Postagens com a palavra-chave ‘Tempo de Televisão’

Coluna do dia: Sucessão no Rio de Janeiro – Potencial de votos e rejeição

09/03/2010

Por Alexandre Campbell*

Mantido o cenário atual, com três fortes candidaturas ao governo do estado (Sérgio Cabral, pelo PMDB; Fernando Gabeira, pelo PV; e Anthony Garotinho, pelo PR), o Rio de Janeiro terá uma disputa altamente equilibrada, em que os três têm (em maior ou menor grau) chances de vitória.

Em comum, têm também o fato de ostentarem altos índices de rejeição: Cabral, pelo desgaste dos quatro anos de governo; Gabeira, pela dificuldade de penetração no interior e nas classes de renda e escolaridade mais baixas; e Garotinho, rejeitado principalmente entre os de renda e escolaridade mais altas.

Considerando que a eleição será necessariamente decidida em dois turnos, as campanhas precisarão de uma estratégia bem definida que signifique potencializar a capacidade de votos para chegar ao segundo turno e minimizar a rejeição para vencer nele.

Se há como apontar algum favoritismo, ele vai para o Governador Sérgio Cabral, por fatores não necessariamente relacionados à sua administração: Controla a máquina estadual, tem a estrutura partidária mais forte, terá o maior tempo de televisão entre todos os candidatos e tem a aliança prioritária com o Presidente Lula. Todos esses fatores devem fazer com que Cabral esteja no segundo turno.

Por outro lado, sua principal dificuldade está no fato de que terá que pelejar em dois fronts: contra Gabeira na Capital e nas faixas de renda e escolaridade mais altas e contra Garotinho no interior e nas faixas de renda e escolaridade mais baixas.

Há outro ponto também: Algumas das vantagens citadas acima minimizam-se no segundo turno, como o tempo de televisão, que passa a ser igualitário entre os candidatos e a estrutura partidária (já que os deputados já estarão eleitos e a vantagem de Cabral “de ter mais cabos eleitorais” perde um pouco a importância).

O desafio de Cabral, portanto, será manter o equilíbrio em todas as faixas e controlar a taxa de rejeição que tende a aumentar no decorrer da campanha – como está na situação, inevitavelmente será o alvo predileto.

Gabeira e Garotinho precisam espalhar suas votações por outros seguimentos, não só para conseguirem o direito de ir para o segundo turno, mas para, lá chegando, ampliarem as chances de vencer Cabral.

Por fim, vale citar que, apesar de se comportar como tal, Garotinho ainda não declarou-se candidato. Uma das dificuldades que está encontrando é o pouco tempo de televisão.

Para se ter uma ideia, Cabral deve ter cerca de nove minutos, Gabeira seis e Garotinho apenas dois. Especula-se (e a especulação vem principalmente dos lados governistas) que por isso ele possa desistir da disputa e vir a deputado federal.

*Alexandre Campbell, colunista do Perspectiva Política às terças, é jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política.

Análise: Lula, Temer, Ciro, Meirelles e a vaga de Vice de Dilma

23/12/2009

Informa o Globo:

“O presidente da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), é considerado um homem cordato, gentil, incapaz de levantar a voz, mesmo nas discussões mais acaloradas e, acima de tudo, um conciliador nato. Mas, na entrevista que concedeu ao jornalista Jorge Bastos Moreno, do GLOBO, Temer se mostrou um político indignado com o tratamento que o governo, a começar pelo presidente da República, vem dando ao PMDB, partido do qual é presidente licenciado, neste início de articulação da aliança para o lançamento oficial da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República.

Ao ser perguntado se – com a larga experiência política de ser presidente da Câmara pela terceira vez – não sente que setores do governo e do PT querem rifar o PMDB do cargo de vice de Dilma, Temer respondeu:

- Sinto que, nos últimos tempos, há outras ideias em relação à candidatura. Digo que elas não têm nada a ver comigo porque reitero que jamais me posicionei como tal. Mas sinto que há outros desejos, outras aspirações. Isso é perceptível pela leitura das revistas, dos jornais, de algumas declarações. Não tenho dúvidas disso.

Não só sente como também identifica, entre os que tramam contra seu partido, o deputado Ciro Gomes.

