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Coluna do dia: Obama, a contagem regressiva começou

06/11/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Muitos anos de vida!

Quem é o aniversariante? Ora, o Presidente-de-ébano, Hussein Obama! Na última quarta-feira, dia 4 de novembro, ele completou um ano de sua – como é mesmo? – “histórica” eleição. Ôpa, errei na letra da musiquinha. No caso de Obama o certo é terminar cantando: “Um só mandato de vida!”.

Sei que já disse isso no passado, mas não custa relembrar: Obama acabou! Está politicamente morto e enterrado. Eu e muitos outros agourentos, todos reacionários, conservadores, maus e bobos, estamos dizendo isso há meses. Na quarta-feira, os fatos vieram em nosso socorro, ajudando a confirmar nossas previsões.

No “Election day” desta semana, os Democratas foram arrasados pelos Republicanos, perdendo todas as disputas principais. Dois resultados são politicamente emblemáticos e simbolizam o fracasso pessoal de Obama, o Messias negro que pretendia ombrear com Kennedy, mas que passará à história como um novo Carter:

Na Virgínia, o candidato Republicano, Robert McDonnell, venceu o atual Governador Democrata, Creigh Deeds. Isso, há pouco mais de um ano atrás, sequer seria notícia, afinal a Virgínia sempre foi considerada um “red state”, ou seja, um estado com tendências Republicanas. Por que ganhou as manchetes? Bem, porque Obama venceu na Virgínia em 2008 e, em um de seus proféticos-ridículos discursos históricos – aqueles que fazem história antes mesmo de fazer… história! -, afirmou que “a mudança havia expugnado as barreiras conservadoras mais tradicionais, inclusive na Virgínia.”

Foi na esperança de manter a tal “mudança” na Virgínia que Obama participou da campanha local, chamando os eleitores a votar no Democrata, personalizando a disputa bem ao melhor estilo do caudilhismo terceiro-mundista. Obama quebrou a cara e os Republicanos venceram. E isso é bom! Bom, não: ótimo! Sempre que Obama perder, a democracia vence. Parabéns pra você!

Na eleição realizada em Nova Jersey, a derrota obamista foi ainda mais humilhante. Lá, o Cristo de Illinois foi às ruas, participou de comícios e gravou até programas de televisão. Tudo para defender a supremacia Democrata naquele estado, tradicionalmente eleitor dos “donkeys”.

Naquele terreno, a pequenez de Obama se superou, e ele agiu como Lula agira na eleição municipal de São Paulo, em 2008. Uma vez mais, tentou personalizar a disputa, transformando-a em uma espécie de referendo do seu primeiro ano de mandato. Em uma inserção publicitária, chegou a pedir que os eleitores dessem a ele, Obama, um voto de confiança. O que aconteceu? Bem, os Republicanos, com Christopher Christie, venceram os Democratas, representados por Jon Corzine – e por Obama. Obama quebrou novamente a cara. Parabéns pra você!

Onde os Democratas venceram? Bem, no pequeno distrito conhecido como NY 23, lá em Nova Yorque. Bem, não os Democratas propriamente, mas Bill Owens. A máquina Democrata e Obama, uma vez mais, perderam. A surpresa daquela eleição, porém, foi a sova sonora que a burocracia dos Republicanos tomou, a partir do surgimento de Doug Hoffman. Quem? Doug Hoffman! Não conhecem? Ora, nem brinquem com isso! O sujeito é simplesmente a maior estrela da política americana no momento.

A história do NY 23 daria uma novela. Começou com um racha dentro dos Republicanos, que escolheram uma candidata liberal – mais liberal que muito democrata – para concorrer pelo partido, preterindo o conservador Hoffman. Tudo para dar vida à ideia abespinhada que prega a ruptura do partido com os seus valores tradicionais e a aproximação do centro moderado. Em suma, escolheram alguém que, dentre outras coisas, era favorável ao casamento gay e ao aborto.

Só que Hoffman não se rendeu e decidiu entrar na disputa pelo pequeno Partido Conservador. E começou a crescer… E cresceu cada vez mais, a ponto de engolir a candidatura oficial dos Republicanos. A candidata oficial, emburrada, continuou fazendo campanha ao estilo Democrata até a véspera da eleição, quando se retirou da disputa e – atenção agora! – declarou apoio ao Democrata. Resumo da ópera: o Democrata venceu, o conservador Hoffman ficou em segundo – muito perto da vitória – e a Republicana, coitada, foi esmagada.

