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Perspectiva acerta na mosca: Problemas entre Skaf e PSB se iniciam

03/11/2009

Comentou, recentemente, este blogueiro, por ocasião da filiação do Presidente da FIESP, Paulo Skaf, ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), repetindo o que já havia dito quando os boatos a respeito da filiação surgiram no início do ano:

Para quem não sabe, Paulo Skaf é o Presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participando também da diretoria da Confederação Nacional das Indústrias, aquela que, representando os patrões, se opõe às confederações de sindicatos que defendem os operários.

Antes de mais nada ressalto que minha análise a seguir não defende nenhum dos dois lados, apenas observa uma contradição aparentemente óbvia. Dito isso, só me resta fazer um comentário:

Se Paulo Skaf é um dos que luta pelos interesses patronais e está namorando com o PSB, um partido socialista, para concorrer a um cargo em 2010, só existem duas conclusões possíveis.

Ou Paulo Skaf é um ótimo patrão, identificado com as causas operárias e preocupado com os interesses dos trabalhadores, ou seja, alguém de esquerda.

Ou a ideologia dos principais partidos de esquerda do país, embora essa denominação já esteja um pouco ultrapassada, já foi para o “beleleléu”.

Qual será a conclusão correta?

Mais tarde, chegou ao conhecimento do grande público, comprovando as divergências ideológicas graves apontadas por este blogueiro que vos fala, a seguinte notícia:

“Dois militantes do PSB de Campinas (SP) recorreram aos diretórios Municipal e Estadual do partido em São Paulo contra a filiação do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, à legenda.

Marionaldo Fernandes Maciel e Jadirson Tadeu Cohen Parantinga alegaram incoerência na filiação pelo fato de Skaf representar o empresariado paulista e patrocinar o projeto que levou ao poder neoliberais ‘que tanto mal fizeram e fazem ao nosso país’. Segundo os dois militantes, a posição neoliberal de Skaf contraria o estatuto do PSB.”

Agora comprovando totalmente e exatamente o que foi previsto por este Perspectiva Política, na pessoa de seu blogueiro, meses e meses atrás, começam os rusgas ideológicas entre Paulo Skaf e a cúpula pessebista.

Confiram o que informa o Globo:

“Recém-filiado ao PSB – cujo princípio, pelo menos oficialmente, é a socialização inclusive dos meios de produção -, Skaf quer ser candidato ao governo paulista, caso o deputado Ciro Gomes (PSB) dispute mesmo a Presidência da República. Mas sem ideologias. Segundo ele, o ‘S’ do socialismo de seu partido é só ‘uma letrinha’, que aparece em quase todas as legendas.”

Skaf exibiu que acredita em um fisiologismo do PSB, assim como de todo o sistema partidário brasileiro, além de desrespeitar os reais socialistas do partido e de ter dito o que não devia.

O curioso é que, no fim das contas, Skaf está certo. Acontece que o politicamente correto, tanto no que tange a compostura, como no que tange os interesses políticos, prevê que algo assim não poderia ser dito.

Roberto Amaral, membro da cúpula do PSB e socialista, obviamente reagiu, dizendo:

“Ou ele se engana de partido, o que é condenável ou se engana quanto ao conceito do socialismo. Ou vai ficar pouco tempo por aqui”

Um líder do empresariado no PSB? A política brasileira é personalista, fisiológica, despartidarizada e inorgânica, porém, não é para tanto.

Este blogueiro previu que todos os componentes para a confusão estavam presentes, além, claro, da contradição e do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.

Não deu outra. O Perspectiva acertou na mosca. É por essas e outras que conquista a credibilidade que tem junto a seu leitores.

Coluna do dia: Um dos “Judas”, logo ali, no Mato Grosso

25/10/2009

Por Tiago Franz*

Trinta moedas de prata e a maior história, ou estória, já contada para os filhos do Ocidente. Uma jogada que levou um cara para a cruz e outro para a corda.

O crucificado, protagonista da história/estória, foi traído por um dos seus doze escolhidos. Nas mãos dos governantes de sua terra, foi julgado e condenado à morte por se apresentar como o “rei dos judeus”, seu povo, que em parte ajudou a condená-lo. O traidor, pela quantia de trinta moedas de prata, entregou seu mestre àquela “corte de justiça”. O beijo no mestre, o arrependimento, a corda no pescoço e um nome manchado para a eternidade.

Judas é o nome. Judas Iscariotes, sinônimo de traidor.

Jesus, o mestre traído. Nada menos que o filho de Jeová, ninguém menos que Deus. Morto e ressuscitado.

Pronto, já fiz a minha “super, literária e bíblica introdução de impacto”. Agora vamos ao que interessa.

Na semana que passou, o nosso Presidente, que adora falar através de parábolas, proferiu mais uma de suas pérolas “espirituosas”. Em entrevista à Folha de São Paulo, Lula disse, referindo-se à maneira com que se constroem acordos políticos no Brasil, que “se Jesus Cristo viesse para cá e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

Realmente, no Brasil as tramoias políticas são arquitetadas e executadas de tal forma que permitem comparações como esta sem parecer exagero. O difícil é achar algum “Jesus” no meio da bagunça. Volta e meia alguém pinta de “messias”, mas nada que renda dois mil anos de conversa. Por outro lado, não faltam “Judas” no pedaço. E são muito mais que doze! Mas, infelizmente, no Brasil, eles não se enforcam (também não é para tanto – se fossem presos já bastaria), tampouco se arrependem.

Neste momento político, no País e nos estados, de intensa especulação por alianças e candidaturas para as eleições de 2010, os “Judas” estão mais ativos do que nunca. Você, que irá votar no próximo ano, saberia identificá-los? Está o bastante informado(a) para não se deixar enganar por eles?

E alguém pode estar se perguntando agora: mas, se não há nenhum “Jesus” aqui (a não ser que você acredite que o Jesus da história seja o Lula – ou outro de sua preferência), a quem esses “Judas” traem? A resposta é simples. Os traídos são aqueles que carregam a cruz: o povo brasileiro. E que cruz, hein?

Sem mais voltas: na política, os traidores são os corruptos e os traídos são o povo.

E há os “Judas” que se destacam, como o que veremos agora. É um dos bem grandes, que nesse momento articula alianças para as eleições estaduais do Mato Grosso. Confira a matéria abaixo, publicada ontem pelo MídiaNews, de Cuiabá:

“Riva aconselha Maggi a manter Jaime no arco de aliança”

Considerado o ‘fiel da balança’ nas eleições de 2010, o presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PP), alertou o governador Blairo Maggi (PR), sobre a importância de buscar entendimento com o senador Jaime Campos (DEM), visando manter o Democratas no arco de aliança governista.

‘O combustível da política é o diálogo, e o Democratas deve participar das definições, pois entendo que o caminho certo para a derrota é a imposição. O governador precisa chamar o Jaime para discutir, em função do que ele e o DEM representam para o Estado’, disse Riva ao MidiaNews (…). Leia a íntegra no link acima.

Bom, mas o que há de errado aí? Trata-se apenas de políticos matogrossenses negociando, como de costume, uma aliança para a eleição estadual de 2010. Se você não identificou o “Judas” da história (o grandão), vou ajudá-los. Afinal, muitas coisas acabam sendo “esquecidas” com o tempo, inclusive dentro dos próprios rincões em que acontecem. Vejamos outra matéria, publicada pelo JB Online, no último 19 de abril:

“Novo ‘Maluf’ do MT : No rastro de um rombo milionário”

BRASÍLIA – Corre em segredo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um dos mais rumorosos casos de corrupção envolvendo autoridades estaduais em processos sobre desvio de dinheiro público. Os indiciados são o conselheiro do Tribunal de Contas do Mato Grosso, Humberto Melo Bosaipo, e o deputado José Geraldo Riva (PP), presidente da Assembléia Legislativa do Estado, alvos de 19 ações penais – todas elas transformadas em processos e distribuídas aos 15 ministros do STJ. Os dois respondem ainda a outras 80 ações por improbidade administrativa em tramite na Justiça cível matogrossense e ainda 20 inquéritos abertos pelo Ministério Público estadual, que busca o ressarcimento dos valores supostamente desviados. No total, Riva e Bosaipo respondem, por enquanto, a 119 procedimentos judiciais.

(…)

Presidente da Casa pela quarta vez, eleito este ano por todos os 24 deputados, Riva é o mais articulado dos dois. Ex-contador e ex-corretor de imóveis que chegou pobre a Juara – município ao Norte do estado, já na Amazônia matogrossense – no início da década de 80, hoje é um homem realizado. Milionário e carismático, é dono de um verdadeiro império financeiro e – segundo concordam amigos e adversários – principal liderança política regional, controlando entre 70% a 80% da força eleitoral representada pelos 141 municípios e entre os cerca de 1.400 vereadores. Riva é um midas da política e das finanças, uma espécie de Maluf do Mato Grosso: embora responda a 119 procedimentos judiciais – todos referentes a denúncias de corrupção, um a menos que seu correligionário paulista, nada pega contra ele. É como se fosse protegido pelo chamado efeito teflon. (…) Leia a íntegra, aqui.

Agora ficou fácil de identificar, não? Riva é um “Judas” de proporções “malúficas”, muito influente no seu “feudo” – como se pode notar na primeira matéria reproduzida – mas nem tão conhecido em nível nacional.

Não tenho a menor ideia de quanto possa valer hoje as trinta moedas de prata que Judas recebeu por entregar Jesus. Mas uma coisa é certa: em termos lucrativos, nossos “Judas” deixam o coitado do Iscariotes no chinelo. E o pior, como eu já disse, não se arrependem, ao contrário do traidor bíblico.

O “Judas” matogrossense, José Riva, está trocando figuras com o Governador Maggi e com o Senador e ex-governador Jayme Campos (com ‘y’, apesar de alguns grafarem com ‘i’, como na matéria acima). Como disse Lula, é assim que se faz política no Brasil.

Eu, no entanto, vejo outra possibilidade. Ao invés de carregarmos a cruz, façamos o julgamento correto. As palavras demagógicas dos falsos homens públicos são a coroa de espinhos de quem as aceita. Sejamos rápidos. 2010 está aí. É melhor não confiarmos em ressurreição.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Marina define bem declaração de Lula: “Foi uma metáfora infeliz”

23/10/2009

Como informou o Perspectiva Política recentemente, o Presidente Lula declarou que, dado o espectro político que temos, hoje, no Brasil, poderia-se dizer quese Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão“.

A repercussão desta declaração do Presidente não foi das melhores. Aliás, foi, na realidade, das piores. A Igreja Católica protestou, dizendo que Jesus não se uniu aos fariseus, senadores como Cristovam Buarque alegaram que Jesus poderia perdoar Judas, mas não fazer acordos com ele, e diversos outros atores políticos comentaram, com críticas, a fala de Lula.

Na minha modesta opinião, o Presidente não fez por mal, não quis ofender, não calculou bem as palavras, simplesmente. Contudo, com certeza, merece as críticas, afinal, o Presidente da República não pode se dar ao luxo de declarar o que quiser, principalmente se estiver construindo metáforas que incluem personagens ligados a temas polêmicos, como Jesus e Judas.

Talvez na ânsia de declarar mais uma metáfora supostamente espirituosa, o Presidente se complicou e disse o que não devia. Mas, para mim, a metáfora não é o maior problema.

A questão, na visão deste humilde blogueiro, é o conformismo tácito que a metáfora traz. Se até Jesus se aliaria a Judas na visão de Lula, isso quer dizer que ele já incorporou a prática política conchavada e de rabos presos, cuja esperança de eliminação fora, justamente, uma das razões de sua vitória em 2002.

Dizendo o que disse, o Presidente demonstra que se rendeu ao clientelismo, ao patrimonialismo, ao assistencialismo, às oligarquias, enfim, ao jogo político espúrio das “raposas”.

Sob a justificativa da “governabilidade”, Lula parece entender que não ter rompido com aquilo que, por conta do repúdio que causa, proporcionou sua própria eleição, através dos votos dos que queriam a mudança destas práticas,  é justificável. Vale lembrar que “mudança” era, justamente, o lema de Lula.

Sobre a essência da metáfora, vale dizer que se Lula afirmava, quando venceu a eleição, que “a esperança venceu o medo”, seria interessante perceber que esta esperança é exatamente a abandonada quando ele compactua com o que há de mais nocivo na política nacional, tenta justificar esta atitude e, pior, vê isso como inevitável, com uma pitada de conformismo e nenhuma frustração aparente.

Sobre a metáfora em si, o comentário da ex-Ministra Marina Silva é perfeito:

“Nem todas as metáforas são felizes e essa é uma metáfora infeliz. “

Em tempo: Na política nacional existem diversos Judas. Muitos poderiam vestir essa carapuça. Mas em quem será que Lula pensou ao lembrar do traidor Iscariotes?

Entrevista: Fernanda Dreier conversa com Bruno Kazuhiro

19/10/2009

Este blogueiro que vos fala concedeu, à bacharelanda em jornalismo Fernanda Dreier, uma entrevista que trata de seus posicionamentos políticos, de seu entendimento a respeito das colocações dos diferentes pontos do espectro político a respeito de variados temas e, também, da noção da população brasileira no que tange as ideologias políticas.

Para o conhecimento dos leitores do Perspectiva Política, que diversas vezes demonstraram curiosidade acerca dos entendimentos deste blogueiro que, surpreendentemente, tem suas palavras aguardadas por eles, segue a entrevista:

FERNANDA DREIER: Que participação político-social você procura exercer na sua comunidade, ou mesmo em nível nacional ou internacional?

BRUNO KAZUHIRO: Participo politicamente através de diversas maneiras. Exercer meu civismo e minha cidadania, procurando sempre incentivar os outros a fazer o mesmo já é uma forma, subestimada diga-se de passagem, de fazer política. Além disso, sou administrador, editor e autor do blog Perspectiva Política, que já adquiriu o seu destaque na blogosfera política nacional, ultrapassando o milhar de visitantes por dia. Coordeno ainda o GECAP, Grupo de Estudos sobre Cidadania e Aprendizado Político, um coletivo que se reúne para debater a política do Rio de Janeiro, onde moro, formado por jovens e que pretende realizar, em breve, palestras de cunho conscientizador no que diz respeito à política focando o público jovem.

FD: Como você distingue Esquerda e Direita no que diz respeito aos temas:

BK: A princípio, eu gostaria de dizer que não creio mais na distinção estereotipada entre esquerda e direita. Responderei aos tópicos abaixo aproximando os princípios de ambos os lados à realidade que encontramos. Porém, creio que o debate entre esquerda e direita se dá, hoje, dentro do capitalismo, sendo a esquerda, na realidade, a centro-esquerda, e a direita, a centro-direita. Os extremos são, atualmente, caricatos.

a) saúde;

A saúde pública universal é defendida da esquerda até a centro-direita, embora alguns pontos do espectro político aceitem melhor a convivência com o setor privado. A direita mais extremada chega a defender a saúde privada como mais indicada, com desoneração de impostos.

b) educação;

Mesmíssima situação da saúde. Na política, saúde e educação estão sempre próximas no que tange a análise do papel do Estado por cada ideologia.

c) impostos;

A esquerda defende impostos mais altos para que diversos âmbitos sejam controlados pelo Estado. A direita pede desoneração de impostos para que o dinheiro fique com o contribuinte e este o utilize na contratação de serviços privados.

d) reforma agrária;

A esquerda extrema é totalmente a favor e a direita extrema é totalmente contra. Os centristas atuais elencam casos onde é possível e onde não é possível. A centro-esquerda elenca mais casos, por ser defensora da função social da propriedade, enquanto a centro-direita elenca menos casos, por defender mais a propriedade privada.

e) meio ambiente;

A esquerda é mais alarmista quanto ao meio-ambiente. Muitos direitistas mais extremos chegam a dizer que o ambientalismo é o novo marxismo. A direita mais moderada é cética, tendo muitos membros questionando até que ponto o aquecimento global não é um fenômeno natural.

f) economia;

Aqui a distinção é mais fácil: Ideais próximos à intervenção versus ideais próximos ao liberalismo.

g) e liberdades individuais?

A direita, por defender a propriedade privada e o mercado, as defende com mais afinco. A esquerda aceita as colocar em segundo plano se confrontarem o interesse público e o bem comum.

h) (se houver outros temas que lhe interessem, fique à vontade)

Destaco temas como aborto, fetos anencéfalos e liberação das drogas. A esquerda tende a ser mais liberal enquanto a direita tende a ser mais conservadora, o que é curioso se compararmos com as posições econômicas e com o nível de defesa da liberdade individual.

FD: Na sua opinião, qual é a melhor distinção entre Esquerda e Direita encontrada na teoria política?

BK: A melhor distinção, a que melhor explica as diferenças de pensamento, diz respeito à intervenção do Estado na economia. Na minha opinião, o embate entre público e privado explica bem a dicotomia.

FD: Como você relaciona os conceitos Conservadorismo, Progressismo, Radicalismo, Reacionarismo, Esquerda e Direita? As associações mais comuns entre estes conceitos são aceitáveis ou há relativismo?

BK: Há relativismo, com certeza. Principalmente após a queda do muro de Berlin. Como eu já afirmei, o debate sério entre esquerda e direita se dá, hoje, dentro do capitalismo. O radicalismo é caricato e tende a ser rechaçado nas democracias a não ser que as circunstâncias sejam sui generis. O reacionarismo me parece um paradoxo. Ele existe, mas não em todos os sentidos descritos pelo termo. O progressismo e o conservadorismo nunca foram termos caros para mim. O progressismo supõe progresso, o que nem sempre advém dos regimes esquerdistas, e o conservadorismo nos leva a entender que o perfil de um direitista é sempre conservador, o que não é verdade. Por fim, lembro que estas associações feitas podem se equivocar. A classe média brasileira é um caso claro de um grupo que pode muito bem ter membros de esquerda reacionários contra os mais pobres. Além disso, o conservadorismo econômico advém muitas vezes do indivíduo progressista.

FD: Você se declara de centro, um democrata social-liberal, certo? Como este posicionamento reflete na escolha dos seus candidatos?

BK: Infelizmente, a questão ideológica não pode ser a primeira analisada por mim na escolha dos candidatos. Como a prática política nacional está contaminada por fatores como o clientelismo, o assistencialismo, o loteamento de cargos, etc, primeiramente separo os políticos que são entendidos por mim como praticantes da boa política. Apenas após essa separação é que passo a distinguir ideologicamente. Se por acaso não existirem nomes alinhados com meu pensamento social-liberal honestos, preferirei sempre alguém bem intencionado de outra esfera.

FD: Como você avalia a noção dos cidadãos brasileiros quanto às diferenças entre Esquerda e Direita na política?

BK: Os cidadãos brasileiros, em sua grande maioria, não distinguem. A única coisa que é foco de atenção é o tratamento dos pobres. Quem “gosta” dos pobres e quem “não gosta” deles e trabalha para os “ricos” e os “poderosos”. Diz-se que a direita é menos assistencialista. Por conta disso pode haver uma distinção indireta, mas não ideológica. Curioso é perceber que muitos políticos populistas que advém da religião, portanto com valores conservadores, praticam o assistencialismo e são entendidos, muitas vezes, como mais amantes das “classes baixas” do que os marxistas. Além disso, o PT, atualmente no poder, tem uma história de esquerda, um governo de direita na economia e uma atuação social de centro, o que mostra o quão relativa é a prática, o que confunde ainda mais a noção do brasileiro médio. Talvez em estados com níveis educacionais mais elevados a distinção seja mais bem feita, mas nada de muito embasado.

2ª Coluna do dia: Vem aí mais personalização da política brasileira

10/10/2009

Por Matheus Passos*

Como amplamente divulgado, terminou no último sábado, dia 03 de outubro de 2009, o prazo para filiações aos partidos políticos, tendo em vista as eleições do ano que vem. E, mais uma vez, os partidos, por meio da aceitação de filiação de “famosos”, apostam na longeva tradição brasileira de personalizar a política.

Matéria do portal G1 mostra que estes são os possíveis candidatos: “Gaúcho da Fronteira” (cantor de músicas típicas do sul do Brasil), Elymar Santos (cantor), Gabriela Leite (dona da Daspu), Kleber Bam Bam (vencedor do 1° BBB), Andréia Schwartz (responsável pela queda do Governador de Nova Iorque), Joãosinho Trinta (carnavalesco), Mirla (ex-BBB), Danrlei (ex-jogador do Grêmio), Marques (jogador do Atlético Mineiro), Doris Giesse (ex-apresentadora de TV), Salete Campari (drag queen em SP), Romário (ex-jogador de futebol), Edmundo (ex-jogador de futebol), Harlei (jogador do Goiás), Müller (ex-jogador de futebol), Andrés Sanchez (dirigente do Corinthians), Marcelinho Carioca, Acelino “Popó” Freitas (ex-boxeador), André Gonçalves (ator), e, por fim, Protógenes Queiroz (delegado da Polícia Federal). Isso, é claro, fora outros que não foram abrangidos pela reportagem do G1.

Por que os partidos aceitam e estimulam a presença de famosos em seus quadros? Porque querem se beneficiar daquilo que considero como uma das principais falhas do sistema eleitoral brasileiro: o sistema de lista aberta para as eleições proporcionais?

Além desses questionamentos, é preciso citar que é óbvio que os partidos se utilizam da total ignorância da grande maioria do povo brasileiro a respeito de como se dão as eleições, buscando, assim, um grande número de votos.

A título de uma breve explicação, é necessário dizer que quando votamos para um candidato do Poder Legislativo, em qualquer esfera – menos para o caso do Senado –, os votos contam, em primeiro lugar, para a “legenda”, ou seja, para o partido. Assim, o cidadão crê que está votando no candidato A quando, na verdade, está dando seu voto para o partido X. Essa é a primeira falha no Brasil: não o sistema em si, mas o desconhecimento da população de tal fato. A grande maioria acha que está votando no candidato quando, na verdade, está dando seu voto para o partido do candidato – e quem ganha as vagas, na verdade, são os partidos, não os candidatos.

A segunda definição teórica fica a respeito da diferença entre lista aberta e lista fechada. No sistema de lista fechada, os partidos definem previamente o ordenamento dos candidatos, cabendo aos eleitores exclusivamente votar na legenda. É o sistema adotado na grande maioria dos países com forma de governo parlamentarista. Já no sistema de lista aberta, o ordenamento dos candidatos é definido apenas pelos eleitores: os votos recebidos pelos candidatos das listas são somados e o total é utilizado para definir o número de representantes que caberá a cada partido. Os candidatos que obtiverem mais votos individualmente em cada lista estarão eleitos. É o sistema adotado no Brasil.

Um exemplo rápido: temos o partido X, e neste temos o candidato A (primeiro na lista registrada junto ao TSE), o candidato B (segundo na lista), o candidato C (terceiro na lista) e o candidato D (o quarto na lista). Suponhamos também que, em uma lista aberta, o candidato A tenha recebido 10 votos, o B tenha recebido 20 votos, o C tenha recebido 15 votos e o D tenha recebido 25 votos. Suponhamos ainda que o partido X tenha direito a duas vagas para deputado federal. Neste exemplo hipotético, pelo sistema de lista fechada estariam eleitos os candidatos A e B – pois eles são os dois primeiros na lista definida pelo partido. Já no sistema de lista aberta estariam eleitos os candidatos D e B, pois foram eles, nesta ordem, que obtiveram o maior número de votos dentro do partido.

E nessa história toda, onde entra o personalismo citado no primeiro parágrafo deste texto? No fato de que, como os votos contam para o partido, e não para o candidato, os partidos aceitam a filiação de tantos famosos quantos forem possíveis, apostando na tradição brasileira de desconhecer o nosso sistema eleitoral e ainda na nossa tradição personalista, que prefere enxergar pessoas – e não instituições – no comando político.

Assim, ao ter um famoso em seus quadros, pode ser que tal famoso consiga um número muito grande de votos – devido à sua fama, e não necessariamente devido às suas qualidades como “homem político”, como diria Max Weber – o que contribui para o coeficiente partidário, garantindo ainda mais vagas para o partido.

Foi o que aconteceu nas eleições para deputado federal em 2002: o então partido PRONA recebeu 1.635.393 votos, o que levou à eleição de 5 candidatos que tiveram a seguinte votação: 1) Enéas Ferreira Carneiro, com 1.573.642 votos; 2) Amauri Robledo Gasques, com 18.421 votos; 3) Irapuan Teixeira, com 673 votos; 4) Elimar Maximo Damasceno, com 484 votos; e 5) Ildeu Alves de Araujo, com 382 votos.

E aí pergunto a você, meu caro eleitor: São Paulo teve 19.617.270 votos válidos em tal eleição. Será que alguém com 382 votos dentre 19.617.270 efetivamente representa alguém? E aos que perguntarem “como ele conseguiu se eleger?”, volto aos pontos já destacados: 1) Personalismo da política brasileira, que vinculou a política a Enéas e a seu bordão “meu nome é Enéas”, e não à instituição do partido político; 2) Desconhecimento, por parte da população brasileira, de nosso sistema eleitoral, o que fez com que os paulistas votassem em Enéas imaginando que ele seria seu representante, sem saber que o voto era do PRONA.

Propostas para alterar tal situação existem, desde a implantação do sistema puro de lista fechada, passando pelo voto distrital e ainda pelo voto distrital misto.

Contudo, a mudança mais importante está no conhecimento da população – que atualmente, arrisco-me a generalizar, é ausente. Enquanto o povo brasileiro continuar acreditando mais em pessoas, em um “salvador da pátria”, e menos em instituições, não importará qual o sistema eleitoral utilizado: infelizmente, nada será mudado.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Perspectiva comentou: Membros do PSB questionam filiação de Skaf

08/10/2009

Comentou, recentemente, este blogueiro, por ocasião da filiação do Presidente da FIESP, Paulo Skaf, ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), repetindo o que já havia dito quando os boatos a respeito da filiação surgiram no início do ano:

Para quem não sabe, Paulo Skaf é o Presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participando também da diretoria da Confederação Nacional das Indústrias, aquela que, representando os patrões, se opõe às confederações de sindicatos que defendem os operários.

Antes de mais nada ressalto que minha análise a seguir não defende nenhum dos dois lados, apenas observa uma contradição aparentemente óbvia. Dito isso, só me resta fazer um comentário:

Se Paulo Skaf é um dos que luta pelos interesses patronais e está namorando com o PSB, um partido socialista, para concorrer a um cargo em 2010, só existem duas conclusões possíveis.

Ou Paulo Skaf é um ótimo patrão, identificado com as causas operárias e preocupado com os interesses dos trabalhadores, ou seja, alguém de esquerda.

Ou a ideologia dos principais partidos de esquerda do país, embora essa denominação já esteja um pouco ultrapassada, já foi para o “beleleléu”.

Qual será a conclusão correta?

Pois bem. Parece que este blog não foi o único que observou a contradição. Membros do próprio PSB, muito mais interessados na questão, também o fizeram. Confiram o que informa a Folha:

“Dois militantes do PSB de Campinas (SP) recorreram aos diretórios Municipal e Estadual do partido em São Paulo contra a filiação do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, à legenda.

Marionaldo Fernandes Maciel e Jadirson Tadeu Cohen Parantinga alegaram incoerência na filiação pelo fato de Skaf representar o empresariado paulista e patrocinar o projeto que levou ao poder neoliberais ‘que tanto mal fizeram e fazem ao nosso país’. Segundo os dois militantes, a posição neoliberal de Skaf contraria o estatuto do PSB.

‘Gostaríamos de expressar o nosso descontentamento em relação à filiação do presidente da Fiesp, senhor Paulo Skaf, pois o mesmo nunca foi favorável a lutas da classe trabalhadora’, dizem os militantes no recurso.

Procurado pela reportagem, Skaf disse por meio de sua assessoria que a manifestação dos militantes é normal em um país democrático. Porém, ressaltou que se trata de uma posição isolada, uma vez que o PSB possui milhares de filiados. Skaf disse ainda que é o partido quem deve se pronunciar sobre o caso.”

É claro que, no fim das contas, os militantes não conseguirão retirar Paulo Skaf do PSB. Não só por talvez não terem a opinião majoritária, mas, também, por contrariarem a cúpula do partido que, infelizmente, como em todos os outros partidos, comanda com mão de ferro.

Contudo, não pensem os patrocinadores da filiação de Skaf que a contradição de ideologias não foi percebida.

Coluna do dia: Infidelidade (partidária) e mulheres – Assunto de bar

04/10/2009

Por Tiago Franz*

Antes de mais nada, destaco duas notícias:

- “Tribunal Superior Eleitoral avalia criação do Partido da Mulher Brasileira (PMB)”.

- “Em função das eleições do próximo ano, 28 parlamentares (24 deputados federais e 4 senadores) trocaram de partido recentemente”.

Alguém aí já passou por uma crise de opinião? Alguém já experimentou a sensação de ter perguntas se amontoando sem respostas de imediato? Pois quem vos escreve é um colunista de opinião, com mais questões do que opiniões formadas. Mas meu caso não é exatamente uma crise. É uma espécie de estado voluntário.

Enquanto jornalista, deveria eu, ao me deparar com um fato de interesse público, coletar o máximo de informações no prazo de tempo disponível e interpretá-las, de preferência contemplando variados pontos de vista. Trabalhoso, mas nada impossível. A informação transborda na internet. Gente apontando o dedo para tudo e falando o que pensa também não falta.

Entretanto, tenho perguntas demais e resolvi deixá-las falar por si.

Por que a maioria dos partidos brasileiros não vai recorrer à Justiça contra os parlamentares infiéis? O que a infidelidade partidária significa para a democracia representativa? O sistema partidário está falido? Assassinaram a ideologia?

Está aí algo que me assusta: A ideologia, que remete à verdade, que lembra religião, que lembra doutrina, que lembra fanatismo e fundamentalismo, que lembra guerra. Mas isso é outra história.

Trata-se de fidelidade a quê? Ideais? Eleitores? Cartilhas dos partidos? Financiadores de campanha? O próprio ego? Imagino peemedebistas sendo fiéis ao que o partido tem sido por anos: Qualquer coisa.

Há um aparelhamento entre os partidos? O que define as alianças, os caminhos? Especialistas respondem a tudo, divergem entre si; quem está certo? “Todo mundo explica”, dizia Raul.

Partido da Mulher Brasileira?

A nova agremiação apresentou-se ao TSE no último dia de prazo para quem quer disputar as eleições de 2010, agendadas para 3 de outubro. É preciso um ano de existência (365 dias antes da data das eleições) para que o partido possa inscrever candidatos. Pelo mesmo motivo, ocorreu a recente onda de infidelidade partidária. É obrigatório aos candidatos terem um ano de filiação na sigla que usarão para a disputa.

Para eu não me estender demais, sugiro a leitura da cartilha do PMB, disponível no site da agremiação.

De fato, a representação feminina na política brasileira é muito aquém da necessária. A causa do PMB não é sem sentido. Quem nega que a desigualdade de gênero ainda é uma realidade?

“E as perguntas continuam” – outra vez Raul. A proposta do PMB consiste em uma espécie de segregação social? Que espaço terão os homens no partido? É necessário um partido exclusivo para que as mulheres revertam o quadro negativo em que se encontram na política? A proposta de um partido feminista é constitucional?

O Brasil é grande e rico, mas há quem diga que há partidos demais na nossa política. Será? E quanto aos partidos que de tão grandes não conseguem manter a coerência interna? E quanto às fusões?

Chega! Cansei de mim mesmo.

Sempre escrevo a coluna aos sábados. Melhor sair e tomar algumas. No bar as perguntas continuam e, depois de uns goles, todo mundo explica.

Boa semana a todos!

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

Paulo Skaf se filia ao PSB e pode disputar o governo de São Paulo

30/09/2009

Informa o G1:

“O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, filiou-se ao PSB nesta quarta-feira (30). A informação foi confirmada pelo presidente do PSB no estado, Márcio França. França disse ainda que convidou Skaf para disputar o governo do estado pelo partido, mas o presidente da Fiesp ainda não confirmou.”

Boatos sobre a filiação de Paulo Skaf ao PSB, e sobre a possível candidatura ao governo paulista, têm circulado a tempos. Confirmam-se agora.

Nos é possível observar que uma candidatura de Skaf pelo PSB, se existir candidatura do PT, pode significar a criação de um palanque estadual para a candidatura presidencial de Ciro Gomes, deixando o palanque petista para Dilma.

Pois bem. Mas não é este o meu comentário principal a respeito a filiação de Skaf ao PSB. Tenho uma observação a fazer que, por ocasião do início da boataria a respeito da possibilidade de vir a existir esta união, já foi publicada por este blog.

Diga-se de passagem que o comentário deste blogueiro é de fevereiro, ou seja, desde o início do ano o Perspectiva já adiantava esta informação sobre Skaf.

Enfim, confirmada a filiação do Presidente da FIESP ao PSB, vale muito a pena repetir tal colocação:

Para quem não sabe, Paulo Skaf é o Presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participando também da diretoria da Confederação Nacional das Indústrias, aquela que, representando os patrões, se opõe às confederações de sindicatos que defendem os operários.

Antes de mais nada ressalto que minha análise a seguir não defende nenhum dos dois lados, apenas observa uma contradição aparentemente óbvia. Dito isso, só me resta fazer um comentário:

Se Paulo Skaf é um dos que luta pelos interesses patronais e está namorando com o PSB, um partido socialista, para concorrer a um cargo em 2010, só existem duas conclusões possíveis.

Ou Paulo Skaf é um ótimo patrão, identificado com as causas operárias e preocupado com os interesses dos trabalhadores, ou seja, alguém de esquerda.

Ou a ideologia dos principais partidos de esquerda do país, embora essa denominação já esteja um pouco ultrapassada, já foi para o “beleleléu”.

Qual será a conclusão correta?

Eleição indireta para o governo do Tocantins terá dois candidatos do PMDB

30/09/2009

Informa a Folha:

“A eleição indireta para o governo do Tocantins terá dois candidatos do PMDB: o deputado estadual Carlos Henrique Gaguim e o ex-vice-prefeito de Palmas, Derval de Paiva. A eleição está marcada para as 20h de 8 de outubro, na Assembleia Legislativa do Tocantins. O governador que for eleito pelos deputados estaduais terá pouco mais de um ano de mandato para terminar, já que um novo pleito ocorrerá em outubro de 2010.

O PMDB local tentou impedir o lançamento de duas candidaturas. Marcou uma reunião para hoje para convencer Derval a não disputar o governo com Gaguim. ‘Falei com o Derval para ele desistir, não sair em campo. Que agora era a vez do Gaguim. Mas não teve jeito. Vai entender’, disse o presidente do diretório estadual do PMDB do Tocantins, Osvaldo Reis.”

Como se já não bastasse o PMDB ser uma federação de caciques fisiológica e loteadora de cargos, ainda tem um entendimento entre seus membros dentro dos estados tão profundo que, no Tocantins, não foi possível unir a legenda em torno de uma candidatura só nas eleições indiretas.

Fica a impressão de que, se fosse permitido a um partido lançar dois candidatos em eleições diretas, o PMDB não se acertaria também em diversos estados.

Esse é o preço pago por um partido marcado pela desunião e que só se mantém como o maior do Brasil, justamente e infelizmente, por dar asilo à má política.

Lamentável. Até porque o PMDB acaba sendo espelho da cultura política  nacional, que é desagregadora, personalista, vaidosa, desunida e egocêntrica em sua maioria.

“Quem não é alugado que atire a primeira pedra”, diz Presidente do PSC

24/09/2009

Informa o Estadão:

“O presidente do PSC, Vitor Nósseis, um dos fundadores da legenda em 1985, diz ser fundamental que um novo filiado tenha, além de potencial político, uma boa estrutura financeira para vencer a eleição.

[...]

Vocês convidam ou o deputado se oferece?

Os deputados procuram mais do que são procurados.

Quanto um deputado precisa gastar para ser candidato pelo PSC?

De R$ 1 milhão para cima, com expectativa de vencer.

De onde vem esse dinheiro?

Deles, né? É o deputado que chega com o dinheiro.

Ou seja, para um deputado ser candidato pelo PSC tem que ter pelo menos R$ 1 milhão?

Sim, se ele quiser se eleger. R$ 1 milhão é o que falam à boca grande e pequena, mas depende do Estado, pode ser menos.

Não teme que o PSC seja taxado de partido de aluguel?

Quem não é alugado que atire a primeira pedra. Esses partidos são alugados de certa forma com vários cargos.

Mas no PSC o deputado chega com dinheiro e vira candidato…

Você tem recursos, gostou do partido, da proposta, tem recursos lícitos e vai ser candidato. Não tem problema nenhum. Aceitamos todo mundo. Se tiver recursos, melhor.

Qual é a ideologia do PSC?

Depois do criador, colocar o ser humano em primeiro lugar. Queremos participar do processo de tomada decisão de poder para colocar o ser humano em primeiro lugar. A caminhada faz o caminho. Uma caminhada tem que ser uma consciência concreta da minha proposta ideológica.

O que o PSC defende na política econômica?

Eu vou falar da boca para fora e não vai adiantar nada. Você quer que eu defina se sou de esquerda, direita, não é? Depende. Tem coisas boas nos dois lados. Eu penso a economia de uma forma rudimentar e primária. Tenho três valores: oferta, procura e real. Se eu quero comprar um celular, é um preço. Se você quiser me vender, é outro preço. E quando busco para comprar, tem um valor real. E partir daí tem que ir balizando as coisas.

Em relação ao pré-sal, o que pensa o partido?

Para falar a verdade, não me informei bem, porque está muito oba-oba. Vejo que o negócio está lá, enfiado, não sei quantos metros abaixo do fundo do mar, depois tem uma camada de sal e, depois, o petróleo. Esse petróleo será refinado de maneira econômica? Vou conseguir botar esse refinado para mover os veículos ou continuar comprando gasolina de fora?”

Todos nós, pessoas de bem e desejosas do fomento, por todo o Brasil, da boa prática política, iremos, sempre, criticar posicionamentos como o do Presidente do PSC, Vitor Nósseis.

É claro que ninguém que preza a ética concorda com o aluguel de partidos. É claro que ninguém que prega a moralidade aceita que haja o valor estabelecido de 1 milhão de reais para que alguém consiga se eleger. É claro que ninguém que defende os ideais gosta de perceber que os partidos brasileiros tem pouca ou nenhuma ideologia.

Ao mesmo tempo, porém, não podemos ser hipócritas ou utópicos. Todos sabemos qual é a realidade da política nacional. O que o Presidente do PSC narra é uma barbaridade, mas é uma barbaridade real, fato consumado, infelizmente, na política brasileira.

Portanto, se por um lado devemos condenar veementemente as práticas descritas por Nósseis, por outro, devemos admitir que trata-se de um homem franco.

O que ele faz é errado moralmente, mas ele pelo menos assume. Piores do que ele são os falsos moralistas.

Vitor Nósseis diz que se o dinheiro da pessoa que quer se candidatar pelo PSC não for ilícito, será sempre bem vindo, independentemente das convicções e posicionamentos ideológicos desta pessoa.

Saber que toda a política brasileira é tomada por esse sistema entristece? Claro que entristece.

Mas assistir a pessoas que se pautam pelos mesmos parâmetros de Nósseis posando de boníssimas não só entristece como irrita.

O que é pior, um PSC com ideologia inexistente ou outro partido que diz ter uma ideologia firme e que não a segue nem de longe?

Pelo menos Vitor Nósseis não foi hipócrita. Não estou defendendo, claro, mas já é alguma coisa.