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Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

PMDB catarinense fecha apoio ao democrata Colombo e irrita Temer

16/06/2010

O cenário catarinense se apresentava, até pouco tempo atrás, como um onde o grande derrotado seria o ex-Governador Luiz Henrique.

Eleito por uma tríplice aliança que reunia o seu PMDB e mais o Democratas e o PSDB, Luiz Henrique renunciou para poder concorrer ao Senado e deixou o cargo para o seu Vice, o tucano Leonel Pavan.

A ideia era a de que Pavan apenas completaria o mandato, levando o seu PSDB para uma nova aliança com o PMDB e com o Democratas, dessa vez em torno do democrata e Senador Raimundo Colombo.

Acontece que Pavan resolver lançar sua candidatura à reeleição e, para completar, Luiz Henrique perdeu o controle do PMDB, o que fez com que o partido realizasse prévias e lançasse o vencedor, Eduardo Pinho Moreira, que prevaleceu sobre o Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, como pré-candidato peemedebista ao governo.

Embora Colombo fosse o único nome dos três partidos a ser apresentado pelas pesquisas como capaz de enfrentar Angela Amim (PP), a coligação ao redor de seu nome era dada como improvável. Cada legenda tinha o seu candidato.

Pinho Moreira conversou com Michel Temer e consolidou a rebelião contra Luiz Henrique. Depois disso, referendado pelo Presidente do PMDB, foi falar com Dilma Rousseff. Ofereceu seu palanque à candidata e iniciou negociações para apoiar Ideli Salvatti, candidata do PT ao governo catarinense e atualmente Senadora, em um eventual segundo turno.

Eis que ocorre uma reviravolta!

Pinho Moreira abriu mão da candidatura em favor de Colombo sem mais nem menos.

Fim do rompimento entre Democratas e PMDB. Fim do segundo palanque de Dilma. Fim da negociação de apoio a Ideli no segundo turno.

Quem ganha um palanque robusto é José Serra, que já cortejava Angela Amin por conta do vislumbre de desmembramento da aliança que elegeu Luiz Henrique.

Temer está furioso. Ficou desmoralizado. Enviou para falar com Dilma um pré-candidato que passou a perna na queridinha de Lula.

O PMDB nacional, capitaneado por Temer, pensa em intervenção em Santa Catarina. O PT faz um olhar pidão e ao mesmo tempo cobrador, que visa lembrar ao PMDB que a direção nacional petista enquadrou as regionais do Rio, de Minas e do Maranhão para beneficiá-lo.

Enquanto isso, Pavan, atual Governador, está sendo pressionado para desistir assim como fez Pinho Moreira e permitir a reedição da tríplice aliança e o retorno ao plano inicial de apoio dos três partidos a Raimundo Colombo.

Luiz Henrique, antes “o perdedor”, agora é “o astuto”.

Até quando?

Essa é a política.

Fascinante, imprevisível, surpreendente.

Ingrata.

Marcelo Crivella e Cesar Maia lideram com folga corrida para o Senado no Rio

01/06/2010

O Sindicato dos condutores da Marinha Mercante encomendou pesquisa ao Ibope sobre a corrida para o Senado no Rio de Janeiro. Ela foi realizada recentemente e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

1° Voto

Marcelo Crivella (PRB) – 26%

Cesar Maia (DEM) – 24%

Lindberg Farias (PT) – 8%

Jorge Picciani (PMDB) – 4%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 2%

Vaguinho (PT do B) – 2%

1° e 2° Votos somados

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 37%

Lindberg Farias (PT) – 13%

Jorge Picciani (PMDB) – 10%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 4%

Vaguinho (PT do B) – 4%

Manoel Ferreira (PTB) – 4%

Fica claro que o cenário está propício para a reeleição do Senador Marcelo Crivella (PRB) e para a eleição do ex-Prefeito carioca Cesar Maia (DEM), visto que cada estado elegerá dois senadores este ano.

Na realidade, o quadro parece melhor para Maia do que para Crivella, já que, embora o segundo esteja na frente, o primeiro terá um candidato a Governador – Fernando Gabeira – apoiando seu nome.

Crivella está sozinho. Não há espaço para ele na chapa do Governador Sérgio Cabral, ocupada por Jorge Picciani e Lindberg Farias. Também não é possível se aliar a Anthony Garotinho, pois o Pastor Manoel Ferreira já estará ao lado do ex-Governador buscando o público evangélico, o mesmo de Crivella.

Além disso, a falta de alianças faz Crivella ter pouco tempo de televisão. Quem sabe esta pesquisa torna-se argumento para que Crivella busque ocupar espaço na chapa de Garotinho e empurre Manoel Ferreira para uma candidatura a Deputado Federal.

No fim das contas, Lindberg e Picciani ainda sonham em tomar o lugar de Crivella e Cesar Maia, que tem um histórico de avanços na intenção de voto durante as campanhas, caminha a passos largos para a vitória.

Muita água ainda passará por debaixo da ponte, mas desenha-se um cenário onde Cesar Maia elege-se e Crivella, forte eleitoralmente mas fraco politicamente, é ameaçado por Picciani e Lindberg.

A ver.

Garotinho é declarado inelegível: Denúncias contra Cabral devem aumentar

29/05/2010

O ex-Governador e pré-candidato ao governo fluminense Anthony Garotinho (PR) foi declarado inelegível pelo TRE-RJ.

Segundo o Tribunal, Garotinho abusou do poder econômico nas eleições de 2008, quando sua esposa e também ex-Governadora, Rosinha Garotinho, foi eleita Prefeita de Campos, cidade onde ambos começaram suas carreiras políticas.

Obviamente, a decisão judicial atingiu também Rosinha, que foi cassada.

Rosinha pode recorrer ao TSE no cargo e Garotinho têm a opção de buscar um efeito suspensivo para registrar sua candidatura sub judice e aguardar um desfecho positivo no Tribunal Superior Eleitoral.

Contudo, de qualquer forma, já está posta mais uma mancha no currículo de Garotinho. Da mesma forma, já está um pouco enfraquecida sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro.

Justamente por isso, crê-se que Garotinho provavelmente irá, entendendo que o Governador Sérgio Cabral (PMDB), seu adversário político e desafeto, é responsável por pressões que levaram a esta decisão, subir o nível das denúncias que tem feito contra o político que tentará a reeleição no Rio.

Os aliados de Fernando Gabeira (PV), terceiro e último nome com chances de ganhar o governo fluminense, assistem ao suposto primeiro tiro de Cabral aguardando a reação de Garotinho.

Acreditam que, no meio dessa guerra entre Governador e ex-Governador, pode Gabeira sair como vencedor e se tornar Governador ele também.

De que os aliados de Garotinho enxergam Cabral como responsável pela decisão do TRE-RJ não há dúvidas.

Resta saber se realmente ocorrerá a escalada das denúncias contra o atual Governador que pode beneficiar um Gabeira mais propositor e menos brigão.

A ver.

Pesquisa Vox Populi: Cabral lidera no Rio – Gabeira ultrapassa Garotinho

20/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo do Rio de Janeiro. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada entre 8 e 11 de maio, tendo 3,5 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Sérgio Cabral (PMDB) – 41%

Fernando Gabeira (PV) – 19%

Anthony Garotinho (PR) – 18%

Outros e indecisos – 22%

Fernando Gabeira ultrapassou o ex-Governador Anthony Garotinho. A expectativa do verde é estar em um eventual segundo turno.

Sérgio Cabral segue favorito e de olho na artilharia pesada que Garotinho ameaça utilizar contra ele.

A migração dos votos de parte dos eleitores de Garotinho e as denúncias contra Cabral são alguns dos elementos que podem fortalecer Gabeira se ele chegar ao segundo turno.

Cabral tentará matar a eleição no primeiro.

Curiosamente, os antigos aliados e hoje desafetos Cabral e Garotinho estarão ambos com Dilma Rousseff.

Gabeira será o melhor palanque estadual de Marina Silva.

Caberá ao ex-Prefeito democrata Cesar Maia, concorrendo ao Senado, fazer o palanque de José Serra.

Marta chama Gabeira de sequestrador – Presidente do PT a desautoriza

17/05/2010

Marta Suplicy, com o objetivo de defender Dilma Rousseff, chamou Fernando Gabeira de sequestrador.

Dilma é sempre questionada por seu passado guerrilheiro. É vista por alguns com ressalvas por conta disso.

Pois bem. Visando embasar um argumento de que Dilma só tem seu passado lembrado por ser a candidata do PT, Marta afirmou que Gabeira sequestrou e que mesmo assim não tem esse passado lembrado frequentemente.

Isso seria motivado, supostamente, por ele ser aliado do PSDB no Rio.

A ex-Prefeita de São Paulo foi além e, sem dados, disse que Gabeira era o escalado para assassinar o embaixador dos EUA, cujo sequestro foi organizado pelo grupo que tinha Gabeira entre seus membros.

Resumindo, Marta quis proteger Dilma e acabou sendo apenas infeliz em suas colocações contra Gabeira, atingindo-o de forma gratuita e criticável.

No fim das contas, Marta meio que assumiu que o passado de Dilma é um ponto fraco, tendo apenas reclamado de não apontarem o suposto ponto fraco de Gabeira.

Não conseguiu defender um. Atacou o outro de forma agressiva e equivocada.

Parece até que a ex-Prefeita resolveu pautar-se pelo tom dos comerciais que sua campanha utilizou em 2008 para atingir a vida pessoal do atual Prefeito de São Paulo e então concorrente de Marta, Gilberto Kassab.

Resultado disso tudo: Gabeira respondeu de forma educada e, ao mesmo tempo, incisiva contra Marta, que se desgastou por conta da bobagem que disse.

José Eduardo Dutra, Presidente nacional do PT, por sua vez, desautorizou Marta, gerando mais um revés para a pré-candidata ao Senado por São Paulo.

Não podia ser diferente.

A declaração de Marta foi de uma infelicidade tremenda.

Lindberg Farias tem os bens bloqueados por conta de suspeita de envolvimento em esquema nacional

08/05/2010

Informa o Globo, a respeito do fato de o ex-Prefeito de Nova Iguaçu e pré-candidato ao Senado, Lindberg Farias, ter tido seus bens bloqueados por conta da suspeita de que teria beneficiado, como Prefeito, empresas ligadas ao seu partido, no caso o PT, que estão sendo investigadas em todo o País:

O ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias, pré-candidato do PT fluminense ao Senado, está impedido de movimentar as suas contas bancárias ou alienar imóveis e veículos. A pedido do Ministério Público estadual, o juiz Maurício Chaves de Souza Lima, da 3ª Vara Cível de Nova Iguaçu, decretou liminarmente a indisponibilidade de bens de Lindberg e outros envolvidos na contratação, em 2005, de uma fundação encarregada de aperfeiçoar o modelo de gestão da prefeitura de Nova Iguaçu. Os promotores alegam que a fundação serviu de fachada para a contratação, sem licitação, de duas empresas ligadas ao PT.

Na decisão, o juiz entendeu haver ‘índícios de ocorrência de improbidade administrativa’ no contrato, razão pela qual bloqueou os bens ‘a fim de evitar o sumiço ou perecimento, garantindo assim a futura recomposição’.

A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) foi contratada logo após a posse de Lindberg, em março de 2005, com dispensa de licitação, por R$ 1,246 milhão, pago em nove parcelas. O objetivo era a prestação de serviços de ‘desenvolvimento institucional da municipalidade, por meio de estudos, pesquisas, diagnósticos e aplicação de metodologias próprias’. A concorrência pública foi dispensada sob a justificativa de ‘notória especialização’.

Contratos semelhantes foram feitos pela fundação, no mesmo período, com outras prefeituras e governos petistas. Ligada à UnB, a Finatec foi a mesma entidade que gastou R$ 389 mil para mobiliar com artigos como lixeiras de R$ 1 mil e um saca-rolhas de R$ 856 o apartamento do ex-reitor da UnB Timothy Mulholland, desligado da instituição após a divulgação do caso.

A Finatec também é alvo de ações movidas pelos Ministérios Públicos do Distrito Federal e do Espírito Santo. A 3ª Promotoria da Tutela Coletiva (Nova Iguaçu), ao ajuizar a ação em março deste ano, explicou que as provas produzidas comprovaram que a Finatec ‘funcionava como fachada’ para a contratação direta, sem licitação, de empresas de consultoria – que eram subcontratadas por ela.

A prefeitura, neste caso, aproveitava-se de uma brecha na legislação que permite a contratação de fundações ligadas a entidades de ensino sem a necessidade de licitação. ‘A Finatec não tinha capacidade técnica para executar o contrato’, sustenta a acusação.

Essa brecha foi aproveitada pelas empresas Intercorp Consultoria Empresarial e Camargo & Camargo Consultoria Empresarial, pertencentes ao casal Luís Antônio Lima e Flávia Maria Camarero. De acordo com investigações do MP-DF, dos R$ 50 milhões em contratos com órgãos públicos amealhados pela Finatec entre 2001 e 2005, R$ 22 milhões foram destinados a pagamentos à Intercorp e à Camarero e Camarero.

Além de Vitória e Nova Iguaçu, a Finatec atuou em Recife, em Maringá e no governo do Piauí. Psicólogo gaúcho, Luís Lima participou da equipe que preparou a transição do governo Fernando Henrique para o de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os promotores pedem o ressarcimento de danos ao Erário e declaração de nulidade de contrato administrativo. São apontados como responsáveis Lindberg Farias; José Luiz Alves da Fontoura Rodrigues, ex-diretor da Finatec, Intercorp Consultoria Empresarial (Brasília), Camarero & Camarero Consultoria Empresarial Ltda (SP); Luiz Antônio Lima (sócio Intercorp); e Flávia Maria do Carmo Camarero (mulher de Luiz, dona da Camarero).”

Sacramentada aliança DEM-PSDB-PPS-PV no Rio: Gabeira e Maia estarão juntos

02/05/2010

Depois de alguma resistência por parte de alguns nomes de médio relevo do PSDB e do PV fluminenses, foi sacramentada a aliança entre o Democratas, o PSDB, o PPS e o PV do Rio de Janeiro em torno das candidaturas de Fernando Gabeira (PV) ao governo do estado e de Cesar Maia (DEM) ao Senado. Gabeira aparece em terceiro nas pesquisas, próximo de Anthony Garotinho. Maia lidera ao lado de Marcelo Crivella as pesquisas para o Senado.

A chapa será completa com Márcio Fortes (PSDB) como Vice de Gabeira e com a outra vaga de candidato a Senador sendo entregue para o PPS.

Em suma, repete-se a aliança que quase deu a vitória na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro para Fernando Gabeira e soma-se a ela o grupo político de Cesar Maia e do Democratas fluminense, que tem capilaridade, força e densidade eleitoral herdadas do bom momento vivido durante os 16 anos ocupando a Prefeitura do Rio, 12 com Cesar Maia e 4 com Luiz Paulo Conde, hoje rompido com o DEM e membro do grupo político do ex-Governador Anthony Garotinho, que concorrerá com Gabeira.

Os Democratas contribuem, além disso, com um bom tempo de televisão, indispensável para que Gabeira tenha chances de triunfo.

A aliança traz também o Deputado Federal Rodrigo Maia, atualmente um dos homens fortes da candidatura de José Serra à Presidência, por ser Presidente nacional do Democratas.

Se por um lado isso demonstra força, por outro trará a necessidade de um bom arranjo entre as partes, visto que enquanto os candidatos ao Senado farão palanque para Serra, Gabeira louvará, pelo menos no primeiro turno, a candidata de seu partido, Marina Silva.

No fim das contas, o cenário fluminense oporá três grupos: A união entre o grupo político do atual Governador Sérgio Cabral e o grupo político do atual Prefeito da capital Eduardo Paes, o grupo político do ex-Governador Anthony Garotinho e a união entre a aliança PV-PSDB e o grupo político de Cesar Maia, com o PPS a reboque.

Cabral é forte candidato, até por ter a máquina pública nas mãos, mas não apresenta em pesquisas de intenção de voto um patamar tão bom quanto o de outros governadores que tentarão a reeleição. Isso dá esperanças para Anthony Garotinho, que já lidera no interior do estado, e principalmente para Fernando Gabeira que, além de liderar na capital, não têm os esqueletos no armário que Garotinho tem.

A eleição fluminense será uma de três vias onde o desempenho de campanha será crucial.

Ao contrário de São Paulo e assim como em Minas, não há definição.

Enquanto Serra quer se consolidar no Centro-Sul, Dilma mira o Nordeste

01/05/2010

Informa Felipe Patury, na Veja:

“Para ganhar a eleição deste ano, a petista Dilma Rousseff precisa abrir uma ampla dianteira no Nordeste, um reduto governista. A fim de medir a permeabilidade dos eleitores locais ao discurso da candidata oficial, o Instituto Análise, de Alberto Carlos Almeida, identificou suas demandas.

Entre os ouvidos, 44% dizem que a criação de empregos e o aumento dos salários na região deveriam ser as prioridades do próximo presidente. As obras de infraestrutura aparecem em segundo lugar, com 34%. Em terceiro, com 9%, vem a melhora da saúde.

Os programas sociais e de combate à fome, duas peças de resistência do governo do PT, são mencionados por apenas 3% dos entrevistados, cada um.”

Enquanto José Serra quer se consolidar no Centro-Sul e visa abrir dianteiras em São Paulo e Minas Gerais para aumentar as chances de vitória, Dilma Rousseff mira o Nordeste, foco maior das ações assistenciais do governo Lula e região que auxiliou muito a reeleição do Presidente em 2006.

Constata-se que o PT deixa um pouco de ser um partido da intelectualidade e da classe média. Esse lócus passa a ser ocupado em parte pelo PSOL e pelo PV.

Por outro lado, a aliança PSDB-DEM perde um pouco da força que tinha no Nordeste na época de Fernando Henrique Cardoso, o que transfere as decisões para o eixo Rio-São Paulo-Minas, através de nomes como Rodrigo Maia, José Serra e Aécio Neves respectivamente.

PSDB acredita que conquista o Planalto se vencer com boa vantagem em São Paulo e Minas Gerais

01/05/2010

Informa o colunista Ilimar Franco:

“O  comando da campanha de José Serra fez as contas e concluiu que, para ganhar as eleições de outubro, precisa ter 5 milhões de votos a mais que Dilma Rousseff em São Paulo e 3 milhões em Minas Gerais.

Em 2006, Geraldo Alckmin ganhou com uma diferença de 3,8 milhões de votos em São Paulo, mas perdeu por 1 milhão em Minas Gerais. Esta é a missão de Aécio Neves.

A estratégia tucana pressupõe uma vitória no Sul, que, em 2006, foi por 3 milhões de votos, e que o presidente Lula fracasse em sua tarefa de transferir votos para sua candidata. Sobretudo no Nordeste, onde em 2006 o PSDB perdeu por 10 milhões de votos.”

Concordo plenamente que, como Dilma Rousseff tem tudo para vencer no Norte e no Nordeste, enquanto José Serra tem tudo para vencer no Sul e em parte do Centro-Oeste, o tamanho da vantagem tucana em São Paulo e o resultado de Minas Gerais decidirão a eleição. Somo a estes fatores o resultado do Rio de Janeiro.

Acontece que o fato de os tucanos acertarem o diagnóstico não quer dizer, necessariamente, que conseguirão o que querem. São outros quinhentos.

A ver.