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Artigo: Disputa por espaço – Merval Pereira

31/08/2010

Reproduzo aqui no Perspectiva artigo longo – mas que vale a pena ser lido – de Merval Pereira, colunista de O GLOBO. Ele aponta com competência a provável correlação de forças político-partidárias que teremos no País a partir de 1° de janeiro de 2011:

Disputa por espaço

Merval Pereira*

O presidente Lula está utilizando sua força eleitoral para transferir aos estados a mesma expectativa de poder que conseguiu no plano nacional, no qual, antes mesmo de sua candidata oficial aparecer na frente das pesquisas, já havia uma percepção generalizada entre os eleitores de que ela acabaria sendo a vencedora.

A estratégia eleitoral do presidente Lula, que vem sendo vitoriosa em relação à campanha presidencial — com sua candidata se colocando com folga à frente do candidato oposicionista —, se desdobra agora na fase regional, onde o objetivo não é fazer a maioria dos governadores, mas, sim, garantir uma maioria sólida no Senado.

Um senador vale por três governadores, avisava bem antes da reta final da eleição o próprio Lula, justificando ter aberto mão de disputar muitos governos estaduais em favor de aliados em melhores condições.

Até o momento, no entanto, as pesquisas indicam que, além de mais governadores, a oposição e os independentes dos partidos aliados estão conseguindo manter um equilíbrio de forças dentro do Senado.

O PSDB hoje aparece com possibilidade de eleger nada menos que dez governadores, sendo que está na liderança das pesquisas do Ibope nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo, com Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, com Antonio Anastasia.

Pode vencer ainda em Goiás, com Marconi Perillo; no Paraná, com Beto Richa; no Piauí, com Sílvio Mendes; em Rondônia, com Expedito Júnior.

Além disso, tem boas chances no Amapá, com Jorge Amanajás; no Mato Grosso, com Wilson Santos; em Roraima, com José Anchieta Júnior; e em Tocantins, com Siqueira Campos.

O DEM lidera no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e tem chance de vencer em Santa Catarina, com Raimundo Colombo, e em Sergipe, com João Alves. No Distrito Federal, por enquanto, a liderança está com Joaquim Roriz, do PSC.

No Senado, das 27 cadeiras que estão fora da disputa, por seus detentores terem mais quatro anos de mandato, nada menos que 14 são de oposicionistas ou de independentes: Marconi Perillo (Goiás) — que pode se eleger governador e colocará seu suplente Ciro Miranda Junior, também do PSDB —; Elizeu Rezende (DEM); Marisa Serrano (PSDB); Jaime Campos (DEM); Mario Couto (PSDB); Cícero Lucena (PSDB); Jarbas Vasconcellos (PMDB); Álvaro Dias (PSDB); Francisco Dornelles (PP) — que terá seu caráter independente reforçado pela chegada ao Senado de Aécio Neves; Rosalba Ciarlini, do DEM — que deve ser eleita governadora do Rio Grande do Norte e colocará em seu lugar o pai do senador Garibaldi Alves ou Ivonete Alves da Silva; Mozarildo Cavalcanti (PTB); Pedro Simon (PMDB); Raimundo Colombo (DEM) — que pode ser eleito governador de Santa Catarina e colocará em seu lugar o suplente Casildo Maldaner, do PMDB independente; Maria do Carmo Alves (PSDB); Katia Abreu (DEM).

Na nova safra de senadores a serem eleitos este ano, são os seguintes os senadores da oposição ou independentes que podem se eleger: Heloisa Helena (PSOL); Arthur Virgílio (PSDB) — que disputa a segunda vaga com Vanessa Grazziotin, do PCdoB —; Cesar Borges (PR); Tasso Jereissati (PSDB); Cristovam Buarque (PDT); Maria Abadia (PSDB) — que disputa a segunda vaga do Distrito Federal com Rodrigo Rollemberg, do PSB —; Demóstenes Torres (DEM); Lucia Vania (PSDB); Aécio Neves (PSDB); Itamar Franco (PPS); Valéria Pires (DEM); Antero Paes e Barros (PSDB).

Outros prováveis futuros senadores são Cassio Cunha Lima (PSDB da Paraíba; é o favorito, mas luta no Supremo para não ser considerado “ficha-suja”), Efraim de Moraes (DEM) — que disputa uma vaga com Vital do Rego Filho, do PMDB —; Marco Maciel (DEM) — que disputa a vaga com Armando Monteiro Filho, do PTB —; Mão Santa (PSC); Cesar Maia (DEM); José Agripino Maia (DEM); Ivo Cassol (PP); Ana Amélia Lemos (PP); Germano Rigotto (PMDB); Luiz Henrique (PMDB); Albano Franco (PSDB); e Orestes Quércia (PMDB) — que disputa uma vaga com Netinho, do PCdoB.

Como se vê, o equilíbrio real de forças no Senado continuará sendo grande, com uma pequena vantagem governista, que não garante a aprovação de questões polêmicas, e, muito menos, mudanças constitucionais que exigem quórum de 3/5 dos senadores.

Ao mesmo tempo, a presumível força eleitoral com que o PMDB sairá das urnas — deve eleger a maior bancada da Câmara e do Senado e grande número de governadores — está fazendo com que tanto governo quanto oposição comecem a negociar alianças para neutralizá-lo.

O PMDB pode eleger até nove governadores, sendo que dois deles — André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul — são independentes e não estão envolvidos na campanha de Dilma Rousseff.

O partido deve eleger ainda Roseana Sarney no Maranhão, Sinval Barbosa no Mato Grosso, José Maranhão na Paraíba, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e Carlos Gaguim em Tocantins.

E tem chances também em Minas Gerais, com Hélio Costa, e em Rondônia, com Confúcio Moura.

Esse poder todo está movimentando não apenas a base petista, que sabe que vai ter que dividir realmente o poder, inclusive a distribuição de cargos, com o PMDB, mas também a base governista mais ampla, que teme que não sobrará espaço para mais ninguém com a disputa entre PT e PMDB.

O PSB, que deve eleger pelo menos três governadores — Cid Gomes no Ceará, Eduardo Campos em Pernambuco e Renato Casagrande no Espírito Santo —, é o mais preocupado em ganhar espaço para negociar e já propõe uma união entre PT, PSDB e PSB para se contrapor ao PMDB.

O ex-governador Aécio Neves — que terá sua liderança reforçada se conseguir eleger seu candidato Antonio Anastasia — prevê que a polarização com o PT continuará, e pretende fazer uma aliança do PSDB com PDT, PSB, PPS, DEM e mais PP, PTB e parte do PMDB, para disputar com o PMDB oficial e o PT o comando do Senado.

Pode ser que uma onda governista altere esse quadro, mas até o momento isso não aconteceu.

Saem resultados de pesquisas sobre os governos estaduais

31/07/2010

Saíram resultados de pesquisas para a disputa dos governos em alguns estados.

Seguem abaixo os índices alcançados pelos candidatos em pesquisas realizadas pelo Ibope e pelo Datafolha respectivamente (apenas um instituto em alguns casos):

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB) – 50% / 49%

Aloizio Mercadante (PT) – 14% / 16%

Celso Russomanno (PP) – 9% / 11%

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB) – 58% / 53%

Fernando Gabeira (PV) – 14% / 18%

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB) – 39% / 44%

Antonio Anastasia (PSDB) – 21% / 18%

Pernambuco

Eduardo Campos (PSB) – 60% / 59%

Jarbas Vasconcellos (PMDB) – 24 % / 28%

Rio Grande do Sul

Tarso Genro (PT) – 39% / 35%

José Fogaça (PMDB) – 29% / 27%

Yeda Crusius (PSDB) – 15% / 15%

Paraná

Beto Richa (PSDB) – 43% (Datafolha)

Osmar Dias (PDT) – 38% (Datafolha)

Bahia

Jaques Wagner (PT) – 44% (Datafolha)

Paulo Souto (DEM) – 23% (Datafolha)

Geddel Vieira Lima (PMDB) – 13% (Datafolha)

Ceará

Cid Gomes (PSB) – 47% (Datafolha)

Lúcio Alcantâra (PR) – 26% (Datafolha)

Santa Catarina

Ângela Amin(PP) – 37% (Ibope)

Raimundo Colombo (DEM) – 20% (Ibope)

Ideli Salvatti (PT)  – 13% (Ibope)

Angela Amin lidera em Santa Catarina – Raimundo Colombo em segundo

12/07/2010

Informa o blog do jornalista Josias de Souza:

”Pesquisa realizada por encomenda do Grupo RBS acomoda a deputada federal Angela Amin (PP) na liderança da disputa pelo governo de Santa Catarina.   Angela obteve 33,5% das intenções de voto. O senador Raimundo Colombo (DEM), em segundo, amealhou 20,6%. Atrás dele, Ideli Salvatti (PT), com 15,9%.   A sondagem foi feita pelo instituto Mapa.”

Angela lidera mas não tem candidato a Presidente. É uma das ”neutras” do PP.

Na realidade, não faz isso por ideologia: Se for para o segundo turno contra Raimundo Colombo, será Dilma. Se for contra Ideli Salvatti, será Serra.

Muito mais cômodo do que escolher um lado agora.

Mas corre o risco de ver a eleição presidencial se encerrar na primeira rodada.

Eleições para os governos estaduais

03/07/2010

Findo o período de convenções, começam a despontar os principais nomes que disputarão os governos estaduais por todo o País :

Região Sudeste

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB)

Aloizio Mercadante (PT)

Paulo Skaf (PSB)

Celso Russomano (PP)

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB)

Fernando Gabeira (PV)

Fernando Pellegrino (PR)

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB)

Antonio Anastasia (PSDB)

José Fernando Aparecido (PV)

Espírito Santo

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

Renato Casagrande (PSB)

Brice Bragato (PSOL)

Região Sul

Rio Grande do Sul

Yeda Crusius (PSDB)

José Fogaça (PMDB)

Tarso Genro (PT)

Montserrat Martins (PV)

Santa Catarina

Ângela Amim (PP)

Raimundo Colombo (DEM)

Ideli Salvatti (PT)

Paraná

Osmar Dias (PDT)

Beto Richa (PSDB)

Paulo Salamuni (PV)

Região Nordeste

Alagoas

Fernando Collor (PTB)

Teotônio Vilela (PSDB)

Ronaldo Lessa (PDT)

Bahia

Jaques Wagner (PT)

Geddel Vieira Lima (PMDB)

Paulo Souto (DEM)

Ceará

Marcos Cals (PSDB)

Cid Gomes (PSB)

Marcelo Silva (PV)

Maranhão

Jackson Lago (PDT)

Roseana Sarney (PMDB)

Flávio Dino (PCdoB)

Paraíba

José Maranhão (PMDB)

Ricardo Coutinho (PSB)

Pernambuco

Jarbas Vasconcelos (PMDB)

Eduardo Campos (PSB)

Piauí

Silvio Mendes (PSDB)

Wilson Martins (PSB)

João Vicente Claudino (PTB)

Teresa Britto (PV)

Rio Grande do Norte

Rosalba Ciarlini (DEM)

Iberê Ferreira (PSB)

Carlos Eduardo (PDT)

Sergipe

João Alves Filho (DEM)

Marcelo Déda (PT)

Arivaldo José dos Santos (PSDC)

Região Centro-Oeste

Brasília

Joaquim Roriz (PSC)

Agnelo Queiroz (PT)

Eduardo Brandão (PV)

Frank Svensson (PCB)

Goiás

Marconi Perillo (PSDB)

Iris Rezende (PMDB)

Vanderlan Cardoso (PR)

Mato Grosso

Silval Barbosa (PMDB)

Wilson Santos (PSDB)

Mauro Mendes (PSB)

Mato Grosso do Sul

André Puccinelli (PMDB)

Zeca do PT (PT)

Região Norte

Acre

Tião Bocalon (PSDB)

Tião Viana (PT)

Amazonas

Omar Aziz (PMN)

Alfredo Nascimento (PR)

Roraima

Neudo Campos (PP)

Anchieta Júnior (PSDB)

Rondônia

Confúcio Moura (PMDB)

João Cahúlla (PPS)

Expedito Júnior (PSDB)

Eduardo Valverde (PT)

Pará

Simão Jatene (PSDB)

José Priante (PMDB)

Ana Júlia (PT)

Amapá

Jorge Amanajás (PSDB)

Camilo Capiberibe (PSB)

Lucas Barreto (PTB)

Tocantins

Carlos Gaguim (PMDB)

Siqueira Campos (PSDB)

Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

PMDB catarinense fecha apoio ao democrata Colombo e irrita Temer

16/06/2010

O cenário catarinense se apresentava, até pouco tempo atrás, como um onde o grande derrotado seria o ex-Governador Luiz Henrique.

Eleito por uma tríplice aliança que reunia o seu PMDB e mais o Democratas e o PSDB, Luiz Henrique renunciou para poder concorrer ao Senado e deixou o cargo para o seu Vice, o tucano Leonel Pavan.

A ideia era a de que Pavan apenas completaria o mandato, levando o seu PSDB para uma nova aliança com o PMDB e com o Democratas, dessa vez em torno do democrata e Senador Raimundo Colombo.

Acontece que Pavan resolver lançar sua candidatura à reeleição e, para completar, Luiz Henrique perdeu o controle do PMDB, o que fez com que o partido realizasse prévias e lançasse o vencedor, Eduardo Pinho Moreira, que prevaleceu sobre o Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, como pré-candidato peemedebista ao governo.

Embora Colombo fosse o único nome dos três partidos a ser apresentado pelas pesquisas como capaz de enfrentar Angela Amim (PP), a coligação ao redor de seu nome era dada como improvável. Cada legenda tinha o seu candidato.

Pinho Moreira conversou com Michel Temer e consolidou a rebelião contra Luiz Henrique. Depois disso, referendado pelo Presidente do PMDB, foi falar com Dilma Rousseff. Ofereceu seu palanque à candidata e iniciou negociações para apoiar Ideli Salvatti, candidata do PT ao governo catarinense e atualmente Senadora, em um eventual segundo turno.

Eis que ocorre uma reviravolta!

Pinho Moreira abriu mão da candidatura em favor de Colombo sem mais nem menos.

Fim do rompimento entre Democratas e PMDB. Fim do segundo palanque de Dilma. Fim da negociação de apoio a Ideli no segundo turno.

Quem ganha um palanque robusto é José Serra, que já cortejava Angela Amin por conta do vislumbre de desmembramento da aliança que elegeu Luiz Henrique.

Temer está furioso. Ficou desmoralizado. Enviou para falar com Dilma um pré-candidato que passou a perna na queridinha de Lula.

O PMDB nacional, capitaneado por Temer, pensa em intervenção em Santa Catarina. O PT faz um olhar pidão e ao mesmo tempo cobrador, que visa lembrar ao PMDB que a direção nacional petista enquadrou as regionais do Rio, de Minas e do Maranhão para beneficiá-lo.

Enquanto isso, Pavan, atual Governador, está sendo pressionado para desistir assim como fez Pinho Moreira e permitir a reedição da tríplice aliança e o retorno ao plano inicial de apoio dos três partidos a Raimundo Colombo.

Luiz Henrique, antes “o perdedor”, agora é “o astuto”.

Até quando?

Essa é a política.

Fascinante, imprevisível, surpreendente.

Ingrata.

Coluna do dia: Com quantas siglas se faz uma democracia?

