Os leitores mais assíduos deste blog devem se lembrar que, de vez em quando, este blogueiro presta um serviço de utilidade pública através do Perspectiva Política. Para os que ainda não sabem disso, explico: Em algumas ocasiões, divulgo informações enviadas a mim por leitores indignados com algum problema que tem a ver com a política nacional. Faço isso na esperança de que o Perspectiva possa ampliar a voz desses leitores e auxiliar o protesto que visa solucionar o problema ou encerrar a negligência.
Pois bem. Dito isso, passemos à questão enviada a mim por um cidadão carioca, cujo nome irei preservar:
Conta este leitor que a Prefeitura do Rio de Janeiro estaria empreendendo um truque para alimentar seu caixa às custas do cidadão. Segundo ele, a Prefeitura estaria, vergonhosamente, aumentando propositalmente a burocracia em torno do processo de retirada, pelos proprietários, de carros rebocados que se encontram em pátios legais. E porque estaria ela fazendo isso? Para que as demoras nas retiradas dos diversos carros rendessem mais diárias a serem pagas pelos contribuintes à Prefeitura.
Se for verdade, é um acinte. Estará o órgão que existe para nos servir se servindo de nós claramente.
Motivado pelo e-mail do leitor, resolvi pesquisar sobre o tema. E não é que encontrei um registro desse truque feito por alguém de peso?
O Google me levou ao blog de Míriam Leitão, que, pasmem, noticia que realmente existe esse truque. Confiram o que ela diz:
“Eduardo Paes aumenta burocracia para arrecadar mais
Em plena era da internet e das soluções em tempo real, a administração Eduardo Paes aumentou a burocracia na Prefeitura do Rio para arrecadar mais. A informação foi dada pelos próprios servidores, ligados à Secretaria de Ordem Pública.
O motorista que possui um carro rebocado é obrigado pela Prefeitura do Rio a pagar diárias que vão de R$ 20,22 (motocicletas) a R$ 199,98 (ônibus, caminhões e similares) pelo tempo em que o carro não é retirado do depósito. Ou seja, quando maior o tempo dos veículos no pátio, mais dinheiro entra para os cofres da prefeitura.
Ainda de acordo com informações de servidores, a gestão Eduardo Paes trocou o tipo de boleto para o pagamento, eliminando o código de barras que possibilitava o pagamento em casa lotéricas. Agora, usa-se um boleto comum, desses que se compra em papelaria, que só pode ser pago na boca do caixa e em horário de funcionamento dos bancos (que é reduzido). Com isso, os carros passam mais tempo nos pátios pagando mais diárias.”
Meus caros, isso é um absurdo total! Temos aí uma situação que, se comprovada, indicará que a Prefeitura do Rio de Janeiro, cujo comandante Eduardo Paes foi eleito para bem servir, está -perdoem-me o termo – sacaneando o carioca.
Onde já se viu um órgão público inventar um truque que aumenta a burocracia de certos procedimentos para que o tempo passe, os prazos se estourem e ele possa arrecadar mais? Como se já não bastasse a lentidão e a ineficiência da atual Prefeitura, ainda temos que arcar com isso?
O único alento que fica é o de que Míriam Leitão, além de noticiar o fato, encaminhou questionamentos à Prefeitura, vejam:
“O blog solicitou por e-mail as seguintes informações à assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio: Qual a receita das diárias de reboque (incluindo todos os tipos de veículos) no 1º semestre de 2009? Qual a mesma receita em anos anteriores? Quantos veículos foram rebocados de janeiro a julho deste ano? Quantos pagaram diária por pernoitar no estacionamento da Prefeitura? Por que o boleto para a retirada do veículo não permite o pagamento com código de barras, como era na gestão Cesar Maia? Quando isso foi alterado? O site da Prefeitura diz que pode ser pago em casas lotéricas, mas a informação passada na Rua das Andradas, 92, é que não pode. Como explicar isso? O telefone de informações ao público (21) 3293-1700 não funciona desde pelo menos quarta-feira. Por qual motivo?”
Assim como Míriam, aguardo as respostas da equipe de Eduardo Paes…