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Datafolha: Resultado das últimas pesquisas para o Senado

18/08/2010

Saíram os resultados da pesquisa Datafolha sobre a disputa  ao Senado em alguns Estados.

Vamos aos números:

Rio de Janeiro

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 33%

Lindberg (PT) – 22%

Jorge Picciani (PMDB) – 14%

Marcelo Serqueira (PPS) – 6%

Waguinho (PTdoB) – 6%

São Paulo

Marta Suplicy (PT) – 32%

Orestes Quércia (PMDB) – 25%

Romeu Tuma (PTB) – 23%

Netinho de Paula (PCdoB) – 17%

Ciro Moura (PTC) – 15%

Minas Gerais

Aécio Neves (PSDB) – 68%

Itamar Franco (PPS) – 47%

Fernando Pimentel (PT) – 20%

Paraná

Roberto Requião (PMDB) – 49%

Gleisi Hoffman (PT) – 31%

Roberto Barros (PP) – 15%

Gustavo Fruet (PSDB) – 13%

Rio Grande do Sul

Germano Rigotto (PMDB) – 43%

Ana Amélia (PP) – 35%

Paulo Paim (PT) – 35%

Pernambuco

Humberto Costa (PT) – 40%

Marco Maciel (DEM) – 35%

Armando Monteiro (PTB) – 25%

Raul Jungmann (PPS) – 12%

Distrito Federal

Cristovam Buarque (PDT) – 44%

Rodrigo Rollemberg (PSB) – 30%

Maria de Lourdes Abadia (PSDB) – 29%

Alberto Fraga (DEM) – 11%

Marcelo Crivella e Cesar Maia lideram com folga corrida para o Senado no Rio

01/06/2010

O Sindicato dos condutores da Marinha Mercante encomendou pesquisa ao Ibope sobre a corrida para o Senado no Rio de Janeiro. Ela foi realizada recentemente e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

1° Voto

Marcelo Crivella (PRB) – 26%

Cesar Maia (DEM) – 24%

Lindberg Farias (PT) – 8%

Jorge Picciani (PMDB) – 4%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 2%

Vaguinho (PT do B) – 2%

1° e 2° Votos somados

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 37%

Lindberg Farias (PT) – 13%

Jorge Picciani (PMDB) – 10%

Marcelo Cerqueira (PPS) – 4%

Vaguinho (PT do B) – 4%

Manoel Ferreira (PTB) – 4%

Fica claro que o cenário está propício para a reeleição do Senador Marcelo Crivella (PRB) e para a eleição do ex-Prefeito carioca Cesar Maia (DEM), visto que cada estado elegerá dois senadores este ano.

Na realidade, o quadro parece melhor para Maia do que para Crivella, já que, embora o segundo esteja na frente, o primeiro terá um candidato a Governador – Fernando Gabeira – apoiando seu nome.

Crivella está sozinho. Não há espaço para ele na chapa do Governador Sérgio Cabral, ocupada por Jorge Picciani e Lindberg Farias. Também não é possível se aliar a Anthony Garotinho, pois o Pastor Manoel Ferreira já estará ao lado do ex-Governador buscando o público evangélico, o mesmo de Crivella.

Além disso, a falta de alianças faz Crivella ter pouco tempo de televisão. Quem sabe esta pesquisa torna-se argumento para que Crivella busque ocupar espaço na chapa de Garotinho e empurre Manoel Ferreira para uma candidatura a Deputado Federal.

No fim das contas, Lindberg e Picciani ainda sonham em tomar o lugar de Crivella e Cesar Maia, que tem um histórico de avanços na intenção de voto durante as campanhas, caminha a passos largos para a vitória.

Muita água ainda passará por debaixo da ponte, mas desenha-se um cenário onde Cesar Maia elege-se e Crivella, forte eleitoralmente mas fraco politicamente, é ameaçado por Picciani e Lindberg.

A ver.

PSC e PRB ainda se decidem entre Serra e Dilma

01/05/2010

Informa Ilimar Franco sobre a indecisão do PSC no que diz respeito à corrida presidencial deste ano:

“Os 52 segundos do PSC na TV são disputados nos bastidores. Ontem, o presidente do PSC, pastor Everaldo Pereira, reuniu-se com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). ‘Está amarrado, eles nos apóiam e terão espaço no governo’, resume Guerra.

‘A gente merece um ministério’, diz o líder Hugo Leal (RJ), que prefere uma aliança com o PT. O pastor Everaldo irá até Dilma Rousseff. O encontro foi acertado ontem, por telefone, com Giles Azevedo, que comanda a agenda da petista.”

Informa Leandro Mazzini, desta vez sobre a indecisão do PRB no que diz respeito à corrida presidencial deste ano:

“Não vai nada, nada bem a relação política do PRB com o PT para apoiar Dilma Rousseff na sua candidatura à Presidência. Maior nome do partido, o vice-presidente, José Alencar chegou a dizer: ‘Ofensa ao meu partido é ofensa a mim elevada à décima’.

Em síntese, o PRB hoje é aliado do presidente Lula, não de Dilma. A cúpula do partido reclama de ingerências do comando petista e da falta de diálogo para compor a chapa. Prova disso é que o PRB já libera seus diretórios e faz coligações com partidos alinhados ao tucano José Serra em seis estados.

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, comanda as conversas.”

Análise Geral: Ciro Gomes fica sem saída e retira sua candidatura

24/04/2010

Ciro Gomes retirou sua candidatura à Presidência. Não oficialmente, mas nas entrelinhas. Para os bons entendedores, já está sacramentado. Os institutos de pesquisa excluirão seu nome das próxima aferições. Já era de se esperar.

Há tempos percebe-se que a eleição de outubro será polarizada. Tudo tem indicado, nos últimos meses, que José Serra e Dilma Rousseff dominarão o debate que, por sinal, não será muito debatido.

Marina Silva provavelmente verá seus votos minguarem por conta do voto útil, ou seja, perderá eleitores que preferirão tentar garantir a vitória de Serra ou de Dilma ao invés de darem seu voto a ela, a real preferida destes.

Quanto a Ciro Gomes, os sinais de que sua candidatura não vingaria vêm de longe. Sempre foi notório que o Presidente Lula buscava inviabilizar sua candidatura, trazendo partidos que poderiam apoiar Ciro para a base de Dilma e defendendo, em todas as oportunidades que tinha, a eleição plebiscitária.

Lula pediu a Ciro que transferisse seu domicílio eleitoral para São Paulo. Ciro o fez. A intenção de Lula era lançá-lo candidato ao governo de São Paulo, retirando-o, dessa forma, da corrida presidencial e, ao mesmo tempo, utilizando-o como crítico feroz de José Serra, visando reverberar no País inteiro os ataques que seriam feitos à gestão tucana em nível estadual. Dessa vez, Ciro não assentiu. Foi sensato. A candidatura seria absurdamente artificial.

No fim das contas, o fato de Ciro ter transferido o domicílio eleitoral a seu pedido não comoveu Lula. O Presidente continuou a negociar com Eduardo Campos, Governador de Pernambuco e Presidente do PSB, o apoio do partido de Ciro a Dilma. As outras legendas da base aliada que poderiam caminhar ao lado de Ciro, como PDT, PC do B e PRB, já estavam praticamente fechados com a petista. Isso esvaziava ainda mais o ex-Governador do Ceará.

Sentindo o cheiro de queimado, Ciro começou a criticar duramente a aliança entre PT e PMDB. Dizia que esta tinha “moral frouxa”. Não se sabe se falava isso por ser a verdade ou por ter a esperança de, ocorrido um rompimento entre PT e PMDB, se tornar o Vice de Dilma.

Foi aí que os petistas começaram a direcionar olhares mais enviesados ainda a Ciro. Antes, ele precisava sair da corrida presidencial porque Lula dizia que isso era melhor para Dilma. Passou a ser desejado seu fracasso também por falar mal dos companheiros.

