Postagens com a palavra-chave ‘Tajra’

Servidores do Senado disputam espólio de Agaciel Maia

09/08/2009

Informa o O Globo:

“Há pouco menos de dois meses – quando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já estava atolado em denúncias e deu carta branca ao 1º secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), para fazer uma reforma administrativa e tirar dos postos de comando remanescentes dos agacielboys -, os irmãos Júlio e Jansen Pedrosa, até então manda-chuvas na Gráfica, entraram no gabinete do recém-nomeado diretor-geral, Haroldo Tajra. Fizeram um escarcéu, bradando ameaças, e disseram que aquilo não ficaria assim.

De acordo com reportagem de Gerson Camarotti e Maria Lima na edição deste domingo do jornal O GLOBO, o episódio, relatado por servidores do gabinete, mostra que, longe dos holofotes, também se trava uma guerra de grupos de servidores pelos principais cargos da Casa.

Guerra estimulada por pessoas próximas a Sarney e Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, inconformadas com a entrega do comando a Heráclito Fortes, tido hoje como o presidente de fato do Senado. A disputa se dá entre funcionários antigos que já pertenceram ao mesmo grupo e ficaram em lados opostos após a queda de Agaciel Maia.”

Trata-se de uma guerra espúria, onde nenhum dos lados está com a razão, pelo espólio das falcatruas e irregularidades.

Há, hoje, um vácuo de poder no que tange a máfia que aparelha o Senado e, pelo visto, ela não será destruída, apenas substituída. O grupo anterior, que estava sob os ditames de Agaciel, agora rachou e suas facções disputam entre si.

Os boatos de que o PMDB estaria alimentando denúncias contra o atual Diretor-Geral do Senado, Haroldo Tajra, confirmam mais ainda a guerra que, nada mais é, do uma luta para se decidir quem controlará os sumidouros de dinheiro da nação.

Vergonhoso.

Senado suspende pagamento de servidores “secretos”, mas não é bem assim

05/08/2009

Informa o O Globo:

“O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou a suspensão imediata de qualquer remuneração, indenização ou auxílio aos 79 servidores nomeados por atos secretos na gestão do ex-diretor Agaciel Maia. Esses servidores responderão a processo administrativo para análise da situação funcional, com direito de defesa, e, no caso de comprovada a situação irregular, serão demitidos.”

Em primeiro lugar, este blogueiro duvida muito, mas muito mesmo, que apenas 79 servidores tenham sido nomeados secretamente. Mas deixemos isso de lado. Suponhamos que esta seja a realidade.

Dentro desta suposição, o trecho de reportagem reproduzido acima dá a entender que os 79 servidores não receberão mais nenhuma verba pública. Certo? Certo. Ele realmente dá a entender isso. Então, temos que consolidar em nossas mentes a noção de que este bloqueio ocorrerá. Certo? Errado!

Informa a Folha:

“O comando do Senado transferiu para os senadores a responsabilidade por manter a contratação dos servidores nomeados por atos secretos. Apesar de anunciar nesta terça-feira a suspensão do pagamento desses funcionários, o sistema para avaliar se de fato eles prestaram serviços é frágil porque deixa sob o critério político a decisão de demiti-los dos quadros do Senado.

[...]

Segundo o diretor-geral do Senado, Haroldo Tajra, para serem mantidos no cargo, os 79 servidores que estão em situação irregular precisam atender a três requisitos: comprovar que a nomeação foi solicitada pelo senador; que prestaram serviço no Senado; e se o gabinete deseja que continue atuando na função. Portanto, há possibilidade de ninguém ser demitido.

No caso de um servidor irregular –indicado politicamente e que conta com o consentimento do parlamentar para não trabalhar– a diretoria não vai questionar a avaliação apresentada pelos gabinetes. Tajra nega que seja um ‘arranjo’ para manter afilhados dos senadores no cargo.”

Viram, meus caros leitores? O senhor Haroldo Tajra diz que não há arranjo.

Não, senhor Tajra, não há arranjo. Há uma sacanagem! Uma orgia com o dinheiro público!

O que há é um medida enganosa do comando do Senado que faz com que a imprensa divulgue uma notícia que dá a entender que uma atitude moral será tomada, enquanto, na realidade, há a forte possibilidade de tudo continuar a mesma coisa. Na verdade, pior.

Pois agora todos sabem de tudo e mesmo assim nada é feito.

PMDB estaria sabotando novo Diretor-Geral do Senado

20/07/2009

Informou, há apenas alguns dias, a jornalista Adriana Vasconcelos:

“No pior momento da crise, Sarney acabou cedendo esse comando administrativo do Senado para o Democratas, na esperança que o partido — que o ajudou a ser eleito pela terceira vez para presidência do Senado — não aderisse à campanha a favor de sua licença do cargo.

A estratégia de Sarney não deu certo. Pouco depois de autorizar o 1o. secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a indicar um funcionário de sua confiança, no caso Haroldo Tajra, para a Diretoria Geral do Senado, o DEM se reuniu e decidiu propor o afastamento de Sarney do cargo.

A decisão de Sarney anular todos os 663 atos secretos numa única canetada, seguindo o conselho do amigo Saulo Ramos, teve como objetivo não só tentar neutralizar a investigação do Conselho de Ética sobre seu envolvimento com o escândalo, mas também sinalizar para o DEM que ele continua no comando da Casa.

O segundo passo agora seria boicotar o novo diretor geral. Já teria sido autorizada, inclusive, uma operação interna na Casa para alimentar denúncias contra Tajra.”

Alertado por esta informação divulgada por Adriana, este blogueiro ficou de olho no noticiário no que tange o Diretor-Geral do Senado, Haroldo Tajra. E não é que as denúncias começaram a “pipocar”?

Nos últimos tempos Tajra foi acusado de tudo. De ter batido em sua esposa e em sua sogra, de ter participado de esquemas, etc.

Não estou de forma alguma dizendo que Tajra é inocente ou culpado. Não disponho das informações disponíveis para isso. Só estou querendo demonstrar para vocês, meus caros leitores, como funciona o “arquivo de dossiês” de Brasília. Uma das coisas mais espúrias da nação.

O fato de diversas denúncias contra Tajra terem surgido logo após ter corrido a informação de que o PMDB iniciaria uma sabotagem contra ele mostra, claramente, que, na política brasileira, uns sabem de quase tudo que os outros fizeram.

Acontece que esse conhecimento não gera denúncias anônimas, não gera punição, não gera nada, a não ser dossiês. Ou seja, as denúncias são guardadas para momentos oportunos, fazendo com que o transgressor fique impune enquanto não houver momento onde a revelação dos fatos seja interessante para quem detém o conhecimento sobre eles.

Se este momento nunca existir, o transgressor morrerá impune. E com pose de bom moço.

As denúncias “guardadas na manga” impedem a justiça brasileira de agir para possibilitar pressões e chantagens. Um dia, quando é oportuno, ela surgem. Curiosamente.

Longe de mim estar aqui afirmando que Tajra é um homem culpado no que diz respeito às informações que constam no “dossiê” de que o PMDB provavelmente dispõe.

Porém, uma coisa é certa: A cronologia dos fatos comprova que esse tipo de prática “arquivo de dossiês” existe. E em larga escala. Prática essa que mantém biografias intactas e suja outras quando convém aos praticantes. Muitas vezes protegendo as que devem ser atacadas com denúncias verdadeiras e sujando as que na verdade são limpas com denúncias plantadas, que ganham dimensão enorme por força da desmoralização da política em geral.

Completamente enojante.