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Coluna do dia: Ficha Limpa, a passeata, o povo e mais uma decepção

03/05/2010

Por Arthurius Maximus*

Antes da coluna de hoje, uma nota:

Desde que iniciei a coluna aqui no Perspectiva Política, gentilmente convidado pelo Bruno, nunca repeti um artigo que tenha escrito em meu próprio blog. Mesmo com uma linha editorial semelhante e comungando mais ou menos das mesmas ideias e ideais, a obsessão por manter os artigos aqui sempre inéditos e exclusivos sempre foi perseguida por mim como uma forma de respeitar o leitor do Perspectiva Política, o Bruno e todo o corpo de colunistas que derrama seu talento nessas páginas.

No entanto, hoje vou quebrar essa meta. Não por desrespeito ou por achar que o artigo que escrevi no Visão Panorâmica é um “marco” ou algo “fenomenal”. Além de pedir essa “licença especial” ao Bruno, a repetição vai aqui – pura e simplesmente – porque minha indignação, minha frustração e minha vergonha não encontram outras palavras capazes de descrever o que vivi ontem (domingo 02/05) e, tampouco, sou capaz de expressar de outra forma meu descontentamento com uma parcela de nosso povo que se recusa a abandonar a contemplação de seus próprios umbigos para lutar por qualquer causa que não seja a de não fazer nada.

Refiro-me à passeata marcada para pressionar os políticos pela aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular conhecido como “Ficha Limpa”, que foi realizada (?) ontem em Ipanema no RJ. Não sou (e nem nunca pretendi ser) o dono da verdade e nem o senhor da “cidadania suprema”. Mas, se você concorda (ou não) com a minha visão, deixe sua opinião em um comentário e procure, assim como eu, elucidar uma saída para esse aspecto comportamental de nosso povo.

É bom lembrar que o projeto segue na terça-feira para votação na Câmara dos Deputados em Brasília. Para termos um País com uma vida política mais limpa é necessário que você pressione os parlamentares do seu estado para votarem a favor do projeto. Clique nesse link e envie o seu pedido para aprovação na íntegra do projeto. Além disso, faça seu deputado lembrar que você estará atento às votações e dará o troco neste ano aos que votarem contra o projeto ou tentarem destruí-lo com emendas que o transformem em letra morta. Faça a sua parte como cidadão.

Um abraço a todos e segue o texto.

O brasileiro é mesmo um povo diferente. Ele é roubado, vilipendiado, abandonado à própria sorte por aqueles que têm o dever sagrado (moral e profissional) de protegê-lo, tem  as ilicitudes de seus políticos esfregadas na sua cara todos os dias em cadeia nacional e na hora de “dar a volta por cima” e “acabar com a festa”, simplesmente não faz nada.

O jeito manso e cordeiro – que parece ordeiro – na verdade esconde a grande e imensa covardia (além do profundo comodismo) grassando no interior de cada um de nós e imobilizando nossa sociedade como um câncer com metástase por todos os órgãos e células de nossa nação politicamente agonizante.

Chega a ser estranha a indiferença e os contrastes que podemos observar no brasileiro quando o assunto é exercer a sua cidadania e velar por um País melhor. Para pedir a liberação da maconha compareceram de 2 a 3 mil pessoas. Mas para a passeata pela aprovação do Projeto Ficha Limpa foram entre 300 e 500 pessoas (dependendo da fonte noticiosa).

A “pergunta que não quer calar” nessas horas é: No que pensa o nosso povo?

Será mesmo que o brasileiro acha que basta reclamar da vida, dos políticos, da corrupção desenfreada, dos que se lixam para a opinião pública, dos parentes contratados por “debaixo do pano”, dos hospitais superlotados e transformados em verdadeiros matadouros, das escolas de péssima qualidade que fingem ensinar (um ensino de “quinto mundo”) e de todas as mazelas que vemos dia após dia, bem diante de nossos olhos e sem nenhum pudor?

Será mesmo que o brasileiro acha que a política ficará mais limpa, que os problemas se resolverão e que o País finalmente entrará no primeiro mundo por algum ato de Deus, por um feito inexorável da natureza ou mesmo pelas mãos e obras de um salvador da pátria?

É fácil acordar todos os dias e colocar a culpa no Maluf, no Sarney, no Renan Calheiros, no Serra, no Lula ou no “diabo” da vez. É fácil ficar no boteco da esquina, entre um copo e outro, falar do político safado, da ministra que desvia verbas, do Mensalão deste ou daquele partido ou mesmo sobre a incrível cara-de-pau que eles têm de negar o óbvio e de revogar o irrevogável. O difícil mesmo é entender que todas essas mazelas ocorrem há anos e se repetem constantemente com a eleição dos mesmos corruptos conhecidos e das mesmas caras-de-pau de sempre, graças ao beneplácito dos “cidadãos” brasileiros.

Será mesmo que o brasileiro quer uma política mais limpa, mais justiça no gasto dos impostos (que nada mais são que o seu suado dinheirinho)? Será mesmo que o brasileiro entende que, sem “botar a mão na massa” e sem lutar “com unhas e dentes” por isso nada nunca mudará?

Será que o brasileiro acha mesmo que a Câmara dos Deputados, com cerca de 25% dos seus membros já condenados em alguma instância da  justiça, e com boa parte dos que ainda não têm problemas com a lei a caminho de cumprir essa etapa – e, portanto, sendo prováveis “vítimas” do projeto Ficha Limpa – vai “tomar as dores” da nação e aprovar o projeto, com a dureza com a qual foi concebida? Será que o brasileiro acha mesmo que a corja parasita e habitante daquela casa capitulará “por mágica” e abrirá mão das gordas mordomias e das negociatas sem fim se não houver uma pressão maciça e avassaladora da sociedade?

Pelo que vimos, até agora, penso que sim.

É como eu disse: O brasileiro é mesmo um povo diferente.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Lula pode sacrificar Ronaldo Lessa para ajudar – pasmem – Renan Calheiros

20/01/2010

Está correndo, nas linhas de alguns analistas políticos, a informação de que o Presidente Lula poderia estar disposto a usar seu cacife político e pressionar Ronaldo Lessa (PDT), ex-Governador de Alagoas, e seu entorno político, para que este saia candidato ao governo de Alagoas, e não ao Senado.

O intuito de Lula seria auxiliar – pasmem – Renan Calheiros (PMDB). Como se já não bastasse a aliança fisiológica que une o Senador alagoano e o governo Lula, o Presidente estaria disposto a tirar Ronaldo Lessa da disputa senatorial alagoana, visando garantir a eleição de Renan. Se Lessa continuar na disputa, Calheiros poder ficar de fora do Senado a partir de 2011, já que uma vaga praticamente já é de Heloísa Helena.

Em suma, Lula prefere sacrificar Lessa, que provavelmente perderá para o atual Governador Teotônio Vilela e que com certeza é mais louvável em uma comparação com Renan, e auxiliar o peemdebista que tem um rol de atitudes condenáveis em sua biografia.

A coisa só piora quando lembramos que se Lula não conseguir empurrar Lessa para o governo, seu candidato em Alagoas, e palanque de Dilma, será Fernando Collor, aquele mesmo que usou métodos nada elogiáveis contra Lula nas eleições de 1989 e que é odiado por diversos petistas históricos.

Lula, quem te viu, quem te vê.

Articulação do próprio PMDB a favor de Hélio Costa pode tirar a Vice de Temer

14/01/2010

Informa o Globo, a respeito da possibilidade de uma articulação do PMDB fortalecer o nome do mineiro e Ministro das Comunicações Hélio Costa para a vaga de Vice de Dilma, em detrimento de Michel Temer – favorito a ocupar o espaço -, visando abrir caminho para o PT na disputa pelo governo de Minas e compensar, na chapa presidencial governista, a importância para a oposição do apoio de Aécio Neves a José Serra:

“A possibilidade de o ministro das Comunicações, Hélio Costa, desistir de sua candidatura ao governo de Minas em troca de sua indicação para vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou ontem à discussão.

O assunto teria sido um dos temas de uma conversa entre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o líder do partido, senador Renan Calheiros (AL), e o suplente de Costa, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG).

Logo em seguida, Renan foi recebido para uma audiência pelo presidente Lula. No fim do dia, a ministra Dilma recebeu em seu gabinete o pré-candidato petista ao governo mineiro, o ex-prefeito Fernando Pimentel.

Renan não quis dar detalhes de seu encontro com Lula. Pimentel também foi cauteloso ao abordar o assunto.

Mas admitiu ainda que deverá ter um encontro hoje com o senador Wellington Salgado, suplente de Costa. Essa reunião faria parte de seu esforço para tentar garantir um consenso entre PT e PMDB na disputa pelo governo de Minas.”

Este que vos fala acredita que, antes de mais nada, a cúpula do PMDB deveria tratar de resolver os problemas regionais que opõem o governo e o partido, facilitando a construção da aliança formal entre PT e PMDB.

