulo. Notem que a palavra não está grafada entre aspas sem motivo: eu definitivamente não consigo considerar aquelas pessoas como parte da categoria que deveria educar nossas crianças.

            A foto que ilustra o presente texto é emblemática: essa gente sempre foi particularmente eficaz quando se tratou de incendiar livros. Notem, aliás, o semblante dos neonazistas arregimentados pelo petismo. Digam aí: há algum traço de remorso? Algum sinal de que promover a destruição do patrimônio público é algo doloroso para eles? Não. Ali, diante daquele fogueira, os terroristas estão em seu estado puro.

            Neste ponto, lembro de algo que sempre repito para os que tentam jogar Hitler no colo da direita: nazismo é a sigla – ou o apelido carinhoso, se preferirem – de nacional-socialismo. A história está aí para quem quiser averiguar os fatos: Hitler, um dos maiores assassinos da história, só poderia ter encontrado inspiração nas obras de grandes assassinos que o precederam. É, por exemplo, ponto pacífico que o Führer tinha simpatia por Marx e Lênin. E, se quisermos traçar um paralelo, é muito mais fácil identificar o nazismo com o comunismo soviético – basta substitui os judeus pelos burgueses e os arianos pelo proletariado -, do que com qualquer governo de cunho liberal.

            Por que falar de Hitler e do nazismo? Bem, o que vem à mente quando se trata de promover queima de livros? É marcante notar como a turba acéfala arregimentada pela Apeoesp consegue reproduzir em detalhes todos os traços típicos de um grupo fascistóide, desde o aparelhamento completo de movimentos sociais, até a violência contra o Estado democrático de direito. Deixados livres para cometer seus delitos, os milicianos do PT rapidamente transformariam a fogueira de livros em um altar onde seriam oferecidos em holocausto os tucanos neoliberais…

            Os terroristas empregam termos como “quebrar a espinha dorsal” do PSDB, prometendo “varrer da face da terra” os tucanos e José Serra. Pergunto: em quê isso se diferencia das palavras de ordem de Hitler? Qual a diferença entre essas frases e os slogans de Mussolini? Aliás, nem precisamos recuar tanto no tempo: Mahmoud Ahmadinejad, o fascista islâmico, também ficou mundialmente famoso depois de prometer “varrer do mapa” uma outra nação.

            Não estamos diante de coincidências, mas da repetição histórica de um método de terror. Não se enganem: os milicianos da Apeoesp não construíram suas próprias caldeiras porque não podem. Isso não quer dizer que não queiram fazê-lo… Exagero? Que nada! Basta lembrar que essas mesmas pessoas agrediram o ex-Governador Mário Covas em praça pública, diante de várias câmeras. Quem atira paus, pedras e cadeiras sobre uma autoridade legalmente constituída em nome da “causa”, iria muito além se pudesse.

            O mais marcante sinal do caráter fascista dessa gente é o atrelamento descarado a um partido – “O Partido”. Os grevistas de hoje são como os camisas-negras de Mussolini: espalham o terror em nome dos delírios de poder do líder. Quem é o líder? Bem, vejam o que os próprios disseram: “Já estamos em campanha, e vamos fazer um campo de batalha no campo pró-Dilma.”

            Essa associação criminosa entre pretensos professores e o PT não é recente. Pelo contrário até: na época do governo Covas, quando os nazistas lançavam cadeiras impunemente à luz do dia, José Dirceu, o chefe do maior esquema de corrupção da história do Brasil, era quem os incitava à barbárie. Dizia o Richelieu de Lula: “Eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas.” E o sujeito foi obedecido cegamente pelos milicianos, tal como a SS seguia sem pestanejar as ordens de Hitler.

            Que tal um pequeno exercício de imaginação? Suponham que, em vez do “progressista” Dirceu, aquele que “lutou contra a ditadura” e quer criar o “outro mundo possível”, aquelas palavras tivessem sido pronunciadas por alguém identificado com a direita. Imaginem, por exemplo, que Ronaldo Caiado dissesse algo assim… Ou mesmo Kátia Abreu… Vamos um pouco além: imaginem que, alguns dias depois de dita tal frase, partidários dos “direitistas” agredissem fisicamente um político do PT – que tal Marta Suplicy? Fica fácil imaginar o que aconteceria…

            Mas é que “direitistas” são maus! Bons mesmo são os “progressistas”, que mandam bater nos adversários porque defendem a tal “educação pública, gratuita e de qualidade”. Ainda que ela precise ser conquistada por meio da violência. Ainda que para se chegar ao ideal deles seja preciso queimar livros.

            É essa gente que se pretende a vanguarda de um amanhã glorioso. São os nazistas do PT que falam em justiça social e igualdade. Nada de novo: Hitler também adotava o mesmo discurso. E na ação prática é possível perceber que também não se diferenciam lá muito…

            Eis aí a única tônica de campanha que Serra precisa usar: o confronto de civilizações. O povo precisa saber que em outubro estarão em disputa os que leem livros, contra os que os queimam. Os que não podem ser comparados ao nazismo, contra aqueles que agem como verdadeiros herdeiros de Hitler. Só isso basta. Economia? Programas sociais? Política externa? Que nada! Isso é secundário. Considerando-se o estado adiantado das coisas, cumpre decidir, antes, entre o mundo civilizado e a barbárie. E nem é necessário bolar campanhas publicitárias grandiosas. Basta mostrar, repetidamente, a queima de livros escolares e as agressões a Mário Covas. E deixemos, pois, que essa gente explique, publicamente, como tais barbaridades podem ser consideradas parte de um programa de governo.

            Há duas candidaturas principais à Presidência. Uma representa o campo democrático. A outra, arregimenta terroristas para agredir e queimar livros em praça pública. Custo a acreditar que no Brasil haja um número tão elevado de néscios, capaz de coroar a candidata dos neonazistas. Ainda aposto que a maioria do povo é formada por gente civilizada, que rejeita os modernos hitlers.

            Em tempo: Vale conferir vídeo divulgado no blog Imprensa Marrom, que relembra as agressões contra o então Governador paulista Mário Covas e demonstra a diferença entre professores reivindicando melhores condições de trabalho e salários e militantes partidários movidos por interesses políticos diversos.

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

            Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

            26/02/2010

            Por Yashá Gallazzi*

            Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

            Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

            Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

            Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

            Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

            Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

            Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

            O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

            Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

            “‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

            Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

            Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

            É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

            Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

            Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

            Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

            Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

            Coluna do dia: A paternidade – O mais maravilhoso de todos os anos

            15/01/2010

            Por Yashá Gallazzi*

            Vou iniciar a coluna desta semana pedindo algumas desculpas. Preciso, por exemplo, me desculpar com o editor do site, nosso querido Bruno Kazuhiro. Isso porque, simplesmente, não consigo escrever nada sobre política hoje, “desrespeitando”, assim, a delimitação do tema que deveria rotineiramente ser abordado nas colunas.

            Devo pedir desculpas a todos vocês, leitores do site. Isso porque todos merecem ler opiniões acerca dos grandes acontecimentos verificados no Brasil e no mundo, e não qualquer outra coisa que pareça, à primeira vista, menos importante.

            Mas por que, afinal, tantas desculpas? Porque não consigo me concentrar em nada que não seja a pequena pessoa que caminha – com passos furtivos e incertos – ao redor da mesa onde digito estas linhas, grunhindo sílabas desconexas que soam, aos meus ouvidos enternecidos de pai, como uma declamação poética das mais belas.

            Meu filho completou ontem, quinta-feira, seu primeiro ano de vida. Há um ano essa pequena criaturinha transformou minha vida – e a da minha esposa -, ensinando uma outra vertente daquele sentimento chamado de amor. Ele se tornou, como é fácil presumir, o centro de tudo. Nossos planos se dão em função dele, nossos horários são ajustados aos dele e nossos esforços buscam fazê-lo feliz. Há um ano, o menino faceiro que sorri para mim agora tomou as rédeas dos meus dias. Acho justo que neste momento tão especial ele tome a rédea do de vocês – pelo menos por um momento.

