Postagens com a palavra-chave ‘Serviço Público’

2ª Coluna do dia: A privatização do serviço penitenciário e a possível parceria público-privada gaúcha

22/01/2010

Por Bruno Medina*

Em minhas duas últimas colunas, o assunto foi a delegação do serviço prisional por meio de parcerias público-privadas. Hoje o tema volta à baila porque, segundo informações do Jornal Zero Hora e de outros meios, uma comitiva do governo estadual gaúcho está em viagem pela Inglaterra e pela Espanha para conhecer diversos presídios cuja administração é realizada por empresas privadas, através da formação de contratos administrativos de parcerias público-privadas.

Um dos complexos visitados pela comitiva gaúcha foi a Penitenciária HMP Altcourse, em Liverpool. Em atividade desde 1997, a HMP Altcourse foi o primeiro presídio construído, administrado e financiado pela iniciativa privada na Inglaterra. Tem capacidade para 1.234 detentos. O custo anual de um preso é, em média, de 70 mil reais. Desde que começou a operar, a casa prisional nunca registrou uma rebelião dos apenados.

Durante o período de carceragem, o preso é submetido a um trabalho que o torna apto à convivência social assim que é libertado. Os detentos são responsáveis pela limpeza e jardinagem do ambiente. Recebem cursos de informática, aulas de inglês e oficinas de artes plásticas. Assim, não é difícil compreender por que não há rebeliões: os apenados estão ocupados. Não ficam ociosos, como os brasileiros.

A ideia do governo do estado é construir um complexo penitenciário com capacidade para abrigar três mil detentos condenados ao regime fechado e também ao semiaberto. Bem como um módulo separado para as mulheres (art. 5º, XLVIII, CF). O governo pretende, ainda nesse semestre, lançar edital de licitação para a formação de uma PPP (art. 10, I, a, Lei. 11.079/04).

Questão que ainda está em discussão é o local onde se instalará o futuro complexo. Há uma pseudoconcorrência entre três cidades da região metropolitana: Alvorada, Canoas e Eldorado do Sul. Falsa concorrência por que até agora somente a Prefeitura de Canoas (minha cidade) se colocou à disposição do governo estadual para colaborar e estudar o melhor local para o futuro estabelecimento. A Prefeitura de Alvorada, assim como a de Eldorado do Sul, até agora não demonstrou vontade de receber o complexo.

Canoas tem o segundo maior PIB do estado (o primeiro é de Porto Alegre), e, em princípio, se mostra viável a “abraçar” o projeto do governo gaúcho. Não se sabe ainda o local em que o complexo pode vir a ser construído, mas desconfia-se. Dias atrás, Jairo Jorge, Prefeito da cidade, disse que a penitenciária teria acesso a uma rodovia, o que facilitaria o deslocamento dos presidiários (feito pela segurança pública, claro). A famosa BR-116, que corta a cidade de Canoas e é um dos pontos de tráfego mais intenso da região metropolitana, não pode ser utilizada porque não dispõe de espaço lateral.

Portanto, o único local razoável seria uma região do município que atualmente é mais afastada da cidade. Porém, em breve, contará com a construção da Rodovia do Parque (BR-448), uma obra do governo federal cuja finalidade é desafogar o trânsito da BR-116.

Interessante notar que o governo do estado é comandado por Yeda Crusius (PSDB) e Canoas pelo Prefeito Jairo Jorge (PT), eleito no último pleito eleitoral (2008). Muito já ouvi no período de eleições municipais pessoas afirmando que seria melhor votar em um candidato do partido que governa o estado ou a União porque, caso contrário, não haveria contribuição ou repasse de recursos de um ente para o outro, o que prejudicaria a cidade. Vê-se que não é o que está ocorrendo aqui em Canoas.

Todavia, não ignoro a possibilidade de uma reviravolta no cenário caso Tarso Genro resolva ir tomar um chimarrão com Jairo Jorge. Mas espero realmente que isso não aconteça. Senão, seria mais um caso em que os interesses político-partidários e ideológicos prejudicariam a concretização de uma política pública que tem como objetivo principal ressocializar o apenado para que ele volte à sociedade e procure o seu espaço, sem necessitar reincidir nos delitos, diminuindo, assim, a criminalidade.

*Bruno Medina escreve nos Perspectiva Política às sextas

2ª Coluna do dia: A delegação do serviço prisional (Parte I)

18/12/2009

Por Bruno Medina*

Falemos da delegação do serviço público.

Não é o assunto político do momento, mas o debate é sempre relevante porque afeta toda a população. Assim, é do interesse de todos, ainda que indiretamente. Quando o Estado não consegue prestar todos os serviços públicos necessários, vale-se de algumas ferramentas jurídicas que lhe possibilitam delegar alguns desses serviços.

Os modos de delegação de serviços públicos a particulares (pessoas físicas ou jurídicas) são a concessão e a permissão (art. 175, CF), reguladas pela Lei Federal 8.987/95. O contrato administrativo de concessão de serviço público envolve a realização de uma obra e também a prestação do serviço público correspondente à licitação realizada. Já o contrato de permissão implica somente a prestação do serviço público, e pode ser realizado tanto por pessoa física como jurídica – o que não ocorre na concessão, onde somente pessoa jurídica pode contratar com o Poder Público. São exemplos de contratos de permissão e de concessão a coleta de lixo urbano e a construção de estradas, respectivamente.

A realização dos contratos de concessão e de permissão entre o Poder Público e a pessoa jurídica ou física apresentam uma dificuldade para o parceiro privado, qual seja, o não-oferecimento de garantias para o descumprimento do contrato por parte do poder concedente (Estado), o que acaba desmotivando o parceiro privado, sobretudo quando a construção envolve grandes investimentos.

Com o intuito de facilitar a contratação para investimentos de grande monta, o governo federal enviou ao Congresso Nacional o projeto que culminou na Lei 11.079/04, a famosa Lei da Parceria Público-Privada. Esta nova Lei Federal estabelece normas gerais referentes à licitação e à contratação para todos os entes da federação. Um de seus pontos mais interessantes é o oferecimento de garantias de futuro pagamento para a iniciativa privada.

O contrato de concessão que formará esta parceria pode ser feito de duas formas: concessão patrocinada ou administrativa. No primeiro caso, o Estado assume o pagamento parcial do valor da tarifa que será cobrada do usuário pela prestação do serviço público. No segundo, o Poder Público é o usuário direto ou indireto da prestação do serviço. E é nesta forma de contratação que se enquadra a discussão, sempre acalorada, da construção de presídios cuja administração caberia à iniciativa privada.

À primeira vista parece simples a formação de contrato administrativo que delegue este tipo de serviço. Porém, esta concessão envolve mudanças que vão desde a alteração dos regimes jurídicos dos funcionários (de estatutários para celetistas) a uma diminuição do Estado Social, pois o Poder Público deixaria de ser o executor e passaria somente a fiscalizar a administração privada. Em suma, um processo de desestatização de atividades que tradicionalmente são prestadas pelo Estado.

Na concepção de muitos, trata-se de um avanço social necessário e que vai ao encontro das políticas públicas de ressocialização dos carcerários. Sabe-se, hoje, que o sistema penitenciário não suporta a demanda – falha do Estado, que não proporciona o mínimo de dignidade para o cidadão privado de sua liberdade (art. 1º, III, CF).

Para muitos outros, como o Ministro da Justiça Tarso Genro, a aplicação da Lei 11.079/04, para a formação de um contrato administrativo de concessão é “uma visão capitalista extremada que deforma o sentido de recuperação do ser humano”, disse, numa palestra sobre segurança pública realizada no inicio do ano, aqui em Canoas, Rio Grande do Sul. Para Tarso, oferecer trabalho dentro da prisão para o sentenciado implica deturpação do sistema de recuperação (ressocialização) do presidiário.

A discussão é ampla e muito importante, mas não pode ser tratada com razões ideológicas. Pois desse modo corre-se o risco de justamente o presidiário (o ser humano, conforme Tarso, e principal beneficiário desse serviço público) ser preterido nessa relação.

Continua na semana que vem…

*Bruno Medina é colunista do Perspectiva Política às sextas

Senadores querem, pasmem, mais um aumento de salário

26/09/2009

Informa a Folha:

“Após a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovar nesta terça-feira o reajuste para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), um grupo de senadores cobrou que o Legislativo coloque em discussão a equiparação dos salários dos três Poderes. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a equiparação está prevista na Constituição.

‘Todos os anos reajustamos o teto do Judiciário e congelamos o Executivo e o Legislativo. Não faz sentido um ministro ganhar mais do que o presidente da República, do que um senador e um deputado. Temos que ter coragem de colocar isso em discussão. Poderia se fazer um equacionamento da remuneração, não seria do dia para a noite, seria um escalonamento, mas temos que fazer com que os tetos sejam equiparados para os três Poderes’, disse Jucá.

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) reforçou o pedido e disse que o Congresso tem que ter coragem de enfrentar o desgaste provocado por discussões de reajuste. ‘Por que não corrigimos os nossos? Eu não consigo entender. O critério tem de ser único. Não há razão para distorções’, disse.

Na Câmara, um grupo de parlamentares articula nos bastidores a elaboração de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para assegurar que os vencimentos da Suprema Corte sejam repassados para deputados, senadores e para o presidente da República.

O aumento do STF segue agora para sanção presidencial. Se for sancionado como está, os ministros vão passar a ganhar R$ 25.725 –logo após a aprovação– e R$ 26.723 a partir de fevereiro de 2010.

Atualmente, o salário dos ministros é de R$ 24.500, uma diferença de R$ 7.988 para o salário dos deputados, que é de R$ 16.512, e de R$ 13.080 para o vencimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é de R$ 11.420.”

Serei bem franco, meus caros.

Se a política nacional fosse um cenário ocupado apenas por pessoas de bem, de moral ilibada, de ética indubitável e que se dedicassem de corpo e alma à representação popular honesta, competente e produtiva, sendo ainda a sociedade brasileira, nesta hipótese, uma em que a totalidade da população dispusesse, pelo menos, de uma vida digna e de prestações estatais razoáveis e condizentes com o valor dos impostos no que tange os setores da educação, da saúde, do saneamento, da segurança, entre outros, poderia ser defensável um salário de quase 27 mil reais para juízes, parlamentares e membros do Executivo.

Como temos uma prática política dominada, em grande parte, por senhores e senhoras de moralidade questionável e ética duvidosa e que muitas vezes não levam a sério o trabalho que se propuseram a realizar quando se lançaram candidatos aos cargos que ocupam, sendo ainda a sociedade brasileira, na realidade, uma que é forçada a conviver com impostos astronômicos e prestações estatais pífias em setores como a educação, a saúde, o saneamento, a segurança, entre outros, não é nada defensável um salário de quase 27 mil reais para juízes, parlamentares e membros do Executivo.

Seria este blogueiro defensor da tese de que juízes e membros do Executivo deveriam ter salários baixos, recebendo os parlamentares, que podem trabalhar em outros setores, apenas verbas de auxílio? Não, não se trata disso. Não chego a este ponto.

O que quero dizer é que, por mais que seja natural que as maiores autoridades da nação tenham salários condizentes com a importância das posições que ocupam, estes salários também devem ter um mínimo de coerência com a realidade nacional.

Não são os salários dos parlamentares que são baixos. Os vencimentos dos juízes é que está elevado até demais. Se parlamentares e magistrados que trabalham em Brasília recebessem um já gordo salário de 15 mil reais, poderiam viver com muito conforto e sem nenhuma mazela financeira que atrapalhasse as suas atuações. Além disso, diversas assessorias poderiam ser simplesmente extintas, reduzindo em considerável parte o gasto que decorre indiretamente da existência do alto escalão.

Com certeza não podemos deixar de lado a previsão constitucional de que os vencimentos dos membros do alto escalão dos Três Poderes devem ser equiparados, afinal, trata-se da legalidade e, porque não, do equilíbrio entre os Três Poderes.

Porém, se possível fosse, deveriam os vencimentos do Judiciário ser reduzidos a um patamar menos desconectado da realidade brasileira, e não, elevados outros salários.

Por fim, vale retornar ao questionamento sobre a qualidade da representação política citado no início deste comentário e dizer que, se a realidade do Brasil já não comporta, naturalmente, salários desta grandeza, sendo esta uma distorção, que dirá se ainda levarmos em conta o nível de qualidade da prestação de serviços empreendida pelos recebedores destes vencimentos.

Alguns questionam que, para ter excelência, o serviço público necessita de bons profissionais, alegando que, se os salários dos cargos mais altos da nação não forem altos, os cidadãos brasileiros mais embasados migrarão para o setor privado, nacional ou até internacional, que pode, sem pudores, remunerar com valores astronômicos.

Ora, mas já não é o que se dá hoje? E digo mais: Não complementam algumas das autoridades da nação os seus vencimentos com recursos obtidos de modo ilícito?

Isto comprova que já não temos a excelência. E também que o setor privado poderá sempre, invariavelmente, oferecer melhores salários.

Pois então qual é a solução? – perguntarão alguns.

Ora, enxergo como solução a valorização da vocação. Quanto menos atrativa financeiramente for a vida pública, mais se atrairão por ela apenas os bem-intencionados. Melhor dividido o poder e sendo tomadas as decisões de modo menos monocrático, os puramente vaidosos também se envolveriam em outras atividades que não a política, que deve ser, teoricamente, um setor de deveres e responsabilidades em primeiro lugar, e não, de direitos e prerrogativas importando mais.

Neste momento, surgirá a dúvida: E como coibir as corrupções que visarão aumentar os vencimentos ilicitamente? E como garantir um controle honesto?

Só me vem à mente uma solução: Fiscalização firme, punição rápida e severa e órgãos de controle com funcionários altamente qualificados e concursados.

É nos valores intangíveis que o Estado brasileiro pode vencer, se quiser, a ineficiência e a bandalheira. Investir em uma luta por mais dinheiro não parece solucionar nada, afinal, os nossos melhores homens, normalmente, se importam muito mais com subjetividades como o reconhecimento e a possibilidade de fazer efetivamente alguma diferença do que com o dinheiro.

É por essas e por outras que me uno a uma campanha iniciada pelo blog Visão Panorâmica, de meu caro colunista Arthurius Maximus. Ele defende que os cidadãos brasileiros pressionem, através de e-mails enviados ao Senado Federal, contra a iniciativa de aumento dos vencimentos dos parlamentares em questão. Clicando aqui, você pode saber mais.

Quanto à constitucionalidade da equiparação dos vencimentos, esta é realmente uma questão complicada. Manter os salários de diferentes poderes desconectados desrespeita preceito constitucional.

Me parece que a melhor saída seria encontrar uma brecha legal para equipararem-se os vencimentos reduzindo os maiores, e não, elevando ainda mais os mais baixos que, embora menores que os outros, se olhados comparativamente com relação ao salário médio do brasileiro, chegam a indignar.

Ruy está de olho [9]: Vereadores cariocas aprovam a privatização do serviço público do Município

01/05/2009

Depois de um tempo afastado, Ruy Barbosa volta para fiscalizar a politicagem que Eduardo Paes vem empreendendo no Município do Rio desde que tomou posse. Para entender o que Ruy Barbosa tem a ver com isso, clique aqui.

Para quem não sabe, o atual Prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), aquele mesmo que eu avisei diversas vezes que, se eleito, representaria um desastre para o Rio de Janeiro, propôs à Camara de Vereadores do Rio um projeto de privatização dos serviços públicos.

É isso mesmo que vocês leram. Uma empresa será responsável pela saúde, pela educação, pelos centros esportivos construídos pela última gestão com tanto custo e, pior, pelo pagamento dos nossos servidores municipais. Vale ressaltar que os servidores do município do Rio, são, em sua maioria, altamente eficientes, contrastando com os servidores estaduais e federais e estando, sabidamente, entre os melhores do País.

Para os que não entendem como isso prejudica e como o plano se desenvolve, explico: Uma ONG, chamada de Organização Social já que agirá de alguma forma no setor público, daí a lei se chamar Lei das OSs, assumirá o controle dos prédios públicos, da gestão dos servidores e de tudo mais. Com isso, todo o atendimento à população ficará à mercê das vontades dos dirigentes da ONG que, teoricamente, não devem satisfações a nós. Um absurdo total! A Prefeitura de Eduardo Paes dirá que haverá fiscalização para que a ONG não cometa abusos, mas alguém acredita nisso?

Pois bem. E não é que os vereadores cariocas aprovaram este projeto? Como se não bastasse a proposta totalmente equivocada de nosso Prefeito, apadrinhado pelo Governador Sérgio Cabral (PMDB) que é autor de outra proposta errônea, os muros cercando as favelas, os vereadores ainda aceitaram o plano.

Por mais que seja algo que diz mais respeito aos moradores do Rio de Janeiro, acredito que tamanha besteira deva ser informada a todos os brasileiros. Como pode um Prefeito, ao invés de melhorar o serviço público essencial, repito, essencial, admite que não tem essa capacidade e coloca toda a gestão na mão de uma empresa que, obviamente, se importa com os lucros?

Uma vergonha! Um acinte! Isso para não citarmos como ficarão os planos de carreira dos servidores, os pagamentos, as bonificações destes, etc. Além disso, podem esperar e verão que, por mais que tudo tenha passado para o controle da OS, a Prefeitura continuará injetando muito dinheiro nos setores, o que provará que a transferência do controle não trará nenhum benefício.

Para que todos vocês tenham ciência de quais vereadores aprovaram este projeto, e para que os que são cariocas pensem bem antes de votar em alguns deles nas próximas eleições, segue abaixo a lista revelando quais votaram a favor desse descalabro e quais defenderam o serviço público do Município do Rio de Janeiro.

Sem mais delongas, segue a lista:

VEREADORES QUE VOTARAM A FAVOR DO PROJETO DE PRIVATIZAÇÃO

1 – ADILSON PIRES
2 – ALFREDO SIRKIS
3 – ALOÍSIO FREITAS
4 – ANDREA GOUVÊA VIEIRA
5 – ASPÁSIA CAMARGO
6 – BENCARDINO
7 – CARLOS BOLSONARO
8 – CARMINHA JEROMINHO
9 – CHIQUINHO BRAZÃO
10 – CLARISSA GAROTINHO
11 – CLAUDINHO DA ACADEMIA
12 – CRISTIANO GIRÃO
13 – DR. EDUARDO MOURA
14 – DR. FERNANDO MORAES
15 – DR. JAIRINHO
16 – DR. JORGE MANAIA
17 – ELTON BABÚ
18 – FAUSTO ALVES
19 – IVANIR DE MELLO
20 – JOÃO CABRAL
21 – JOÃO MENDES DE JESUS
22 – JORGE BRAZ
23 – JORGE PEREIRA
24 – JORGINHO DA SOS
25 – LILIAM SÁ
26 – LUIZ CARLOS RAMOS
27 – MARCELO PIUÍ
28 – NEREIDE PEDREGAL
29 – PATRICIA AMORIM
30 – PAULO MESSINA
31 – PROFESSOR UOSTON
32 – RENATO MOURA
33 – ROGÉRIO BITTAR
34 – ROSA FERNANDES
35 – S. FERRAZ
36 – TÂNIA BASTOS
37 – TERESA BERGHER
38 – TIO CARLOS
39 – VERA LINS

VEREADORES QUE VOTARAM CONTRA O PROJETO

01 – ALEXANDRE CERRUTI
02 – CARLO CAIADO
03 – DR. CARLOS EDUARDO
04 – EIDER DANTAS
05 – ELIOMAR COELHO
06 – LEONEL BRIZOLA NETO
07 – LUCINHA
08 – PAULO PINHEIRO
09 – REIMONT
10 – ROBERTO MONTEIRO
11 – STEPAN NERCESSIAN

Diretorias do Senado: 181 e subindo…

19/03/2009

Este blog noticiou ontem que o Senado contava com 131 diretorias, o que já configurava um absurdo, um gasto de dinheiro público despropositado. Porém, a notícia é, literalmente, de ontem, pois o número de diretorias do Senado, por força dos olhares mais minuciosos e investigativos causados pelo escândalo, não para de crescer.

As diretorias,  ainda no momento em que o convênio com a Fundação Getúlio Vargas era anunciado, eram 131. Mais tarde, o número foi atualizado por José Sarney, passando para 136.

Acontece que agora ocorreu mais uma atualização, passando o número de diretorias do Senado, entre elas as, imagino, utilíssimas, Diretoria de Garagem e Diretoria de Autógrafos, para 181.

Pelo visto nem mesmo o próprio Senado, como instituição, ou o seu atual Presidente José Sarney sabem o número real de diretorias e, consequentemente, de diretores extremamente bem remunerados. A farra de cargos deve ter sido tão boa que até as contas foram perdidas.

Eu não duvidaria se os números voltassem a subir. Quem sabe sejam mais de 200 diretorias? A Câmara dos Deputados, por sua vez, já contribui com, até agora, 104 diretorias para as contas do Congresso como um todo.

Fica aqui a crítica a essa coisa inaceitável que é a farra de cargos altamente bem pagos, porém inúteis, bem típicos daqueles que “mamam” nas “tetas” do Estado.

Fica o registro de minha extrema indignação para com esse tipo de prática que é disseminada na classe política nacional. É angustiante lembrar que somos nós que estamos pagando, com nossos impostos, por toda essa “orgia” de dinheiro público.

As “vacas” mamadas por estes crápulas, que pervertem o sentido da representação política e frustram os esperançosos de termos um dia a prevalência do bem servir no serviço público, somos nós. E que registre-se que crápulas são os políticos que agem desta forma e também os funcionários das Casas Legislativas que são mancomunados com estes e coniventes.

181 diretorias e subindo…

Meritocracia

10/02/2009

A minha concordância com o que diz o Ministro Mangabeira Unger varia muito. Algumas vezes concordo em partes com o brasileiro que desaprendeu o português, em outras ocasiões discordo de quase tudo e ainda existem os casos em que acredito que ele disse um monte de besteiras. Dificilmente concordo na totalidade com o que ele diz.

Porém, foi o que aconteceu em relação a uma declaração dada pelo Ministro recentemente. Concordo plenamente com o que ele disse e me senti na obrigação de citar e repercutir, aqui no blog, a posição do Ministro por conta de sua tamanha qualidade.

A declaração diz respeito à dicotomia que existe no âmbito da ocupação dos cargos de alto escalão dos governos brasileiros. Ela se resume, praticamente, à disputa entre “cargos comissionados” e “cargos por mérito”.

Diz Mangabeira Unger sobre isso:

“Nunca completamos no Brasil a obra do século 19 em matéria de administração pública, que é a construção de uma burocracia profissional baseada no mérito. Continuamos com a situação em que há ilhas de profissionalismo burocráticos que flutuam num oceano de discricionarismo político. Precisamos acabar com isso. Precisamos andar rumo a uma situação, por exemplo, em que a grande maioria dos cargos comissionados seja substituída por carreira de Estados -disse o ministro, para quem os problemas nacionais passam pela eficiência da gestão pública”.

Em outras palavras, e em resumo, o Ministro disse que deveria ocorrer a substituição de cargos de comissão por carreiras de Estado. Para o ministro, o governo deveria priorizar a contratação a partir do mérito, e não de acordo com a relação partidária.

Como poderia alguém que deseja o bom funcionamento do serviço público, a qualidade da prestação ao cidadão, o profissionalismo do servidor e o conhecimento técnico dos ocupantes dos cargos em suas respectivas áreas, deixar de concordar?

Concursos públicos idôneos, honestos, desafiadores e que preenchessem a maioria dos cargos importantes, criando uma máquina interna competente e que não é desmontada a cada eleição gerariam uma meritocracia que só poderia ser benéfica para o brasileiro.