Afinal, de que adianta discutir o nome do Vice se a Convenção peemedebista não referendar a união com o PT?

No cenário atual, essa possibilidade não é completamente descartável e, como diz Ciro Gomes, o PMDB é mestre em prometer o que não vai cumprir.

Contradição histórica: O nome do governo Lula para Alagoas é Collor

28/12/2009

Imaginemos uma situação: Um turista francês que visitou o Brasil no final 1989 e aproveitou para acompanhar um pouco o processo eleitoral daquele ano resolve, vinte anos depois, retornar ao nosso País. Chegando aqui, percebe que Lula e Collor são, hoje, aliados, e lê nos jornais que o nome do governo comandado pelo PT para o estado de Alagoas é o do ex-Presidente que sofreu impeachment e que, em sua campanha presidencial, usou-se de métodos nada louváveis para vencer o ex-sindicalista Lula.

Ora, em um caso como esse, totalmente possível, a reação do francês só poderia ser uma: “Chose de loque!”

Acontece que não apenas esse fictício francês entende que tudo isso é uma coisa de louco. Este que vos fala e milhões de outros brasileiros pensam a mesma coisa.

É verdade que a política é “dinâmica” e que muitas vezes, nela, é preciso “compor”. Enfim, estas velhas e batidas máximas da política não deixam de estar certas. Contudo, para tudo há limite. Em tudo na vida se chega a um momento onde a contradição e a incoerência são tão gritantes que podem ser cortadas no ar com uma faca.

E por que está sendo dito tudo isso? Podem estar se perguntando os leitores…

Explico: Porque cada vez mais se confirma a tendência de o governo federal, liderado por Lula e pelo PT, criar em torno de Fernando Collor – ele mesmo – o palanque alagoano de Dilma Rousseff.

A coisa vai tomando corpo e não poderia cheirar mais a queimado: Partidos da base aliada que nada tem a ver com Collor estão sendo atraídos para o projeto, como PRB e PC do B, e com tudo sendo articulado pelo famigerado Renan Calheiros, também alagoano, que quer levar o seu PMDB para a mesma coligação visando facilitar sua reeleição para o Senado, que não será nada fácil, pois ele enfrentará, na luta por duas vagas, Heloísa Helena e Ronaldo Lessa.

Se somarmos Renan Calheiros e o PMDB ao cenário que já envolve um Collor que, com a benção de Lula e do PT, poderá ser o palanque de Dilma Rousseff em Alagoas, o turista francês do início do texto achará que a coisa é mais louca ainda.

Há pragmatismo de menos e há pragmatismo demais.

Como já foi dito por este que vos fala, a aliança entre Collor e Lula é, para o ex-Presidente, uma comprovação de seu retorno à ribalta política, por mais que com menos intensidade, obviamente, do que em tempos passados. Para Lula, a união tem cheiro de traição de convicções, de rendição às conveniências, de absurdo.

Para quem assistiu o último debate presidencial das eleições de 1989, para quem viu Collor estocando Lula verbalmente e para quem ouviu Lula afirmar que a Rede Globo favoreceu Collor na edição das imagens do debate, causa surpresa assistir os dois entre elogios e abraços.

É em meio a isso tudo que Collor quer concorrer ao governo de Alagoas. E se o fizer, contará com o apoio incondicional de Lula e com o auxílio político de Renan Calheiros.

Uma aliança entre Collor e Lula, 20 anos depois de 1989, demonstra duas coisas: Que Collor continua o mesmo e que Lula se peemedebizou.

Imagino o que devem pensar sobre isso os militantes petistas de carteirinha, aqueles que durante anos e anos lutaram pela construção de seu partido, que estão sendo obrigados a assistir abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim entre seu ídolo Lula e o odiado por eles Collor.

Fernando Collor, que chegou a pedir a uma ex-namorada de Lula que dissesse que o atual Presidente pediu para que ela abortasse um filho dele, agora é lulista de carteirinha. Lula aceita a conversão e ainda permite que alguém como Renan Calheiros triangule a relação.

Digno de comemoração: Renan e Sarney não emplacam afilhado na ANA

16/12/2009

Confiram o que conta o jornalista Ricardo Noblat a respeito da rejeição, pelo Senado Federal, de uma indicação totalmente política, e nada técnica, feita por Renan Calheiros e José Sarney para a direção da Agência Nacional de Águas:

“A primeira votação no plenário do Senado terminou empatada esta tarde – 23 votos contra, 23 a favor da aprovação do nome de Paulo Vieira para diretor da Agência Nacional de Águas (ANA).

Então José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, por alguma razão metido hoje em um terno de linho branco, deu um tempo e realizou uma segunda votação.

Foram chamados às pressas alguns senadores que estavam fora do plenário.

Resultado: 26 votos contra e 25 a favor.

Assombro no plenário.!

Vieira fora indicado para o cargo por Sarney, Renan Calheiros (PMDB-AL), Gim Argelo (PTB-DF) e o deputado Sandro Mabel (PR-GO), entre outras figurinhas carimbadas do PMDB. Gim chegou atrasado e não votou.

No final de novembro último, o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, havia sugerido à Casa Civil a indicação de Vicente Andreus para Diretor-Presidente; João Gilberto Lotufo e Gisella Damm Forattini para diretores da ANA, todos técnicos com respeitáveis currículos.

Na terça-feira da semana passada, Minc foi informado pela Casa Civil que deveria abrir mão de um dos nomes indicados.

O nome de Gisela foi excluído. No dia seguinte o Diário Oficial registrou os dois nomes remanescentes e o terceiro desconhecido de todos no ministério – Paulo Vieira, afilhado da turma mencionada acima.

Seria mais um cargo para saciar o apetite insaciável do PMDB e garantir o que Lula chama de ‘governança’.”

Estão ouvindo este barulho? Não? Eu lhes explico:

É o som deste que vos fala estourando uma champagne…

Coluna do dia: A questão do aborto e a ética progressista

09/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Discutir a questão do aborto tem se tornado cada vez mais polêmico e complicado. O porquê, todavia, eu não sei. Afinal, convenhamos, a lógica elementar – antes de qualquer critério ligado à fé ou à ideologia – nos diz que o direito à vida, por óbvio, deve sempre prevalecer sobre algum outro. Mas pretendo iniciar este texto a partir da minha concepção pessoal sobre o aborto. Não tomará muito tempo, garanto.

Atá havia pouco tempo atrás, eu não me opunha à descriminação do aborto. Nunca fui favorável à prática, mas entendia, a partir de uma ótica bastante liberal, que isso era uma questão individual de cada um, razão por que o Estado não precisaria se imiscuir na contenda. Alguém quer fazer? Que faça, mas que arque com as consequências morais da escolha – que, admita-se, não devem ser pequenas.

Contudo, isso mudou radicalmente há pouco mais de um ano, quando eu e minha esposa soubemos da gravidez dela. Nosso primeiro filho estava chegando! Não vou entediá-los narrando o poder de transformação que uma descoberta assim tem sobre a vida de qualquer um. Aquela história do “milagre da vida”, lembram? Pois é, realmente existe. A fantástica sensação que experimentei quando escutamos, pela primeira vez, o coraçãozinho dele batendo é impossível de descrever. Isso muda uma pessoa. A faz amadurecer. Crescer mesmo.

E aqui chegamos a um ponto interessante: crescer é ter direito a alguns preconceitos. A frase, estou ciente disso, pode causar alguns arrepios nos politicamente corretos e progressistas, mas é absolutamente verdadeira. Com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, o ser humano passa a saber – algumas vezes de antemão – aquilo que é, ou não, bom para ele e para os seus.

Eu, por exemplo, detesto voar de avião e odeio tofu. E nada vai mudar isso. Da mesma forma, aprendi a partir de um despertar inesperado de sentimentos novos, que o aborto é intolerável. Mas, alto lá! Isso eu já sabia… Qual foi a principal mudança, então? Bem, passei a ver o aborto como aquilo que efetivamente é: algo criminoso e abjeto que deve, sim, ser combatido pelo Estado. Como se operou tal transformação? O que a embasou?

Explico: A discussão histórica em torno do aborto se dá entre o chamado grupo “pró-escolha” e aquele “pró-vida”. O primeiro defende que a mulher é senhora de seu corpo e, portanto, pode decidir o que fazer com ele. O segundo, por outro lado, apega-se à defesa intransigente do direito à vida, razão pela qual rejeita uma intervenção como o aborto. Sob o aspecto estrito do choque de direitos, entendo que o aborto simplesmente não se pode justificar. O direito à vida é a essência da civilização, situando-se acima de qualquer outro de forma definitiva. Permitir que haja uma escolha que termine causando a morte de outrem é condescender com a barbárie. Simples assim. Percebam: nenhuma tergiversação retórica pode negar o óbvio.

Mais recentemente, porém, os grupos “pró-aborto””passaram a adotar outro enfoque. A discussão central foi espertamente modificada: em vez de debater o choque de direitos – que condenava o aborto à derrota –, passou-se a discutir o início da vida humana. E aí apareceram uma enxurrada de teorias.

Há a posição conhecida da Igreja Católica, que fala no início da vida com a fecundação. Há uma corrente científica que fala na vida a partir da segunda semana de gestação. Há aqueles que ligam o início da vida ao desenvolvimento completo do sistema nervoso do feto. Além de tantos outros, cada um mais especialista que o outro no assunto.

O que eu acho? Bem, eu me recolho a minha insignificância humana e digo que não tenho autoridade para dizer quando começa a vida do ser humano. Nem eu, nem ninguém! Por isso me oponho, inclusive, ao aborto dos chamados “fetos anencéfalos”, já que a civilização, para que seja entendida como tal, não pode agir como senhora da vida e da morte. Em outras palavras, o ser humano não pode decidir quando uma vida é viável e quando pode ser descartada. Quem faz isso são os bárbaros, não nós.

Há ainda outro aspecto que me preocupa bastante: quem guardará os guardiões? Isto é, uma vez decidido que um determinado feto, portador de uma determinada moléstia, é – como é mesmo que eles dizem? – “inviável”, quem vai impedir que essa fresta aberta não se transforme na porta que nos levará, todos, ao inferno eugênico?

Pensem bem: hoje são os anencéfalos, amanhã podem ser os portadores de Síndrome de Down. Talvez um dia, diante dos infindáveis “progressos da ciência”, seja possível até mesmo “descartar” alguém que nasce com os pés chatos… Estou exagerando? Não creio…

De fato, hoje, a ciência parece provar empiricamente que os tais fetos anencéfalos são mesmo condenados à morte. Mas e depois? Por que essa ligeireza, essa pressa mesmo, em optar pela solução mais rápida? Por que não pensar que o futuro virá para salvar vidas, em vez de apostar que ele ratificará teorias de morte? Há coisa de poucos séculos atrás, crianças siamesas seriam atiradas em precipícios com base nas teorias de então… Vamos continuar atirando as nossas, hoje? A discussão parece ampla, eu sei. Difícil que seja diferente quando se trata deste tema. Mas me encaminho para um direcionamento conclusivo, garanto.

Há coisa de alguns dias, o diretório nacional do PT, o partido que nasceu sob a bandeira da ética, da transformação social e do progresso, decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso. Os dois tiveram seus direitos políticos suspensos pelo partido e, agora, não podem votar nem receber votos, muito menos discursar em nome do PT.

Mais que isso: caso a direção nacional não reveja tal punição, os dois parlamentares não receberão a legenda petista para disputar a reeleição no próximo ano. Ao me deparar com a notícia acima, perguntei: o que terão feito de tão grave? Vai ver foram apanhados com dólares na cueca… Talvez tenham criado um mensalão para comprar apoio no Congresso… Quem sabe fabricaram dossiês contra adversários políticos… Ou então quebraram o sigilo bancário de um caseiro…

Que nada! Todas essas práticas, sabemos, são abertamente aceitas pela tal “ética” petista. Qual foi, então, o pecado dos deputados? Bem, tiveram a audácia de falar contra o aborto.

Percebam a que ponto chegou a inversão de valores ditada pela agenda politicamente correta e progressista: a ética petista, que não vê problema em perdoar os mensaleiros, pune com rigor aqueles que defendem os fetos; a moral do partido que preside o Brasil, capaz de receber de braços abertos gente como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf, não tolera que se garanta aos bebês o direito de vir ao mundo; os valores da legenda que não viu problemas em “dar outra chance” para Delúbio, são os mesmos que negam aos bebês a única chance que estes têm. A construção que vou fazer pode soar um tanto forte, mas é inevitável: quando a ética petista é aplicada, inocentes morrem! Aliás, não morrem. São assassinados!

Notem que não se trata mais nem de se dizer contra ou a favor do aborto. Estamos falando do que é ética e moral, algo que o mundo ocidental civilizado já descobriu há muito tempo, mas que o Brasil do PT insiste em subverter.

Bem, verdade seja dita: a crise moral que se vê em episódios como o aqui relatado não é apenas do PT. É de todo o consenso progressista e politicamente correto que tomou o mundo de assalto. A gente moderna e humanista que pretende criar o tal “outro mundo possível”, não tolera a fome na África, o lucro do capitalismo e o desmatamento da Amazônia, mas consegue descartar seus próprios filhos com uma desenvoltura embasbacante. Vivemos, pois, sob a autocracia do pensamento que se mobiliza pelos filhotes de golfinhos, que critica a Coca-Cola e o tabaco, ao mesmo tempo em que não vê problema em estimular o assassinato de bebês.

Assassinato, eu disse? Sim, disse. Porque é disso que estamos falando quando o assunto é aborto. Ou alguém consegue, sem se deixar sugar pelo vórtice do contorcionismo retórico, diferenciar isto de um homicídio puro e simples?

Caso não conheçam o assunto, trata-se daquilo que o progressismo americano chama de “partial-birth abortion”, ou aborto com nascimento parcial. É o procedimento mediante o qual o bebê, já no último trimestre da gestação – isto é, praticamente pronto para vir ao mundo –, é morto covardemente a fim de interromper a gravidez. Repito: desafio qualquer um a me demonstrar como isso não seria um assassinato. Desnecessário dizer que, em fase tão adiantada da vida, o bebê já sente, ouve e, inclusive, se comunica com o mundo exterior. Ah, ia esquecendo! Barack Obama, o novo Messias reencarnado, o príncipe negro que veio salvar o mundo, apóia abertamente aquela prática hedionda.

E aqui, chegando ao final do texto, deixo diante de todos minha perplexidade. Que progressismo é esse, onde o “novo mundo”, a “justiça social” e a tal “igualdade dos homens” deve ser alcançada por meio de uma moral e de uma ética que tolera semelhante barbaridade?

Serei eu realmente tão conservador? Ou é a inversão de valores promovida pelo politicamente correto que subverteu o norte do mundo? Como acreditar em propósitos de paz perpétua quando o interlocutor não vê problema em admitir o homicídio de crianças?

E não é uma mera coincidência que Obama, o Cristo do progressismo mundial, e o PT estejam no mesmo barco moral. Ambos representam, cada um a sua maneira, essa nova ditadura “moderneira” que carrega a bandeira de uma ética nova, onde a vida humana foi relativizada.

Eles, preocupados com o “outro mundo possível”, seriam os mocinhos progressistas. Eu seria o conservador reacionário e obscurantista. E tudo por quê? Porque defendo o direito que as crianças têm de virem ao mundo, ao passo que eles, sem hesitar, as assassinam. Sim, posso até ser conservador e reacionário… Mas quem é mesmo o obscurantista?

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Renan Calheiros teria empregado funcionário fantasma em seu gabinete

15/09/2009

Corre a denúncia de que Renan Calheiros (PMDB-AL)  teria empregado em seu gabinete um servidor que, apesar de estar lotado na Casa, realizou um curso no exterior com o salário pago pela instituição.

Em entrevista ao blog do jornalista Fabio Pannunzio, da TV Bandeirantes, o Deputado Estadual alagoano Rui Palmeira (PR), filho do ex-Senador Guilherme Palmeira, admitiu ter feito um curso de inglês na Austrália, de dezembro de 2005 a março de 2006, no Metro College. Nesse período era funcionário do Senado, lotado na presidência da Casa –no período em que Renan ocupou o cargo. A exoneração foi publicada apenas no dia 31 de março de 2006.

Renan Calheiros criticou muito, recentemente, o Senador Arthur Virgílio por seu envolvimento em caso parecido. O alagoano utilizou este ponto fraco de Virgílio para chantagear o PSDB e proteger José Sarney. Os tucanos, ao que parece, cederam, o que entendi como totalmente equivocado.

Como já seria de se esperar, Virgílio aproveitou a forra e disse, mirando Renan:

“Eu me antecipei a tudo. Bastava eu ter ficado quieto que não teria tido a repercussão que teve. Mas eu falei dez vezes sobre o assunto. Chamei atenção para o problema e eu próprio dei a solução. Eu falava dos fatos, mas não mencionava os nomes das pessoas envolvidas. Eu suponho que Vossa Excelência haverá de se explicar perante a Casa e a nação, como eu estou fazendo”

Segundo a Folha, Renan subiu à tribuna para se explicar, mas preferiu esquivar-se da acusação. “Não vou comparar aqui a situação de nenhum funcionário. Não compete a um senador fiscalizar a frequência de um servidor. Quando ele foi viajar, me procurou e eu disse a ele que procurasse o seu chefe imediato. Não tinha certeza onde ele era lotado. Não tenho nada a ver com essa questão”, disse o peemedebista.

