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Coluna do dia: Receita para salvar o povo do dilúvio

09/04/2010

Por Yashá Gallazzi*

Esqueçam os muitos especialistas que têm desfilado na televisão nos últimos dias. Deixem de lado os discursos de Cesar Maia, Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Fechem os ouvidos quando perceberem que Lula vai começar a discursar. Eles não sabem de nada! Se é para resolver os problemas decorrentes das chuvas descomunais que estão assolando o Rio de Janeiro, o negócio é dar ouvidos a este colunista aqui.

Tenho a receita mais eficaz – a única receita possível, aliás – para que nenhum deslizamento de terra volte a causar tragédias como as que temos visto todos os dias nos telejornais. E é muito simples: o Estado precisa retirar das áreas de risco todos os que lá estiverem. Retirar, eu disse. Não basta declarar que a área é “de risco”. Nem colocar abrigos “à disposição” do povo. Nada disso! Tem que retirar mesmo. Na marra, se for o caso. Chegar lá no morro com a Defesa Civil, os Bombeiros, um punhado de assistentes sociais e, se for preciso, a Polícia Militar. Tudo pra garantir que ninguém resista à ação do Estado. E quem resistir? Que seja preso, oras.

“Ah, mas onde o governo vai colocar tanta gente?” Num primeiro momento, em abrigos públicos. Depois, seria preciso encontrar uma solução definitiva, possivelmente construindo moradias populares em locais que não desmoronem toda vez que São Pedro acordar de mau humor.

Viram? É tudo muito simples. Então, por que diabos nenhum político fez – ou pretende fazer – isso? Bem, porque a ação toda seria considerada muito impopular. Vou além: no Brasil atual, onde impera uma violenta inversão de valores morais, um plano de ação como o descrito acima seria considerado “fascista”, “reacionário”, “de direita”.

Imaginem como a tal “opinião pública” reagiria ao ver o Estado subindo o morro para retirar, à força, centenas de pessoas de suas casas precárias e pobres. Imaginem ainda o estardalhaço que não fariam quando os tratores do Estado colocassem abaixo as bandolas que povoam os morros cariocas. A cena de “dona Mariazinha” chorando em rede nacional ao ver seu “pequeno barraquinho” sendo desmontado iria correr o País, sensibilizando esses valorosos humanistas que defendem o direito que os pobres têm de morar em áreas de risco… E o governo? Bem, seria “autoritário” e “eugenista”…

Foi o que se viu quando o governo de São Paulo, primeiro com Alckmin, depois com Serra, tentou retirar os mendigos das ruas. Lembram do tal padre Júlio Lancelotti? O sujeito, que cordena um troço chamado “Pastoral do Povo da Rua”, disse que lutava pelo direito que os mendigos tinham de ficar na… rua! Não é fascinante?

Da mesma forma, bastou Kassab construir bancos feitos para sentar, que os “humanistas” logo trataram de acusá-lo de fazer “bancos anti-mentigo”. Nota-se, pois, que esses valentes querem “bancos pró-mendigo”, não é mesmo?

Se o Estado, valendo-se do poder de polícia, tratasse de retirar as pessoas dos morros cariocas, a gritaria “humanista” rapidamente se repetiria. E, considerando que essa turma “solidária” consegue mobilizar muito bem a imprensa e as milícias do “pogreçismo”, o estardalhaço seria tão grande que fica fácil entender por que os políticos daqui, tão preocupados com projetos pessoais de poder, não têm peito para encarar de frente o problema.

A única maneira de resolver de vez a questão é essa. Qualquer outra coisa é mero paliativo, que será literalmente soterrado no próximo deslizamento de terra.

Querem resolver o problema? Esqueçam a gritaria dos “humanistas” da miséria, que defendem o direito que os pobres têm de continuarem… pobres! Essa gente pensa apenas no próprio umbigo: eles precisam de um oprimido para chamar de seu, caso contrário perdem a razão de ser. Se ninguém mais morar nos morros, como ficariam as ONGs que tentam melhorar a vida dos que moram nos morros? Se ninguém mais mendigar nas ruas, como ficam os “valorosos” do padre Júlio? Não! Essa gente não quer saber de resolver os problemas de ninguém! Eles querem mais é que os pobres continuem morando precariamente e sendo soterrados de vez em quando. Assim, a cantilena aborrecida que opõe uma elite-rica-que-mora-bem aos pobres-oprimidos-que-moram-mal pode continuar sendo repetida infinitamente.

Para resolver de vez o problema é preciso fazer o exato oposto daquilo que os “especialistas” e os “humanistas da miséria” pregam. Querem que os morros sejam urbanizados? Bobagem! O negócio é tirar as pessoas de lá. Querem que a população seja conscientizada sobre os riscos de morar nas encostas? Besteira! Um aviso amigável e, depois, polícia!

Mas para isso é preciso alguém que não tenha receio de ser chamado de “fascista, eugenista, reacionário e direitista”, o que não é nada fácil, principalmente num País como este, onde o consenso que impera é progressista e politicamente correto. Aqui, se você quer tirar os mendigos das ruas, é um “fascista”. Humano e progressista é deixá-los ao relento, pedindo esmolas.

Pelo visto, muitos outros deslizamentos ainda vão acontecer nas grandes metrópoles brasileiras.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Saúde do município do Rio nas mãos de fundação cultural

14/01/2010

Acreditem se puder, meus caros leitores, mas a Prefeitura do Rio de Janeiro, comandada por Eduardo Paes (PMDB), contratou, sem licitação, uma fundação cultural, educacional e de radiodifusão para cuidar da saúde do carioca. É isso mesmo que vocês leram: Uma fundação cultural cuidando da saúde.

Para completar o absurdo, os cariocas correm o risco de ter suas vidas nas mãos de uma fundação que, além de não agir na área de saúde, pode ser fantasma, afinal, no endereço que aparece no alvará de licença para estabelecimento da instituição, não há nem sinal de sua sede. Nem o vereador que requisitou que a fundação fosse designada como de utilidade pública conhece o endereço de sua sede.

Além disso, a fundação seria, coincidentemente, comandada por um senhor que também dirige a antiga prestadora de serviços do mesmo setor, a Cooperativa MedicalCoop, substituída pela fundação. Que mundo pequeno, não?

Para os que ainda não acreditam que algo assim possa ser verdade, segue notícia do jornal carioca O Dia, que confirma as informações e os absurdos cometidos pela Prefeitura carioca de Eduardo Paes:

“Sede de fundação que contrata médicos no Rio é desconhecida
12 de janeiro de 2010 • 03h05

Escolhida sem licitação para ser responsável pela contratação de enfermeiros e médicos para postos de saúde do Município do Rio – conforme revelou a coluna Informe do jornal O Dia -, a Fundação Cultural, Educacional e de Radiodifusão Rômulo Arantes não funciona no endereço que aparece no seu alvará de licença para estabelecimento. No documento, datado do ano passado, da Secretaria Municipal da Fazenda, a entidade estaria localizada na Estrada do Gabinal 313, Galeria 205B, Freguesia, no Rio Shopping. No local, fica a imobiliária InvestiRio. Nos arquivos digitais do Ministério Público, a fundação também não consta como registrada.

O jornal tentou entrar em contato com a InvestiRio, mas nem a central de atendimento do shopping tem o telefone cadastrado. Administrador e conselheiro do Rio Shopping, Caio Mário Magalhães explicou que a fundação ainda vai se mudar para Jacarepaguá e que ainda não fez isso porque sua sede está no Centro. Ele também afirmou que entraria em contato com os responsáveis pela fundação, mas até o fechamento desta edição ninguém procurou a reportagem.

O vereador Luiz Carlos Ramos (sem partido), autor do Projeto de Lei 530/2009, que pede para ser considerada de utilidade pública a fundação, admitiu que não conhece a sede onde funciona a entidade. O parlamentar explicou que fez a proposta atendendo a pedido de conhecidos: ‘fui num evento na Barra em homenagem ao Rômulo, mas lá não era o local da fundação’. Segundo Ramos, um dos responsáveis pela instituição seria Carlos Maurício Medina Gallego, diretor da Cooperativa MedicalCoop. A cooperativa foi substituída pela Fundação Rômulo Arantes em dezembro.

O contrato de 180 dias com a Fundação Cultural, Educacional e de Radiodifusão Rômulo Arantes é de mais de R$ 20 milhões. A dispensa de licitação foi justificada pela Secretaria Municipal de Saúde como necessidade de ‘emergência no atendimento’. E, segundo a Secretaria Municipal de Educação, o processo e a empresa foram acompanhados e aprovados pela Procuradoria Geral do Município.

O vereador Paulo Pinheiro (PPS) encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Saúde pedindo esclarecimentos sobre a contratação: ‘acho estranho a fundação não ter nenhum histórico em serviços de saúde e a dificuldade em obter informações sobre a mesma’.”

Avaliação dos Prefeitos: Richa e Lacerda lideram, Paes e João Henrique são os últimos

28/12/2009

Informa o Globo a respeito de pesquisa feita pelo Datafolha sobre a avaliação dos prefeitos das grandes capitais:

“Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’ mostra que o prefeito de Curitiba (PR), Beto Richa (PSDB), é o mais popular entre os governantes de nove capitais avaliados pelo instituto. Richa obteve 84% de ótimo/bom e nota média de 7,9. No levantamento de março, o prefeito já aparecia na liderança, com 82% de ótimo/bom.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), obteve a oitava posição, com nota média de 5 pontos. A avaliação do governo ficou em 29% para ótimo/bom, um recuo de nove pontos em relação a março, quando chegou a 38%. A nota média do prefeito também caiu, era de 6 pontos no período. Cresceu ainda cinco pontos o índice de ruim/péssimo, ficando em 29%.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), perdeu pontos em todas as camadas da população e acabou ficando em quinto lugar. Entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos, Kassab obteve 35% de ótimo/bom contra 76% em outubro do ano passado. Já entre a população mais carente, com até dois salários mínimos, a queda foi de seis pontos percentuais, com um índice de aprovação de 39%.

A pesquisa também avaliou os prefeitos de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (2º lugar), de Porto Alegre, José Fogaça (3º lugar), de Recife, João da Costa (4º lugar), de Florianópolis, Dário Berger (6º lugar), de Fortaleza, Luizianne Lins (7º lugar) e de Salvador, João Henrique Carneiro (9º lugar). “

Enquanto Beto Richa tem uma popularidade estrondosa em Curitiba, digna de congratulações, Eduardo Paes, no Rio, Luizianne Lins, em Fortaleza, e João Henrique, em Salvador, têm uma aprovação baixa demais para políticos que foram eleitos a pouco mais de um ano, ou seja, ainda não experimentaram todo o desgaste do cargo. Dentre os três, Paes é o que tem mais motivos para se preocupar e crer que sua gestão tem que ser reformulada por não estar agradando a população, afinal, é o único que não vem de uma reeleição, não tendo o “cansaço de material”, o que faz com que sua baixa aprovação seja mais significativa ainda.

Ficou assim o ranking de popularidade dos prefeitos das grandes capitais segundo o Datafolha:

Ótimo e Bom somados  x Ruim e Péssimo somados

Beto Richa (PSDB) - Curitiba: 84% x 5%

Marcio Lacerda (PSB) - Belo Horizonte: 50% x 10%

José Fogaça (PMDB) - Porto Alegre: 38% x 11% 

 Gilberto Kassab (DEM) - São Paulo: 39% x 27%

Dário Berger (PMDB) - Florianópolis: 35% x 29% 

 João da Costa (PT) - Recife: 30% x 29% 

 Luizianne Lins (PT) - Fortaleza: 33% x 36% 

 Eduardo Paes (PMDB) - Rio de Janeiro: 29% x 29% 

 João Henrique (PMDB) - Salvador: 25% x 35%. 

Prefeito beija-mão: Perspectiva e Rio de Janeiro estão de luto

08/12/2009

O Perspectiva Política está, como a cidade do Rio de Janeiro, de luto.

Não que algo esteja perdido para sempre. Felizmente, não é o caso. Contudo, a independência da cidade do Rio de Janeiro, defendida por diversos governadores do estado da Guanabara e prefeitos do Rio de Janeiro no passado, estará moribunda por um bom tempo.

Este é o nosso luto. O luto do Perspectiva, deste que vos fala e do Rio de Janeiro. O luto de quem vê a autonomia de sua cidade, capital cultural do País, caixa de ressonância das mobilizações populares nacionais, se encaminhando para a cova.

O modo como o Prefeito Eduardo Paes se coloca, praticamente, como secretário do Governador Sérgio Cabral é revoltante. Os termos afilhado e padrinho deixam de ser meros jargões políticos e se tornam realidade nua e crua. Paes beija a mão de Cabral tacitamente e, agora, explicitamente. Um absurdo. Uma tristeza. Uma atitude digna de um alguém que se coloca como servo.

Hoje o Perspectiva Política não publica mais nada. Serão sucessivos minutos de silêncio. Um silêncio de indignação, de revolta e – por que não? – de perplexidade.

Confiram a foto abaixo. Ela expressa, muito melhor do que eu poderia em minhas linhas, o que ocorre hoje no Rio de Janeiro. Como sempre dizem, uma imagem vale mais do que mil palavras e, neste caso, ela também decreta o fim da autonomia da cidade do Rio de Janeiro, antiga capital da República e do Império. Fim esse que durará até que pessoas melhores sejam eleitas, queiram Deus e os eleitores, em 2010 e 2012.

Triste realidade carioca.

paesbeijamao

Sérgio Cabral e Eduardo Paes: Muita propaganda e pouco trabalho

06/11/2009

Como todos sabem, o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é, hoje, protegido do Governador Sérgio Cabral. Paes traiu suas convicções e discursos do passado para, deslumbrado com a possibilidade de ser Prefeito, se aliar a Cabral. Hoje, a Prefeitura é extensão do Governo do Estado, algo triste para um município historicamente independente e impetuoso como o Rio.

Pois bem. E não é que Eduardo Paes resolveu mesmo seguir os passos de Cabral à risca? O Prefeito carioca decidiu implantar um sistema muito bem conhecido pelo governo do estado do Rio: Muita propaganda e pouco trabalho.

Duvidam? Vejam o que informa Lauro Jardim, na Veja:

“Eduardo Paes pretende gastar 120 milhões de reais da prefeitura do Rio em publicidade. É um salto e tanto. A previsão para os próximos dois anos é 32 vezes maior que  os 3,7 milhões de reais gastos por seu antecessor, Cesar Maia, durante todos os quatro anos de seu último governo.”

Trinta e duas vezes mais publicidade que o antecessor? Seria bom averiguar no livro dos recordes para ver se já existe algo igual. Talvez tenhamos um fenômeno. Dos ruins, claro.

E pensar que o jingle de Eduardo Paes dizia: “Leva o Rio pro rumo certo”…

Em tempo: Para aqueles que querem mais esclarecimentos do porquê de elevar a verba de publicidade representar seguir os passos de Sérgio Cabral, basta conferir a imagem abaixo, que circula na internet, retirada do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, portanto, de domínio público.

diariooficialverbas1

É isso mesmo, meus caros.

Enquanto Eduardo Paes gasta trinta e duas vezes mais que o antecessor em publicidade, Sérgio Cabral transfere 10 milhões de reais da saúde – eu disse saúde! – para a Comunicação Social do governo.

Talvez estejamos começando a entender a benevolência da imprensa fluminense com esses peemedebistas, que não poderiam, diga-se de passagem, pertencer a outro partido. Bom, mas isso é outra história…

Coluna do dia: Uma reflexão sobre as Olimpíadas 2016

05/10/2009

Por Arthurius Maximus*

O Rio de Janeiro ganhou a disputa pelas Olimpíadas de 2016. Festa, samba e carnaval nas ruas. Os cariocas rindo e comemorando, imaginam como será maravilhoso ver os jogos aqui “de pertinho”. Da mesma forma, sonham como será a cidade depois deles: “uma maravilha”.

Mas, será mesmo?

Nos jogos Pan Americanos o discurso era bem parecido: “Haverá avanços para a população, no saneamento básico, no transporte público e muito dinheiro virá; transformado em empregos e em bens que ficarão para sempre a serviço da cidade”.

E, o que vimos realmente? Denúncias de superfaturamentos e irregularidades, todos os projetos de saneamento básico prometidos ficaram só na promessa.

Os tão sonhados “prédios esportivos” estão hoje abandonados e sem uso, deteriorando-se a olhos vistos e representando um desperdício de verbas enorme. Os únicos equipamentos esportivos que ainda têm alguma atividade são o Estádio do Engenhão (alugado para o Botafogo “por qualquer preço”) e o Parque Aquático Maira Lenk que raramente é usado para competições. O velódromo, que custou uma pequena fortuna, apodrece lentamente, bem como todas as outras instalações.

Até hoje não se sabe o que ocorreu com uma parcela dos recursos das obras e nem quem vai reembolsar a Prefeitura pelas obras mal feitas e que necessitaram de reconstrução “a toque de caixa”, estourando o orçamento várias e várias vezes (como todo empreiteiro adora).

O único resultado concreto do Pan para a cidade do Rio de Janeiro foi uma infeliz epidemia de dengue que ceifou a vida de centenas de cariocas. Sem recursos financeiros para fazer frente à necessidade de gastar no combate ao mosquito e no tratamento das pessoas atingidas, a Prefeitura do Rio demorou a admitir que havia epidemia.

Quando o então Prefeito finalmente deixou a Prefeitura, veio à tona a cruel realidade. O órgão havia priorizado os gastos com o Pan, já que os governos estadual e federal não disponibilizaram suas parcelas de contribuição que estavam previstas, e por isso não pôde destinar mais recursos para o combate ao mosquito e nem para o tratamento dos doentes.

As negativas insistentes de que não havia uma epidemia na cidade, mesmo contra os números que só cresciam, eram talvez uma simples forma de não admitir um problema que poderia ter reflexos políticos. Como bons brasileiros, os cariocas parecem ter esquecido essa época e mergulham na alegria e na euforia de um novo sonho.

Analisando os motivos que levaram a maioria do povo de Chicago a não desejar as Olimpíadas por lá, verificamos que a cidade de Atlanta levará trinta anos para pagar as dívidas contraídas para a realização das Olimpíadas de 1996 e que os cidadãos de Chicago preferiam que a Prefeitura local investisse em outras prioridades.

Infelizmente, ao que tudo indica, mais uma vez passados os jogos, os únicos a ficarem eufóricos serão os atletas, os políticos e os empreiteiros.

Tomara que estejamos todos errados.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Olimpíadas e a política verde e amarela

03/10/2009

Por Rafael Oliveira*

Não sei porque, mas sempre que leio “verde e amarelo” em algum lugar, me vem em mente uma das paixões do brasileiro: o esporte.

É impossível fugirmos do assunto que agitou a semana nos meios de comunicação: A escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016.

O que é essencial destacar, é que a questão olimpíca tornou-se um fato tão político quanto esportivo. Pois bem. Em 24 horas, Serra se pronunciou duas vezes via twitter demonstrando carinho pelos cariocas, Dilma apareceu, inusitadamente, no programa esportivo “Arena SporTV”, vestida com a camisa “I love Rio”, Lula discursou como nunca, sendo apontado como o vencedor na batalha Brasil versus EUA (Lula versus Obama), restando apenas Aécio Neves, Ciro Gomes e Marina Silva se manifestarem, para completar o show de emoção.

