Comentou, recentemente, este blogueiro, por ocasião da filiação do Presidente da FIESP, Paulo Skaf, ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), repetindo o que já havia dito quando os boatos a respeito da filiação surgiram no início do ano:
Para quem não sabe, Paulo Skaf é o Presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participando também da diretoria da Confederação Nacional das Indústrias, aquela que, representando os patrões, se opõe às confederações de sindicatos que defendem os operários.
Antes de mais nada ressalto que minha análise a seguir não defende nenhum dos dois lados, apenas observa uma contradição aparentemente óbvia. Dito isso, só me resta fazer um comentário:
Se Paulo Skaf é um dos que luta pelos interesses patronais e está namorando com o PSB, um partido socialista, para concorrer a um cargo em 2010, só existem duas conclusões possíveis.
Ou Paulo Skaf é um ótimo patrão, identificado com as causas operárias e preocupado com os interesses dos trabalhadores, ou seja, alguém de esquerda.
Ou a ideologia dos principais partidos de esquerda do país, embora essa denominação já esteja um pouco ultrapassada, já foi para o “beleleléu”.
Qual será a conclusão correta?
Mais tarde, chegou ao conhecimento do grande público, comprovando as divergências ideológicas graves apontadas por este blogueiro que vos fala, a seguinte notícia:
“Dois militantes do PSB de Campinas (SP) recorreram aos diretórios Municipal e Estadual do partido em São Paulo contra a filiação do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, à legenda.
Marionaldo Fernandes Maciel e Jadirson Tadeu Cohen Parantinga alegaram incoerência na filiação pelo fato de Skaf representar o empresariado paulista e patrocinar o projeto que levou ao poder neoliberais ‘que tanto mal fizeram e fazem ao nosso país’. Segundo os dois militantes, a posição neoliberal de Skaf contraria o estatuto do PSB.”
Agora comprovando totalmente e exatamente o que foi previsto por este Perspectiva Política, na pessoa de seu blogueiro, meses e meses atrás, começam os rusgas ideológicas entre Paulo Skaf e a cúpula pessebista.
Confiram o que informa o Globo:
“Recém-filiado ao PSB – cujo princípio, pelo menos oficialmente, é a socialização inclusive dos meios de produção -, Skaf quer ser candidato ao governo paulista, caso o deputado Ciro Gomes (PSB) dispute mesmo a Presidência da República. Mas sem ideologias. Segundo ele, o ‘S’ do socialismo de seu partido é só ‘uma letrinha’, que aparece em quase todas as legendas.”
Skaf exibiu que acredita em um fisiologismo do PSB, assim como de todo o sistema partidário brasileiro, além de desrespeitar os reais socialistas do partido e de ter dito o que não devia.
O curioso é que, no fim das contas, Skaf está certo. Acontece que o politicamente correto, tanto no que tange a compostura, como no que tange os interesses políticos, prevê que algo assim não poderia ser dito.
Roberto Amaral, membro da cúpula do PSB e socialista, obviamente reagiu, dizendo:
“Ou ele se engana de partido, o que é condenável ou se engana quanto ao conceito do socialismo. Ou vai ficar pouco tempo por aqui”
Um líder do empresariado no PSB? A política brasileira é personalista, fisiológica, despartidarizada e inorgânica, porém, não é para tanto.
Este blogueiro previu que todos os componentes para a confusão estavam presentes, além, claro, da contradição e do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Não deu outra. O Perspectiva acertou na mosca. É por essas e outras que conquista a credibilidade que tem junto a seu leitores.