Com isso, o jogo já estava jogado e Ciro, percebendo isso, resolveu perder de vez as papas na língua, que, aliás, nunca foram característica sua. Começou a dizer o que tinha vontade e a deixar claro que o PSB teria que demonstrar sua preferência por Dilma de forma clara, sofrendo o desgaste de preterir um presidenciável próprio, se quisesse o tirar da jogada.

Pois foi o que aconteceu. Ciro sai da corrida, mas fica claro que de forma forçada. Sai porque Lula o inviabilizou e porque o PSB não quis ir adiante e enfrentar o Presidente dos 80% de popularidade. Não sai porque quis. Já faz tempo que era apenas isso que Ciro queria deixar claro. Dizia que mantinha a candidatura, mas até as paredes sabiam que era balela. O que ele desejava mesmo era mostrar a todos que não é mais um mandado por Lula e que o PSB foi covarde.

Muitos dos socialistas alegam que estava sendo complicado alinhavar alianças nos estados tendo a candidatura própria a Presidente. Pode ser. Mas a pressão de Lula falou muito mais alto do que isso. Só não vê quem não quer.

Campos, por exemplo, dizia que o PSB decidiria seus próprios rumos, mas, ao mesmo tempo, admite que Lula “é o coordenador do processo de sucessão” e afirma que o Presidente “deu a direção” ao PSB.

Como se fosse correto um Presidente ser “coordenador do processo de sucessão”. Que dirá de um partido que não é o seu.

Ao fim e ao cabo, Ciro poderá até ter espaço em um eventual governo Dilma. Como bem disse, com muita lucidez, Marina Silva, “buscam eliminar os adversários que querem disputar legitimamente a preferência dos eleitores. Depois, tentam se colocar como o único hospedeiro possível para que os expurgados consigam sobreviver na vida pública”.

Contudo, Ciro só será “assimilado” se pedir arrego. E isso não faz, definitivamente, o seu tipo.

Se por um lado Ciro teria espaço em um possível governo petista se pedisse, por outro, isso é justamente o que ele não fará. Ao contrário, já tendo perdido o que tinha para perder, vai falar o que se quer ouvir e o que não se quer.

Aliás, já começou. Disse ao Portal IG que PT e PMDB não conseguirão controlar a provável crise cambial e fiscal que o Brasil sofrerá a partir de 2012. Afirmou também que Serra, embora pior como pessoa do que Dilma, é mais preparado e capaz para enfrentar os desafios nacionais futuros.

Ciro também deixou claro que não apoiará Dilma. Muito lógico, afinal, foi o PT que o inviabilizou. Ele não aceitará sofrer uma rasteira para depois ser “assimilado”.

Curiosamente, isso auxiliará José Serra que é tido por Ciro, há tempos, como inimigo.

Acontece que, no fim das contas, a ironia do destino se fez presente e foi Lula, o “amigo”, e não Serra, o “monstro”, que, como disse Lucia Hippolito, jogou Ciro ao mar.

E sem boia.

Membro dos governos Roriz e Arruda será Governador do DF: Intervenção é necessária

18/04/2010

Não costumo reproduzir textos opinativos, comentários, a respeito das notícias mais pontuais do mundo político nacional e internacional.

Normalmente, utilizo trechos objetivos, noticiosos, para informar a respeito do tema que eu mesmo comentarei.

Algumas vezes, divulgo artigos que analisam o panorama geral, nunca uma notícia em si mesma, mas, ainda assim, apenas quando a opinião explicitada no texto é semelhante à do blog, mantendo sua linha editorial.

Pois bem. É justamente por essa proximidade total de opinião que me vejo compelido a reproduzir não uma análise geral, mas um comentário do jornalista Ricardo Noblat. Na realidade, um resumo deste.

Ele trata da eleição indireta de Rogério Rosso, que participou dos governos de Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda, para o governo do Distrito Federal.

Não há o que tirar nem pôr. Noblat vai no cerne da questão de forma direta, eficaz, dura, comprovando que a intervenção federal nas instâncias de poder distritais se faz realmente necessária. Eu, particularmente, tinha dúvidas quanto a isso.

Não mais.

Segue o resumo do texto de Noblat, por quem tenho muito apreço – diga-se de passagem – por ter indicado o Perspectiva duas vezes aos seus leitores quando este que vos fala iniciava este blog:

“Com 13 votos de um total de 25, Rogério Rosso (PMDB), ex-administrador da cidade de Ceilândia no governo Joaquim Roriz e ex-presidente de empresa estatal no governo José Roberto Arruda, acabou de ser eleito governador-tampão do Distrito Federal.

Vamos à ficha da maioria dos deputados que o elegeu:

Ailton Gomes (PR),  [...] Benedito Domingos (PP), [...] Benício Tavares (PMDB), [...] Eurides Brito (PMDB), [...] Rogério Ulysses (expulso do PSB) [...] [e] Roney Nemer (PMDB) [se envolveram] no escândalo do mensalão do DEM.

Os deputados distritais Rubens Brunnelli e Leonardo Prudente renunciaram ao mandato por causa do escândalo.

[...]

Os dois foram substituídos por Pedro do Ovo (PR) e Geraldo Naves (DEM), que também votaram em Rogério Rosso para governador-tampão.

Naves foi aquele que esteve preso na Penitenciário da Papuda até recentemente. Envolveu-se na tentativa de Arruda de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha-chave do mensalão. Saiu da Papuda para ajudar a eleger o novo governador.

Rosso teve ainda mais dois votos de fichas-sujas:

* Batista das Cooperativas (PRP) – indicou funcionários para trabalharem na administração da cidade de Águas Claras. Vários deles fortam flagrados trabalhando na cooperativa do próprio deputado.

* Aguinaldo de Sena (PRB) – responde a processo por improbidade administrativa. Foi secretário de Esportes do governo Arruda.

Em resumo: dos 13 votos de Rosso, 10 estão manchados por escândalos.

Tem ou não de haver intervenção no Distrito Federal?

O Procurador Geral da República está certo ao defender a intervenção.”

Análise geral: Governo do Distrito Federal – 10 candidatos se inscrevem para eleição indireta

08/04/2010

O Governo do Distrito Federal, como qualquer pessoa que acompanha a política nacional sabe, sofreu diversos baques.

Teve-se o escândalo de corrupção do Governador José Roberto Arruda, o período em que este tentou segurar-se no poder, a prisão deste, a instabilidade do Vice Paulo Octávio no cargo, a renúncia de Paulo Octávio…

…A posse do Presidente da Câmara Wilson Lima, que se tornou Presidente após afastamento do Presidente Leonardo Prudente, e o constante risco de intervenção federal no estado, sob a alegação consideravelmente sensata de que todas as instâncias de poder estavam conectadas de alguma forma ao escândalo maior.

Pois bem. Tentando ainda evitar a intervenção, as autoridades do Distrito Federal, que hoje têm suas legitimidades em frangalhos, decidiram levar a cabo uma eleição indireta, feita pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, apontada como essencialmente envolvida, em sua maioria, no escândalo.

Diversos deputados já foram afastados de seus cargos pela Justiça e a eleição se dará com um colégio eleitoral reduzido. Percebe-se, desde já, que a autoridade governamental daquele que for eleito indiretamente para comandar o Distrito Federal será questionada. Será um mandato tampão na essência da palavra.

De qualquer forma, já está decidido que a eleição ocorrerá, até porque, na realidade, qualquer pessoa que assumir o governo distrital, seja por qualquer via, terá dificuldade para ter legitimidade, autoridade e alguma gestão. No fundo, o jogo político distrital implodiu. Espera-se que ele seja remanejado nas eleições de outubro, mas na verdade não se tem certeza.

No fim das contas, começaram os acordos e negociações para as chapas que seriam formadas para as eleições indiretas. Todos os postulantes queriam encabeçar chapas e tentavam, de alguma forma, convencer alguns adversários a abrirem mão de suas candidaturas em seu favor.

Ocorre que o que aconteceu era mais do que previsto: Quem era procurado para abrir mão de uma candidatura em prol de alguém perguntava porque esse alguém não abria mão em seu favor.

Depois de muitos acordos, nem todos sendo passíveis de confissão à luz do dia, chegou-se ao número de 10 inscritos.

Isso mesmo! 10 inscritos!

Derrota total daqueles que pregavam que a fragmentação enfraqueceria mais ainda o Distrito Federal, facilitando uma intervenção da União.

PV, PC do B, PSDC, PR, PTB, PRB, PT, PRTB e PMDB, além de PSL e PTN em chapa conjunta, apresentaram candidatura nesta quarta, data-limite para os registros.

Todos devem estar pensando: Crise? Que crise? Intervenção? Que intervenção? Coalizão? Que mané coalizão! O que eu quero é aproveitar o vácuo de poder e alcançar o governo – e as verbas – do Distrito Federal!

Como diria a velha cantilena: Esse é o Brasil que vai pra frente!

Rio: Lindberg vence prévias contra Benedita e disputará Senado pelo PT

29/03/2010

Informa o Globo:

“O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, foi declarado vencedor das prévias do PT do Rio para escolher o candidato do partido a uma vaga no Senado. O prefeito derrotou a secretária estadual de Assistência Social Benedita da Silva.

O resultado foi anunciado na noite deste domingo pelo presidente do diretório regional do partido, deputado federal Luiz Sérgio.

Até as 21h30m, dos 27.636 votos (99,9% do total), 18.546 (67,1%) foram para Lindberg. A secretária estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Benedita da Silva, naquele horário, tinha 9.090 (32,9%). As parciais indicavam ainda 78 votos em branco e 73 nulos.

- Eu não esperava a diferença tão grande, o resultado surpreendeu – disse o prefeito de Nova Iguaçu ao saber do resultado. “

Se por um lado Lindberg Farias é Prefeito reeleito de Nova Iguaçu, região metropolitana do Rio, e, portanto, testado em eleições majoritárias, por outro lado, ele nunca disputou uma eleição majoritária que envolvesse o eleitorado do interior fluminense e, principalmente, o da capital, tendo sido eleito com votos do município do Rio de Janeiro apenas para cargos onde a disputa é proporcional.

Sendo assim, no que diz respeito à abrangência estadual, Lindberg é uma incógnita. Pode terminar por ser um candidato nanico, mas pode também surpreender e ir bem.

As chances de vitória são poucas: As duas vagas provavelmente serão preenchidas por Marcelo Crivella (PRB) e Cesar Maia (DEM), líderes das pesquisas com folga.

Aliás, levando em conta as pesquisas, Benedita teria vencido as prévias. Seus índices de intenção de voto chegam a ser maiores que o dobro dos de Lindberg.

Parece que, em detrimento das chances de sucesso do momento, o PT fluminense resolveu mostrar à cúpula nacional do partido que está cansado de ser dominado arbitrariamente.

Benedita era apoiada pela Direção Nacional.

Cabe agora ao PT fluminense trabalhar e torcer para que Lindberg se mostre viável.

Se ele não o for, ouvirão da cúpula nacional um sonoro “não te disse?”.

Análise da disputa pelo Senado em Minas: Três nomes fortes – Um ficará pelo caminho

26/03/2010

A disputa pelo Senado em Minas Gerais contará com um rol de competidores digno de ser o da eleição ao governo do estado. Aliás, diga-se de passagem, o rol em questão é digno até de ser o da eleição presidencial. Trata-se de três árvores de raízes firmes, tronco robusto e copa frondosa.

Chega a ser uma injustiça que uma contenda conte com Aécio Neves (PSDB), José Alencar (PRB) e Itamar Franco (PPS) e possa agraciar apenas dois como vitoriosos. Qualquer um com um mínimo de conhecimento da política nacional sabe que afirmar que estes nomes poderiam tranquilamente ser os que disputam o Planalto não é nenhum exagero.

Aécio Neves tem no currículo a tradição do sobrenome, a atuação destacada na Câmara dos Deputados e a gestão elogiadíssima em um estado como Minas Gerais, que o colocou como pré-presidenciável.

José Alencar traz consigo uma história de sucesso profissional e pessoal com a Coteminas, o respaldo da ação sensata e louvável como Vice-Presidente e o exemplo de superação na luta contra um câncer que teima em retornar a cada vez que é vencido.

Itamar Franco é sinônimo de integridade na política, com trajetória política rica, vitoriosa e de poucas concessões ao que é condenável, sendo lembrado sempre pela honesta e bem-sucedida presidência, que colocou o Brasil nos trilhos pelos quais circula hoje.

Percebe-se, portanto, que Minas Gerais está bem servida de candidatos ao Senado, mais representativos e significativos até que os candidatos ao governo do estado. O Brasil, como um todo, com certeza ficaria feliz, ressalvada a quase impossibilidade de se ter todos os candidatos a Presidente advindos de um só estado, de ter nomes como esse disputando a Presidência.

Acontece que, estando os três na disputa pelo Senado, um acabará ficando pelo caminho. Infelizmente. O Senado se enriqueceria muito com a presença conjunta deste trio, mas uma das árvores não fincará suas raízes por lá.

Aécio Neves e Itamar Franco farão dobradinha se realmente concorrerem os dois. Um indicará o segundo voto no outro. José Alencar se situará do lado governista, provavelmente fazendo sua dobradinha com alguém do PT. Um alguém que está longe de ser definido, talvez por todos saberem, justamente, que a disputa é de gente grande.

Confirmado este cenário, pode-se prever que Itamar seja o candidato com menos chances. Teria tudo para ser eleito em outras circunstâncias, mas Alencar e Aécio são praticamente unanimidades em Minas. Itamar, Aécio e Alencar têm magnitude, fornecem madeira de lei, mas os dois últimos têm mais popularidade nos dias de hoje. Suas madeiras estão mais na moda.

Sendo assim, talvez Itamar seja aquele que ficará pelo caminho.

Resta saber se, prevendo isso, o ex-Presidente ficará pelo caminho nas eleições ou já agora, retirando sua candidatura e concorrendo ou como Vice de Antonio Anastasia ou à Câmara de Deputados. Em todo caso, não se tratará de uma árvore tombada.

Contudo, todo o cenário muda se um dos outros dois se retirar da disputa:

Alencar por questões de saúde e Aécio por questões de pressão tucana para que seja o Vice de José Serra.

Quem dará mais frutos em outubro?

A ver.

Análise Geral da Sucessão Paulista: PSDB e DEM acertam chapa com Alckmin e Afif – PT vai de Mercadante

25/03/2010


O período de campanha eleitoral vai se aproximando e o cenário sucessório paulista vai se definindo: PSDB e Democratas vão de Geraldo Alckmin e Afif Domingos e o PT vai de Aloizio Mercadante – e não de Ciro Gomes – faltando ainda definir se o PDT ou o PR indicará o Vice da chapa governista.

Já era nítido há algum tempo que Aloysio Nunes Ferreira – preferido pelo Governador José Serra – não conseguiria tomar a indicação tucana ao Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin. Por mais que Aloysio fosse e seja mais bem visto por Serra, Alckmin era e é mais bem visto pelo povo paulista.

Definido o nome de Alckmin, faltava o Vice. Natural que venha do Democratas, parceiro prioritário do PSDB, principalmente em São Paulo. Natural também que seja Afif, segundo nome de mais peso do Democratas paulista, atrás apenas do Prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Alckmin e Afif, que são secretários do governo Serra, devem deixar os cargos em breve para poderem concorrer em outubro, assim como fará o próprio Governador, que passa o cargo para Alberto Goldman, seu Vice, para poder concorrer ao Planalto.

Caberá a Alckmin, também, retribuir a gentileza de Aloysio Nunes Ferreira, que retirou seu nome da corrida estadual em favor dele a pedido de Serra. O ex-Governador que pleiteia retornar ao cargo terá que demover José Aníbal,  líder do PSDB na Câmara dos Deputados, de disputar prévias com Aloysio.

Fica pendente a resolução do problema da acomodação do PTB, que quer lançar ao Senado o já Senador Romeu Tuma. Sendo uma vaga na chapa de Aloysio e estando a outra já prometida a Orestes Quércia em troca do apoio do PMDB à chapa, não sobrará espaço para Tuma. Nessa questão ainda passará muita água por baixo da ponte.

Do lado governista, Ciro Gomes tanto falou mal do PT e, principalmente, da aliança deste com o PMDB que inviabilizou de vez sua candidatura. Fez de propósito. Sabe que sua candidatura em São Paulo seria absurdamente artificial.

Restou ao governo buscar uma alternativa dentro do PT. Aloizio Mercadante, que viria candidato à reeleição no Senado, surgiu como nome provável. Agora, já é dado como certo, abrindo espaço para a candidatura da ex-Prefeita Marta Suplicy ao Senado. Emidio de Souza, Prefeito de Osasco e pré-candidato petista ao governo, já desistiu em favor de Mercadante.

Mercadante provavelmente terá PDT, PR, PC do B, PSL e PRB em sua coligação. O Vice deve sair de um dos dois primeiros. A não ser que o governo consiga convencer o PSB a não lançar o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, como candidato ao governo de São Paulo. Nesse caso, o próprio Skaf pode ser o Vice de Mercadante, em uma frente ampla formada por partidos que a nível federal formam a base do governo.

De certa forma, os esforços do lado governista provavelmente só servirão para fazer bonito e para tentar conquistar as vagas do Senado. Além de Marta Suplicy, será lançado pela coligação outro nome, que pode ser o do cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) ou o de Gabriel Chalita (PSB).

A disputa pelo governo em si já parece resolvida.

Geraldo Alckmin tem tudo para levar mais uma vez o governo do São Paulo e sua vitória parece uma das apostas mais seguras para as eleições deste ano.

Artigo: Ruy Fabiano – O PT e o centenário de Tancredo

08/03/2010

Este que vos fala já reproduziu diversas vezes, neste Perspectiva, os artigos do jornalista Ruy Fabiano. Faço isso não só por entender que trata-se de um dos mais lúcidos analistas políticos da atualidade mas, também, por enxergar em Fabiano uma linha de raciocínio político extremamente próxima da minha. Fabiano diz em seus textos muitas vezes, apenas com outras palavras, o mesmo entendimento que venho expressando no Perspectiva.

É por isso que, como citado, reproduzo os textos do jornalista, rendendo a eles os devidos elogios pela sensatez, pela independência, pela coerência e pela justiça, ou seja, por respeitar tudo aquilo que este blogueiro visa respeitar em seu trabalho.

Dito isso, mais uma vez reproduzo, abaixo, artigo de Ruy Fabiano. Ele versa sobre a história do PT e a comparação entre o início da trajetória do partido e a legenda de hoje. Com maestria, cita os fatos, sem ilações, demonstrando as mudanças de posicionamento que vão sendo justificadas sob a bandeira do “pragmatismo”.

Destaque para o trecho: “Na eleição anterior, o PT recusara convite de Fernando Henrique para figurar na sua chapa como vice, o que lhe abriria espaço para sucedê-lo e consolidar uma aliança progressista que dizia desejar. Preferiu, porém, combater o Plano Real, empurrar o PSDB para uma aliança conservadora com o PFL e continuar marchando sozinho, contra tudo e todos.”

Fabiano novamente diz, sem tirar nem por, o mesmo que este modesto blogueiro pensa e escreve neste Perspectiva.

O PT e o centenário de Tancredo

Ruy Fabiano*

A ausência do PT nas celebrações, promovidas pelo Senado na quarta-feira, pelo centenário de Tancredo Neves, guarda coerência com a história do partido.

Embora hoje sustente o contrário, o PT foi beneficiário, mas não protagonista (em alguns momentos, nem coadjuvante) do processo de redemocratização.

Chegou a combater algumas de suas iniciativas, como a candidatura do próprio Tancredo Neves à Presidência pelo colégio eleitoral, em 1984. Além de não apoiá-lo – considerando que tanto fazia elegê-lo como a Paulo Maluf -, expulsou três de seus deputados (Beth Mendes, José Eudes e Airton Soares) que decidiram sufragá-lo.

Quando da promulgação da Constituição de 88, anunciou que não a assinaria, por achá-la conservadora. E só o fez, sob protesto, por instâncias de Ulysses Guimarães, que pedia uma chance para aquele momento que se inaugurava.

Mesmo na campanha das diretas – e isso é fato histórico -, não estava na sua gênese. Incorporou-se à campanha quando já estava nas ruas e atraía multidões.

Não obstante, todas essas iniciativas, de que manteve asséptica distância, o beneficiaram, deram-lhe visibilidade. Mas o partido sustentava que não lhe era conveniente manter proximidade de políticos tradicionais, como Franco Montoro, Leonel Brizola, Tancredo Neves ou Ulysses Guimarães. Considerava-os, sem distinção ideológica, farinhas do mesmo saco.

A política deles era promíscua, enquanto a do PT guiava-se por paradigmas de pureza. Lula desdenhava do trabalhismo varguista, de Brizola, considerando-o superado e de índole pelega. O seu era diferente, moderno, distanciado do Estado.

Recusou alianças e manteve-se, até chegar ao poder, numa redoma de impenetrável sacralidade. Recusou todas as frentes oposicionistas que se armaram para enfraquecer o último governo militar, do general João Figueiredo, o que suscitou suspeitas de que agia sob a inspiração do estrategista do regime, general Golbery.

O partido esteve na linha de frente do impeachment de Collor, mas recusou integrar o governo Itamar, expulsando Luiza Erundina, por tê-lo aceito.

Expulsaria mais tarde, em 1996, o deputado Eduardo Jorge, por ter votado a favor da CPMF, que o partido então combatia, mas que Lula, na Presidência, considerou imprescindível para governar o país. Só não expulsou os mensaleiros e aloprados.

A primeira aliança admitida foi com Leonel Brizola, que, embora com muito mais bagagem e história, se submeteu a ser vice na chapa de Lula, em 1998.

Na eleição anterior, o PT recusara convite de Fernando Henrique para figurar na sua chapa como vice, o que lhe abriria espaço para sucedê-lo e consolidar uma aliança progressista que dizia desejar. Preferiu, porém, combater o Plano Real, empurrar o PSDB para uma aliança conservadora com o PFL e continuar marchando sozinho, contra tudo e todos.

Ao finalmente se eleger, em 2002, incorporou-se ao “mesmo saco” das farinhas que execrara. Buscou alianças conservadoras com o PMDB, PL (hoje, PRB, do vice José Alencar), PTB et caterva.

Criticava o neoliberalismo dos tucanos, mas buscara o seu vice no Partido Liberal. Criticava a política monetarista do Banco Central, mas escolheu um banqueiro tucano, Henrique Meirelles, para presidi-lo.

Condenava a política assistencialista da Bolsa Educação e dos vale-gás e vale-alimentação, mas incorporou-as sob o rótulo Bolsa Família, que se transformaria no carro-chefe de seus dois governos.

Lula depois esclareceria, algo que antes não se percebera: que era (é) uma “metamorfose ambulante”. Mas, embora mostre sintonia com o que há de mais condenável nas tradições políticas nacionais, insiste em que refundou o Brasil, idéia que, sob o bordão “nunca antes neste país”, permeia a quase totalidade de seus discursos.

Ao revogar tudo o que se fez, de Cabral (o Pedro Alvarez, não o Sérgio) a FHC, não há mesmo por que celebrar o centenário de Tancredo, algo que, para os petistas, equivale a uma peça de ficção.

O Brasil petista começa com Lula e prossegue com Dilma. Apossa-se do que de bom produziu o Brasil anterior, sonegando-lhe a autoria, e atribui o que há de ruim, inclusive o produzido sob sua égide, aos antepassados. Vale-se do desconhecimento que o povo tem da história, recente e remota, para convencê-lo de sua encenação.

Pior: consegue.

*Ruy Fabiano é jornalista