            Uma coisa um tanto embaraçosa, mas muito verdadeira, é que ser pai me empurrou para um mar interminável de clichês e lugares-comuns. Eu não posso deixar de dizer, por exemplo, que “a paternidade muda as pessoas”. Ou que “o milagre da vida é fantástico”. Todos já ouvimos algo assim em algum momento, mas só passamos a ter noção exata da coisa toda quando o pequeno passa a existir em nossas vidas.

            Você revê inevitavelmente os próprios conceitos quando percebe que cólicas atrozes, capazes de durar uma noite inteira, são muito – mas muito mesmo! – mais importantes do que uma guerra no Oriente Médio, ou um mensalão de quem quer que seja. Como sentar para escrever sobre o terrorismo promovido pelo fascismo islâmico, se o próprio filho não consegue dormir em razão da dor que o nascimento dos primeiros dentes causa? Acreditem: ser pai é, antes de mais nada, entender que o resto é apenas o resto.

            Muitos dizem que a paternidade deixa o homem mais otimista com o futuro. Eu acabei ficando ainda mais cético – talvez até um tanto mais pessimista. Isso porque você percebe que tudo pode literalmente ir para o inferno, desde que o seu pequeno bebê esteja ternamente protegido. Ao mesmo tempo, a indignação inerente a todos que buscam um mundo melhor passa a aflorar com ainda mais força, pois somos naturalmente compelidos a construir uma realidade melhor para o futuro do pequeno. Afinal, trata-se de alguém que depende de mim, do meu suporte, dos meus atos.

            Biocombustível? Redução da poluição? Solução para a emissão de carbono? Questões menores diante de um bebê que começa a engatinhar pela casa, descobrindo seus espaços e o mundo que o cerca. Pré-sal? Enriquecimento do País? Como tais coisas podem ser importantes, se o meu filho descobre a arte de dar os primeiros passos? Obama? Dilma? Serra e Aécio? Perdoem este pobre pai, mas nada pode ser maior do que a fala desengonçada destes últimos meses, nos quais o pequeno aprendeu a dizer “mamã” e “papá”.

            Isso soa um tanto alienado? Um tanto egoísta? Sim, é claro! Ser pai é descobrir a certeza de que o indivíduo é mesmo o cerne da civilização, e que nenhuma “coletividade”, nenhuma “maioria” terá jamais a importância que aquele pequeno indivíduo tem para você.

            A paternidade, meus caros, tem até mesmo o condão de mexer com nossas mais íntimas convicções. Depois de ser pai, por exemplo, passei a ter algo – como direi? – “pessoal” contra o comunismo. Além de todas as restrições de natureza política e filosófica, me descobri repudiando aquela ideologia simplesmente porque nada de bom poderia jamais sair da mente de um sujeito como Marx, que não exitou em abandonar os próprios filhos à miséria, enquanto tentava juntar dinheiro para “mudar o mundo”. Como respeitar quem não respeita um filho?

            Ser pai também nos leva a rever opiniões tidas como imutáveis. Eu era favorável à descriminalização do aborto, por considerar tudo matéria apenas individual. Minhas certezas foram engolidas pelo som do coraçãozinho dele, pulsando ainda dentro do ventre da mãe. Então, de repente, surge a epifania: “Não! Acabar com esse som maravilhoso é assassinato!” Simples assim. É por ser pai que eu insisto, vez por outra, na grandeza da chamada civilização ocidental: nós protegemos e amamos nossos filhos, ao passo que algumas outras culturas – ainda! – sacrificam os seus…

            Mas não pensem que pretendo ser profundo. Nada disso! Meu filho me ensinou coisas muito mais simples, como a importância da abóbora e do brócolis. Ao mesmo tempo em que me forçou a elevar a fritura ao posto de inimiga pública número um da Humanidade.

            Por falar em inimigos, esqueçam Bin Laden e Ahmadinejad. São apenas dois paspalhos! O maior perigo do mundo se chama virose. Eu “votaria” em Obama, caso ele descobrisse uma cura para tal desgraça…

            De resto, não farei como tantos pais que existem por aí, pródigos em ficar falando sobre a beleza e a grandiosidade dos próprios filhos. É desnecessário fazê-lo. Vocês todos, leitores inteligentes deste site, provavelmente acreditam que meu filhote é lindo, inteligente e esperto. E, não! Não estou exagerando. Confiem em meu julgamento “totalmente isento”.

            O mais fascinante de tudo, porém, é a percepção libertadora de que nada mais, além do pequeno – e do seu núcleo familiar – pode ganhar mais importância que o devido. O que é uma carreira profissional, quando se assiste aos primeiros passos do filho? Você se torna pai e percebe que nunca poderá encontrar um “emprego dos sonhos”, pois já o tem. Aninhar o filho nos braços e fazer qualquer dor ir embora é a melhor profissão que pode existir, acreditem.

            Ao segurar o filho nos braços pela primeira vez, surge aquele sentimento ímpar de que qualquer coisa pode – e deve! – ser feita para que ele tenha sempre a melhor segurança e a maior felicidade. “Por que viemos ao mundo?”, indaga uma das maiores proposições filosóficas de todos os tempos. Simples: para fazer felizes aos nossos.

            Sabem por que não acredito em revolução ou, em outras palavras, por que acredito tanto no indivíduo? Porque “a única revolução possível é a de dentro de nós”, como afirmou Ghandi certa vez. E como se faz tal revolução? Construindo uma família e recebendo com amor os filhos confiados por Deus. É só então – e apenas então – que se pode compreender com perfeição a ideia de sacrifício pelo outro. Sem a alegria dele, nada mais importa. Na alegria dele, tudo o mais ganha esplendor. Por isso o ano que passou foi tão maravilhoso. O mais maravilhoso de todos os anos.

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

            Coluna do dia: Os mensalões – Ser livre é não ter bandidos para proteger

            11/12/2009

            Por Yashá Gallazzi*

            Na coluna da semana passada, escrevi sobre as duas éticas de certa esquerda brasileira. Mostrei, por exemplo, que os petistas conseguem transitar com desenvoltura entre dois mundos incompatíveis: negam o mensalão lulista, alegando que tudo não passou de “golpismo das oposições”, ao mesmo tempo em que saem às ruas para protestar contra o mensalão de Arruda.

            A coluna em questão, vocês devem ter notado, despertou a ira de um ou outro leitor deste site. Os mais afoitos não buscaram meias palavras, e saíram logo acusando o “direitismo preconceituoso” deste escriba. No Brasil de Lula, as coisas andam um tanto engraçadas… Se você defende cadeia para todos os bandidos – independentemente da filiação ideológica que tenham -, é tratado como um conservador; um direitista. Se, porém, você defende o roubo feito em nome da “causa”, aí a coisa muda de figura. Você deixa de ser um “porco reacionário” e passa a integrar aquela turma do tal “outro mundo possível”.

            Os leitores conhecem, estou certo, a dona Dilma Rousseff. Para quem não sabe, a senhora é a “mãe do PAC”. Que PAC? Bem, isso caberá aos petistas explicar, não é? Dilma também é aquela terrorista, que militou, durante muito tempo, em uma organização dada a sequestros e roubos. Sim, eu sei perfeitamente que dizer essas coisas é motivo bastante para ser chamado de “porcoreacionárioedireitista” pela gente do politicamente correto. Fazer o quê? Ela é chamada de terrorista não porque eu quero. É porque um dia escolheu sê-lo.

            Pois Dilma, essa gigante moral, essa humanista que acreditava em um “outro mundo possível” – erguido sobre corpos de adversários políticos -, disse, outro dia, acerca do mensalão, o seguinte: “As imagens são estarrecedoras. Muito duras, muito claras.” Sim, é verdade. Mas estou cá com um dúvida, caros leitores… Espero que vocês possam me ajudar: Dilma se referia a qual mensalão exatamente? Aquele de Arruda? Aquele de Minas (de Azeredo e do PSDB)? Ou aquele de Lula, de Dirceu e do PT? Sim, é óbvio que estou sendo irônico – e um pouco sarcástico…

            Eis aí. Menos de uma semana depois de publicada aquela minha coluna, podemos comprovar de forma empírica o funcionamento das duas éticas dessa gente sociopata. O que temos acima é Dilma mostrando de forma clara sua indignação com relação aos desmandos gravíssimos ocorridos no governo do Distrito Federal. Nada mais correto, afinal, toda pessoa de bem deve se erguer contra aquela barbárie.

