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Campanha na internet movimenta bastidores de 2010

13/07/2009

Informa Felipe Patury, na mais recente edição da revista Veja, sobre negociações importantíssimas no que diz respeito ao uso da internet na campanha presidencial de 2010:

“Tanto o governo quanto a oposição sonham em contratar a empresa americana Blue State Digital para as eleições presidenciais de 2010. Em 2008, ela estabeleceu novos caminhos no mundo do marketing político com as soluções de internet e telefonia que criou para a campanha de Barack Obama. Há dois meses, Ben Self, sócio da Blue State, deu uma palestra para a cúpula do PSDB. Mas o PT tomou a dianteira das negociações. Uma equipe do marqueteiro João Santana, que atende o Palácio do Planalto, negocia, nos Estados Unidos, um contrato de consultoria com a empresa.”

O uso da internet será importantíssimo na corrida presidencial de 2010. Não decidirá a eleição mas poderá interpretar papel importante, afinal, o debate político na rede está amadurecendo e atingindo um maior número de pessoas, entre elas, formadores de opinião. Uma das provas disto é justamente este blog.

Sendo assim, o lado que tiver a melhor consultoria disporá, sim, de uma certa vantagem, que, se por um lado não representará um ganho tremendo, por outro, vale a briga pela negociação com o consultor que atendeu Barack Obama, que teve uma campanha revolucionária no que tange a internet.

Coluna do dia: Twitter revolutions

02/07/2009

Por Eduardo Schneider*

Esqueça a TV Globo. Esqueça a CNN. Jornais de papel? Só se for para fazer as palavras cruzadas ou, se você mora em um apartamento, para forrar o chão para seu animal de estimação.

A Internet vem, há algum tempo, desbancando os demais meios de comunicação. Grandes jornais falindo e sites de grande circulação sendo vendidos por milhões de dólares. Mas nada mudou tanto a velocidade em que as informações viajam como o Twitter. As pessoas podem postar suas informações de qualquer lugar, a qualquer momento, para qualquer pessoa ler. A capacidade de circulação dessas informações é impressionante!

Os telefones celulares e mensagens de texto tiveram um papel crucial na Revolução Laranja na Ucrânia, em 2004. Pois bem. Eis que cinco anos depois dos protestos de Kiev, em sua vizinha Moldávia, uma outra tecnologia é utilizada como meio de comunicação rápida entre manifestantes: O Twitter.

No dia 7 de abril deste ano milhares de jovens se organizaram através desta página de relacionamentos e saíram às ruas para protestar contra o resultado das eleições realizadas pouco antes. Tudo bem que os protestos, que de início eram pacíficos, acabaram saindo do controle e se tornaram ataques violentos. Mas o que importa é que um país com tão pouco acesso à tecnologia conseguiu utilizar as ferramentas disponíveis para se unir.

Poucos meses depois, no Irã, o mesmo aconteceu. A população fez uso do Twitter para organizar protestos contra o resultado das eleições. Mas não só isso! Os iranianos inovaram no sentido de que, mesmo com todas as tentativas do governo de não deixar vazar informações e imagens (fossem elas fotos ou vídeos), eles conseguiram mostrar para o mundo inteiro o que estava acontecendo em seu país.

Tudo foi feito por pessoas, gente comum, que transmitiam o que viam instantaneamente. As informações iam direto das ruas para as telas dos computadores. A hashtag #iranelection consta desde então entre os trending topics (uma espécie de lista com as palavras mais digitadas no site).

Nós, brasileiros, temos a péssima mania de querer importar tudo o que acontece pelo mundo e dar uma “abrasileirada”. Foi o que aconteceu esta semana com o movimento denominado: #forasarney. Foi nada mais, nada menos, que uma tentativa de emplacar um movimento com aquilo que o nosso povo infelizmente se acostumou a fazer: Reclamar fazendo o mínimo possível de esforço para resolver o problema.

O objetivo dos organizadores do movimento era colocar o #forasarney entre os trending topics, para que, assim, os políticos vissem que o “povo” estava “de olho”. Convenhamos: Não é porque eles conseguiram emplacar a palavra entre as mais comentadas em um site de relacionamentos que os políticos vão olhar e dizer: “Nossa, minha gente! O povo está indignado! Você viu o Twitter hoje? Temos que mudar nossas atitudes logo!”

Quem assistiu o programa CQC desta semana percebeu. Parlamentares que afirmaram ter votado a favor da Lei Maria da Penha (que não é uma lei qualquer. Ela está “na boca do povo”), ao serem questionados sobre seu conteúdo, ou desconversaram ou disseram não saber do que ela se tratava!

Se nem as matérias legislativas importantes são suficientes para chamar a atenção deles, imaginemos um movimento virtual que conseguiu algumas centenas de participantes.

Eu bem que gostaria que as coisas fossem fáceis assim. Que fosse possível mudar as coisas ficando com a nossa digníssima “derrière” em nossas cadeiras, no conforto de nossos lares, apenas digitando meia dúzia de palavras. Imaginem como seria fantástico!

Os franceses, no século 18, iriam adorar poder ficar em casa digitando “#ForaLuísXIV , espalhem para seus amigos!” e não derramar uma gota de sangue na Revolução Francesa.

Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Josef Stalin achariam muito mais prático fazer um movimento virtual, entitulá-lo #ForaHitler e acabar, assim, com a expansão nazi-fascista pelo mundo.

Como seria bom seguir a ideia do comediante Danilo Gentili e digitar “#PazMundial” para mudar o mundo. O que as candidatas a Miss iriam dizer nos concursos?

Os problemas criados por nós mesmos (sim, nós somos os responsáveis pela sujeira do Senado! Quem os colocou lá?) não será resolvido na frente de computadores. Temos que utilizar a tecnologia disponível para multiplicar nossas ideias. Porém, mudanças reais não são feitas no mundo virtual, muito menos com a bunda no sofá.

*Eduardo Schneider escreve no Perspectiva Política às quintas.