Qual a mensagem que a eleição em NY 23 – e nos Estados Unidos como um todo – nos deixa? Bem, que os Republicanos só estão recuperando terreno onde se comportam como… Republicanos! É até bastante lógico, não? Para defender o aborto e o casamento gay, o eleitor já tem os Democratas. Ele quer os Republicanos quando escolhe bandeiras diferentes daquelas. Por isso, em todos os lugares onde o GOP (Grand Old Party – Republicanos) assumiu sua posição conservadora e enfrentou a patacoada obamista, os Democratas se deram mal. Também por isso é que os Republicanos perderam no único lugar em que quiseram se disfarçar de progressistas.

Apesar da vitória do Democrata Owens em NY 23 – para um mandato-tampão, de cerca de um ano -, a derrota da máquina Democrata ancorada no discurso mudancista de Obama foi inegável. Até a CNN e o Times a reconheceram! Foi a péssima leitura do jogo feita pela burocracia do GOP que perdeu ao não escolher Hoffman, não os Democratas que venceram ao repetir a pífia tese do “Yes, we can!”. Aliás, nunca é demais lembrar que Obama não tomou parte na campanha de Owens, o que, analisados os demais resultados, parece ter contribuído demais para a vitória dele. Parabéns pra você!

Por que digo no título que a contagem regressiva começou? Bem, Obama perdeu seu primeiro grande teste eleitoral. E sua popularidade já se assemelha àquela do demônio aposentado, George W. Bush. Tudo isso há apenas um ano da eleição mística… E ano que vem, em novembro, teremos as eleições de “mid-term”, quando o Congresso será quase que todo renovado. Querem uma profecia? Lá vai: os Republicanos vão vencer e Obama perderá o controle do Legislativo. E, a partir de então, se arrastará vergonhosamente até o final do mantado, em 2012, quando será definitivamente defenestrado, tal qual um novo Carter mesmo.

Nessas horas me lembro dos inúmeros “intelectuais”, “especialistas” e “estudiosos” brasileiros que, tomados pela magia do sorriso brilhante de Obama, saudaram, há um ano, aquilo que seria o “fim dos valores tradicionais americanos”, o “soterramento da América profunda”, “a capitulação dos Republicanos e do seu conservadorismo”.

Essa gente me lembra os universitários dos anos 30, estudados por Claude Lévi-Strauss, falecido esta semana. São uma gente apequenada, que despreza os livros de referência e prefere os resumos. A curiosidade intelectual deles mais parece inquietação gastronômica. Ah, que falta o franco-belga me fará!

Ainda na esteira do que Lévi-Strauss ensinou, lembro o que ele respondeu quando perguntaram se ele se identificara com os índios brasileiros: “De jeito nenhum!” Por que isso? Bem, porque o primitivismo, o tal saber natural do “bom selvagem” simplesmente não tinha nada a ensinar ao saber tradicional, aquele dos livros e dos bancos de escola. Eu, quando me perguntaram se me seduzia a retórica obamista, sempre respondi: “De jeito nenhum!” Ponto pra mim! Os selvagem da intelectualidade, assim como os obamófilos do mundo, quebraram a cara. E quando essa gente se arrebenta, é sempre melhor para a democracia.

Parabéns pra você! Nesta data querida! Muitas felicidades! Um só mandato de vida!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O moderno progressismo, o marxismo e o tráfico de drogas

30/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Os leitores sabem quem é o sujeito da foto acima? Sim, é claro que sabem. A maioria, pelo menos… Os que não sabem, podem ficar tranquilos. Eu explico: trata-se do ilustríssimo Prefeito de Raposos, pequeno município de Minas Gerais. E daí? Bem, daí nada. O sujeito realmente não tem nada de especial… A não ser o gosto por duas coisas no mínimo curiosas: os – como direi? – “tipos” como os envolvidos em incidente envolvendo certo jogador de futebol, conhecido como fenômeno, e o crack, uma das drogas mais deletérias que a humanidade já produziu.

Sim, eu sei que sou mesmo um tanto careta e conservador, principalmente sob a ótica do moderno consenso progressista e politicamente correto. Apesar disso, não consigo deixar de ver com olhos de reprovação um Prefeito que se dá, rotineiramente, ao uso de drogas as mais pesadas. E quanto ao gosto por companhias – hum… – “híbridas”? Bem, isso já é problema dele… Sério, sem preconceito: desde que não se utilize de recursos públicos para conquistar seus… suas… bem, quem quer que sejam. Mas a apreciação pelas drogas simplesmente não pode passar desapercebida.