04/04/2010

Por Tiago Franz*

Ouvi de um membro do Partido Progressista (PP) de minha cidade que a solução para o sistema partidário brasileiro é limitar o número de siglas a no máximo cinco ou seis. Instantes depois, o cara lembrou que seu partido está entre os três maiores do País. Na sequência, falou sobre a importância da fidelidade partidária e regozijou-se por nunca ter mudado de partido, mesmo reconhecendo que o PP passou por mudanças de nome e de postura desde o tempo em que era Arena, na época do bipartidarismo.

Para o tal progressista – e para muitos outros – o número de partidos políticos hoje legalizados no Brasil – são 27  – é a causa de grande parte dos problemas da nossa política. Promiscuidade na formação de alianças, ‘assassínio’ da ideologia, ‘troca-troca’ de partidos e negociação de cargos são alguns dos males mais citados.

O bipartidarismo era melhor?

Dois é pouco, 27 é demais, muitos acreditam.

E cinco ou seis seria bom?

Talvez. A quantidade de grêmios políticos não é o único fator na conjuntura toda.

Analisemos o seguinte cenário:

Cá em Santa Catarina, o PP conta com a pré-candidata líder em todas as pesquisas de intenção de voto para o governo do estado. Ela é a Deputada Estadual Angela Amin, esposa do ‘jurássico’ Esperidião Amin.

Entretanto, os progressistas catarinenses estão de mãos amarradas. Esta colocação nas pesquisas não é o suficiente para eleger a progressista. O próprio partido reconhece que sem um apoio significativo a candidatura não vinga.

Tudo dependerá do movimento das outras forças locais, que neste momento estão a mil em busca de definições.

Uma tríplice aliança entre DEM, PSDB e PMDB, formada no pleito ao governo catarinense de 2006, levou o PP a se coligar com o PT para disputar o segundo turno naquele ano. PP e PT juntos?! Sim.

Mas para quem tem memória curta ou já se acostumou com os vícios da nossa política, isso não significa nada demais. Enfim, as circunstâncias locais isolaram o PP e os Amin do restante da direita (se me permitem esta etiquetagem relativizada). Até mesmo o irmão gêmeo, filho da mesma Arena, o PFL, hoje rebatizado de Democratas, ficou do outro lado.

Para 2010, como em praticamente todo novo pleito, a coisa se redesenha, desta vez com traços mais tortuosos e indecisos. Santa Catarina é um dos estados de maior indefinição para as eleições vindouras.

O agora Governador Leonel Pavan (PSDB), que era Vice de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até poucos dias atrás, deixou de ser o potencial sucessor do governo para o próximo mandato ao protagonizar o último grande escândalo político da região.

Restou a ele assumir, nestes nove meses restantes, o governo que Luiz Henrique deixou para concorrer ao Senado. De uma forma ou de outra, a caneta passou ao fanfarrão. Porém, o cenário eleitoral virou um imbróglio.

Para embaralhar de vez a cena, o DEM resolveu sair do governo há poucos dias, sob a justificativa de obter maior liberdade para negociar novas alianças e preparar o terreno para a candidatura do Senador Raimundo Colombo a Governador.

Logo após a decisão, intensificou-se um namorico entre democratas e progressistas, que podem, quem sabe, reatar o ‘laço de parentesco’. E se a eles juntar-se o PSDB de Pavan, o que é provável que aconteça, estará formada uma outra tríplice aliança, que já existiu tempos atrás em Santa Catarina.

Assim, o PMDB de Luiz Henrique, que já escolheu Eduardo Pinho Moreira como seu pré-candidato, pode sobrar. A rivalidade local com o PP, que pelas origens do bipartidarismo até se explica, não permite que as siglas se unam. Para o PMDB local, aliar-se com o PT da senadora Ideli Salvatti, pré-candidata da sigla ao governo, também é difícil, mas não impossível. Afinal, em nível nacional, Lula já se uniu a Sarney, não é mesmo?

O que esta análise de Santa Catarina tem a ver com o assunto apresentado no início da coluna? A meu ver, o cenário descrito acima ilustra bem a realidade do nosso modelo partidário, em que a ideologia política e a história cedem espaço às conveniências eleitorais e circunstâncias de poder locais, num jogo com regras espaçosas e tantos jogadores quanto cartas no baralho.

E retomando agora a linha central, menciono um dito de um membro do DEM da minha cidade, que ao anunciar a decisão do seu partido de insistir na candidatura de Colombo ao governo catarinense, defendeu que todas as siglas deveriam, sempre, lançar candidatura própria. Está correto? Teórica e utopicamente sim.

Mas aí eu pergunto:

Se a grande maioria dos brasileiros, conforme aponta pesquisa recente do Datafolha, não sabe nem atribuir virtudes ou defeitos a Serra e a Dilma, que são os dois principais presidenciáveis, saberiam diferenciar 27 candidatos? E, com o perdão da obviedade – é claro que um democrata do interior de Santa Catarina não fala por todo o partido – porque então o DEM não tem candidato próprio à Presidência?

E o motivo de citar o DEM aqui é circunstancial. Incoerências semelhantes fazem parte dos demais partidos.

Reduzir o número de partidos representa uma ameaça à democracia? O que mudaria quanto à representatividade? Os tais males do nosso sistema partidário seriam mesmo reduzidos com menos partidos? Não ficariam as novas agremiações repletas dos mesmos parasitas que hoje infestam a nossa política?

Não discordo totalmente da ideia de diminuir o número de siglas, mas também não estou convencido de que tal reforma, por si só, pode efetivamente melhorar o País. O problema é bem mais embaixo.

Enquanto isso, vejamos como se comportam as siglas no salão.

Quem vai tiram quem pra dançar neste baile?

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Campanha de Serra tentará aproveitar bom resultado das pesquisas no Sul

28/03/2010

Informa a Folha:

“A campanha de José Serra tentará aproveitar o bom resultado no Sul (crescimento de dez pontos no Datafolha) para equacionar seus palanques na região.

No Rio Grande do Sul, o fôlego tomado permite sonhar com dois cenários:

a) que José Fogaça (PMDB), líder nas pesquisas, pense duas vezes antes de apoiar Dilma Rousseff (PT);

b) que Fogaça, diante da recuperação ensaiada por Yeda Crusius (PSDB), desista de trocar a segurança da Prefeitura de Porto Alegre pela incerteza da disputa, levando o PMDB para a órbita de Serra já no primeiro turno.

Em Santa Catarina, os números reaproximam o PSDB e do PMDB, que flertava com Dilma. No Paraná, o PT fica mais dependente de uma eventual aliança com Osmar Dias (PDT).”

Por um lado, significa uma ótima notícia para o Governador José Serra e para o PSDB e a oposição como um todo. Com certeza o tucanato está feliz de constatar que a recuperação de Serra de fato aumenta o seu cacife nas negociações dos palanques estaduais.

Por outro lado, a facilitação das articulações que os resultados da pesquisa Datafolha mais recente trazem alimenta as teses dos conspiracionistas de que a pesquisa foi manipulada para auxiliar Serra a fechar alianças antes do lançamento da candidatura.

Ao fim e ao cabo, só saberemos se a euforia é baseada em recuperação real ou se corretos estão os conspiracionistas quando novos institutos de pesquisa trouxerem à tona seus resultados, comprovando ou não tendências de subida de Serra e de oscilação de Dilma.

Contudo, uma coisa é certa: Se o último resultado apresentado pelo Datafolha fez os governistas começarem a pensar em vitória de Dilma no primeiro turno, o resultado apresentado agora colocou uma dúvida na cabeça dos tucanos que pedem há meses que Serra se apresente de forma firme e contundente como candidato, tendo recebido diversos nãos como resposta:

“Será que o  Serra estava certo?”

A ver.

Coluna do dia: Leonel Pavan e uma parceria público-privada “diferente” em Santa Catarina

31/01/2010

Por Tiago Franz*

Olá, meus caros. Saúdo os leitores e colegas do Perspectiva com a alegria de quem retorna à casa. A saudade bateu forte durante as semanas em que estive ausente. Entrementes, com viagem ao Mato Grosso (Estado onde cresci e onde devo viver novamente a partir de 2011), mudança de residência (ainda em Chapecó, Santa Catarina) e muito trabalho com meu violão e garganta, dei embalo e rumo ao meu 2010. Espero que estejamos todos bem embalados.

Pois bem. Sou natural de Santa Catarina e continuarei cidadão catarinense por mais um ano. Continuarei, do ponto de vista que mais interessa a ‘eles’, eleitor catarinense. E como é de meu costume, observador que sou, venho colocar aqui o ponto de vista do sujeito, cidadão e eleitor Tiago Franz a respeito do caso que abalou o cenário da sucessão catarinense: o escândalo envolvendo o Vice-Governador Leonel Pavan (PSDB), que, aliás, foi adiantado aos leitores pelo Perspectiva.

No próximo dia 3, a Assembleia Legislativa irá votar pela abertura do processo, para que o Tribunal de Justiça do Estado apure as denúncias feitas pelo Ministério Público. Pavan enviou carta aos deputados pedindo que votem a favor da abertura das investigações e declarou estar confiante no trabalho da Justiça. Espera-se que a votação seja unânime a favor da apuração. O tucano é acusado de corrupção passiva, advocacia administrativa e quebra de sigilo funcional.

Pode até ser que as acusações, como diz o lado do governo, sejam meramente oportunistas e estratégicas. A essa altura do jogo, a coisa começa mesmo a esquentar. Pavan era cogitado pelo Governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) para ser seu sucessor.

Mas não pretendo julgar Pavan antes da Justiça. Quero aqui colocar a impressão que guardei do Vice-Governador na ocasião em que o vi pela primeira vez, e que me fez não ficar surpreso com o surgimento do escândalo. Vamos lá.

O natal de 2008 estava próximo e a maior loja de departamentos de Chapecó, pertencente à rede Havan, realizou um evento em frente às suas instalações, na principal avenida da cidade. O ‘Natal Luz Havan’ reuniu cerca de 20 mil pessoas, que assistiram à apresentação da Orquestra Sinfônica de Santa Catarina (OSSCA), ao show da banda de rock Dazaranha (Florianópolis), à inauguração da ‘mega’ iluminação natalina da loja e a diversas outras atrações. Tudo marcado por um forte apelo popular (no mau sentido), como de praxe. Até mesmo a conceituada OSSCA, que já pude prestigiar em outra ocasião, trocou os clássicos por ‘musiquinhas’ da moda. Em resumo, o evento foi quase um ‘festival da mediocridade’.

Lá estava eu, em meio à multidão, iluminado pela ‘Luz do Natal’ que irradiava do prédio da loja, quando anunciaram que o então Governador em exercício, Leonel Pavan, faria uso da palavra por alguns instantes.

Uatarréu! Embasbaquei! Eu já estava estranhando e me perguntando o que a orquestra do estado fazia ali, mas a presença do próprio Governador em exercício foi como um tapa na cara. Pensei: que diabos o Vice-Governador faz metido nisso aí? Será que o Luiz Henrique, que naqueles dias estava de licença, faria o mesmo se estivesse em exercício?

E foi assim que conheci o Vice-Governador Pavan, discursando informal e entusiasticamente sobre a magia do Natal e sobre a importância das lojas Havan para o Estado de Santa Catarina (será que a empresa paga corretamente seus impostos ou faz como a Arrows Petróleo do Brasil, que mesmo devendo 12 milhões em impostos quer continuar prestando serviço ao estado, e, se comprovadas as denúncias da PF, ainda contando com a ajuda do Vice-Governador para isso?). Afinal, “a iniciativa da empresa é um importante incentivo à cultura”.

É mesmo incentivo à cultura? Que cultura é essa? Feliz Natal e boas compras!? É ético que o estado ceda (ou venda) sua orquestra e participe dessa maneira de um evento de uma loja de confecções, brinquedos e ‘tudo para o seu lar’, por mais ‘importante’ que ela possa ser? Qual é a real importância disso para a economia e a cultura do estado?

