As notícias que circulam em diversos meios dão conta de que a cúpula do PT nacional, interessada em garantir os melhores palanques possíveis nos estados para Dilma Rousseff, além da aliança formal com o PMDB para poder utilizar o tempo de televisão deste promovendo a Ministra, está disposta até mesmo a intervir em diretórios estaduais que se recusarem a cumprir as orientações nacionais.
Acontece que estas orientações normalmente privilegiam totalmente a aliança, em cada localidade, com o PMDB ou outro aliado, deixando de lado os interesses regionais dos diretórios estaduais petistas, em benefício da candidatura de Dilma Rousseff.
Chega-se a ao ponto de existir um documento, já aprovado no 4º Congresso Nacional do PT, encontro que homologará no final de semana a candidatura de Dilma e definirá a política de alianças, que enquadra as seções estaduais do partido e, sem usar o verbo intervir, afirma que a “prioridade máxima” é o projeto nacional. Alguns poucos bem que tentaram resistir, mas não conseguiram.
A questão é que, jogando para escanteio as pretensões petistas estaduais e regionais e privilegiando apenas o projeto presidencial de continuidade no poder, o PT pode estar errando feio.
Ao dar tudo que o PMDB e outros aliados querem nos estados, desprestigiando os próprios correligionários, a cúpula petista esquece da formação de novos quadros, da construção de nomes viáveis para futuras disputas majoritárias, da manutenção de espaço político e da valorização da imagem e do número do partido, que fica escondido e de certa forma enfraquecido nos subterrâneos das coligações que são comandadas por outrem simplesmente para que estes apóiem Dilma.
Pois bem. O que acontece se Dilma for derrotada? Fica o PT com o quê? Qual o esteio petista se o objetivo priorizado, que anulou todos os outros, não for alcançado?
Aparentemente, ficaria o PT rezando para que Lula concorra e vença em 2014. Continuaria o partido dependente do atual Presidente.
Talvez seja esta a resposta.
Outra resposta possível para o fato de o PT desejar muito mais o governo federal do que qualquer outro é a quantidade de verbas e cargos, afinal, onde mais tanto aparelhamento poderá ser feito? Onde mais tantos companheiros poderão ser empregados?
Todos nós sempre soubemos as benesses de se estar à frente da União. E também sabe-se quanto essas benesses excedem as dos governos estaduais neste nosso falso federalismo.
Resta apenas analisar o enquadramento dos diretórios regionais do PT pela cúpula nacional em benefício de Dilma sob a luz da noção do gigantismo da União no Brasil. Os líderes estaduais aceitam o enquadramento vindo de uma cúpula que emprega, pagando bem, os seus aliados próximos.
Resumindo, basta saber que o chanceler Celso Amorim é agora conselheiro de Itaipu Binacional, recebendo R$ 15 mil mensais, para entender essa outra resposta possível para a questão a respeito do porquê de o PT estar sacrificando seus quadros regionais e seu futuro como partido.
Lula manter sua influência atual e os companheiros continuarem empregados, somados, trazem um imediatismo danado.
É uma brasa, mora?











