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Coluna do dia: Desumanidade no Caribe – Lula e os Castro ignoram o sangue

26/02/2010

Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem o que é a Comunidade de países Latino-Americanos e do Caribe? Não? Bom, não tem muito problema. Mesmo os criadores dela não saberiam explicar com precisão o que ela representa, ou quais os seus objetivos práticos.

Assim, de bate pronto, eu poderia dizer que se trata de mais um fórum “pobrista” e terceiro-mundista, destinado a emprestar apoio político a facínoras como Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Uma espécie de lupanar do atraso latino, onde um bando de gente empoeirada pelos escombros do Muro de Berlim se rende a convescotes com os irmãos Castro, os dois maiores assassinos da história das Américas, ao mesmo tempo em que cobram mais democracia da democrática Honduras.

Mas essas seriam apenas elucubrações minhas. Na realidade, a tal comunidade serviu apenas para referendar o regime sanguinário de terror que matou Orlando Zapata Tamayo. Por enquanto, entenda-se… Em pouco tempo, é bem provável que a escória das Américas – com raríssimas exceções – precise se juntar para justificar as mortes provocadas por Chávez e por Morales. Afinal, sabemos que a utopia preferida dessa gente sempre foi construir o “novo homem” por meio do homicídio desenfreado.

Orlando Zapata era aquilo que se convencionou chamar de “preso de consciência”, ou seja, foi encarcerado pelos Castro porque se declarava contrário ao regime comunista que oprime aquela pobre ilha há décadas. Os irmãos assassinos, seguindo o exemplo de todos os regimes comunistas que os antecederam, trataram de pegar Zapata e de atirá-lo na prisão, ao lado de outros tantos “contra-revolucionários burgueses”. Julgamento? Devido processo legal? Ah, isso é invenção da “classe dominante”, não é? Os humanistas da “causa libertadora”, sabemos, preferem coisas mais rápidas, como os expurgos.

Zapata deu início a uma greve de fome, em protesto contra sua prisão e contra os maus tratos que os prisioneiros estavam recebendo. Privado até mesmo da água, Zapata viu seus rins entrarem em colapso e condenarem seu corpo ao apodrecimento ainda em vida. Ele morreu na última terça-feira, exatamente quando Lula partia para a Ilha dos Castro, a fim de bajular um pouquinho a múmia de Fidel Castro.

Por que Zapata protestou contra os “libertadores de Cuba”? Por que se recusou a ver as maravilhas que aquele paraíso da igualdade fornecia a toda a população? Bem, provavelmente porque é um desses “sujeitos burgueses” que gosta de zelar pela própria higiene pessoal…

Em Cuba, costumo dizer, há duas prisões: uma, administrada pelos Estados Unidos, onde os presos recebem papel higiênico regularmente; a outra, que corresponde exatamente ao restante da ilha, onde o único papel fartamente à disposição do povo é aquele usado para imprimir os discursos de Fidel Castro.

O socialismo, assim como o comunismo, é assim: começa prometendo salvar o homem, e termina negando ao homem o direito de cuidar do próprio asseio…

Ao ser questionado sobre o assassinato de Zapata, Raúl Castro saiu-se com o seguinte – se me permitem – “raciocínio” (do Estadão Online):

“‘Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos’, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Cuba. Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de ‘terrorismo de Estado’, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano”.

Pois é… Um sujeito é preso – e acaba morto! – só por discordar do regime castrista, e a culpa é de quem? Dos americanos, é claro! Sim, vocês entenderam direito. Os americanos, esses demônios do mundo. Segundo o assassino cubano, o país onde os adversários de Bush podiam protestar sem serem presos, onde os “Tea Party” podem protestar sem serem presos, é culpado pela prisão dos oposicionistas de… Cuba!

Não fica difícil entender por que essa canalha é aliada de Hugo Chávez, afinal, o venezuelano acusa os americanos de terem uma “máquina de provocar terremotos”… Sim, é isso! Varram os EUA do mapa, e pronto: o mundo ficará livre de problemas, e seres pacíficos e humanos como Chávez e os Castro poderão ditar as regras. Que tal?

É esse sujeito que Lula foi paparicar quando da criação daquela comunidade vagabunda e filoterrorista! É com essa escória que o governo petista obriga o Brasil a se relacionar, estuprando os princípios da liberdade e vilipendiando os valores democráticos. São o lixo da Humanidade! O que há de pior e de mais rasteiro dentro da cadeia alimentar.

Como é possível que, ainda hoje, grande parte dos políticos brasileiros – e considerável parte da imprensa nacional – ainda consiga tratar com condescendência o regime cubano? Estamos falando de uma ditadura que matou diretamente cerca de 17 mil pessoas!

Isso, meus caros, faz os militares brasileiros parecerem moleques travessos… E nem estou mencionando os 83 mil que morreram tentando fugir daquele “paraíso terrestre”, afinal, deixar a ilha sem autorização d’O Partido é algo punido com a pena de morte! Lembro de Kennedy: “Podemos ser culpados de construir muros para manter nossos inimigos de fora. Mas não precisamos construir muros para manter nossos cidadãos presos aqui dentro.” Brilhante!

Em qualquer democracia séria, a amizade entre Lula, o PT, Dilma Rousseff e Franklin Martins com os irmãos Castro seria motivo suficiente para o desaparecimento político deles. Aqui, ao contrário, o PT tem boas chances de fazer o próximo Presidente, na esteira da popularidade estupenda que o Presidente atual, um esteio moral do castrismo, ostenta.

Somos uma vergonha para as democracias do mundo. Não apenas o governo Lula. Não apenas a esquerda rasteira e terrorista que até hoje vegeta no Brasil. Mas o País todo! Os cidadãos que votaram em Lula duas vezes e que, não satisfeitos, concedem a ele uma aprovação indecente, suja pelo sangue de Zapata – e de outras 100 mil vítimas inocentes. Deus tenha piedade de nossas almas…

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Governador colombiano sequestrado pelas Farc é achado morto

23/12/2009

Informa o Portal G1

“O governador colombiano Luis Francisco Cuéllar, que havia sido sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, foi encontrado morto nesta terça-feira (22). Seu corpo foi achado baleado e rodeado de explosivos em Sebastopol, zona rural próxima da capital de Caqueta, departamento que governava.

[...]

O sequestro na segunda-feira (21) mostra como a guerrilha mais antiga da América Latina ainda é capaz de realizar operações de alta visibilidade, apesar de anos sendo combatida pelos militares colombianos com o apoio dos EUA.”

Eu gostaria nesse momento de ouvir o que têm a dizer pessoas que, explicitamente ou tacitamente, apóiam as FARCs, como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo e – por que não? – Luiz Inácio Lula da Silva.

Qualquer pessoa que um dia tentou justificar as ações da guerrilha colombiana, por favor, tentem justificar isso.

Será interessante, para não dizer um pouco triste, ver as manobras retóricas.

Desde já adianto que a lorota de que o Governador colombiano é um representante das elites oligarcas opressoras e aliadas do capitalismo imperialista, e que por isso seria merecedor da morte, não cola. Nem um pouco.

Uribe se diz em uma ‘encruzilhada da alma’ sobre 3º mandato

19/10/2009

Informa o Financial Times:

“O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que hoje é esperado para uma visita oficial a São Paulo, diz viver uma ‘encruzilhada da alma’ acerca de disputar um terceiro mandato em 2010.

Para isso, ele teria de mudar a Constituição pela segunda vez -caminho já aberto pelo Parlamento. Isso preocupa seus aliados colombianos e até no exterior, incluindo nos EUA.

Indagado se arriscaria tentar seguir no cargo e arriscar seu legado (a violência caiu sob Uribe, e a Colômbia consegue contornar com certa tranquilidade a crise global), ele responde: ‘não é esta a questão, sou de uma geração que não conheceu um só dia de paz, minha prioridade é a continuação dinâmica de [minhas] políticas’.

‘Quando penso em meu legado, não desejo que as futuras gerações de colombianos pensem que eu era apegado ao poder. Ao mesmo tempo, quero que saibam que não virei as costas aos desafios do país’, disse o colombiano, sobrevivente de 19 tentativas de assassinato.”

O Perspectiva Política, na pessoa deste blogueiro que vos fala, já emitiu sua opinião sobre o tema:

O Perspectiva Política sempre primou o equilíbrio, a independência, a sensatez e a coerência. Sempre afirmando que deve-se criticar o que merece ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado, provando que é possível apontar os erros de um lado sem, necessariamente, fazer parte do outro, este blog construiu uma credibilidade que muito me orgulha.

Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que o personagem mais criticado por mim desde sempre é Hugo Chávez. É a ele que dirijo as críticas mais duras e os questionamentos mais contundentes. Não poderia eu, nunca, deixar de repudiar atitudes autoritárias, cooptadoras de instituições, oportunistas, personalistas, ditatoriais e doutrinadoras como as dele.

Acontece que este blog tem o dever, agora, de criticar o Presidente colombiano Álvaro Uribe. E não faço isso apenas para fazer jus ao compromisso de prezar pela justiça. Não. Faço isso pois realmente rechaço o projeto que Uribe empreende.

O Perspectiva Política não poderia, se quer se dizer como um blog pautado nos ideais supracitados, fazer o que alguns outros blogs fazem: Criticar um lado  por certas atitudes e depois fazer vista grossa quando alguém do outro lado realiza atividades semelhantes.

Por isso, é, sim, posição contrária aos arroubos de Álvaro Uribe a do Perspectiva. Isso se dá pois o repúdio a Hugo Chávez não ocorre por conta de uma questão pessoal ou ideológica, e sim, por força da defesa da democracia, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e de tantos outros valores inegociáveis.

Sendo assim, a partir do momento que Álvaro Uribe atenta contra os mesmos valores, seja ele de esquerda, de direita, ou de Marte, ele merece as mesmas críticas. Nada de julgamentos diferentes para o mesmo erro. Nada de parcialidade.

É verdade que prefiro as medidas tomadas por Uribe na Colômbia se comparadas com as de Chávez na Venezuela, Correa no Equador e Morales na Bolívia? É. É correto afirmar que Uribe estaria atentando contra a alternância de poder enquanto Chávez atenta contra muito mais elementos da democracia? Também é. Mas isso nunca causaria ou justificaria uma defesa minha com relação aos equívocos de Uribe. Como nunca acontecerá com político algum.

Portanto, é total o agravo do Perspectiva no que tange a tentativa de Álvaro Uribe de autorizar ele mesmo, através de referendo popular permitido pelo Legislativo, ou seja, com os instrumentos do “kit” chavista, a tentar a segunda reeleição, que lhe daria um terceiro mandato.

Uribe não afirma nem nega que, uma vez permitido o referendo pelo Legislativo e apoiada pela população a hipótese de permissão de mais uma reeleição, ele tentará a vitória novamente.

Porém, todos sabemos que se não houvesse respaldo do Presidente, o projeto não avançaria, até porque Uribe poderia, muito bem, se fosse de sua vontade, desautorizar as manobras.

Fim das contas, merece críticas severas qualquer um que tentar perverter a democracia. Mesmo que seja através dela mesma, como na agenda bolivariana.

Seja Chávez, ou seja Uribe.

Coluna do dia: Crônica – Histórias e máscaras, santos e diabos

15/10/2009

Por Felipe Liberal*

No século XVI, o médico e demonólogo holandês, Johann Wier, registrou que 7.409.127 diabos estavam à solta no planeta Terra. Creio eu, que esse número tenha crescido verticalmente de quinhentos anos para cá. Já na ala do bem, pouco mais de 10.000 santos figuram nos livros empoeirados do Vaticano e mais algumas centenas de “santos populares” moram nas férteis mentes mundo afora. Mas quem é santo ou demônio? Olhando para o ontem e o hoje, o bem e o mal se misturam em uma grande sopa de sangue, intrigas e mentiras.

Caros leitores, aqui vão alguns episódios do passado e presente que se entrelaçam, como se o tempo fosse um verdadeiro “nada”:

- Durante o período da escravidão nas Américas, negro e diabo eram a mesma coisa. As mulheres negras do Caribe usavam uma pasta feita de um arbusto chamado Guao, para queimarem a pele e limparem a “cor suja”, branqueando-a. Um absurdo. / No fim de 2008, a revista norte-americana Ebony (especialista no público afro-americano) publicou fotos de 170 mulheres negras, mas nenhuma tinha cabelo crespo. E logo adiante, na última página, uma frase em um bom tom maiúsculo: AFRICAN PRIDE (Orgulho Africano). Este é o nome de um xampu alisante que “estica melhor que todos os outros”. Logo abaixo da página 31, vinte seis variedades de cremes branqueadores de pele para “você sair da mesmice do dia-a-dia”. O mesmo absurdo.

- Toussaint Louverture foi um negro, escravo e haitiano que viveu no século XIX. Lutou e deu seu sangue contra os exércitos de Napoleão Bonaparte no Haiti, defendendo a liberdade dos escravos. Foi chamado de traidor e de filho do demônio pela Igreja Católica e Protestante. / Pierre Toussaint, foi um negro, escravo e haitiano que viveu no século XIX.  Rastejou por toda a vida aos pés da sua proprietária branca. Nunca lutou pela liberdade ou pelo seu país. Sempre quis ser um bom nobre branco. Em 1989, o Papa João Paulo II beatificou Pierre Toussaint. Entre um milagrezinho e outro, a sua maior “virtude”, foi a obediência eterna.

- Martinho Lutero alertou sobre os milhões de diabos seguidores da seita de Maomé. / Santo Obama também avisou, e logo tratou de tomar providências: bombas de fósforo; bombas de urânio empobrecido; bombas GBU-39; Explosivos DIME; aviões F-16 e míssil Spike foram algumas ferramentas usadas este ano para exorcizar qualquer corpo possuído por seres malignos, desses que usam turbantes e barbas enormes.

- Mas também temos santos entre os muçulmanos, como aqueles reis do deserto e xeques árabes que inundam o Ocidente com petróleo e são insistentes compradores de armas americanas. /   Como também foi santo o invisível Bin Laden, na caçada aos comunistas da década de 70. Mas como não se precisa mais de seus serviços, hoje não passa de um príncipe das trevas.

- Se falarmos de América Latina, meu Deus do céu, a diabada tá solta. Evo, Chávez, Correa, Lugo, e por aí vai. O capeta Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, implantou a reforma agrária, aumentou o consumo de alimentos entre os pobres em 170%, venceu 14 eleições (entre eleições presidenciais, referendo e plebiscitos), reduziu a miséria de 19% para 7%, etc. Coisas que qualquer diabo sabe fazer. / Mas para nossa sorte, temos santos latino-americanos também. Santo Uribe, presidente da Colômbia, não fez reforma agrária, não acabou com o analfabetismo, não reduziu a pobreza e prefere permanecer com a guerra civil. Para que liquidar o tráfico de drogas? O que os narizes estadunidenses e europeus vão cheirar na sexta à noite? Se acabar, onde o nosso santo vai explicar toda a omissão em relação às políticas sociais?

Os santos e os diabos estão soltos por aí, desafiando a História e o Tempo. Mas cuidado, pois eles trocam de máscaras sempre que podem.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Micheletti diz que “esquerdismo” de Zelaya influenciou deposição

30/09/2009

Informa a Folha:

“O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta quarta-feira que o fato de Manuel Zelaya, um rico proprietário de terras, ter se tornado ‘esquerdista’ depois de chegar ao governo foi um dos motivos para que fosse deposto, quando tentava mudar a Constituição de uma forma considerada ilegal pela Suprema Corte.

‘Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Daniel Ortega, [Hugo] Chávez, [Rafael] Correa, Evo Morales’, declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes de Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia, respectivamente.

Em entrevista ao jornal argentino ‘Clarín’, Micheletti, ex-presidente do Congresso elevado à Presidência há três meses após a deposição de Zelaya, disse que a posição do presidente deposto ‘preocupou’ as autoridades do país, porque ele ’se tornou esquerdista’ e convidou ‘comunistas’ para compor seu governo.

Indagado sobre a necessidade de promover reformas e mudanças sociais em um país pobre como Honduras –o que é reivindicado por Zelaya– Micheletti comentou que ‘pode haver reformas, inclusive constitucionais’, mas desde que não afetem três pontos: ‘território, forma de governo e reeleição’.

Ele reconheceu, entretanto, que a forma como foi feita a deposição talvez não tenha sido a melhor maneira de punir os crimes atribuídos a Zelaya.

‘Nosso único erro foi tirá-lo [do poder] como tiramos. De resto, atuamos conforme a lei. Ele violava a Constituição ao buscar uma Constituinte para uma reeleição. Se o tivéssemos prendido e deixássemos aqui, teríamos mortos’, argumentou Micheletti”.

Na minha modesta opinião, o Presidente hondurenho, Roberto Micheletti, acerta ao dizer que, à exceção do modo com que Zelaya foi retirado de Honduras, o governo atual agiu em conformidade com a lei hondurenha, ao contrário do que fez Zelaya quando ainda Presidente.

Acontece que este modo foi equivocado demais, absurdo, ilegítimo, o que gerou a vitimização de Zelaya que, se por um lado está muito mais errado do que o governo atual no que tange arroubos, por outro, não merecia de forma alguma ser retirado de sua casa de pijamas e deportado de seu país como ocorreu.

Pois bem. Dito isso, é preciso recriminar Micheletti. Como sempre digo, e repito, o Perspectiva elogia o que é digno de elogios e critica o que é merecedor de críticas, simples assim, sem comprometimentos prévios ou inidoneidades, cumprindo seu compromisso de independência assumido com o leitor.

Micheletti não pode, de forma alguma, achar que acerta ao dizer que o fato de Zelaya ser “esquerdista” justifica sua retirada do poder. Isto não está correto sob nenhuma visão, nenhum ponto de vista.

Zelaya foi retirado do poder, de forma equivocada, é verdade, mas devidamente na essência, por ter perdido o mandato de Presidente e cometido crime previsto pela Constituição hondurenha.

Ao tentar se perpetuar no poder e acabar com a alternância de poder, buscando instalar uma possibilidade de reeleição que, todos sabem, visava favorecer a ele mesmo, Zelaya infringiu preceitos constitucionais hondurenhos que preveem que, feito isto, o Presidente perde seu posto.

Porém, isso nada tem a ver com Zelaya ser “esquerdista”. Se Micheletti comemora a deposição de Zelaya não só por ele ter ido contra a legalidade e pela Constituição prever que a deposição é a punição neste caso, mas, também, por ele ser de esquerda e aliado de Hugo Chávez, peço licença para aqui para agravá-lo.

Zelaya errou em suas atitudes. Suas ideologias nada têm a ver com isso. Poderia ele ser esquerdista, direitista, centrista ou, até mesmo, adepto de uma ideologia marciana desconhecida ou de uma seita política diabólica.

Caiu Zelaya pelo que fez, não pelo que pensa. Foi retirado do poder de forma condenável, sim, mas não indevidamente.

E Micheletti não pode achar que justo é que um Presidente perca o cargo por seus posicionamentos ideológicos, afinal, eleito fora.

Zelaya errou por empreender algo que, em Honduras, é crime punido com perda de mandato. Pura e simplesmente por isso.

Micheletti, que não é golpista por se tratar, sim, do sucessor constitucional, erra, agora, por justificar a queda de Zelaya utilizando-se de critérios ideológicos.

Zelaya já não é por mim estimado. Micheletti agora cai em meu conceito.

Precisa o Brasil fazer cessar o uso político da embaixada brasileira por Zelaya, retirá-lo posteriormente de Honduras, mesmo que para isso seja necessário oferecer asilo em solo brasileiro, e construir condições para as eleições que, tomara, trarão Presidente para Honduras que se comporte melhor que Zelaya e, também, que Micheletti.

Coluna do dia: Incompetência na política externa

29/08/2009

Por Matheus Passos*

Nesta semana, meu colega colunista Raphael Machado Silva escreveu a respeito da falta de experiência dos EUA em lidar com sua atual política externa. O autor cita como exemplos o apoio americano às Forças Armadas da Geórgia, há apenas um ano da guerra entre esta e a Rússia; a falta de tato americano em perceber que não há mais como pressionar o Irã a respeito de armas nucleares; e ainda a atual incapacidade americana em “manter a ordem” no Iraque e no Afeganistão. Sua coluna termina com a seguinte frase: “Talvez seja hora dos EUA começarem a aprender que o mundo mudou e que não lhe é mais possível, hoje, se envolver e interferir em eventos múltiplos ao redor do globo de modo a garantir sua hegemonia [...]“. Podendo cometer o erro da super-simplificação, eu diria que meu colega quis transmitir, com outras palavras, a seguinte ideia: Os EUA estão metendo demais o bedelho onde não são chamados e intervêm de menos onde efetivamente deveriam.

O Brasil é o maior país da América do Sul, disso todos sabemos. Mas talvez o que não tenhamos muito clara é a dimensão de nosso país nesta América do Sul – e não me refiro aqui à dimensão territorial, mas sim, em termos de função política, econômica e até mesmo social. Temos a mania de nos acharmos “subdesenvolvidos” e “atrasados”, pensando que somos os “coitadinhos” que são explorados pelos “malvados” europeus e americanos, mas a realidade é bem diferente: Exercemos, na América do Sul, o mesmo papel de “exploradores” e de “imperialistas” que acreditamos ser da Europa e dos EUA. Para nossos vizinhos, somos os “EUA do Sul”, como me disseram alguns argentinos e uruguaios com quem tive a oportunidade de conversar quando estive nestes países há um ano.

A pequena introdução anterior, com dois temas aparentemente desconexos, tem por objetivo fundamentar a ideia principal da coluna de hoje, qual seja, a de que é uma pena que aquilo que os EUA exercem demais, nas palavras de meu colega Raphael, o Brasil exerça de menos – ou até mesmo não exerça. E claramente não me refiro aqui ao papel imperialista “negativo”, de “explorador”, mas sim ao papel que foi desempenhado por muito tempo pelos EUA (e que acredito que continue sendo desempenhado), ou seja, o papel de liderança e de “guia” a respeito de qual rumo seguir.

Não quero aqui debater a respeito do acordo entre EUA e Colômbia em si – se ele é bom ou ruim para o Brasil e para os demais países da América do Sul. Também não pretendo falar acerca do equilíbrio de poder existente na América do Sul e da distorção que a presença americana em qualquer país da região traz a tal equilíbrio. Tampouco pretendo questionar se a Colômbia tem ou não o direito de permitir a presença dos militares americanos em seu território – tal debate só é feito por aqueles que não tiverem o mínimo de conhecimento a respeito do conceito de soberania. Mas me importa mostrar alguns pontos daquilo que considero como fraqueza da diplomacia brasileira sobre o assunto.

Todos devem ter acompanhado a viagem que Álvaro Uribe, Presidente da Colômbia, fez há duas semanas, por todos os países da América do Sul, para explicar o tal acordo. Os leitores devem ter acompanhado também as últimas tagareladas dos presidentes de três de nossos vizinhos ao norte – Bolívia, Equador e Venezuela – sobre o tão falado acordo entre Colômbia e EUA a respeito da presença de militares americanos em território colombiano para se lutar contra o narcotráfico.

Hugo Chávez e seus filhotes Evo Morales e Rafael Correa soltaram diversos impropérios a respeito da situação. Como exemplo, no dia 26 de agosto Evo Morales sugeriu a realização de um referendo sul-americano sobre as bases na Colômbia, argumentando que tal processo garantiria a “soberania da América do Sul” (parece que o Presidente boliviano não sabe o que significa “soberania”). Rafael Correa também não ficou atrás, afirmando em plena Unasul que a implantação das bases na Colômbia corresponde à transformação da América do Sul no “quintal dos EUA”. Contudo, Hugo Chávez continua sendo o campeão de patacoadas: Ele afirmou que caso o acordo fosse assinado (o que já aconteceu), a Venezuela poderia até mesmo entrar em guerra com a Colômbia, e esta última seria “a única responsável” (parece que Chávez se esqueceu de que comprou diversos armamentos russos nos últimos tempos, militarizando a região). Ele disse ainda que o acordo seria “a semente da guerra” – esta última frase em plena Unasul.

E o Brasil, o que faz nessa situação? Absolutamente nada. Defende a soberania colombiana, mas diz que é necessário debater a eficácia da cooperação entre EUA e Colômbia. E isso é o máximo da política externa brasileira sobre o assunto. O Brasil não tem tomado nenhuma ação contundente na situação e age sempre de maneira reativa, esperando que os outros tomem a iniciativa primeiro para depois se posicionar. Nossos “líderes” se esquecem de que o Brasil é, sim, o País mais importante da região e que a palavra do Brasil tem força. Neste sentido, nosso País poderia efetivamente ser o líder na América do Sul, mostrando o rumo a ser seguido.

Mas não é isso que acontece: Nossa diplomacia deixa a faca e o queijo nas mãos de Hugo Chávez e companhia – não é à toa que o Presidente venezuelano foi visto como o líder mais importante da América do Sul em pesquisa recente, à frente de Lula.

E eu termino a coluna deixando uma pergunta no ar: Até quando continuaremos com uma diplomacia reativa, que espera os acontecimentos internacionais para depois tomar decisões – que, geralmente, se fundamentam em elementos ideológicos, e não, pragmáticos? Enquanto continuarmos assim, continuarei envergonhado da diplomacia do meu País.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Equilíbrio: Se Chávez erra, Uribe também o faz

27/08/2009

O Perspectiva Política sempre primou o equilíbrio, a independência, a sensatez e a coerência. Sempre afirmando que deve-se criticar o que merece ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado, provando que é possível apontar os erros de um lado sem, necessariamente, fazer parte do outro, este blog construiu uma credibilidade que muito me orgulha.

Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que o personagem mais criticado por mim desde sempre é Hugo Chávez. É a ele que dirijo as críticas mais duras e os questionamentos mais contundentes. Não poderia eu, nunca, deixar de repudiar atitudes autoritárias, cooptadoras de instituições, oportunistas, personalistas, ditatoriais e doutrinadoras como as dele.

Acontece que este blog tem o dever, agora, de criticar o Presidente colombiano Álvaro Uribe. E não faço isso apenas para fazer jus ao compromisso de prezar pela justiça. Não. Faço isso pois realmente rechaço o projeto que Uribe empreende.

O Perspectiva Política não poderia, se quer se dizer como um blog pautado nos ideais supracitados, fazer o que alguns outros blogs fazem: Criticar um lado  por certas atitudes e depois fazer vista grossa quando alguém do outro lado realiza atividades semelhantes.

Por isso, é, sim, posição contrária aos arroubos de Álvaro Uribe a do Perspectiva. Isso se dá pois o repúdio a Hugo Chávez não ocorre por conta de uma questão pessoal ou ideológica, e sim, por força da defesa da democracia, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e de tantos outros valores inegociáveis.

Sendo assim, a partir do momento que Álvaro Uribe atenta contra os mesmos valores, seja ele de esquerda, de direita, ou de Marte, ele merece as mesmas críticas. Nada de julgamentos diferentes para o mesmo erro. Nada de parcialidade.

É verdade que prefiro as medidas tomadas por Uribe na Colômbia se comparadas com as de Chávez na Venezuela, Correa no Equador e Morales na Bolívia? É. É correto afirmar que Uribe estaria atentando contra a alternância de poder enquanto Chávez atenta contra muito mais elementos da democracia? Também é. Mas isso nunca causaria ou justificaria uma defesa minha com relação aos equívocos de Uribe. Como nunca acontecerá com político algum.

Portanto, é total o agravo do Perspectiva no que tange a tentativa de Álvaro Uribe de autorizar ele mesmo, através de referendo popular permitido pelo Legislativo, ou seja, com os instrumentos do “kit” chavista, a tentar a segunda reeleição, que lhe daria um terceiro mandato.

Uribe não afirma nem nega que, uma vez permitido o referendo pelo Legislativo e apoiada pela população a hipótese de permissão de mais uma reeleição, ele tentará a vitória novamente.

Porém, todos sabemos que se não houvesse respaldo do Presidente, o projeto não avançaria, até porque Uribe poderia, muito bem, se fosse de sua vontade, desautorizar as manobras.

Fim das contas, merece críticas severas qualquer um que tentar perverter a democracia. Mesmo que seja através dela mesma, como na agenda bolivariana.

Seja Chávez, ou seja Uribe.

Coluna do dia: O fim do PT – Será tempo de um começo para o Brasil?

21/08/2009

Por Yashá Gallazzi*

Ontem o PT oficialmente acabou. Ao atuar de forma clara e incontroversa no sentido de defender e absolver o maranhense José Sarney, aquele partido da estrelinha, que supostamente nasceu sob os auspícios de “mudar tudo isso que tá aí”, deu provas definitivas de que faz parte, justamente, de “tudo isso que tá aí”.

A legenda que inventou o mensalão, possivelmente o maior esquema de corrupção e de ingerência institucional que o Brasil já viu, provou de uma vez por todas que a tão falada bandeira da ética era, para ela, um estorvo. Por isso, os petistas livraram-se dela. Agora, com as mãos livres, podem se dedicar a embalar patriotas da estirpe de Renan Calheiros, Collor de Mello e Sarney.

No que dependia de mim, o PT já estava morto desde o já mencionado mensalão. Mas eu, vocês sabem, sou dito por alguns como apenas um “reacionário conservador”… Assim, ao escândalo da compra de deputados sobreveio a eleição de 2006 e a reeleição de Lula, o Stálin do petismo. As estripulias éticas e políticas da companheirada ficaram, assim, escondidas sob a monstruosa aprovação popular do Presidente-operário, aquele que, parece, não perderia votos nem se aparecesse em cadeia nacional, no horário nobre, assassinando filhotes de golfinhos…

Mas agora, depois de se ensebar nos bigodes de Sarney, falta ao petismo apenas alguém que o empurre em direção à cova. A ligeireza e o apequenamento do discurso político brasileiro deve-se, em grande parte, ao PT e aos seu aliados mais queridos. O partido que, nos anos áureos da oposição, apresentava-se como redentor dos homens, portador de todos os segredos políticos que nos conduziriam a um amanhã glorioso, ocupa-se hoje apenas de atirar sobre os adversários a lama suja onde está atolado até o pescoço.

Os leitores, estou certo, já notaram que um petista não tenta mais se defender de uma acusação. Prefere, em vez disso, apontar o dedo para o outro e dizer: “Mas você também é igual a mim”. E apoiados nessa retórica estúpida – e na base que recebe o Bolsa Família – os “socialistas democráticos” pretendem se aboletar para sempre no poder.

“Socialistas democráticos”, eu disse… Sim, com aspas mesmo. Isso porque sempre que alguém junta na mesma frase as palavras socialismo e democracia, sou tomado por um ataque de risos. Vamos lá: Desafio qualquer um a me mostrar uma – “umazinha” só! – experiência política do mundo que fosse a um só tempo socialista e democrática. Vou além: Apontem um só pensador ligado ao socialismo que tenha defendido a democracia. Pois é, não há… E isso, que pode parecer, a princípio, tão vago, vem revelar a real natureza do petismo e da sua gente. São inimigos figadais da democracia e do sistema de liberdades individuais, por isso estão sempre empenhados em solapar as bases institucionais democráticas. Foi o que fizeram no mensalão, na Petrobras, nas várias CPIs, no loteamento partidário da máquina pública, na tentativa de censurar a imprensa, na aproximação com ditaduras das mais sanguinárias. É o que fazem, agora, ao abraçar Sarney.

O maranhense, que foi se eleger pelo Amapá, não merece nenhum apoio político! Deveria renunciar ao mandato só pelo simples fato de ter escrito “Saraminda”, uma história onde a heroína é uma prostituta, cujos mamilos excitavam até os cães. Já em razão da publicação de “Brejal dos Guajas”, Sarney mereceria o impeachment, como bem lembrou o sempre sagaz Millôr Fernandes. Mas o PT – cujos conhecimentos acerca da democracia são diretamente proporcionais àqueles literários – decidiu passar para a posteridade como o partido responsável por manter viva a elite política mais atrasada e ranhenta que jamais vagou sobre estas terras. Aquela mesma elite que, segundo o Lula da oposição, “explorou o Brasil durante 500 anos” é agora aliada íntima da turma que deveria mudar o País. E mudou: o Brasil nunca desceu tão baixo na escala moral e ética como nestes anos de governo petista.

“São todos iguais mesmo!”, pode bradar o eleitor mais ligeiro, indignado com a sucessão de escândalos que nos aflige diariamente. Nada mais falso! Houve escândalos de corrupção sob FHC? Claro que sim! E o que aconteceu? Bem, quando ACM foi flagrado violando regras institucionais perdeu o cargo e rompeu, definitivamente, com o governo tucano. O velho baiano, vocês devem lembrar, voltou à ribalta da política sob as asas do… petismo! O mesmo petismo que se dá a contorcionismos mentais no intuito de justificar as peripécias de Sarney, Renan, Collor, Barbalho, Chávez, Correa, Lugo e tantos outros. Experimentem prestar atenção: Quando um aliado do petismo é flagrado, não há sequer aquela patacoada da negação. Parte-se, de pronto, para o ataque: A culpa é da oposição, da mídia, da elite. Qual elite?! Toda a elite que restou no País está abrigada sob os 80% de popularidade que o povo confere a Lula, aquele que é tão preparado para exercer a Presidência, que admite usar os livros como sonífero!

Eis aí a grande – monumental! – diferença entre o petismo e todo o resto: Um petista transgride pela “causa”, ao passo que um opositor o faz porque é bandido.

Toda a arremetida que o PT desferiu contra a República brasileira, na ânsia de se utilizar dela, foi um “movimento friamente calculado” na busca pelo amanhã glorioso. Que amanhã seria esse? Não tenho ideia… Suponho, porém, que lembre muito aquele apresentado por George Orwell, no final do livro intitulado “A Revolução dos Bichos”. E acreditem: Esse final está mais perto do que podemos imaginar! Os bichos já estão no poder e o velho porco Napoleão se apressou em tiranizar tudo e todos.

Antes, prometia nos livrar dos “homens” (as velhas elites oligárquicas). Hoje, vendo os alegres convescotes entre Lula, Mercadante, Ideli, Sarney, Renan e Collor, acho impossível dizer quem é homem e quem é porco: estão todos chafurdando na mesma lama fétida e bolorenta.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: A volta da Doutrina Monroe

18/08/2009

Por Raphael Machado Silva*

Os ânimos nas Américas vêm esquentando, graças à possibilidade de um acordo militar entre Colômbia e EUA, que permitiria a este o uso de sete bases militares colombianas por membros de suas Forças Armadas, além da possibilidade dos EUA investirem 5 bilhões de dólares nessas bases nos próximos anos. A finalidade declarada desse acordo é o combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC, que assolam a Colômbia. O acordo será exposto em detalhes pelo presidente Uribe, da Colômbia, em uma reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), mas as próprias negociações prévias já causaram um novo rompimento de relações entre o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o Presidente Uribe.

Isso não é de surpreender, se tivermos em mente o fato de que, apesar de toda a diplomacia e disfarces, Hugo Chávez, e seu “camarada”, o Presidente Rafael Correa do Equador, são fortes apoiadores da “luta” das FARC, já havendo declarado afinidade ideológica pelas mesmas, além de provavelmente estarem fornecendo outros tipos de ajuda. Não custa nada lembrar, também, que as FARC, assim como Chávez e certas autoridades brasileiras que prefiro não mencionar, são membros do obscuro “Foro de São Paulo”, que visa coordenar os projetos socialistas na América do Sul.

Porém, há mais por trás desse acordo do que o que está sendo explicitado. Principalmente, no que concerne os interesses americanos no mesmo. Segundo Chavez, o real interesses dos americanos na utilização dessas bases colombianas está na possibilidade de usá-las para realizar alguma intervenção na Venezuela, de modo a ganhar acesso ao abundante petróleo da região.

Mas isso ainda é pouco. Há algo de caráter ainda mais estratégico em operação. Nesse momento, os EUA são odiados por todo o mundo islâmico, mesmo pelos países que se dizem seus aliados. Os países europeus, se aproximam cada vez mais da Rússia, por medo e pelo sentimento anti-americano, muito difundido entre sua população. E a própria Rússia faz demonstrações de força cada vez maiores, visando aumentar a dependência dos países europeus em relação à ela. A África está um caos e boa parte dela já está caindo sob a influência dos chineses, que já controlam várias minas de diamante e de outras pedras ou metais preciosos. Assim, como na maior parte da Ásia, a China é a potência dominante, substituindo os EUA ou o Japão de várias maneiras.

Isso quer dizer, que os EUA estão cada vez mais cercados, desgastados por suas inúmeras guerras e problemas econômicos, além de desprovidos de uma área de influência segura e afastada de rivalidade em relação a outras potências rivais. Restou para os EUA voltarem às suas origens. Voltar à Doutrina Monroe. Restabelecer todas as Américas como sua área de influência direta e total. Porém, os EUA estiveram mais de duas décadas “ausentes” da América do Sul, dado que a queda da URSS permitiu ao país tentar ampliar sua influência sobre todo o globo, momentaneamente sem qualquer possibilidade de rivalidade com alguma outra potência.

Nesse tempo em que os EUA estiveram fora, porém, seu “quintal” virou um caos. E ele não encontrará por aqui líderes tão cooperativos como em outras épocas. Ainda assim, isso não impedirá que os EUA tentem restaurar sua influência na região. Por isso, devemos ficar atentos a uma presença e pressão ainda maiores dos EUA na região, o que pode de fato, aumentar a instabilidade da América do Sul e gerar resultados imprevistos.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Computadores apreendidos das Farc mostrariam envolvimento recente com Chávez

03/08/2009

Informa o O Globo:

“Apesar das repetidas negativas do presidente Hugo Chávez, agentes do Estado venezuelano continuam a apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Como mostra reportagem publicada na edição desta segunda-feira do GLOBO, esses agentes ajudam os guerrilheiros a conseguir armas e até obter carteiras de identidade para que eles circulem livremente por todo o território da Venezuela.

A informação foi descoberta em computadores dos rebeldes apreendidos nos últimos meses e avaliados por agências de inteligência ocidentais. O ‘New York Times’ obteve uma cópia do material encontrado, sob análise de uma das agências.

O material mostra colaborações detalhadas entre a guerrilha colombiana e militares de alta patente e membros dos serviço de inteligência da Venezuela. As evidências contrariam Chávez, que vem fazendo constantes declarações de que seu governo não se relaciona com as Farc.

- Nós não os protegemos – disse o presidente em julho. “

Seria totalmente leviano da parte deste blogueiro querer afirmar a intensidade exata da relação entre as FARC e o Presidente venezuelano Hugo Chávez. Porém, ao mesmo tempo, qualquer pessoa com um mínimo de intelecto e de honestidade intelectual afirma que essa relação, em algum nível, existe.

Que aleguem os mais chavistas que as FARC empreendem uma luta justa, entendimento do qual discordo, mas que não posso retirar das mentes alheias. Que me digam estas mesmas pessoas que elas entendem que as relações entre as FARC e Chávez devem mesmo existir.

Mas não me digam que estas relações não existem, que não há proteção às FARC por parte de Hugo Chávez, que os bolivarianos e as FARC não compõem um grupo político internacional ou, até mesmo, que o fato de Chávez ter sido o intermediário entre as FARC e o governo da Colômbia se deveu à grande capacidade diplomática do caudilho.

Resumindo, defendam uma causa que para mim é indefensável mas não neguem o óbvio.

É óbvio que Chávez, Morales, Correa e as FARC se relacionam. O que são as FARC senão o grupo que representa o chavismo na Colômbia? Isto é claro, cristalino.

Se a causa chavista é legítima ou não, é uma questão de opinião. Eu a condeno, outros a enobrecem. Se as FARC são legítimas ou não, já são outros quinhentos. Trata-se de um grupo sequestrador, assassino. E por isso mesmo Chávez não assume as relações que mantém com a guerrilha. Por mais que na Venezuela esteja ocorrendo uma escalada ditatorial, o regime chavista é muito mais passível de defesa do que a guerrilha colombiana, envolvida, até mesmo, com o tráfico de drogas internacional.

Em suma, ter relações estreitas com as FARC é algo criticável sempre. Por isso, qualquer um que as tiver as ocultará.

Este blogueiro não afirma a intensidade exata das relações entre Chávez e as FARC, mas diz, sem medo de errar, que elas existem e que não são fracas.