Os leitores sabem qual é o partido do sujeito? Bem, é o PT… “Ah, agora você vai dizer que só políticos do PT usam drogas?!” Eu?! Claro que não! O que vou fazer é apontar um método, uma espécie de doutrina político-ideológica que o PT – como porta-bandeira de todo o moderno progressismo – está construindo. Basta que todos tenham um pouquinho de paciência e me acompanhem por este mar um tanto revolto de palavras – eu, tal qual Virgílio, levá-los-ei pela mão.

Há coisa de alguns dias, Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, deu uma declaração dizendo-se favorável ao fim da pena de prisão para os chamados ” pequenos traficantes”. Não vou tergiversar acerca do que seria tal figura, nem de como o Estado seria chamado a esquematizar os limites entre o “pequeno” e o “grande”.

Vou direto ao ponto: não há a menor possibilidade de se combater um crime – qualquer que seja ele – criando diferença entre os criminosos. Em outras palavras, falar em “pequeno” e “grande” traficante é apenas uma falácia, uma trapaça intelectual e – atentem para isso! – ideológica. Ou se entende tal premissa, ou alguém me explica a diferença entre o “pequeno” e o “grande” estuprador… Ou entre o “pequeno” e o “grande” pedófilo.

Uma das coisas que mais me pergunto é: de onde vem essa mania de certo progressismo de encampar a defesa dos tóxicos e dos traficantes? Defesa, eu disse? Sim, isso mesmo! Basta notar que o mesmo PT de Tarso, que defende o tal “pequeno” traficante, também morre de amores pelos terroristas narcotraficantes das FARC. E o que fazem as FARC? Bem, vivem às custas do comércio de cocaína e armas, além de conseguirem uma rendinha complementar por meio de sequestros. Não sou eu – o reacionário – quem diz isso. São os fatos.

Apesar disso, é possível notar que certa esquerda insiste em relativizar o horror produzido pelos bandoleiros colombianos, cobrindo-os com o manto da luta de classes… Segundo essa gente, as FARC só traficam drogas porque estão – vejam que mimo! – lutando por um mundo melhor, mais justo, mais fraterno e – é claro! – socialista. É o marxismo sendo empregado como escudo para a produção e comercialização de cocaína. O velho Marx, acreditem, deve estar se revirando na cova…

Mas eu falava do Prefeito que gosta de – se me permitem – “adicionais”… A conduta tresloucada do Prefeito-drogado é apenas a manifestação da doença que Tarso Genro, o PT e o resto do progressismo politicamente correto pretendem institucionalizar no País: o culto às drogas. Percebam o liame lógico e claro como as águas de um riacho: o petismo ergue a bandeira da despenalização, da descriminação e da legalização, ao mesmo tempo em que um de seus militantes – só um? – já cuida de interagir com o comércio dos entorpecentes.

Mais um pouco e veremos algum texto de Marilena Chauí e/ou Emir Sader explicando porque comprar crack do tal “pequeno” traficante é um ato de reparação social, afinal – “tadinho”… – ele não teve chances na vida. Foi sempre excluído e explorado “pelazelite”… Chego, pois, à primeira conclusão deste texto: o Brasil precisa, com urgência, deixar de amar seus criminosos. Há que se convencer “essepaiz” que o crime deve ser – vejam que coisa mais reacionária! – combatido!

E por que Tarso Genro e o tal Prefeito de gostos – vá lá… – “exóticos” são duas faces do mesmo mal? Bem, o PT – e o politicamente correto –, como se percebe, tenta nos cercar de todos os lados: ao mesmo tempo em que pretende colocar dentro da sociedade a maioria dos traficantes, chamando-os de “pequenos”, também cuida de mostrar que “bater um cachimbo” ou “puxar uma erva” não tem lá nada demais.

Novamente, trata-se apenas de trapaça ideológica. Nenhum País do mundo onde a  segurança pública mereça elogio fez qualquer coisa parecida com despenalizar o tal “pequeno” traficante. Vamos alfinetar os progressistas? Então lá vai: sabem onde foi registrado o maior e mais eficaz combate ao tráfico de drogas? Em Nova York. Sim, aquela cidade lá nos Estados Unidos… E sabem quem era o Prefeito de lá? Rudolph Giuliani. Sim, um Republicano! Vejam que coisa: a política de repressão violenta e de enfrentamento determinado quebrou a espinha dorsal das quadrilhas, devolvendo a cidade aos cidadãos.

Mas não foi só. Nova York também tratou de seguir a mais elementar regra do livre-mercado: nenhum produto deixa de ser comercializado enquanto houver consumidores. Assim, atento aos ensinamentos de Ayn Rand – uma das mentes mais brilhantes que já se conheceu -, Giuliani, o Republicano reacionário, conservador e malvado, escolheu trancafiar os bandoleiros dados a um “cachimbinho”… O tal Prefeito de Raposos cairia em desgraça lá na boa e velha Nova York.

Já aqui… Aqui, inexplicavelmente, criou-se a cultura de endeusar o usuário, enxergando-o como uma espécie de contestador social, alguém que desafia o status quo e, portanto, alguém do time do progressismo politicamente correto. Como certa esquerda regrediu, não? Antigamente, era preciso “pegar em armas”, para contestar “a burguesia”. Hoje, depois de séculos, os esquerdistas se contentam em pegar as pedras de crack…

E então vocês podem perguntar: “Qual é a solução?”

Bem, a óbvia: repressão! E forte! Implacável! Inegociável!

“Ah, mas então você é reacionário e conservador.”, dirão. Sou? Bem, não acho… O governo do PT – aquele mesmo que quer colocar na rua o tal “pequeno’ traficante -, está criando as condições para que o Estado forneça aos viciados cachimbos e seringas esterilizadas, de modo que possam – vejam que paradoxo! – se drogar em segurança.

Não satisfeitos, querem acabar com toda e qualquer sanção que ainda existe contra o usuário, além de proibir, em caráter definitivo, a internação compulsória dos viciados. E eu sou o reacionário?! Às vezes acho que é esse progressismo de araque o verdadeiro responsável pelo aquecimento global…

Vai ver fumaram todas as florestas do mundo.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Brasil, a ONU e o mundo que não se quer

16/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Creio que os leitores já sabem, mas nunca é demais lembrar que hoje o Brasil foi indicado para ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Ainda não é a tão sonhada vaga permanente, que alimenta os devaneios de Celso Amorim, mas um posto como membro transitório. Ainda assim, como é de se supor, o feito mereceu notável destaque na mídia nacional, que se apressou em comemorar mais um grandioso feito do Itamaraty petista, saudado por sua – como é mesmo? – “política externa ousada e soberana”.

O que eu acho? Bem, acho que Lula, Celso Amorim e os demais petistas estarão muito confortáveis em qualquer fórum promovido pelas tais Nações Unidas. Parafraseando Lula, digo que nunca antes na história do mundo um governo supostamente democrático emprestou tanto apoio a terroristas e ditadores dos mais abjetos. Lembram? Foi só Celso Amorim se aboletar no Itamaraty e pronto: imediatamente começou o discurso pedestre e terceiro-mundista da “autonomia dos países pobres”.

E com base nesse discurso o Brasil tratou de se render a convescotes com humanistas do calibre de Kadafi e Mugabe, só para citar dois. Em breve, o País vai receber, de braços abertos, o fascista Mahmoud Ahmadinejad, possivelmente um dos maiores perigos para o mundo livre e democrático. E tudo por quê? Ora, para esfregar a tal soberania na cara dos chamados “países ricos” – em especial os Estados Unidos.

Por isso, não dou a menor pelota para a posição que o Brasil ocupa na ONU. Só os inimigos da liberdade dão alguma bola para aquela super-ONG inútil e cara.

Em nome da confraternização e do entendimento entre os povos, a ONU aceita receber sob seu teto a escória do mundo. Como justificar, por exemplo, que o líder maior do fascismo islâmico possa discursar diante de um fórum supostamente democrático? “Ah, mas ele pode discursar justamente porque o lugar é democrático!”, dirão alguns. Besteira!

A democracia, em nome de sua pluralidade e de sua tolerância, não é obrigada a condescender com a canalha que pretende vê-la destruída. Lembro de um célebre julgado da Suprema Corte britânica: “Não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos negariam.” É isso que falta ser assimilado pelo Ocidente, que insiste em aceitar a presença dos seus inimigos, em vez de derrotá-los. Por isso me é impossível levar a ONU a sério.

Como respeitar, por exemplo, um fórum onde o Congo é convidado a sentar na mesma mesa de democracias históricas como a americana e a britânica? Por que pincei o Congo como exemplo? Bem, pode ser que os leitores não conheçam a história congolesa, mas eu faço uma breve síntese: Aquele pobre país africano, como os leitores hão de supor, foi um dos tantos dominados pela tão demonizada colonização europeia. Ah, a malvada Europa… Como sabemos, os europeus oprimiram a África durante décadas, sempre impondo aos nativos a sua arte, sua cultura, suas escolas e sua medicina. Simplificando, pode-se dizer que o chamado “velho mundo” exerceu sua dominação sobre a pobre África por meio de Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino, Shakespeare e tantos outros. Trágico, não? Cruel, não? Antes não houvesse existido essa dominação, essa opressão desmedida. Mas o fato é que houve. E o mundo, tomado pelo discurso pacifista “woodstockiano”, começou a gritar pelo “fim da opressão”. A ONU, à época, era aquela que gritava mais alto e forte.

E eis que os povos nativos começaram suas lutas de libertação, embalados nos cantos humanistas da classe média ocidental, que desde sempre adorou uma passeata pela paz. E, então, o Congo se libertou do jugo europeu. Do dia para a noite não havia mais Descartes, Voltaire, nem Shakespeare. Não era mais preciso vestir as roupas deles, ir às escolas deles e aprender os costumes deles. Os nativos puderam, finalmente, viver segundo suas tradições, suas convicções e suas crenças. E então a tragédia começou.

Entre os anos de 1998 e 2002, mais de cinco milhões de congoleses morreram no mais sangrento conflito armado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas se acabou a opressão do “primeiro mundo”, de onde veio a guerra?

Bem, das disputas étnicas que passaram a eclodir a partir do momento em que os nativos se viram sem as brisas da civilização… Convenhamos: quando se perde, de uma só vez, os referenciais de Voltaire, Hegel, Santo Tomás e outros, o norte moral também desaparece em um segundo. Quem poderia, pois, imaginar que de todos os supostos males que a Europa teria causado ao Congo, a saída do país pudesse ser o maior deles?

Exagero? Estou sendo muito imperialista no meu discurso? Me digam vocês, ao final. Mas saibam, antes, que os nativos – os libertadores do Congo – adotaram o estupro coletivo como arma de guerra. Naquele país esquecido, qualquer milícia “libertadora” tem o direito de estuprar. Os rebeldes estupram, os Hutus estupram, os Mai-Mai, alinhados ao governo, estupram e, não bastasse isso, as tropas do Exército oficial também estupram. São casos isolados? Não! Trata-se de uma prática tradicional. Uma arma de guerra. Ou, se preferirem, um aspecto da tal cultura local dos povos, tão defendida por um exército de ONGs cujas mulheres, suponho, jamais foram estupradas.

No Congo, Elise Mukumbila, uma anciã, foi estuprada pelos Mai-Mai em uma floresta durante meses, tudo porque, segundo as crenças locais, sodomizar uma mulher mais velha traria riqueza ao agressor. Já Valentine, de apenas doze anos, foi estuprada pelos “libertadores do Congo” porque, segundo outra crença, violar uma virgem traz a imortalidade. A menina, em decorrência dos ferimentos que experimentou, sofre perenemente as agruras de uma fístula nunca curada, que a impede até mesmo de controlar a urina.

É assim que os tais “povos tradicionais” promovem a liberdade das nações africanas. É assim que restauram sua “cultura” depois de encerrado o jugo europeu. Aliás, não promovem liberdade nenhuma. Afinal, já são mais de cinco milhões de mortos em vários anos de conflito pela autonomia. De forma objetiva, pode-se dizer que a Europa, oprimindo Congo, matava bem menos que os próprios congoleses ao buscarem sua libertação.

É essa canalha que a ONU abriga. É a essa gente simiesca, animalesca e primitiva que aquele fórum empresta voz e atenção. Por isso me é impossível levar a sério a ONU e qualquer um de seus braços institucionais. Por isso não dou a mínima para o Brasil ocupar, ou não, o Conselho de Segurança. Que diferença faria? Os congoleses continuariam lá. Ahmadinejad continuaria lá. O Sudão continuaria lá. E o mundo livre e democrático continuaria ameaçado por um fórum antiocidental, que só consegue existir graças aos recursos do… Ocidente!

Dizem que Lula está cotado para ser, em um futuro próximo, Secretário-Geral da ONU. Nada mais apropriado. O mundo politicamente correto e “pogreçista” adora o apedeuta e aquela inutilidade que as Nações Unidas representam. E Lula, está posto, nutre irremediável simpatia por qualquer tirania que se diga antiamericana. Ninguém melhor do que Lula, que usa os livros como sonífero, para chefiar uma organização capaz de defender que uma nação africana troque Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino e Shakespeare por morte, terror, miséria e estupros.

Os Republicanos disseram, há coisa de poucos dias, que seria preciso jogar algumas bombas sobre as instalações nucleares do Irã e da Coreia do Norte. Concordo. Mas faço um adendo metafórico: seria melhor, antes, lançá-las sobre o órgão que permite a tais países filoterroristas o direito de manter um arsenal atômico. Assim, a ONU sairia um pouco de cena. O Ocidente ficaria muito mais seguro. E alguma pequena nação que ainda esteja sendo oprimida pela cultura, pela escola e pela medicina da Europa, não será obrigada a trocar tudo isso por estupros e morte.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: História, democracia plena e outras mentiras

10/09/2009

Por Felipe Liberal*

Nada mudou. Os bandidos continuam sendo os de barbas longas ou algum mestiço metido a independente, quaisquer que sejam seus países. Já os heróis se vestem de vermelho e azul, que são as cores de Deus, um Deus americano, feito de Coca-Cola Zero misturada a uma boa dose de anabolizantes feitos na Marvel. Nunca se esqueçam caros colegas, que Deus escreve certo por linhas tortas, e não vejo nada mais torto do que tudo que os EUA fizeram no século XX.

Muita gente afirma que os americanos são democráticos. E é verdade, são sim. São tão democráticos que todas as ditaduras latino-americanas e asiáticas tiveram participação decisiva do Tio Sam. O derramamento de sangue que vigora hoje no Iraque e Afeganistão é consequência da implantação da democracia sem nenhum planejamento ou estudo, como se a população desses países fosse formada por animais que não sabem decidir seu próprio futuro.

As eleições americanas, por sua vez, são fruto de um bipartidarismo ditatorial, onde os demais partidos têm que viver sob a clandestinidade, rodeados de “vigilantes democráticos”. Hoje, o Partido Comunista dos Estados Unidos possui mais espiões infiltrados do que filiados. Essa é a grande democracia americana.

Na América Latina é a mesma coisa. Tudo o que não cheira a hambúrguer queimado e ketchup é abominável. Hoje os demônios falam espanhol, odeiam ser explorados, mascam folha de coca ou perderam o dedo mínimo trabalhando em uma fábrica democrática. Aqui no Brasil, estatal é sinônimo de corrupção e improdutividade, o louvável é privatizar, “neoliberalizar”, americanizar, etc. O interessante é que, segundo o IPEA, as estatais produziram mais que as empresas privadas entre 1995 e 2006. Mas isso só pode ser mentira dos demônios que sempre mentem.

O nosso Deus agora quer implantar bases na Colômbia, para se proteger de alguma coisa. Que coisa? Dos anjos decaídos? Não consigo enxergar coisa mais antidemocrática que invadir um país com seu exército e ocupá-lo. Mas isso sempre aconteceu. É a guerra preventiva, lembram? Deus sempre foi prevenido durante todo o século XX e início do XXI também. E hoje é a mesma coisa, como será amanhã e depois de amanhã novamente.

Infelizmente, desconhecemos o que se passa dentro do país mais rico e democrático do mundo. Existem algumas coisas que são escondidas, não por maldade, e sim, por prevenção. Mas vou citar algumas, que Deus me perdoe:

1 – Apenas os democratas e republicanos participam de grandes debates. Super democrático.

2 – A clássica eleição de Bush em 2000 foi fraudada, alguém duvida? Super democrático.

3 – O governo americano está retirando dinheiro dos fundos de pensão dos trabalhadores da GM (General Motors) para pagar as dívidas com o Citibank e o JPMorgan. Super democrático.

4 – Apenas neste ano, Obama já atacou duas vezes o Oriente Médio, com o resultado de 250 mortes entre civis. E mais: Vendem armas para todos os países que eles mesmos criticam pela “falta de paz”. Super democrático.

5 – O governo atual é a favor do 3º mandato de Álvaro Uribe, da Colômbia, mas é contra o de Chávez, na Venezuela. Super democrático e coerente.

Ficando apenas nesses cinco segredos sagrados do nosso glorioso Deus azul e vermelho, percebemos que a realidade nua e crua embaralha toda a concepção da nossa realidade. A visão sem manchas, fumaças ou mentiras é muito dura de ser enxergada. E quando sabemos que a diferença entre Deus e o Diabo está apenas no diâmetro de um fio de cabelo, descobrimos que a História e o presente são bombas de ilusões que nos inundam até morrermos afogados.

Fukuyama disse que a História acabou. Meu caro filósofo, a História nunca existiu.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O homem Obama só acerta quando contraria o mito Obama

17/04/2009

Por Yashá Gallazzi*

A partir de hoje, começo a ocupar o nobre espaço deste site com minha coluna das sextas-feiras. Agradeço imensamente a lembrança e a deferência do amigo Bruno Kazuhiro, que me convidou a partilhar com todos os leitores do Perspectiva Política um pouco das minhas ideias sobre a política em geral. E se vamos falar de política, por que não começar analisando mais uma medida transformadora tomada pelo novo Messias da humanidade, Barack Obama? Obama, aliás, está se saindo um verdadeiro falcão ao melhor (ou pior, depende de quem lê) estilo Republicano. Do que estou falando? Do plano de colocar uma espécie de cão-de-guarda para policiar a fronteira dos Estados Unidos com o México.

Comecemos pelo óbvio: a medida de Obama tem todo o meu apoio! Logo depois de terminada a eleição americana, eu disse que os “obamófilos” do mundo iriam se decepcionar muito mais com o governo do Presidente-de-ébano do que eu, que “votei” em McCain. E por quê? Ora, porque McCain já chegaria à Presidência como um falcão, sem precisar provar a ninguém que seria firme e implacável contra o crime e o terrorismo. Já Obama…

Como todos sabemos, Obama chegou ao poder nas asas do “pogreçismo” politicamente correto e, portanto, seria fundamental mostrar que teria pulso filme quando necessário. Numa paráfrase da frase tão amada pelos “revoluçonaros”, poder-se-ia dizer que Obama seria um “pogreçista” bonzinho, mas sem perder a dureza jamais. Por isso entregou a área de Defesa e de contra-terrorismo aos falcões Republicanos, Robert Gates em primeiro lugar. Por isso vai reforçar as tropas no Afeganistão, a fim de capturar Osama Bin Laden. Por isso já fala abertamente em “vencer a guerra contra o terror”, aquela mesma guerra que, na campanha, foi chamada de errada e desnecessária. Afinal, é sempre melhor brincar de ser bonzinho em um mundo livre do terrorismo, não?

Mas já me desviei um pouco. Retomo. Dizia que os seguidores do Messias negro acabariam mais desapontados do que os eleitores do velhote Republicano, e isso porque estes já esperavam algumas medidas duras que, agora, Obama acabou tendo que adotar. Quem pensava que o Cristo de Illinois iria brincar de roda com os bandidos e o terrorismo mundial, em busca de uma paz perpétua kantiana, era o “obamismo” politicamente correto. E só ele!

Por isso aprovo as medidas de Obama. É, sim, imprescindível reprimir as quadrilhas especializadas no tráfico de drogas e de armas, pois a ação delas atenta contra a democracia e seu sistema de liberdades individuais. Devem, portanto, ser contidas de forma firme e impiedosa, coisa que Alan Bersin tem plenas condições de fazer. Tenho cá algumas restrições quanto a usar um cão-de-guarda do Estado para reprimir a imigração ilegal. Vejam que coisa: eu, que sempre fui acusado de ser um reacionário, me descubro mais humano e progressista do que Barack Obama, o homem escolhido pelas massas para mudar o mundo. Não é mesmo fascinante?

Mas se eu não me oponho à medida de Obama, qual o objetivo deste texto? É mostrar a estupidez e a subserviência que a opinião pública mundial tem com relação ao Presidente americano. Imaginemos, por exemplo, que a medida acima referida fosse implementada pelo governo do Satã aposentado, “jórji dábliu búxi”. O que aconteceria? Ora, o mundo desabaria sobre a cabeça do sujeito. Seria acusado de racismo, conservadorismo, fascismo e isso seria só o começo. Seriam realizadas passeatas, mobilizações, coletas de assinaturas e alguns artistas – não artistas comuns, mas “dessezengajádu” – promoveriam “shows” para manifestar apoio ao pobre e discriminado povo do terceiro mundo.

Só que isso se daria apenas na época das trevas, sob o mando de “búxi”, não é? O milagre de Obama não está em mudar o mundo, mas em LEVAR O MUNDO A ACREDITAR QUE O ESTÁ MUDANDO. E isso sem fazer nada de fundamentalmente diferente em comparação com a administração anterior. Ao contrário até: em alguns casos o governo Obama consegue ser ainda mais duro que o de Bush. Apesar disso, a criação de um cão-de-guarda para conter os pobretões mexicanos é vista como uma medida pacificadora, de integração e de vanguarda. Que lindo! Presumo que se a atual crise financeira explodisse no colo de Obama, o mundo se apressaria em dizer que era tudo parte de um plano destinado a aplicar uma lição aos especuladores e gananciosos capitalistas.

Exagero? Que nada! Lembram como o mundo reagiu quando Obama falou em aumentar a presença americana no Afeganistão? A decisão foi chamada de “sábia e patriótica” pelo The New York Times. Até aí, poderão dizer, não há problema, afinal o mencionado jornal sempre foi próximo aos Democratas. Só que o plano de Obama para o Afeganistão é rigorosamente o mesmo apresentado por Bush, no final de seu mandato. Não muda uma única vírgula! E sabem o que é mais interessante? Tanto o Times, quanto o restante da imprensa americana e mundial se apressaram em chamar o plano de Bush de “belicista e autoritário”. E isso só porque foi, no passado, apresentado por… Bush! Não é mesmo incrível?

Aos mais apressados antiamericanos que lerem estas linhas, esclareço que não sou um admirador – ou um defensor – do ex-Presidente americano. Só não acho que ele seja o Hasmodeu da política mundial, da mesma forma como me recuso a ver Obama como o redentor de todos nós. O Democrata não é uma divindade, ou um mito. É um homem. Só isso. Um homem que se tornou líder da maior e mais sólida democracia que o mundo já conheceu e, por conseguinte, fiador de todas as demais democracias ocidentais. E, como tal, precisa agir de acordo com uma agenda que contempla, sim, a defesa de nossos valores, princípios e liberdades. Ainda que isso signifique ir de encontro ao pensamento politicamente correto que pretende ver o ocidente como algoz da humanidade.

Por isso, apesar de algumas restrições pessoais, não deixo – e não deixarei jamais – de aplaudir as medidas acertadas do governo Obama, afinal só um tolo desejaria o colapso do seu governo e, como consequência, de toda a América. O mundo, creio, ainda precisa do imperialismo americano, em que pese as urticárias que uma frase assim podem causar nos “pogreçistas”.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento.

Efeito Obama

30/01/2009

“Pela 1.ª vez, republicanos elegem negro para dirigir partido”

Pela primeira vez na história do Partido Republicano americano, um político negro foi eleito como presidente. Michael Steele, ex-Vice-Governador de Maryland foi escolhido nesta sexta-feira e ninguém tem dúvidas que a eleição tem tudo a ver com Barack Obama.

Depois de uma assistir a uma vitória relativamente fácil do Partido Democrata na eleição presidencial com Barack Obama, vivendo uma legislatura em que é minoria nas duas Casas do Congresso, o Partido Republicano precisa de reinventar.

Tendo visto os ganhos eleitorais de se ter um negro como protagonista das ações do partido, como por exemplo,  os proporcionados pela maior facilidade que os negros têm para serem ouvidos pelas minorias americanas, o Partido Republicano junta bom senso, visão de conjuntura e um pouco de oportunismo político e coloca um negro em sua presidência.

Os republicanos, além de viverem um momento em que precisam de sangue novo urgentemente, não quiseram ficar para trás no quesito inclusão política dos negros. Se o Partido Democrata elegeu um Presidente negro, o mínimo que o Partido Republicano podia fazer, embora nada pudesse se igualar a Obama, era colocar um negro em um de seus cargos de destaque.

Além disso, analisando as qualidades pessoais de Michael Steele, chega-se à conclusão de que o Partido Republicano pode ver nele uma saída para que seu desempenho melhore entre os segmentos que estão se tornando cada vez mais avessos aos democratas, como os hispânicos, os negros, os brancos com ensino superior, etc. Isso se dá pelo fato de Steele ser um republicano bem-sucedido e com diálogo na sociedade, dentro de um Estado tradicionalmente democrata.

Independentemente de sua cor, Steele tem difíceis missões, entre elas, unir o Partido Republicano, que se divide em facções que defendem a reafirmação dos valores do partido e facções que defendem mudanças profundas para atingir aos anseios do eleitor. Além disso, Steele terá de colocar o Partido Republicano na era digital, tentando igualar o bom desempenho dos democratas quando o assunto é internet e aproveitamento eleitoral das novas tecnologias. Por último, porém não mesmo complicado, o ex-Vice-Governador de Maryland terá que trabalhar para que, já nas próximas eleições, os republicanos consigam se aproximar ou até ultrapassar o número de democratas nas Casas do Congresso.

Por enquanto, Steele ainda não mostrou seu poder de fogo, muito menos ao que veio, só se pode especular. O que já se pode dizer com certeza é que, por mais que tenha luz própria, Steele dificilmente seria escolhido se não fosse pelo fenômeno ocorrido na política americana com o advento de Barack Obama. O novo presidente do Partido Republicano, por mais que seja contrário aos democratas, é fruto completo do “efeito Obama”.