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Coluna do dia: Hora do ocidente civilizado atirar pedras no Irã. Antes que seja tarde…

13/08/2010

Por Yashá Gallazzi*

Quem me lê há mais tempo sabe que não sou nem um pouco imperialista. Assim, nadica de nada mesmo. Já até escrevi aqui, no passado, que no meu mundo ideal nem as Grandes Navegações teriam existido: a europa seria apenas europa; a rica cultura oriental ficaria preservada para os… orientais; e os nativos do Brasil estariam até hoje batendo os pés no chão para trazer os mortos de volta à vida.

Mas não foi assim que as coisas aconteceram… A expansão marítima aconteceu, e os gananciosos europeus vieram até este país tropical abençoado por Deus, trazendo em sua bagagem um pouco de civilização, um tantinho de cristianismo e coisas indispensáveis para o progresso humano, como o vaso sanitário e os antibióticos. E eis que nos vemos obrigados, assim, a discutir o imperialismo daquilo que se convencionou chamar de “primeiro mundo”.

Certa vez, questionado sobre o imperialismo britânico, Churchill disse: “não há mal que nos acusam de fazer aos nativos, que não possa ser amplamente superado pelos próprios nativos, depois da nossa saída.” E o velho Winston estava certo, como sempre. Basta ver o fiasco que se tornara Congo e Argélia, só para citar dois casos.

Em oposição àqueles dois países africanos acima mencionados, podemos citar o caso da África do Sul, conduzida brilhantemente por Nelson Mandela à democracia depois de décadas de opressão estrangeira. Qual foi a genialidade de Mandela? Compreender que era preciso pegar a “democracia branca” criada pelos colonizadores, e ampliá-la, tornando-a uma democracia plena. Por que escolher voltar a guerras tribais, se é possível viver num regime de liberdades individuais? Por que, em outras palavras, desistir do chá britânico, se ele é um hábito tão agradável? Só porque foi criado pelo colonizador? Besteira! Aquilo que engrandece deve sempre ser aproveitado, principalmente quando nos ajuda a evoluir do ponto de vista da civilização humana.

Da mesma forma, tudo o que ameaça dos valores básicos da sociedade civilizada deve, sim, ser combatido. Sempre! Uma ameaça a um indivíduo é uma ameaça a todos os indivíduos, não importa em qual lugar do planeta ela ocorra.

É por isso que o mundo ocidental não pode aceitar a execução de Sakineh, a iraniana acusada de trair o marido com dois homens – depois da morte daquele! Uma republiqueta fascistóide do outro lado do mundo quer apedrejá-la em praça pública até a morte? Ora, isso não pode ser permitido! Não? Não! Pouco importa que seja uma lei local, ou ainda um dogma da fé deles. É algo que atenta contra os valores mais que permitem à humanidade agir como… humanidade! É por isso que não pode ser tolerado sob nenhuma hipótese.

Aceitar que o Irã pode lapidar suas mulheres em nome de “valores próprios”, em respeito ao que se convencionou chamar de “autodeterminação dos povos”, é condescender com o horror em seu estado puro. É concordar com a submissão do indivíduo ao regime, atirando as liberdades e garantias básicas daquele na lata de lixo da história. Note-se bem: não estamos questionando um país que nega a um condenado a possibilidade de recorrer de sua condenação – o que já seria absurdo. Estamos falando de uma sentença inapelável que condena uma mulher a morrer apedrejada. Qualquer contorcionismo verbal que relativize isso está advogando em favor do primitivismo mais selvagem e animalesco, contra o qual a civilização vem lutando desde seu nascimento.

Desta feita, já que as Grandes Navegações existiram, que o colonialismo aconteceu que que o imperialismo é uma realidade, torço para que o ocidente saiba se valer dele da melhor forma possível: obrigando o Irã a parar com essa atrocidade! E se for preciso, que  atirem umas belas bombas civilizatórias na cabeça de Ahmadinejad e companhia, afinal duvido muito que seja possível dialogar de forma polida com gente que considera normal matar mulheres a pedradas.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi

Coluna do dia: Geopolítica – Nada de novo no Front Oriental

03/11/2009

Por Raphael Machado Silva*

Como já era de se esperar, o colaboracionista afegão Hamid Karzai permanecerá Presidente do Afeganistão. Seu rival, Abdullah Abdullah, subitamente desistiu do segundo turno, citando certas práticas da comissão eleitoral como causa.

Contudo, a verdadeira razão demorará a surgir, se o fizer. Questionar a “legitimidade democrática” do governo Karzai é inútil. O Afeganistão é um país invadido e ocupado por uma força hostil, portanto, não há que se falar, ou mesmo que se preocupar, com tais fatores quando quem permanecerá definindo diretrizes e objetivos será a força de ocupação.

Venceu aquele que melhor se adequava à estratégia dos invasores. Poderíamos ter sido poupados de tanto teatro, simplesmente, com uma declaração direta de que Karzai permaneceria no cargo e com poderes extraordinários, até a vitória “aliada” na Guerra.