O que eu tenho contra as lojas Havan? Nada. Escrevo sentado em uma almofada que comprei na Havan de Chapecó. Também não tenho nada contra as relações entre o público e o privado, desde que estas respeitem o limite do bom senso. O problema surge quando as coisas se misturam e formam o que eu chamo de ‘lambança público-privada’. Isso ocorre quando o oportunismo comercial e político-eleitoral se juntam para fazer… hmm… lambanças como a que narrei aqui. A Administração Pública deve tratar dos assuntos com a iniciativa privada com ética, bom senso, isenção e, principalmente, com o rigor da lei.

Não gostei nada do que vi há dois anos, e continuo não gostando. Por isso creio que a atual situação do Vice-Governador Leonel Pavan não seja apenas motivada por interesses eleitorais de opositores.

Mas esperemos para ver.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: Reforma penitenciária já!

10/01/2010

Por Jessica Riegg*

Nesta semana, presidiários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Rondônia, Espírito Santo, Amapá, Distrito Federal e Minas Gerais puderam fazer a prova do Enem.

Doze mil presos em trezentas e trinta unidades prisionais realizaram a prova que teve suas questões modificadas, mas que manteve o nível de dificuldade. Antigamente os presos já podiam fazer o Enem, mas tinham que ser deslocados para os locais de prova definidos pelo MEC. Além de poderem prestar vestibular, os detentos podem fazer faculdade desde que a justiça assim o permita.

Enfim, até os detentos notaram que a educação pode modificar um país e a realidade deles. Eles desejam um futuro melhor a ser iniciado assim que cumprirem a sua pena. Muitos deles desejam voltar a ter uma completa cidadania, com direito a saúde, lazer, alimentação, educação e liberdade.

Esses presos mostram que com a persistência, podem alcançar o que almejam, mudar as suas histórias.

Atualmente, o governo incentiva o poder privado a aceitar esses ex-detentos, dando uma segunda chance para essas pessoas que já cumpriram a sua pena. O que é muito justo, pensando no fato de que se a justiça acredita que aquele tempo é necessário, e o mesmo já foi cumprido, o indivíduo já fez a sua parte e pagou por seus atos.

O governo pede, mas não faz quase nada concreto para que tudo isso aconteça. Afinal, permitir que o detento possa sair da prisão, não garante que ele terá oportunidades suficientes de terminar o curso universitário. O que deveria ser feito, e há muito tempo já é necessário, é uma reforma penitenciária. É necessário que o País modifique o modo com que trata esses presos, aumente a quantidade de presídios para que eles tenham uma vida ao menos digna nesses locais e aumente o policiamento.

Mas esses três aspectos implicam em muitas outras coisas. A primeira de todas é que este ano é ano de eleição e por isso o Presidente não pode começar nenhum projeto novo. Outro aspecto relevante é que seriam necessários ser gastos bilhões com novos presídios, coisa que o governo não deseja atualmente. E aumentar o policiamento implica em aumentar o gasto com esse setor, primeiramente pelo contingente e em segundo lugar porque seria necessário treinar esse efetivo e, principalmente, aumentar os salários destes vigilantes.

O pagamento destinado a esses policiais é muito baixo, o que os desanima a exercer função tão perigosa. Além disso, o número de policiais corruptos é tão alto porque é mais fácil ganhar dinheiro sendo desonesto e fechando os olhos para as irregularidades do que arriscando suas vidas enfrentando bandidos perigosos.

Obrigar os presidiários a exercerem uma profissão dentro dos presídios ao invés de pensar em fugas ajudaria-os a crescer, e ainda renderia um bom dinheiro para esses locais. Manteria-os ocupados! Produzir roupas, ou artigos em madeira por exemplo, são soluções já adotadas em outros países que resolveriam alguns desses problemas.

Mas essa reforma teria que ser feita em conjunto, e já, para evitar que episódios como o do Carandiru se repitam diariamente na nossa frente, e nos obriguem a colocar grades em nossas janelas…

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg