Por Alexandre Campbell*
Mantido o cenário atual, com três fortes candidaturas ao governo do estado (Sérgio Cabral, pelo PMDB; Fernando Gabeira, pelo PV; e Anthony Garotinho, pelo PR), o Rio de Janeiro terá uma disputa altamente equilibrada, em que os três têm (em maior ou menor grau) chances de vitória.
Em comum, têm também o fato de ostentarem altos índices de rejeição: Cabral, pelo desgaste dos quatro anos de governo; Gabeira, pela dificuldade de penetração no interior e nas classes de renda e escolaridade mais baixas; e Garotinho, rejeitado principalmente entre os de renda e escolaridade mais altas.
Considerando que a eleição será necessariamente decidida em dois turnos, as campanhas precisarão de uma estratégia bem definida que signifique potencializar a capacidade de votos para chegar ao segundo turno e minimizar a rejeição para vencer nele.
Se há como apontar algum favoritismo, ele vai para o Governador Sérgio Cabral, por fatores não necessariamente relacionados à sua administração: Controla a máquina estadual, tem a estrutura partidária mais forte, terá o maior tempo de televisão entre todos os candidatos e tem a aliança prioritária com o Presidente Lula. Todos esses fatores devem fazer com que Cabral esteja no segundo turno.
Por outro lado, sua principal dificuldade está no fato de que terá que pelejar em dois fronts: contra Gabeira na Capital e nas faixas de renda e escolaridade mais altas e contra Garotinho no interior e nas faixas de renda e escolaridade mais baixas.
Há outro ponto também: Algumas das vantagens citadas acima minimizam-se no segundo turno, como o tempo de televisão, que passa a ser igualitário entre os candidatos e a estrutura partidária (já que os deputados já estarão eleitos e a vantagem de Cabral “de ter mais cabos eleitorais” perde um pouco a importância).
O desafio de Cabral, portanto, será manter o equilíbrio em todas as faixas e controlar a taxa de rejeição que tende a aumentar no decorrer da campanha – como está na situação, inevitavelmente será o alvo predileto.
Gabeira e Garotinho precisam espalhar suas votações por outros seguimentos, não só para conseguirem o direito de ir para o segundo turno, mas para, lá chegando, ampliarem as chances de vencer Cabral.
Por fim, vale citar que, apesar de se comportar como tal, Garotinho ainda não declarou-se candidato. Uma das dificuldades que está encontrando é o pouco tempo de televisão.
Para se ter uma ideia, Cabral deve ter cerca de nove minutos, Gabeira seis e Garotinho apenas dois. Especula-se (e a especulação vem principalmente dos lados governistas) que por isso ele possa desistir da disputa e vir a deputado federal.
*Alexandre Campbell, colunista do Perspectiva Política às terças, é jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política.










