Postagens com a palavra-chave ‘Populismo’

Coluna do dia: Pão, Circo e Votos

07/06/2010

Por Arthurius Maximus*

Respeitável público! Vai começar o maior espetáculo da terra!

Era exatamente assim que deveriam começar quaisquer programas jornalísticos brasileiros e mesmo os programas produzidos pelo governo para divulgar qualquer coisa, desde a vacina contra o H1N1 até o controle do crack.

Não sou contra o futebol, muito pelo contrário, adoro a Copa do Mundo e acompanho os jogos da seleção como qualquer mortal. Mas, infelizmente, percebo com uma clareza quase divina (que você também tem, caro leitor) como o futebol é usado pelos nossos políticos (não apenas neste governo) para encobrir ações danosas e perniciosas práticas que eles tanto amam.

Quase me passa pela mente o arrependimento de não ter concordado com a proposta do líder do governo na Câmara de decretar um “feriadão” no Congresso Nacional durante a Copa do Mundo. Afinal de contas, com a corja em casa, as possibilidades de emendas milionárias, projetos despóticos e uma série de outras barbaridades serem aprovadas a “toque de caixa” e longe da atenção popular, magicamente dirigida pela imprensa para o “outro lado”, diminuiria bastante.

No entanto, isso não aconteceu e o Brasil prepara-se para mergulhar de corpo e alma no mais velho jeito de fazer política: O Pão e Circo.

Mas, numa coisa nossos políticos não ficam para trás. Mesmo após anos de aplicação pelos mais diversos regimes políticos e pelas nações das mais diversas orientações, o “Pão e Circo” brasileiro elevou o antigo preceito romano a uma categoria de “estado da arte”.

Se a “Seleção Canarinho” trouxer o caneco, o Brasil de transformará na terra do leite e mel. De uma hora para outra, nossos problemas estarão resolvidos e ninguém mais morrerá nos hospitais lotados e sucateados, ninguém mais chegará à idade adulta semi-alfabetizado e nenhum outro brasileiro precisará de esmolas para sobreviver.

Impulsionado pela grande imprensa, o “ópio do povo” é derramado aos borbotões pela goela abaixo da nação faminta de oportunidades e carente da nutrição educacional e moral necessária a uma nação “de futuro”.

Do dia para a noite, o Brasil se encherá de patriotas e de cidadãos pensantes e compenetrados do dever cívico que consiste em carregar a bandeira e defender uma nação forte e vitoriosa.

E, na crista dessa grande onda avassaladora surfarão, mais uma vez, os profetas do populismo e os deuses da manipulação das massas distribuindo bolsas-esmolas, cargos, propinas e benesses pagas com uma carga tributária cada vez mais escorchante e esmagadora. Exatamente como se fazia nos primórdios da civilização e como é feito desde que o mundo é mundo e um povo apático e omisso assim o permite.

Se a seleção vencer, pessoas despreparadas e criadas com o único propósito de enganar o povo se tornarão seres mágicos. Etéreos e divinos, abraçarão o povo e solucionarão todos os seus problemas num passe de mágica de forma simples e trivial como se não tivessem disposto de quase duas décadas para fazê-lo sem, no entanto, terem conseguido.

Carecas ou com excesso de laquê nos cabelos e rostos moldados pelos cirurgiões plásticos mais renomados, esses novos deuses patriotas descerão do Olimpo e se tornarão uma parte do corpo disforme e convulsivo da grande massa alegre e bêbada de contentamento. Derramarão sobre ela toda a sorte de promessas, sorrisos e baboseiras esperando com isso conquistar-lhes os corações e as mentes entorpecidos pela vitória.

Mas isso, se a seleção vencer…

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica.

Coluna do dia: Lula, FHC e os Românticos de Cuba

25/01/2010

Por Arthurius Maximus*

Quando se tece uma crítica a algum aspecto do governo Lula, muitos apaixonados, favorecidos ou simplesmente ainda iludidos pela possibilidade de uma guinada do País rumo ao “primeiro mundo” se sentem ofendidos e descascam ataques alegando que Lula é muito melhor que FHC e que ataques a ele são feitos “por uma elite burguesa” , por “tucanos” ou por gente “pró-Serra”.

Esse discurso atrasado e bem ensaiado, visando unicamente confundir o povo e fazer dele a eterna massa de manobra na tática do “rico contra pobre”, é uma idiotice enorme. As eleições não devem e não podem ser consideradas uma medição de forças entre os “pró-Lula” e os “pró-FHC”. Não há apenas os candidatos indicados por esse dois presidentes pífios e preguiçosos no que diz respeito ao combate à corrupção e a uma administração pautada pelo atendimento às reais necessidades do País.

O discurso plebiscitário favorece unicamente a desinformação e a formalização de uma cultura “rouba mas faz”. Afinal de contas, FHC entregou as estatais de mão beijada, lançou as bases do mensalão e favoreceu grupos políticos poderosos e perniciosos que há anos mamam nas tetas da República.

Lula “O Grande” é constantemente mostrado como um líder que revolucionou a economia nacional e que fez a polícia federal trabalhar “como nunca” na caça aos corruptos. O que as pessoas esquecem é que a “revolução econômica” de Lula foi tocada com bases fundamentadas nos princípios lançados por FHC e que o próprio Presidente do Banco Central era ligado diretamente ao PSDB.

Não que isso seja importante, afinal de contas, mesmo que o Presidente do Brasil fosse o “Joãozinho Sete Quedas” teríamos experimentado os anos de bonança que vivemos até o fim de 2008. Pouca gente se dá conta de que aquele período histórico foi de vacas gordas para todos os países do mundo com alguma produtividade e alguma capacidade de produzir riquezas.

Mesmo o “ferrenho combate à corrupção” alardeado aos quatro cantos é algo em que se deve pensar por dois segundos. Lula criticou abertamente a Polícia Federal por algumas prisões “de gente grande” e  atacou o Judiciário inúmeras vezes pelas tentativas de condenar “pessoas incomuns” com uma extensa “biografia”. Isso sem mencionarmos sua claríssima participação e apoio no mensalão, sua atuação ridícula no caso Sarney e o enriquecimento “da noite para o dia” de seu filho (um empresário pequeníssimo que, de repente, se transformou em um dos homens mais ricos do País).

Considerando que a vontade do PT é implantar em nosso País uma clara ditadura ao estilo Chávez (por isso as constantes tentativas de emplacar um controle à imprensa e de aparelhar todas as áreas de atuação do governo), vemos com uma clareza terrível que o discurso plebiscitário visa apenas confundir e centrar as eleições no âmbito da luta de classes e da falsa sensação de que Lula está “ao lado dos pobres” (enquanto a máquina derrama benesses assistencialistas que apenas escravizam a quem precisa).

No entanto, o que o governo Lula deixa de informar, convenientemente, é que os programas assistencialistas visam apenas manter os pobres na pobreza e na dependência eterna do governo e, por isso, arrebanhá-los como uma reserva política acessível e maleável que possa ser manipulada ao seu bel prazer.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Natal e ações políticas “solidárias”

20/12/2009

Por Jessica Riegg*


Época de Natal… Corações abertos!

Não são “curiosas” tantas manifestações de amor e carinho em direção aos menos favorecidos no mês de dezembro?

Acho muito comovente a forma com que alguns políticos se tornam amáveis e solidários. Alguns vereadores, prefeitos e até presidentes ajudam crianças doando roupas, brinquedos e até comida.

Contudo, eu fico me perguntando a todo momento se aquela ação não deveria ser desenvolvida durante o ano inteiro… Se as crianças não precisam de roupas e comida durante o ano… Se os pobres não esperam mais dos seus governantes…

As respostas que obti para minhas indagações foram simples: tanto políticos quanto a população esquecem tudo de ruim nessa época (falta de atenção, projetos caros, e superfaturados demora em projetos necessários, mensalão e coisas do tipo). Homens públicos se tornam “solidários” de repente (e começam a doar e ajudar). Os pobres se espantam com tamanho carinho e começam a ver com bons olhos aqueles homens “tão sinceros”.

Claro que existem projetos natalinos verdadeiros financiados pelos homens do poder público, mas estes são raros e cabe a nós indentificá-los. Cabe a nós verificar o que vem por trás das boas intenções e dos presentinhos. Cabe aos eleitores perceber quem gosta de ajudar e quem ajuda por obrigação e/ou interesse.

Nós, o povo, precisamos diferenciar as ações e saber se aqueles homens agem daquela maneira para estarem na mídia, ou se são assim com a própria família. Porque um homem de verdade, de caráter, trata sua família como ouro, e isso se reflete em todas as suas outras relações.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Violência, segurança e justiça – A lei do “não dá nada”

12/12/2009

Por Bruno Medina*

As cenas de violência ocorridas no domingo passado no estádio Couto Pereira, em Curitiba, e reproduzidas à exaustão pelos meios de comunicação durante a semana, refletem uma sociedade acuada pela criminalidade e um Estado que não consegue conter sua ascendência.

Os “torcedores” que perpetraram aquelas agressões contra a Polícia Militar, jogadores, arbitragem e torcedores do Fluminense, são tão baderneiros quanto os “membros” do MST, pois praticaram vandalismo e cometeram violência deliberada contra outrem do mesmo modo. A diferença é que a “causa” dos grupos é diversa.

As agressões não se limitaram ao Estado do Paraná. Houve também violência em Santos, no jogo entre Santos e Cruzeiro; no Rio de Janeiro, onde se comemorava o título do Flamengo, e também aqui em Porto Alegre, na chegada dos jogadores do Grêmio. Neste caso, os torcedores ficaram revoltados porque o Grêmio não “entregou” o jogo, mas a agressão foi somente verbal.

Na segunda-feira à noite, na festa promovida pela CBF no Rio de Janeiro para entrega dos prêmios do Campeonato Brasileiro, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB), estava presente. Em entrevista, afirmou que o governo federal já enviou projeto de lei ao Congresso Nacional para que a violência cometida por torcedores nos estádios seja punida. Para quê?

A criação de mais regras que caracterizem determinadas condutas como criminosas ou a emenda das existentes não inibe nem diminui a criminalidade. Aumentar a quantidade da pena que o criminoso pode vir a cumprir pela prática de um delito não faz a menor diferença se a finalidade é coibir o aumento da delinquência.

As condutas praticadas pelos “torcedores” no último domingo se enquadram perfeitamente nos tipos penais já existentes, que são a lesão corporal (art. 129, CP) e a tentativa de homicídio (art. 121 c/c art. 14, II, CP). Por que razão criar outras leis penais com novas sanções quando as normas atuais são suficientes, no sentido de compreenderem as condutas? O problema da criminalidade não são as leis penais (que muitos consideram inócuas), mas os meios que o Estado emprega para garantir seu cumprimento.

É sabido que o Congresso Nacional só age quando é de seu interesse ou quando há forte pressão da mídia em relação a algum assunto polêmico. Desde a publicação da Constituição Federal de 1988, diversas foram as leis publicadas cuja finalidade era o combate à criminalidade que tem acuado a sociedade brasileira. E todas foram imediatamente votadas e aprovadas pelo Congresso e publicadas pelo governo federal. Isto é, não houve debate, estudo ou pesquisa acerca dos temas tratados. Veja alguns exemplos:

A Lei dos Crimes Hediondos (8.072/90) nasceu em razão da crescente onda de sequestros que eram praticados no final dos anos 80 e início dos anos 90. Empresários famosos foram vítimas, à época, destes crimes. Imediatamente a mídia abraçou a causa e o tema foi tratado como de relevância nacional, que necessitava de ação imediata das autoridades públicas. Para isso, nada melhor do que uma medida legal que aumentava o tempo de cumprimento da pena e retirava direitos e garantias fundamentais da bandidagem.

O assassinato da atriz Daniela Perez é conhecido. A mãe, Glória Perez, autora de novelas da Rede Globo, promoveu uma manifestação nacional pelo combate à criminalidade. A mídia ajudou. E então a Lei 8.930/94 endureceu e classificou o homicídio qualificado (art. 121, parágrafo 2º, CP) como hediondo.

Em 2006, o PCC se tornou conhecido em todo o Brasil. O Senado Federal rapidinho aprovou diversos projetos de lei penais, incluindo o Regime Disciplinar Diferenciado para criminosos de alta periculosidade. Pronto! Chega de moleza para os salteadores.

Em 2007, João Hélio foi arrastado e morto após o cometimento do furto de um carro, no Rio de Janeiro. Entre os delinquentes, um era menor. Deste fato, nasce projeto de lei para diminuir a idade mínima penal (os menores de idade não cometem crime e não estão sujeitos à pena; os delitos por eles praticados são atos infracionais cuja sanção é uma medida sócio-educativa).

As leis penais posteriores à Constituição Federal de 1988 só existem por que houve pressão da mídia (que faz uso da criminalidade como um produto para vender jornais), e também por que os legisladores (mais conhecidos como deputados e senadores) querem demonstrar para a população que eles “estão atentos aos anseios da população no combate à criminalidade…”. O Congresso só trabalha sob pressão. Aconteceu um crime horrendo que choca a população e a mídia explora o fato, faz-se uma nova lei “mais severa”. É o populismo punitivo que consiste na atuação eleitoreira e demagógica do legislador ordinário que não pretende perder visibilidade perante os eleitores, segundo explica o jurista Luiz Flávio Gomes, autor de vários livros e artigos sobre Direito Penal.

Estas medidas penais são inócuas no combate à criminalidade. A bandidagem “tá se lixando” para o tamanho da pena. O problema é que o Estado não empreende esforços corretos para resolver esse mal, a começar pela baixa remuneração das Polícias. A remuneração das Polícias civis e militares compete a cada Estado da federação, o que permite diferenças salariais. Quando o Estado não valoriza os encarregados pela manutenção da segurança pública, ele facilita que o servidor se corrompa – não que isso justifique tal atitude. Não é de graça que a remuneração de um Juiz de Direito é alta se comparada à de outros cargos. Além da quantidade de trabalho, muitas vezes suas decisões implicam modificações na vida das pessoas. E o elevado salário tem a finalidade de evitar que ele se perverta, também.

Outro problema é a falta de estrutura. Muitas Delegacias não têm coletes à prova de balas suficientes para todos os policiais (quando não estão vencidos), armamento, veículos, etc. O Estado, além disso, não oportuniza reciclagem para treinamento físico e cursos de atualização jurídica para um melhor exercício da prática policial, seja a segurança pública preventiva, pela qual é responsável a Polícia Militar, ou a de investigação, que é atribuição da Polícia Civil. Falta de estrutura para que os servidores possam dar prosseguimento às investigações não é o caso da Polícia Federal, pelo se vê aqui.

O jornal Zero Hora, aqui do Rio Grande do Sul, semanas atrás divulgou uma pesquisa que chegou à seguinte conclusão: com o efetivo e a estrutura atual, a Polícia Civil gaúcha levará, em média, 110 anos para concluir todos os inquéritos em andamento. Esta falta de estrutura, que acomete a primeira entidade do Estado responsável por cumprir a lei penal, é que causa a conhecida “sensação de impunidade” na sociedade – que deixou de ser  sensação há muito tempo.

Mas não é só isso. A morosidade judiciária brasileira e a inexistência de políticas eficientes de segurança pública contribuem, e muito, para a constante crise de violência social.

Os baderneiros de Curitiba sabem que o Estado falha em cumprir o Direito Penal (garantir o cumprimento da penalidade), e que as medidas punitivas restritivas de liberdade são, em sua maioria, substituídas por restritivas de direito, o que, no frigir dos ovos, não resulta no cumprimento de uma pena que visa reprovar a conduta antissocial praticada. No final das contas, “não dá nada”.

*Bruno Medina, escrevendo excepcionalmente em um sábado, é colunista do Perspectiva Política às sextas

Coluna do dia: Escândalo no DF – Aquilo que é invisível para os olhos

06/12/2009

Por Matheus Passos*

“Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível para os olhos.” Acredito que todos os leitores já tenham lido esta frase, ou já a tenham ouvido em algum momento de suas vidas. Da mesma forma, acredito que todos saibam de onde a frase vem: do livro “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, um dos livros mais traduzidos no mundo.

Estranho, não é mesmo? Estranho começar uma coluna sobre política com algo tão poético quanto “O Pequeno Príncipe” – embora saibamos que tal livro não é um mero “livro para crianças”: possui conteúdo filosófico que serve para as “crianças de todas as idades”. Mas o objetivo da coluna não é falar da filosofia de “O Pequeno Príncipe”. O objetivo é levantar dois questionamentos a respeito de um fato que ocorre aqui “ao lado de casa”, há exatos 25,3 km de onde moro, segundo o Google Maps: a corrupção na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Antes de começar, quero deixar claro que não sou favorável a absolutamente nenhum tipo de corrupção. Apropriando-me das ideias de meu colega colunista Yashá Gallazzi, não me importa se o corrupto é de esquerda, de direita, de centro, de cima ou de baixo: corrupto bom é corrupto na cadeia, pagando pelos erros cometidos.

Feita tal ressalva, surge a primeira pergunta: notaram que quem lançou tudo “no ventilador” foi Durval Barbosa, uma das pessoas mais próximas de Joaquim Roriz? Quem mora no DF sabe a aura de “salvador da pátria” que Roriz tem por aqui. Quem mora no DF sabe que há uns 15 anos (talvez mais) a política local é plebiscitária – muito mais do que tem sido em âmbito nacional –, oscilando entre Roriz e seus aliados de um lado e o PT e seus aliados de outro. E quem mora no DF sabe que Roriz não quer largar o osso de jeito nenhum, tanto que saiu do PMDB e se filiou a um partido pequeno objetivando voltar nas eleições do próximo ano, com grandes chances de ser eleito – porque foi ele que fez a população do DF aumentar em mais ou menos um milhão de habitantes em 10 anos, graças à sua política de distribuição de lotes.

Que coincidência, não é mesmo? Justamente aquele que é um dos principais “braços-direito” de Joaquim Roriz resolve, há menos de um ano das eleições, abrir o bico a respeito de algo que teria acontecido antes mesmo da eleição de Arruda – portanto, ainda durante o mandato de Roriz.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda tinha índices de popularidade razoáveis, que, se não lhe garantiriam a reeleição no ano que vem, com certeza o colocava como um dos principais candidatos, ao lado de Roriz – com boas chances de vencer o mesmo.

Durval Barbosa resolveu falar no momento em que Arruda, se expulso do DEM, não poderá concorrer no ano que vem, por faltar menos de um ano para as eleições e não haver mais tempo hábil para a filiação a um novo partido.

Em suma: Durval Barbosa falou no momento exato de tirar Arruda da competição eleitoral do ano que vem, pavimentando o caminho para que Roriz vença – pois quem mora no DF sabe que no momento o PT não possui nenhum nome suficientemente forte por aqui para competir com Roriz (o deputado Geraldo Magela que o diga), e que o único que se encontrava no caminho do retorno de Roriz era Arruda.

O segundo questionamento também é simples: quem fez a investigação? A Polícia Federal, é claro. Que é comandada pelo governo federal, ou seja, pelo PT – cujo partido opositor é, dentre outros, o DEM. Que, por sua vez, vinha fazendo, ultimamente, uma forte campanha oposicionista ao governo federal, até mesmo com o lançamento – ainda que tímido, mas já uma evolução em relação à política brasileira – de propostas alternativas ao que o governo vem fazendo.

Claro está, neste caso, que o governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que, como já falado, teria grandes chances de reeleição no próximo ano.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – e que vinha fazendo uma boa política de boa vizinhança com o governador de Goiás e o de Minas Gerais, no que diz respeito a políticas públicas para o Entorno do DF.

O governo federal quis dar uma pequena mostra de sua força ao DEM, atacando o único governador que este partido possui – bem como sua base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, cuja maioria apóia o governo de Arruda.

Em suma: o governo federal atacou na hora exata, no sentido de enfraquecer o único governador que o DEM – partido que vinha ultimamente cutucando demais o governo – possui.

Para terminar esta coluna, deixo um terceiro questionamento: em algum momento a grande mídia apresentou tais ideias ao público? Em algum momento a Rede Globo explicou as relações existentes entre DEM e PT? Em algum momento a Rede Globo falou a respeito da força que Roriz tem no DF, força esta fundamentada no mais retrógrado populismo-assistencialismo possível? Corrijam-me se eu estiver enganado, mas tais ideias, em nenhum momento, foram apresentadas claramente ao grande público. Mostraram-se apenas as imagens que chamam a atenção e causam indignação a qualquer um, em qualquer lugar do mundo: políticos recebendo dinheiro vivo. Mas nada, nenhuma análise a respeito das motivações da divulgação destas imagens. Nada, nenhuma palavra a respeito da vinculação de tais fatos às eleições do próximo ano. Nada, nenhuma palavra a respeito das motivações do governo federal.

É como diria Saint-Exupéry: “o essencial é invisível para os olhos”.

*Matheus Passos, escrevendo excepcionalmente em um domingo, é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.

Coluna do dia: Eleições em Honduras – O Brasil parece querer o juízo final

30/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A política externa brasileira vem sendo criticada por mim, e por inúmeros outros articulistas, faz tempo. Subserviência a Chávez, apoio a toda sorte de ditadores e genocidas africanos, esmolas em profusão para nossos vizinhos que, ao invés de trabalharem pela melhora de seus países, ficam chafurdados no velho discurso de que a culpa de sua pobreza é do “Imperialismo Tupiniquim” e não de seus governos preguiçosos e de uma população acostumada ao populismo e ao assistencialismo.

A posição do Brasil frente às eleições hondurenhas deste domingo é mais um ponto de vergonha na política externa do governo Lula. A canhestra operação de acobertamento envolvendo a tomada da embaixada brasileira em Tegucigalpa pelas “legiões” de Zelaya e a sua transformação em palanque político (contra todas as leis internacionais) pelo velho caudilho hondurenho, não foram suficientemente capazes de fazer ver a Lula e ao Itamaraty a burrada em que o Brasil se meteu.

Além de abdicar do importante papel de mediador e de agente da normalidade política, aumentando o seu poder de influência na região e levando uma imagem de país preparado para lidar com crises além da sua própria fronteira, o Brasil, embalado pela subserviência a Chávez, tomou o pior partido possível e acabou se prestando ao papel de marionete de Zelaya e do venezuelano.

Honduras vivia a quase normalidade política e todas as partes compactuaram com um acordo firmado pelo Presidente da Costa Rica, que reconduziria o país para a normalidade democrática. Mas o retorno de Zelaya ao país e o seu abrigo em nossa embaixada serviram para lançar a nação hondurenha à beira de uma guerra civil e da instabilidade institucional. Tudo porque o Brasil deixou que Zelaya acessasse rádios, canais de televisão e a imprensa internacional através da nossa embaixada e conclamasse os seus seguidores a se revoltarem.

Como sempre vimos nas transmissões ao vivo, as passeatas sempre eram de poucas centenas de pessoas. Contudo, a balbúrdia e a insegurança criadas por elas levaram o país para a beira de um colapso social e de uma luta fratricida.

Como ficou claro depois, Zelaya nunca quis negociar. Seu intuito era mesmo criar confusão e ser reconduzido “nos braços do povo” para o palácio presidencial (do qual foi retirado legalmente ao violar a Constituição de Honduras). Ao perceber que isso não aconteceria, pelo simples fato de que a maioria da população de seu país estava contra ele, a única alternativa era impedir as eleições. Com a ajuda do Brasil, Zelaya e Chávez tentaram de tudo. Mas, com o apoio dos EUA e de quase toda a comunidade das Américas para a realização das eleições e o reconhecimento de que isso encerrava a crise de uma vez por todas, Zelaya viu a sua posição esvaziar-se e até os membros de seu próprio partido participaram das eleições.

O resultado não pode ser mais expressivo do pensamento do povo hondurenho: Tanto o partido de Zelaya quanto o de Micheletti foram derrotados nas eleições. Isso demonstra claramente que o povo hondurenho está farto do populista de chapéu de vaqueiro e do incompetente que não soube explicar à comunidade internacional o acontecido.

As eleições colocaram um fim nessa longa pantomima mal interpretada e cheia de atores de terceira categoria. Mas, insatisfeito com seu papel ridículo, o Brasil se uniu às “forças do avanço” (Venezuela e Equador) e se recusará a reconhecer o vencedor das eleições hondurenhas como Presidente eleito legítimo.

O que querem o Itamaraty e o governo Lula? Um banho de sangue? A convulsão social em Honduras? Uma guerra civil?

Tudo isso para satisfazer Hugo Chávez e um obscuro caudilho centro-americano que só nos deu dores de cabeça. Além disso, ao invés de reduzir os danos, ao ser derrotado miseravelmente em seu apoio a Zelaya, o Brasil assumirá a posição equivocada de esperar que Papai Noel restitua o poder a ele.

O mais estranho é que Zelaya, ao ter sua proposta de negociação submetida à Suprema Corte Hondurenha, ainda foi condenado por traição. Portanto, se deixar a embaixada brasileira, ao invés do palácio presidencial, vai para a cadeia.

E o Brasil corre o risco de ficar com o “mico internacional” do ano ao apoiar a realização do Juízo Final e de uma guerra civil como única forma viável para reempossar um Presidente que desejava “apenas” eternizar-se no poder e violar a sua própria Constituição.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

2ª Coluna do dia: Sociedade, Centros Sociais e Clientelismo

27/11/2009

Por Bruno Medina*

O interfone toca:

- Tio, tem alguma coisa para dar?
- Não, não…
- É que minha mãe não pode trabalhar…
- Sinto muito.
- bom, obrigada.

E então a menina toca o interfone da casa ao lado. Talvez, com alguma sorte, caso o morador se sensibilize com a situação, dê algum pedaço de pão ou as sobras da comida da noite anterior. Em geral, as pessoas não gostam de ajudar pedintes nesse tipo de situação, baseados na justificativa de que “uma vez que você , eles não param de pedir de novo” – o que não é uma total inverdade.

Considerando-se que a história da menina seja verdadeira – e não uma mentira que a mãe ensinou à criança para comover as pessoas –, aquele que, podendo, nega ajuda a alguém que está passando por dificuldades, comete uma falta de dever ético, porque deixa de praticar uma conduta boa para o indivíduo e para a sociedade. Mas o problema é que não se tem como saber se a menina mente ou diz a verdade. Na dúvida, nega-se.

E não se pode, neste caso, recriminar o sujeito que deixa de ajudar. Há diversas justificativas para esse comportamento negativo, como, por exemplo, o estímulo à mendicância, implicando uma situação confortável aos pais que ficam em casa e também à menina, que vai se acostumar a receber comida ou dinheiro gratuitamente sem o esforço necessário que o restante da sociedade emprega, fazendo da mendicância um meio de vida.

Para evitar isso, muitas pessoas preferem fazer doações a centros sociais mantidos e organizados pela sociedade civil – com o apoio da assistência social (art. 203, CF) -, o que é uma atitude louvável que vai ao encontro dos objetivos da Constituição cidadã, já que dessa forma ajudam na construção de uma sociedade livre, justa e solidária (art. 3º, I, CF). E não somente fazendo doações de mantimentos ou roupas, mas também participando da organização, promovendo encontros literários, musicais, esportivos, etc. Enfim, promovem ações sociais que visam ajudar o desenvolvimento e a integração das crianças, dos jovens, dos adultos e dos idosos à sociedade.

Mas como nem tudo são flores, o populismo político acaba se instalando nesses centros sociais. É comum a existência de centros mantidos por deputados e vereadores. Infelizmente, não por generosidade ou caridade (como fazem os cidadãos “comuns”, segundo o Presidente Lula), mas com o objetivo de garantir a destinação daquele direito (!?) político e universal que todo cidadão reclama e “faz questão” de exercer: o voto.

Como os frequentadores de centros sociais são, em geral, pessoas com pouca cultura e que necessitam de ajuda para viver, os políticos, considerados como “muitos bons” por essas pessoas, se valem da ignorância alheia e esclarecem que se não fosse por eles, aquela instituição, que provê roupas, comida e até mesmo onde dormir, não teria como existir.

Aqui em Canoas, no Rio Grande do Sul, tem um político que ora se elege vereador ora não. Desconheço seu nome real, mas sei que o chamam de “Xirú” (PTB). Ele mantém um ônibus que volta e meia leva as pessoas a “passeios culturais” pelo Estado, ou então é disponibilizado para a comunidade para que possam visitar a Expointer, feira agropecuária que se realiza em Esteio, aqui no Rio Grande do Sul. Há outro cujo apelido é “Pateta” (PTB). Ninguém conhece o rosto dele, mas todos sabem quem é o “Pateta”, porque durante as eleições um artista vestido de Pateta passeia pela cidade. Ele também tem um carro, com motorista, que leva as velhinhas da comunidade ao hospital ou aos centros sociais. Afinal, prestar um serviço social aos idosos é humanitário, não?

Um exemplo: Ano passado, a candidata Franciane (PMDB), esposa do Deputado Estadual Paulo Melo (PMDB), que mantinha um centro social, perdeu a eleição para o cargo de Prefeita, em Saquarema-RJ. No dia seguinte à eleição, o centro social amanheceu de portas fechadas. Motivo? “O centro social foi fechado porque eu perdi a eleição”, conforme a candidata. Tem prova mais contundente do que essa justificativa de que a manutenção dos centros sociais por políticos tem cunho puramente demagógico e eleitoral? Clientelismo escrachado!

Os cidadãos “comuns” têm cumprido com suas obrigações morais e com os objetivos estabelecidos em nossa Constituição, provavelmente, porque acreditam no futuro da nação. Já os representantes do povo…

*Bruno Medina é colunista do Perspectiva Política às sextas

Aécio critica “populismo” de Lula e quer coluna da oposição

13/07/2009

“Aécio critica ‘populismo’ de Lula e quer coluna da oposição”

Informa a Folha na reportagem citada acima:

“O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), criticou ontem atos ‘populistas’ do governo Lula e pediu que os 94 jornais que publicam coluna do presidente também deem espaço para a oposição.

Aécio, um dos possíveis candidatos tucanos à Presidência, disse que sugeriu isso a líderes do DEM –recebidos ontem por ele– e do PSDB. Pediu que tentem conseguir espaço nos jornais para a oposição se posicionar sobre os mesmos assuntos tratados pela coluna de Lula.

O mineiro disse, em entrevista, que o país precisa de ‘gestão pública mais qualificada e menos populismo’, citando o PAC e a publicidade do programa Luz para Todos. Então foi questionado se considerava a coluna de Lula um ato populista.”

Acredito que a Presidência tenha o direito de empreender este projeto das colunas do Presidente Lula, afinal, é correto que ela tenha este canal de comunicação com o cidadão humilde. Enfim, não vejo com maus olhos a iniciativa em si.

A coisa só mudará de figura a partir do momento em que a Presidência utilizar este meio para atingir objetivos não muito louváveis como a promoção pessoal do Presidente Lula, a promoção política do governo e do PT, a promoção da candidatura da Ministra Dilma Rousseff, etc. Em suma, a coluna deve ser um canal administrativo, institucional, e não, político.

Sendo assim, acredito que a oposição não deve reclamar da coluna do Presidente se ela não extrapolar as aconselháveis limitações. Cabe à oposição procurar seu espaço na imprensa, que já é considerável, e fazer o discurso de contraposição que desejar fazer. A coluna “O Presidente Responde” só será criticada por mim se for utilizada como arma política.

Sinceramente, acredito que isso vai acontecer em breve, porém, como ainda não ocorreu, dou o benefício da dúvida e mantenho a esperança, entendendo que a oposição não pode reclamar com antecedência, até porque o setor que hoje se encontra na oposição sempre teve mais vez na mídia. Resumindo, não há desequilíbrio. Pelo menos não ainda.

Há desequilíbrio no que tange as pré-candidaturas à Presidência. Mas esse problema é da oposição que não se decidiu ainda no que diz respeito ao candidato, e não, da imprensa.

Quanto ao PAC, ele realmente está se mostrando um factóide no que concerne algumas obras. Alguns projetos estão andando, porém, a maioria caminha muito lentamente ou nem caminha. A coisa fica mesmo com cheiro de populismo e de marketing barato, daqueles que só visa ganhar votos, sem se preocupar com o conteúdo das promessas.

Aécio está correto nesta crítica. O PAC quase inexiste no mundo real. O do setor aéreo, por exemplo, não “decola”, como pode ser conferido em reportagem do jornal Correio Braziliense, clicando aqui.

Minha primeira entrevista [3]

17/03/2009

Segue abaixo a segunda parte da entrevista concedida por mim ao blog Construindo o Pensamento, do amigo blogueiro Yashá Galazzi, que teve sua reprodução aqui autorizada. O processo que levou à entrevista foi explicado na postagem “Minha primeira entrevista” e a sua postagem foi iniciada em “Minha primeira entrevista [2]“, onde foram publicadas as primeiras perguntas e respectivas respostas.

Repito, por nunca ser demais dizer, que publico a entrevista não para me vangloriar do fato, mas sim, para que vocês, leitores, possam saber mais sobre as opiniões daquele que escreve o que vocês estão se dispondo a ler. Acredito que seja um direito de vocês.

Sem mais delongas, seguem as perguntas de número 6 a 9:

6 – Deixemos um pouco a questão política de lado. Conte um pouco de você: o que faz a cabeça de Bruno Kazuhiro? Qual é, por exemplo, seu autor (ou autores) preferido? E o livro? Que estilo de literatura mais influenciou você?


Bom, eu sou uma pessoa que normalmente faz muitas coisas ao mesmo tempo, agora mesmo, estou em uma época onde faço a faculdade de Direito na UFRJ, participo de um grupo de pesquisas no âmbito da faculdade com bolsa de iniciação científica, trabalho, mantenho o blog Perspectiva Política, sou coordenador de um grupo que discute política na minha região e, acredite, sou dirigente de um time de futebol de pelada. O que faz minha cabeça é justamente cumprir todas essas tarefas da melhor maneira possível, abrindo cada vez mais frentes para o meu aprendizado, seja político ou não, meu crescimento pessoal e profissional e meu acúmulo de conhecimento, não esquecendo, claro, de me proporcionar alguns momentos de lazer, como o “dia” do futebol e a “hora” da leitura. Sobre autores preferidos, vou ficar devendo uma resposta. A realidade é que gosto muito de certos livros, mas não necessariamente, de toda a obra do autor. Já li desde Platão até Kafka, desde Orwell até Veríssimo. Não costumo ser um fã extremo de algum autor, leio livros pelos quais me interesso, sendo, normalmente, um de cada autor diferente. Um fator que causa isso é o fato de eu ler muitas biografias e livros históricos, deixando um pouco de lado, algumas vezes, a literatura comum. Já li, por exemplo, livros escritos por Barack Obama e Boris Yelstin, ou livros sobre Carlos Lacerda, o governo Collor e marketing político. Se eu fosse destacar um livro mais literário, acho que ficaria com “Capitães de Areia”, de Jorge Amado. Se o destaque fosse para um livro mais político, acho que ficaria com “A revolução dos bichos” de Orwell.

7 – Que tal indicar cinco livros que você considera indispensáveis para a formação de alguém?


Acho que eu poderia indicar mais de 5 livros, porém, com um olhar mais sócio-político, acho que fica mais fácil resumir, então vamos lá:

1- O Senhor das Moscas – William Golding

2- A Revolução dos Bichos – George Orwell

3- O Mito das Nações – Patrick Geary

4- O Processo – Franz Kafka

5- O Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

8 – Quem é o seu grande ídolo na vida? Qual é, em suma, a personalidade que mais marcou e influenciou você?


Sempre parto do pressuposto de que todos são falíveis. Não existem heróis de verdade, apenas mitos. Um exemplo disso é o fato de dificilmente vermos a família de alguém que tem milhares de fãs o venerando da mesma forma que eles. São os familiares que sabem que esse alguém não foi tão perfeito assim. Sendo assim, não tenho ídolos, no sentido da palavra e muitos menos acho que eu, por exemplo, poderei um dia ser ídolo de alguém.

Porém, levando em conta o critério de ser uma personalidade que me marcou e me influenciou, acho que talvez pudesse citar duas. No âmbito familiar, minha avó materna, que me ensinou o gosto pela geografia e pela história que me fez desembocar no estudo sobre política. No âmbito mais amplo, Ruy Barbosa, o maior brasileiro que já existiu.

9 – Voltando ao tema inicial, você acompanhou a eleição americana? “Votou” em quem? Tive a oportunidade de ler algumas análises muito pertinentes que você escreveu sobre o assunto em seu blog, mas gostaria de propor uma questão de fundo que considero muito importante: essa aura quase mística que se criou ao redor de Obama não contribui para prejudicar o sistema político, em vez de engrandecê-lo? Não é um tanto temerário perceber que a maior democracia do mundo se deixa seduzir pelo bom e velho populismo?


Eu acompanhei de perto a opinião americana e votei, sem dúvida alguma, em Barack Obama. Acredito que o que Obama faz seja importante para a política, e não, maléfico. Existe sim um quê de populismo, porém, existe muito mais idealismo, simbolismo e esperança. Barack Obama para mim não é nenhum herói, nenhum gênio, nenhum ser místico, porém, acho que a contribuição dele para o mundo em que vivemos foi enorme. Obama quebrou tabus e trouxe a emoção de volta à política. Concordo com você quando diz que essa emoção pode ser uma que seduz as massas, podendo levá-las, quem sabe, para um caminho errôneo, vide Hitler. Porém, acredito que as democracias estejam consolidadas o suficiente em certos lugares do mundo, principalmente nos EUA, para que as pessoas saibam distinguir alguém que manipula as multidões, de alguém que deseja liderá-las em direção a um ideal entendido por elas como válido. Obama não me parece ter o lado perigoso da emoção na política pois ele carrega uma aura de defensor de algo que as pessoas entendem como valioso, e não, de algo criado por ele para justificar seus atos, como, por exemplo, uma superioridade racial. Em suma, “votei” em Obama por achá-lo melhor que McCain e por acreditar que a contribuição que ele traz, a de unir emoção e política, gerando mobilização legítima e sincera, é muito mais benéfica do que maléfica. A política estava sentindo falta de militância ideológica, de mobilização popular, de manifestação sincera e de líderes simbólicos de bons valores. Se por acaso Obama descambar para o lado ruim do controle das massas, do uso da emoção e do populismo, serei o primeiro a me levantar contra, mas até agora isso não ocorreu. Espero que continue assim.