Postagens com a palavra-chave ‘Publicidade’

Governo desrespeita lei e aumenta gasto com publicidade em 20% em ano eleitoral

19/01/2010

Informa a Folha:

“Contrariando limites impostos pela legislação eleitoral, o governo Lula prevê o aumento de 20% dos gastos de publicidade no ano da eleição do seu sucessor. Os números estão na lei orçamentária, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionará nesta semana, com autorizações de gastos para 2010.

A Lei Eleitoral determina que, em ano de pleito, as despesas com publicidade dos órgãos públicos não podem ultrapassar a média dos três anos anteriores ou o valor gasto no ano imediatamente anterior. O limite do governo federal leva em conta ainda os gastos das empresas estatais, cujos números ainda não estão disponíveis.

A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que o governo não usará integralmente as autorizações de gastos para 2010, de forma a respeitar os limites impostos pela legislação eleitoral.”

Muito mal contada essa história de que o governo não usará integralmente as autorizações de gastos, visando respeitar os limites impostos pela legislação. Ora se o gasto será sabidamente menor, por que a previsão orçamentária? Por que reservar recursos que já se sabe não serão usados, impedindo que eles auxiliem no financiamento de ações em setores prioritários como saúde, educação, saneamento e segurança?

Muito estranho.

Soa muito mais como desculpa esfarrapada, dada para encobrir o fato de que o governo vai, sim, desrespeitar os preceitos legais por debaixo dos panos, gastando mais do que poderia em propaganda, visando melhorar a imagem da gestão e, consequentemente, aumentar as chances de vitória da Ministra Dilma Rousseff.

Pelo visto, os gastos serão, sim, mais elevados na área de propaganda. E o fato de isso se dar em ano eleitoral não é nem de longe mera coincidência.

Merece ser criticado.

Sérgio Cabral e Eduardo Paes: Muita propaganda e pouco trabalho

06/11/2009

Como todos sabem, o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é, hoje, protegido do Governador Sérgio Cabral. Paes traiu suas convicções e discursos do passado para, deslumbrado com a possibilidade de ser Prefeito, se aliar a Cabral. Hoje, a Prefeitura é extensão do Governo do Estado, algo triste para um município historicamente independente e impetuoso como o Rio.

Pois bem. E não é que Eduardo Paes resolveu mesmo seguir os passos de Cabral à risca? O Prefeito carioca decidiu implantar um sistema muito bem conhecido pelo governo do estado do Rio: Muita propaganda e pouco trabalho.

Duvidam? Vejam o que informa Lauro Jardim, na Veja:

“Eduardo Paes pretende gastar 120 milhões de reais da prefeitura do Rio em publicidade. É um salto e tanto. A previsão para os próximos dois anos é 32 vezes maior que  os 3,7 milhões de reais gastos por seu antecessor, Cesar Maia, durante todos os quatro anos de seu último governo.”

Trinta e duas vezes mais publicidade que o antecessor? Seria bom averiguar no livro dos recordes para ver se já existe algo igual. Talvez tenhamos um fenômeno. Dos ruins, claro.

E pensar que o jingle de Eduardo Paes dizia: “Leva o Rio pro rumo certo”…

Em tempo: Para aqueles que querem mais esclarecimentos do porquê de elevar a verba de publicidade representar seguir os passos de Sérgio Cabral, basta conferir a imagem abaixo, que circula na internet, retirada do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, portanto, de domínio público.

diariooficialverbas1

É isso mesmo, meus caros.

Enquanto Eduardo Paes gasta trinta e duas vezes mais que o antecessor em publicidade, Sérgio Cabral transfere 10 milhões de reais da saúde – eu disse saúde! – para a Comunicação Social do governo.

Talvez estejamos começando a entender a benevolência da imprensa fluminense com esses peemedebistas, que não poderiam, diga-se de passagem, pertencer a outro partido. Bom, mas isso é outra história…

Coluna do dia: Crônica – A teletela, a verdade e a mentira

08/10/2009

Por Felipe Liberal*

Lá pelos idos de 1948, um “feiticeiro” inglês de nome mentiroso chamado George Orwell, escreveu um livro que abalou o mundo e pouca gente conhece. A obra 1984 parece ser um livro de magia, uma previsão de um tempo triste, onde nós somos dominados por um regime invisível chamado de Grande Irmão (Big Brother) e vigiados por uma caixa de madeira que dita ordens, a Teletela. Apelidada por nós, humanos e mortais, de televisão, a caixa de madeira ganhou força, move montanhas, abre mares e define quem vive e quem morre.

Deus inventou a mediocridade humana e o Diabo inventou a televisão (ou foi o contrário?), esta que caminha de mãos dadas com a publicidade e a propaganda. Mas a televisão mata? A publicidade assassina?

Alguém sabe que a empresa inglesa Hugo Boss vestiu o exército nazista no front de batalha e nos campos de concentração? Você sabia que os prisioneiros dos campos de concentração nazistas trabalharam – de graça – nas fábricas da Volkswagen, BMW, Siemens, Bosch e Krupp? E que os aviões nazistas voavam com o combustível da Standard Oil e seus soldados viajavam em caminhões e jipes da Ford? Não sabia? Claro que não! A publicidade escondeu tudo e comprou todos, levando ao saldo de cinco milhões de vidas queimadas, torturadas e humilhadas nos campos de extermínio.

A televisão não mostrou quando, em 1979, o arcebispo de El Salvador, Oscar Romero, viajou para o Vaticano mendigando uma audiência com o Papa João Paulo II para denunciar as atrocidades que o regime militar de direita estava fazendo com a população salvadorenha. Ninguém ouviu nada. Oscar também bateu na porta de várias emissoras de televisão da Itália, mas ninguém ligou. Sem falar das omissões das emissoras brasileiras durante o nosso regime militar, favorecendo todas as torturas e desaparecimentos.

Em 1984, ninguém ouviu e nem soube dos “gritos de pavor” de Leonardo Boff dentro dos calabouços do Vaticano, quando a Santa Inquisição (agora com um nome mais discreto – Congregação para a Doutrina da Fé) o chamou para indagar sobre sua tentativa de salvar os pobres da América Latina. A Igreja do Medo e a televisão vivem ansiosas para cravar na cruz qualquer “filho de carpinteiro”, desses que andam pelo mundo influenciando pessoas e chateando impérios.

Quando a televisão e a Renault, na década de 90 do século XX, esconderam os níveis de poluição em Paris (causados principalmente pela emissão de gases dos carros), morreram dezenas de pessoas por problemas respiratórios. Se a mídia mostrasse todas as atrocidades cometidas contra os palestinos nas redondezas do Estado de Israel, milhões de vítimas poderiam ser evitadas.

O novo EUA, versão 2009, já fez três intervenções militares, onde causou mais de 200 mortes, em apenas cinco meses de governo do Presidente muçulmano Barack Obama. Sem esquecer as 73 intervenções que fez o “Presidente da paz”, Bill Clinton, durante seu governo. Apenas duas de todas essas intervenções foram divulgadas. Sobre Bush, prefiro não comentar, pois nem a TV conseguiu esconder as milhões de vítimas no Oriente Médio.

A “caixa de madeira” não mostrou nem metade das atrocidades que estão sendo cometidas em Honduras, pela extrema-direita que tomou o poder. Líderes contrários ao golpe estão sendo torturados em galpões nos arredores de Tegucigalpa. Há fortes acusações de pessoas ligadas aos militares, de que integrantes do novo governo estariam enviando maletas de dinheiro para as emissoras de televisão dos países vizinhos e de dentro de Honduras, para amenizar as notícias sobre a matança e as torturas dentro do país.

São inúmeras as notícias que não existem, ficaria eu o dia todo escrevendo, que mesmo assim não teria fim. Não existem, porque não são transmitidas pela caixa de madeira. Vivemos em um mundo virtual, camuflado e mentiroso. O mundo real e verdadeiro está em outro lugar, inacessível e desconhecido.

Se você, caro leitor, for ao lugar mais distante, remoto e pobre do planeta, provavelmente encontrará um televisor, erguido como um troféu nas casas de barro de pessoas famintas, e nas telas, aparecerá a liberdade que é você escolher entre Johnnie Walker rótulo preto e Chivas Regal. A Coca-Cola mostra o caminho da felicidade. O leite artificial da Nestlé oferece saúde eterna. As camisas da Hugo Boss, distinção e charme. Os carros da Volkswagem dão uma nova vida e os cartões Master Card, riqueza.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Aécio critica “populismo” de Lula e quer coluna da oposição

13/07/2009

“Aécio critica ‘populismo’ de Lula e quer coluna da oposição”

Informa a Folha na reportagem citada acima:

“O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), criticou ontem atos ‘populistas’ do governo Lula e pediu que os 94 jornais que publicam coluna do presidente também deem espaço para a oposição.

Aécio, um dos possíveis candidatos tucanos à Presidência, disse que sugeriu isso a líderes do DEM –recebidos ontem por ele– e do PSDB. Pediu que tentem conseguir espaço nos jornais para a oposição se posicionar sobre os mesmos assuntos tratados pela coluna de Lula.

O mineiro disse, em entrevista, que o país precisa de ‘gestão pública mais qualificada e menos populismo’, citando o PAC e a publicidade do programa Luz para Todos. Então foi questionado se considerava a coluna de Lula um ato populista.”

Acredito que a Presidência tenha o direito de empreender este projeto das colunas do Presidente Lula, afinal, é correto que ela tenha este canal de comunicação com o cidadão humilde. Enfim, não vejo com maus olhos a iniciativa em si.

A coisa só mudará de figura a partir do momento em que a Presidência utilizar este meio para atingir objetivos não muito louváveis como a promoção pessoal do Presidente Lula, a promoção política do governo e do PT, a promoção da candidatura da Ministra Dilma Rousseff, etc. Em suma, a coluna deve ser um canal administrativo, institucional, e não, político.

Sendo assim, acredito que a oposição não deve reclamar da coluna do Presidente se ela não extrapolar as aconselháveis limitações. Cabe à oposição procurar seu espaço na imprensa, que já é considerável, e fazer o discurso de contraposição que desejar fazer. A coluna “O Presidente Responde” só será criticada por mim se for utilizada como arma política.

Sinceramente, acredito que isso vai acontecer em breve, porém, como ainda não ocorreu, dou o benefício da dúvida e mantenho a esperança, entendendo que a oposição não pode reclamar com antecedência, até porque o setor que hoje se encontra na oposição sempre teve mais vez na mídia. Resumindo, não há desequilíbrio. Pelo menos não ainda.

Há desequilíbrio no que tange as pré-candidaturas à Presidência. Mas esse problema é da oposição que não se decidiu ainda no que diz respeito ao candidato, e não, da imprensa.

Quanto ao PAC, ele realmente está se mostrando um factóide no que concerne algumas obras. Alguns projetos estão andando, porém, a maioria caminha muito lentamente ou nem caminha. A coisa fica mesmo com cheiro de populismo e de marketing barato, daqueles que só visa ganhar votos, sem se preocupar com o conteúdo das promessas.

Aécio está correto nesta crítica. O PAC quase inexiste no mundo real. O do setor aéreo, por exemplo, não “decola”, como pode ser conferido em reportagem do jornal Correio Braziliense, clicando aqui.

MP pede anulação de atos secretos do Senado

15/06/2009

“MP pede anulação de atos secretos do Senado e devolução dos recursos pagos a funcionários da Casa nomeados de forma irregular”

Corretíssima a posição do Ministério Público, afinal, os atos secretos do Senado não atentam apenas contra a moral e a ética, atacam também a legalidade.

O princípio da publicidade, um dos basilares da administração pública e que perpassa todos os Três Poderes, garantindo que a população tome sempre ciência dos atos empreendidos pelos que a governam, foi totalmente desrespeitado.

Sendo assim, podemos questionar totalmente estes atos alegando um vício completamente insanável. Pelo menos é assim que enxergo do alto dos meus modestos conhecimentos de estudante de Direito.

Por isso, lutemos: Anulação já! E punição dos culpados! É difícil acreditar que isso tudo ocorrerá, mas não podemos nos furtar de requisitar e acreditar.

Em tempo, foi descoberto mais um ato secreto que beneficia a família Sarney. Mais uma sobrinha estava na mamata. Dessa vez foi Maria do Carmo, sobrinha de Marly Sarney, mulher do presidente do Senado.

Após demissão de neto de Sarney, mãe herdou vaga

11/06/2009

“Após demissão de neto de Sarney, mãe herdou vaga: Exoneração, que coincidiu com regra antinepotismo, foi feita em ato secreto”

Chegou recentemente ao conhecimento de nós, cidadãos, que um neto do ex-Presidente e Senador José Sarney foi nomeado por ato secreto do Senado para um cargo no gabinete do Senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), aliado político de José Sarney.  Mais tarde, ele foi exonerado também por ato secreto.

Como informa o Estadão, A nomeação do estudante João Fernando Michels Gonçalves Sarney foi revelada na edição de ontem do Estado. O caso veio a público graças ao surgimento de 300 boletins secretos em que parentes e amigos de senadores eram nomeados para cargos no Senado sem que seus nomes aparecessem em publicações oficiais. Um absurdo total e um acinte ao Princípio da Publicidade que deve reger, juntamente com outros, todos os Três Poderes.

A demissão do garoto foi publicada num desses boletins, o que, à época, permitiu que a contratação passasse despercebida. João Fernando, de 22 anos, é filho do empresário Fernando Sarney, primogênito do senador. Nasceu de um relacionamento do empresário com a ex-candidata a Miss Brasília Rosângela Terezinha Michels Gonçalves.

Pois bem. Chega ao conhecimento do grande público agora mais uma informação que seria cômica se não fosse trágica.

A exoneração coincidiu justamente com o advento da regra que combate o nepotismo, ou seja, o neto de Sarney foi retirado por conta da previsão de que os efeitos desta lei pudessem atingí-lo, e não, por qualquer retorno à regência da moralidade.

Sendo assim, é até óbvio que se espere, infelizmente, que chegue ao nosso conhecimento a notícia de que foi encontrada uma forma de continuar dando dinheiro ao garoto sem que ele fosse funcionário do gabinete do Senador Epitácio Cafeteira.

Pois a espera já terminou. O Estadão informa que no lugar deixado pelo neto de Sarney entrou ninguém menos que a mãe do jovem.

Sensacional, não?

Enquanto isso, na noite de ontem, ao mesmo tempo em que esse novelo ia se desenrolando, Sarney apadrinhava a filha de Agaciel Maia em seu casamento.

Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando. É o mesmo Agaciel Maia que deixou o cargo de Diretor-Geral do Senado por estar envolvido em diversas falcatruas e que foi nomeado para o cargo em uma presidência da Casa de, pasmem, José Sarney.

 

 

Absurdo: Senado acumula mais de 300 atos secretos que criam cargos e nomeações

10/06/2009

“Senado acumula mais de 300 atos secretos para criar cargos e nomear: Parentes de políticos ganharam cargos sem que seus nomes fossem divulgados em publicações oficiais”

“Neto de Sarney foi beneficiado: Rapaz recebeu salário de secretário parlamentar durante 18 meses”

Existe um princípio que, por conta da lei e da moralidade necessária ao exercício de qualquer cargo público, deve reger, juntamente com outros, todos os atos dos Três Poderes.

Este princípio é o da publicidade, que prega que todos os atos sejam públicos e informados, de alguma forma, aos cidadãos, já que estes são, na realidade, os que desembolsam toda a quantia que virá a ser gasta através destes atos.

Acontece que, pelo visto, a publicidade está se tornando, vergonhosamente, uma mera formalidade que pode ser ignorada sem maiores problemas.

Absurdo total!

Já estamos chegando a um ponto onde princípios basilares são desrespeitados.

A única esperança que tenho é a de saber que o cenário não é irreversível e que, em alguns âmbitos, embora sejam poucos, está melhorando.

Governo gasta 1 bilhão em 2008 com eventos

01/04/2009

Conta Claudio Humberto:

“Os gastos do Congresso Nacional, que espantam a opinião pública, não chegam perto, por exemplo, das despesas do Governo Lula na promoção de eventos. [...] Só em 2008, o governo torrou quase R$ 1 bilhão em contratos com empresas de eventos. [...] Antes gastos do governo com eventos eram uma pequena parte da verba publicitária. Hoje, na era Lula, têm valores idênticos.”

E o dinheiro, lembrem-se sempre, é nosso.

Petrobras em Manchester

04/03/2009

“Petrobras confirma negociação para patrocinar Manchester”

A Petrobras, por ser uma empresa de economia mista, realmente deve se comportar de modo capitalista e buscar novos mercados, sendo assim, uma publicidade que sirva para esse fim, tendo uma boa relação custo/benefício é muito válida.

Na Argentina, a Petrobras gasta um dinheiro que é, em parte, meu e seu, para patrocinar o River Plate. Para mim, isso, em teoria, se justifica pelo fato da ascendente influência da empresa no mercado argentino na comercialização não só de combustíveis como de outros produtos como lubrificantes.

No Brasil, onde a participação no mercado é enorme, a empresa patrocina o maior clube em torcida, o Flamengo.

Porém, na Inglaterra, não sei até que ponto chega a penetração da Petrobras, e mais, não sei se existe espaço para essa penetração caso ela não exista e seja cobiçada, tendo, como indício disso, essa vontade de patrocinar um grande clube do país.

Se a exposição na camisa de um clube como o Manchester der certo, não só para a Inglaterra, como para a Europa e o mundo, terá sido dinheiro bem gasto. Porém, se não adiantar, terá se jogado fora, em uma iniciativa um tanto inovadora para uma empresa brasileira e arriscada, uma grande quantia de dinheiro, já que imagina-se que o preço pedido por um time como o Manchester United seja alto, que advém, de alguma forma, do nosso bolso.

Há que se analisar com cuidado.

A propaganda da Sabesp

08/01/2009

Há uns dias atrás, logo após assistir uma reportagem sobre a Corrida de São Silvestre, acabei por assistir também um comercial da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Minha primeira reação foi estranhar o fato, já que eu resido no Rio e estava assistindo à programação da Rede Globo para o Rio de Janeiro. Depois, parei para pensar e percebi que a propaganda poderia se justificar pelo fato da Corrida de São Silvestre se realizar em São Paulo.

Alguns dias se passaram e eu presenciei mais um comercial da Sabesp passando na televisão da minha sala. Dessa vez o evento era novamente esportivo, porém, realizado no Rio de Janeiro. Algo que envolvia bicicletas e que ocorria no Aterro do Flamengo.

Dessa vez minha reação foi outra. Comecei a procurar um motivo para a Sabesp, empresa restrita ao Estado de São Paulo, estar comprando horários comerciais em rede nacional. Logo me veio à mente a possibilidade da publicidade da Sabesp estar sendo um meio de demonstrar os feitos do Governo do Estado de São Paulo para todo o País.

