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Coluna do dia: Joaquim Roriz, a caixa preta que ameaça se abrir

17/08/2010

Por Arthurius Maximus*

Quem não conhece Joaquim Roriz? Em uma entrevista, ele se compara a Lula (quem diria). Mas também podemos compará-lo a Maluf. Polêmico e mais encalacrado com a Justiça do que muitos criminosos procurados, Roriz é o retrato da política nacional.

Mesmo tendo sua candidatura mantida graças a uma liminar, Joaquim Roriz ameaça e solta o verbo dizendo: “Vou fazer uma revolução aqui em Brasília se minha candidatura for impugnada”.

Exatamente como Sarney e Renan Calheiros, “coincidentemente” todos aliados do PT, Roriz manda um recado aos políticos governistas dizendo que não cairá sozinho. É lógico que o apoio dado a Lula e a Dilma tem suas bases nos famosos “acertos” que o PT faz com quem lhe dá apoio. Seja honesto ou não, ficha suja ou ficha limpa, o negócio do PT é lotear o poder para se manter nele a todo custo. Dane-se o País. Como os critérios dessas alianças baseiam-se apenas no “toma lá dá cá”, o comprometimento ético e questões programáticas são meros detalhes e, muitas vezes, sequer são levados em consideração. Afinal, qual afinidade ética e programática essas alianças petistas podem ter?

Infelizmente, essa visão é plenamente corroborada pela maioria do eleitorado brasileiro. Nós fingimos nos indignar com a roubalheira em Brasília, mas, no entanto, secretamente, o que o brasileiro quer mesmo é uma oportunidade para fazer parte da mesma “elite mamante”.

Indignou-se com essa afirmação? Antes de me xingar veja bem como andam as coisas na política nacional. Maluf obtêm sempre votações expressivas em São Paulo, mesmo tendo a Justiça de vários países em seus calcanhares a todo instante, os paulistas votam maciçamente na velha raposa.

Roriz é outro bom exemplo: envolvido com toda sorte de problemas, denúncias de desvios, maracutaias no próprio sistema de votação do congresso (o que o levou a renunciar) e as mais variadas acusações;,é o mais votado em Brasília disparado. Renan Calheiros é flagrado pagando pensão a uma amante com dinheiro público, apresenta provas de suas alegações contrárias na forma de notas frias e é “punido” sendo um dos homens fortes de Lula no Senado. O que falar de José Sarney, então?

E, porque não dizer, o próprio Lula. Denúncias de superfaturamento, mensalão (que dizia desconhecer e, em juízo diante das provas, teve que voltar atrás), crimes eleitorais dos mais diversos, desrespeito às leis e ética “a toda prova”. Mesmo assim, Lula continua “o messias” para uma enorme massa que liga a sua figura ao “incrível” fato de poder abrir um crediário. Desconhecendo completamente que a pujança econômica foi “criada” apenas através do crédito e que o País está se tornando cada vez mais refém do capital especulativo estrangeiro.

Sob essa ótica, nos preparamos para viver  uma situação muito semelhante a que vivemos no governo FHC. É claro que, se tudo correr bem e o mercado externo continuar “OK”, os problemas só aparecerão em longo prazo. Contudo, se uma nova crise aparecer, o Brasil mergulhará de cabeça no marasmo que experimentamos ao nos confrontarmos com nossa primeira crise econômica da era Lula. Naquela época (2008) percebeu-se como as conquistas econômicas eram frágeis, pois tudo o que foi construído ruiu e fomos da bonança para a recessão em menos de três meses. Com a recuperação internacional e o abrandamento da crise, a coisa por aqui não ficou muito grave. Mas, todos os empregos criados até então foram perdidos e o crescimento foi “para o espaço” (consulte os números da época). O baque foi tão grande que surpreendeu a própria equipe econômica que pensava “crescer pouco”, mas acabou tendo que explicar a recessão (que foi abafada pela máquina de propaganda do governo).

Alarmismo? Pode ser. Mas, se assim for, porque o próprio governo começa a manipular seus relatórios econômicos (segundo denúncias desta semana) e projeta cortes orçamentários um atrás do outro (para após as eleições, é claro)? Também seria bom perguntar quais os motivos que levaram o Palácio do Planalto a ordenar que fosse ignorado o alarme divulgado pela área de planejamento, dando conta de que as receitas que viabilizam os planos sociais de Lula (o Bolsa Família e os demais) já não são suficientes para bancar o festival de bondades eleitorais de Lula. Calando a área econômica e camuflando o fato de que as promessas não poderão ser cumpridas.

Com isso é o Tesouro que passa a bancar a diferença e há a sinalização de  que se as promessas, que andam sendo feitas na eleição, forem cumpridas destruirão completamente a estabilidade econômica que levamos décadas para conseguir.

Está armada a bomba-relógio.

Portanto, se Roriz “abrir o bico” só o Brasil tem a ganhar.

E você, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Análise Geral: Collor, uma fênix às avessas

15/08/2010

Muitos brasileiros ainda têm frescas na memória as manifestações dos caras-pintadas. Jovens de todo o País foram às ruas, com tinta nos rostos, para pedir o impeachment de Fernando Collor, então Presidente da República envolvido em escândalos de corrupção.

Embora essas lembranças estejam bem vivas, já se passaram quase 20 anos. Collor já ultrapassou o martírio da suspensão dos direitos políticos e, voltando à ativa, se elegeu Senador por Alagoas, o estado que o catapultou para a Presidência em 1989.

Se antes da eleição Collor já escrevia livros contando como foi injustiçado, como Senador ganhou ainda mais voz. Seu discurso de posse foi marcado pelo tom da “volta por cima”, com o recém-eleito parlamentar comemorando o retorno aos holofotes “nos braços do povo”.

Pois bem. Eleito em 2006, Collor tem mais 4 anos de mandato. Não lhe custa nada, além dos gastos da campanha, concorrer ao governo de Alagoas. Caso perca, continuará sendo Senador. O plano era justamente aproveitar a situação cômoda para se fortalecer em Alagoas, visando a vitória, aí sim, em 2014.

Eis que Collor lidera as pesquisas pelo PTB de Roberto Jefferson. Alagoanos de cidades pobres rezam pelo retorno de Collor ao governo do estado. Uma senhora declarou, recentemente, que votará em Collor mesmo sabendo que ele rouba, pois ele dá aos pobres.

Teotônio Vilela é o atual Governador e tenta a reeleição com a máquina administrativa nas mãos. Ronaldo Lessa é o favorito há meses. Mas não tem para ninguém. As pesquisas apontam Collor na cabeça.

Fim das contas, Collor está perto de retornar ao governo de Alagoas, com o apoio do mesmo Lula que desancou em 1989. Renan Calheiros no meio de campo. E um mensalão inteiro para provar que o que Collor roubou é irrisório perto das cifras de hoje.

Collor é a fênix da política nacional. Ninguém nunca sofreu uma desconstrução em praça pública do tamanho da que ele sofreu e depois voltou a cargos de alto relevo.

É bem verdade que a ave mitológica merecia um representante de mais garbo, mas não se surpreendam os brasileiros se, em 2014 ou 2018, Collor apareça na telinha – e agora também no YouTube – pedindo seu voto a Presidente e querendo levar sua verve e sua retórica explosiva de volta ao Planalto.

Para enfrentar os caras-pintadas existem os caras de pau.

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Coluna do dia: Ficha Limpa, a passeata, o povo e mais uma decepção

03/05/2010

Por Arthurius Maximus*

Antes da coluna de hoje, uma nota:

Desde que iniciei a coluna aqui no Perspectiva Política, gentilmente convidado pelo Bruno, nunca repeti um artigo que tenha escrito em meu próprio blog. Mesmo com uma linha editorial semelhante e comungando mais ou menos das mesmas ideias e ideais, a obsessão por manter os artigos aqui sempre inéditos e exclusivos sempre foi perseguida por mim como uma forma de respeitar o leitor do Perspectiva Política, o Bruno e todo o corpo de colunistas que derrama seu talento nessas páginas.

No entanto, hoje vou quebrar essa meta. Não por desrespeito ou por achar que o artigo que escrevi no Visão Panorâmica é um “marco” ou algo “fenomenal”. Além de pedir essa “licença especial” ao Bruno, a repetição vai aqui – pura e simplesmente – porque minha indignação, minha frustração e minha vergonha não encontram outras palavras capazes de descrever o que vivi ontem (domingo 02/05) e, tampouco, sou capaz de expressar de outra forma meu descontentamento com uma parcela de nosso povo que se recusa a abandonar a contemplação de seus próprios umbigos para lutar por qualquer causa que não seja a de não fazer nada.

Refiro-me à passeata marcada para pressionar os políticos pela aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular conhecido como “Ficha Limpa”, que foi realizada (?) ontem em Ipanema no RJ. Não sou (e nem nunca pretendi ser) o dono da verdade e nem o senhor da “cidadania suprema”. Mas, se você concorda (ou não) com a minha visão, deixe sua opinião em um comentário e procure, assim como eu, elucidar uma saída para esse aspecto comportamental de nosso povo.

É bom lembrar que o projeto segue na terça-feira para votação na Câmara dos Deputados em Brasília. Para termos um País com uma vida política mais limpa é necessário que você pressione os parlamentares do seu estado para votarem a favor do projeto. Clique nesse link e envie o seu pedido para aprovação na íntegra do projeto. Além disso, faça seu deputado lembrar que você estará atento às votações e dará o troco neste ano aos que votarem contra o projeto ou tentarem destruí-lo com emendas que o transformem em letra morta. Faça a sua parte como cidadão.

Um abraço a todos e segue o texto.

O brasileiro é mesmo um povo diferente. Ele é roubado, vilipendiado, abandonado à própria sorte por aqueles que têm o dever sagrado (moral e profissional) de protegê-lo, tem  as ilicitudes de seus políticos esfregadas na sua cara todos os dias em cadeia nacional e na hora de “dar a volta por cima” e “acabar com a festa”, simplesmente não faz nada.

O jeito manso e cordeiro – que parece ordeiro – na verdade esconde a grande e imensa covardia (além do profundo comodismo) grassando no interior de cada um de nós e imobilizando nossa sociedade como um câncer com metástase por todos os órgãos e células de nossa nação politicamente agonizante.

Chega a ser estranha a indiferença e os contrastes que podemos observar no brasileiro quando o assunto é exercer a sua cidadania e velar por um País melhor. Para pedir a liberação da maconha compareceram de 2 a 3 mil pessoas. Mas para a passeata pela aprovação do Projeto Ficha Limpa foram entre 300 e 500 pessoas (dependendo da fonte noticiosa).

A “pergunta que não quer calar” nessas horas é: No que pensa o nosso povo?

Será mesmo que o brasileiro acha que basta reclamar da vida, dos políticos, da corrupção desenfreada, dos que se lixam para a opinião pública, dos parentes contratados por “debaixo do pano”, dos hospitais superlotados e transformados em verdadeiros matadouros, das escolas de péssima qualidade que fingem ensinar (um ensino de “quinto mundo”) e de todas as mazelas que vemos dia após dia, bem diante de nossos olhos e sem nenhum pudor?

Será mesmo que o brasileiro acha que a política ficará mais limpa, que os problemas se resolverão e que o País finalmente entrará no primeiro mundo por algum ato de Deus, por um feito inexorável da natureza ou mesmo pelas mãos e obras de um salvador da pátria?

É fácil acordar todos os dias e colocar a culpa no Maluf, no Sarney, no Renan Calheiros, no Serra, no Lula ou no “diabo” da vez. É fácil ficar no boteco da esquina, entre um copo e outro, falar do político safado, da ministra que desvia verbas, do Mensalão deste ou daquele partido ou mesmo sobre a incrível cara-de-pau que eles têm de negar o óbvio e de revogar o irrevogável. O difícil mesmo é entender que todas essas mazelas ocorrem há anos e se repetem constantemente com a eleição dos mesmos corruptos conhecidos e das mesmas caras-de-pau de sempre, graças ao beneplácito dos “cidadãos” brasileiros.

Será mesmo que o brasileiro quer uma política mais limpa, mais justiça no gasto dos impostos (que nada mais são que o seu suado dinheirinho)? Será mesmo que o brasileiro entende que, sem “botar a mão na massa” e sem lutar “com unhas e dentes” por isso nada nunca mudará?

Será que o brasileiro acha mesmo que a Câmara dos Deputados, com cerca de 25% dos seus membros já condenados em alguma instância da  justiça, e com boa parte dos que ainda não têm problemas com a lei a caminho de cumprir essa etapa – e, portanto, sendo prováveis “vítimas” do projeto Ficha Limpa – vai “tomar as dores” da nação e aprovar o projeto, com a dureza com a qual foi concebida? Será que o brasileiro acha mesmo que a corja parasita e habitante daquela casa capitulará “por mágica” e abrirá mão das gordas mordomias e das negociatas sem fim se não houver uma pressão maciça e avassaladora da sociedade?

Pelo que vimos, até agora, penso que sim.

É como eu disse: O brasileiro é mesmo um povo diferente.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

José Eduardo Dutra, novo Presidente do PT, diz que partido tem que ser pragmático se quiser governar

17/02/2010

Informa o Globo:

“Na semana em que assume o comando nacional do PT, o ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra admite que, depois de 30 anos, o partido transformou-se numa legenda pragmática. Até hoje, poucos admitem publicamente essa mudança de comportamento. “O PT é um partido pragmático! Qualquer partido que queira governar, tem que ser pragmático”, afirma Dutra. Nesta entrevista ao GLOBO, concedida aos repórteres Maria Lima e Gerson Camarotti antes do mal-estar com o governador Sérgio Cabral, ele diz que na campanha de Dilma Rousseff também prevalecerá o pragmatismo.

Qual o perfil do novo PT, depois de 30 anos de criação e ao final do governo Lula?

JOSÉ EDUARDO DUTRA: O PT tem tido uma evolução natural desde sua fundação. Quando foi fundado sofreu ataques, preconceitos da esquerda e da direita. Os partidos da esquerda tradicional, abrigados no PMDB, diziam que o PT dividiria a oposição. O PT tinha uma visão um pouco exclusivista. Por questão de sobrevivência, a gente não aceitava aliança. Em 2002, chegamos à Presidência. Um partido que chega a administrar amplos espaços de poder tem que entender e se adaptar à realidade. Não pode perder seus princípios, mas também não pode ficar amarrado no principismo.

Ou seja, o PT hoje é um partido pragmático.

DUTRA: O PT é um partido pragmático! Qualquer partido que queira governar tem que ser pragmático.

E na campanha da Dilma também vai prevalecer o pragmatismo?

DUTRA: Também. Quando defendemos alianças com partidos de centro, porque é importante para ganhar a eleição e governar, vamos adotar a dose necessária de pragmatismo. Porque nós queremos continuar governando o Brasil. Em oito anos, implantamos um projeto progressista. Se é mais à esquerda ou à direita, essa é uma discussão quase bizantina. “

Eu concordo com José Eduardo Dutra quando ele diz que partidos que governam necessitam ser pragmáticos. Realmente há uma imposição natural dos casos concretos sobre as ideologias, afinal, estas são ideais, quase utopias, que não encontram ressonância completa na realidade do cotidiano político e, principalmente, administrativo, até porque existem variáveis, circunstâncias e contingências.

Acontece que há pragmatismos e pragmatismos. Um é sensato. O outro é fisiológico.

A grande questão é que, no caso do PT, me parece que, embora não vejamos apenas um deles, o segundo prevalece. Afinal, não há quem me convença de que se unir a José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros e afins é sensatez.

Por fim, vale ressaltar que, em sua campanha de 2002, Lula deveria ter avisado que seria pragmático. Seria simplesmente uma devida honestidade intelectual, afinal, muita gente esperava outra coisa e se decepcionou.

Particularmente, não me frustrei. Ao contrário. Prefiro o governo Lula de hoje do que aquele que poderia existir se fosse seguido o programa de governo de 1989.

Contudo, defendo de qualquer forma que seja divulgado, até pela própria candidata, que um possível governo Dilma Rousseff seria pragmático.

É preciso que se saiba que o interessante pragmatismo sensato seria buscado. Mas também é necessário ser deixado claro que o pragmatismo fisiológico não seria nem um pouco jogado para escanteio.

Além disso, quem espera por um governo petista, no sentido ideológico da palavra, tem o direito de saber que não receberá a encomenda. Na verdade, todos precisam saber que, se a palavra de ordem é pragmatismo, votar 13 ou 45 não faz tanta diferença assim.

No fim das contas, triste é saber qual é o pragmatismo que prevalece hoje no PT.

E não só nele.

Michel Temer é aclamado como Presidente do PMDB: Aliança com o PT ganha força – Decisão em junho

06/02/2010

A Convenção adiantada do PMDB se realizou hoje. O novo Diretório Nacional da legenda foi eleito. E este aclamou o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, como Presidente do partido, reconduzindo-o ao cargo.

O Senador Valdir Raupp (RO) será o primeiro Vice-presidente do partido e  a Deputada Iris Araújo (GO) a segunda vice.  O Senador Romero Jucá (RR) é o terceiro. Eunício Oliveira (CE) será o tesoureiro e Mauro Lopes novamente o Secretário-Geral.

Não está decidida ainda a aliança formal com o PT. Será a Convenção que se realizará no meio do ano que isto será decidido. É nesta próxima convenção que as vertentes vão se enfrentar e que o nível de tensão vai subir.

Os delegados enviados por cada diretório estadual peemedebistas dirão se o PMDB fecha com o PT, se alia ao PSDB, se posiciona de forma neutra ou lança candidatura própria.

Existe o grupo que reúne os diretórios Pernambuco, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que são contrários à união com o PT. Os dois primeiros querem o PMDB com Serra. Os três últimos gostam de ideia da candidatura do Governador paranaense Roberto Requião, mas, se ela não se der, preferem Serra. Se Requião viesse a participar, em um possível segundo turno também estariam provavelmente com o tucano, afinal, Requião teria poucas chances.

Acontece que Temer é expoente da ala governista do PMDB. Por isso mesmo é cotado para Vice de Dilma Rousseff, embora não seja o preferido de Dilma. E nem o de Lula, o que importa mais ainda.

Com a recondução de Temer, a aliança com o PT ganha força. Foi para garantir isso que os governistas, majoritários, adiantaram a Convenção. Fizeram isso para prevenir contra possíveis desgastes ou descidas nas pesquisas de Dilma que pudessem enfraquecer a ideia da aliança com o PT e também para fortalecer Temer, que tem sentido a rejeição ao seu nome dentro do governo.

Justamente por ser claro que o adiantamento foi feito para facilitar a aliança com o PT e o fortalecimento do nome de Temer, os grupos contrários ao governo dentro do PMDB pensam em se insurgir na Justiça contra a mudança de data maliciosa.

De qualquer forma, a decisão final se dará realmente em junho.

Aguardemos. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte e, com certeza, algumas cabeças vão rolar. Afinal, o grupo oposicionista do PMDB sabe fazer barulho e o governista lutará muito para conseguir fechar com o PT, já que este depende tanto do tempo de televisão peemedebista para que Dilma tenha mais chances, que dará muito do que o PMDB fisiológico requisitar.

Imaginem a ânsia dos que estão no entorno de Temer, Sarney e Calheiros. 

Lula pode sacrificar Ronaldo Lessa para ajudar – pasmem – Renan Calheiros

20/01/2010

Está correndo, nas linhas de alguns analistas políticos, a informação de que o Presidente Lula poderia estar disposto a usar seu cacife político e pressionar Ronaldo Lessa (PDT), ex-Governador de Alagoas, e seu entorno político, para que este saia candidato ao governo de Alagoas, e não ao Senado.

O intuito de Lula seria auxiliar – pasmem – Renan Calheiros (PMDB). Como se já não bastasse a aliança fisiológica que une o Senador alagoano e o governo Lula, o Presidente estaria disposto a tirar Ronaldo Lessa da disputa senatorial alagoana, visando garantir a eleição de Renan. Se Lessa continuar na disputa, Calheiros poder ficar de fora do Senado a partir de 2011, já que uma vaga praticamente já é de Heloísa Helena.

Em suma, Lula prefere sacrificar Lessa, que provavelmente perderá para o atual Governador Teotônio Vilela e que com certeza é mais louvável em uma comparação com Renan, e auxiliar o peemdebista que tem um rol de atitudes condenáveis em sua biografia.

A coisa só piora quando lembramos que se Lula não conseguir empurrar Lessa para o governo, seu candidato em Alagoas, e palanque de Dilma, será Fernando Collor, aquele mesmo que usou métodos nada elogiáveis contra Lula nas eleições de 1989 e que é odiado por diversos petistas históricos.

Lula, quem te viu, quem te vê.

Articulação do próprio PMDB a favor de Hélio Costa pode tirar a Vice de Temer

14/01/2010

Informa o Globo, a respeito da possibilidade de uma articulação do PMDB fortalecer o nome do mineiro e Ministro das Comunicações Hélio Costa para a vaga de Vice de Dilma, em detrimento de Michel Temer – favorito a ocupar o espaço -, visando abrir caminho para o PT na disputa pelo governo de Minas e compensar, na chapa presidencial governista, a importância para a oposição do apoio de Aécio Neves a José Serra:

“A possibilidade de o ministro das Comunicações, Hélio Costa, desistir de sua candidatura ao governo de Minas em troca de sua indicação para vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou ontem à discussão.

O assunto teria sido um dos temas de uma conversa entre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o líder do partido, senador Renan Calheiros (AL), e o suplente de Costa, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG).

Logo em seguida, Renan foi recebido para uma audiência pelo presidente Lula. No fim do dia, a ministra Dilma recebeu em seu gabinete o pré-candidato petista ao governo mineiro, o ex-prefeito Fernando Pimentel.

Renan não quis dar detalhes de seu encontro com Lula. Pimentel também foi cauteloso ao abordar o assunto.

Mas admitiu ainda que deverá ter um encontro hoje com o senador Wellington Salgado, suplente de Costa. Essa reunião faria parte de seu esforço para tentar garantir um consenso entre PT e PMDB na disputa pelo governo de Minas.”

Este que vos fala acredita que, antes de mais nada, a cúpula do PMDB deveria tratar de resolver os problemas regionais que opõem o governo e o partido, facilitando a construção da aliança formal entre PT e PMDB.

Afinal, de que adianta discutir o nome do Vice se a Convenção peemedebista não referendar a união com o PT?

No cenário atual, essa possibilidade não é completamente descartável e, como diz Ciro Gomes, o PMDB é mestre em prometer o que não vai cumprir.

Contradição histórica: O nome do governo Lula para Alagoas é Collor

28/12/2009

Imaginemos uma situação: Um turista francês que visitou o Brasil no final 1989 e aproveitou para acompanhar um pouco o processo eleitoral daquele ano resolve, vinte anos depois, retornar ao nosso País. Chegando aqui, percebe que Lula e Collor são, hoje, aliados, e lê nos jornais que o nome do governo comandado pelo PT para o estado de Alagoas é o do ex-Presidente que sofreu impeachment e que, em sua campanha presidencial, usou-se de métodos nada louváveis para vencer o ex-sindicalista Lula.

Ora, em um caso como esse, totalmente possível, a reação do francês só poderia ser uma: “Chose de loque!”

Acontece que não apenas esse fictício francês entende que tudo isso é uma coisa de louco. Este que vos fala e milhões de outros brasileiros pensam a mesma coisa.

É verdade que a política é “dinâmica” e que muitas vezes, nela, é preciso “compor”. Enfim, estas velhas e batidas máximas da política não deixam de estar certas. Contudo, para tudo há limite. Em tudo na vida se chega a um momento onde a contradição e a incoerência são tão gritantes que podem ser cortadas no ar com uma faca.

E por que está sendo dito tudo isso? Podem estar se perguntando os leitores…

Explico: Porque cada vez mais se confirma a tendência de o governo federal, liderado por Lula e pelo PT, criar em torno de Fernando Collor – ele mesmo – o palanque alagoano de Dilma Rousseff.

A coisa vai tomando corpo e não poderia cheirar mais a queimado: Partidos da base aliada que nada tem a ver com Collor estão sendo atraídos para o projeto, como PRB e PC do B, e com tudo sendo articulado pelo famigerado Renan Calheiros, também alagoano, que quer levar o seu PMDB para a mesma coligação visando facilitar sua reeleição para o Senado, que não será nada fácil, pois ele enfrentará, na luta por duas vagas, Heloísa Helena e Ronaldo Lessa.

Se somarmos Renan Calheiros e o PMDB ao cenário que já envolve um Collor que, com a benção de Lula e do PT, poderá ser o palanque de Dilma Rousseff em Alagoas, o turista francês do início do texto achará que a coisa é mais louca ainda.

Há pragmatismo de menos e há pragmatismo demais.

Como já foi dito por este que vos fala, a aliança entre Collor e Lula é, para o ex-Presidente, uma comprovação de seu retorno à ribalta política, por mais que com menos intensidade, obviamente, do que em tempos passados. Para Lula, a união tem cheiro de traição de convicções, de rendição às conveniências, de absurdo.

Para quem assistiu o último debate presidencial das eleições de 1989, para quem viu Collor estocando Lula verbalmente e para quem ouviu Lula afirmar que a Rede Globo favoreceu Collor na edição das imagens do debate, causa surpresa assistir os dois entre elogios e abraços.

É em meio a isso tudo que Collor quer concorrer ao governo de Alagoas. E se o fizer, contará com o apoio incondicional de Lula e com o auxílio político de Renan Calheiros.

Uma aliança entre Collor e Lula, 20 anos depois de 1989, demonstra duas coisas: Que Collor continua o mesmo e que Lula se peemedebizou.

Imagino o que devem pensar sobre isso os militantes petistas de carteirinha, aqueles que durante anos e anos lutaram pela construção de seu partido, que estão sendo obrigados a assistir abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim entre seu ídolo Lula e o odiado por eles Collor.

Fernando Collor, que chegou a pedir a uma ex-namorada de Lula que dissesse que o atual Presidente pediu para que ela abortasse um filho dele, agora é lulista de carteirinha. Lula aceita a conversão e ainda permite que alguém como Renan Calheiros triangule a relação.