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Coluna do dia: A utopia moral e a ideologia pacifista

15/04/2010

Por Raphael Machado Silva*

Em um âmbito social mais localizado, o Pacifismo como ideologia moral é subversivo. Fundado no misticismo e no hocus-pocus liberal, o pacifista considera a vida humana individual como o maior dos bens. Se a vida é o maior dos bens, não há mal maior do que a perda ou retirada de uma vida, ou que a ameaça a sua integridade por meio da violência. Para o pacifista, absolutamente nada é pior do que a violência.

O pacifismo é o fruto de uma doença espiritual do homem. O progenitor do pacifismo é o burguês urbano e cosmopolita. Estando completamente alienado dos autênticos processos da Vida, por meio dos artifícios da vida cômoda, o burguês é incapaz de compreender a Natureza e, portanto, a falsifica moralizando-a. Foge à compreensão do pacifista que tudo no Universo se constrói por meio do embate entre forças que estão constantemente tentando se sobrepôr umas às outras.

Ou, quando ele visualiza a ‘Guerra Total’ que é a existência, ele vê isso como um Mal, porque sua Utopia Moral é ‘extra-mundo’, reside fora do Mundo. Então, ele não julga seus Ideais segundo a Natureza. Ao contrário, o utopista moral, o pacifista burguês, quer julgar a Natureza segundo sua Utopia, e impor essa Utopia ao mundo, independentemente das consequências. Ele é incapaz de contemplar as possíveis consequências, ou quando é capaz, nada disso importa, porque a Utopia Moral é o Bem Absoluto e qualquer mal na direção de sua consecução não passa de um ‘mal menor’.

Não há ‘barbárie’ na Natureza. Há apenas as diversas manifestações da ‘Vontade de Poder’. E, mais importante ainda, a Natureza não é um ‘Outro’ a respeito do qual seja possível ao Homem falar ‘à distância’ como se a mesma fosse um objeto. O Homem é perpetuamente parte disso a que se chama Natureza e está submetido a todas as suas leis e processos.

Isso não quer dizer que ‘a guerra é melhor do que a paz’, como alguma pessoa demente ou com dissonância cognitiva poderia (mal) interpretar essas considerações.

O que se quer dizer é que, para a realização de seus objetivos, os homens possuem ao seu dispor uma grande gama de possíveis métodos. Entre esses métodos estão a violência e a guerra, as quais podem ser tranquilamente vistas como meios válidos de resolução de problemas e conquista de objetivos, dependendo das circunstâncias. E não é nem necessário moralizar e postular: ‘Violência só em último caso’.

Para além da violência como fato, está a postura ética do Homem como Guerreiro. Essa postura não se define pela aplicação efetiva da violência, mas sim por uma disposição constante para fazer uso dela em defesa de seus direitos, no cumprimento de seu dever, ou para conquistar seus objetivos e realizar seus ideais em geral.

Toda tentativa de se impor uma visão sobre o Mundo, toda Ação é uma forma de violência. O artista, o guerreiro e o estadista, são animados por esse mesmo ímpeto, o de transformar a realidade por meio da Ação. E o que anima essa possibilidade de Ação é a ‘Vontade de Poder’ do Homem, que sempre quer se expandir e se impôr sobre o mundo e sobre todos os outros Homens.

É a ‘Vontade de Poder’ com sua vitalidade beligerante e disposta a tudo o fator essencial capaz de erguer das areias do deserto uma nova civilização. Todas as civilizações foram criadas e preservadas por homens ‘violentos, beligerantes’. Nenhuma foi criada por pacifistas. É unicamente a disposição para fazer tudo o que for necessário para conquistar e superar, a disposição capaz de gerar belas obras. E essa disposição, mesmo no poeta e no filósofo está associada à beligerância e à mais pura testosterona, mesmo que o referido poeta nunca pegue em armas. Que sirva como testemunha o maior poeta da língua inglesa, Lord Byron, que partiu para a Grécia para participar na guerra de liberação do berço da civilização ocidental contra os turcos e lá encontrou sua morte.

Alguém tentará ‘normalizar’ essas reflexões dizendo: ‘Não sei porque você está escrevendo essas coisas, quando o pacifismo só busca que haja um pouco menos de violência no mundo!’. Esse tipo de intervenção só pode surgir de alguma mente míope demais para ver qualquer coisa para além de objetivos declarados.

Ocorre que, e eu tenho que repetir isso, para a consecução da Utopia Moral, não há meio indigno e imoral. Ora, a Paz Perpétua não pode ser simplesmente alcançada evitando ou impedindo que as instâncias individuais de violência ocorram, porque isso é simplesmente impossível. Então, o que se deve fazer? A resposta é óbvia, descobrir porque os indivíduos são violentos, porque eles são predispostos à violência, que fatores psicológicos, sociais, culturais e biológicos os levam a querer usar da força para conquistar seus objetivos.

Nenhuma manipulação social, então, é imoral se o objetivo é tornar os homens mais ‘tolerantes’, ou seja, passivos, moscas-mortas, incapazes de conquistar qualquer coisa. Hoje, o Ocidente é bombardeado por uma pesada propaganda cultural que associa os valores combativos e beligerantes a símbolos e figuras indesejados. O único herói admissível hoje é o ‘herói moralista’, ou seja, o herói que se vinga em nome da Utopia Moral. A esse é permitida toda barbárie, como se pode verificar no filme mais nojento e demente já feito por Quentin Tarantino. A moralidade é legitimadora da barbárie.

Os valores viris, ativos, beligerantes, são marginalizados em prol de uma figura humana afeminada, meio andrógina, ultra-tolerante, dialética, conciliadora, que passa a ser vista como o tipo humano ideal. Experiências psicossociais já são realizadas em locais como a Suécia, por exemplo, onde meninos desde a tenra idade são obrigados a se vestirem de menina, e vice-versa, com a finalidade de ensinar a ‘tolerância’.

Quanto tempo irá demorar até que se resolva, por meio de mudanças na alimentação, reduzir a taxa de testosterona dos homens? Que isso já está sendo feito, é fato. A taxa de testosterona masculina tem se reduzido na maioria dos países ‘desenvolvidos’. Não é à toa que poucos ‘homens’ hoje são capazes de desenvolver uma barba de verdade.

A única questão discutível é se essa redução tem sido intencional, ou se é apenas produto das porcarias plásticas e artificiais que passam por ‘comida’ na dieta ocidental. Isso sem falar na possibilidade futura de manipulações e experiências genéticas com a finalidade de impôr a paz no mundo, por meio da castração hormonal da humanidade. O mundo caminha na direção de uma eugenia inversa, uma autêntica disgenia.

Surreal? Ninguém iria tão longe para conquistar a ‘Paz Perpétua’? Por que, se esse objetivo é o mais moral que há, e se é o Bem Absoluto? Se alguém tem a possibilidade material de impelir o mundo nessa direção, por que não o faria?

A violência, a guerra, a morte e o sofrimento, podem ser aspectos feios, horríveis, da existência humana. Porém, ainda assim, possuem seu lugar nessa existência. Todos esses aspectos cumprem uma função, de algum modo possuem um sentido relevante para as experiências humanas.

Não é ‘banindo a morte’, rejeitando os aspectos da realidade que nos são desagradáveis, que vamos aprender a lidar e crescer por meio dessas experiências.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

2ª Coluna do dia: Quando a paz não passa de uma utopia moral

07/04/2010

Por Raphael Machado Silva*

Dentre as constantes expectativas das massas humanas, as quais são expressas por meio de manifestações populares, desejos natalinos, discursos sentimentais ou modos insignificantes de auto-expressão, talvez a mais característica e onipresente seja a ‘Paz’ ou, melhor dizendo, aquilo que Kant chama de ‘Paz Perpétua’, uma espécie de Utopia vindoura, consequência natural da razão humana, na qual toda a Humanidade estaria unificada sob um mesmo sistema e a paz reinaria completa entre os homens.

É fácil traçar a genealogia dessa expectativa. Se analisarmos friamente, veremos que ela não passa de uma secularização iluminista das expectativas messiânicas relacionadas ao ‘Reino de Deus’ na Terra, no qual todas as aspirações e promessas dos Evangelhos se veriam realizadas. Todo o mundo se veria unificado sob o ‘Despotismo Esclarecido’ de um Messias, o qual imporia um perpétuo estado de paz entre os homens, e poria fim a todos os sofrimentos humanos por meio de uma espécie de ‘Comunismo Sagrado’.

Obviamente, não há lugar nessa Utopia para aqueles que simplesmente não estejam dispostos a se submeter. Essas expectativas são, supostamente, tão absolutamente boas e perfeitas, que qualquer um que se oponha é um monstro, um demônio, e seu destino só poderia ser o Inferno. Para os adeptos das Utopias Morais, todo opositor e dissidente é uma encarnação do Mal Absoluto e, portanto, toda violência e barbárie é completamente legítima e justificável.

Para testar e descobrir um desses adeptos, pode-se, por exemplo, citar a Destruição de Dresden por bombardeios anglo-americanos, que levou à morte de 500.000 civis alemães, ou o estupro de mais de 2 milhões de mulheres alemães pelas tropas soviéticas, e outros atos de barbárie tomados pelos Aliados durante e após a guerra que levaram à morte de 7 milhões de civis alemães; ou ainda o gradual processo de genocídio pelo qual passam os brancos na África do Sul e no Zimbábue. A reação de um indivíduo a esses fatos será revelador de seu caráter.

Em nome da Democracia Liberal e da Igualdade, não há extermínio e barbárie que seja injustificável, ainda mais quando a barbárie é travestida e mitificada como uma espécie de ‘justa vingança’ da ‘inocente vítima’. Como poderia dizer Nietzsche, o ressentimento mesquinho dos tipos humanos fracos contra tipos vistos como poderosos, quando alimentado pela ilusão auto-criada da própria ‘inocência’ e ‘bondade’, impele o Homem para os mais profundos dos ódios. Um erro passa a justificar o outro.

A Utopia da Paz em seu âmbito global só é possível por meio da sujeição de todos os Estados a uma única autoridade supra-estatal. Mas para que essa sujeição não culmine em uma ‘Guerra Civil Global’, para que a Ditadura Utópica Global perdure, toda e qualquer percepção de ‘Alteridade’ deve ser extirpada. Ou seja, qualquer noção de um ‘Outro’ deve deixar de existir, e ser substituída pela noção de um ‘Eu’ coletivo e absoluto que englobe toda a Humanidade.

Mas a percepção de ‘Alteridade’ deriva exatamente do fato das infinitas diferenças que existem entre os agrupamentos etno-culturais humanos. Então, para que a ‘Paz Perpétua’ seja instaurada entre os Homens, toda Diferença deve ser desintegrada. A Igualdade absoluta é a pré-condição necessária para a Paz Perpétua.

Mas vejam só, se a Utopia Moral da Paz Perpétua é absolutamente boa e desejável, não há, em absoluto, metodologia que não possa ser utilizada para alcançá-la, independentemente das supostas implicações morais de tais métodos. A Utopia Moral se sobrepõe a toda e qualquer outra consideração moral. Nada pode ser tão moral quanto a Utopia, e qualquer imoralidade, à serviço da Utopia, passa por tamanha transformação alquímica que é vista como absolutamente moral. É o tal “bem maior” justificando o “mal menor”.

O oposto também é verdadeiro. Atos, posicionamentos e comportamentos completamente naturais, quando estão dirigidos contra a consecução da Utopia Moral, são vistos como monstruosidades, mesmo quando os adeptos da Utopia realizam os mesmos atos. Se inimigos da Utopia prendem ou fuzilam terroristas e espiões que atuavam para desestabilização do governo e a realização de um golpe ‘democrático’, então eles estão realizando um ‘massacre’, ou ‘perseguindo opositores políticos’. Se adeptos da Utopia perseguem, prendem e condenam à morte, ativistas, pensadores e políticos, que lutam para impedir que sua cultura seja destruida pela globalização, então esses adeptos estão ‘combatendo a intolerância’, ou alguma falácia similar.

Para que a Paz Perpétua seja conquistada então, é necessária que toda a Humanidade seja transformada em uma massa amorfa, desprovida de características singulares. E para que isso seja efetivado não há medida que possa ser considerada imoral. E, considerando que hoje não há lobby mais poderoso do que esse, o lobby do ‘Governo Mundial’, não é ‘teoria da conspiração’ dizer que obviamente as pessoas influentes envolvidas nesse lobby vão usar essa influência, seja na economia, na política ou na mídia, para esmagar as Diferenças e impor sua Utopia Moral. É a pasteurização.

E, para isso, curiosamente, não é necessário realizar qualquer movimentação na direção da ‘Igualdade econômica’.

Essa modalidade de ‘Igualdade’ é colocada como a mais medíocre e irrelevante de todas elas, exatamente pelo fato de que seu objeto, a Diferença determinada pelo Dinheiro é a diferença mais ‘igualitária’ de todas e de modo nenhum impede ou dificulta a ascensão do ‘Governo Mundial’.

Ao contrário.

*Raphael Machado é colunista do Perspectiva Política às quartas.

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte III)

22/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O cerceamento, e consequente proibição, do porte de armas é uma das muitas manifestações modernas da destruição do Homem frente a um Ente Absoluto, Universal, Genérico, Total, o Estado-Deus.

Que fique entendido aqui que não sou um Liberal e nem um Individualista. Apenas exponho os fatos como eles o são.

Muito acertadamente, Carl Schmitt afirmou, em ‘Teologia Política’, que todos os conceitos políticos são ideias teológicas secularizadas.

O Estado Moderno é o repositório de todas as aspirações humanas, e portanto, cabe a ele, por meio de sua “intervenção divina” “salvar” a todos os seus “filhos”. A atitude que se espera que o cidadão tenha frente ao Estado é a mesma que se espera que o Homem tenha frente ao Deus Abrahâmico. O Homem deve permanecer em um perpétuo estado de perplexidade passiva, impotente para realizar o que quer que seja sem as bênçãos de seu Senhor, adorando-o como única fonte de solução para todos os problemas, e amaldiçoando-o por todos os males pessoais. É o paternalismo.

Já vimos a importância do porte de armas para a defesa nacional e para a defesa pessoal. Ora, leitores, as últimas considerações já feitas nos revelam uma terceira importância, a qual ouso dizer ser a principal (não esconderei minhas ligeiras simpatias anarquistas).

Como muito bem sabia Thomas Jefferson, um dos Pais Fundadores dos EUA e, indubitavelmente, um grande militante pela autêntica Liberdade, o Homem deve poder portar Armas, para que ele possa se defender do próprio Estado, quando este se transforme em Tirania e se volte contra a própria Sociedade.

Não há qualquer exceção ao longo da História. Todo Estado Moderno ou Contemporâneo a banir Armas, ou era uma Tirania ou está/estava em vias de se tornar uma Tirania. Toda Tirania proíbe o porte de Armas. E sim, incluo nessas relações a Grã-Bretanha e os demais países da União Europeia, pois os que acompanham os desenvolvimentos sociais europeus não podem negar que a Europa caminha na direção de uma tirania abjeta.

Aos que duvidam, me expliquem as onipresentes câmeras de vídeo. Me expliquem as prisões dos que não acreditam no Holocausto. Me expliquem a perseguição arbitrária de partidos nacionalistas. Me expliquem a entrada de vários países na União Européia após plebiscitos nos quais os habitantes desses países rejeitavam a entrada (como nos países escandinavos, por exemplo). Me expliquem a ratificação do Tratado de Lisboa contra a vontade de boa parte da população de vários países (como por exemplo dos portugueses).

Porém, só posso parafrasear Jefferson novamente e dizer: “A árvore da Liberdade deve ser regada de tempos em tempos, tanto com o sangue de patriotas como de tiranos”.

Ah! E aos pequeno-burgueses alienados e pacifistas, que defendem a destruição do Homem frente ao Estado por meio da proibição do porte de Armas, sob a desculpa sofística e esfarrapada de que tal medida serve para diminuir a violência, me explicai então porque os dois países com o maior percentual de civis com porte de Armas são exatamente Suíça e Finlândia, e não África do Sul e Haiti.

Sem mais.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte II)

15/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

A Arma é o Instrumento por meio do qual o Mundo é Domado e Pacificado pela Força, de modo a que se possa organizá-lo segundo a Vontade de um Homem, ou de um Povo.

Em geral, essa Pacificação, assim como a Segurança da Comunidade dependerão do uso de Armas para travar combate a Inimigos Externos. Quantas vezes o Ocidente não foi ameaçado? E quantas vezes ele não foi salvo única e exclusivamente graças às Virtudes Guerreiras de Homens-de-Armas. Os Espartanos e os Atenienses resistiram aos Persas. Romanos e Visigodos resistiram aos Hunos. Alemães, Húngaros e Poloneses resistiram aos Mongóis. Espanhóis e Portugueses resistiram aos Mouros. Sérvios, Romenos, Búlgaros e Austríacos resistiram aos Turco-Otomanos. E o Ocidente em conjunto resistiu à União Soviética.

Em cada um desses casos foi o valor individual do homem comum, o qual era possuidor de armas, que fez a diferença. Foram os civis, convocados para assumir sua função ancestral de Guerreiro. Pois a vida em Sociedade não elimina o Guerreiro, mas o transforma em Guardião. Do mesmo modo que é Lei Natural e, portanto, Dever Inato de cada Homem defender a si mesmo e a sua Família, é Dever de cada Homem capaz defender sua Comunidade Identitária, a qual não passa de uma extensão do conceito de Família.

Ocorre que as transformações sociais e a passagem do tempo possibilitaram que certas deturpações entrassem em efeito. A principal deturpação se dá a respeito das funções, dos papéis e do sentido do Estado.

A ideologia do Contrato-Social como mito fundador do Estado Moderno pressupõe que um grupo de indivíduos voluntariamente abra mão de um certo número de prerrogativas e direitos pessoais em prol do Estado, para que se possa evitar o chamado “Estado de Natureza”, ou a “Guerra de Todos contra Todos”.

Eu rejeito absolutamente a noção de Contrato-Social, mas mesmo assim podemos continuar a usar essa noção, ao menos para que eu possa mostrar como a Ideologia do Desarmamentismo Escravagista se dá por uma extrapolação das prerrogativas estatais, e por uma exacerbação da transferência de direitos do indivíduo para o Estado.

Entende-se acertadamente que o Estado possui o Monopólio do Poder Punitivo. Essa é uma pré-condição para que a Sociedade não regrida na direção do Estado de Natureza. Por meio desse Poder é que o Estado, através do Juiz, julgará e punirá os infratores penais, em substituição à Auto-Tutela, na qual cada um é completamente responsável pela punição daqueles que atravessem a sua esfera pessoal de direitos. Entende-se, também, que o Estado é o responsável pela manutenção da Segurança da Sociedade e de seus Membros.

O problema está em que certas forças influentes, que se beneficiam com o crescimento do Leviatã (e com a esperança do estabelecimento de um único Leviatã Global), consideram falaciosamente que por meio do Contrato-Social as prerrogativas e direitos individuais que são transferidas para o Estado, o são in totum.

Ora, o que é o Desarmamento Civil senão a transferência total da possibilidade de auto-defesa e auto-preservação ao Estado, para que o mesmo seja o único e exclusivo encarregado e responsável pela segurança de todos?

Se a manifestação da individualidade se dá por meio do uso das prerrogativas pessoais, as quais são inatas (como a auto-preservação), a transferência completa dessas prerrogativas pessoais constituem verdadeira desintegração do “Eu”, da Individualidade, do Homem mesmo, frente à omnipotência do Leviatã.

Continua na próxima semana…

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: Porte de armas – Autodefesa ou Perigo? (Parte I)

02/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

“Leis que proíbem o porte de armas desarmam apenas aqueles que não estão inclinados ou determinados em cometer crimes. Tais leis tornam as coisas piores para o atacado e melhores para o atacante; elas servem mais para encorajar do que prevenir homicídios, pois um homem desarmado pode ser atacado com maior confiança do que um homem armado.” – Thomas Jefferson

“A maior razão para que o povo retenha o direito de possuir e portar armas é, como último recurso, para que se defendam contra a tirania no governo.” – Thomas Jefferson

Alguns anos atrás, neste nosso País, o Estado, os jornais, as empresas, os partidos políticos, as ONGs e os intelectuais marxistas se uniram para arrancar de nossos cidadãos, como vampiros ao sangue de uma vítima, o direito de portar armas. Como todo tirano, buscaram eles legitimidade para seu comportamento escravagista por meio de uma consulta popular, um plebiscito.

Os que possuem boa memória se lembrarão da pesada propaganda pró-escravidão que foi veiculada incessantemente por todos os meios possíveis. As mentiras. A difusão de pânico. O sensacionalismo. Atrizes tentando seduzir as massas para que entregassem seus meios de defesa ao onipotente Estado. Poucas vezes vi uma disputa pública tão unilateral. Ter que ver a propaganda escravagista constantemente em jornais e televisões me causava náuseas e até ira.

O povo, porém, contra todas as expectativas dos pretensos tiranos, votou contra a escravidão e a favor da liberdade. Sinceramente, um resultado surpreendente, levando-se em conta não só a pesada propaganda, como também a suscetibilidade das massas às propagandas em geral.

A Liberdade venceu a Tirania uma vez mais. Porém, ainda hoje, os mesmos personagens permanecem em sua peleja incessante contra o direito de autodefesa, inato a todo ser-vivo. Não só no Brasil, mas em todo o Ocidente, personagens análogos mobilizam todos os seus esforços para conseguir desarmar todos os homens, sob argumentos absolutamente ridículos que só recebem créditos de pessoas desprovidas de qualquer contato com a realidade. Grupos de pacifistas, utopistas, etc, são campos férteis para o plantio de toda a sofística do desarmamento civil.

Não é curioso o que ocorre quando a democracia resulta de modo que desagrada aos seus representantes e ícones? Ainda que a Autodefesa tenha prevalecido, as mesmas forças conseguiram cercear e limitar ainda mais as possibilidades de porte de armas no País.

Portar armas no Brasil não é proibido, mas é quase impossível conseguir uma licença. Ou seja, atropelando e esmagando a decisão plebiscitária, arrancou-se o porte de armas do cidadão comum (instrumentos do Estado e agentes corporativos ou tem o direito garantido, ou enormes facilidades para o conseguir), e transformou-se o mesmo em uma eterna criança, à qual não é dada absolutamente nenhum crédito, que deve ser tutelada para sempre, em todos os âmbitos de sua existência, até mesmo no instinto inato de autopreservação.

Vale a pena fazer algumas breves observações a respeito do relacionamento entre um Homem e sua Arma, ao longo da história. Faço apenas a ressalva de que minhas observações se aplicam exclusivamente ao Ocidente e suas Culturas. Sou ocidentalista, e sinceramente não dou importância para a sorte ou azar da maioria dos povos não-ocidentais. Ainda assim, duvido que tenha havido qualquer cultura ou civilização que contrarie essas observações, à exceção das pouquíssimas sociedades matriarcais, as quais não aprovo (mas isso fica para outro dia).

A autopreservação, ou autodefesa, é um instinto mais antigo do que a Humanidade. De tão intrínseca à própria noção de existência, ela poderia ser dita uma Lei Natural. Todos os animais a possuem, e é graças a esse instinto que as espécies que hoje aqui estão ainda existem. Para além do indivíduo, o instinto de preservação do Homem se estendeu para abarcar toda a sua família, assim como a Comunidade da qual ele é membro, e cuja Identidade ele partilha.

Considerando que as próprias capacidades biológicas do Homem não lhe são suficientes para realizar sua defesa, ele se utiliza de instrumentos, as Armas. Primordialmente, as Armas eram tanto meio de Defesa como garantia de Subsistência.

A Antropologia nos ensina que a espiritualização de um objeto, de uma pessoa ou de um fenômeno da natureza, está diretamente ligada à importância de referido ente na comunidade em questão. Por isso, por exemplo, tinham os Gregos um Deus para o vinho e a uva.

Ora, a posse de uma Arma ao longo do tempo se mostrou como essencial para a sobrevivência dos indivíduos e dos grupos. A Arma é a diferença entre a vida e a morte, entre vitória e derrota, entre liberdade e escravidão. Daí verifica-se a Espiritualização das Armas, ao longo da História do Ocidente (os japoneses possuem ainda mais fortemente esse aspecto). A Arma é fator central de preservação de todas as virtudes sociais, assim como da autonomia individual e da segurança pessoal e coletiva.

A História das Grandes Civilizações, como Roma, as cidades gregas e os reinos Medievais, demonstra, sem sombra de dúvida, que toda Civilização é fundada única e exclusivamente por Guerreiros, ou seja, pelos homens especializados em usar as Armas como instrumento da Vontade do Povo.

A preservação da Civilização também é tarefa que cabe exatamente aos Guerreiros. Todos os homens cultos das eras áureas das Civilizações eram Guerreiros, os quais em tempos de paz se voltavam para atividades culturais.

Nunca, porém, uma civilização foi erguida por sofistas, por dialetas, por diletantes, por pacifistas ou por universitários pequeno-burgueses desconectados da realidade.

Continua na próxima semana…

* Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta-feira, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: A Guerra como lógica da sobrevivência

29/10/2009

Por Felipe Liberal*

É muito cansativo ver o planeta Terra do jeito que está. É muito árduo ver guerras e políticas dementes sendo apoiadas por massas populacionais, como se tudo fosse um jogo de tabuleiro. Eu não tenho raiva do meu planeta, eu sinto apenas tristeza. A raiva já passou, o sentimento agora é o misto de “depressão” e impotência diante das inexistentes ações.

A Guerra está se tornando cada vez mais inevitável. O “fazer guerras” no século XXI é mais do que uma ação estratégica ou uma política de dominação econômica, mas também é uma ação de sobrevivência da lógica neoliberal e do próprio capital.

Quando falamos da Colômbia, por exemplo, podemos lembrar o que acontece dentro do país e que pouca gente conhece. Muito dos lucros colombianos existem, justamente, porque trata-se, praticamente, de um país permanentemente em guerra. Durante os últimos 20 anos, a passagem da pequena e média agricultura para a agroindústria se fez com uma guerra. Se não fosse assim, não teria sido possível expropriar as terras de milhões de camponeses e fazer uma reforma agrária “às avessas”, na qual os latifundiários e paramilitares se apropriaram de seis milhões de hectares de terra. E tem gente que acha que os conflitos na Colômbia se resumem ao tráfico de drogas.

O surgimento das Companhias Militares Privadas (CMPs) nos EUA é a evidência de quanto a Guerra está atrelada aos lucros imediatos e permanentes de várias empresas que sobrevivem (ou vivem?) da manutenção de uma guerra ou da dominação militar em um determinado país.

Essas empresas fornecem vários tipos de serviços militares que o exército regular já não possui, por exemplo: a aplicação de armas sofisticadas (como aviões não tripulados, radares ou mísseis de navios americanos), na primeira onda de ataques ao Iraque, foi realizada por especialistas de empresas privadas. Entre outras coisas: distribuem a correspondência, cozinham ou lavam a roupa dos soldados, montam os acampamentos militares, as prisões. Praticamente todo o setor de transporte do exército americano é terceirizado.

No caso da prisão de Abu Ghraib, abafaram o julgamento de vários soldados americanos e ingleses. A verdade é que a prisão era administrada em todas as suas funções por duas empresas privadas: CACI e Titan.

Por serem funcionários civis (mercenários) e terem belos contratos com o Pentágono, esses “soldados” das CMPs quase não vão a julgamento, criando uma teia de imunização e impunidade. A maioria é contratada de países asiáticos e europeus, por serem locais de tradição mercenária e que têm trabalhadores com maior mobilidade.

Mas como fazer a Paz, se essas empresas militares (possuem ações na Bolsa de Valores e circulam cerca de 200 bilhões de dólares ao ano) sobrevivem por conta da Guerra? A lógica neoliberal, capitalista, liberal ou qualquer nome que queiram dar à ideologia americana impede qualquer processo pacifista e democrático. Essas são a democracia e a realidade que são exemplos? Esse é o modelo que tem que ser globalizado?

Prefiro continuar “depressivo”, a aceitar o inaceitável.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: O Brasil, a ONU e o mundo que não se quer

16/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

Creio que os leitores já sabem, mas nunca é demais lembrar que hoje o Brasil foi indicado para ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Ainda não é a tão sonhada vaga permanente, que alimenta os devaneios de Celso Amorim, mas um posto como membro transitório. Ainda assim, como é de se supor, o feito mereceu notável destaque na mídia nacional, que se apressou em comemorar mais um grandioso feito do Itamaraty petista, saudado por sua – como é mesmo? – “política externa ousada e soberana”.

O que eu acho? Bem, acho que Lula, Celso Amorim e os demais petistas estarão muito confortáveis em qualquer fórum promovido pelas tais Nações Unidas. Parafraseando Lula, digo que nunca antes na história do mundo um governo supostamente democrático emprestou tanto apoio a terroristas e ditadores dos mais abjetos. Lembram? Foi só Celso Amorim se aboletar no Itamaraty e pronto: imediatamente começou o discurso pedestre e terceiro-mundista da “autonomia dos países pobres”.

E com base nesse discurso o Brasil tratou de se render a convescotes com humanistas do calibre de Kadafi e Mugabe, só para citar dois. Em breve, o País vai receber, de braços abertos, o fascista Mahmoud Ahmadinejad, possivelmente um dos maiores perigos para o mundo livre e democrático. E tudo por quê? Ora, para esfregar a tal soberania na cara dos chamados “países ricos” – em especial os Estados Unidos.

Por isso, não dou a menor pelota para a posição que o Brasil ocupa na ONU. Só os inimigos da liberdade dão alguma bola para aquela super-ONG inútil e cara.

Em nome da confraternização e do entendimento entre os povos, a ONU aceita receber sob seu teto a escória do mundo. Como justificar, por exemplo, que o líder maior do fascismo islâmico possa discursar diante de um fórum supostamente democrático? “Ah, mas ele pode discursar justamente porque o lugar é democrático!”, dirão alguns. Besteira!

A democracia, em nome de sua pluralidade e de sua tolerância, não é obrigada a condescender com a canalha que pretende vê-la destruída. Lembro de um célebre julgado da Suprema Corte britânica: “Não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as prerrogativas que eles, em nome das suas, nos negariam.” É isso que falta ser assimilado pelo Ocidente, que insiste em aceitar a presença dos seus inimigos, em vez de derrotá-los. Por isso me é impossível levar a ONU a sério.

Como respeitar, por exemplo, um fórum onde o Congo é convidado a sentar na mesma mesa de democracias históricas como a americana e a britânica? Por que pincei o Congo como exemplo? Bem, pode ser que os leitores não conheçam a história congolesa, mas eu faço uma breve síntese: Aquele pobre país africano, como os leitores hão de supor, foi um dos tantos dominados pela tão demonizada colonização europeia. Ah, a malvada Europa… Como sabemos, os europeus oprimiram a África durante décadas, sempre impondo aos nativos a sua arte, sua cultura, suas escolas e sua medicina. Simplificando, pode-se dizer que o chamado “velho mundo” exerceu sua dominação sobre a pobre África por meio de Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino, Shakespeare e tantos outros. Trágico, não? Cruel, não? Antes não houvesse existido essa dominação, essa opressão desmedida. Mas o fato é que houve. E o mundo, tomado pelo discurso pacifista “woodstockiano”, começou a gritar pelo “fim da opressão”. A ONU, à época, era aquela que gritava mais alto e forte.

E eis que os povos nativos começaram suas lutas de libertação, embalados nos cantos humanistas da classe média ocidental, que desde sempre adorou uma passeata pela paz. E, então, o Congo se libertou do jugo europeu. Do dia para a noite não havia mais Descartes, Voltaire, nem Shakespeare. Não era mais preciso vestir as roupas deles, ir às escolas deles e aprender os costumes deles. Os nativos puderam, finalmente, viver segundo suas tradições, suas convicções e suas crenças. E então a tragédia começou.

Entre os anos de 1998 e 2002, mais de cinco milhões de congoleses morreram no mais sangrento conflito armado desde o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Mas se acabou a opressão do “primeiro mundo”, de onde veio a guerra?

Bem, das disputas étnicas que passaram a eclodir a partir do momento em que os nativos se viram sem as brisas da civilização… Convenhamos: quando se perde, de uma só vez, os referenciais de Voltaire, Hegel, Santo Tomás e outros, o norte moral também desaparece em um segundo. Quem poderia, pois, imaginar que de todos os supostos males que a Europa teria causado ao Congo, a saída do país pudesse ser o maior deles?

Exagero? Estou sendo muito imperialista no meu discurso? Me digam vocês, ao final. Mas saibam, antes, que os nativos – os libertadores do Congo – adotaram o estupro coletivo como arma de guerra. Naquele país esquecido, qualquer milícia “libertadora” tem o direito de estuprar. Os rebeldes estupram, os Hutus estupram, os Mai-Mai, alinhados ao governo, estupram e, não bastasse isso, as tropas do Exército oficial também estupram. São casos isolados? Não! Trata-se de uma prática tradicional. Uma arma de guerra. Ou, se preferirem, um aspecto da tal cultura local dos povos, tão defendida por um exército de ONGs cujas mulheres, suponho, jamais foram estupradas.

No Congo, Elise Mukumbila, uma anciã, foi estuprada pelos Mai-Mai em uma floresta durante meses, tudo porque, segundo as crenças locais, sodomizar uma mulher mais velha traria riqueza ao agressor. Já Valentine, de apenas doze anos, foi estuprada pelos “libertadores do Congo” porque, segundo outra crença, violar uma virgem traz a imortalidade. A menina, em decorrência dos ferimentos que experimentou, sofre perenemente as agruras de uma fístula nunca curada, que a impede até mesmo de controlar a urina.

É assim que os tais “povos tradicionais” promovem a liberdade das nações africanas. É assim que restauram sua “cultura” depois de encerrado o jugo europeu. Aliás, não promovem liberdade nenhuma. Afinal, já são mais de cinco milhões de mortos em vários anos de conflito pela autonomia. De forma objetiva, pode-se dizer que a Europa, oprimindo Congo, matava bem menos que os próprios congoleses ao buscarem sua libertação.

É essa canalha que a ONU abriga. É a essa gente simiesca, animalesca e primitiva que aquele fórum empresta voz e atenção. Por isso me é impossível levar a sério a ONU e qualquer um de seus braços institucionais. Por isso não dou a mínima para o Brasil ocupar, ou não, o Conselho de Segurança. Que diferença faria? Os congoleses continuariam lá. Ahmadinejad continuaria lá. O Sudão continuaria lá. E o mundo livre e democrático continuaria ameaçado por um fórum antiocidental, que só consegue existir graças aos recursos do… Ocidente!

Dizem que Lula está cotado para ser, em um futuro próximo, Secretário-Geral da ONU. Nada mais apropriado. O mundo politicamente correto e “pogreçista” adora o apedeuta e aquela inutilidade que as Nações Unidas representam. E Lula, está posto, nutre irremediável simpatia por qualquer tirania que se diga antiamericana. Ninguém melhor do que Lula, que usa os livros como sonífero, para chefiar uma organização capaz de defender que uma nação africana troque Descartes, Voltaire, Hegel, Santo Tomás de Aquino e Shakespeare por morte, terror, miséria e estupros.

Os Republicanos disseram, há coisa de poucos dias, que seria preciso jogar algumas bombas sobre as instalações nucleares do Irã e da Coreia do Norte. Concordo. Mas faço um adendo metafórico: seria melhor, antes, lançá-las sobre o órgão que permite a tais países filoterroristas o direito de manter um arsenal atômico. Assim, a ONU sairia um pouco de cena. O Ocidente ficaria muito mais seguro. E alguma pequena nação que ainda esteja sendo oprimida pela cultura, pela escola e pela medicina da Europa, não será obrigada a trocar tudo isso por estupros e morte.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Que saudades de Bush!

29/05/2009

kim jong-il

Por Yashá Gallazzi*

Calma aí, gente! Os mais afoitos – principalmente os obamófilos de primeira hora – não precisam se apressar em seus julgamentos. O título deste texto é apenas uma metáfora, destinada a emprestar um pouquinho de ênfase à crítica central que passo a fazer. E qual seria ela? Simples: a tal “era Obama”, tão esperada e cantada aos quatro ventos, já acabou! E mais: acabou antes mesmo de começar.

Depois dos últimos testes nucleares desenvolvidos pelo regime comunista da Coreia do Norte, ninguém mais duvida de que há um novo louco no mundo, pronto para levar a termo o desejo mais latente desse “orientalismo” que passou a inundar as mentes. Destruir o ocidente – e, por conseguinte, a civilização judaico-cristã – é, creiam, a própria razão de ser do anão ditador que atende pelo nome de Kim Jong-Il. E por que temos razão para temer as peripécias daquela miniatura de Pol-Pot? Porque ele não está sozinho em sua empreitada terrorista, contando com a simpatia e o apoio de gente como Osama Bin Laden e Mahmoud Ahmadinejad, além de organizações inteiras como o Hamas, o Hezbollah e a Al Qaeda.

E nós, pobres ocidentais capitalistas, belicistas, opressores e colonizadores? Quem temos para nos defender? Pois é… Eis aí o ponto central deste texto. A maior, mais respeitável e mais sólida democracia que a humanidade já conheceu está sendo governada por um Messias adepto desse novo pacifismo de fachada, desse humanismo de um lado só. Enfim, desse tal de “smart power”, que pretende igualar liberdade e ditadura, civilização e barbárie, patrocinando a ideia de que se pode dialogar eternamente com a gentalha que pretende nos varrer do mapa. Eu, que desde sempre “votei” em John McCain, sabia que o mundo seria menos seguro com Barack Obama. E essa certeza não se deve ao nome do meio do Cristo de Illinois, não! Trata-se de algo muito maior e mais profundo, que se revela na retórica enfadonha que Obama usa para descrever seu mundo ideal, onde não há bons e maus, mas apenas seres humanos. Pena que o anão comunista não pense como ele, não é?

Deixemos de lado as tergiversações inúteis. Vamos falar francamente: está mais do que claro que o regime de Kim Jong-Il não está desenvolvendo nenhum tipo de programa nuclear pacífico. Se fosse assim, os testes não seriam secretos, nem feitos por meio de mísseis capazes de atingir Seul, como fez questão de afirmar o demente. Não, caros. O regime da Coreia do Norte está, na verdade, testando até que ponto pode ir. Está querendo saber qual a elasticidade moral e militar da única força capaz de detê-lo: a democracia americana. E, convenhamos, Obama está se mostrando muito, mas muito leniente, com relação às provocações do tampinha atômico. Ou seria mais correto dizer que Obama está sendo “leniniente”? Hum…

Mas, afinal, por que mencionei a saudade de Bush? Ora, porque o famoso belicismo e a tão propalada truculência do demônio aposentado estavam sendo suficientes para manter Jong-Il quietinho… Afinal, nunca é bom mexer com cachorro bravo e Bush, sabemos, nunca exitou quando chamado a entrar em uma boa briga. “Então você defende a guerra e a violência como forma de solucionar os conflitos internacionais, como a doutrina unilateralista de Bush?”, perguntará o “pogreçista” obamófilo mais afoito. E para que não haja margem para dúvida eu respondo: Sim, é isso mesmo!

Vejam com que simplicidade lógica funciona a mente de quem tem como norte moral a democracia e o sistema de liberdades individuais: se os inimigos da nossa civilização ocidental pretendem nos destruir, é preciso que eles sejam contidos a qualquer preço. Mesmo que isso seja feito por meio das armas empunhadas por um exército democrático. Eu sei que em tempos “obâmicos”, onde o pacifismo é tão cantado pelo mundo, fica difícil aceitar algo assim, mas dizer mais o quê? Vamos acreditar que é possível dialogar com o anão? Eu pergunto: qual a pauta dele? O que ele exige para deixar de lado a ideia recorrente de explodir o ocidente? Será, enfim, realmente possível uma solução pacífica e negociada para a questão? Ou a Coreia do Norte já deixou suficientemente claro que sua birra conosco é de ordem moral e ideológica?

O que a história do mundo nos ensinou? É impossível negociar com todo e qualquer tipo de fascismo! Quando as soluções diplomáticas e pacíficas deram resultado? Nunca! Da última vez em que o ocidente democrático tentou sentar para negociar a paz com os nossos inimigos totalitários, o resultado foi Hitler e a segunda grande guerra mundial. Aliás, essa retórica paciente, paternalista e pacifista de Obama me cheira muito a Neville Chamberlain… O problema, é que não há um Sir Winston Churchill para nos salvar da desonra. Bush seria apenas uma garantia militar, uma espécie de certeza que o ocidente poderia impor ao louco comunista de que seus blefes não ficariam sem resposta. Em tal cenário, estaríamos mais seguros do ponto de vista militar, mas a moral sobre a qual se erigiu a civilização ocidental, que nos faz eticamente superiores a toda a canalha que pretende nos destruir, continuaria órfã de quem a defendesse. Que falta faz um Churchill nestes tempos sombrios.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Imagem: Sponholz