Por Raphael Machado Silva*
“Leis que proíbem o porte de armas desarmam apenas aqueles que não estão inclinados ou determinados em cometer crimes. Tais leis tornam as coisas piores para o atacado e melhores para o atacante; elas servem mais para encorajar do que prevenir homicídios, pois um homem desarmado pode ser atacado com maior confiança do que um homem armado.” – Thomas Jefferson
“A maior razão para que o povo retenha o direito de possuir e portar armas é, como último recurso, para que se defendam contra a tirania no governo.” – Thomas Jefferson
Alguns anos atrás, neste nosso País, o Estado, os jornais, as empresas, os partidos políticos, as ONGs e os intelectuais marxistas se uniram para arrancar de nossos cidadãos, como vampiros ao sangue de uma vítima, o direito de portar armas. Como todo tirano, buscaram eles legitimidade para seu comportamento escravagista por meio de uma consulta popular, um plebiscito.
Os que possuem boa memória se lembrarão da pesada propaganda pró-escravidão que foi veiculada incessantemente por todos os meios possíveis. As mentiras. A difusão de pânico. O sensacionalismo. Atrizes tentando seduzir as massas para que entregassem seus meios de defesa ao onipotente Estado. Poucas vezes vi uma disputa pública tão unilateral. Ter que ver a propaganda escravagista constantemente em jornais e televisões me causava náuseas e até ira.
O povo, porém, contra todas as expectativas dos pretensos tiranos, votou contra a escravidão e a favor da liberdade. Sinceramente, um resultado surpreendente, levando-se em conta não só a pesada propaganda, como também a suscetibilidade das massas às propagandas em geral.
A Liberdade venceu a Tirania uma vez mais. Porém, ainda hoje, os mesmos personagens permanecem em sua peleja incessante contra o direito de autodefesa, inato a todo ser-vivo. Não só no Brasil, mas em todo o Ocidente, personagens análogos mobilizam todos os seus esforços para conseguir desarmar todos os homens, sob argumentos absolutamente ridículos que só recebem créditos de pessoas desprovidas de qualquer contato com a realidade. Grupos de pacifistas, utopistas, etc, são campos férteis para o plantio de toda a sofística do desarmamento civil.
Não é curioso o que ocorre quando a democracia resulta de modo que desagrada aos seus representantes e ícones? Ainda que a Autodefesa tenha prevalecido, as mesmas forças conseguiram cercear e limitar ainda mais as possibilidades de porte de armas no País.
Portar armas no Brasil não é proibido, mas é quase impossível conseguir uma licença. Ou seja, atropelando e esmagando a decisão plebiscitária, arrancou-se o porte de armas do cidadão comum (instrumentos do Estado e agentes corporativos ou tem o direito garantido, ou enormes facilidades para o conseguir), e transformou-se o mesmo em uma eterna criança, à qual não é dada absolutamente nenhum crédito, que deve ser tutelada para sempre, em todos os âmbitos de sua existência, até mesmo no instinto inato de autopreservação.
Vale a pena fazer algumas breves observações a respeito do relacionamento entre um Homem e sua Arma, ao longo da história. Faço apenas a ressalva de que minhas observações se aplicam exclusivamente ao Ocidente e suas Culturas. Sou ocidentalista, e sinceramente não dou importância para a sorte ou azar da maioria dos povos não-ocidentais. Ainda assim, duvido que tenha havido qualquer cultura ou civilização que contrarie essas observações, à exceção das pouquíssimas sociedades matriarcais, as quais não aprovo (mas isso fica para outro dia).
A autopreservação, ou autodefesa, é um instinto mais antigo do que a Humanidade. De tão intrínseca à própria noção de existência, ela poderia ser dita uma Lei Natural. Todos os animais a possuem, e é graças a esse instinto que as espécies que hoje aqui estão ainda existem. Para além do indivíduo, o instinto de preservação do Homem se estendeu para abarcar toda a sua família, assim como a Comunidade da qual ele é membro, e cuja Identidade ele partilha.
Considerando que as próprias capacidades biológicas do Homem não lhe são suficientes para realizar sua defesa, ele se utiliza de instrumentos, as Armas. Primordialmente, as Armas eram tanto meio de Defesa como garantia de Subsistência.
A Antropologia nos ensina que a espiritualização de um objeto, de uma pessoa ou de um fenômeno da natureza, está diretamente ligada à importância de referido ente na comunidade em questão. Por isso, por exemplo, tinham os Gregos um Deus para o vinho e a uva.
Ora, a posse de uma Arma ao longo do tempo se mostrou como essencial para a sobrevivência dos indivíduos e dos grupos. A Arma é a diferença entre a vida e a morte, entre vitória e derrota, entre liberdade e escravidão. Daí verifica-se a Espiritualização das Armas, ao longo da História do Ocidente (os japoneses possuem ainda mais fortemente esse aspecto). A Arma é fator central de preservação de todas as virtudes sociais, assim como da autonomia individual e da segurança pessoal e coletiva.
A História das Grandes Civilizações, como Roma, as cidades gregas e os reinos Medievais, demonstra, sem sombra de dúvida, que toda Civilização é fundada única e exclusivamente por Guerreiros, ou seja, pelos homens especializados em usar as Armas como instrumento da Vontade do Povo.
A preservação da Civilização também é tarefa que cabe exatamente aos Guerreiros. Todos os homens cultos das eras áureas das Civilizações eram Guerreiros, os quais em tempos de paz se voltavam para atividades culturais.
Nunca, porém, uma civilização foi erguida por sofistas, por dialetas, por diletantes, por pacifistas ou por universitários pequeno-burgueses desconectados da realidade.
Continua na próxima semana…
* Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta-feira, é colunista do Perspectiva Política às terças.