            Mas Dilma, não! Ela não tem direito de se indignar, porque, afinal, não é uma pessoa de bem! Quem sou eu para dizer isso? Ora, sou alguém que nunca tentou mudar o mundo por meio do roubo, do sequestro e do assassinato. Convenhamos: sou um anjo de candura se comparado à “mãe do PAC”.

            Dilma se mostrou escandalizada com o mensalão de Arruda na mesma semana em que sentou à mesa com Dirceu e Genoino, dois dos principais nomes do mensalão petista. Desfaçatez? Oportunismo político? Trapaça ideológica? Que nada! Essa gente é assim simplesmente porque… é assim! É uma questão moral mesmo. Lembram? Gramsci, outro sujeito dado ao terrorismo, já falou sobre isso: a moral deles (revolucionária) é diferente da nossa (a “burguesa”). Sendo assim, os valentes do “outro mundo possível” não estão submetidos aos nossos códigos éticos e morais, afinal – vejam que mimo! – foram criados “pelazelite”.

            Dilma, lá no fundo do seu coração, sabe por que aceita dividir a mesma mesa junto com gângsters do calibre de Dirceu. Ela o faz porque não vê no sujeito crime algum. É por isso que vai à imprensa repetir o velho mantra petista: “ninguém ainda foi condenado por nada.” Verdade… Arruda também não… “Ah, mas é diferente!”, grita o petista. Pois é… Para eles, é diferente mesmo! Não é mentira oportunista, não! Eles realmente acham que o roubo – ou o mensalão, como queiram -, quando promovido em nome da “causa”, é justificável.

            Eu já me vejo como um sujeito um tanto mais ortodoxo… Aos meus olhos, um roubo continua sendo só… um roubo! Percebam: sempre que a ordem jurídica for solapada, o resultado será um número muito maior de injustiças. Logo, não existe verdade alguma nessa psicopatia da esquerda revolucionária, segundo a qual as trapaças de hoje só seriam erradas segundo a “ótica burguesa”. Ou então, mostrem-me que estou errado. Demonstrem, empiricamente, onde os desmandos dessa gente foram exitosos.

            De minha parte, prefiro um mundo onde gente como Dilma esteja na cadeia. De preferência, juntinho com gente como Arruda. Aliás, essa é a parte que mais enerva os esquerdistas que se debruçam sobre as minhas linhas… Essa gente é acostumada a medir os outros pela própria régua. Assim, como eles protegem seus mensaleiros petistas, ficam revoltados quando percebem que “os direitistas” não protegem Arruda. Pois é, não mesmo! Quero mais é que Arruda vá para os diabos, juntamente com Lula! E você, amigo esquerdista? Manda Lula para os diabos também? Ou vai ficar falando nas tais conquistas sociais?

            Curiosa a mente deles… Em nome da redenção gloriosa, aceitam qualquer tipo de bandalheira torpe. Experimente jogar na cara de um esquerdista que Guevara e Castro foram dois assassinos vagabundos, responsáveis por campos de trabalhos forçados na América Latina. O sujeito, babando de ódio, imeditamente vai desenrolar os tais números virtuosos de Cuba. A educação, a saúde, e todas essas patacoadas que o regime fornece para os idiotas úteis. Mas não conseguem condenar o regime. Não adianta, é mais forte que eles.