O problema é que, teoricamente, a Guerra do Afeganistão já foi vencida. Pelo menos foi isso que o Presidente americano pretérito, George W. Bush anunciou publicamente. É o tal “Mission Accomplished”.

Agora os EUA estão experimentando uma nova estratégia. Tropas americanas estão se afastando das fronteiras do Afeganistão com o Paquistão, ao mesmo tempo em que o exército paquistanês está engajado em um grande ataque contra o Talibã, na região Noroeste do país. A esperança americana é poder vencer a guerra usando os recursos humanos paquistaneses, dessa forma evitando ter de enviar ainda mais tropas, como se tem cogitado, e evitando o desgaste político e diplomático do Presidente-Messias Obama.

Assim, o Messias da Paz, que trava atualmente duas guerras e ameaça um terceiro país, conseguiu colocar mais uma nação em absoluto estado de guerra, causando no Paquistão caos generalizado, inúmeros atentados, o recrudescimento das insurgências tribais e o aumento do sentimento antiocidental entre os nativos. Os recentes conflitos no Paquistão, em várias de suas fronteiras, levaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas casas para fugir dos bombardeios e explosões.

Para realizar esse trabalho sujo, os EUA sabem quem “convocar”. Como sempre, os EUA colocaram um governo-marionete na liderança de um país, para que o mesmo massacre a própria população. Como na maioria dos países muçulmanos em que os EUA conseguiram isso, a população civil é radicalmente a favor do “inimigo”. Sim, os paquistaneses, em geral, vêem os Talibãs como amigos e os americanos como inimigos.

Em verdade, a situação local é cada vez mais clara. O governo americano nem ao menos se digna a pedir permissão ao governo paquistanês para realizar bombardeios em seu território. Seria burocracia inútil. Já é o bastante que Islamabad seja avisada dos bombardeios logo após os mesmos.

E se surgirem problemas na região? Apenas o governo local sofrerá as consequências, pensam os estrategistas americanos. Se de início, o Paquistão tinha apenas que lidar com o Talibã (além de cuidar da Caxemira, na fronteira com a Índia), agora o exército paquistanês enfrenta rebeldes da etnia Pashtun, rebeldes na província de Punjab e na província do Waziristão, além de crescentes atentados terroristas contra representantes do governo. A maioria desses conflitos teve início apenas nos últimos anos e estão relacionados ao intervencionismo americano na região.

Mas se essa estratégia não se desenvolver como planejado, e me parece que ela é fraca demais, e o atual governo pró-americano do Paquistão for derrubado, sendo em seu lugar instaurado mais um governo islâmico antiocidental? Como isso não afetaria as guerras no Afeganistão e no Iraque?

A estratégia americana na região parece cada vez mais desesperada. Resultado claro de uma sequência de presidentes estrategicamente incompetentes, com o pior de todos sendo o pretenso Messias da Paz, Obama, o qual está cercado por loucos, como Hillary Clinton, que afimou estar preparada para “obliterar” o Irã.

Lá vão o Messias e seu bando, sendo adulados pelas massas acéfalas, enquanto distribuem morte e destruição em vários países do mundo. Se com isso os mesmos ao menos conseguissem realizar os objetivos estratégicos nacionais, eu até poderia relevar algumas questões.

Ao contrário, agem como crianças que havendo achado os brinquedos do irmão mais velho, mas sendo novos demais para saber usá-los, quebram tudo e no fim, fingem inocência, atribuindo a um terceiro, todas as suas culpas.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Coluna do dia: O Taliban

10/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

taliban

Em mais de uma ocasião acabei provocando alguma polêmica ao defender de forma veemente a civilização ocidental e seus valores, notadamente a democracia e o sistema de liberdades individuais. No mais das vezes, as discordâncias giram em torno da suposta intolerância que me caracterizaria ao falar dos que considero inimigos da nossa civilização e, se querem saber, acho que meus críticos estão mesmo cobertos de razão. Eu realmente não tolero os valores que se mostram antagônicos aos nossos, porque – e aqui levanto mais uma polêmica – o Ocidente é moralmente superior aos seus algozes. Simplificando, posso dizer sem medo de errar: ou lutamos pela hegemonia dos nossos valores, ou teremos a barbárie. E ao longo deste texto explicarei o porquê disso.

Li na Folha de São Paulo que o grupo terrorista Taliban, não satisfeito em promover aquilo que – se me permitem – passo a chamar de “terrorismo convencional”, explodindo inocentes em nome do propósito supostamente divino de destruir os infiéis ocidentais, decidiu descer ainda mais baixo, a ponto de chegar às portas do inferno, adentrar o reino de Lúcifer e, uma vez ali, assumir o lugar de Hasmodeu. O que houve, afinal? Segundo o que foi noticiado no jornal paulista, os fascinorosos terroristas estão comprando crianças – algumas de onze anos apenas! – para usá-las como instrumento de sua guerra teratológica. Explico melhor: pagando em média seis mil dólares por cada infante, a canalha adquire carne fresca para sacrificar em nome de sua “causa” sociopata. As crianças que, envoltas em bombas, explodem a fim de matar os cães do ocidente, não passam de mercadoria, pertences aos Taliban.

Eu, que sempre cultivei os mesmos valores éticos e morais aborrecidamente imutáveis, não preciso de mais argumentos para ter certeza do óbvio: somos moralmente superiores a essa gente torpe! E por uma razão bem simples: aqui, no ocidente, a regra geral é proteger e amar as crianças, garantindo-lhes a vida, o mais basilar de todos os direitos individuais. Por mais mazelas sociais que ainda enfrentemos, por mais injustiças que sejam cometidas diariamente contra nossas crianças, violadas e escravizadas, ninguém pode nos acusar de não alimentar os princípios e os valores certos e humanamente melhores. Pode parecer pouco, mas é o fundamental, afinal, os homens – que subvertem a ordem e a legalidade – passam, ao passo que os valores permanecem, simbolizando um inteiro povo.

Não há maneira de tergiversar. Aqui, o nosso norte moral nos impõe o dever de proteger nosso futuro, representado por aqueles que darão sequência à obra por nós iniciada. Não há nenhuma causa ou objetivo capaz de nos levar a sacrificar nossas próprias crianças. Já no Oriente, refém do fascismo islâmico, a causa principal que os move é a destruição da besta ocidental e, para tanto, se pode lançar mão de qualquer recurso, por mais espúrio que seja. Já não era segredo que o terrorismo encontra muita desenvoltura para assassinar inocentes – inclusive crianças – do “lado de cá”, afinal, eles não fazem distinção: somos todos infiéis. A novidade agora é perceber que eles também não hesitam em sacrificar seus próprios inocentes. Suas crianças. Seus filhos. Essa gente representa o mal absoluto e precisa, sim, ser detida. É imperativo que o Ocidente imponha, de fato, a supremacia dos seus valores, para escorraçar os bárbaros que tentam buscar a hegemonia no mundo.

Está evidente que me refiro à necessidade de se combater e vencer a chamada guerra contra o terror. Impedir que a escória do mundo continue sacrificando crianças inocentes em nome de uma “guerra santa” é um verdadeiro imperativo moral para nossa civilização. E para quem ainda não acredita em superioridade de uma cultura sobre outra, proponho um exercício revelador: Lembram de George Bush, o ex-Satã de todo o mundo progressista, humanista e pacifista? Pois bem, o Republicano, tão reacionário, tão conservador e tão belicista, não arregimentou uma única criança para mandar ao Afeganistão e ao Iraque, lutar pelos Estados Unidos e pelo Ocidente. Isso porque aqui nós escolhemos proteger nossas crianças, não assassiná-las. Se algo assim não for suficiente para demonstrar o quanto a nossa escala de valores é superior às demais, espero que alguém me diga o que seria.

Custa-me, por exemplo, entender a abjeta condescendência que alguns ocidentais insistem em nutrir para com os seus algozes, os islamofascistas. Basta lembrar que, quando da ação americana no Afeganistão, os pacifistas de um lado só se apressaram em condenar Bush, denunciando sua – como era mesmo? – “política imperialista” e advogando em favor da tal “autodeterminação” dos povos, que garantiria a qualquer grupo o direito de ter seus próprios imperativos éticos e morais. O ponto é que, nestes tempos sombrios de inversão dos valores mais basilares da civilização, essa tal “autodeterminação” deve ser entendida como o direito que cada povo tem de amarrar bombas às suas crianças, usando-as como armas de guerra. Isso, caros, não pode – e não deve – ser aceito por nós, ocidentais.

Cruzar os braços diante de horrores como os perpetrados pelos Taliban é permitir que os portais do inferno sejam escancarados e que os demônios ditem as regras destinadas a reger nossas vidas. Assistir de forma passiva às atrocidades que o fascismo islâmico pratica, em nome de sua cultura e de sua moral, é concordar com o fato de que a nossa moral já capitulou e nada mais pode. Isso é falso! Urge resistir e prosseguir no único caminho possível quando o assunto é o combate ao terrorismo: caçar o inimigo, encontrar o inimigo e matar o inimigo. Devemos destruí-los não apenas para garantir o futuro de nossas crianças, mas para permitir que as deles também possam viver para, ao menos, sonhar com um. Hoje, sabemos, elas têm a vida ceifada pelos fascínoras que lhes impõem a obrigação de carregar bombas presas ao corpo.

Lembro-me de Sir Winston Churchill, um dos grandes baluartes da defesa do mundo ocidental. Criticado pelo imperialismo das potências europeias, o britânico dizia: “não há mal que o Império Britânico supostamente tenha feito aos colonos, que não possa ser, em muito, superado pelo mal que os próprios colonos praticam uns contra os outros.” E isso vem resumir com especial grandiloquência o argumento central articulado ao longo deste texto. Ou temos a hegemonia dos nossos valores éticos e morais, ou só restará a barbárie.

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento