Informa o jornalista Ilimar Franco:
“O presidente Lula informou ontem ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que vai entrar em campo para resolver as divergências entre PMDB e PT nos estados. Eles conversaram a sós durante duas horas no almoço ontem, em São Paulo. Lula vai começar pela Bahia e pelo Pará e os primeiros com quem vai conversar são o ministro Geddel Vieira Lima e o deputado Jader Barbalho.”
Os estados da Bahia e do Pará são, justamente, estados governados atualmente pelo PT, cujos governadores podem tentar a reeleição. Eles são Jaques Wagner e Ana Júlia Carepa, respectivamente.
Portanto, é de se esperar que a intenção de Lula seja, oferecendo apoio ao PMDB em outros estados, conseguir que o partido apóie os projetos na Bahia e no Pará que devem, naturalmente, por já ocuparem o poder, terem a preferência da base aliada.
Seria um absurdo completo se Lula não fizesse nada para conter o ímpeto do PMDB de, não só tentar encabeçar a maioria de chapas governistas possíveis, mas também tomar do PT até mesmo os estados já governados por este, onde os governadores visam a reeleição. Até porque Lula tem poder de barganha para isso, afinal, deu ao PMDB tudo o que o partido quis no governo federal em seu segundo mandato, desde ministérios até o comando de estatais e fundos de pensão.
A realidade é que, defendendo Jaques Wagner e Ana Júlia, Lula nada mais faz do que o que seria encarado como correto para alguém que preza o seu partido. Por outro lado, se o Presidente sair das conversas com Geddel Vieira Lima, que ameaça Wagner, e Jader Barbalho, que ameaça Carepa, de mãos abanando, estará provado que quem dá as cartas é o PMDB e que Lula só quer saber de Dilma e que se exploda o PT nos estados e ponto final.
Dizem que o plano de Lula é, uma vez vencida a eleição presidencial por Dilma, tentar libertar-se do PMDB. Mas será difícil isso acontecer, por mais que Lula queira, se o PT não tiver uma grande bancada parlamentar a partir de 2011.
Colocando o PT a favor de Sarney debaixo dos olhares de todo o povo brasileiro, Lula não ajudou nada na perseguição deste objetivo.
Para completar o cenário, que já tem um Jader Barbalho exigindo a desistência de Ana Júlia Carepa para apoiar Dilma no plano nacional e um Geddel Vieira Lima falando horrores de Jaques Wagner, a aliança entre PT e PMDB tem sérias rusgas em estados como o Paraná, onde o Governador Requião (PMDB) não quer nem ouvir falar na candidatura governista de Osmar Dias do PDT, e Goiás, onde Íris Rezende (PMDB) não gostou nada do lançamento, por Lula, do nome de Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central e provável candidato ao governo de Goiás pelo PP.
Ainda existem problemas em Minas e no Rio.
Será que a aliança entre PT e PMDB é sustentável? Será que o governo pode contar com o partido do fisiologismo? E mais: Se fizermos a suposição de que a aliança entre PT e PMDB será conseguida e mantida, será que os minutos de televisão do PMDB valem o que muitos estão chamando de morte do PT de outrora?
Outro fato curioso é o de que quanto mais o PMDB recebe, mais o PT perde. E quanto mais o PT perde, mais se enfraquece. Quanto mais se enfraquece o PT, mais cobra o PMDB sem dar garantia nenhuma. Olhem aí um círculo vicioso altamente nocivo para o Partido dos Trabalhadores.
O PMDB não se acha devedor de nada, enquanto o Senador Delcídio Amaral diz, em seu Twitter: “Conta cara, essa do PMDB. Pelo tamanho do sacrifício, somos credores dessa aliança”.
Será mesmo que o PMDB permitirá ao PT cobrar? Será que Lula se arrependerá?
Vou mais além: Será que Lula dispunha de alguma outra opção para aumentar as chances de Dilma?
A ver.