É fácil, caro leitor, muito fácil, levantar uma bandeira quando a mesma já está prestes a alcançar o topo. O destaque positivo da semana fica para nossa política “verde e amarela”.

A participação da comitiva brasileira em Copenhague, com Carlos Arthur Nuzman, Lula, Pelé, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, dentre outros, cativou as autoridades presentes, que levaram consigo o sentimento sincero do povo brasileiro. Ponto para os políticos.

Entretanto, as demais figuras da política nacional, que não participaram da candidatura do Rio como cidade-sede, se utilizarem de táticas forçadas como camisas de marketing,e frases de efeito para evidenciar sua postura “sensibilizada”, me soa um tanto quanto hipócrita.

Não é de hoje que acontece a famosa “campanha antecipada”. Não julgo nenhum crime agregar votos com certa antecedência, seja participando de eventos políticos ou de aparições ao lado do Presidente. Porém, quando o caso em questão é proibido, torna-se inviolável tal postura de publicidade partidária.

Não quero aqui tomar partido de ninguém, mas é inegável a existência de um desespero petista quanto à corrida presidencial de 2010. Enquanto os tucanos seguem no estilo mineiro de ser, discretos e observadores, a base do governo Lula faz de tudo para alavancar Dilma, antecipando a campanha por meio, até mesmo, da participação da Ministra em programas esportivos vestindo uma camiseta estampando o ridículo do fanatismo barato e sensacionalista. Não estou vangloriando o PSDB, mas os membros deste estão cumprindo as normas, mesmo que seja por mera estratégia.

O Brasil não é o País do futuro, é, mais do que nunca, o País do presente. Com a recém realização dos jogos Pan-Americanos, a escolha do País como sede da Copa do Mundo de 2014, das Olimpíadas de 2016, e, ainda, em um contexto econômico com a descoberta do Pré-Sal, o País precisa se planejar e crescer no mesmo ritmo das nações já em alto grau de desenvolvimento. É pensar como nação do futuro, mas transformando sonhos em realidade com cronômetro de País de primeiro mundo.

Que a política verde e amarela conduza o País em uma ausência de escândalos e na presença de frutos diários, prontos para serem saboreados por quem realmente merece: O povo.

*Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados.

Rio 2016 – As Olimpíadas serão no Rio de Janeiro

03/10/2009

Brazil Rio 2016 Olympic Games

Depois de diversas tentativas, o Rio de Janeiro conseguiu o que tanto lutou para obter, tendo investido, inclusive, alguns milhões de reais na empreitada.

A cidade sediará os Jogos Olímpicos de Verão, os mais importantes, no ano de 2016, tendo derrotado as outras cidades candidatas: Madri, Chicago e Tóquio.

Obviamente, o fato de o Rio de Janeiro sediar os Jogos Olímpicos poderá trazer diversos benefícios para a cidade e para seus habitantes, como, por exemplo, avanços em setores como a segurança pública, os transportes e o turismo.

Contudo, é preciso que se tenha a total noção de que os trabalhos começam desde já. E isso não representa, apenas, que os esforços já dever concentrados o mais rápido possível.

Isso quer dizer também que os recursos públicos que serão gastos devem ser dispendidos com todo o critério, que a fiscalização da utilização destes recursos tem de ser firme e honesta e que deve-se buscar que as obras e as melhorias representem não só a realização correta das Olimpíadas, mas, também, a construção de um bom legado para a cidade como um todo.

Além disso, é relevante avaliar os efeitos políticos da escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos de 2016.

Todos os analistas têm dito que, por fortalecer Lula, a escolha do Rio poderá interpretar algum papel positivo na candidatura de Dilma Rousseff. Citam eles também que as imagens do Governador fluminense Sérgio Cabral e do Prefeito carioca Eduardo Paes serão beneficiadas.

Acontece que parece injusto, na visão deste blogueiro, que no caso das Olimpíadas 2016 seja observada a condenável e triste memória política curta do brasileiro em geral.

Ressalvadas as críticas que podem ser feitas à sua gestão no Rio de Janeiro, não se pode deixar de dizer que o grande responsável pela conquista da cidade é o seu ex-Prefeito Cesar Maia.

Foi Cesar Maia que lutou fortemente para que o Pan 2007, grande gerador da vitória do Rio e grande comprovação de que a cidade teria condições de realizar os Jogos Olímpicos, ocorresse e, com certeza, não haveria Rio 2016 se não houvesse existido o Pan 2007.

Além disso, foi Maia que inscreveu o Rio de Janeiro na competição para sediar os Jogos.

Em suma, é claro que Lula, Cabral, Dilma e Paes se utilizarão do possível cacife político que as Olimpíadas podem representar, e é até justo que o façam até certo ponto já que estes detêm suas parcelas de contribuição.

Porém, não é nada justo que não se cite Cesar Maia, um Prefeito que, se teve seus erros, possibilitou o projeto Rio 2016 com suas obras do Pan 2007.

Como sempre diz o Perspectiva, é preciso criticar o que deve ser criticado e elogiar o que deve ser elogiado.

Não se pode permitir que aqueles que adentraram no grupo responsável pelos esforços pró-Rio 2016 recentemente capitalizem todos os lucros políticos, permitindo assim que aqueles que trabalharam muito no projeto sejam esquecidos e desprestigiados.

Se a memória política brasileira continuar a funcionar assim, apenas serão desestimulados os esforços e incentivadas as obras de último ano de mandato.

Sejamos justos, precisamos dar a Cesar o que é de Cesar.

Cabral é vaiado em evento do Bolsa Família no Rio

01/09/2009

Informa o Globo:

“Um clima de campanha eleitoral tomou a formatura de centenas de jovens do projeto Plano Setorial de Qualificação dos Beneficiários do Bolsa Família (Planseq), nesta terça-feira, no Maracanãzinho. Durante o evento, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), foi recebido com vaias por militantes da UNE e formandos da Baixada Fluminense, principalmente de Nova Iguaçu.

Contrariado, Cabral ficou durante boa parte do evento com a cara fechada enquanto o prefeito Eduardo Paes (PMDB) chegou a chamar um assessor no palanque para reclamar das vaias. No mesmo palanque estava o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), pré-candidato ao governo do estado em 2010.

[...]

Durante o seu discurso, o presidente Lula fez questão de comentar o caso. Ele criticou os que vaiaram o governador.

- Não é justo politicamente ou socialmente correto num evento como este em que as pessoas têm a oportunidade de ter uma profissão as divergências políticas se manifestarem com vaias. Amanhã os jornais só vão dizer que vaiaram, mas não a importância desse evento.”

É por essas e por outras que este blogueiro diz e repete: Cabral pode até se reeleger, mas terá uma tremenda dificuldade para fazê-lo em 2010.

A popularidade do Governador anda em baixa no Rio de Janeiro, a aprovação do governo não é boa e diversos pré-candidatos surgem em sua base de sustentação, ameaçando rachá-la. Enquanto isso, a oposição ao seu governo está unida.

Em tempo: Percebam que Lula se importa muito mais com a repercussão na imprensa do fato de terem existido vaias em um evento que contava com a sua participação, do que com o fato de Sérgio Cabral ter sido rechaçado. Enquanto isso, Eduardo Paes deu, como sempre, uma de repressor.

Utilidade pública: Leitor reclama de truque da Prefeitura do Rio

22/08/2009

Os leitores mais assíduos deste blog devem se lembrar que, de vez em quando, este blogueiro presta um serviço de utilidade pública através do Perspectiva Política. Para os que ainda não sabem disso, explico: Em algumas ocasiões, divulgo informações enviadas a mim por leitores indignados com algum problema que tem a ver com a política nacional. Faço isso na esperança de que o Perspectiva possa ampliar a voz desses leitores e auxiliar o protesto que visa solucionar o problema ou encerrar a negligência.

Pois bem. Dito isso, passemos à questão enviada a mim por um cidadão carioca, cujo nome irei preservar:

Conta este leitor que a Prefeitura do Rio de Janeiro estaria empreendendo um truque para alimentar seu caixa às custas do cidadão. Segundo ele, a Prefeitura estaria, vergonhosamente, aumentando propositalmente a burocracia em torno do processo de retirada, pelos proprietários, de carros rebocados que se encontram em pátios legais. E porque estaria ela fazendo isso? Para que as demoras nas retiradas dos diversos carros rendessem mais diárias a serem pagas pelos contribuintes à Prefeitura.

Se for verdade, é um acinte. Estará o órgão que existe para nos servir se servindo de nós claramente.

Motivado pelo e-mail do leitor, resolvi pesquisar sobre o tema. E não é que encontrei um registro desse truque feito por alguém de peso?

O Google me levou ao blog de Míriam Leitão, que, pasmem, noticia que realmente existe esse truque. Confiram o que ela diz:

Eduardo Paes aumenta burocracia para arrecadar mais

Em plena era da internet e das soluções em tempo real, a administração Eduardo Paes aumentou a burocracia na Prefeitura do Rio para arrecadar mais. A informação foi dada pelos próprios servidores, ligados à Secretaria de Ordem Pública.

O motorista que possui um carro rebocado é obrigado pela Prefeitura do Rio a pagar diárias que vão de R$ 20,22 (motocicletas) a R$ 199,98 (ônibus, caminhões e similares) pelo tempo em que o carro não é retirado do depósito. Ou seja, quando maior o tempo dos veículos no pátio, mais dinheiro entra para os cofres da prefeitura.

Ainda de acordo com informações de servidores, a gestão Eduardo Paes trocou o tipo de boleto para o pagamento, eliminando o código de barras que possibilitava o pagamento em casa lotéricas. Agora, usa-se um boleto comum, desses que se compra em papelaria, que só pode ser pago na boca do caixa e em horário de funcionamento dos bancos (que é reduzido). Com isso, os carros passam mais tempo nos pátios pagando mais diárias.”

Meus caros, isso é um absurdo total! Temos aí uma situação que, se comprovada, indicará que a Prefeitura do Rio de Janeiro, cujo comandante Eduardo Paes foi eleito para bem servir, está -perdoem-me o termo – sacaneando o carioca.

Onde já se viu um órgão público inventar um truque que aumenta a burocracia de certos procedimentos para que o tempo passe, os prazos se estourem e ele possa arrecadar mais? Como se já não bastasse a lentidão e a ineficiência da atual Prefeitura, ainda temos que arcar com isso?

O único alento que fica é o de que Míriam Leitão, além de noticiar o fato, encaminhou questionamentos à Prefeitura, vejam:

“O blog solicitou por e-mail as seguintes informações à assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio: Qual a receita das diárias de reboque (incluindo todos os tipos de veículos) no 1º semestre de 2009? Qual a mesma receita em anos anteriores? Quantos veículos foram rebocados de janeiro a julho deste ano? Quantos pagaram diária por pernoitar no estacionamento da Prefeitura? Por que o boleto para a retirada do veículo não permite o pagamento com código de barras, como era na gestão Cesar Maia? Quando isso foi alterado? O site da Prefeitura diz que pode ser pago em casas lotéricas, mas a informação passada na Rua das Andradas, 92, é que não pode. Como explicar isso? O telefone de informações ao público (21) 3293-1700 não funciona desde pelo menos quarta-feira. Por qual motivo?”

Assim como Míriam, aguardo as respostas da equipe de Eduardo Paes…