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Coluna do Dia: Os camisas negras do PT fazem mais uma vítima – Acorda, menina!

31/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Acorda, menina! Acorda antes que seja tarde! Antes que o direito individual violado seja o seu. Antes que a liberdade subjugada seja a sua.

Tenho certeza que todos já sabem a última façanha dos – como é mesmo que Lula dizia? – “aloprados” do PT. Aquela turma que se aboletou na Receita Federal para servir ao Partido, mostrou mais uma vez que os direitos e garantias constitucionais não querem dizer absolutamente nada pra eles. Mais um punhado de tucanos teve seu sigilo fiscal quebrado pelos camisas negras do PT, sempre prontos a mostrar que o Estado é deles.

Mas e daí? Esses tucanos são mesmo uns direitistas neoliberais, reacionários, preconceituosos e de olhos azuis, não é mesmo? Ou, como disse um conhecido meu, eleitor histórico de Lula e, atualmente, partidário de Dilma, “se eles reclamam, é porque têm alguma coisa a esconder.” Eis o abismo tenebroso no qual o país foi atirado por essa inversão de valores morais parida pelo lulo-petismo. Mas não pensem que vou defender os tucanos. Que nada! No Brasil lulista, já ficou claro que eles são indefensáveis – assim como qualquer outro que faça oposição ao “grande pai do povo”.

Os petistas, segundo sua lógica sociopata, estão travando uma guerra, não uma disputa democrática. E os opositores são, aos olhos deles, “inimigos”. E a morte de um “inimigo” não pode ser lamentada, não é mesmo? Mas e quanto aos civis inocentes?

Junto com os sigilos fiscais de meia-dúzia de tucanos, a Stasi de Lula também violou o sigilo de ninguém menos que Ana Maria Braga, que, suponho, deve ser uma perigosíssima espiã infiltrada pela direita burguesa na grande mídia. Acorda, menina!

Minha dúvida é: queriam vasculhar os dados fiscais da “mãe” do Louro José por quê? Vai ver ela é suspeita de trabalhar para o consórcio neoliberal formado por PSDB e DEM. Ou então o programa dela vem fazendo campanha negativa contra Dilma, principalmente quando prepara pratos à base de carne, e todo aquele sangue fica à mostra, na TV.

Nunca se sabe quando alguém vai ligar sangue ao passado terrorista de Dilma, não é mesmo? Ou, então, vai ver espionaram Ana Maria Braga pra chegar ao… Louro José! Sim, deve ser isso! Aquele papagaio de uma figa, todo pintado de verde e amarelo. Fica evidente que ele é contra o vermelho do PT.

Não se deixem enganar pela bizarrice do episódio. Nem pensem que de nada adianta apontar essas coisas diante das pesquisas eleitorais favoráveis a Dilma, a Lula e ao PT. Pouco me importa se faço parte daquele um por cento que insiste em não dobrar os joelhos para o apedeuta. Continuarei apontando cada pequena investida contra o sistema de liberdades democráticas, pelo menos enquanto ainda existir liberdade para fazê-lo.

É divertido ver o contorcionismo retórico que os petistas fazem no afã de negar o caráter evidentemente fascista do seu governo.

Percebam que estão presentes todos os pilares fundamentais: 1) o culto à pessoa do líder; 2) a ocupação do Estado e a condição de subserviência deste ante o Partido; 3) o apelo populista para conquistar as massas; 4) a subversão dos valores morais, paulatinamente substituídos pelos valores d’O Partido; e 5) a utilização despudorada dos recursos estatais para minar qualquer tipo de oposição ao regime. “Falta o uso da força!”, zurrarão os petistas. Sim, falta. Ainda! Dado o que temos hoje, é válido perguntar: o petismo não recorre à força contra “a direita preconceituosa e golpista” por que não quer? Ou por que (ainda) não pode?

Na esteira do que escrevi semana passada, façamos um rapidíssimo exercício de imaginação: e se fosse o DETRAN de São Paulo, governado pelo PSDB, que estivesse vasculhando as multas e crimes de trânsitos existentes em nome de Marta (Favre-Belisário-Wermus) Suplicy, de Netinho de Paula, ou da “neocompanheira” Mulher Pêra? O mundo já teria desabado sobre a cabeça de Serra, não? E com muita razão! O que custo a entender é: por que, quando se trata do PT, as coisas são vistas com mais – como direi? – “tolerância”?

Por que diabos, mesmo depois de oito anos no governo, os petistas ainda ostentam esse ar meio “café-com-leite”, que lhes permite transgredir regras que para os adversários são imperativas?

Nossa, é claro! Já sei por que Ana Maria Braga foi espionada ilegalmente pela Gestapo petista. É que a companheirada nunca perdoou o fato da apresentadora ter se apresentado na TV, na manhã seguinte à reeleição de Lula, vestindo preto da cabeça aos pés, em sinal de luto. É a tal busca contínua pela unanimidade. O desejo reiterado de destroçar todo e qualquer foco de resistência ao líder, ao Partido.

Falando tanto na contratada da Globo, lembrei de Regina Duarte, e do medo que ela disse sentir em 2002. E posso concluir com facilidade que o pior dos medos dela não chegava nem perto daquilo que os petistas vêm se mostrando capazes de fazer.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, escrevendo hoje excepcionalmente terça-feira é  editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Marina quer ir para o segundo turno: Difícil tarefa

31/08/2010

Marina Silva tem pedido aos seus eleitores que se mobilizem e multipliquem votos. A verde tem a esperança de ultrapassar Serra e ir para o segundo turno.

O pedido é válido, a esperança é a última que morre e não há nada mais justo do que uma candidata acreditar em si mesma e no seu próprio potencial.

Marina faz o que tem mesmo que fazer.

Mas é fato que a tarefa é muito difícil. Praticamente impossível.

Faltam a Marina capilaridade, para levar a campanha a cada bairro, cada esquina, aliados fortes, para que o prestígio local de muitos seja emprestado à candidata, e tempo de televisão, para passar sua mensagem na sua plenitude e aparentar ter chances de vitória aos olhos do eleitor.

Sem nada disso, fica parecendo que os apelos de Marina são apenas protocolares e de certa forma são.

Mas isso não quer dizer que não seria interessantíssimo ver um segundo turno entre Marina Silva, minha candidata pessoal, e Dilma Rousseff, ambas com o mesmo tempo de televisão.

Pena que a certeza de que seria interessante não torna este desfecho mais provável.

Análise Geral: O eleitor e a lógica de mercado

30/08/2010

Uma das primeiras coisas que se aprende quando se estuda economia é a lógica do mercado: O empreendedor de sucesso é o que promove oferta para preencher uma demanda.

Rapidamente, em um curso de verão, entende-se que o lucro só vem quando há demanda, seja ela explícita, reprimida ou fabricada. Se ela inexistir não há oferta que dê jeito.

Por essas e por outras alguns empresários criam demandas com o marketing. As pessoas passam a desejar o que eles ofertam.

Pois bem. E o que isso tem a ver com o eleitor?

Simples: O empresário é o candidato, a mercadoria é o seu discurso e o consumidor, claro, é o eleitor. O marketing é o eleitoral.

Como há demanda de continuidade das políticas governamentais, Serra decidiu ofertar isso.

Acontece que também há demanda da continuidade de Lula e isso só Dilma pode ofertar.

Serra decidiu comparar preparo e biografia, ofertando competência, mas não há essa demanda.

O PSDB só venceria as eleições se explorasse, com seu discurso, as demandas reprimidas: Serra não as compreendeu.

Restaria fabricar demandas. Nesse caso, Luiz Gonzalez, o marqueteiro, falhou miseravelmente.

A lógica de mercado explica, facilmente, a vitória de Dilma.

A oposição realmente tinha um trabalho árduo para decidir o que ofertar.

Mas não era impossível.

Agora é.

Análise Geral: A continuidade e a virada de Anastasia em Minas

27/08/2010

Não há dúvida de que o povo brasileiro, em sua maioria, quer hoje continuidade das políticas que lhe agradam.

Por conta disso, a oposição se vê um tanto quanto encurralada e sem poder propor a mudança radical.

Ao invés de defender a mudança no que caminha mal, José Serra pregou um continuísmo alternativo e meteu os pés pelas mãos.

Mas esse não é o tema em questão. Tratemos aqui de como a tendência de continuidade afeta os estados e, especificamente, Minas Gerais.

Nas unidades da federação se quer, como já dito, a continuidade a nível federal. Contudo, isso varia a nível estadual.

Se a discussão em um estado específico for nacionalizada, ganha espaço quem quer que seja o candidato de Lula.

Mas se o debate for regionalizado, ganha terreno o candidato da máquina estadual, com a sensação de bem-estar sendo conectada com a gestão da unidade federativa.

Portanto, chega-se à conclusão de que os candidatos dos partidos da oposição, quando tentando a reeleição ou apoiados pelos governadores, podem se aproveitar da tendência de continuidade se não nacionalizarem o debate, mesmo sem o apoio de Lula.

É por essas e por outras que os candidatos da oposição nos estados tendem a abandonar Serra: Significaria perder um pouco da relação com o status quo desejado pelo povo.

Por conta disso, Alckmin lidera com folga em São Paulo mesmo sem a ajuda de Lula, mas sendo acusado de não se empenhar na campanha de Serra.

Mas o maior exemplo não é Alckmin e sim Anastasia. Apoiado por Aécio e pregando a continuidade a nível estadual, o atual Governador caminha a passos largos para virar o jogo e ultrapassar Hélio Costa nas pesquisas. Aécio é para Minas quase o que Lula é para o Brasil.

Tanto é verdade o que digo que os peemedebistas já estão preocupadíssimos com o destino da campanha de Hélio.

E mais do que isso: O governo torce para que, no intuito de auxiliar Serra, Aécio nacionalize a campanha mineira, facilitando a vida de Lula.

Aécio gravou depoimento para Serra que passou na televisão ontem.

Os petistas acham que Aécio mordeu a isca.

Mas se a virada de Anastasia for ameaçada, ele retira o anzol da boca em dois tempos.

Como um bom mineiro.

PSDB decide seus rumos de olho na sobrevivência

24/08/2010

Informa a Folha:

Preocupado com a queda do candidato José Serra nas pesquisas de opinião, o comando do PSDB já discute ajustes na campanha nacional e uma estratégia de sobrevivência da oposição em caso de derrota na corrida presidencial.

O partido apostará suas fichas na eleição de governadores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além da correção de rumo para a Presidência, a cúpula tucana se reúne, amanhã em São Paulo, para discutir o futuro da campanha e o destino do partido.

Chamado a São Paulo a pretexto de gravar sua participação na propaganda de Serra, o ex-governador de Minas Aécio Neves tem encontro marcado com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Segundo tucanos, está prevista ainda a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na conversa. A assessoria de FHC afirma, porém, que ‘até o momento, não consta nada do tipo na agenda dele’.

Serra deve estar no Rio Grande do Norte amanhã, dia da reunião”.

É o PSDB de olho na sobrevivência da oposição no Brasil.

Pela democracia, seria saudável que ela sobrevivesse.

 

Oposição com discurso confuso: Partido Verde se anima

20/08/2010

 

A campanha televisiva de José Serra parece sem rumo. Não se sabe ao certo qual desejo dos brasileiros o tucano quer personificar.

Ele é o candidato da oposição ou ele é o candidato mais experiente e capaz da continuidade?

No fim das contas, a realidade é que nenhum destes papéis deveria ser interpretado por Serra, caso queira vencer a disputa.

A estratégia correta seria bater firme nos erros do governo e promover o reconhecimento e manutenção dos acertos, escolhendo dois ou três pontos para marcar a candidatura, os chamados “tipping points”.

Acontece que na busca por essa sintonia fina, a campanha tucana erra a mão e pesa demais ou de um lado ou de outro, dependendo do momento.

Ou o tom sobe demais e a crítica a Dilma traz rejeição dos milhões que aprovam Lula ou se cai na defesa de um continuísmo tão sem inovações que estimula o voto no que “já está aí”.

Há que se reconhecer que o equilíbrio defendido está em cima de linha tênue, mas os profissionais contratados para o marketing têm a obrigação de conseguir atingí-lo, vistos a experiência que têm e o quanto recebem mensalmente.

É nesse cenário de aparente indecisão da campanha tucana que o Partido Verde se anima. Há quem sonhe com um segundo turno entre Dilma e Marina.

No Rio de Janeiro, por exemplo, este cenário não está distante. É significativo, embora não retrate o País todo.

Acontece que o programa eleitoral de Marina não está ajudando. Buscando inovar, o marketing da campanha está se equivocando e cometendo erros primários como esconder a candidata.

Uns dizem que se erra neste início de propósito, para trazer exposição com os comentários sobre os programas inusitados que, só tendo pouco mais de um minuto, dependem muito da repercussão.

Ocorre que má repercussão não adianta. Não vale a máxima de que “toda propaganda é uma boa propaganda”.

Se continuarem assim os vídeos de Marina, Serra pode se preocupar só com Dilma.

Começa a propaganda eleitoral na televisão: Dilma se sai melhor

18/08/2010

O horário político em todos os canais abertos da nação está de volta, como sempre faz de dois em dois anos.

Embora a audiência dos canais pagos tenha aumentado, reduzindo o número de espectadores da propaganda eleitoral, ela ainda é a maior fonte de informação para decisão do voto.

Sendo assim, os candidatos, principalmente os majoritários, precisam produzir seus programas com muito carinho, tendo escolhido os marqueteiros com muito cuidado.

Parece que a equipe de Marina Silva esqueceu isso tudo. Seus primeiros comerciais foram péssimos, com cara de documentário barato sobre meio ambiente. Ela veio nos contar “uma verdade inconveniente”.

Serra se saiu melhor, se dirigiu pessoalmente ao eleitor, olho no olho, mas não trouxe nada de novo se compararmos com as campanhas tucanas de 2002 e 2006. Falou muito de saúde, algo que pode funcionar, mas que tem, como os remédios, prazo de validade.

Dilma acertou mais. Mirou Lula e emoção, emoção e Lula, visando atingir o grosso do eleitorado. Fala mal para as câmeras, mas apresentar o que a maioria quer ver costuma funcionar na democracia.

Datafolha: Dilma lidera – 41% a 33% sobre Serra

15/08/2010

Confirma-se totalmente, enfim, a tendência de subida de Dilma, não só pelo aumento de seu índice, mas também pela troca de votos com Serra.

A petista caminha para o período de exibição do horário político como favorita.

Só o mesmo horário político pode fazer Serra virar o jogo, mas as probabilidades não estão ao lado do tucano.

Resta saber agora se Dilma fecha o primeiro turno na frente com vitória ou indo para um segundo turno onde os eleitores de Marina Silva poderão ser os fiéis da balança.

Coluna do dia: O grande perdedor do debate? É você, eleitor

10/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Querem uma opinião isenta, objetiva e sem paixões sobre o debate da Band? Tenho essa: Plínio precisa urgentemente de um neto que o impeça de aparece em rede nacional defendendo ideias que, de tão velhas, provavelmente têm a idade dele. Gostaram? Bom, se não gostaram tenho outra opinião: Marina deve entender – e rápido! – que o discurso do oprimido que “passou dificuldades na vida” só funciona co Lula. Tá boa essa? Não?! Bom, então mais uma: Dilma precisa desistir desse negócio de participar de debate. E precisa, também, contratar uma fonoaudióloga. Esta última providência, aliás, é a mais urgente!

O debate promovido pela Band foi morno, sem graça e pouco – ou quase nada – decisivo. A culpa é do formato rígido criado pela justiça eleitoral, que tratou de transformar disputas políticas em meros embates numéricos. Ganha aquele que tiver os melhores números para apresentar (não necessariamente verdadeiros…), e que souber aliar isso a uma desenvoltura minimamente aceitável. Não dá, por exemplo, para tentar defender o governo Lula, tido pelos petistas como o mais perfeitamente maravilhoso e eficiente da história do mundo gaguejando a cada três palavras, como fez a ex-terrorista.

Não houve um candidato que dominasse o debate. Considero que Serra “venceu por pontos”, pois foi inegavelmente mais claro em suas falas, além de ter demonstrado que consegue, com muito mais propriedade que os demais, se ajustar às regras do programa televisivo. Obviamente que isso é devido à maior experiência eleitoral de Serra: quem participou de mais debates, se sai melhor do que quem nunca antes participou de um.

Marina foi uma decepção. Mostrou que não tem programa – só “bandeiras”- o que é algo muito grave, afinal ela está há algum tempo fora de qualquer cargo, só preparando sua candidatura. Além disso, em que pese a falta geral de encanto dos candidatos desta eleição, o rosto e a voz de Marina são espantosamente ruins diante das câmeras. Isso é algo que ela provavelmente vai trabalhar, não apenas para os próximos debates, mas para as próximas eleições.

Plínio, dizem, foi a “sensação” do debate. Não concordo. Ele agiu como um legítimo wild card, ou seja, como alguém que está lá sabendo que é “café-com-leite”. O socialista sabe que não tem nenhuma chance de vencer, por isso sente-se livre para não apresentar nada de concreto. Pôde gastar todo o tempo que lhe foi dado para fazer algumas piadas, elaborar um punhado de ironias muito bem aplicadas e, principalmente, desfilar uma infinidade de clichês esquerdistas que não suportam 30 segundos de confronto com a lógica. Eu, por exemplo, não entendo por que ninguém perguntou a Plínio como diabos ele pretende limitar todas as propriedades. No papo, ou na bala mesmo?

Dilma foi a que mais surpreendeu negativamente. Até eu, que sou um “porco direitista, reacionário, conservador, preconceituoso” que voto em Serra, nunca pensei que a ex-terrorista fosse tão despreparada para o exercício do contraditório. Francamente, não há nem o que discutir: Dilma se atrapalhou para dar “boa noite”, logo no início do programa. Sem falar que estourou praticamente todos os tempos que teve. Sempre imaginei que ela não era boa de debate, mas nunca pensei que fosse assim tão péssima! De resto, a fala de Marta Suplicy(-Favre-Belisário-Wermus), companheira de Dilma, resume tudo: “Tanta preparação pra isso?!” Pois é… Quando alguém como Marta, capaz de tomar uma descompostura de ninguém menos que Paulo Maluf, reclama do desempenho de alguém num debate, é porque a coisa foi feia mesmo.

Mas, aos meus olhos, o grande derrotado do debate da Band foi mesmo o formato ridículo que nasceu a partir das infindáveis normas impostas pela justiça eleitoral, a começar pela imposição de convidar vários candidatos, não apenas os principais. Por que diabos um sujeito velho como Fidel Castro – na idade e nas ideias – deveria ter o mesmo espaço que os dois favoritos, Serra e Dilma? Ora, não sejamos politicamente corretos. Vamos aos fatos: Plínio não é igual aos dois principais candidatos. Logo, não deve ser tratado como eles, pois isso não é… democrático!

E o que dizer dessa limitação absurda de tempo? Marina vem pergunta: “Serra, como você vai resolver o problema da saúde pública?” Aí o mediador se vira pro tucano e avisa: “Dois minutos, candidato.” Dois minutos?! Pra falar sobre saúde pública?! Seria preciso uma semana… É um formato vencido, que não engrandece em nada a democracia. A grande vantagem de um debate eleitoral é ver os candidatos partindo pra cima, atacando, na esperança de nocautear o oponente. Do jeito que é hoje, eles são todos estimulados a jogar na retranca, esperando um erro do adversário, coisa que, com o batalhão de assessores que cerca cada um, se torna praticamente impossível.

Debates bons eram os de antigamente, quando Brizola chamava Maluf de “filhote da ditadura”, e este respondia dizendo que o pedetista não havia estudado o suficiente, sem apalear para chicanas ridículas como o tal “direito de resposta”. Ou quando Lula acusava Collor de ser um Pinóquio, e o alagoano respondia chamando o petisa de analfabeto. E ninguém ousava se meter no duelo, que era travado livremente por dois políticos. Sem falar que o povo adorava isso! E ainda adora. Acho engraçados esses marqueteiros de agora, que não querem discutir política ou ideologia por medo das tais ofensas pessoais (as baixarias). Ué, mas nós adoramos isso! Não fosse assim, as novelas não teriam tanta audiência.

Enquanto as regras engessadas que regem os debates brasileiros não forem flexibilizadas, continuaremos vendo duelos de gerentões, cada um esgrimindo números ao seu bel prazer, sem que seja possível, sequer, contradizer aqueles que mentem de forma deliberada. Nunca mais poderemos ver uma cena épica como a do debate entre Montoro e Quadros, onde este aplicou aquele que, a meu ver, é o maior golpe de mestre da história dos debates televisivos brasileiros. Procurem o vídeo no YouTube, está lá. Aquilo era política. O que temos hoje é algo mais chato do que campeonato juvenil de curling.

*Yashá Gallazzi ,escrevendo excepcionalmente nesta terça é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Cobertura do 1° debate presidencial no Twitter do Perspectiva

06/08/2010


O Perspectiva cobriu o 1° debate presidencial, realizado pela Rede Bandeirantes, no Twitter do blog. Seguem abaixo as opiniões deste que vos fala publicadas durante o debate no micro-blog:

- Comeca agora a cobertura do Perspectiva do debate presidencial da Rede Bandeirantes. Acompanhem!

- Os candidatos não falharam muito falando sobre saúde, segurança e educação. Serra e Plínio foram os melhores. Dilma estourou o tempo.

- Serra afirmou que não governa para partidos ou setores e que ninguém pode se achar dono da verdade: Alfinetada no PT e em Lula.

- Plínio Sampaio colocou Dilma na parede com questões polêmicas: Reforma Agrária com limite de hectares, anistia de desmatadores e movimentos sociais.

- Plínio traz humor para o debate. Marina surpreendendo negativamente. Dilma errou e disse que ProUni (bolsas) fortalece ensino público.

- Marina melhorou. Serra vem sendo o melhor. Plínio é franco-atirador e Dilma estudou mas é hesitante, talvez seja nervosismo.

- Serra ataca mais mas também hesita mais. Dilma continua gaguejando um pouco. Serra bate em erros do governo que Dilma não corrigiu.

- Serra ironiza as inaugurações de pedras fundamentais do governo. Plínio ironiza a hipocondria de Serra. Dilma está sendo muito questionada.

- Plínio diz que estipulou as metas da reforma agrária do governo Lula e que por isso sabe que ele fez menos que FHC na área.

- Joelmir Beting perguntou sobre como reduzir impostos e juros sem reduzir o gasto público. Ótima questão.

- José Serra se sai bem respondendo questão sobre privatização: Bateu no aparelhamento de estatais. Dilma defendeu bem a segurança jurídica.

- Serra diz que Palocci – “assessor de Dilma” – elogiou a condução da economia de FHC.

- Plínio afirma que preservar o ambiente plenamente não é compatível com o lucro e o desenvolvimento. O candidato do PSOL conseguiu aparecer.

- Considerações finais clichês. Fim das contas: Serra foi melhor que Dilma, mas nada distante. Marina foi mal e Plínio apareceu.

- Termina aqui a cobertura do Perspectiva do 1° debate presidencial. Obrigado aos que acompanharam.

O Twitter do Perspectiva também cobrirá o 2° debate presidencial. Fiquem de olho!

Cliquem aqui para seguir o Twitter do Perspectiva.