Por Arthurius Maximus*
As principais causas da violência nas grandes cidades são: tráfico de drogas e depois a corrupção policial. Um vive alimentando o outro. Mas, a corrupção policial, tem raízes profundas no modo de vida do brasileiro; na hipocrisia reinante em nossa sociedade; na impunidade e no corporativismo que envolvem os tribunais militares e civis que julgam os policiais apanhados em desvio de conduta; na passividade das autoridades que toleram um certo nível de desvio para não encararem o óbvio empobrecimento do policial e, não menos importante, na falta de preparo e de vocação de alguns policiais.
No Rio de Janeiro uma situação constrangedora e estarrecedora trouxe uma nova luz sobre o grau de comprometimento das instituições policiais em nossa cidade e como a atual estrutura mostra-se falida.
O auditor militar responsável por julgar desvios de conduta dos policiais militares cariocas foi apanhado em flagrante, roubando cabos de fibra ótica de uma operadora de telefonia em plena praia de Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Na verdade, o auditor fazia parte de uma quadrilha composta por policiais que vinha agindo há anos no roubo de cabos e movimentou uma verdadeira fortuna. Composta por policiais reconhecidamente problemáticos e por outros com a ficha completamente limpa; a quadrilha é a síntese da realidade policial carioca.
Enquanto o governo faz vista grossa para instituições carcomidas e penetradas por toda sorte de vícios e mazelas, a sociedade também permanece apática e mostra sua indignação até que a próxima página do jornal traga um novo escândalo ou uma nova tragédia.
O modelo de polícia que temos hoje está falido. É preciso repensá-lo e implantar uma polícia moderna, bem paga, realmente vigilante e que atue nos moldes das melhores polícias do mundo.
Infelizmente, enquanto a polícia for vista apenas como fonte de benefícios políticos para alguns ou como centro de mordomias e conchavos para outros, as coisas não mudarão.
Acabar com a separação das polícias, implantar corregedorias verdadeiramente independentes e atuantes, criar a mentalidade do policial profissional; mantendo uma carga horária a semelhança de um expediente de oito horas diárias e com um salário compatível com boas condições de vida para o policial são as soluções que podem resolver o problema do policial bandido e afastar os malandros que buscam os concursos para a polícia como a forma mais barata e simples de conseguir praticar crimes.
Mas, para que isso aconteça, é o eleitor e o cidadão que devem exigir uma mudança rápida e sem volta do modelo que temos hoje. Se analisarmos friamente a questão, veremos que a troca de escalas e algumas dessas mudanças podem ser feitas rapidamente e sem traumas para ninguém.
Basta apenas a famosa “vontade política”.
Pense nisso.
*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica












