Postagens com a palavra-chave ‘11. Política Internacional’

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Coluna do dia: Sanções internacionais – Por quê?

17/06/2010

Por Felipe Liberal*

Eu odeio sanções. Podem ser econômicas ou políticas, eu as odeio. Tudo parece óbvio neste maldito planeta. É sempre a mesma coisa: sanções contra o Irã, Cuba e Coreia do Norte. Vindas de quem? Principalmente dos EUA. Eles, de fato, conseguem evitar que a evolução da História continue.

Quando vamos conseguir separar o sistema político adotado pelos iranianos, cubanos e coreanos do seu povo? Quando vamos entender que sanções só servem para prejudicar seres humanos que não tem nada a ver com interesses estúpidos e infinitos de alguns países? Até quando vamos suportar que cinco países decidam quem merece sofrer ou não?

Eu discordo de muita coisa que acontece nesses três “malditos” países, como também discordo de muita coisa que acontece nos EUA, Inglaterra e China, por exemplo. Nem por isso esses últimos mereceram ou merecem sanções por parte da ONU. Parece óbvio.

O Irã é totalitário? Sim. Mas a China também é. Cuba faz prisioneiros injustamente? Sim. Os EUA também fazem (vide Guantánamo e a “desativada” Abu Ghraib). A Coreia do Norte restringe a liberdade de informação? Sim. Mas todos os países europeus também fazem, inclusive comprando jornalistas e blogs (vide Yoani Sanchéz).

Então você deve estar se perguntando: portanto todos merecem sanções, né? Não. Discordaria totalmente de você. As sanções são a pior maneira de se tentar um acordo. O sistema socialista cubano sobrevive desde 1959 com fortes sanções estadunidenses, nem por isso a ilha cedeu ou aceitou as exigências internacionais. A Coreia do Norte passa pela mesma coisa, sofre sérios embargos dos países europeus e até asiáticos, na própria vizinhança, e nem por isso desistiu do seu isolamento exagerado.

Não é com o “big Stick” que as coisas se resolvem. Agressão gera agressividade. Até quando vamos conseguir ficar sem entender isso? Não podemos gerar paz com guerra. Não podemos construir um mundo melhor trazendo o que há de pior no ser humano, que é a raiva, a discórdia e a guerra.

A ONU é a maior farsa que o mundo já pôde ver. O organismo da paz é o maior gerador dos conflitos e problemas que temos hoje. Principalmente por ser comandada por países que precisam da guerra para sua própria sobrevivência, países sedentos por sangue e dinheiro. Meus caros, EUA, Inglaterra, China, Rússia e França querem tudo, menos a paz. Novamente parece óbvio.

E tudo isso só vai ser mudado, quando nós mudarmos também.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Charge: Os guarda-costas do Irã

11/06/2010

Por Elder Galvão*

*Elder Galvão, 3° colocado na categoria charges do 4° Concurso de Ilustração da Folha de São Paulo, é chargista do Perspectiva Política e mostra sua arte em eldergalvao.com

Análise: Vitória folgada do governista Santos contraria pesquisas e levanta suspeitas na Colômbia – Abstenção explica

30/05/2010

Há algumas semanas, Antanas Mockus, candidato do Partido Verde colombiano à Presidência do país, surgia nas pesquisas com boa vantagem. Surpreendentemente, liderava. Era a sensação das eleições colombianas. O fenômeno da vez.

Nos últimos dias, Juan Manuel Santos, candidato governista apoiado pelo Presidente Álvaro Uribe e membro do Partido Social da Unidade Nacional, encostou. Com o apoio da máquina administrativa e pregando a continuidade do elogiado governo de Uribe, Santos caminhou até o empate técnico, estando à frente em algumas simulações e pesquisas.

Mockus se perdeu um pouco. Patinou. Esqueceu-se de que, uma vez conhecido, teria que levar sua campanha para um novo nível.

Contudo, de qualquer forma, um primeiro turno acirrado era previsto.

Eis que surgem os resultados: Santos teve 46,5% dos votos. Mockus conseguiu 21,5%. Vitória folgada do governo.

Algo deu errado.

Uns começam a questionar as pesquisas.

Outros iniciam os boatos negativos sobre a lisura do processo eleitoral.

Discordo de todos eles.

Mockus e Santos tinham, nas pesquisas, índices que correspondiam, sim, ao número de simpatizantes de cada um. E as eleições não parecem ter sido fraudadas.

A resposta está na abstenção: 56%.

Foram votar mais simpatizantes de Santos do que simpatizantes de Mockus. Simples assim.

Os votos das pesquisas e da internet não se tornaram votos reais. Declarar voto não é votar.

Os interessados em que a máquina administrativa continue nas mãos dos mesmos compareceram bem motivados.

Mockus emocionou, mas aparentemente não motivou.

Perderá no segundo turno.

Fim do sonho verde colombiano.

Lição para Mockus e para muitos.

Coluna do dia: Diário de viagem – A eleição britânica levou os clichês para passear

14/05/2010

Por Yashá Gallazzi*

Na última semana, durante minhas férias na Europa, tive o prazer de acompanhar as eleições gerais no Reino Unido “in loco”. E adorei! O voto dos britânicos seria uma sucessão interminável de clichês, uma reunião de previsibilidade quase embaraçosa, não fosse a declarada preferência deste escriba por tudo aquilo que, bem… conserva certas tradições.

Os eleitores britânicos seguiram o principal de todos os clichês: quando uma situação econômica incerta se avizinha, a direita é chamada a governar, afinal, os conservadores e seus cortes de impostos parecem muito mais atraentes em tempos de vacas magras. Assim, os “tories” voltaram a ser o maior partido depois de anos de hegemonia trabalhista – ou, mais precisamente, de hegemonia de Tony Blair.

Apesar disso, outros clichês também foram devidamente revividos naquela votação. Os Conservadores de David Cameron, apesar de terem recebido a maior porção dos votos, não conseguiram uma maioria suficiente para formar, sozinhos, o novo governo. Isso, apesar do triunfo numérico, acaba por ser uma espécie de derrota política, afinal, mostra que a mensagem de Cameron, em que pese a péssima popularidade de Brown e dos trabalhistas, não convenceu plenamente.

O jovem e carismático líder dos Conservadores acabou se mostrando excessivamente utópico, falando reiteradamente em mudar tudo e em governar melhor que o “Labour”, mas sem apresentar planos concretos de como fazê-lo. Passou, assim, uma áurea de insegurança, que o acompanhou até o final da campanha.

Gordon Brown, por sua vez, não tinha mesmo como sair vencedor. Além de ser um político impopular e com nenhum carisma, o principal nome dos Trabalhistas chefia um governo sem apelo e cujas realizações são muito contestadas. A receita que ele apresentou para enfrentar a crise econômica? Mais impostos. E isso – claro! – não agradou.

Além dos dois principais protagonistas, também ganhou destaque nas últimas semanas de campanha o liberal-democrata Nick Clegg, que empolgou boa parte dos eleitores com sua atuação forte nos debates televisivos – os primeiros da história do Reino Unido.

Algumas das pesquisas de intenção de voto, feitas logo depois dos debates, chegaram a indicar Clegg como potencial vencedor e, mais do que isso, chegou-se a especular o fim do tradicional bipartidarismo existente entre Conservadores e Trabalhistas. Mas isso seria uma surpresa, e a eleição britânica, como já disse, foi nada mais que uma sucessão interminável de clichês.

O bipartidarismo está mais forte do que nunca, e os liberais-democratas de Clegg, em que pese o papel importante que poderão ter na formação do próximo governo, acabaram perdendo três assentos em Westminster. Como explicar isso? Muito simples: a partir do momento em que se falou em possível crescimento forte de uma terceira força política, as bases dos dois maiores partidos se mobilizaram e foram às urnas, mantendo tudo exatamente como sempre foi.

Parte da imprensa – britânica e mundial – falou numa eleição com três vencedores. Sou um tanto mais duro e, por isso, apresento um veredicto diferente: foram três perdedores. Cameron e os Conservadores perderam porque, mesmo numericamente vitoriosos, deixaram que um favoritismo acachapante fosse corroído por sua própria incapacidade de ação, deixando escapar a chance de controlar o Parlamento. Brown e os Trabalhistas perderam para sua própria obra, ou seja, foram reprovados pelos eleitores. Clegg, por sua vez, foi derrotado pelo pragmatismo: a maioria esmagadora dos britânicos não quis dar uma chance à aventura liberal-democrata.

Nas ruas de Londres o clima era de uma moderada empolgação. Conversei com algumas pessoas rapidamente, e percebi que a eleição geral deste ano despertou bastante interesse, principalmente em razão dos inéditos confrontos televisivos. Os tradicionais eleitores de Conservadores e Trabalhistas com quem falei estavam dispostos a votar nos seus candidatos, mas todos faziam questão de tecer críticas aos seus potenciais primeiros-ministros, condenando a incapacidade de um – Brown -, ou a falta de propostas concretas do outro – Cameron.

Não encontrei lá muitas pessoas dispostas a votar em Clegg, o que acaba por refletir o resultado das urnas. Os liberais-democratas receberam a maior quantidade de votos da história, mas, do ponto de vista proporcional, ficaram muito aquém do esperado. Na verdade, o agora terceiro maior partido do Reino Unido só terá importância grande na próxima legislatura em razão das “derrotas” de Conservadores e Trabalhistas.

Todas as análises eleitorais decorrentes do resultado podem ser resumidas no seguinte: os Conservadores, na ânsia de se mostrarem “modernos e progressistas” – Cameron falou várias vezes em “romper com o passado thatcherista” -, acabaram por perder boa parte de seu eleitorado. Os Trabalhistas, depois de quase duas décadas no poder, sofreram o esperado desgaste político. Os liberais-democratas de Clegg, por outro lado, apesar das ideias bonitas e do discurso politicamente correto, não conseguiram convencer os eleitores de que poderiam ser uma real alternativa de poder – mais ou menos o problema que Marina Silva enfrenta aqui…

Mais tarde, chegou-se às especulações pré-formação de governo. Brown, alegando que Cameron não conseguiu a maioria parlamentar, avocou o direito de permanecer no número 10 de Downing Street, liderando um governo de união nacional com os liberais-democratas de Clegg. O líder dos Conservadores, por outro lado, alegou que é absurda a hipótese de um primeiro-ministro que não seja o líder do maior partido, e que, se alguém devia formar um novo governo, este alguém era ele. Já Clegg, por sua vez, tratou de agir como um bom e velho filiado do PMDB e alimentou todos os boatos possíveis. E, com isso, deixou claro que não estava mesmo à altura do cargo que ambicionava.

Tanto Brown quanto Cameron poderiam terminar como chefes do governo britânico, afinal, ambos tinham condições de formar uma maioria legislativa estável. A lógica, porém, fez caber ao jovem conservador apresentar à Rainha uma futura agenda de trabalho e um plano de reformas, afinal, foi ele quem recebeu o maior número de votos dos eleitores.

E, convenhamos: dar a chave do número 10 de Downing Street a David Cameron, o político proporcionalmente mais votado pelos britânicos, foi o fechamento de ouro para essa bela eleição cheia de clichês.

Concluo com um exercício de imaginação: se fossem realizados debates televisivos na época de oradores brilhantes como Churchill e Thatcher, o que teria sido dos pobres adversários? Destroçados… É essa a única palavra que me vem à mente.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Eleição do dia 6 de maio deve encerrar ciclo histórico de bipartidarismo no Reino Unido

02/05/2010

Informa o Globo sobre a reviravolta nas eleições britânicas que deve ser observada e analisada por todos os estudiosos da política, principalmente pela interessantíssima correlação entre a implantação dos debates televisivos e a ascenção do liberal-democrata Nick Clegg:

“No ano passado, quando fez uma insistente campanha pela realização de debates televisivos entre os líderes dos principais partidos britânicos, David Cameron tinha a ideia fixa de expor em cadeia nacional as dificuldades de retórica do trabalhista Gordon Brown. Ambos aceitaram distraidamente a participação do líder liberal-democrata, Nick Clegg. Mas, além de terem-no revelado ótimo orador, as sessões foram o estopim de uma reviravolta que, na próxima quinta-feira, pode resultar numa guinada histórica no cenário político britânico: o fim do bipartidarismo – símbolo tão tradicional do Reino Unido como os táxis pretos e as cabines telefônicas vermelhas.

Os três partidos entraram na semana da eleição embaralhados nas projeções de institutos de pesquisa. Por mais distorcidos que sejam, por causa do complexo sistema eleitoral britânico, os levantamentos também revelam um momento de reflexão e rebelião de um eleitorado desgastado por décadas de desmandos das duas principais legendas. Para os conservadores, há a lembrança dos tempos de austeridade sob comando de Margaret Thatcher. Já os trabalhistas enfrentam a insatisfação com os efeitos da recessão, sobretudo o aumento do déficit público e do desemprego.

Ambos, porém, saíram feridos do escândalo de despesas parlamentares que no ano passado abalou seriamente a credibilidade da velha ordem. O equilíbrio foi posto novamente à prova quando Clegg ganhou uma tribuna para milhões de britânicos que dificilmente paravam em frente à TV para assistir à sabatina parlamentar semanal entre os líderes.

- Foi preciso dar um pouquinho de voz a Nick para que o público percebesse que não precisa ter medo de desafiar a velha ordem. É importante que o eleitor, não a mídia ou o status quo, decidam qual partido merece o voto. Há tempos que merecemos um pouco mais de oportunidades – afirma Paddy Ashdown, líder dos lib-dems entre 1989 e 1999.

Ashdown se refere ao fato de que o terceiro partido já vinha desafiando o duopólio conservador-trabalhista desde sua época. Clegg, porém, merece um pouco mais de crédito – tanto por ter ensaiado exaustivamente para os debates, quanto por saber avaliar a oportunidade de cativar o eleitorado com um discurso áspero nas críticas e audacioso em propostas como cortes de benefícios familiares e no programa nuclear do país. As mais recentes pesquisas preveem que os liberais-democratas chegarão a mais de 80 cadeiras no próximo Parlamento, mas sua presença pode ser maior que a sugerida pela matemática.

- A importância de Clegg não está no que diz, mas no que representa. Por anos seu partido foi invisível, ao ponto de alguns jornais britânicos sequer enviarem repórteres para as conferências nacionais – opina David Yelland, ex-editor do tabloide ‘The Sun’. – Simplesmente assumiu-se que o terceiro partido nunca ganharia uma eleição. Agora os lib-dems foram descobertos por um público afastado por décadas de mesmice e corporativismo.

A eleição caminha para um cenário de impasse, em que nem trabalhistas nem conservadores terão poder suficiente para um mandato sólido. Clegg poderá se transformar no que a mídia britânica chama de ‘fazedor de reis’ com seu apoio. Em troca, exigirá uma reforma eleitoral que ponha fim ao complexo sistema distrital em vigor.

Parte das possíveis barganhas vai incluir a presença de lib-dems num futuro Gabinete – no caso de uma aliança com os trabalhistas, os rumores são de que o terceiro partido exigiria ser representado nas pastas de Interior e Finanças, com Clegg assumindo também a vaga de vice-premier, levando ainda a cabeça de Gordon Brown como prêmio. Também não se descarta a hipótese de endosso aos conservadores, mesmo que sem coalizão.

- Imagine a fúria do público se, depois de semanas de campanha eleitoral, o Reino Unido aparecesse com um novo premier assumindo o cargo sem ser eleito. Os lib-dems simplesmente seriam vistos como cúmplices – analisa Mehdi Hasan, comentarista da ‘News Statesman’, uma das principais revistas políticas britânicas.

Temores de instabilidade nos moldes de sistemas caóticos como Israel e Bélgica já sinalizam novos tempos. De pedra no sapato, o terceiro partido abriu uma brecha na arena política britânica, provando que outros partidos minoritários – seja o extrema-direita BNP ou os progressistas ambientais do Partido Verde – ainda podem entrar no jogo.

O efeito parece chegar também às raízes do processo político: desde o início dos debates, distritos britânicos registraram um aumento médio de 17% no número de eleitores registrados, sobretudo no público de 18 a 24 anos. Os números surpreendem diante de tendência cada vez maior de evasão das urnas. Entre 1950 e 2005, o índice de comparecimento caiu de 83,9% para 61,4%, sendo que o pleito de 2001 registrou apenas 59,4%.

- As mudanças vão acontecer, por mais que as elites políticas conservadoras e trabalhistas lutem contra e tentem, de forma imoral, retratá-las como algo terrível ou arriscado para os interesses nacionais. Os tempos mudaram – garante o cientista político Patrick Dunleavy, da London School of Economics. “

Reforma eleitoral…

Palavra-chave que vale para lá e para cá.

Coluna do dia: Serra – Talvez uma má escolha tucana

22/04/2010

Por Felipe Liberal*

Pelos meus cálculos, José Serra não vencerá em outubro. Mas posso estar errado, incerto ou precipitado. Talvez esteja sendo apressado demais ou bastante parcial. Talvez.

O PSDB começou mal. A escolha de Serra para uma candidatura ao pós-Lula foi errada. Além de ter sido “surrado” em 2002 pelo mesmo Lula, o presidenciável não possui os requisitos para uma “mudança continuada” que provavelmente será o lema das próximas eleições desta década.

O tucano não tem programa e se esconde do papel de oposição, se apresentando a todo momento como a continuação do atual governo.

Mas ser contra Lula é ruim?

Óbvio, a popularidade do governo orbita em torno dos 75% no final do segundo mandato.

Mas não se pode esquecer que apesar das graves semelhanças entre os dois partidos, existem duas diferenças determinantes entre o PT e o PSDB: política externa e privatizações. E por mais que sejam omitidas tais divergências, o povo e o empresariado irão questionar.

O PSDB e a cúpula “direitista” (porque nesses dois pontos ser de esquerda ou de direita é interessante) já discutem sobre privatizações dos setores “desorganizados” como Infraero e Eletrobrás (esta que se fortaleceu com Lula), mudando e quebrando todo um sistema de contratos que essas duas entidades possuem com o setor particular, caso venham a acontecer as privatizações.

Uma nova onda de desemprego e instabilidade para incontáveis trabalhadores brasileiros virá com essa política que, em minha opinião, é abominável.

Lembrando: A privatização hoje é considerada impopular no Brasil.

Em relação à política externa, fato mais complexo de ser alterado, um provável governo tucano talvez não entendesse como viáveis alguns pactos comerciais importantes com Venezuela, Irã e parcialmente a China. Isso desestabilizaria totalmente a economia e a estrutura empresarial brasileira. Seria talvez o maior dos retrocessos que esse País já viu, e olha que não foram poucos. Por isso acho difícil um apoio maciço dos empresários à chapa tucana, mesmo parecendo ironia.

Serra, em 2002, expôs tudo isso diante das câmeras de TV e esse é um fator negativo na sua escolha para a candidatura. Claro que tudo isso já faz quase oito anos, mas as lembranças persistem numa parcela da população que tem poder e vota. Sua ideologia camuflada não vai conseguir se sustentar por muito tempo, pois Serra é oposição apesar da sua negação em relação a isso.

Mas Aécio Neves realmente seria um bom nome para o PSDB? Talvez. Domina de forma espetacular o 2º maior colégio eleitoral do País (Minas Gerais) e não está “desgastado” nacionalmente como Serra. Apareceria como “figura nova” assim como Dilma, porém mais carismático que a petista. O mineiro sempre foi mais próximo à Lula do que Serra, principalmente a partir de 2007, ou seja, mais recentemente.

Talvez eu esteja errado, mas não acredito numa vitória tucana. Dilma, mesmo sendo ainda “desconhecida” nas camadas mais pobres, já incomoda o tucano nas últimas pesquisas realizadas. Serra é uma incerteza certa.

Mas claro, talvez seja mais uma ilusão ou insanidade deste pobre colunista nordestino.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A usina de Belo Monte e a alternativa mortal

19/04/2010

Por Arthurius Maximus*

Segundo todos os estudos energéticos realizados, o Brasil esgotará toda a sua capacidade de geração de energia através de hidrelétricas antes de 2020.

Considerada uma das formas mais limpas de geração de energia, abdicar da exploração desse potencial é condenar o País à utilização das matrizes energéticas muito mais poluentes como o gás, o carvão e o diesel.

As gerações solar, eólica e marítima de energia ainda não possuem potencial de exploração em grande escala – se bem que isso muda rapidamente – e demandam instalações de grandes proporções para produzir uma ínfima quantidade de energia – em comparação as hidrelétricas -.

A usina de Belo Monte ainda tem um fator interessante a seu favor que reside na forma como foi projetada. Sem necessitar de um enorme lago, como as demais usinas já construídas aqui no Brasil, Belo Monte contará com o relevo e com a força do rio, ajudada por um sistema de canais projetados para acelerar as águas, para a geração de energia.

A sanha contra Belo Monte vai muito mais pela necessidade das grandes potências de manterem a Amazônia em um constante estado de miséria e de dificuldade de desenvolvimento do que por qualquer preocupação ecológica. Algumas tribos da região até já estão a favor da usina e pretendem utilizar as indenizações “gordíssimas” em favor de sua autonomia e da melhoria do bem-estar geral.

Uma Amazônia desenvolvida e com capacidade para sustentar povoados e equipamentos de infra-estrutura como quartéis militares, hospitais, escolas e uma gama enorme de serviços não interessa aos estrangeiros.

O aumento da povoação, um controle ecológico bem feito e critérios bem definidos que demarquem “até aonde” podemos ir é a chave para o desenvolvimento sustentável da região e a garantia da manutenção da soberania do Brasil sobre uma das regiões mais ricas e profícuas de nosso território.

Aos estrangeiros interessa muito o atual estado de abandono, miséria, baixa instrução e profunda dependência dos habitantes locais. Assim, suas “missões evangélicas” e seus “missionários” podem continuar a roubar nossas riquezas naturais e a transformá-las em remédios e em artigos de comércio patenteados no exterior.

O desenvolvimento da Amazônia pode muito bem ser coroado com a exploração racional e ecológica da região. A energia para que isso ocorra e para que o País todo possa desenvolver-se com segurança nos próximos anos é de fundamental importância para todos os cidadãos.

O discurso ecológico e naturalista é lindo e a causa da defesa do meio ambiente comove a todos. No entanto, ao tratarmos de Amazônia, devemos sempre ter em mente que os países estrangeiros desejam dominar a região faz tempo e que os interesses internacionais se derramam sobre os locais com uma sanha cada vez maior. Qualquer coisa que entrave o desenvolvimento da região e a prenda numa eterna penumbra de oportunidades é um fator aliado a esses interesses.

Se o Brasil abdicar de Belo Monte, o que fará para abastecer a região com energia? Instalar três usinas nucleares (o necessário para igualar a produção de Belo Monte) e dezenas de termoelétricas na região?

O projeto, como concebido, trará baixo impacto para a vida selvagem e garantirá energia para um futuro repleto de potencialidades para a Amazônia e para o Brasil.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Olhares sobre a mudança

11/04/2010

Por Tiago Franz*

Nesta segunda-feira, 12 de abril, minha coluna no Perspectiva chega ao primeiro aniversário. É uma enorme satisfação ser colaborador – e ter sido o primeiro colunista – deste conceituado blog. Agradeço a todos os leitores, comentaristas e colegas colunistas pela constante troca de experiências. E dedico um agradecimento especial ao editor e pai do Perspectiva, nosso estimado Bruno Kazuhiro, pela acolhida e prestatividade.

Ninguém que tenha vivido um intenso período de aprendizado, como o que eu vivi aqui no Perspectiva nos últimos doze meses, deixa de mudar ou amadurecer algumas opiniões. Mas, apesar de eu ter muito o que falar sobre mim, não é o que interessa aqui.

Tenho observado, em alguns políticos brasileiros, mudanças de postura assumidas com o tempo, muitas vezes vistas como incoerência ideológica ou sob outro aspecto negativo. No Brasil, as mudanças de pensamento e atitude por parte de pessoas públicas, no geral, têm sido muito mais objeto de críticas do que de elogios. É claro que também há recepções positivas. O que determina isso são as rivalidades históricas construídas a partir de divergências ideológicas, somadas a uma boa dose de conveniências eleitorais e de interesses diversos.

Alguns exemplos:

Na semana passada, o Senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), durante audiência pública sobre a política externa do Brasil, no Senado, questionou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre as medidas e posições adotadas pelo atual governo. Quem acompanha a questão sabe muito bem que a oposição (PSDB/DEM), mesmo reconhecendo, até certo ponto, o prestígio internacional alcançado pelo Brasil neste governo, critica a forma com que a equipe de Lula conduz as relações com países como o Irã, Cuba e Venezuela.

O curioso foi o momento em que Virgílio falou sobre Cuba. O tucano lembrou o tempo em que foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e admirador da revolução cubana, quando, segundo ele próprio, Lula era apenas um torneiro mecânico sindicalista sem muita relação com o comunismo. Pois é. Inversamente, hoje Lula abraça os Castro e Virgílio os critica. Onde o tucano quis chegar com essa lembrança? Para Arthur Virgílio, Lula também deveria reconhecer os erros de Cuba e, ao manter relações com os Castro, aconselhá-los a mudar.

A mudança de posição do Senador amazonense é, para ele, um amadurecimento. E Virgílio faz questão de reconhecer seu passado, de certa forma para, espertamente, antecipar-se a possíveis questionamentos. E é claro que muita gente vê tal transformação pelo lado negativo. Afinal, é do jogo.

Com Marina Silva a coisa é mais interessante ainda. A Senadora e pré-candidata à Presidência pelo Partido Verde (PV) desfiliou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) no ano passado, após militar por 30 anos na sigla. As críticas a ela vêm de todos os lados. Muitos “esquerdistas” a condenam por uma dita aproximação com empresários e com a direita. Muitos “direitistas” a condenam pelo passado comunista, que consideram ainda determinante em sua postura.

Mas, deixando de lado as parcialidades, até que ponto e quando as mudanças de pensamento e de postura devem ser consideradas ruins? Em que casos há um processo de transformação consciente e quando há apenas interesses escusos? Quando há honestidade intelectual e quando há mera infidelidade partidária ou incoerência ideológica?

Marina e Virgílio amadureceram ou apenas seguiram a tendência de despolarização pós-Muro de Berlim? Amadurecer significa encontrar um meio-termo?

Encerro por aqui, mais uma vez com muitas perguntas não respondidas.

Este sou eu, Tiago Franz, colunista do Perspectiva há um ano, indagador, sempre em movimento.

*Tiago Franz é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

Coluna do dia: O Brasil e os preços de um erro diplomático

05/04/2010

Por Arthurius Maximus*

O presidente Lula se prepara para sua vista ao Irã com o objetivo de firmar parcerias comerciais e na área nuclear com o país dos Aiatolás. Navegando a pleno vapor contra a maré mundial, o Brasil está para entrar no seleto grupo de nações atingidas pelas sanções do Conselho de Segurança da ONU.

No exato momento em que nosso governo estreita seus laços com o Irã e oferece cooperação para um programa nuclear carregado de nebulosidade e suspeitas, até aliados históricos dos iranianos ficam com “um pé atrás” em relação ao país e rumam na direção da formalização de sanções contra a nação islâmica.

Se isso realmente ocorrer, o Brasil terá o mesmo êxito que obteve ao apoiar Zelaya e participar de um dos maiores vexames que a diplomacia brasileira já protagonizou. Será deixado “falando sozinho” e terá de recuar de suas posições, humilhado e acuado, para não sofrer o mesmo destino de seu novo e polêmico amigo.

Se insistir em seu apoio ou fornecer “por debaixo dos panos” tecnologia ou qualquer tipo de assistência ao Irã, nosso “País do futuro” será apresentado à cruel realidade de tornar-se um pária frente à comunidade internacional.

É claro que ninguém espera que o Itamaraty vá “pagar o preço” por manter uma aliança com o Irã, no caso da aprovação das sanções. No entanto, isso mostra como é equivocada a ideia de “aceitar de peito aberto” a palavra de determinados governos que primam pela nebulosidade e pela repressão férrea a seu próprio povo e a qualquer informação.

Quando os aliados de primeira hora do Irã e “inimigos” de sempre das posições americanas se unem aos EUA (Rússia e China) para tentar dar um fim nas pretensões iranianas no campo nuclear, é porque algo muito “estranho” está mesmo acontecendo por lá.

Basta uma pequena olhada nas atitudes do governo iraniano para que um alarme soe na cabeça de qualquer simpatizante: a descoberta de instalações secretas (não relacionadas para os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica), a criação de usinas no interior de montanhas, o desenvolvimento (cada vez mais intenso) de mísseis de longo alcance e a presença (cada vez mais incisiva) de elementos da Guarda Revolucionária na tomada de decisões e controle das ações internas e externas do governo iraniano.

Além de correr o risco de se ver apanhado no meio do tiroteio das sanções, o recuo diplomático (promovido à força) sempre causa um certo “gosto de cabo de guarda-chuva” na “boca” de qualquer nação.

É muito mais importante analisar o que o Brasil teria a ganhar com a venda de urânio e de tecnologia ao Irã, nesse momento, além de pesar as péssimas experiências que já tivemos ao negociar com países da região (Iraque e Arábia Saudita).

Na época, o Brasil era o terceiro maior produtor mundial de tecnologia militar e tinha produtos invejados  e temidos (até pelos EUA) como o lançador de mísseis Astros II (visto como arma perigosíssima pelos americanos durante a Primeira Guerra do Golfo e na Guerra Irã – Iraque).

Ao “negociarmos” esses produtos por lá, o resultado foi um enorme calote e a negativa de aval para financiamentos prometidos que levaram a nossa indústria bélica à falência e à extinção em matéria de poderio e de negócios internacionais.

Cuidar para que a história não se repita, agora com reflexos ainda mais graves, é o que se espera do Itamaraty e do governo brasileiro. Muito mais do que simpatias ideológicas, o Brasil deve sempre primar por seus interesses como nação e pesar se o relacionamento com esse ou outro País nos trará reais benefícios ou meramente dores de cabeça.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica