Postagens com a palavra-chave ‘Personalismo’

Análise – Dilma é aclamada como pré-candidata do PT: Congresso do partido mostra sinais de possível radicalização

20/02/2010

A Ministra Dilma Rousseff foi, como já era totalmente de se esperar, aclamada como pré-candidata do PT à Presidência.

Será o nome do partido para outubro com certeza, mas por alguns meses fingirá ser apenas pré-candidata. A campanha continua, Dilma e Lula fingem que enganam e nós fingimos que acreditamos.

Como todos já esperavam que Dilma fosse finalmente oficializada como pré-candidata, as informações mais relevantes a respeito do Congresso petista são as indicações de como será, possivelmente, o viés político-ideológico da candidatura e do programa de governo e, também, de um hipotético governo futuro.

Essas suposições, feitas a partir de pontos defendidos pelo partido em seu encontro nacional, são revelantíssimas no sentido de que podem balizar a escolha de diversos eleitores. O vislumbre do que poderia ser um governo Dilma pode atrair ou afugentar brasileiros quanto ao projeto petista.

Sinceramente, as indicações dadas pelo congresso petista parecem mais afugentar do que atrair:  

Em primeiro lugar, Dilma disse com todas as letras que vai continuar a reaparelhar o Estado.

Isso pode ser interpretado positivamente ou negativamente, dependendo da ideologia de cada um e do que se entende por aparelhamento.

Contudo, a interpretação mais correta me parece ser a de que o PT continuará a empregar partidários em órgãos e empresas públicas.

E isso, meus caros, não agrada em nada.

Em segundo lugar, medidas aprovadas pelo congresso do PT deixaram o plano de governo de Dilma mais radical.

Entre elas, pode-se citar a taxação de grandes fortunas, o combate a um suposto monopólio dos meios de comunicação, a atualização dos índices de produtividade no campo no que tange a reforma agrária, a restrição às compras de terras por estrangeiros, a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas sem redução de salários

Alguns tentaram amenizar passagens dos textos. Não conseguiram. Por outro lado, o monopólio estatal do petróleo não foi aprovado como medida a ser defendida pelo plano de governo dilmista e nem a escolha do PMDB como aliado privilegiado e preferencial. Pelo menos isso.

No fim das contas, especialistas acreditam que as medidas aprovadas podem afligir o “capital”, o empresariado. Concordo com eles. E esta aflição é relevantíssima no mundo político-eleitoral.

Dilma procurou, para compensar, assumir compromissos com a estabilidade econômica. Porém, o passado esquerdista revolucionário da Ministra e o viés pré-Muro de Berlim de muitos de seus aliados próximos trazem suspeitas, perigosas para a sua candidatura, de que seu governo estaria mais à esquerda que o de Lula, sendo mais radical. E radical de uma forma que causa receio, próxima ao início do chavismo.

Em suma, alguns começam a temer mais fortemente, depois do que foi dito no congresso petista, que Dilma traga algum nível de radicalismo, embora o Ministro Paulo Bernardo, por exemplo, diga que isso é besteira. 

Por fim, um elemento que normalmente acompanha o radicalismo e o autoritarismo é o personalismo. E ele também esteve presente. Dilma afirmou o seguinte, sobre a possibilidade de Lula querer concorrer à Presidência novamente em 2014, jogando para escanteio uma possível tentativa sua de reeleição:

“Sem sombra de dúvida, ele pode. O presidente chegou a um ponto de liderança pessoal, política, nacional e internacional que o futuro dele é o que ele quiser”.

Mais messiânico, impossível.

Resumindo, o lançamento da pré-candidatura de Dilma foi recheado de demonstrações de que a Ministra pode, sim, ser um pivô de radicalização após um governo esquerdista mais moderado de Lula, quase centrista. Pragmático, na verdade.

E essas indicações trazem receios, dúvidas e críticas que, além de trazerem instabilidade para alguns apoios e preferências pela Ministra, podem também afugentar uma parcela grande do eleitorado.

De positivo fica a noção de que, pelo menos, se for para existir radicalização as pessoas estarão cientes de que ela ocorrerá com Dilma.

Ninguém poderá dizer que foi engando.

Pior será se o discurso repetido, entre outros, por Paulo Bernardo, de que dizer que Dilma está à esquerda de Lula e próxima em alguma medida de Chávez é besteira, prevalecer e, caso Dilma vença, todos se mostrem surpreendidos por uma radicalização escamoteada durante a campanha.

Muita água ainda rolará, mas já se pode dizer que aqueles que afirmam que Dilma está mais próxima do chavismo que Lula não são tão paranóicos assim.

Ela não é chavista no sentido estrito da palavra, mas não é necessariamente a continuidade total de Lula, aparentemente.

Talvez porque o PT tenha sido sempre assim, com a diferença de que Lula teve força para conter os arroubos da ala mais radical da legenda.

Dilma provavelmente não teria, não por personalidade ou cacife político exatamente, mas sim por não ser um quadro histórico do PT.

O que Lula fala é lei.

O que Dilma fala, nem tanto.

Nesse cenário, dependeria-se fortemente de Lula para manter a moderação. A influência do futuro ex-Presidente se manteria em grande medida.

Talvez seja por isso que Lula adora a ideia de sua sucessora ser Dilma.

Coluna do dia: Chávez e os riscos da Venezuela no Mercosul

02/11/2009

Por Arthurius Maximus*

A comissão do Senado encarregada de julgar a entrada da Venezuela no Mercosul deu parecer favorável à inclusão do Estado Bolivariano. Como grande importador, a Venezuela tem um enorme potencial positivo para nós. Contudo, é interessante ressaltar que esses benefícios podem se transformar rapidamente em dores de cabeça terríveis e em problemas futuros que assombrarão a nossa nação por um bom tempo.

Sendo Chávez potencial Presidente eterno de seu país, a falácia de que o Mercosul está firmando parceria com o Estado Venezuelano e não com seu líder é uma balela sem tamanho e uma infantilidade imperdoável. Chávez é um elemento pernicioso política e economicamente e trará uma enorme desagregação para o bloco que já não é lá pautado por uma unidade harmônica.

Imaginar que um Presidente responsável por mergulhar seu país em uma miséria sem sentido, quando é uma terra riquíssima em petróleo e em recursos agrícolas, pode ser ouvido em um parlamento comum onde será apenas “mais uma voz” e não a voz dominante como ele sempre deseja ser é um erro que se mostrará fatal para o bloco e para a liderança do Brasil junto a seus parceiros comerciais.

Os números da Venezuela não mentem: de um país exportador de alimentos, a Venezuela pós-Chávez, é hoje um país faminto e repleto de carências alimentares. Faltam carnes, leite, cereais e outros alimentos mais básicos. A Venezuela de Chávez é um país que importa 82% de tudo o que come e que caminha para os 90% a passos largos (graças à desistência dos criadores de gado – que são vistos como bandidos capitalistas por Chávez).

Mesmo os novos projetos agrícolas venezuelanos, tocados com muito dinheiro brasileiro e com o uso em larga escala de empresas, mão–de-obra e técnicas brasileiras não serão suficientes para reduzir a dependência alimentar da Venezuela, dada a dramática destruição de seu parque agrícola e a entrega das grandes propriedades produtivas para a agricultura dos “sem terra” locais. Nessas áreas, como aqui também, a produtividade é pífia e é incapaz de fazer frente à demanda.

Julgar que um país de tantos contrastes, e com um altíssimo viés autoritário e personalista, aceitará restrições e regras impostas pelo Mercosul sem se manifestar ou sem tentar fazer uso do bloco para seus próprios fins políticos (e para a incrível necessidade que Chávez tem de aparecer a qualquer preço), não lançando o Brasil em uma barca furada sem tamanho e que terá repercussões imprevisíveis em nossa balança comercial e em nossa própria economia é muita ingenuidade.

Cabe agora ao Plenário do Senado fazer algo a respeito. Mas, diante do retrospecto desta câmara, as perspectivas são de aprovação sumária diante da esmagadora maioria governamental referendada pelo PMDB e pela pressão das empresas exportadoras, ávidas pelo mercado faminto e desesperado da Venezuela.

Resta a esperança de que um próximo governo saiba identificar os sinais da derrocada do bloco (que já nasceu morto) e saiba pular fora desse barco antes que seu naufrágio nos carregue, a todos, para o amargo fundo do poço em que a Venezuela se encontra hoje.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Chávez quer doutrinar a ciência venezuelana

19/10/2009

Informa o Globo:

“Em maio passado, o presidente Hugo Chávez exigiu aos membros do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas (Ivic, na sigla em espanhol) que ‘façam uma ciência útil para elevar o nível de vida do povo’.

Durante uma emissão de seu programa de TV ‘Alô Presidente’, o líder venezuelano também pediu ao ministro do Poder Popular para a Ciência, Tecnologia e Indústrias Intermediárias, Jesse Chacón, que acabasse com os ‘esquálidos’ (opositores, no dicionário chavista) que ainda estavam no Ivic, principal centro de pesquisa científica do país.

Desde então, importantes pesquisadores do instituto foram perseguidos por suas preferências políticas, e programas considerados fundamentais pelos cientistas venezuelanos foram eliminados.”

Doutrinamento da ciência?

E tem gente que ainda teima em afirmar que na Venezuela há democracia…

Ora, meus caros, não bastam plebiscitos e eleições para que haja democracia. São necessárias a alternância de poder, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão, a liberdade de opinião e a separação real dos Três Poderes.

Como pode alguém defender que existem estas proteções em um país governador por um homem que coopta instituições, aumenta o número de cadeiras da Suprema Corte para ter em seu controle a maioria da Casa, domina o parlamento, persegue opositores, cassa os registros de emissoras de televisão e rádio opositoras e, agora, tenta doutrinar a ciência?

A única coisa boa que advém destas notícias a respeito de arroubos chavistas e da escalada da Venezuela rumo a uma ditadura, quem vem sendo citada por mim, é o fato de que todos esses abusos estão tornando impossível que alguém se diga chavista e democrático.

Para defender Chávez é preciso aceitar o autoritarismo, o personalismo e a ditadura, afirmando que os fins justificam estes meios.

É nesse momento que nós, pessoas democráticas, mostramos nossa razão na argumentação.

2ª Coluna do dia: Vem aí mais personalização da política brasileira

10/10/2009

Por Matheus Passos*

Como amplamente divulgado, terminou no último sábado, dia 03 de outubro de 2009, o prazo para filiações aos partidos políticos, tendo em vista as eleições do ano que vem. E, mais uma vez, os partidos, por meio da aceitação de filiação de “famosos”, apostam na longeva tradição brasileira de personalizar a política.

Matéria do portal G1 mostra que estes são os possíveis candidatos: “Gaúcho da Fronteira” (cantor de músicas típicas do sul do Brasil), Elymar Santos (cantor), Gabriela Leite (dona da Daspu), Kleber Bam Bam (vencedor do 1° BBB), Andréia Schwartz (responsável pela queda do Governador de Nova Iorque), Joãosinho Trinta (carnavalesco), Mirla (ex-BBB), Danrlei (ex-jogador do Grêmio), Marques (jogador do Atlético Mineiro), Doris Giesse (ex-apresentadora de TV), Salete Campari (drag queen em SP), Romário (ex-jogador de futebol), Edmundo (ex-jogador de futebol), Harlei (jogador do Goiás), Müller (ex-jogador de futebol), Andrés Sanchez (dirigente do Corinthians), Marcelinho Carioca, Acelino “Popó” Freitas (ex-boxeador), André Gonçalves (ator), e, por fim, Protógenes Queiroz (delegado da Polícia Federal). Isso, é claro, fora outros que não foram abrangidos pela reportagem do G1.

Por que os partidos aceitam e estimulam a presença de famosos em seus quadros? Porque querem se beneficiar daquilo que considero como uma das principais falhas do sistema eleitoral brasileiro: o sistema de lista aberta para as eleições proporcionais?

Além desses questionamentos, é preciso citar que é óbvio que os partidos se utilizam da total ignorância da grande maioria do povo brasileiro a respeito de como se dão as eleições, buscando, assim, um grande número de votos.

A título de uma breve explicação, é necessário dizer que quando votamos para um candidato do Poder Legislativo, em qualquer esfera – menos para o caso do Senado –, os votos contam, em primeiro lugar, para a “legenda”, ou seja, para o partido. Assim, o cidadão crê que está votando no candidato A quando, na verdade, está dando seu voto para o partido X. Essa é a primeira falha no Brasil: não o sistema em si, mas o desconhecimento da população de tal fato. A grande maioria acha que está votando no candidato quando, na verdade, está dando seu voto para o partido do candidato – e quem ganha as vagas, na verdade, são os partidos, não os candidatos.

A segunda definição teórica fica a respeito da diferença entre lista aberta e lista fechada. No sistema de lista fechada, os partidos definem previamente o ordenamento dos candidatos, cabendo aos eleitores exclusivamente votar na legenda. É o sistema adotado na grande maioria dos países com forma de governo parlamentarista. Já no sistema de lista aberta, o ordenamento dos candidatos é definido apenas pelos eleitores: os votos recebidos pelos candidatos das listas são somados e o total é utilizado para definir o número de representantes que caberá a cada partido. Os candidatos que obtiverem mais votos individualmente em cada lista estarão eleitos. É o sistema adotado no Brasil.

Um exemplo rápido: temos o partido X, e neste temos o candidato A (primeiro na lista registrada junto ao TSE), o candidato B (segundo na lista), o candidato C (terceiro na lista) e o candidato D (o quarto na lista). Suponhamos também que, em uma lista aberta, o candidato A tenha recebido 10 votos, o B tenha recebido 20 votos, o C tenha recebido 15 votos e o D tenha recebido 25 votos. Suponhamos ainda que o partido X tenha direito a duas vagas para deputado federal. Neste exemplo hipotético, pelo sistema de lista fechada estariam eleitos os candidatos A e B – pois eles são os dois primeiros na lista definida pelo partido. Já no sistema de lista aberta estariam eleitos os candidatos D e B, pois foram eles, nesta ordem, que obtiveram o maior número de votos dentro do partido.

E nessa história toda, onde entra o personalismo citado no primeiro parágrafo deste texto? No fato de que, como os votos contam para o partido, e não para o candidato, os partidos aceitam a filiação de tantos famosos quantos forem possíveis, apostando na tradição brasileira de desconhecer o nosso sistema eleitoral e ainda na nossa tradição personalista, que prefere enxergar pessoas – e não instituições – no comando político.

Assim, ao ter um famoso em seus quadros, pode ser que tal famoso consiga um número muito grande de votos – devido à sua fama, e não necessariamente devido às suas qualidades como “homem político”, como diria Max Weber – o que contribui para o coeficiente partidário, garantindo ainda mais vagas para o partido.

Foi o que aconteceu nas eleições para deputado federal em 2002: o então partido PRONA recebeu 1.635.393 votos, o que levou à eleição de 5 candidatos que tiveram a seguinte votação: 1) Enéas Ferreira Carneiro, com 1.573.642 votos; 2) Amauri Robledo Gasques, com 18.421 votos; 3) Irapuan Teixeira, com 673 votos; 4) Elimar Maximo Damasceno, com 484 votos; e 5) Ildeu Alves de Araujo, com 382 votos.

E aí pergunto a você, meu caro eleitor: São Paulo teve 19.617.270 votos válidos em tal eleição. Será que alguém com 382 votos dentre 19.617.270 efetivamente representa alguém? E aos que perguntarem “como ele conseguiu se eleger?”, volto aos pontos já destacados: 1) Personalismo da política brasileira, que vinculou a política a Enéas e a seu bordão “meu nome é Enéas”, e não à instituição do partido político; 2) Desconhecimento, por parte da população brasileira, de nosso sistema eleitoral, o que fez com que os paulistas votassem em Enéas imaginando que ele seria seu representante, sem saber que o voto era do PRONA.

Propostas para alterar tal situação existem, desde a implantação do sistema puro de lista fechada, passando pelo voto distrital e ainda pelo voto distrital misto.

Contudo, a mudança mais importante está no conhecimento da população – que atualmente, arrisco-me a generalizar, é ausente. Enquanto o povo brasileiro continuar acreditando mais em pessoas, em um “salvador da pátria”, e menos em instituições, não importará qual o sistema eleitoral utilizado: infelizmente, nada será mudado.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Como relator, Tasso vota contra entrada da Venezuela no Mercosul

01/10/2009

Informa ao G1:

“O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou nesta quinta-feira (1) seu parecer contrário à entrada da Venezuela no Mercosul. Tasso é o relator da proposta na Comissão de Relações Exteriores do Senado, que está reunida para debater o tema. A tendência é que seja feito um pedido de vistas e a votação seja adiada para a próxima semana.

O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi assinado em julho de 2006, mas precisa ser ratificado pelos Congressos dos quatro países membros para ser formalizados. Caso um dos países rejeite, a adesão não será concluída. No Brasil, a Câmara já aprovou a adesão.

O principal argumento contrário à entrada da Venezuela diz respeito à cláusula democrática. Para Tasso, esta cláusula é um problema para a adesão porque mesmo sem haver uma ‘ruptura’, o presidente Hugo Chavez governa de forma ‘quase ditatorial’.

‘O presidente Hugo Chavez tem seguido uma estratégia bastante conhecida de destruição da democracia e implantação de um regime autoritário’, diz trecho do relatório. “

No que tange este episódio bato palmas para o Senador Tasso Jereissati. A Venezuela não deve, realmente, fazer parte do Mercosul.

O motivo é simples: O Mercosul dispõe de cláusula democrática, ou seja, apenas países democráticos podem adentrar o bloco econômico. Pois bem. A Venezuela não é nem mesmo uma democracia em construção hoje. Trata-se de um país comandado por um regime semi-ditatorial.

A escalada ditatorial chavista na Venezuela é cristalina. Só não a observa quem não deseja.

O regime bolivariano recorre aos casuísmos para minar a oposição, coíbe a liberdade de imprensa, coopta as instituições e, como todos sabem, recorre a plebiscitos ditos democráticos para, justamente, perverter a democracia.

Que regime democrático que se preze altera as prerrogativas de um cargo eletivo quando um opositor do governo central o conquista?

Que tipo de democracia se tem quando o Parlamento e o Judiciário são controlados completamente pelo Executivo?

Ora, meus caros. Chávez aumentou o número de membros do Supremo Tribunal de seu país para poder nomear os novos integrantes e ter a maioria dentro do órgão. Mas que belo democrata, hein!

O governo venezuelano atual é personalista, antidemocrático, autoritário, desonesto. Enfim, semi-ditatorial.

E ficamos por aqui, para não citarmos as influências criminosas nas eleições de países estrangeiros, a relação estreita com o narcotráfico das FARC e o fato de a antiga elite venezuelana, mal falada pelo regime, ter sido apenas substituída por uma nova elite, a dos parentes e aliados dos governantes.

Portanto, está coberto de razão o Senador Tasso Jereissati ao, brilhantemente, resumir que a cláusula democrática barra a Venezuela pois, se não houve ruptura, há um governo quase ditatorial.

É exatamente isso. Não há o que tirar nem colocar.

O Senador Pedro Simon criticou o parecer de Jereissati dizendo que não permitir o ingresso da Venezuela é destruir o Mercosul e que Jereissati estaria se colocando da maneira que se colocou por Chávez ser de esquerda.

Não concordo com Simon neste caso. Nem um pouco.

O Mercosul tem como sua espinha dorsal a relação entre Brasil e Argentina. Barrar a Venezuela não o extingue. Além disso, o regime venezuelano é quase ditatorial por força dos fatos, das evidências, a inclinação ideológica de Chávez indifere.

Fosse ele de direita, de centro, de  Marte, este blogueiro, pelo menos, se colocaria da mesma forma.

A questão é: Sem democracia, nada de Mercosul. Se na Venezuela não há democracia de verdade, não pode o país ser do bloco econômico.

Simples assim.

“Minha candidata é a Dilma”, diz Chávez

28/09/2009

Informa a Folha:

“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse neste sábado que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é sua candidata para as eleições brasileiras de 2010.

‘Dilma será a próxima presidente do Brasil’, afirmou Chávez em seu discurso na abertura da 2ª Cúpula América do Sul-África, realizada em Isla Margarita, na Venezuela.

‘Sei que vão me acusar de ingerência, meu coraçãozinho é quem está falando’, disse. ‘Minha candidata é a Dilma.’ A ministra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a Presidência pelo PT.

Lula, que participa da Cúpula na Venezuela, sorriu ao ouvir o discurso do colega. Chávez lamentou o término do mandato do presidente brasileiro.

‘Mas Lula não se irá, ele fica, assim como Néstor Kirchner [ex-presidente da Argentina], que se foi, mas não se foi’, afirmou Chávez, em referência à eleição da presidente Cristina Kirchner como sucessora do marido. “

Olhem, meus caros: Este blogueiro que vos fala ainda não se decidiu a respeito de que candidato presidencial defenderá em 2010. Na realidade, não sei ainda, nem mesmo, se algum candidato será por mim defendido. Talvez nenhum seja.

Além disso, a independência do Perspectiva Política, reconhecida e comprovada por seus leitores, impede que este blogueiro resolva, unilateralmente, fazer apenas comentários abonadores com relação a um candidato e desabonadores com relação aos outros.

Como tenho dito, o Perspectiva elogia o que deve ser elogiado e critica o deve ser criticado, valendo esta máxima para todos os pré-candidatos à Presidência, aos governos estaduais e, também, aos cargos legislativos.

Pois bem. Dito isso, não poderia eu, por meu total repúdio a Hugo Chávez, deixar de dizer que ganhei pelo menos um motivo forte para não votar em Dilma Rousseff.

Este blogueiro que vos fala não vê com bons olhos votar em um candidato apoiado por Hugo Chávez. Longe de mim desaconselhar vocês, leitores, a fazê-lo, porém, trata-se de minha humilde posição pessoal. Não quero aqui convencer ninguém, que fique bem claro, mas esta é minha opinião.

Parto do seguinte princípio: Se Chávez apóia certo candidato, com certeza algo indesejado pelas pessoas de bem faz parte dos princípios norteadores das alianças políticas deste candidato, afinal, nenhum democrata que se preze pode ser aliado de Chávez, empreendedor de uma semi-ditadura autoritária, personalista e cerceadora de liberdades na Venezuela.

É curioso perceber que Chávez admite, já em sua fala, que será acusado de ingerência. E será mesmo. Acuso-o aqui neste momento: Hugo Chávez não pode se imiscuir no processo eleitoral brasileiro. Não lhe diz respeito. Muito pelo contrário. Que ele fique bem longe.

Vale ainda salientar que Chávez afirma que, assim como Néstor Kirchner, que elegeu sua esposa Presidente da Argentina, Lula irá embora sem realmente ir caso Dilma Rousseff vença. Em resumo, Chávez acaba por ressaltar o caráter artificial de marionete de Lula da Ministra da Casa Civil.

Até que ponto o povo brasileiro deseja alguém sem independência, sem iniciativa própria e sem comando real ocupando a cadeira mais influente da nação?

Uma coisa é Dilma ser a queridinha de Lula, a sucessora do Presidente, a representante total da continuidade. Outra coisa totalmente oposta é Dilma ser alguém que, uma vez no poder, telefonará para Lula sempre que precisar tomar uma decisão qualquer, por mais banal que seja.

Enfim, as declarações de Hugo Chávez, ao contrário de auxiliarem, atrapalham Dilma Rousseff. Elas demonstram claramente diversos pontos fracos da Ministra, entre eles, o fato de se aliar a regimes antidemocráticos e o fato de não ter nenhuma luz própria.

Não sei se Lula gostou do que Chávez disse. Que eu saiba, o que o caudilho aconselha não é seguido no Brasil, pelo contrário. Nossa sociedade já tem maturidade suficiente para reconhecer os malefícios dos arroubos chavistas.

Em suma, o Perspectiva sempre aconselhará os seus leitores a pesquisarem o máximo possível a respeito de todos os candidatos e suas respectivas propostas e, feito isso, escolherem o que preferirem e entenderem como melhor para o País. Porém, não poderia deixar de ser apontado que, na minha opinião, uma aliança com Chávez é defeito, e não qualidade.

Se uma soma fosse ser feita por mim para decidir meu candidato a Presidente, imputando aos pontos fortes valores positivos e aos pontos fracos valores negativos, com certeza o sinal de menos estaria na frente do valor correspondente ao fato de certo nome ser o indicado por Hugo Chávez. É um contra, e não um pró. Quem Hugo Chávez apóia, cai em meu conceito.

Alguns poderão dizer que apoios não podem ser escolhidos ou negados. Talvez seja verdade. Mas, observando a relação entre Lula e Chávez, não acredito que o apoio a Dilma seja simples voluntarismo do venezuelano.

Em tempo: Destaco a ridicularidade total da palavra “coraçãozinho” utilizada por Chávez. Patético. Este “coraçãozinho” deveria aparecer não para apoiar Dilma, e sim, para que não fossem perseguidos opositores na Venezuela.

Lula admite que decisão sobre caças para FAB é política

11/09/2009

Informa a Reuters:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro nesta sexta-feira que será política a decisão final sobre a escolha dos caças para reequipar a Força Aérea Brasileira.

‘A FAB, ela tem o conhecimento tecnológico para fazer a avaliação, ela vai fazer e eu preciso que ela faça. Agora, a decisão é política e estratégica e essa é do presidente da República e de ninguém mais’, disse Lula a jornalistas, em Pernambuco.

‘Temos muito tempo para discutir porque eu não tenho obrigação de decidir amanhã, depois de amanhã, o ano que vem. Eu decido quando eu quiser’, concluiu.”

Aí est, meus caros. O Presidente Lula admitiu, com todas as letras, que a decisão a respeito da compra de novas aeronaves para a Força Aérea Brasileira é mais política do que técnica.

O Presidente afirmou, de forma clara, que por mais que a FAB venha a indicar em sua avaliação uma opção como mais acertada, ele, e ninguém mais, pode escolher qualquer outra opção em detrimento da avaliação feita.

No fim das contas, a realidade é esta mesmo. O Presidente tem essa prerrogativa. Seria assim com Lula ou com qualquer outro. A grande questão é o uso que é feito desta prerrogativa.

Enquanto alguns presidentes submeteriam suas escolhas à análise da FAB, fazendo com que o critério técnico, tão importante, tivesse o primado, Lula usa e abusa do que pode fazer por ocupar o cargo que ocupa.

Ora, meus caros, nem tudo que está dentro da legalidade está, necessariamente, dentro da moralidade e da normalidade. O correto seria o Presidente Lula acatar a indicação da FAB mas, pelo visto, por motivos políticos, não será isso que irá acontecer. E Lula não tem pudor nenhum de dizer isso abertamente. Pelo menos ele foi franco, já é uma grande coisa.

