Informa o Estadão:
“Nomeado pela Executiva Nacional do DEM, o senador Marco Maciel (PE) vai comandar o diretório regional do partido em Brasília até que um novo seja eleito. Por pressão da direção da legenda, o deputado Osório Adriano, que presidia interinamente o partido, tomou uma decisão drástica: decretou a autodissolução do diretório.
Desde o início do escândalo do mensalão no governo de José Roberto Arruda, o DEM tem sofrido um sério desgaste político. Principalmente porque o escândalo passou a ser conhecido por ‘mensalão do DEM’ – levando, assim, a legenda a se igualar ao PT e ao PSDB, citados em esquemas similares.
Para provocar o PT e dizer que não aceita a convivência com envolvidos em escândalos, a direção do DEM decidiu expulsar o então governador Arruda, que se antecipou e deixou o partido. Em seguida, os dirigentes atacaram o deputado Leonardo Prudente, então presidente da Câmara Legislativa. Ele deixou o partido e, em seguida, renunciou à presidência da Câmara.
Com a prisão de Arruda, assumiu o vice Paulo Octávio, até então presidente do DEM local. Pressionado, ele se afastou do cargo, deixando a direção partidária para Adriano.
Mesmo assim, o partido não se contentou. Pressionou-o a sair da legenda. Anteontem, Paulo Octávio renunciou ao DEM e ao governo do DF. Alegou, na carta-renúncia, que uma das causas foi o fato de não contar com o apoio de seu próprio partido.
Com a dissolução do diretório regional, a Executiva Nacional espera reduzir o desgaste que a legenda sofreu nos últimos meses. ‘A autodissolução teve o objetivo de evitar novos traumas à legenda. Achei menos traumático entregar o pedido’, disse Adriano.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), reforçou que todos os filiados ao partido terão de deixar os cargos que têm no governo do DF. ‘Quem não seguir essa diretriz pode ser advertido, suspenso ou expulso’, avisou.”
É preciso concordar com o que têm dito diversos analistas políticos: Pode-se dizer que o Democratas sofre com os mesmos desvios de conduta que macularam outros partidos, como PT e PSDB, mas não se pode dizer que a legenda age de forma conivente.
A sigla age de forma diferente da que agiram PT e PSDB em seus casos. Corta na carne. Não passa a mão na cabeça, não respalda o irrespaldável.
O tempo do verbo é o fundamental a ser analisado: PT e PSDB têm em seus quadros pessoas envolvidas em escândalos e denúncias. O Democratas teve.
Pressionou-os a sair. Se não saíssem, seriam expulsos.
Com certeza é verdade que o partido age rápido para tentar reduzir o desgaste que sofre. Mas esse interesse não é ilegítimo. Quem dera o PT tivesse enxotado mensaleiros para fora do partido com medo do desgaste político.
Em resumo, o Democratas não deveria ter tido nunca em seus quadros pessoas como Arruda. Mas, pelo menos, não temeu suas ameaças e demonstrou descontentamento com suas atividades ilícitas.
Os outros partidos nem isso fizeram.
Prova disso tudo é a nomeação de Marco Maciel como interventor no DEM-DF. É uma boa escolha, um bom nome.
Maciel assume o papel para organizar e moralizar.
Interventores do PT, por exemplo, sempre foram nomeados visando manipular e controlar os quadros regionais.
Enfim, o Democratas não é perfeito e a história político-partidária brasileira o infringe cicatrizes, mas a repulsa com relação aos quadros que agora são descobertos como imorais é elogiável.
Poderá alguém dizer que talvez essa imoralidade fosse conhecida antes. Sim, talvez.
Mas os outros partidos não se manifestaram contra seus quadros imorais nem quando a imoralidade deles se tornou notória.










