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Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista

16/11/2009

Informa a Folha:

“Reportagem da colunista Mônica Bergamo, publicada na edição de hoje da Folha, informa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) reconhecerá oficialmente Tomas Dutra Schmidt como filho.

Tomas, que hoje tem 18 anos, nasceu da relação amorosa que FHC teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

De acordo com a reportagem, FHC consultou advogados e viajou na semana passada para Madri –onde vive a jornalista– para cuidar do reconhecimento do filho.

A reportagem da Folha informa que FHC negou a informação e disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri. Procurada pela Folha, Mirian disse que quem deveria falar do assunto seria ele e a família dele.”

Se confirmada a informação trazida pela brilhante Mônica Bergamo, este blogueiro só tem uma coisa a dizer:

Obviamente, vale o antes tarde do que nunca, mas demorou demais.

FHC: Lula nunca reconheceu o Real mas fez a parte dele

08/07/2009

Informa o jornal O Globo:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acusou nesta terça-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de nunca ter reconhecido a importância do Plano Real para os avanços do país. Houve presença maciça de líderes tucanos na comemoração pelos 15 anos do Real em solenidade no Congresso Nacional, e poucos petistas compareceram.

- Eu seria injusto com ele ( Lula), se dissesse que ele está apenas surfando. Não, ele usou e não reconheceu. Até agora não disse uma palavra de reconhecimento dos benefícios que o Real – e tudo que fizemos no meu governo – trouxeram para o país. Mas ele fez também a parte dele – afirmou Fernando Henrique em entrevista após a solenidade.”

Dois pontos terão que ser reconhecidos sempre na história do Brasil:

1- O Plano Real foi um sucesso e devemos, nesse âmbito, fortes agradecimentos a pessoas como Itamar Franco, Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso. Todos participaram do projeto de alguma forma, todos merecem o apreço nesse caso específico.

2- Lula foi muito responsável no que diz respeito à economia. Acertou bastante e fez sua parte para manter a estabilidade e o controle da inflação. Não fez loucuras, foi maduro.

Isso quer dizer que todos os brasileiros honestos intelectualmente deveriam reconhecer estes dois pontos.

Os petistas que quiserem se dizer sinceros, francos e honestos têm, necessariamente, que reconhecer o Plano Real.

Os tucanos, que quiserem se dizer sinceros, francos e honestos têm, necessariamente, que reconhecer a boa contribuição de Lula.

Toda a política brasileira seria mais saudável, mais produtiva e, até mesmo, mais justa, se houvesse essa honestidade intelectual.

Dito isso, temos que reconhecer o gesto de Fernando Henrique Cardoso e esperar que, pelo menos um dia, Lula tenha um gesto semelhante.

Fernando Henrique criticou Lula, é verdade, porém, não se furtou em reconhecer os méritos do atual Presidente. Lula, até hoje, nunca fez isso com relação a Fernando Henrique.

Seria louvável se também fizesse. É uma questão de maturidade.

Reconhecer o acerto dos outros para poder ter o direito de também criticar e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Este blogueiro pensa assim pelo menos.