Depois da denúncia, Virgílio decidiu ressarcir os cofres do Senado pelo pagamento irregular ao servidor. Apesar de não cobrar o ressarcimento de Renan, o líder do PSDB disse esperar que o peemedebista reconheça a acusação. “Talvez a diferença é que estou dizendo que sabia, e Vossa excelência diz que não sabia. Há uma contradição entre Vossa Excelência e o servidor”, afirmou.

Parece que, ao sair do plenário, Renan Calheiros voltou a justificar que não é dever de um senador fiscalizar frequência de servidores e declarou:

- Eu não sou porteiro do Senado!

Pois bem. Eu tenho uma pergunta para o Senador Renan Calheiros:

Vossa Excelência me responda uma coisa, por favor.

Um diretor importante de uma empresa qualquer não é responsável pela vigilância da frequência de um subordinado distante. Porém, ele cria um sistema hierárquico que faz com que aquele funcionário esteja, de certa forma, subordinado à sua chefia. Pois bem. Se um funcionário faltasse ao serviço por meses e continuasse recebendo o salário, esta informação seria levada ao diretor uma hora ou outra por um subordinado direto e o funcionário seria demitido, correto?

Então está comprovado: Ou a hierarquia do seu gabinete é um lixo ou o senhor sabia muito bem o que ocorria, tinha a informação e resolveu nada fazer pois, se no caso da empresa o dinheiro perdido é do patrão, no Senado ele é do povo brasileiro babaca que o senhor achincalha.

Em tempo: Obviamente, Renan Calheiros nunca poderia mesmo ser porteiro do Senado. Imaginem o porquê.

Lula e Dilma podem estar no palanque de Collor em 2010

05/09/2009

Corre a informação de que, caso o Senador e ex-Presidente Fernando Collor seja candidato ao Governo de Alagoas, possibilidade que vem sendo cogitada e planejada por ele, será o seu palanque o utilizado por Dilma Rousseff e Lula na campanha presidencial.

Em resumo, será Collor o candidato a Governador de Lula e será Dilma Rousseff a candidata de Collor, em aliança fraternal.

Imagino o que devem pensar sobre isso os militantes petistas de carteirinha, aqueles que durante anos e anos lutaram pela construção de seu partido, que estão sendo obrigados a assistir abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim entre seu ídolo Lula e o odiado por eles Collor.

Fernando Collor, que chegou a pedir a uma ex-namorada de Lula que dissesse que o atual Presidente pediu para que ela abortasse um filho dele, agora é lulista de carteirinha. Lula aceita a conversão e ainda permite que alguém como Renan Calheiros triangule a relação.

Lamentável.

Ameaça de retirada do apoio a Dilma teria salvo Sarney

24/08/2009

Informa o jornalista Josias de Souza, que a blindagem feita em torno de José Sarney pelo Planalto pode ter sido fruto do receio com relação a uma ameaça do PMDB.

Segundo o jornalista, Renan Calheiros teria dito com todas as letras que dependeria do comportamento do petismo o apoio do PMDB a Dilma. “Não vamos aceitar jogo de cena do PT”, teria avisado Calheiros, segundo a revista Veja. Sarney teria reforçado, em tom menos explícito, a mesma ameaça.

Lula teria ficado preocupado e ordenado a Ricardo Berzoini, Presidente do PT, e a Gilberto Carvalho, seu Chefe de Gabinete, que conseguissem a defesa total de Sarney pelo partido no Conselho de Ética. Caberia a eles convencer Mercadante.

Daí teria surgido uma reunião entre congressistas e ministros do PT que decidiu a posição do partido.

O resto da história vocês já sabem: O PT contrariou a posição de seu líder no Senado, Aloizio Mercadante, e salvou Sarney no Conselho de Ética. Mais tarde, Mercadante ameaçou deixar o cargo por ter sido desautorizado, mas voltou atrás, o que fez com que ele, além de desautorizado, ficasse desmoralizado.

Portanto, o resumo da ópera dá conta de que Lula teria pedido expressamente a Berzoini que procedesse da forma que este procedeu quando soltou nota oficial da direção do PT instruindo os parlamentares petistas do Conselho de Ética a votarem a favor de Sarney.

E, para piorar, o Presidente teria feito isso não só pelo vislumbre de que a queda de Sarney poderia prejudicar uma aliança futura entre PT e PMDB, ele teria sido ameaçado nas entrelinhas por Sarney e explicitamente por Renan.

É claro que este blogueiro que vos fala não pode confirmar o que narra aqui. Todos os verbos encontram-se na condicional pois seria leviano de minha parte afirmar categoricamente sobre fatos que não presenciei.

Por outro lado, dado o cenário das últimas semanas e a ficha corrida dos envolvidos é bem capaz de que tudo tenha se desenrolado exatamente assim.

Por fim, vale a pena clicar aqui e ler reportagem da Veja que dá mais detalhes sobre o caso, principalmente a partir do momento que Lula dá a missão de convencer o PT a Berzoini e Carvalho.

Os detalhes chegam a assustar pela quantidade de manobras e truques. Todos nós sabemos que os artifícios existem, mas fiquei surpreso quando li a descrição de como eles são feitos. Confiram e vejam que até uma viagem desnecessária foi cogitada.

Coluna do dia: PT, quem te viu, quem te vê

24/08/2009

Por Arthurius Maximus*

O PT tem, no Art. 68 de seu Estatuto, a seguinte norma: “A Bancada Parlamentar e a Comissão Executiva do Diretório correspondente adotarão medidas concretas para combater o clientelismo e os privilégios, na busca de uma nova postura ética dos parlamentares”.

Essas eram as mais ferrenhas bases do partido que nós aprendemos a gostar e a respeitar durante muitos anos. Um partido que mobilizava a juventude e levava as massas para as ruas, como forma de lutar contra o velho jeito de fazer política. Lutando para livrar nossa nação dos grilhões do atraso e do marasmo com os quais a corrupção exagerada e o clientelismo explícito nos prendiam.

E o PT chegou ao poder afinal. Capitaneado por seu maior expoente: Lula. O PT chegou onde queria e tinha o apoio da nação inteira para mudar o País e transformar o Brasil numa terra mais justa e menos dependente da corrupção e das vontades das oligarquias que dominavam nosso povo desde os tempos coloniais. E o que o PT fez? Aliou-se a essas mesmas oligarquias.

Não só o próprio Presidente Lula traiu tudo o que acreditava (ou dizia acreditar) como a maioria dos componentes do PT optou pela manutenção de um projeto de “poder pelo poder” em detrimento de um projeto de mudança e de uma nova forma de fazer política nesse País. E os casos foram se sucedendo: Mensalão, dinheiro na cueca, dossiês, falcatruas nos correios e nos ministérios, grana no exterior e todas as velhas práticas sob uma nova roupagem e direção.

O recente comportamento do partido na crise envolvendo José Sarney e as denúncias de corrupção no Senado foram uma pá de cal em qualquer possibilidade do partido reivindicar para si qualquer sinal de ética e de moral política. Ao permitir o engavetamento das representações e impedir que sequer as gravíssimas denúncias (repletas de provas) contra Sarney fossem ao menos investigadas, o PT assumiu definitivamente o seu papel de clientelista e de um partido que tolera qualquer transgressão ética em nome do que eles chamam de governabilidade.

É estranho porque governos muito mais profícuos, e plenamente aceitos por todas as correntes ideológicas brasileiras como realizadores de verdadeiras façanhas pela modernização do Brasil, foram uns que sempre contaram com a minoria no Congresso e enfrentaram grandes problemas para aprovar suas medidas. O mandato de JK foi um bom exemplo desses governos.

O que mais entristece é perceber a cegueira quase fanática de pessoas incapazes de perceber que o partido se aliou ao que mais odiava e ao que mais combatia. Elas taxam aqueles que não concordaram em vender os seus ideais (como a ex-ministra Marina Silva) de “agentes da direita” e capachos do PSDB. Ora! Se para ser “um homem da esquerda” tenho que beijar a mão (para não dizer outra parte do corpo) de pessoas com o passado de Sarney, Renan Calheiros, Collor e tantas outras “figuras ilustres” que circundam o Presidente Lula ultimamente, prefiro ser chamado de lacaio estadunidense e agente da direita ultraconservadora reacionária.

Do que adianta bater no peito e se dizer “de esquerda” se você vende suas convicções por um cafuné ou um pedaço de papel como fez o Senador Mercadante? De que vale botar uma camisa vermelha com a imagem de Che se o que você quer é fumar um bom charuto importado, usar um chapéu panamá e garantir um status de elite por muitos anos? De que adianta se dizer socialista se você vende seus ideais e protege os grandes oligarcas, que sempre foram os responsáveis pelo sofrimento do povo pobre e desassistido de nosso País? De que vale dizer “SOU PT” quando na verdade você professa a cartilha dos Sarneys, dos Renans e dos Collors que pululam na política nacional?

Enfim, de que adianta ser do PT se, na realidade, o que você quer mesmo é apenas mamar na teta o maior tempo possível?

Eleitor, pense nisso em 2010.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica