Postagens com a palavra-chave ‘Propaganda’

Oposição com discurso confuso: Partido Verde se anima

20/08/2010

 

A campanha televisiva de José Serra parece sem rumo. Não se sabe ao certo qual desejo dos brasileiros o tucano quer personificar.

Ele é o candidato da oposição ou ele é o candidato mais experiente e capaz da continuidade?

No fim das contas, a realidade é que nenhum destes papéis deveria ser interpretado por Serra, caso queira vencer a disputa.

A estratégia correta seria bater firme nos erros do governo e promover o reconhecimento e manutenção dos acertos, escolhendo dois ou três pontos para marcar a candidatura, os chamados “tipping points”.

Acontece que na busca por essa sintonia fina, a campanha tucana erra a mão e pesa demais ou de um lado ou de outro, dependendo do momento.

Ou o tom sobe demais e a crítica a Dilma traz rejeição dos milhões que aprovam Lula ou se cai na defesa de um continuísmo tão sem inovações que estimula o voto no que “já está aí”.

Há que se reconhecer que o equilíbrio defendido está em cima de linha tênue, mas os profissionais contratados para o marketing têm a obrigação de conseguir atingí-lo, vistos a experiência que têm e o quanto recebem mensalmente.

É nesse cenário de aparente indecisão da campanha tucana que o Partido Verde se anima. Há quem sonhe com um segundo turno entre Dilma e Marina.

No Rio de Janeiro, por exemplo, este cenário não está distante. É significativo, embora não retrate o País todo.

Acontece que o programa eleitoral de Marina não está ajudando. Buscando inovar, o marketing da campanha está se equivocando e cometendo erros primários como esconder a candidata.

Uns dizem que se erra neste início de propósito, para trazer exposição com os comentários sobre os programas inusitados que, só tendo pouco mais de um minuto, dependem muito da repercussão.

Ocorre que má repercussão não adianta. Não vale a máxima de que “toda propaganda é uma boa propaganda”.

Se continuarem assim os vídeos de Marina, Serra pode se preocupar só com Dilma.

Utilização da expressão “pode mais” por Lula pode gerar menção involuntária do slogan de Serra

20/04/2010

Comentou o jornalista Ricardo Noblat:

“O que disse Lula a um grupo de índios reunidos para ouvi-lo, ontem, no aniversário de um ano da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima:

- Nós precisamos fazer mais. E precisamos fazer cada vez mais.

Propaganda indireta da candidatura de José Serra, está na cara.

Até aqui, o slogan de Serra é: ‘O Brasil pode mais’.

Alguém precisa alertar Lula que qualquer coisa que tenha a ver com ‘mais’ ou ‘pode mais’ só ajuda Serra.”

Comentário bem colocado.

Realmente qualquer menção, seja de Lula ou de qualquer outro membro do governo, à expressão “pode mais” ou simplesmente à palavra “mais” funcionará como propaganda indireta da pré-candidatura de José Serra.

Mas isso – e aqui complemento Noblat – não se dá e não se dará por descuido de Lula ou coisa parecida. Se dá porque o slogan de José Serra é de rara eficiência.

É sempre difícil explicar um avanço para a população sem a palavra “mais”. Lula, querendo propagandear o governo, terá que utilizar a palavra muitas vezes, batendo na tecla que fará soar a nota musical de Serra, e não de Dilma.

O mote de pré-campanha de Serra explora isso com genialidade. Méritos para a equipe de marketing da oposição que, além de conseguir o que comento aqui, ainda traduz na mesma frase o reconhecimento dos avanços de Lula somado à necessidade de mudar para conseguir ir além.

Ressalte-se que não faço aqui nenhuma defesa da candidatura de Serra em si.

Apenas reconheço o brilhantismo do slogan que, como se já não bastasse o conceito bem colocado, ainda criará constrangimentos para o governo como o comentado por Ricardo Noblat.

Coluna do dia: A importância da propaganda na vida de um político

28/03/2010

Por Jessica Riegg*

Todos nós sabemos que um político reza para aparecer na mídia. Afinal, qualquer aparição benéfica sua favorecerá na hora das eleições. Um político que tem uma boa imagem frente ao público tem muito mais chances de conseguir o cargo pretendido. E isso não acontece somente antes das eleições: Depois delas a vontade de aparecer parece só crescer….

A primeira coisa que um candidato pensa é no “santinho”, aqueles famosos pedaços de papel que ficam espalhados sujando toda a cidade, inclusive os locais de votação. Afinal, ele sabe que se sua imagem for conhecida terá mais chances de se eleger.

Mas para isso ele precisa de uma foto!

Ele procura um sobrinho que faz ótimas fotos e seu material de campanha está pronto. Isso, claro, nas disputas pelos cargos menores.

Políticos com mais anos de politicagem sabem que os santinhos ajudam, é claro, mas que não são responsáveis pela escolha dos eleitores. Eles contratam toda uma comissão, uma assessoria de imprensa, para fazer o nome aparecer na mídia. Eles sabem exatamente o poder que a propaganda tem nas eleições.

A propaganda geralmente começa muito antes, com ações benéficas promovidas por esses candidatos que permitem que o nome apareça na mídia e de graça. O candidato fica conhecido e a população acha que encontrou o seu candidato.

Depois começa a propaganda paga nas ruas, no rádio, na televisão. O candidato que explora bem essa propaganda é eleito.

E aí a vontade de aparecer e mostrar o que anda fazendo de bom aumenta. Para tudo ele manda  um “release” (resumo sobre os fatos) e tenta mostrar ações solidárias e esconder erros. Seu nome fica ainda mais conhecido na região.

Bons políticos, repito, sabem o quão importante é a propaganda e o quanto a mídia pode favorecer uma eleição, e acabam explorando isso a seu favor.

Um grande exemplo disso foi o candidato à Presidência, e atual Presidente dos EUA, Barack Obama, eleito (em grande parte) por conta da grande ajuda de seu marqueteiro.

Pois agora eu pergunto a vocês:

O que Dilma faz é usar bem o poder que a propaganda favorece? O que o Pânico na TV faz com o novo quadro “Dança Dilma” é uma forma de ajudar na imagem da pré-candidata? A multa de Lula por propaganda extemporânea foi justa? A absolvição de Dilma foi justa?

Dilma está se aproveitando do poder da mídia e da propaganda gratuita que todos os meios de comunicação estão fazendo.

Esperta nossa Ministra, não?!

*Jessica Riegg escreve todos os domingos no Perspectiva e diariamente no Twitter em @jessicariegg

Governo desrespeita lei e aumenta gasto com publicidade em 20% em ano eleitoral

19/01/2010

Informa a Folha:

“Contrariando limites impostos pela legislação eleitoral, o governo Lula prevê o aumento de 20% dos gastos de publicidade no ano da eleição do seu sucessor. Os números estão na lei orçamentária, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionará nesta semana, com autorizações de gastos para 2010.

A Lei Eleitoral determina que, em ano de pleito, as despesas com publicidade dos órgãos públicos não podem ultrapassar a média dos três anos anteriores ou o valor gasto no ano imediatamente anterior. O limite do governo federal leva em conta ainda os gastos das empresas estatais, cujos números ainda não estão disponíveis.

A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que o governo não usará integralmente as autorizações de gastos para 2010, de forma a respeitar os limites impostos pela legislação eleitoral.”

Muito mal contada essa história de que o governo não usará integralmente as autorizações de gastos, visando respeitar os limites impostos pela legislação. Ora se o gasto será sabidamente menor, por que a previsão orçamentária? Por que reservar recursos que já se sabe não serão usados, impedindo que eles auxiliem no financiamento de ações em setores prioritários como saúde, educação, saneamento e segurança?

Muito estranho.

Soa muito mais como desculpa esfarrapada, dada para encobrir o fato de que o governo vai, sim, desrespeitar os preceitos legais por debaixo dos panos, gastando mais do que poderia em propaganda, visando melhorar a imagem da gestão e, consequentemente, aumentar as chances de vitória da Ministra Dilma Rousseff.

Pelo visto, os gastos serão, sim, mais elevados na área de propaganda. E o fato de isso se dar em ano eleitoral não é nem de longe mera coincidência.

Merece ser criticado.

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte II)

15/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

A Arma é o Instrumento por meio do qual o Mundo é Domado e Pacificado pela Força, de modo a que se possa organizá-lo segundo a Vontade de um Homem, ou de um Povo.

Em geral, essa Pacificação, assim como a Segurança da Comunidade dependerão do uso de Armas para travar combate a Inimigos Externos. Quantas vezes o Ocidente não foi ameaçado? E quantas vezes ele não foi salvo única e exclusivamente graças às Virtudes Guerreiras de Homens-de-Armas. Os Espartanos e os Atenienses resistiram aos Persas. Romanos e Visigodos resistiram aos Hunos. Alemães, Húngaros e Poloneses resistiram aos Mongóis. Espanhóis e Portugueses resistiram aos Mouros. Sérvios, Romenos, Búlgaros e Austríacos resistiram aos Turco-Otomanos. E o Ocidente em conjunto resistiu à União Soviética.

Em cada um desses casos foi o valor individual do homem comum, o qual era possuidor de armas, que fez a diferença. Foram os civis, convocados para assumir sua função ancestral de Guerreiro. Pois a vida em Sociedade não elimina o Guerreiro, mas o transforma em Guardião. Do mesmo modo que é Lei Natural e, portanto, Dever Inato de cada Homem defender a si mesmo e a sua Família, é Dever de cada Homem capaz defender sua Comunidade Identitária, a qual não passa de uma extensão do conceito de Família.

Ocorre que as transformações sociais e a passagem do tempo possibilitaram que certas deturpações entrassem em efeito. A principal deturpação se dá a respeito das funções, dos papéis e do sentido do Estado.

A ideologia do Contrato-Social como mito fundador do Estado Moderno pressupõe que um grupo de indivíduos voluntariamente abra mão de um certo número de prerrogativas e direitos pessoais em prol do Estado, para que se possa evitar o chamado “Estado de Natureza”, ou a “Guerra de Todos contra Todos”.

Eu rejeito absolutamente a noção de Contrato-Social, mas mesmo assim podemos continuar a usar essa noção, ao menos para que eu possa mostrar como a Ideologia do Desarmamentismo Escravagista se dá por uma extrapolação das prerrogativas estatais, e por uma exacerbação da transferência de direitos do indivíduo para o Estado.

Entende-se acertadamente que o Estado possui o Monopólio do Poder Punitivo. Essa é uma pré-condição para que a Sociedade não regrida na direção do Estado de Natureza. Por meio desse Poder é que o Estado, através do Juiz, julgará e punirá os infratores penais, em substituição à Auto-Tutela, na qual cada um é completamente responsável pela punição daqueles que atravessem a sua esfera pessoal de direitos. Entende-se, também, que o Estado é o responsável pela manutenção da Segurança da Sociedade e de seus Membros.

O problema está em que certas forças influentes, que se beneficiam com o crescimento do Leviatã (e com a esperança do estabelecimento de um único Leviatã Global), consideram falaciosamente que por meio do Contrato-Social as prerrogativas e direitos individuais que são transferidas para o Estado, o são in totum.

Ora, o que é o Desarmamento Civil senão a transferência total da possibilidade de auto-defesa e auto-preservação ao Estado, para que o mesmo seja o único e exclusivo encarregado e responsável pela segurança de todos?

Se a manifestação da individualidade se dá por meio do uso das prerrogativas pessoais, as quais são inatas (como a auto-preservação), a transferência completa dessas prerrogativas pessoais constituem verdadeira desintegração do “Eu”, da Individualidade, do Homem mesmo, frente à omnipotência do Leviatã.

Continua na próxima semana…

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Comerciais do PT: Defesa da eleição plebiscitária e um quê de messianismo

11/12/2009

Foi ao ar o programa institucional do PT. Foram 10 minutos, à noite, em rede nacional. As entrelas do comercial foram, como já era de se esperar, o Presidente Lula e a Ministra Dilma Rousseff.

A comparação entre o governo Fernando Henrique Cardoso e o governo Lula deu o tom da peça publicitária. Além disso, as falas de Dilma Rousseff procuravam, obviamente, aproximá-la mais e mais do Presidente, apresentando-a como a responsável pelo PAC, pelo Minha Casa, Minha Vida, etc.

Até aí, nada demais. É natural que o governo aposte na comparação com o governo tucano passado, afinal, a atual gestão é bem avaliada, enquanto a gestão passada tem uma memória ruim junto ao eleitorado. Parte desse memória é devida, parte não é, mas isso não vem ao caso no momento.

O que importa é que Dilma e Lula trouxeram a estratégia da eleição plebiscitária para a tela da televisão, além de tentarem fazer a Ministra nadar no mar de popularidade do Presidente.

Pois bem. Acontece que não foi só isso. Em tudo na vida existem nuances, tons, modos.

O comercial do PT não apenas comparou Lula a FHC e apresentou Dilma como a continuidade de Lula. Ele também valorizou ao extremo as conquistas do governo atual, tentando passar uma imagem de que, no Brasil, antes de Lula, só havia trevas.

Isso não é verdade. Conquistas brasileiras foram consolidadas desde os tempos de D. Pedro II, até os de Itamar Franco, passando por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e, até mesmo, José Sarney.

Obviamente, o governo Fernando Henrique também teve sua parcela de contribuição. Pequena em alguns setores, mas grandiosa na economia.

Sendo assim, é um tanto falsa a mensagem petista de que Lula trouxe a luz e de que ela se apagará se Dilma não vencer.

Em suma, entendo como natural a comparação das gestões e a dobradinha feita por Lula e Dilma na frente das câmeras. O que não concordo é com o tom messiânico utilizado em alguns momentos, como se Lula fosse um ser fora do comum.

Nunca foi, não é e dificilmente será. Assim como FHC, assim como Dilma, assim como Serra, assim como eu e você.

A defesa da eleição plebiscitária é uma jogada política inteligente, natural.

O quê de messianismo é totalmente dispensável. Não faz nada bem para as instituições e traz um cheiro detestável de caudilhismo.

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte I)

02/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

“Leis que proíbem o porte de armas desarmam apenas aqueles que não estão inclinados ou determinados em cometer crimes. Tais leis tornam as coisas piores para o atacado e melhores para o atacante; elas servem mais para encorajar do que prevenir homicídios, pois um homem desarmado pode ser atacado com maior confiança do que um homem armado.” – Thomas Jefferson

“A maior razão para que o povo retenha o direito de possuir e portar armas é, como último recurso, para que se defendam contra a tirania no governo.” – Thomas Jefferson

Alguns anos atrás, neste nosso País, o Estado, os jornais, as empresas, os partidos políticos, as ONGs e os intelectuais marxistas se uniram para arrancar de nossos cidadãos, como vampiros ao sangue de uma vítima, o direito de portar armas. Como todo tirano, buscaram eles legitimidade para seu comportamento escravagista por meio de uma consulta popular, um plebiscito.

Os que possuem boa memória se lembrarão da pesada propaganda pró-escravidão que foi veiculada incessantemente por todos os meios possíveis. As mentiras. A difusão de pânico. O sensacionalismo. Atrizes tentando seduzir as massas para que entregassem seus meios de defesa ao onipotente Estado. Poucas vezes vi uma disputa pública tão unilateral. Ter que ver a propaganda escravagista constantemente em jornais e televisões me causava náuseas e até ira.

O povo, porém, contra todas as expectativas dos pretensos tiranos, votou contra a escravidão e a favor da liberdade. Sinceramente, um resultado surpreendente, levando-se em conta não só a pesada propaganda, como também a suscetibilidade das massas às propagandas em geral.

A Liberdade venceu a Tirania uma vez mais. Porém, ainda hoje, os mesmos personagens permanecem em sua peleja incessante contra o direito de autodefesa, inato a todo ser-vivo. Não só no Brasil, mas em todo o Ocidente, personagens análogos mobilizam todos os seus esforços para conseguir desarmar todos os homens, sob argumentos absolutamente ridículos que só recebem créditos de pessoas desprovidas de qualquer contato com a realidade. Grupos de pacifistas, utopistas, etc, são campos férteis para o plantio de toda a sofística do desarmamento civil.

Não é curioso o que ocorre quando a democracia resulta de modo que desagrada aos seus representantes e ícones? Ainda que a Autodefesa tenha prevalecido, as mesmas forças conseguiram cercear e limitar ainda mais as possibilidades de porte de armas no País.

Portar armas no Brasil não é proibido, mas é quase impossível conseguir uma licença. Ou seja, atropelando e esmagando a decisão plebiscitária, arrancou-se o porte de armas do cidadão comum (instrumentos do Estado e agentes corporativos ou tem o direito garantido, ou enormes facilidades para o conseguir), e transformou-se o mesmo em uma eterna criança, à qual não é dada absolutamente nenhum crédito, que deve ser tutelada para sempre, em todos os âmbitos de sua existência, até mesmo no instinto inato de autopreservação.

Vale a pena fazer algumas breves observações a respeito do relacionamento entre um Homem e sua Arma, ao longo da história. Faço apenas a ressalva de que minhas observações se aplicam exclusivamente ao Ocidente e suas Culturas. Sou ocidentalista, e sinceramente não dou importância para a sorte ou azar da maioria dos povos não-ocidentais. Ainda assim, duvido que tenha havido qualquer cultura ou civilização que contrarie essas observações, à exceção das pouquíssimas sociedades matriarcais, as quais não aprovo (mas isso fica para outro dia).

A autopreservação, ou autodefesa, é um instinto mais antigo do que a Humanidade. De tão intrínseca à própria noção de existência, ela poderia ser dita uma Lei Natural. Todos os animais a possuem, e é graças a esse instinto que as espécies que hoje aqui estão ainda existem. Para além do indivíduo, o instinto de preservação do Homem se estendeu para abarcar toda a sua família, assim como a Comunidade da qual ele é membro, e cuja Identidade ele partilha.

Considerando que as próprias capacidades biológicas do Homem não lhe são suficientes para realizar sua defesa, ele se utiliza de instrumentos, as Armas. Primordialmente, as Armas eram tanto meio de Defesa como garantia de Subsistência.

A Antropologia nos ensina que a espiritualização de um objeto, de uma pessoa ou de um fenômeno da natureza, está diretamente ligada à importância de referido ente na comunidade em questão. Por isso, por exemplo, tinham os Gregos um Deus para o vinho e a uva.

Ora, a posse de uma Arma ao longo do tempo se mostrou como essencial para a sobrevivência dos indivíduos e dos grupos. A Arma é a diferença entre a vida e a morte, entre vitória e derrota, entre liberdade e escravidão. Daí verifica-se a Espiritualização das Armas, ao longo da História do Ocidente (os japoneses possuem ainda mais fortemente esse aspecto). A Arma é fator central de preservação de todas as virtudes sociais, assim como da autonomia individual e da segurança pessoal e coletiva.

A História das Grandes Civilizações, como Roma, as cidades gregas e os reinos Medievais, demonstra, sem sombra de dúvida, que toda Civilização é fundada única e exclusivamente por Guerreiros, ou seja, pelos homens especializados em usar as Armas como instrumento da Vontade do Povo.

A preservação da Civilização também é tarefa que cabe exatamente aos Guerreiros. Todos os homens cultos das eras áureas das Civilizações eram Guerreiros, os quais em tempos de paz se voltavam para atividades culturais.

Nunca, porém, uma civilização foi erguida por sofistas, por dialetas, por diletantes, por pacifistas ou por universitários pequeno-burgueses desconectados da realidade.

Continua na próxima semana…

* Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta-feira, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Sérgio Cabral e Eduardo Paes: Muita propaganda e pouco trabalho

06/11/2009

Como todos sabem, o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é, hoje, protegido do Governador Sérgio Cabral. Paes traiu suas convicções e discursos do passado para, deslumbrado com a possibilidade de ser Prefeito, se aliar a Cabral. Hoje, a Prefeitura é extensão do Governo do Estado, algo triste para um município historicamente independente e impetuoso como o Rio.

Pois bem. E não é que Eduardo Paes resolveu mesmo seguir os passos de Cabral à risca? O Prefeito carioca decidiu implantar um sistema muito bem conhecido pelo governo do estado do Rio: Muita propaganda e pouco trabalho.

Duvidam? Vejam o que informa Lauro Jardim, na Veja:

“Eduardo Paes pretende gastar 120 milhões de reais da prefeitura do Rio em publicidade. É um salto e tanto. A previsão para os próximos dois anos é 32 vezes maior que  os 3,7 milhões de reais gastos por seu antecessor, Cesar Maia, durante todos os quatro anos de seu último governo.”

Trinta e duas vezes mais publicidade que o antecessor? Seria bom averiguar no livro dos recordes para ver se já existe algo igual. Talvez tenhamos um fenômeno. Dos ruins, claro.

E pensar que o jingle de Eduardo Paes dizia: “Leva o Rio pro rumo certo”…

Em tempo: Para aqueles que querem mais esclarecimentos do porquê de elevar a verba de publicidade representar seguir os passos de Sérgio Cabral, basta conferir a imagem abaixo, que circula na internet, retirada do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, portanto, de domínio público.

diariooficialverbas1

É isso mesmo, meus caros.

Enquanto Eduardo Paes gasta trinta e duas vezes mais que o antecessor em publicidade, Sérgio Cabral transfere 10 milhões de reais da saúde – eu disse saúde! – para a Comunicação Social do governo.

Talvez estejamos começando a entender a benevolência da imprensa fluminense com esses peemedebistas, que não poderiam, diga-se de passagem, pertencer a outro partido. Bom, mas isso é outra história…

Vídeo: Quero morar na propaganda do governo da Bahia

26/10/2009

As propagandas do governo da Bahia, comandado pelo petista Jaques Wagner, estão se destacando por serem ostensivas e por, muitas vezes, pintarem um quadro fictício e muito melhor do que o da realidade.

Não só na Bahia isso acontece. Em diversos estados a publicidade institucional eleva os feitos da administração e mostra melhorias que não são percebidas pela população, muitas vezes utilizando um exemplo bem-sucedido isolado e o generalizando.

Acontece que apenas na Bahia foi criado um pagode que satiriza essa contradição entre as propagandas do governo do estado e o cotidiano da população.

O vídeo que divulga esta canção é impagável, pois além de contar com a música, que tem uma letra muito criativa, traz uma montagem de imagens muito bem feita e que expressa extremamente bem o conflito entre a propaganda e a realidade.

Confira:

Bahia põe logo do governo em orelhas de cabras e bodes

06/10/2009

Informa a Folha:

“O governo Jaques Wagner (PT) difunde seu lema e sua logomarca em brincos pregados nas orelhas de 26.640 cabras, bodes, ovelhas e carneiros distribuídos neste ano a 5.505 famílias de pequenos criadores que moram em municípios pobres da Bahia.

Já apelidado de Cabra Família, em alusão ao Bolsa Família do governo Lula, o programa Sertão Produtivo se propõe a melhorar a qualidade do rebanho caprino e ovino do Estado.

Famoso na região do semiárido, onde mora a maioria dos beneficiados pelo programa, o brinco é amarelo, com letras em tom escuro.

Feito com material plástico, o adorno traz escrita a frase ‘Terra de todos nós’, antecedido de ‘Governo da Bahia’, em letras grandes, e precedido de ‘Secretaria de Agricultura’ e ‘Suaf’, sigla da Superintendência de Agricultura Familiar, criada por Wagner.

‘Governo da Bahia – Terra de todos nós’ é o lema da administração petista, iniciada em janeiro de 2007. No alto do brinco, ao lado do lema, aparece a logomarca do governo: um triângulo de lados desiguais, como a vela das tradicionais embarcações que singram o litoral baiano.

A logomarca e o lema já são bastante conhecidos na Bahia. Estão em outdoors, laterais de carros públicos, bonés distribuídos ao funcionalismo e fachada de obras -como na sede da empresa de turismo do Estado, a Bahiatursa, ao lado do elevador Lacerda, atração turística de Salvador.”

Pior do que saber que o marketing governamental chegou a um ponto tão absurdo na Bahia é ter a noção de que não se pode condenar totalmente os políticos que procedem de forma semelhante.

O que acontece é que a memória política do brasileiro é, infelizmente, muito curta. É forçado o político a propagandear o que faz pois, se não o fizer, suas ações serão completamente esquecidas e, pior, tomadas como suas por espertalhões.

É por isso que afirmo que não se pode condenar totalmente a publicidade dos governos. Porém, esta publicidade é passível de uma crítica parcial, afinal, são notórios os casos de exageros e malícias, onde milhões são gastos para que seja feita promoção pessoal dos governantes e pressão financeira sobre a imprensa que recebe os dividendos.

Difícil saber o que decepciona mais: A necessidade de a propaganda ser feita ou esta em si que, dessa vez, chegou até as orelhas de cabras, bodes e afins.