- O candidato Ciro Gomes vive desprezando a presença do PMDB, certa e seguramente, para tentar ser vice – denuncia o presidente da Câmara, de forma categórica e num tom absolutamente normal, como se estivesse fazendo um elogio ao algoz.

E é com a mesma tranquilidade que avisa que, fora da vice, o PMDB também está fora do governo e da candidatura de Dilma.

- É claro que ficará mais difícil a aliança se o PMDB não puder indicar o vice, seja ele quem seja – declarou Temer. “

Com certeza o aliado prioritário de Dilma, na visão do governo, é o PMDB. Lula corteja o partido há meses, até mesmo anos.

A movimentação de Ciro Gomes visa uma espécie de cobrança. Para não sair candidato a Presidente, coisa que poderia atrapalhar Dilma, Ciro cobra a vaga de Vice, mas sabe que pode não conseguí-la e, mesmo assim, ser forçado a deixar o páreo presidencial.

O que acontece é que o tempo de televisão e a capilaridade do PMDB são cruciais para a candidatura petista.

É claro que o sonho de Lula é ter Ciro como Vice de Dilma e manter o PMDB como aliado formal. Contudo, todos os que conhecem o furor de poder do PMDB sabem que isso é impossível. Completamente.

Portanto, se Lula tiver Ciro na Vice e fora da disputa, o PMDB abre e sai da aliança. Se Lula tiver o PMDB na Vice, ainda tem chances de manter Ciro na órbita de Dilma, se conseguir fazer algum tipo de oferta que agrade ao Deputado.

Sendo assim, fica fácil perceber que o Vice será, sim, do PMDB, caso a Convenção do partido ratifique a aliança com o PT. Lula tem que sinalizar isso fortemente para que os governistas ganhem força na Convenção.

Mas Lula tenta manter Ciro acreditando, pois se a Convenção do PMDB não o unir ao PT, ele será o Vice.

Chega-se à conclusão de que Lula pode estar, somente, jogando e mostrando que tem Ciro como opção, tentando aumentar seu cacife a ponto de garantir e ainda apontar o Vice do PMDB.

Se conseguir isso, apontará Henrique Meirelles, e não Temer. Afinal, o primeiro nome lhe agrada mais e prejuízo não haverá, pois ambos não são fenômenos de voto.

Se Lula ergue um poste, ergue dois. Pelo menos pensa assim.

PT e PMDB: Parceria complicada

25/11/2009

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Inclusive a própria pré-candidata Dilma Rousseff e o Presidente do Senado, José Sarney, admitem sem cerimônias que os acertos estaduais são difíceis. Dilma Rousseff que considera difícil que uma eventual aliança nacional do PT e do PMDB em torno da sua possível candidatura à sucessão do presidente Lula seja reproduzida nos Estados. Sarney a respaldou e afirmou que as duas legendas devem ter palanques distintos em Estados onde não há possibilidade da aliança se efetivar.

Em resumo, o PMDB tem, nacionalmente, três caminhos: Caminhar com o governo, caminhar com a oposição ou caminhar sozinho, pelo menos, no primeiro turno.

Excetuado o caminho da candidatura própria, nenhum deles deverá ser respaldado pelos diretórios de todos os estados. Nos dois casos, caminhe o PMDB com o PT ou com o PSDB, existirão dissidências.

Além delas, aonde não ocorrerem dissidências quanto à corrida presidencial, ainda existirá a possibilidade de uma candidatura do PMDB ao governo do estado em questão que se oponha ao aliado nacional, seja ele qual for.

Essa é a complicação que demonstra como o PMDB nada mais é do que uma federação de caciques.

É a mesma complicação que permite ao PMDB ser o maior partido do Brasil, fato que a mantém viva, e que dá ao PMDB o grande tempo de televisão que, na realidade, é o que mais interessa a todos os presidenciáveis.

Reforma política volta à pauta da Câmara

06/05/2009

“Na esteira de denúncias contra políticos, reforma política volta à pauta da Câmara”

Informa o jornal O Globo, na matéria citada acima, que, graças aos recentes escândalos envolvendo os políticos brasileiros, a representatividade vem sendo questionada e a reforma política, consequentemente, discutida mais uma vez.

O intuito é se alterar a estrutura eleitoral do País, buscando eleger políticos mais sintonizados com a sociedade, mais identificados pelas bases regionais como seus representantes e, por isso, mais cobrados e fiscalizados pela população.

Medidas como o voto distrital, por exemplo, fazem com que o eleitor saiba, exatamente, qual político é responsável por sua região. Isso melhora a noção do eleitor sobre se está sendo bem ou mal representado e aumenta o nível de “punição eleitoral” que os políticos inertes ou corruptos sofrem.

Além do voto distrital, outras propostas estão sendo discutidas pela Frente Parlamentar pela Reforma Política com Participação Popular, presidida pela deputada Luiz Erundina (PSB-SP).

Para que o leitor do Perspectiva Política fique sabendo quais são as possíveis mudanças e o que elas representariam, reproduzo explicações bem detalhadas do jornal O Globo sobre cada proposta. As explicações são longas, e por isso peço desculpas, mas vale a pena ler:

A introdução do voto distrital: Por esse mecanismo, o município (no caso de eleição de vereador), e o estado (no caso de eleição de deputados estaduais e federais) são divididos em distritos. Em vez de serem eleitos 50 vereadores ou 70 deputados estaduais com votos em todo o município ou estado, por exemplo, o município é dividido em 50 distritos e cada um deles elege um vereador. O mesmo se dá no estado, que será dividido em 70 distritos e cada um elege um deputado federal. O voto distrital também pode ser misto, sendo parte eleita pelo sistema atual e apenas parte pelo sistema distrital.

A volta da verticalização: Os partidos políticos passariam a ser obrigados a fazer as mesmas coligações das eleições nacionais para os pleitos estaduais e municipais.

Cláusula de barreira: Excluiria dos cargos na Mesa e das comissões partidos que não obtiverem pelo menos 1% dos votos válidos – excluídos os brancos e nulos – para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove estados, com o mínimo de 0,5% dos votos em cada um deles.

Ficha suja: Pelo projeto do governo, os candidatos ficariam impedidos de disputar as eleições se tiverem condenações criminais nas instâncias inferiores, ainda que caibam recursos. Hoje, a inelegibilidade só se dá em caso de trânsito julgado.

Fidelidade partidária: Quando um parlamentar deixar um partido ou for expulso de determinada legenda, a vaga dele passaria a ser ocupada por um suplente do mesmo partido. Se a mudança for provocada pelo partido ou se o parlamentar comprovar perseguição política, poderia pleitear a permanência no cargo. A filiação partidária é liberada para quem se filiar a um partido até 30 dias antes do prazo de filiação que possibilite a candidatura, a ser definido pela Justiça Eleitoral. Quem exerce mandato político precisaria se filiar à nova legenda seis meses antes do prazo fixado pela Justiça Eleitoral.

Fim dos suplentes do Senado: O senador eleito deixaria de indicar dois suplentes em sua chapa, sem que eles precisem disputar os votos. Caso o titular deixe o Senado para assumir uma outra função pública ou seja cassado, o substituto poderia ser o segundo colocado na eleição ou seria determinada pela Justiça Eleitoral uma nova eleição para a escolha do substituto.

Financiamento público: Os partidos e candidatos ficariam proibidos de receber contribuições de pessoas físicas ou jurídicas. Em ano eleitoral, será destinada pelo Orçamento da União ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) verba destinada ao financiamento de todas as campanhas eleitorais. A divisão dos recursos seguirá o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.

Lista fechada: Nas eleições de vereador, deputado estadual e deputado federal, o eleitor votaria apenas no partido e não mais em candidatos, como hoje. Com base nos votos válidos, definem-se as cadeiras que cada partido vai ocupar na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais. Os escolhidos serão os indicados em uma lista preparada pelos partidos, definidos em convenção partidária com voto direto e secreto de pelo menos 15% dos filiados. A proposta do governo prevê que a lista contenha necessariamente homens e mulheres em sua composição.

Proibição de coligações: Ficariam proibidas as coligações nas eleições proporcionais (vereador, deputado estadual e deputado federal). No caso das eleições majoritárias (senadores, prefeitos, governadores e presidente da República) o candidato da coligação teria apenas o tempo destinado ao partido com maior representação na Câmara.

Voto facultativo: Permitiria ao eleitor decidir se quer ou não votar, sem que sofra qualquer punição legal por isso.”