            Pobres diabos… Não os invejo em nada. Não deve ser fácil carregar nas costas, ao longo de toda a vida, uma infinidade de bandidos, ditadores e terroristas de estimação. E tudo isso ao mesmo tempo em que se combate os bandidos, ditadores e terroristas dos outros. Eu, prisioneiro apenas da minha liberdade individual, não tenho assassinos, terroristas ou ditadores de estimação para defender. Quero mais é que todos se dirijam para o mais profundo dos infernos! E isso vale para Guevara, Castro, Pinochet, Franco, Costa e Silva e, em uma escala um tantinho menor, Dilma e Arruda.

            Os humanistas do “outro mundo possível” que carreguem seus criminosos nas costas. Não tenho bandidos para proteger.

            *Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

            6ª Coluna do dia: O Brasil e os rumos da nossa política externa

            23/11/2009

            Por Arthurius Maximus*

            O Brasil vive tempos negros em relação à política externa. Como se não bastasse o “sacode” que tomamos da China (ao reconhecermos como “economia de mercado” aquele país, em troca de seu apoio para a cadeira no Conselho de Segurança da ONU, imediatamente a China passou a pregar uma diminuição dos assentos do mesmo), o Brasil anda se juntando com qualquer um que ofereça uma nota de “três reais” para nós.

            Em nome de uma falsa premissa de que devemos nos aliar a todo mundo e embarcando na “furada” pregada por Hugo Chávez, o Brasil mergulha de cabeça na lama e recebe de braços abertos o ridículo pseudo-estadista Mahmoud Ahmadinejad – Presidente do Irã.

            Com um discurso medieval e intolerante, o baixinho “Ahma” pode ser considerado uma das lideranças mais caricatas e mais odiadas do mundo moderno. Contrariando completamente a nossa visão tradicional de respeito às diferenças, tolerância religiosa e de afetuosidade com os costumes culturais mais estranhos, a política externa brasileira vem se voltando para coisas incompreensíveis como abrigar terroristas, apoiar radicais que queimam livros para a direção da UNESCO (em detrimento de um brasileiro), chamar ditadores africanos, condenados por genocídio e procurados internacionalmente, de democratas e, agora, defender o “direito” de uma nação, que patrocina o terrorismo internacional e defende abertamente o genocídio de um povo, de possuir tecnologia nuclear e capacidade de produzir bombas de destruição em massa e outras barbaridades.

            Também “pagamos o mico” de defender os narcotraficantes das FARCs, classificando-os como “revolucionários”. Revolucionários estes que ateiam fogo em crianças, escravizam seu próprio povo e vivem do tráfico de drogas e de sequestros.

            Nosso “maior ídolo” internacional e “exemplo de estadista democrata” vai a público defender um terrorista condenado por centenas de atentados e homicídios e promove em seu país uma verdadeira escalada ditatorial. Enquanto isso, tomamos assento ao lado da figura mais execrada do mundo moderno e tramamos alianças com alguém capaz de jurar que, em seus país, não existem homossexuais.

            O que ele “esquece” de mencionar é que os homossexuais iranianos, assim que descobertos, são enforcados o que, evidentemente, não promove a possibilidade de haver uma passeata gay no país e, muito menos, que alguém “saia do armário” impunemente por lá. Assim, fica fácil afirmar que “não existem” homossexuais no Irã, como se isso fosse lá grande coisa. Talvez seja justamente por isso que o velho “Ahma” seja tão odiado mundo afora, afinal de contas, se ele se usasse as cores do arco-íris certamente pensaria menos em morte e destruição e muito mais na vida e no amor ao próximo.

            O que mais surpreende nem é o pensamento atrasado e historicamente estúpido do velho “Ahma” e dos Aiatolás iranianos, e sim esse pessoal que governa o Brasil e que gere a nossa política internacional, que mostra ter a mente tacanha ao achar que o velho “Ahma” pode trazer algo de bom para nós.

            No fim de tudo, a atual política externa brasileira já nos rendeu condenações das principais entidades internacionais dos direitos humanos, a execração pública de algumas nações e, como se isso não bastasse, corremos o risco de morrermos abraçados com o Irã enquanto nossa canoa de pretensões internacionais afunda rapidamente.

            A esperança é que, no ano que vem, o País seja salvo dos idiotas que desejam destruí-lo e desmoralizá-lo.

            *Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica