Postagens com a palavra-chave ‘Senado Federal’

Aécio quer valer por três: Ele mesmo, Anastasia e Itamar

10/07/2010

O ex-Governador mineiro Aécio Neves é tido como o homem com mais prestígio político em Minas Gerais.

A aprovação de seu governo e sua popularidade são astronômicas e as estatísticas já foram postas à prova quando sua reeleição foi conseguida com mais de 70% dos votos válidos.

Pois bem. Eis que Aécio colocará todo esse prestígio em jogo mais uma vez. Ele quer valer por três nas eleições deste ano: Por ele mesmo, pelo atual Governador Antonio Anastasia e pelo ex-Presidente Itamar Franco.

Aécio concorrerá ao Senado e tem uma eleição ganha.

Anastasia concorrerá a reeleição para o cargo de Governador e se chegar à vitória o terá feito única e exclusivamente por conta da influência de Aécio.

Itamar também tentará o Senado e, mesmo tendo votos próprios, conta com o auxílio de Aécio para superar sem sobressaltos o petista Fernando Pimentel.

Obviamente Aécio deseja a sua própria eleição. Todo político precisa de um gabinete para alocar sua equipe mais próxima e dizem que o ex-Governador pensa em presidir e moralizar o Senado.

Também compreende-se que Aécio queira eleger Anastasia, afinal, o seu grupo político continuaria hegemônico em Minas Gerais, o que representaria muito para o projeto nacional de Aécio.

Por fim, Aécio está arregaçando as mangas para eleger também Itamar não só por ser seu aliado e pelo belo topete, mas também porque a derrota de Pimentel é importante.

O petista é próximo de Dilma Rousseff e teria um ministério e mais um suplente no Senado em caso de vitória da petista. Aécio quer tirar-lhe pelo menos o suplente no Senado. Se Serra vencer e Pimentel terminar sem nada, melhor ainda para o neto de Tancredo.

Se ocorrerem as vitórias de Aécio, Itamar e Anastasia, o ex-Governador controlará nada mais, nada menos, do que o governo estadual e as três vagas de Senador, já que também têm influência sobre o democrata Eliseu Resende, eleito em sua chapa em 2006.

Isso tudo independendo da vitória de José Serra.

Aécio não está jogando contra e deve ajudar Serra, mas está se garantindo.

Se o tucano vencer, ótimo. Se perder, Aécio controla Minas, menos mal.

E no fim das contas, a realidade é que temos que admitir que, deixadas de lado as ideologias, Anastasia é melhor que Hélio Costa e Aécio e Itamar são melhores que Pimentel e  o comunista e membro da chapa governista Zito Vieira.

Em suma, Aécio tem melhores candidatos e, para os que não têm tanta popularidade hoje, ele emprestará a dele.

Marcelo Crivella e Cesar Maia lideram com folga corrida para o Senado no Rio

01/06/2010

O Sindicato dos condutores da Marinha Mercante encomendou pesquisa ao Ibope sobre a corrida para o Senado no Rio de Janeiro. Ela foi realizada recentemente e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

1° Voto

Marcelo Crivella (PRB) – 26%

Cesar Maia (DEM) – 24%

Lindberg Farias (PT) – 8%

Jorge Picciani (PMDB) – 4%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 2%

Vaguinho (PT do B) – 2%

1° e 2° Votos somados

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 37%

Lindberg Farias (PT) – 13%

Jorge Picciani (PMDB) – 10%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 4%

Vaguinho (PT do B) – 4%

Manoel Ferreira (PTB) – 4%

Fica claro que o cenário está propício para a reeleição do Senador Marcelo Crivella (PRB) e para a eleição do ex-Prefeito carioca Cesar Maia (DEM), visto que cada estado elegerá dois senadores este ano.

Na realidade, o quadro parece melhor para Maia do que para Crivella, já que, embora o segundo esteja na frente, o primeiro terá um candidato a Governador – Fernando Gabeira – apoiando seu nome.

Crivella está sozinho. Não há espaço para ele na chapa do Governador Sérgio Cabral, ocupada por Jorge Picciani e Lindberg Farias. Também não é possível se aliar a Anthony Garotinho, pois o Pastor Manoel Ferreira já estará ao lado do ex-Governador buscando o público evangélico, o mesmo de Crivella.

Além disso, a falta de alianças faz Crivella ter pouco tempo de televisão. Quem sabe esta pesquisa torna-se argumento para que Crivella busque ocupar espaço na chapa de Garotinho e empurre Manoel Ferreira para uma candidatura a Deputado Federal.

No fim das contas, Lindberg e Picciani ainda sonham em tomar o lugar de Crivella e Cesar Maia, que tem um histórico de avanços na intenção de voto durante as campanhas, caminha a passos largos para a vitória.

Muita água ainda passará por debaixo da ponte, mas desenha-se um cenário onde Cesar Maia elege-se e Crivella, forte eleitoralmente mas fraco politicamente, é ameaçado por Picciani e Lindberg.

A ver.

Análise: Tuma, Tuma Júnior e as curiosidades da política brasileira

08/05/2010

As principais chapas que concorrerão nas eleições estaduais paulistas estão sendo fechadas.

Romeu Tuma, político de longa data e com considerável cacife, estava tendo dificuldades para se encaixar em uma delas.

Do lado governista, Aloizio Mercadante concorrerá ao governo acompanhado por Marta Suplicy e Netinho de Paula ou Gabriel Chalita tentando o Senado.

Já do lado oposicionista, Geraldo Alckmin tentará manter o PSDB no poder regional acompanhado por Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia tentando a Casa Alta do Congresso Nacional.

Conclui-se que Tuma se viu sem espaço.

Contudo, seu peso político existe, até porque está tentando a reeleição, ou seja, por mais que esteja sem vaga nas chapas principais, é um adversário complicado de derrotar.

Eis que Tuma começou a flertar com candidatos que possuem menores chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes: Paulo Skaf e Celso Russomano.

É neste momento que tomam as páginas dos jornais algumas informações sobre uma investigação da Polícia Federal que aponta suposto envolvimento do filho de Tuma, Romeu Tuma Júnior, com uma máfia de pirataria e contrabando.

Não demorou muito para o efeito colateral surgir: Tuma, o pai, está tendo dificuldades para conseguir espaço em qualquer chapa após a eclosão do escândalo envolvendo o filho.

Resumindo, Tuma se viu colocado de lado pelos grupos majoritários e começou a buscar espaço junto aos candidatos menores para poder fazer frente aos candidatos ao Senado das principais chapas.

Neste exato momento, notícias negativas envolvendo seu filho encheram as páginas dos jornais, sendo elas frutos de uma investigação que já corre há tempos e que durante todo esse período era desconhecida pelo grande público.

Curioso.

Haja verdade nas acusações ou não, o fato é que o momento foi perfeito para alguns.

Parece até proposital.

UNE decide se apóia Dilma: 30 milhões de reais influenciarão a decisão?

21/04/2010

Informa o Globo:

“Por unanimidade, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira – a dois dias da União Nacional dos Estudantes (UNE) decidir, entre outros pontos, se dará apoio oficial à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff – projeto do governo que prevê indenização de até R$ 30 milhões para a construção de uma nova sede para a UNE, no Rio.

O texto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será avaliado em caráter terminativo. Se aprovado, só irá a plenário caso haja recurso assinado por pelo menos nove senadores, mas há consenso entre governo e oposição.

O projeto foi apresentado em 2008 pelo presidente Lula, que reconheceu a responsabilidade do Estado na destruição do prédio da UNE no Flamengo, em 1964, motivada pela repressão aos movimentos de esquerda. A construção foi metralhada e incendiada nos primeiros dias do golpe militar.

A UNE e o governo trabalham para que os R$ 30 milhões sejam transferidos até julho, limite da legislação eleitoral para repasses dessa natureza. Alinhada com a administração petista, a UNE já recebeu R$ 9,39 milhões do governo entre 2004 e 2009.”

Cooptação pouca é bobagem.

Análise Geral: O empenho de Aécio Neves pela vitória de José Serra

20/04/2010

Aécio Neves entrou de cabeça na campanha de José Serra. Os últimos pronunciamentos do ex-Governador de Minas, principalmente o retratado acima, demonstram que ele está empenhado em trabalhar pela vitória do tucano paulista.

Independentemente de Aécio aceitar ser Vice de Serra ou não, o apoio incondicional do mineiro já representa muita coisa para o pré-candidato da oposição.

Um Aécio empenhado traz para a campanha de Serra, em primeiro lugar, os votos mineiros que unem Minas a São Paulo, em segundo lugar, o seu carisma pessoal, e, em terceiro lugar, a unidade partidária dentro do PSDB.

Portanto, a oposição deve estar comemorando o aumento da força empregada por Aécio na luta tucana para chegar à Presidência com Serra. E realmente há motivo para comemoração.

A pergunta que fica é a respeito do porquê desse apoio incondicional. Com certeza José Serra aprendeu, com os erros, a ser mais conciliador. Contudo, provavelmente, só isso não seria suficiente para convencer um presidenciável como Aécio Neves. E, obviamente, não foram os belos olhos de Serra que conquistaram o mineiro, até porque não são tão belos assim.

Sendo assim, chega-se à conclusão de que Aécio está, sim, mais motivado por conta do comportamento de Serra com relação a ele, mas que, porém, a essência do apoio deriva de que a vitória de Serra é interessante para Aécio, esteja ele como Vice da chapa ou não.

Explico:

Se Aécio concorrer ao Senado, visando ter a exposição nacional suficiente para viabilizar uma candidatura a Presidente no futuro, provavelmente mirará o controle da Casa, ou seja, tentará presidir o Senado. Para ser Presidente do Senado estando no PSDB, Aécio precisa de um Presidente da República do PSDB. Uma vitória de Dilma inviabiliza qualquer possibilidade de o mineiro comandar o Senado e implantar seu provável plano de moralização, eficiência e transparência que seria utilizado como trampolim para o Planalto.

Se Aécio aceitar ser o Vice de Serra, provavelmente isso se dará dentro de um acordo que prevê a luta do paulista pelo fim da reeleição, o que possibilitaria a Aécio concorrer já na próxima eleição. Com esse cenário, Aécio teria chances de vitórias muito maiores se controlasse alguns ministérios e se a máquina federal estivesse empenhada em sua candidatura à Presidência. Essas duas premissas só serão preenchidas, também, se Serra vencer a disputa pelo Planalto.

Percebe-se, portanto, que é do interesse de Aécio Neves a vitória de José Serra.

Um José Serra mais amigável e mais disposto a ceder espaço para o mineiro só facilita essa convergência de interesses, que, essencialmente, une as pretensões de Serra para 2010 e as pretensões de Aécio para 2014 ou 2015.

Resta apenas saber o que Aécio planeja fazer caso seu adversário na luta pela Presidência seja Lula.

Coluna do dia: Olhares sobre a mudança

11/04/2010

Por Tiago Franz*

Nesta segunda-feira, 12 de abril, minha coluna no Perspectiva chega ao primeiro aniversário. É uma enorme satisfação ser colaborador – e ter sido o primeiro colunista – deste conceituado blog. Agradeço a todos os leitores, comentaristas e colegas colunistas pela constante troca de experiências. E dedico um agradecimento especial ao editor e pai do Perspectiva, nosso estimado Bruno Kazuhiro, pela acolhida e prestatividade.

Ninguém que tenha vivido um intenso período de aprendizado, como o que eu vivi aqui no Perspectiva nos últimos doze meses, deixa de mudar ou amadurecer algumas opiniões. Mas, apesar de eu ter muito o que falar sobre mim, não é o que interessa aqui.

Tenho observado, em alguns políticos brasileiros, mudanças de postura assumidas com o tempo, muitas vezes vistas como incoerência ideológica ou sob outro aspecto negativo. No Brasil, as mudanças de pensamento e atitude por parte de pessoas públicas, no geral, têm sido muito mais objeto de críticas do que de elogios. É claro que também há recepções positivas. O que determina isso são as rivalidades históricas construídas a partir de divergências ideológicas, somadas a uma boa dose de conveniências eleitorais e de interesses diversos.

Alguns exemplos:

Na semana passada, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública sobre a política externa do Brasil, no Senado, questionou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as medidas e posições adotadas pelo atual governo. Quem acompanha a questão sabe muito bem que a oposição (PSDB/DEM), mesmo reconhecendo, até certo ponto, o prestígio internacional alcançado pelo Brasil neste governo, critica a forma com que a equipe de Lula conduz as relações com países como o Irã, Cuba e Venezuela.

O curioso foi o momento em que Virgílio falou sobre Cuba. O tucano lembrou o tempo em que foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e admirador da revolução cubana, quando, segundo ele próprio, Lula era apenas um torneiro mecânico sindicalista sem muita relação com o comunismo. Pois é. Inversamente, hoje Lula abraça os Castro e Virgílio os critica. Onde o tucano quis chegar com essa lembrança? Para Arthur Virgílio, Lula também deveria reconhecer os erros de Cuba e, ao manter relações com os Castro, aconselhá-los a mudar.

A mudança de posição do Senador amazonense é, para ele, um amadurecimento. E Virgílio faz questão de reconhecer seu passado, de certa forma para, espertamente, antecipar-se a possíveis questionamentos. E é claro que muita gente vê tal transformação pelo lado negativo. Afinal, é do jogo.

Com Marina Silva a coisa é mais interessante ainda. A Senadora e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV) desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano passado, após militar por 30 anos na sigla. As críticas a ela vêm de todos os lados. Muitos “esquerdistas” a condenam por uma dita aproximação com empresários e com a direita. Muitos “direitistas” a condenam pelo passado comunista, que consideram ainda determinante em sua postura.

Mas, deixando de lado as parcialidades, até que ponto e quando as mudanças de pensamento e de postura devem ser consideradas ruins? Em que casos há um processo de transformação consciente e quando há apenas interesses escusos? Quando há honestidade intelectual e quando há mera infidelidade partidária ou incoerência ideológica?

Marina e Virgílio amadureceram ou apenas seguiram a tendência de despolarização pós-Muro de Berlim? Amadurecer significa encontrar um meio-termo?

Encerro por aqui, mais uma vez com muitas perguntas não respondidas.

Este sou eu, Tiago Franz, colunista do Perspectiva há um ano, indagador, sempre em movimento.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Análise geral: Fim das especulações – Meirelles fica no Banco Central

02/04/2010

Terminou a época dos boatos. Chegou o prazo das desincompatibilizações. Quem não deixou os cargos que ocupa para poder concorrer em outubro, quando a lei assim obriga, ficará de fora da eleição. E ponto final. Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central, é exemplo.

Meirelles sonhava com a vaga de Vice na chapa de Dilma Rousseff. Alimentou essa intenção durante meses. Foi devido a ela que adentrou o PMDB no ano passado.

Acontece que o PMDB, ícone da esperteza política nacional, não quer um cristão novo o representando na chapa presidencial. Prefere Michel Temer, testado e aprovado como material peemedebista.

Lula quis, quer e quererá Meirelles. Mas até para o Presidente superpopular, querer nem sempre é poder.

O cacife político de Dilma Rousseff precisava subir mais para que Lula impusesse Meirelles. A perspectiva de poder aumentaria e o PMDB poderia avaliar que valia a pena ceder, pensando nos espaços governamentais futuros e, principalmente, nas verbas futuras administradas.

Ocorre que o cacife não subiu na hora necessária. Ao contrário, José Serra se recuperou nas pesquisas e abriu 9 pontos de vantagem. A candidatura a Vice de Meirelles subiu no telhado. O poder de barganha do PMDB voltou a crescer e, consequentemente, a força de Michel Temer.

Enquanto tudo isso acontecia, o PMDB oferecia a Meirelles a vaga de candidato ao governo de Goiás ou a de postulante ao Senado pelo mesmo estado.

Como Meirelles não ocupou os espaços, até mesmo porque aguardava a Vice, Iris Rezende, que desejava ocupar a posição, se sagrou o indicado ao governo de Goiás.

Sobrou o Senado, mas Meirelles continuava tentando viabilizar sua candidatura a Vice.

Inviabilizada essa possibilidade recentemente, Meirelles apenas poderia deixar o Banco Central sob a justificativa de disputar o Senado e, nos bastidores, manter-se na luta para acompanhar Dilma na chapa presidencial, torcendo para que o plano de Lula de utilizar um eventual aumento do cacife de Dilma para barganhar desse certo.

Mas isso Meirelles não quis. No fundo, acha que merece mais que o Senado. Não estando na chapa presidencial, prefere ser Ministro de Dilma se esta vencer ou assumir cargo elevadíssimo na iniciativa privada.

Ao fim e ao cabo, Meirelles fica no BC. Afirma que não tem pretensões políticas e que preferiu continuar o trabalho em prol da estabilidade econômica.

Balela.

Fica Dilma sem o Vice que, supostamente, acalmaria o mercado e visto por Lula, justamente por isso, como um bom nome.

Não se sabe até que ponto o mercado realmente o enxerga assim, mas a cobertura exagerada de seus passos pela grande imprensa dá uma noção.

Talvez ele fosse mesmo o avalizador de Dilma que Temer não será. Talvez muitos da imprensa e do empresariado realmente aguardassem a definição dos rumos de Meirelles para escolher um candidato definitivamente.

Se for assim, Lula provará mais uma vez que calculou certo as suas contas políticas.

E o PMDB se arrependerá de ter indicado Temer.

Ou não, apenas migrando para a base de Serra e pronto.

Rio: Lindberg vence prévias contra Benedita e disputará Senado pelo PT

29/03/2010

Informa o Globo:

“O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, foi declarado vencedor das prévias do PT do Rio para escolher o candidato do partido a uma vaga no Senado. O prefeito derrotou a secretária estadual de Assistência Social Benedita da Silva.

O resultado foi anunciado na noite deste domingo pelo presidente do diretório regional do partido, deputado federal Luiz Sérgio.

Até as 21h30m, dos 27.636 votos (99,9% do total), 18.546 (67,1%) foram para Lindberg. A secretária estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Benedita da Silva, naquele horário, tinha 9.090 (32,9%). As parciais indicavam ainda 78 votos em branco e 73 nulos.

- Eu não esperava a diferença tão grande, o resultado surpreendeu – disse o prefeito de Nova Iguaçu ao saber do resultado. “

Se por um lado Lindberg Farias é Prefeito reeleito de Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio, e, portanto, testado em eleições majoritárias, por outro lado, ele nunca disputou uma eleição majoritária que envolvesse o eleitorado do interior fluminense e, principalmente, o da capital, tendo sido eleito com votos do município do Rio de Janeiro apenas para cargos onde a disputa é proporcional.

Sendo assim, no que diz respeito à abrangência estadual, Lindberg é uma incógnita. Pode terminar por ser um candidato nanico, mas pode também surpreender e ir bem.

As chances de vitória são poucas: As duas vagas provavelmente serão preenchidas por Marcelo Crivella (PRB) e Cesar Maia (DEM), líderes das pesquisas com folga.

Aliás, levando em conta as pesquisas, Benedita teria vencido as prévias. Seus índices de intenção de voto chegam a ser maiores que o dobro dos de Lindberg.

Parece que, em detrimento das chances de sucesso do momento, o PT fluminense resolveu mostrar à cúpula nacional do partido que está cansado de ser dominado arbitrariamente.

Benedita era apoiada pela Direção Nacional.

Cabe agora ao PT fluminense trabalhar e torcer para que Lindberg se mostre viável.

Se ele não o for, ouvirão da cúpula nacional um sonoro “não te disse?”.

Análise da disputa pelo Senado em Minas: Três nomes fortes – Um ficará pelo caminho

26/03/2010

A disputa pelo Senado em Minas Gerais contará com um rol de competidores digno de ser o da eleição ao governo do estado. Aliás, diga-se de passagem, o rol em questão é digno até de ser o da eleição presidencial. Trata-se de três árvores de raízes firmes, tronco robusto e copa frondosa.

Chega a ser uma injustiça que uma contenda conte com Aécio Neves (PSDB), José Alencar (PRB) e Itamar Franco (PPS) e possa agraciar apenas dois como vitoriosos. Qualquer um com um mínimo de conhecimento da política nacional sabe que afirmar que estes nomes poderiam tranquilamente ser os que disputam o Planalto não é nenhum exagero.

Aécio Neves tem no currículo a tradição do sobrenome, a atuação destacada na Câmara dos Deputados e a gestão elogiadíssima em um estado como Minas Gerais, que o colocou como pré-presidenciável.

José Alencar traz consigo uma história de sucesso profissional e pessoal com a Coteminas, o respaldo da ação sensata e louvável como Vice-Presidente e o exemplo de superação na luta contra um câncer que teima em retornar a cada vez que é vencido.

Itamar Franco é sinônimo de integridade na política, com trajetória política rica, vitoriosa e de poucas concessões ao que é condenável, sendo lembrado sempre pela honesta e bem-sucedida presidência, que colocou o Brasil nos trilhos pelos quais circula hoje.

Percebe-se, portanto, que Minas Gerais está bem servida de candidatos ao Senado, mais representativos e significativos até que os candidatos ao governo do estado. O Brasil, como um todo, com certeza ficaria feliz, ressalvada a quase impossibilidade de se ter todos os candidatos a Presidente advindos de um só estado, de ter nomes como esse disputando a Presidência.

Acontece que, estando os três na disputa pelo Senado, um acabará ficando pelo caminho. Infelizmente. O Senado se enriqueceria muito com a presença conjunta deste trio, mas uma das árvores não fincará suas raízes por lá.

Aécio Neves e Itamar Franco farão dobradinha se realmente concorrerem os dois. Um indicará o segundo voto no outro. José Alencar se situará do lado governista, provavelmente fazendo sua dobradinha com alguém do PT. Um alguém que está longe de ser definido, talvez por todos saberem, justamente, que a disputa é de gente grande.

Confirmado este cenário, pode-se prever que Itamar seja o candidato com menos chances. Teria tudo para ser eleito em outras circunstâncias, mas Alencar e Aécio são praticamente unanimidades em Minas. Itamar, Aécio e Alencar têm magnitude, fornecem madeira de lei, mas os dois últimos têm mais popularidade nos dias de hoje. Suas madeiras estão mais na moda.

Sendo assim, talvez Itamar seja aquele que ficará pelo caminho.

Resta saber se, prevendo isso, o ex-Presidente ficará pelo caminho nas eleições ou já agora, retirando sua candidatura e concorrendo ou como Vice de Antonio Anastasia ou à Câmara de Deputados. Em todo caso, não se tratará de uma árvore tombada.

Contudo, todo o cenário muda se um dos outros dois se retirar da disputa:

Alencar por questões de saúde e Aécio por questões de pressão tucana para que seja o Vice de José Serra.

Quem dará mais frutos em outubro?

A ver.

Análise Geral da Sucessão Paulista: PSDB e DEM acertam chapa com Alckmin e Afif – PT vai de Mercadante

25/03/2010


O período de campanha eleitoral vai se aproximando e o cenário sucessório paulista vai se definindo: PSDB e Democratas vão de Geraldo Alckmin e Afif Domingos e o PT vai de Aloizio Mercadante – e não de Ciro Gomes – faltando ainda definir se o PDT ou o PR indicará o Vice da chapa governista.

Já era nítido há algum tempo que Aloysio Nunes Ferreira – preferido pelo Governador José Serra – não conseguiria tomar a indicação tucana ao Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin. Por mais que Aloysio fosse e seja mais bem visto por Serra, Alckmin era e é mais bem visto pelo povo paulista.

Definido o nome de Alckmin, faltava o Vice. Natural que venha do Democratas, parceiro prioritário do PSDB, principalmente em São Paulo. Natural também que seja Afif, segundo nome de mais peso do Democratas paulista, atrás apenas do Prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Alckmin e Afif, que são secretários do governo Serra, devem deixar os cargos em breve para poderem concorrer em outubro, assim como fará o próprio Governador, que passa o cargo para Alberto Goldman, seu Vice, para poder concorrer ao Planalto.

Caberá a Alckmin, também, retribuir a gentileza de Aloysio Nunes Ferreira, que retirou seu nome da corrida estadual em favor dele a pedido de Serra. O ex-Governador que pleiteia retornar ao cargo terá que demover José Aníbal,  líder do PSDB na Câmara dos Deputados, de disputar prévias com Aloysio.

Fica pendente a resolução do problema da acomodação do PTB, que quer lançar ao Senado o já Senador Romeu Tuma. Sendo uma vaga na chapa de Aloysio e estando a outra já prometida a Orestes Quércia em troca do apoio do PMDB à chapa, não sobrará espaço para Tuma. Nessa questão ainda passará muita água por baixo da ponte.

Do lado governista, Ciro Gomes tanto falou mal do PT e, principalmente, da aliança deste com o PMDB que inviabilizou de vez sua candidatura. Fez de propósito. Sabe que sua candidatura em São Paulo seria absurdamente artificial.

Restou ao governo buscar uma alternativa dentro do PT. Aloizio Mercadante, que viria candidato à reeleição no Senado, surgiu como nome provável. Agora, já é dado como certo, abrindo espaço para a candidatura da ex-Prefeita Marta Suplicy ao Senado. Emidio de Souza, Prefeito de Osasco e pré-candidato petista ao governo, já desistiu em favor de Mercadante.

Mercadante provavelmente terá PDT, PR, PC do B, PSL e PRB em sua coligação. O Vice deve sair de um dos dois primeiros. A não ser que o governo consiga convencer o PSB a não lançar o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, como candidato ao governo de São Paulo. Nesse caso, o próprio Skaf pode ser o Vice de Mercadante, em uma frente ampla formada por partidos que a nível federal formam a base do governo.

De certa forma, os esforços do lado governista provavelmente só servirão para fazer bonito e para tentar conquistar as vagas do Senado. Além de Marta Suplicy, será lançado pela coligação outro nome, que pode ser o do cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) ou o de Gabriel Chalita (PSB).

A disputa pelo governo em si já parece resolvida.

Geraldo Alckmin tem tudo para levar mais uma vez o governo do São Paulo e sua vitória parece uma das apostas mais seguras para as eleições deste ano.