E qual seria o interesse do Governo de São Paulo? Ora bolas, José Serra é o Governador e é um presidenciável. Natural que queira que os bons feitos de seu governo sejam divulgados do Oiapoque ao Chuí. O problema é que o dinheiro do contribuinte paulista não está aí para isso.

Fiquei com esses pensamentos e essas conclusões na mente mas fiquei quieto. Não comentei com amigos, não escrevi sobre isso no blog, nem nada. Eis que estou lendo o blog da cientista política e jornalista Lucia Hippolito e não é que encontro uma postagem sobre a tal propaganda da Sabesp? E mais, ela chegou à mesma conclusão: Está parecendo propaganda de José Serra.

Diz Lucia que até o desembargador Alberto Motta Moraes, presidente do TRE-RJ, manifestou estranheza com a veiculação de publicidade da Sabesp no Estado do Rio. A resposta de Lucia para ele foi exatamente o que eu estava pensando: “até no Acre a Sabesp está fazendo propaganda”.

A conversa entre Lucia e Motta Moraes ocorreu em uma entrevista levada ao ar pela CBN-Rio e, consequentemente, repercutiu.

Diz Lucia, que recebeu um e-mail de Paula Fontenelle e, depois, reproduz tal e-mail na íntegra.

No referido e-mail, Paula tenta defender a Sabesp, dizendo: “A Sabesp é uma das quatro patrocinadoras do Verão Espetacular, da Rede Globo, cuja programação inclui a realização de dezesseis competições esportivas em diversas cidades do Brasil. Além do interesse da empresa em incentivar atividades diretamente associadas à saúde e ao bem-estar, várias dessas modalidades esportivas serão promovidas na cidade e no litoral paulista. [...] Portanto, a visibilidade nacional adquirida pela empresa este mês deve-se diretamente ao fato de que não existem cotas publicitárias locais ou regionais no Verão Espetacular. Todos os anúncios são obrigatoriamente veiculados em território nacional. [...] Independentemente do patrocínio do Verão Espetacular, é preciso esclarecer que desde a vigência das Leis Estaduais Nos 12.292/2006 e 1025/2007 a Sabesp pode atuar não só em âmbito regional, como nacional e internacional. Ou seja, a empresa está legalmente amparada para prestar seus serviços em outros estados, inclusive no Acre, exemplo selecionado pela jornalista em seu comentário ao presidente do TRE do Rio, Dr. Alberto Moraes [...] Reiteramos que os investimentos da Sabesp em publicidade são de interesse público e não se pautam em agendas políticas como foi levantado durante a entrevista.”

A resposta de Lucia Hippolito foi agradecer pelas informações e esclarecer que as dúvidas sobre o assunto não são exclusividade dela. Diz ainda para Paula Fontenelle: “Está sendo considerada propaganda eleitoral do governador José Serra. Talvez fosse interessante, para a imagem da empresa, fazer uma campanha de esclarecimento, contando exatamente o que você me contou em sua correspondência. Justamente para que não pairem dúvidas a respeito da correção ética da Sabesp, nem interpretações equivocadas sobre possível uso eleitoral da empresa e do dinheiro dos contribuintes paulistas”.

Concordo plenamente com ela. Acho que pode ser verdade que a propaganda da Sabesp não tenha nada a ver com promoção pessoal do Governador José Serra e que não seja, para fins políticos, que o dinheiro do contribuinte esteja sendo utilizado. Porém, que está parecendo, está. E, por isso, a Sabesp deve esclarecer tudo da forma como gostava aquele personagem da “Escolinha do Professor Raimundo”, ou seja, “nos mínimos detalhes”.

Uma coisa pelo menos é certa. Eu não estava imaginando coisas quando liguei os comerciais da Sabesp ao Governador. Muita gente fez o mesmo. Para o bem da democracia brasileira, tomara mesmo que não tenha nada a ver. Dou a Serra o benefício da dúvida.

Quem quiser ler a postagem de Lucia Hippolito na íntegra, pode, simplesmente, clicar aqui.