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Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa

08/02/2010

Por Tiago Franz*

Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?

Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?

Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.

Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.

A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.

Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.

Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.

Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.

Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.

Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.

Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.

Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Dilma Rousseff e Celso Amorim informações falsas nos currículos

05/07/2009

Informa o jornal O Globo:

“Apesar de a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, não ter concluído nem mestrado nem doutorado, o site oficial da Casa Civil informava que ela é ‘mestre em teoria econômica pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutoranda em economia monetária e financeira pela mesma universidade’, segundo reportagem da revista ‘Piauí’ deste mês. Com a revelação, a Casa Civil foi obrigada a mudar o texto nesta sexta duas vezes.

Na Plataforma Lattes, base de dados de currículos e instituições, Dilma se identifica como mestra em ciência econômica, pela Unicamp, com título obtido em 1979, e informa que começou, em 1998, doutorado em ciências sociais aplicadas.

O diretor de registro acadêmico Antônio Faggiani disse, porém, que Dilma ‘nunca se matriculou em nenhum curso de mestrado na Unicamp’. A pedido da ‘Piauí’, foi verificado também o arquivo morto da universidade, e Faggiani confirmou: ‘O que existe, oficialmente, é a matrícula no curso de doutorado, em 1998, abandonado em 2004, quando acabou o prazo para a integralização dos créditos’”.

Informa o jornal O Globo, em outra matéria:

“No site do Ministério das Relações Exteriores, consta no currículo do ministro Celso Amorim que ele é doutorado em Ciências Políticas/Relações Internacionais pela London School of Economics and Political Science (1968-1971). A informação está incorreta.

Neste sábado, em Paris, onde acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele admitiu que também não concluiu o curso e não tem o diploma:

- Não tenho mesmo (diploma de doutorado). Fiz estudos de doutorado na London School. Mas nunca terminei. Não é mistério. Nunca disse diferente. Inclusive, quando fiz o meu currículo escrevi: PHD abd, que é como eles usam nos Estados Unidos e na Inglaterra, que é all but dissertation (tudo menos a dissertação). Não estava pronta a dissertação. Depois até mudei o currículo: botei estudos de doutorado, para não deixar dúvida.”

Obviamente o fato de os ministros não terem verdadeiramente o nível de estudo que dizem ter não atenta, necessariamente, contra a capacidade deles. Pode ser que eles tenham muito mais competência do que pessoas realmente formadas nos cursos em que eles alegavam terem se formado. Embora a probabilidade alguém mais estudado saber mais seja maior.

Acontece que a questão não é essa. A questão é que o fato de um currículo conter uma informação falsa é uma desonestidade intelectual da grossa. É condenável, sem sombra de dúvida.

Qual conceito vocês, leitores, teriam de mim se descobrissem, em um cenário hipotético, que as informações sobre conquistas acadêmicas contidas no meu perfil que consta aqui no blog são falsas? A minha credibilidade ruiria, não é verdade? O que dizer então de alguém na posição de um Ministro? Complicado.

Não acho que devamos chegar ao ponto de dizer que os ministros mentiram, pois não é bem isso, porém, uma coisa é certa:

Pegou mal. Muito mal.