Postagens com a palavra-chave ‘Quércia’

Análise: Tuma, Tuma Júnior e as curiosidades da política brasileira

08/05/2010

As principais chapas que concorrerão nas eleições estaduais paulistas estão sendo fechadas.

Romeu Tuma, político de longa data e com considerável cacife, estava tendo dificuldades para se encaixar em uma delas.

Do lado governista, Aloizio Mercadante concorrerá ao governo acompanhado por Marta Suplicy e Netinho de Paula ou Gabriel Chalita tentando o Senado.

Já do lado oposicionista, Geraldo Alckmin tentará manter o PSDB no poder regional acompanhado por Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia tentando a Casa Alta do Congresso Nacional.

Conclui-se que Tuma se viu sem espaço.

Contudo, seu peso político existe, até porque está tentando a reeleição, ou seja, por mais que esteja sem vaga nas chapas principais, é um adversário complicado de derrotar.

Eis que Tuma começou a flertar com candidatos que possuem menores chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes: Paulo Skaf e Celso Russomano.

É neste momento que tomam as páginas dos jornais algumas informações sobre uma investigação da Polícia Federal que aponta suposto envolvimento do filho de Tuma, Romeu Tuma Júnior, com uma máfia de pirataria e contrabando.

Não demorou muito para o efeito colateral surgir: Tuma, o pai, está tendo dificuldades para conseguir espaço em qualquer chapa após a eclosão do escândalo envolvendo o filho.

Resumindo, Tuma se viu colocado de lado pelos grupos majoritários e começou a buscar espaço junto aos candidatos menores para poder fazer frente aos candidatos ao Senado das principais chapas.

Neste exato momento, notícias negativas envolvendo seu filho encheram as páginas dos jornais, sendo elas frutos de uma investigação que já corre há tempos e que durante todo esse período era desconhecida pelo grande público.

Curioso.

Haja verdade nas acusações ou não, o fato é que o momento foi perfeito para alguns.

Parece até proposital.

Chapa tucana em São Paulo está formada: Alckmin e Afif para o governo, Quércia e Aloysio para o Senado

03/05/2010

Está confirmada a chapa da aliança PSDB-DEM-PMDB em São Paulo. Trata-se, na realidade, daquilo que quase todos já esperavam:

Geraldo Alckmin (PSDB) concorrerá ao governo, tentando o seu terceiro mandato no total. Guilherme Afif Domingos (DEM) o acompanha na chapa como Vice.

Para as duas vagas no Senado, a aliança lançará o ex-Governador Orestes Quércia (PMDB) e o ex-Secretário Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

José Aníbal, líder do PSDB na Câmara dos Deputados, abriu mão da pré-candidatura ao Senado, o que pavimentou o caminho para Aloysio.

Resta saber onde o PTB e seu forte pré-candidato ao Senado, Romeu Tuma, entram nessa história.

Se não forem acomodados de alguma forma, o PTB pode procurar o PP e gerar a aliança entre os nomes de Celso Russomano para o governo e Tuma para o Senado.

Russomano não tem chances de vitória, até porque nenhum outro tem a não ser Alckmin, que só perde esta eleição se ocorrer uma catástrofe.

Mas Tuma é mais forte que Aloysio Nunes Ferreira e deve estar contrariado com o desprestígio.

Análise Geral da Sucessão Paulista: PSDB e DEM acertam chapa com Alckmin e Afif – PT vai de Mercadante

25/03/2010


O período de campanha eleitoral vai se aproximando e o cenário sucessório paulista vai se definindo: PSDB e Democratas vão de Geraldo Alckmin e Afif Domingos e o PT vai de Aloizio Mercadante – e não de Ciro Gomes – faltando ainda definir se o PDT ou o PR indicará o Vice da chapa governista.

Já era nítido há algum tempo que Aloysio Nunes Ferreira – preferido pelo Governador José Serra – não conseguiria tomar a indicação tucana ao Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin. Por mais que Aloysio fosse e seja mais bem visto por Serra, Alckmin era e é mais bem visto pelo povo paulista.

Definido o nome de Alckmin, faltava o Vice. Natural que venha do Democratas, parceiro prioritário do PSDB, principalmente em São Paulo. Natural também que seja Afif, segundo nome de mais peso do Democratas paulista, atrás apenas do Prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Alckmin e Afif, que são secretários do governo Serra, devem deixar os cargos em breve para poderem concorrer em outubro, assim como fará o próprio Governador, que passa o cargo para Alberto Goldman, seu Vice, para poder concorrer ao Planalto.

Caberá a Alckmin, também, retribuir a gentileza de Aloysio Nunes Ferreira, que retirou seu nome da corrida estadual em favor dele a pedido de Serra. O ex-Governador que pleiteia retornar ao cargo terá que demover José Aníbal,  líder do PSDB na Câmara dos Deputados, de disputar prévias com Aloysio.

Fica pendente a resolução do problema da acomodação do PTB, que quer lançar ao Senado o já Senador Romeu Tuma. Sendo uma vaga na chapa de Aloysio e estando a outra já prometida a Orestes Quércia em troca do apoio do PMDB à chapa, não sobrará espaço para Tuma. Nessa questão ainda passará muita água por baixo da ponte.

Do lado governista, Ciro Gomes tanto falou mal do PT e, principalmente, da aliança deste com o PMDB que inviabilizou de vez sua candidatura. Fez de propósito. Sabe que sua candidatura em São Paulo seria absurdamente artificial.

Restou ao governo buscar uma alternativa dentro do PT. Aloizio Mercadante, que viria candidato à reeleição no Senado, surgiu como nome provável. Agora, já é dado como certo, abrindo espaço para a candidatura da ex-Prefeita Marta Suplicy ao Senado. Emidio de Souza, Prefeito de Osasco e pré-candidato petista ao governo, já desistiu em favor de Mercadante.

Mercadante provavelmente terá PDT, PR, PC do B, PSL e PRB em sua coligação. O Vice deve sair de um dos dois primeiros. A não ser que o governo consiga convencer o PSB a não lançar o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, como candidato ao governo de São Paulo. Nesse caso, o próprio Skaf pode ser o Vice de Mercadante, em uma frente ampla formada por partidos que a nível federal formam a base do governo.

De certa forma, os esforços do lado governista provavelmente só servirão para fazer bonito e para tentar conquistar as vagas do Senado. Além de Marta Suplicy, será lançado pela coligação outro nome, que pode ser o do cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) ou o de Gabriel Chalita (PSB).

A disputa pelo governo em si já parece resolvida.

Geraldo Alckmin tem tudo para levar mais uma vez o governo do São Paulo e sua vitória parece uma das apostas mais seguras para as eleições deste ano.

Se não for Ciro o candidato governista em São Paulo, Lula prefere Mercadante

01/02/2010

Informa o jornalista Josias de Souza, a respeito do fato de o Presidente Lula preferir o nome do Senador Aloizio Mercadante para ser o representante governista na disputa pelo governo de São Paulo, caso Ciro Gomes não aceite sê-lo ou tenha uma menos provável má recepção do PT paulista:

“Informado pela direção do PSB de que Ciro Gomes não quer disputar o governo de São Paulo, Lula começa a virar a página. O presidente discute, em privado, alternativas a Ciro. Entre todos os nomes disponíveis, Lula pende para o de Aloizio Mercadante.

Líder do PT no Senado, Mercadante declara, em público e entre quatro paredes, que prefere concorrer à reeleição. Natural. Trocando a refrega pelo Senado pela briga estadual, Mercadante largaria o quase certo e se agarraria ao muito duvidoso.

No ringue do Senado, Mercadante está bem-posto. Sondagem do Datafolha divulgada no final do ano passado acomodou-o na liderança. O instituto atribuiu ao líder petista 32% dos votos. Atrás dele vem Romeu Tuma (PTB), com 27%; e Orestes Quércia (PMDB), com 24%.

Na corrida estadual, Mercadante teria de encarar Geraldo Alckmin. O postulante do PSDB frequenta as pesquisas com ares de favorito. Dependendo do cenário, Alckmin belisca índices de intenção de voto próximos ou superiores 50%. Até por essa razão, Lula acha que o PT precisa comparecer às urnas com um quadro do seu primeiro escalão.

Apenas dois nomes se enquadram nesse perfil: além do de Mercadante, o da ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy. Lula diz preferir o primeiro. O presidente repete privadamente um raciocínio que esgrimira em conversa com repórteres no final de 2009. Acha que o petismo comete, em São Paulo, o ‘grave erro de não repetir candidato’. Atribui a esse suposto equívoco a hegemonia do tucanato no Estado.

Em 2006, Mercadante disputou o governo paulista. Ficou em segundo. Obteve coisa de 32% dos votos. Com 58%, o tucano José Serra prevaleceu no primeiro turno. A presidenciável Dilma Rousseff está, por assim dizer, a pé em São Paulo. Daí a inquietação de Lula.

Por razões óbvias, o presidente considera essencial erguer um palanque competitivo para Dilma no maior colégio eleitoral do país. Apostara em Ciro. Sem ele, afora Mercadante e Marta, há no PT um leque de nomes que oscilam nas pesquisas próximos ou abaixo dos 5%.

O principal deles, o deputado Antonio Palocci, foi convidado a integrar a coordenação da campanha de Dilma. E saiu de fininho do córner paulista. Lula refuga os outros três nomes: Emidio de Souza, prefeito de Osasco; Fernando Haddad, ministro da Educação; e o senador Eduardo Suplicy. Quanto a Haddad, Lula prefere que permaneça na Esplanada. Suplicy ainda não teve seu nome testado em pesquisas. Mas não dispõe do voto de Lula, o eleitor número um do PT.

Resta saber se, espremido por Lula, Mercadante vai trocar o quase certo pelo duvidoso. Como se sabe, o senador não costuma lidar bem com pressões do Planalto. No auge da crise do Senado, anunciara uma renúncia ‘irrevogável’ à liderança do PT. Ante um pedido de Lula, Mercadante revogou o ‘irrevogável’.”

Se Lula não conseguir realmente acomodar Ciro Gomes na disputa paulista, servindo-se dele como língua de aluguel – e afiada – contra José Serra, poderemos conferir se Mercadante atende ou não ao pedido do Presidente.

Caso levemos em conta que em 2006 Mercadante continuaria Senador se perdesse para Serra e que, agora, ficará sem mandato se perder, poderemos chegar à conclusão de que ele recusará.

Contudo, se utilizarmos como parâmetro o caso do irrevogável revogado, talvez tenhamos a impressão de que Mercadante faz o que Lula manda. E fim.

A ver.

Quércia é reeleito presidente do PMDB em São Paulo

14/12/2009

Informa o Portal UOL:

“Apesar da inesperada concorrência de última hora, o ex-governador Orestes Quércia foi reeleito neste domingo (13) presidente do PMDB em São Paulo, sinalizando que colocará a sigla no Estado ao lado da eventual candidatura de José Serra (PSDB) ao Palácio do Planalto. Ele venceu a disputa com o deputado federal Francisco Rossi por 88% a 12% –número que também lhe permite montar integralmente a Executiva paulista do partido

[...]

Caso obtivesse mais de 20% dos votos, Rossi poderia indicar membros do Diretório Estadual em 2010, o que poderia interferir na autonomia que Quércia tem tido para determinar os rumos do PMDB de São Paulo. Mas isso não aconteceu.”

Estará mantida a aliança entre o PMDB-SP e a oposição em 2010. Apenas uma candidatura própria peemedebista, remota possibilidade, retira o PMDB paulista de Quércia da órbita de Serra na corrida presidencial.

Requião oficializa pré- candidatura à Presidência em 2010

01/12/2009

Informa o Globo:

“Cercado por um grupo de peemedebistas históricos que estão fora do comando do partido, o governador do Paraná Roberto Requião oficializou nesta terça-feira, junto ao Diretório Nacional, a inscrição para disputar como candidato à sucessão do presidente Lula.

[...]

O anúncio da oficialização da inscrição de Requião como candidato a presidente foi feito no Senado, ao lado do senador Pedro Simon (RS), um dos incentivadores da idéia, e do eterno presidente de honra Paes de Andrade.

Mas as lideranças governistas do PMDB ignoraram e minimizaram qualquer impacto político. Mesmo porque, o principal articulador da candidatura com o intuito de rachar a convenção prevista o ano que vem, o ex-governador Orestes Quércia, não compareceu.

Em carta lida por Paes de Andrade, Quércia diz que abandonará a candidatura de José Serra, do PSDB, para apoiar uma candidatura própria de seu partido. Além de Simon e Paes, estavam lá os deputados Ibsen Pinheiro (RS), Darcisio Perondi (RS), Rocha Loures (PR), Edinho Bez (PR), Eliseu Padilha (RS) e o senador Neuto de Conto (PR). Representantes de 15 diretórios assinaram moção defendendo a candidatura própria, e Padilha diz ter se reunido com 24 diretórios que apoiaram a tese. O próprio Requião admitiu que estava ali ao seu lado ‘uma espécie de exército brancaleone’. Sem muita efervescência, Simon chegou a cochilar.

- Num jantar como que aconteceu no Alvorada, podem decidir no máximo a sobremesa, nunca a vida, o futuro e a história do maior partido desse país – discursou Requião, completando que não se podia aceitar uma aliança não programática, apenas para dar emprego a meia dúzia de pessoas.”

O próprio Roberto Requião diz que se trata de uma “espécie de exército brancaleone”, ou seja, um grupo que é idealista, mas que está provavelmente fadado ao insucesso.

É uma verdade? É! Requião tem chance de se tornar candidato do PMDB à Presidência? Pouquíssima. Requião tem chance de vencer em 2010? Menos ainda.

Contudo, quem foi que disse que ganhar é tudo? Quem foi que afirmou que pré-candidaturas só são válidas se forem vitoriosas?

Acredito que Roberto Requião é um político que, embora tenha suas falhas, merece ser respeitado. Tanto é que vejo a sua pré-candidatura com bons olhos.

Creio que ela não tem chance alguma de vingar, porém, é saudável, é expressão do que deveria ser feito.

O PMDB, hoje comandado por um grupo de políticos fisológicos, que mantém sob controle uma federação de caciques através de um loteamento de cargos e espaços políticos, só poderia um dia reviver os tempos do Dr. Ulysses se trocasse as alianças interesseiras por atitudes como a de Requião.

O Perspectiva é a favor da pré-candidatura do Governador do Paraná. É a favor, até mesmo, da remota possibilidade de ele concorrer em 2010.

Não sei se votaria nele para Presidente, mas seria ótimo tê-lo como candidato e, principalmente, ver um PMDB diferente, que é subjugado dia após dia, dando a cara a tapa.

PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos estados

26/11/2009

Comentou este blogueiro que vos fala recentemente:

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Pois bem. Confiram o que informa o Estadão:

“No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados. A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

[...]

Pelos cálculos do PMDB, os insatisfeitos e adversários tradicionais dos petistas somam 410 dos 805 votos de convencionais que vão às urnas para decidir se querem se aliar ao PT ou deixar o partido ’solto’ na corrida presidencial, para que cada Estado faça a dobradinha que quiser.”

O Perspectiva vem desenhando quadro fiel das negociações entre PT e PMDB.

PT e PMDB: Parceria complicada

25/11/2009

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Inclusive a própria pré-candidata Dilma Rousseff e o Presidente do Senado, José Sarney, admitem sem cerimônias que os acertos estaduais são difíceis. Dilma Rousseff que considera difícil que uma eventual aliança nacional do PT e do PMDB em torno da sua possível candidatura à sucessão do presidente Lula seja reproduzida nos Estados. Sarney a respaldou e afirmou que as duas legendas devem ter palanques distintos em Estados onde não há possibilidade da aliança se efetivar.

Em resumo, o PMDB tem, nacionalmente, três caminhos: Caminhar com o governo, caminhar com a oposição ou caminhar sozinho, pelo menos, no primeiro turno.

Excetuado o caminho da candidatura própria, nenhum deles deverá ser respaldado pelos diretórios de todos os estados. Nos dois casos, caminhe o PMDB com o PT ou com o PSDB, existirão dissidências.

Além delas, aonde não ocorrerem dissidências quanto à corrida presidencial, ainda existirá a possibilidade de uma candidatura do PMDB ao governo do estado em questão que se oponha ao aliado nacional, seja ele qual for.

Essa é a complicação que demonstra como o PMDB nada mais é do que uma federação de caciques.

É a mesma complicação que permite ao PMDB ser o maior partido do Brasil, fato que a mantém viva, e que dá ao PMDB o grande tempo de televisão que, na realidade, é o que mais interessa a todos os presidenciáveis.

Aliança PT-PMDB: Cobranças, acordos e possibilidades

05/11/2009

Informa o Globo:

“Em reunião ontem de manhã, o PMDB deu mais um ultimato ao PT para que o partido resolva os impasses nos estados até dezembro. Caso contrário, advertiram os peemedebistas, a aliança em torno de Dilma Rousseff sofrerá abalos, já que a ala oposicionista do partido sairá fortalecida.

Entre as prioridades do PMDB estão Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde o partido quer a retirada das candidaturas petistas.”

O trecho reproduzido acima confirma o que vem dizendo este blogueiro que vos fala: O pré-acordo entre PT e PMDB é um grande passo para a aliança formal entre os dois partidos em 2010, porém, não torna esta aliança fato consumado. Em suma, a união dos partidos ainda não é definitiva.

A realidade é que a estratégia inicial do PT e do PMDB governista era conseguir os consensos nos estados para, mais tarde, sacramentar a união nacional que representa, pelo menos, uma conexão formal, já que muitos diretórios regionais do PMDB estarão, invariavelmente, com a oposição.