O curioso é que a FAB pode, muito bem, indicar o Rafale francês como melhor opção. Neste caso, o Presidente Lula terá se desgastado e mostrado que não vê problemas em passar por cima dos relatórios da instituição sem necessidade.

Se bem que a informação que corre é a de que a avaliação da FAB poderá,  muito bem, apontar um dos concorrentes do Rafale como melhor opção, o que deixará o governo em uma saia justa.

Por fim, vale ressaltar que o Presidente tem sofrido mais ataques de personalismo ultimamente do que antes, embora sempre tenha sido acusado por seus opositores de fazer culto à sua própria personalidade.

Digo isso pois o Presidente Lula afirmou que a decisão é dele “e de ninguém mais” e que ele decide “quando quiser”.

Ora, se por um lado o Presidente tem realmente estas prerrogativas, por outro, não é nada louvável que ele ande por aí se gabando delas e exibindo os poderes que a lei lhe dá.

Coluna do dia: Mercadante – Rebaixando-se ao já rebaixado

22/08/2009

Por Matheus Passos*

“Berzoini pede votos pelo arquivamento de denúncias no Conselho de Ética”

“Mercadante diz que deixará liderança do PT em twitter”

“Mercadante adia discurso de renúncia para amanhã”

“Mercadante conversa com Lula sobre sua saída da liderança do PT”

“Após reunião com Lula, pronunciamento de Mercadante é mantido para esta sexta”

“Mercadante já se prepara para discursar da tribuna do Senado, diz assessoria”

“Mercadante vai telefonar para Lula antes de discursar da tribuna, diz Suplicy”

“Mercadante recua mais uma vez e diz que ficará no cargo de líder do PT”

As manchetes acima dizem respeito às principais notícias, em ordem cronológica, veiculadas no site G1 nos últimos dias. Como se percebe, a cronologia mostra as idas e vindas do Senador Aloizio Mercadante a respeito da sua renúncia – ou não – à liderança do PT no Senado. O leitor é capaz de perceber a indecisão do Senador – e tenho a certeza absoluta de que o leitor também percebe o quanto tal oscilação foi (é) nociva para a política brasileira em geral e para o Senado brasileiro em particular.

Sou bastante favorável à fidelidade partidária e, por um lado, entendo a atitude do Senador no sentido de ter seguido a orientação de seu partido. Por outro lado, o que não entendo é a submissão pessoal de Mercadante ao Presidente da República – reforçando um dos piores males da política brasileira, qual seja, o personalismo de nossas relações políticas. Também não entendo como pode o Senador se colocar contra a postura “antiética” de seu partido e, ao mesmo tempo, não sair do partido quando o mesmo toma decisões que são contrárias àquilo que o Senador defende.

Mais que isso: Some-se a tais manchetes o argumento de Mercadante – qual seja, “não renunciei porque Lula pediu”. O Senador, desta forma, se rebaixa a quem já estava rebaixado, posto que Lula perdeu o restolho de “santidade moral” que possuía ao abraçar – literalmente ou não – ex-desafetos, como o próprio Sarney e, principalmente, Collor (todos devem ter visto a foto recente de Lula e Collor se abraçando).

O ato de Mercadante também traz à tona problema que tem sido frequente na política brasileira: a intervenção – explícita ou não – de um poder a outro, com a constante subserviência dos poderes Legislativo e Judiciário à vontade do Executivo. Ao dizer – com outras palavras – que a história política conjunta com Lula é mais importante que a atuação no Senado, Mercadante prestou um desserviço ao Brasil por, mais uma vez, permitir que Lula coloque o Congresso Nacional no bolso e faça o que quiser. E tudo isso agravado pelo abrandamento da oposição, que também teve um de seus principais ícones – o senador Arthur Virgílio – absolvido. Como disse o Senador Cristovam Buarque na TV Senado ontem (21/08/09): O Brasil caminha, disfarçadamente, para um regime autoritário.

À guisa de conclusão, pergunto-lhes: Com quem é o compromisso do Senador Mercadante? Com seu eleitorado? Com seu partido? Com Lula? Ao “não renunciar porque Lula pediu”, Mercadante deixou claro que, na verdade, é “só mais um” – e que prefere se fundamentar em argumentos tais como “temos toda nossa história em conjunto” e “são apenas divergências temporárias” do que enfrentar o fato de que o partido ao qual pertence foi engolido pela ganância política da sua maior “estrela”.

Nota do Editor: Mercadante está agora desmoralizado, sendo visto como alguém que se acovardou diante dos olhos de todo o País e, na realidade, carece de autoridade para exercer a liderança do PT em sua plenitude.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político e editor do Blog do Prof. Matheus

Por que Lula enquadra o PT?

14/07/2009

Alguns leitores têm me enviado e-mails com a seguintes perguntas:

“Por que o Lula está forçando o PT a ceder tantos espaços nos estados? Será que ele não pensa que se o PT perder na eleição presidencial ficará com as mãos abanando? O que o leva a fazer tantas concessões e correr o risco de ficar sem nada?”

A resposta para essa pergunta é muito simples, porém, muitas vezes passa desapercebida. Não só para destacá-la, mas também porque é importante que nós a tenhamos para podermos compreender as atitudes de Lula que parecem enfraquecer o PT, é bom que pensemos nela.

Na minha modesta opinião, a coisa se resume a um ponto singelo: Lula é extremamente personalista e egocêntrico, ou seja, para ele, vale infinitamente mais ele mesmo do que o PT.

O pensamento de alguém que entende que os homens vão e as instituições criadas e fortalecidas por eles ficam levaria, provavelmente, ao entendimento de que Lula deveria pensar duas vezes antes de empreender a “Doutrina Lula”, ou seja, antes de enquadrar as lideranças regionais petistas e de dar tudo o que é possível para o PMDB em troca de um apoio à Dilma que nem tão firme assim será.

Acontece que Lula prioriza a manutenção do poder federal nas mãos do PT, e a intensidade das concessões que são desejadas por ele nos estados mostra o quão grande é esta preferência, pois esta manutenção é, simplesmente, a manutenção dele no poder. A candidatura Dilma, como já disse José Dirceu, é a tentativa de um “terceiro mandato de Lula”.

Quando Lula faz seu cálculo político, a premissa, hoje, é a seguinte: Mais vale fortalecer ao máximo, mesmo que correndo o risco de derrota, a candidatura presidencial que representa a minha continuidade por debaixo dos panos, do que marcar posição nos estados e fortalecer as bases do PT, formando ainda novos quadros.

Resumindo, a resposta, meus caros leitores, para a pergunta a respeito do porquê de Lula priorizar tanto a eleição nacional em detrimento das estaduais, correndo um risco enorme de deixar o PT sem nada, é a de que quem perde regionalmente é o PT e quem ganha nacionalmente é ele, Lula.

Quem foi que disse que o partido importa? A “queimação” sucessiva dos nomes fortes do PT na época do mensalão para manter Lula longe do fogo já havia provado que não.

Lula arrisca perder o que é do partido para ganhar o que será seu.

Alguns dirão que Lula age da forma como está agindo pois o governo federal tem mais prerrogativas, vale mais historicamente e dá margem para maiores realizações. Mas está longe de ser só isso.

Lula pensa que se estiver em risco seu poder político, que se lixem as lideranças regionais do PT.

Farinha pouca, meu pirão primeiro. É o que pensa o Presidente.

E a oposição não pode falar mal. Seus homens fortes pensam da mesma forma.

Emenda do 3º mandato é enterrada na CCJ da Câmara

08/07/2009

“Emenda do 3º mandato é enterrada na CCJ da Câmara”

Informa o jornal O Globo na reportagem citada acima:

“A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na tarde desta terça-feira, por unanimidade e em votação simbólica, o parecer do deputado José Genoino (PT-SP), que considerou inconstitucional a proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê a possibilidade de o presidente da República e governadores disputarem um terceiro mandato consecutivo. “

Este blogueiro já havia elogiado, e muito, o parecer de José Genoino. Agora, faz-se necessário também elogiar a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deste parecer.

A proposta de emenda constitucional que previa a possibilidade de mais uma reeleição para o Presidente, os governadores e os prefeitos trazia, claramente, o perigo da perpetuação no poder e da falta de alternância, práticas sabidamente nocivas à democracia.

Que o terceiro mandato seja mesmo sepultado e que assim fique por tempo indeterminado. Foi importante para isso o parecer de Genoino que, mesmo sendo do partido do Presidente Lula, rejeitou a ideia que poderia dar-lhe mais um mandato.

Obviamente é possível chegarmos à conclusão de que Genoino faz isso por conta de uma simples estratégia política. O terceiro mandato já poderia ser visto pelo PT como impossível e Genoino pode ter sido encorajado a apenas dar uma de “bom moço” quando, na verdade, gostaria que Lula se perpetuasse no poder se fosse possível. Mas sejamos otimistas e concedamos o benefício da dúvida a ele.

O mais importante é que se o povo brasileiro quiser a continuação de qualquer projeto de País que seja, poderá sempre eleger o sucessor. Não é necessário o personalismo.