Postagens com a palavra-chave ‘Paulo Duque’

Virgílio decide não representar contra Renan

16/09/2009

Disse ontem, aqui, o Perspectiva Política:

Corre a denúncia de que Renan Calheiros (PMDB-AL)  teria empregado em seu gabinete um servidor que, apesar de estar lotado na Casa, realizou um curso no exterior com o salário pago pela instituição.

[...]

Renan Calheiros criticou muito, recentemente, o Senador Arthur Virgílio por seu envolvimento em caso parecido. O alagoano utilizou este ponto fraco de Virgílio para chantagear o PSDB e proteger José Sarney. Os tucanos, ao que parece, cederam, o que entendi como totalmente equivocado.

Como já seria de se esperar, Virgílio aproveitou a forra e disse, mirando Renan:

“Eu me antecipei a tudo. Bastava eu ter ficado quieto que não teria tido a repercussão que teve. Mas eu falei dez vezes sobre o assunto. Chamei atenção para o problema e eu próprio dei a solução. Eu falava dos fatos, mas não mencionava os nomes das pessoas envolvidas. Eu suponho que Vossa Excelência haverá de se explicar perante a Casa e a nação, como eu estou fazendo”

Depois da denúncia, Virgílio decidiu ressarcir os cofres do Senado pelo pagamento irregular ao servidor. Apesar de não cobrar o ressarcimento de Renan, o líder do PSDB disse esperar que o peemedebista reconheça a acusação. “Talvez a diferença é que estou dizendo que sabia, e Vossa excelência diz que não sabia. Há uma contradição entre Vossa Excelência e o servidor”, afirmou.

Pois bem. Vejam o que declarou hoje Arthur Virgílio, justificando o fato de não ter a intenção de representar contra Renan Calheiros, por conta da denúncia supracitada, no Conselho de Ética do Senado:

“Não pretendo acionar o Conselho de Ética, não acredito naquilo, é uma farsa”.

A declaração tem lógica e faz sentido, afinal, foi o Conselho de Ética que colocou as pizzas da crise do Senado no forno. Também no Conselho se deu a atuação debochada do Senador Paulo Duque, suplente do suplente do Governador fluminense Sérgio Cabral, nomeado Presidente do Conselho.

Porém, para não dar a entender que pode estar com algum receio baseado em algo não muito louvável, Virgílio deveria representar contra Renan Calheiros.

Se não desse em nada, que fosse feito barulho, que fosse demonstrado novamente para o povo brasileiro a quantas anda o Senado.

Da forma como Virgílio pretende atuar, pode parecer que há medo de Renan na Casa.

Tomara que algum destemido tome a frente e faça a representação. O Conselho de Ética não honra o nome que tem, mas a esperança é a última que morre.

Além disso, se o Conselho assasse outra pizza, pelo menos se desgastariam aqueles que tivessem botado a mão na massa.

Por fim, vale ressaltar que uma Casa que tem medo de Renan Calheiros, um homem com um enorme telhado de vidro, anda mal. Muito mal.

Só é chantageado quem tem segredos escusos.

Vergonha: Eros Grau arquiva em definitivo pedido de reabertura de ações contra Sarney

31/08/2009

Recentemente, este blogueiro que vos fala publicou o seguinte trecho:

O fato de a Mesa Diretora não ter permitido que o Plenário da Casa se manifestasse a respeito do arquivamento empreendido por Paulo Duque é uma vergonha. Estão certíssimos os senadores que assinam o pedido junto ao STF. Se não der em nada, que se busquem outras alternativas, mas não se pode ficar de braços cruzados deglutindo a pizza.

Esperemos que o Ministro Joaquim Barbosa faça jus aos elogios que recebe de alguns e tome a decisão correta, ou seja, ordene que o Plenário da Casa avalie o arquivamento das denúncias contra Sarney e derrube esta balela dos sarneyzistas de que o regimento não permite essa apreciação pelo Plenário.

O Ministro Eros Grau, que julgou o pedido liminar, negou seguimento a ele. Eros substituiu Barbosa pois este está de licença médica. Tomara que, voltando ao serviço, Barbosa tenha entendimento diferente no julgamento definitivo. Até lá tudo já terá esfriado, daí a necessidade do pedido liminar, porém, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Pois bem. Acontece que a esperança de que o Ministro Joaquim Barbosa pudesse decidir a favor da intenção de alguns senadores de submeter a  uma votação no Plenário do Senado a manutenção do arquivamento das denúncias contra Sarney foi por água abaixo.

Não foi o Ministro Joaquim Barbosa quem proferiu decisão definitiva sobre o caso e não foi aprovado o pedido de reabertura das ações contra Sarney. Em suma, manteve-se a pizza no STF.

Informa a Folha sobre esta vergonha, explicando o que ocorreu:

“A decisão do ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), de negar pedido para a reabertura dos processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não será analisada pelo plenário do tribunal. Grau arquivou em definitivo o pedido de sete senadores para que os processos contra Sarney fossem analisados pelo plenário da Casa.

Em sua decisão, o ministro argumenta que a questão é interna do Congresso Nacional, por isso o Supremo não pode se manifestar sobre temas ‘interna corporis’ do Legislativo. Com a decisão de Grau, uma vez que o STF é a última instância do Poder Judiciário, os senadores terão que acatar sem contestações o arquivamento dos 11 processos contra Sarney pelo Conselho de Ética do Senado.”

“Interna corporis” do Legislativo, Ministro Eros Grau? Ora! O Supremo Tribunal Federal se imiscuiu tanto nos assuntos dos outros Poderes recentemente que já chega a ser criticado pelo aumento da tal “judicialização da política”. Porém, quando se trata de não permitir que uma pizza vergonhosa seja empurrada goela abaixo dos cidadãos brasileiros o Egrégio Tribunal se omite?

É claro que um erro não justifica o outro e que, portanto, não deve o Judiciário ultrapassar sua competência apenas por já o ter feito antes. Esse argumento seria ridículo e frágil. Erros não justificam outros.

Contudo, não deixa de ser curioso que o Ministro Eros Grau tenha escolhido o momento de proteger ou prejudicar José Sarney para decretar que o STF não pode se meter naquilo que não lhe diz respeito.

Outra coincidência um tanto estranha é o fato de que a lentidão do Supremo não foi observada desta vez. Grau arquivou tudo antes que Joaquim Barbosa pudesse, retornando de sua licença-médica, colocar as mãos no caso para decidir em definitivo. Será que havia receio de certos grupos com relação ao que Barbosa poderia decidir? Será que prefiriram apenas não arriscar? Ou será que não há nada disso e eu estou enxergando coisas?

De qualquer forma, ainda existem esperanças de que as coisas não fiquem assim. Não podemos engolir essa pizza. Não podemos nos render ao conformismo.

Um exemplo do que ainda pode acontecer é informado pela Folha. O jornal diz que os senadores [que representaram contra Sarney] vão esperar o surgimento de novas denúncias contra o Presidente do Senado para que sejam apresentadas outras representações contra o peemedebista –uma vez que denúncias sobre assuntos similares não podem ser reapresentadas ao colegiado.

Antes de novas representações, a oposição vai tentar aprovar mudanças na estrutura do Conselho de Ética para impedir que os grandes partidos monopolizem as vagas do colegiado.

O Senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) deve apresentar parecer na quarta-feira com as propostas de mudanças, entre elas a que prevê que o colegiado será formado por um representante de cada partido -sendo que os líderes partidários terão preferência. Eles terão ainda que cumprir os requisitos como não ter problemas com a Justiça e não ter processo por improbidade administrativa.

Aguardemos esperançosos. Não compro a visão de que Sarney não deve pagar pelo que fez pois outros não pagaram.

Se para cada caminhada há um primeiro passo, para toda limpeza há uma primeira varrida.

Temos, sim, que lutar até onde for possível para que o Plenário do Senado julgue se as denúncias contra Sarney devem mesmo ser arquivadas. Digo isso pois, dessa forma, a sociedade poderá pressionar aqueles que elegeram e demonstrar que não os elegerá novamente caso protejam Sarney.

No fim das contas, é uma votação no Plenário do Senado que poderá fazer com que a Casa se veja obrigada a se sintonizar com a sociedade. E essa sintonia representaria, invariavelmente, a retirada de Sarney da posição que ocupa.

Essa retirada deve ser levada a cabo pois não podemos ter a Casa alta do Legislativo nacional sendo comandada por alguém desmoralizado, suspeito e cambaleante.

Além disso, a votação no Plenário poderia nos dizer o que realmente queremos saber: Quem são, exatamente, todos aqueles que protegem Sarney, sem exceção.

Queremos saber isso para sabermos em quem não votar!

Artigo: Fé demais não cheira bem – Lucio Mauro Filho

23/08/2009

Reproduzo ótimo e muito bem embasado artigo sobre a sensação atual dos que votaram no PT no passado escrito pelo ator Lucio Mauro Filho, herdeiro do grande Lucio Mauro e conhecido pelo personagem ‘Tuco’ da série global ‘A Grande Família’.

O artigo traz cronologia perfeita dos problemas éticos dos dois mandatos de Lula e ilustra com importantes fatos. Ele segue na íntegra e foi publicado em O Globo. Confiram:

Fé demais não cheira bem

Lucio Mauro Filho*

Em outubro de 2002, nós artistas fomos convidados a participar de um encontro com o então candidato à Presidência da República Luis Inácio Lula da Silva na casa de espetáculos Canecão, no Rio de Janeiro. Fui ao encontro como eleitor de Lula desde o meu primeiro voto e também como cidadão brasileiro ansioso por mudanças na forma de se fazer política no país. O clima era de festa, com muitos colegas confraternizando e um sentimento que desta vez a vitória viria.

Na porta principal da casa, uma tropa de políticos do PT e da coligação partidária recebia a todos com bottons, apertos de mãos firmes e palavras de ordem. E no meio de quadros tão interessantes da nossa política, este que vos fala foi recebido justamente por quem? Pelo Bispo Rodrigues (hoje ex-político e ex-religioso).

As pulgas correram todas para trás da minha orelha. Ser recebido no encontro do Lula com os artistas pelo bispo da Igreja Universal filiado ao extinto PL não era bem o que eu esperava daquela ocasião. Era um prenúncio claro do que viria a acontecer depois.

Veio o apoio do PTB de Roberto Jefferson, que tinha horror a Lula, mas que mesmo assim acabaria recomendando o voto no candidato do PT, como forma de desagravo ao então presidente do seu partido, José Carlos Martinez, que por sua vez tinha ódio por José Serra, a quem considerava culpado pela volta aos jornais da história do empréstimo que ele teria recebido de Paulo César Farias, no início dos anos 90. Com essa turma, a candidatura de Lula chegava à reta final.

A vitória veio e, com ela, uma onda de otimismo e de esperança em dias melhores, de mais inclusão, mais justiça social e menos corrupção e descaso. Éramos os pentacampeões mundiais no futebol e com Lula presidente ninguém segurava essa Nação. Pra frente Brasil!

Depois de dois anos de namoro, os ventos começaram a mudar com o surgimento de uma gravação onde Waldomiro Diniz, subchefe de assuntos parlamentares da Presidência da República, extorquia um bicheiro para arrecadar fundos para as campanhas eleitorais do PT e do PSB no Rio. O fato foi tratado como um deslize isolado de um funcionário de segundo escalão que de forma alguma representava a ideologia do Partido dos Trabalhadores. Waldomiro foi afastado do governo.

Em meados do ano seguinte surgiu uma nova gravação, onde o então funcionário dos correios Maurício Marinho aparecia recebendo dinheiro de empresários. Ele dizia ter autorização do deputado Roberto Jefferson do PTB. Em defesa de seu aliado, o presidente Lula afirmou na época que confiava tanto em Jefferson que lhe daria um “cheque em branco”.

As investigações foram aprofundadas e na base do “caio, mas levo todo mundo junto”, o deputado afirmou em entrevista à “Folha de São Paulo” que existia uma prática de mesada paga aos deputados para votarem a favor de projetos de interesse do governo. Lula deu o cheque em branco e recebeu de volta a crise que derrubaria, um por um, os homens fortes do seu partido. E de uma hora para outra, José Dirceu, José Genoíno, Antônio Palocci, João Paulo Cunha e outros políticos que tanto admirávamos, chafurdaram na lama da política suja, com histórias de abuso de poder, tráfico de influência e até coisas inimagináveis, como dólares transportados em cuecas e saques em boca de caixa totalmente suspeitos.

Acabou a inocência. O PT começou a desprezar quadros importantes do partido que não concordavam com as posições incoerentes com a luta pela ética e a moralização do país. Pior do que isso, acabou por expulsar alguns deles, como a senadora Heloísa Helena e os deputados Babá e Luciana Genro. Outros saíram por também não concordarem com as práticas até então impensáveis para um partido que se julgava detentor da bandeira da honestidade. E assim partiram Cristovam Buarque e Fernando Gabeira.

Apesar de toda uma nova geração de políticos interessados em refundar o partido e aprender com os erros, como José Eduardo Cardozo, Delcídio Amaral e Ideli Salvati, o PT preferiu manter a estratégia do aparelhamento, do fisiologismo e do poder a todo custo, elegendo o pau mandado Ricardo Berzoini novo presidente do partido. Ele representava o Campo Majoritário, grupo que sempre esteve na presidência do PT desde sua fundação.

Depois que nada foi provado na CPI do Mensalão, o Partido dos Trabalhadores percebeu que a bandeira da ética já não importava mesmo e começou novamente uma fase “rolo compressor” de conchavos e blindagens com o que há de pior na política brasileira. Veio o segundo mandato e com ele o fato. O presidente Lula cada vez mais nas mãos do PMDB, o partido que definitivamente não está nem aí com ideologias, ética ou qualquer coisa parecida.

Depois da derrocada dos grandes caciques do PT, restou Dilma Roussef, a super ministra, como única opção de candidatura para a sucessão do presidente Lula. Mas Dilma não tem carisma nenhum. É uma figura técnica, fria. Precisa desesperadamente do presidente preparando palanques com dois anos de antecedência, emprestando toda a sua popularidade, como uma espécie de “ghost charisma”. Precisa também do PMDB com seus acordos e chantagens como co-patrocinador político da candidatura.

Para isso, foi preciso o governo se meter em mais outra crise e comprovar que é muito mais PMDB que PT. Depois de Jefferson, Bispo Rodrigues, Severino Cavalcanti, os eleitores do Lula estão tendo que agüentar o pior. Ver o presidente de mãos dadas com Fernando Collor, Renan Calheiros e José Sarney. E ver um Conselho de Ética formado em sua maioria por suplentes como os senadores Wellington Salgado, Gim Argello e até o presidente do conselho, Paulo Duque, que afirmou que “adora decidir sozinho”.

No momento em que políticos como Aloizio Mercadante tentam juntar os cacos do PT, tomando atitudes coerentes com o que o partido sempre pregou, lá vem o executivo com sua emparedada já tradicional, desautorizando o líder de sua bancada, mais uma vez constrangido pela direção do PT. E as promessas as quais me referi lá atrás, Delcídio e Ideli, votaram a favor do arquivamento de tudo e da permanência do que aí está. Mais uma vez, o fim justifica os meios.

E assim, é a vez de Marina Silva abandonar o barco, cansada de guerra. A ex-ministra do Meio Ambiente que viu o presidente Lula entregar nas mãos do ministro extraordinário de assuntos estratégicos, Mangabeira Ünger, o Programa Amazônia Sustentável (PAS). Justo ela, uma cidadã da Amazônia. Foi a gota d’água. Desautorizada, Marina deixou o cargo. Agora, deixa o partido. E o Mangabeira Ünger? Voltou para Harvard para não perder o salário de professor (em dólar), deixando os assuntos estratégicos para o passado.

Esse é o atual panorama da política nacional. Deprimente. Políticos dizendo na cara de seus eleitores que realmente estão se lixando. Acabou o pudor. Com o presidente Lula corroborando tudo que é canalhice e uma oposição que é também responsável por tudo que aí está, pois governaram o país por todos esses anos e ajudaram a moldar todas as práticas que o governo do PT aperfeiçoou, talvez estejamos realmente precisando de uma terceira via.

Eu não sei se imaginei um cenário tão devastador quando constrangido evitei o aperto de mão do Bispo, lá na porta do Canecão. Mas um trocadilho não me sai da cabeça: “Fé demais não cheira bem”.

*Lucio Mauro Filho é ator e roteirista

Vergonha: PT ajuda e Conselho de Ética rejeita reabertura de ações contra Sarney

19/08/2009

Informa o Globo:

“Conforme era esperado, o Conselho de Ética do Senado arquivou, na tarde desta quarta-feira, por 9 votos a 6, os recursos da oposição contra o arquivamento dos 11 pedidos de investigação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por quebra de decoro parlamentar.

[...]

A oposição, com seis votos – cinco de DEM/PSDB e um do PDT (Jefferson Praia) – precisava de pelo menos oito votos dos 15 membros do colegiado para reabrir as investigações. Contava com ao menos dois votos do PT, mas o partido, pressionado pelo Planalto, foi decisivo para enterrar as investigações, com os votos de Delcídio Amaral (MS), Ideli Salvati (SC) e João Pedro (PT-AM). Coube a este último ler a nota divulgada pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini , que orientou a bancada no Senado a votar pelo arquivamento das ações.”

Vergonha! Não há outra palavra que possa descrever melhor o que ocorreu no Conselho de Ética do Senado. O cinismo venceu, o deboche imperou e os interesses eleitoreiros dos que votaram a favor de Sarney fizeram com que o arquivamento de todas as denúncias contra o Presidente do Senado fossem mantidas.

Poderiam até alegar que algumas das denúncias não têm realmente uma sólida fundamentação. Vá lá que seja. Mas duas delas especialmente, a que diz respeito ao emprego para o namorado da neta de Sarney e a que se refere ao fato de Sarney ter mentido a respeito de sua influência sobre a Fundação Sarney, davam total margem para o desarquivamento e para o início de uma investigação. Fica claro que Sarney se safou pela política, e não, pela fraqueza de todos os argumentos das denúncias.

Enquanto Renan Calheiros se regozija, coisa que dói em qualquer brasileiro de bem, somos obrigados a ver a base aliada livrar Sarney das denúncias visando, claramente, as eleições de 2010. O destaque fica por conta da incoerência de partidos como o PT e o PC do B que defenderam, muitas vezes, a ética. O PMDB, cá para nós, não engana ninguém a tempos. Principalmente o do Senado.

Mas isso não há de ficar assim. Pressionemos como sociedade civil para que tudo seja levado ao Plenário do Senado. Por mais que lá os senadores estejam protegidos pelo voto secreto, que abre caminho para o compadrio, teremos pelo menos mais uma chance de pressionar e mostrar aos senadores que os que defendem Sarney não ficarão impunes. Mantenhamos a posição de repúdio aos que defendem Sarney, explicitada na Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, criada por este blog.

Não podemos aceitar que a oposição, acuada pelas ameaças do PMDB e tentada a se render ao corporativismo, não leve os casos para o Plenário do Senado. Alguns estão dizendo que o regimento do Conselho de Ética não permite esse procedimento, mas isso é balela de sarneyzista.

Por fim, é importante também que saibamos exatamente como votaram os membros do Conselho de Ética, por isso, tomem ciência dessa informação pela lista abaixo:

Sim – A favor das investigações e do desarquivamento

Não – Contra as investigações e o desarquivamento

Titulares

Demóstenes Torres (DEM-GO) – Sim

Heráclito Fortes (DEM-PI) – Ausente

Eliseu Resende (DEM-MG) – Sim

Marisa Serrano (PSDB-MS) – Sim

Sérgio Guerra (PSDB-PE) – Sim

Wellington Salgado (PMDB-MG) – Não

Almeida Lima (PMDB-SE) – Não

Gilvam Borges (PMDB-AP) – Não

João Pedro (PT-AM) – Não

Inácio Arruda (PC do B-CE) – Não

Gim Argelllo (PTB-DF) – Não

João Durval (PDT-BA) – Ausente

Romeu Tuma (PTB-SP) – Não

Paulo Duque (PMDB-RJ) – Por ser Presidente do Conselho, só votaria em caso de empate

Suplentes:

ACM Júnior (DEM-BA) – Ausente

Rosalba Ciarlini (DEM-RN) – Sim

Delcídio Amaral (PT-MS) – Não

Ideli Salvatti (PT-SC) – Não

Jefferson Praia (PDT-AM) – Sim

Em tempo: É preciso, ainda, fazer o registro do cinismo de Renan Calheiros. Todos sabem que o Senador fez o PMDB representar contra Arthur Virgílio (PSDB-AM) para dispor de uma moeda de troca. O que ele menos desejava era investigar alguma coisa. Pois bem. Vejam o que ele declarou a respeito da manutenção do arquivamento das denúncias contra Virgílio:

“O PMDB considera-se suficientemente esclarecido e acompanhará o despacho pelo arquivamento”

Suficientemente esclarecido? Francamente…

Duque arquiva denúncia contra Virgílio: PMDB vai recorrer

13/08/2009

Informa o Globo:

“O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou nesta quarta-feira a representação do PMDB que pedia a cassação do mandato do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), por quebra de decoro parlamentar. Foi o chefe de gabinete de Duque, Zaqueu Teles, quem entregou o pedido de arquivamento na secretaria-geral da Mesa.”

Resume o jornalista Ricardo Noblat:

“A primeira acusação foi descartada por Duque porque Virgílio reconheceu o erro e começou a ressarcir o Senado do prejuízo que teve com o servidor fantasma.

A segunda porque pedir dinheiro emprestado a quem quer que seja não é quebra de decoro, segundo Duque.

E finalmente a terceira porque Virgílio não foi o ordenador da despesa. Foi Renan Calheiros (PMDB-AL), quando presidia o Senado, que autorizou a despesa.”

A atitude de Paulo Duque surpreende se levarmos em conta que foi o PMDB, partido do qual faz parte e que é comandado por aquele que colocou Duque onde ele está, Renan Calheiros, que representou contra Virgílio.

Porém, talvez esta atitude não surpreenda tanto se levarmos em conta a politicagem que corre nos bastidores do Senado em torno do “acordão” para salvar Sarney e Virgílio ao mesmo tempo.

É por essas e por outras que reitero meu conselho ao Senador Arthur Virgílio:

Preste um serviço de tamanho descomunal à nação, Senador. De um tamanho não igualado por nenhuma outra atitude do senhor. Jogue tudo para o alto, vá até fim. Arrisque o tombo mas garanta que outros tombarão e aposte no seu próprio soerguimento.

O fato de o PMDB pretender recorrer da decisão de Duque insinua que o acordo pode não dar certo. Por outro lado, o PMDB pode ter desenhado uma estratégia para igualar Virgílio a Sarney. Se não houvesse arquivamento, ficaria claro que Duque é tendencioso.

De qualquer forma, tomara que Virgílio atenda ao meu pedido.

Lula já pensaria em aceitar saída de Sarney

10/08/2009

Como este blogueiro vem dizendo, é impossível que a defesa por Lula, Dilma e demais governistas de José Sarney, hoje personificação do que há de condenável na política brasileira junto à população, não renda desgastes para a imagem dos mesmos.

Após observar supostas pesquisas que mostrariam redução da popularidade de Lula e da intenção de voto de Dilma Rousseff, provavelmente causadas pela proximidade com Sarney, o Planalto estaria cada vez mais se convencendo – processo que começou ainda no recesso parlamentar – de que a saída de Sarney pode ter de ser aceita e contornada da melhor forma possível.

O Presidente Lula já teria sido novamente aconselhado a não proferir argumentos a favor da permanência de Sarney, coisa que vinha fazendo, há algumas semanas, a torto e a direito.

Diante deste cenário, Lula estaria disposto a conversar a respeito de uma saída negociada de Sarney. Uma que mantivesse o mandato de Sarney e protegesse o Senador de humilhações, embora lhe retirasse a presidência do Senado.

Com isso, Lula acredita que poderia, por mais que Sarney saísse, demonstrar a gratidão que tem pelo fato de Sarney tê-lo defendido nos tempos do mensalão e garantir o apoio do PMDB a Dilma.

Em suma, Lula quer que, caso a saída de Sarney seja inevitável, os atos do governo mostrem que ele fez tudo o que pôde.

Contudo, ao mesmo tempo, Lula deverá se afastar do Senador José Sarney em público, afinal, não pode arcar com um desgaste muito grande tão perto de 2010 e se a defesa de Sarney continuar, esse desgaste virá, ao contrário do que alguns lulistas pensavam no início da crise do Senado, quando diziam que a popularidade de Lula era intocável.

Além disso, os desgastes de Lula refletem imediatamente em Dilma, muito mais do que ocorreria com outros sucessores, já que a Ministra é totalmente dependente do Presidente, não tem luz própria. Por isso, parar o desgaste é mais urgente ainda.

A aceitação do governo no que tange a intenção da bancada senatorial petista de, para diminuir o desgaste de seus senadores junto à sociedade, apoiar o recurso da oposição contra os arquivamentos empreendidos por Paulo Duque em pelo menos um caso, seria sintoma de que esse espírito de necessidade da saída de Sarney prolifera no Planalto.

Essa possibilidade de o PT auxiliar o sucesso de um dos recursos, aliás, pode representar a tal saída honrosa que Lula deseja. Se a investigação, que deve tratar da nomeação do namorado da neta de Sarney, for iniciada, o Presidente da Casa deverá, por regra, apresentar defesa e se afastar do cargo.

O afastamento pode acabar sendo permanente, permitindo ao Senado uma descompressão no ambiente e a Sarney a manutenção do mandato.

Percebam que Sarney, vergonhosamente no que tange a ética, tem tudo para, se vier a cair, não chegar nem perto de ser cassado.

Oposição vai recorrer hoje do arquivamento das denúncias contra Sarney

10/08/2009

Informa a Folha:

“A oposição vai recorrer nesta segunda-feira contra o arquivamento sumário de todas as acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que chegaram ao Conselho de Ética da Casa. DEM e PSDB prometem apresentar um recurso conjunto contra a decisão do presidente do conselho, Paulo Duque (PMDB-RJ), que arquivou 11 denúncias e representações contra Sarney na semana passada”.

Os membros da oposição esperam que o PT apóie, para não ficar mal com o eleitorado, pelo menos um dos recursos. Se isso ocorrer, a investigação de uma das denúncias será iniciada.

A oposição vê nesta única investigação uma boa chance de retirar Sarney. O PT ajudar a aprovar este recurso solitário pois quer menos desgaste junto à opinião pública de olho em 2010. O governo terá que engolir, afinal, não quer também que os petistas sejam expurgados do Congresso em 2010.

E o PMDB? Bem, o PMDB tem a falta de vergonha na cara de defender que todos os recursos sejam negados. Sem exceção. E a opinião pública que esperneie.

Se o PMDB, com métodos nada salutares, convencer o PT a fazer vista grossa, a oposição recorrerá ao Plenário da Casa.

Duque arquiva, como esperado, as denúncias restantes contra Sarney

09/08/2009

Informa a Folha que,  o Presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou mais sete acusações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), acusado por tráfico de influência, ocultação de informações à Justiça Eleitoral e responsabilidade pelos atos secretos.

Estes arquivamentos já eram, infelizmente, esperados, afinal, Paulo Duque foi colocado por Renan Calheiros no comando do Conselho para, justamente, engavetar tudo.

E Paulo Duque não está nem aí para a repercussão disso tudo pois, sendo suplente de suplente, acredita, erroneamente, que não deve satisfações a ninguém além do grupo que lhe garantirá um resto de velhice tranquilo.

Resta agora aos que querem a retirada de Sarney do cargo esperar pelo recurso da oposição contra os arquivamentos. Ele será empreendido, primeiro, no Plenário do próprio Conselho de Ética. Se vencido neste ponto,  o que é provável pois a tropa de Sarney domina o Conselho, deve ser levado ao Plenário do Senado.

A batalha final se dará lá e é por isso que é tão importante que a sociedade pressione os senadores. Se eles se sentirem coagidos por suas bases a não votar a favor dos interesses de Sarney, aumentam as chances da retirada do mesmo.

O empecilho que fica é a questão das provas. O que possibilitou a Duque arquivar as denúncias sem maiores problemas foi o fato de que elas são baseadas em informações fornecidas por jornais, ou seja, por notícias. Os indícios são fortíssimos e todos sabemos que no mínimo algumas denúncias são totalmente verdadeiras, porém, graças à falta de provas consolidadas, não há firmeza na argumentação dos que denunciam.

O que pode mesmo complicar Sarney são dois fatos: A gravação em que ele promete à neta um emprego para seu namorado no Senado e o fato de Sarney ter mentido à Casa ao dizer que não tomava nenhuma parte no gerenciamento da Fundação Sarney.

Esses casos é que podem fazer com que, pressionados pela opinião pública, os senadores votem contra Sarney no Senado.

Pressionemos. É por essas e por outras que o Perspectiva Política lançou a Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney!

2ª Coluna do dia: No Senado, sujeira pra todo lado!

08/08/2009

Por Rafael Oliveira*

É cada vez mais exaustiva a discussão sobre o cenário político que assombra Brasília e os brasileiros. Porém, os veículos de imprensa dessa vez parecem estar decididos a não se calar diante dos absurdos que envolvem nossa lamentável política. Torna-se assustador o surgimento sucessivo de manchetes nos grandes portais da web, assim como ocorre uma visível intensificação na produção de matérias e reportagens nos grandes jornais de comunicação, seja na forma escrita como televisiva. Será que mesmo assim os ”morto-vivos”, vencerão? A tropa de choque de Brasília, Sarney, Collor, Renan Calheiros e cia. limitada (ou seria ilimitada?), ainda possui forças para se defender e parece estar blindada por todos os lados, mas será que são mesmo invencíveis?

A pressão da opinião pública ainda não é a ideal, o primeiro movimento ”Fora Sarney” nas ruas culminou em uma decepção pelo baixo número de seguidores, mas promete agora ”o retorno”, que, se reforçado por comunidades nos sites de relacionamentos, no twitter dos grandes artistas e nos meios de mídia que envolvem a verdadeira massa jovem e determinada em busca de um país mais limpo, terá chances de unir as vozes de milhares de cidadãos antenados, que, juntos, possuem plena condição de retirar do poder Sarney e seus temerosos aliados.

Se lembram das declarações do então eleito presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, quando o mesmo se referiu à opinião pública e aos atos secretos? “Não estou nem preocupado com isso, porque a opinião pública é muito volúvel, ela flutua” ,”eu jamais tive benefício por qualquer ato secreto. Pois isso pra mim é uma bobagem”.

É triste perceber que não temos o mesmo sangue nos olhos de quando sofríamos pela ditadura. O cidadão citado acima humilha o Brasil e os brasileiros e a população parece se calar diante das barbaridades que dão a impressão de se multiplicar a cada dia. Lamentável.

Coincidência ser do PMDB o cidadão que deveria prezar pela ética nacional e que não o faz? Apesar da tristeza diante das jogadas que envolvem a política brasileira, sinto que são cada vez mais manjadas e, com isso, a contra-ofensiva popular saberá exatamente o ponto fraco dos políticos, pelo despreparo, até para manipular, que nossos homens de Brasília vêm demonstrando. Ao menos para isso o governo Lula serviu: Para trazer à tona todos os podres e estratégias negras que caracterizam 99% daqueles que deveriam cuidar de nosso País.

Como somos a nação verde, e o verde é a cor da esperança, alguma expectativa de um País melhor devemos ter. Somos o País dos que “não desistem nunca”. Vem aí mais uma passeata e, junto dela, a possibilidade de milhares de vozes se unirem por um mesmo ideal.

FORÇA BRASIL!

Em tempo: Informações do Movimento ”Fora Sarney” – Ocorrerão mobilizações  no  sábado, 15 de agosto, às 14 horas. Em São Paulo com concentração no vão livre do MASP, no Rio de Janeiro com concentração na Candelária, em Porto Alegre com concentração no Arco da Redenção e em Belo Horizonte com concentração na Praça Sete (Retirado da comunidade ”Fora Sarney” no Orkut).

* Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados.

Duque diz que não teme rejeição popular

07/08/2009

Informa o O Globo:

“Apelidado de ‘arquivador geral do Senado’, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), dá despacho nesta sexta-feira a mais uma leva de seis pedidos de investigação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Nesta sexta vence o prazo para que ele decida se arquiva ou aprova a abertura de processo disciplinar contra Sarney pedido em outras três representações do PSDB e PSOL e três denúncias assinadas pelo líder do PSDB Arthur Virgilio (PSDB-AM) e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ele já avisou que deve dar a elas o mesmo destino das quatro primeiras. E diz que está tranquilo.

- Não temo. Já até marquei com minha família aonde vou almoçar no dia dos pais. Não temo nada – disse Duque.”

Ora, mas é claro que o Senador Paulo Duque não teme a população.

Primeiramente, porque está atendendo a interesses que, com certeza, lhe garantirão, por conta da vista grossa nacional, vantagens e cargos eternamente. A população que o execra pagará seus salários.

Em segundo lugar, porque já dispõe de recursos financeiros suficientes para, teoricamente, não ter que se preocupar com o que a opinião pública pensa ou deixa de pensar dele.

Por fim, porque é suplente de suplente, ou seja, nunca dispôs realmente de votos. Tanto faz como tanto fez.

Se por acaso alguém vier a agredí-lo fisicamente ou coisa que o valha, os seus “aliados” garantirão punição maior do que a necessária para o agressor. Não defendo este método de reação, mas sei que as defesas contra ele já estão sempre postas e exibidas tacitamente.

O caso de Paulo Duque ilustra muito bem o que ocorre na política brasileira:

Age-se como um verdadeiro lesa-pátria ambulante e depois deixa-se de lado a opinião pública, afinal, caso qualquer revés aconteça, os interesses defendidos no tempo das vacas gordas garantirão a subsistência.

E continuará assim enquanto providências não forem tomadas. Em diversos setores. A questão é que espera-se providências, justamente, dos beneficiados pelo sistema espúrio.

A realidade é que, no fim das contas, a ética não rege ninguém por coação, ela é comportamento, moralidade, princípio, valor. E estes estão em falta no mercado e as poucas maçãs sadias são estragadas pelas podres.