Acontece que os consensos nos estados foram se mostrando, como já era de se esperar, extremamente difíceis. Com isso, a estratégia mudou. O entendimento das cúpulas foi adiantado para pressionar os entendimentos regionais. Portanto, o pré-acordo existe para tentar forçar uma aliança real, não sendo fruto de uma, como alguns imaginam.

É por esse motivo que a aliança formal entre PT e PMDB, que daria o gigantesco tempo de televisão do PMDB para a candidatura de Dilma Rousseff, não pode ser dada como favas contadas. Se por mais que o advento do pré-acordo pressione os entendimentos regionais, eles não forem atingidos, a união pode ir por água abaixo.

Tanto os peemedebistas governistas como os oposicionistas sabem disso. Cada grupo joga de um lado, tentando unir ou desunir PT e PMDB nos estados respectivamente.

O próprio Ministro da Defesa Nelson Jobim, teoricamente governista, embora seja um dos poucos políticos brasileiros que almoça com Lula e janta com Serra, afirmou que as dificuldades regionais entre o PT e o PMDB podem atrapalhar a aliança nacional dos dois partidos, apesar do acordo de cúpula fechado no mês passado.

Essa análise de Jobim é ou não é a apontada como correta pelo Perspectiva?

Sim, é. Tanto é que a comissão escalada pelas cúpulas do PMDB e do PT para tentar um entendimento nos Estados em que os dois partidos estão em disputa aberta faz sua primeira reunião na manhã desta quinta-feira, na sede do PT em Brasília.

Michel Temer e os peemedebistas governistas torcem pelo sucesso dessa comissão, que fortaleceria a união entre PT e PMDB e poderia garantir, para Temer, a vaga de Vice-Presidente na chapa do governo.

Orestes Quércia e os peemedebistas oposicionistas fazem figa pelo fracasso da comissão, que poderia, pelo menos, fazer do PMDB um partido em cima do muro em 2010 até mesmo formalmente, liberando totalmente os caciques regionais da legenda para fazerem os acordos e alianças que bem entendem.

O PMDB está mais próximo de Dilma, é verdade. Prova disso é o fato de que os dilmistas lutam para que a legenda esteja com a Ministra, enquanto os serristas já brigam apenas para que o partido não esteja com ninguém.

Contudo, ainda existe indecisão entre estes pontos. Indecisão essa que só se resolverá totalmente na Convenção do PMDB no ano que vem.

Ambos os lados apostam suas fichas no embate que se travará até lá.

PMDB governista de olho em movimentação de Quércia

27/10/2009

Este blogueiro já disse e repete:

Por mais que já exista um pré-acordo entre o PT e o PMDB governista, visando as eleições de 2010 e um entendimento em torno da candidatura de Dilma Rousseff, os peemedebistas oposicionistas, liderados por Orestes Quércia, aguardam as pesquisas.

Eles acreditam que, se Dilma cair mais e mais, poderão convencer os peemedebistas mais indecisos a não referendar o apoio à Ministra na Convenção do partido que oficializará o posicionamento para as eleições de 2010.

Em suma, os peemedebistas que defendem a aliança com a oposição, e até alguns dos indecisos, não dão nada como definido. Sabem, e acertam nisso, que se por um lado o PMDB está muito próximo do PT, por outro, tudo muda se o PMDB perceber que, estando perto de Dilma, está longe do poder.

É por isso que Orestes Quércia continua a se movimentar. Se conseguir o que quer, o PMDB estará ou com Serra, ou com nenhum candidato, em 2010. Se não conseguir, pelo menos terá, na sua visão, garantido que alguns diretórios regionais peemedebistas apóiem a oposição.

Por conta dessa movimentação, o PMDB governista abre os olhos. Quer podar Quércia, através de acertos ligeiros no planos das alianças estaduais. Quanto mais estados o PMDB governista conseguir enquadrar na relação PT-PMDB, menos poderão ser ganhos pela relação PSDB-DEM-PMDB.

Aparentemente, alguns diretórios estaduais estão muito próximos dos tucanos, como Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PMDB governista tentará alguma coisa nestas regiões também, porém, se for possível apenas reunir todos as outras, se dará por satisfeito.

É por isso que o PMDB nacional cobra a cessão de espaços rápida do PT. Quer poder dizer aos seus correligionários mais regionalizados: Estão vendo? Eles nos estão dando isso tudo! Fiquemos com eles!

Enquanto isso, Quércia passa dizendo no outro ouvido: De que adianta se aliar a um grupo que hoje está no governo, mas que amanhã estará derrotado? Olhem as chances de Dilma!

Este é o bom e velho PMDB, unido como água e óleo.