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Artigo: Disputa por espaço – Merval Pereira

31/08/2010

Reproduzo aqui no Perspectiva artigo longo – mas que vale a pena ser lido – de Merval Pereira, colunista de O GLOBO. Ele aponta com competência a provável correlação de forças político-partidárias que teremos no País a partir de 1° de janeiro de 2011:

Disputa por espaço

Merval Pereira*

O presidente Lula está utilizando sua força eleitoral para transferir aos estados a mesma expectativa de poder que conseguiu no plano nacional, no qual, antes mesmo de sua candidata oficial aparecer na frente das pesquisas, já havia uma percepção generalizada entre os eleitores de que ela acabaria sendo a vencedora.

A estratégia eleitoral do presidente Lula, que vem sendo vitoriosa em relação à campanha presidencial — com sua candidata se colocando com folga à frente do candidato oposicionista —, se desdobra agora na fase regional, onde o objetivo não é fazer a maioria dos governadores, mas, sim, garantir uma maioria sólida no Senado.

Um senador vale por três governadores, avisava bem antes da reta final da eleição o próprio Lula, justificando ter aberto mão de disputar muitos governos estaduais em favor de aliados em melhores condições.

Até o momento, no entanto, as pesquisas indicam que, além de mais governadores, a oposição e os independentes dos partidos aliados estão conseguindo manter um equilíbrio de forças dentro do Senado.

O PSDB hoje aparece com possibilidade de eleger nada menos que dez governadores, sendo que está na liderança das pesquisas do Ibope nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo, com Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, com Antonio Anastasia.

Pode vencer ainda em Goiás, com Marconi Perillo; no Paraná, com Beto Richa; no Piauí, com Sílvio Mendes; em Rondônia, com Expedito Júnior.

Além disso, tem boas chances no Amapá, com Jorge Amanajás; no Mato Grosso, com Wilson Santos; em Roraima, com José Anchieta Júnior; e em Tocantins, com Siqueira Campos.

O DEM lidera no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e tem chance de vencer em Santa Catarina, com Raimundo Colombo, e em Sergipe, com João Alves. No Distrito Federal, por enquanto, a liderança está com Joaquim Roriz, do PSC.

No Senado, das 27 cadeiras que estão fora da disputa, por seus detentores terem mais quatro anos de mandato, nada menos que 14 são de oposicionistas ou de independentes: Marconi Perillo (Goiás) — que pode se eleger governador e colocará seu suplente Ciro Miranda Junior, também do PSDB —; Elizeu Rezende (DEM); Marisa Serrano (PSDB); Jaime Campos (DEM); Mario Couto (PSDB); Cícero Lucena (PSDB); Jarbas Vasconcellos (PMDB); Álvaro Dias (PSDB); Francisco Dornelles (PP) — que terá seu caráter independente reforçado pela chegada ao Senado de Aécio Neves; Rosalba Ciarlini, do DEM — que deve ser eleita governadora do Rio Grande do Norte e colocará em seu lugar o pai do senador Garibaldi Alves ou Ivonete Alves da Silva; Mozarildo Cavalcanti (PTB); Pedro Simon (PMDB); Raimundo Colombo (DEM) — que pode ser eleito governador de Santa Catarina e colocará em seu lugar o suplente Casildo Maldaner, do PMDB independente; Maria do Carmo Alves (PSDB); Katia Abreu (DEM).

Na nova safra de senadores a serem eleitos este ano, são os seguintes os senadores da oposição ou independentes que podem se eleger: Heloisa Helena (PSOL); Arthur Virgílio (PSDB) — que disputa a segunda vaga com Vanessa Grazziotin, do PCdoB —; Cesar Borges (PR); Tasso Jereissati (PSDB); Cristovam Buarque (PDT); Maria Abadia (PSDB) — que disputa a segunda vaga do Distrito Federal com Rodrigo Rollemberg, do PSB —; Demóstenes Torres (DEM); Lucia Vania (PSDB); Aécio Neves (PSDB); Itamar Franco (PPS); Valéria Pires (DEM); Antero Paes e Barros (PSDB).

Outros prováveis futuros senadores são Cassio Cunha Lima (PSDB da Paraíba; é o favorito, mas luta no Supremo para não ser considerado “ficha-suja”), Efraim de Moraes (DEM) — que disputa uma vaga com Vital do Rego Filho, do PMDB —; Marco Maciel (DEM) — que disputa a vaga com Armando Monteiro Filho, do PTB —; Mão Santa (PSC); Cesar Maia (DEM); José Agripino Maia (DEM); Ivo Cassol (PP); Ana Amélia Lemos (PP); Germano Rigotto (PMDB); Luiz Henrique (PMDB); Albano Franco (PSDB); e Orestes Quércia (PMDB) — que disputa uma vaga com Netinho, do PCdoB.

Como se vê, o equilíbrio real de forças no Senado continuará sendo grande, com uma pequena vantagem governista, que não garante a aprovação de questões polêmicas, e, muito menos, mudanças constitucionais que exigem quórum de 3/5 dos senadores.

Ao mesmo tempo, a presumível força eleitoral com que o PMDB sairá das urnas — deve eleger a maior bancada da Câmara e do Senado e grande número de governadores — está fazendo com que tanto governo quanto oposição comecem a negociar alianças para neutralizá-lo.

O PMDB pode eleger até nove governadores, sendo que dois deles — André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul — são independentes e não estão envolvidos na campanha de Dilma Rousseff.

O partido deve eleger ainda Roseana Sarney no Maranhão, Sinval Barbosa no Mato Grosso, José Maranhão na Paraíba, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e Carlos Gaguim em Tocantins.

E tem chances também em Minas Gerais, com Hélio Costa, e em Rondônia, com Confúcio Moura.

Esse poder todo está movimentando não apenas a base petista, que sabe que vai ter que dividir realmente o poder, inclusive a distribuição de cargos, com o PMDB, mas também a base governista mais ampla, que teme que não sobrará espaço para mais ninguém com a disputa entre PT e PMDB.

O PSB, que deve eleger pelo menos três governadores — Cid Gomes no Ceará, Eduardo Campos em Pernambuco e Renato Casagrande no Espírito Santo —, é o mais preocupado em ganhar espaço para negociar e já propõe uma união entre PT, PSDB e PSB para se contrapor ao PMDB.

O ex-governador Aécio Neves — que terá sua liderança reforçada se conseguir eleger seu candidato Antonio Anastasia — prevê que a polarização com o PT continuará, e pretende fazer uma aliança do PSDB com PDT, PSB, PPS, DEM e mais PP, PTB e parte do PMDB, para disputar com o PMDB oficial e o PT o comando do Senado.

Pode ser que uma onda governista altere esse quadro, mas até o momento isso não aconteceu.

Datafolha: Resultado das últimas pesquisas para o Senado

18/08/2010

Saíram os resultados da pesquisa Datafolha sobre a disputa  ao Senado em alguns Estados.

Vamos aos números:

Rio de Janeiro

Marcelo Crivella (PRB) – 40%

Cesar Maia (DEM) – 33%

Lindberg (PT) – 22%

Jorge Picciani (PMDB) – 14%

Marcelo Serqueira (PPS) – 6%

Waguinho (PTdoB) – 6%

São Paulo

Marta Suplicy (PT) – 32%

Orestes Quércia (PMDB) – 25%

Romeu Tuma (PTB) – 23%

Netinho de Paula (PCdoB) – 17%

Ciro Moura (PTC) – 15%

Minas Gerais

Aécio Neves (PSDB) – 68%

Itamar Franco (PPS) – 47%

Fernando Pimentel (PT) – 20%

Paraná

Roberto Requião (PMDB) – 49%

Gleisi Hoffman (PT) – 31%

Roberto Barros (PP) – 15%

Gustavo Fruet (PSDB) – 13%

Rio Grande do Sul

Germano Rigotto (PMDB) – 43%

Ana Amélia (PP) – 35%

Paulo Paim (PT) – 35%

Pernambuco

Humberto Costa (PT) – 40%

Marco Maciel (DEM) – 35%

Armando Monteiro (PTB) – 25%

Raul Jungmann (PPS) – 12%

Distrito Federal

Cristovam Buarque (PDT) – 44%

Rodrigo Rollemberg (PSB) – 30%

Maria de Lourdes Abadia (PSDB) – 29%

Alberto Fraga (DEM) – 11%

Análise: Tuma, Tuma Júnior e as curiosidades da política brasileira

08/05/2010

As principais chapas que concorrerão nas eleições estaduais paulistas estão sendo fechadas.

Romeu Tuma, político de longa data e com considerável cacife, estava tendo dificuldades para se encaixar em uma delas.

Do lado governista, Aloizio Mercadante concorrerá ao governo acompanhado por Marta Suplicy e Netinho de Paula ou Gabriel Chalita tentando o Senado.

Já do lado oposicionista, Geraldo Alckmin tentará manter o PSDB no poder regional acompanhado por Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia tentando a Casa Alta do Congresso Nacional.

Conclui-se que Tuma se viu sem espaço.

Contudo, seu peso político existe, até porque está tentando a reeleição, ou seja, por mais que esteja sem vaga nas chapas principais, é um adversário complicado de derrotar.

Eis que Tuma começou a flertar com candidatos que possuem menores chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes: Paulo Skaf e Celso Russomano.

É neste momento que tomam as páginas dos jornais algumas informações sobre uma investigação da Polícia Federal que aponta suposto envolvimento do filho de Tuma, Romeu Tuma Júnior, com uma máfia de pirataria e contrabando.

Não demorou muito para o efeito colateral surgir: Tuma, o pai, está tendo dificuldades para conseguir espaço em qualquer chapa após a eclosão do escândalo envolvendo o filho.

Resumindo, Tuma se viu colocado de lado pelos grupos majoritários e começou a buscar espaço junto aos candidatos menores para poder fazer frente aos candidatos ao Senado das principais chapas.

Neste exato momento, notícias negativas envolvendo seu filho encheram as páginas dos jornais, sendo elas frutos de uma investigação que já corre há tempos e que durante todo esse período era desconhecida pelo grande público.

Curioso.

Haja verdade nas acusações ou não, o fato é que o momento foi perfeito para alguns.

Parece até proposital.

Chapa tucana em São Paulo está formada: Alckmin e Afif para o governo, Quércia e Aloysio para o Senado

03/05/2010

Está confirmada a chapa da aliança PSDB-DEM-PMDB em São Paulo. Trata-se, na realidade, daquilo que quase todos já esperavam:

Geraldo Alckmin (PSDB) concorrerá ao governo, tentando o seu terceiro mandato no total. Guilherme Afif Domingos (DEM) o acompanha na chapa como Vice.

Para as duas vagas no Senado, a aliança lançará o ex-Governador Orestes Quércia (PMDB) e o ex-Secretário Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

José Aníbal, líder do PSDB na Câmara dos Deputados, abriu mão da pré-candidatura ao Senado, o que pavimentou o caminho para Aloysio.

Resta saber onde o PTB e seu forte pré-candidato ao Senado, Romeu Tuma, entram nessa história.

Se não forem acomodados de alguma forma, o PTB pode procurar o PP e gerar a aliança entre os nomes de Celso Russomano para o governo e Tuma para o Senado.

Russomano não tem chances de vitória, até porque nenhum outro tem a não ser Alckmin, que só perde esta eleição se ocorrer uma catástrofe.

Mas Tuma é mais forte que Aloysio Nunes Ferreira e deve estar contrariado com o desprestígio.

Análise Geral da Sucessão Paulista: PSDB e DEM acertam chapa com Alckmin e Afif – PT vai de Mercadante

25/03/2010


O período de campanha eleitoral vai se aproximando e o cenário sucessório paulista vai se definindo: PSDB e Democratas vão de Geraldo Alckmin e Afif Domingos e o PT vai de Aloizio Mercadante – e não de Ciro Gomes – faltando ainda definir se o PDT ou o PR indicará o Vice da chapa governista.

Já era nítido há algum tempo que Aloysio Nunes Ferreira – preferido pelo Governador José Serra – não conseguiria tomar a indicação tucana ao Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin. Por mais que Aloysio fosse e seja mais bem visto por Serra, Alckmin era e é mais bem visto pelo povo paulista.

Definido o nome de Alckmin, faltava o Vice. Natural que venha do Democratas, parceiro prioritário do PSDB, principalmente em São Paulo. Natural também que seja Afif, segundo nome de mais peso do Democratas paulista, atrás apenas do Prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Alckmin e Afif, que são secretários do governo Serra, devem deixar os cargos em breve para poderem concorrer em outubro, assim como fará o próprio Governador, que passa o cargo para Alberto Goldman, seu Vice, para poder concorrer ao Planalto.

Caberá a Alckmin, também, retribuir a gentileza de Aloysio Nunes Ferreira, que retirou seu nome da corrida estadual em favor dele a pedido de Serra. O ex-Governador que pleiteia retornar ao cargo terá que demover José Aníbal,  líder do PSDB na Câmara dos Deputados, de disputar prévias com Aloysio.

Fica pendente a resolução do problema da acomodação do PTB, que quer lançar ao Senado o já Senador Romeu Tuma. Sendo uma vaga na chapa de Aloysio e estando a outra já prometida a Orestes Quércia em troca do apoio do PMDB à chapa, não sobrará espaço para Tuma. Nessa questão ainda passará muita água por baixo da ponte.

Do lado governista, Ciro Gomes tanto falou mal do PT e, principalmente, da aliança deste com o PMDB que inviabilizou de vez sua candidatura. Fez de propósito. Sabe que sua candidatura em São Paulo seria absurdamente artificial.

Restou ao governo buscar uma alternativa dentro do PT. Aloizio Mercadante, que viria candidato à reeleição no Senado, surgiu como nome provável. Agora, já é dado como certo, abrindo espaço para a candidatura da ex-Prefeita Marta Suplicy ao Senado. Emidio de Souza, Prefeito de Osasco e pré-candidato petista ao governo, já desistiu em favor de Mercadante.

Mercadante provavelmente terá PDT, PR, PC do B, PSL e PRB em sua coligação. O Vice deve sair de um dos dois primeiros. A não ser que o governo consiga convencer o PSB a não lançar o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, como candidato ao governo de São Paulo. Nesse caso, o próprio Skaf pode ser o Vice de Mercadante, em uma frente ampla formada por partidos que a nível federal formam a base do governo.

De certa forma, os esforços do lado governista provavelmente só servirão para fazer bonito e para tentar conquistar as vagas do Senado. Além de Marta Suplicy, será lançado pela coligação outro nome, que pode ser o do cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) ou o de Gabriel Chalita (PSB).

A disputa pelo governo em si já parece resolvida.

Geraldo Alckmin tem tudo para levar mais uma vez o governo do São Paulo e sua vitória parece uma das apostas mais seguras para as eleições deste ano.

Se não for Ciro o candidato governista em São Paulo, Lula prefere Mercadante

01/02/2010

Informa o jornalista Josias de Souza, a respeito do fato de o Presidente Lula preferir o nome do Senador Aloizio Mercadante para ser o representante governista na disputa pelo governo de São Paulo, caso Ciro Gomes não aceite sê-lo ou tenha uma menos provável má recepção do PT paulista:

“Informado pela direção do PSB de que Ciro Gomes não quer disputar o governo de São Paulo, Lula começa a virar a página. O presidente discute, em privado, alternativas a Ciro. Entre todos os nomes disponíveis, Lula pende para o de Aloizio Mercadante.

Líder do PT no Senado, Mercadante declara, em público e entre quatro paredes, que prefere concorrer à reeleição. Natural. Trocando a refrega pelo Senado pela briga estadual, Mercadante largaria o quase certo e se agarraria ao muito duvidoso.

No ringue do Senado, Mercadante está bem-posto. Sondagem do Datafolha divulgada no final do ano passado acomodou-o na liderança. O instituto atribuiu ao líder petista 32% dos votos. Atrás dele vem Romeu Tuma (PTB), com 27%; e Orestes Quércia (PMDB), com 24%.

Na corrida estadual, Mercadante teria de encarar Geraldo Alckmin. O postulante do PSDB frequenta as pesquisas com ares de favorito. Dependendo do cenário, Alckmin belisca índices de intenção de voto próximos ou superiores 50%. Até por essa razão, Lula acha que o PT precisa comparecer às urnas com um quadro do seu primeiro escalão.

Apenas dois nomes se enquadram nesse perfil: além do de Mercadante, o da ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy. Lula diz preferir o primeiro. O presidente repete privadamente um raciocínio que esgrimira em conversa com repórteres no final de 2009. Acha que o petismo comete, em São Paulo, o ‘grave erro de não repetir candidato’. Atribui a esse suposto equívoco a hegemonia do tucanato no Estado.

Em 2006, Mercadante disputou o governo paulista. Ficou em segundo. Obteve coisa de 32% dos votos. Com 58%, o tucano José Serra prevaleceu no primeiro turno. A presidenciável Dilma Rousseff está, por assim dizer, a pé em São Paulo. Daí a inquietação de Lula.

Por razões óbvias, o presidente considera essencial erguer um palanque competitivo para Dilma no maior colégio eleitoral do país. Apostara em Ciro. Sem ele, afora Mercadante e Marta, há no PT um leque de nomes que oscilam nas pesquisas próximos ou abaixo dos 5%.

O principal deles, o deputado Antonio Palocci, foi convidado a integrar a coordenação da campanha de Dilma. E saiu de fininho do córner paulista. Lula refuga os outros três nomes: Emidio de Souza, prefeito de Osasco; Fernando Haddad, ministro da Educação; e o senador Eduardo Suplicy. Quanto a Haddad, Lula prefere que permaneça na Esplanada. Suplicy ainda não teve seu nome testado em pesquisas. Mas não dispõe do voto de Lula, o eleitor número um do PT.

Resta saber se, espremido por Lula, Mercadante vai trocar o quase certo pelo duvidoso. Como se sabe, o senador não costuma lidar bem com pressões do Planalto. No auge da crise do Senado, anunciara uma renúncia ‘irrevogável’ à liderança do PT. Ante um pedido de Lula, Mercadante revogou o ‘irrevogável’.”

Se Lula não conseguir realmente acomodar Ciro Gomes na disputa paulista, servindo-se dele como língua de aluguel – e afiada – contra José Serra, poderemos conferir se Mercadante atende ou não ao pedido do Presidente.

Caso levemos em conta que em 2006 Mercadante continuaria Senador se perdesse para Serra e que, agora, ficará sem mandato se perder, poderemos chegar à conclusão de que ele recusará.

Contudo, se utilizarmos como parâmetro o caso do irrevogável revogado, talvez tenhamos a impressão de que Mercadante faz o que Lula manda. E fim.

A ver.

Quércia é reeleito presidente do PMDB em São Paulo

14/12/2009

Informa o Portal UOL:

“Apesar da inesperada concorrência de última hora, o ex-governador Orestes Quércia foi reeleito neste domingo (13) presidente do PMDB em São Paulo, sinalizando que colocará a sigla no Estado ao lado da eventual candidatura de José Serra (PSDB) ao Palácio do Planalto. Ele venceu a disputa com o deputado federal Francisco Rossi por 88% a 12% –número que também lhe permite montar integralmente a Executiva paulista do partido

[...]

Caso obtivesse mais de 20% dos votos, Rossi poderia indicar membros do Diretório Estadual em 2010, o que poderia interferir na autonomia que Quércia tem tido para determinar os rumos do PMDB de São Paulo. Mas isso não aconteceu.”

Estará mantida a aliança entre o PMDB-SP e a oposição em 2010. Apenas uma candidatura própria peemedebista, remota possibilidade, retira o PMDB paulista de Quércia da órbita de Serra na corrida presidencial.

Requião oficializa pré- candidatura à Presidência em 2010

01/12/2009

Informa o Globo:

“Cercado por um grupo de peemedebistas históricos que estão fora do comando do partido, o governador do Paraná Roberto Requião oficializou nesta terça-feira, junto ao Diretório Nacional, a inscrição para disputar como candidato à sucessão do presidente Lula.

[...]

O anúncio da oficialização da inscrição de Requião como candidato a presidente foi feito no Senado, ao lado do senador Pedro Simon (RS), um dos incentivadores da idéia, e do eterno presidente de honra Paes de Andrade.

Mas as lideranças governistas do PMDB ignoraram e minimizaram qualquer impacto político. Mesmo porque, o principal articulador da candidatura com o intuito de rachar a convenção prevista o ano que vem, o ex-governador Orestes Quércia, não compareceu.

Em carta lida por Paes de Andrade, Quércia diz que abandonará a candidatura de José Serra, do PSDB, para apoiar uma candidatura própria de seu partido. Além de Simon e Paes, estavam lá os deputados Ibsen Pinheiro (RS), Darcisio Perondi (RS), Rocha Loures (PR), Edinho Bez (PR), Eliseu Padilha (RS) e o senador Neuto de Conto (PR). Representantes de 15 diretórios assinaram moção defendendo a candidatura própria, e Padilha diz ter se reunido com 24 diretórios que apoiaram a tese. O próprio Requião admitiu que estava ali ao seu lado ‘uma espécie de exército brancaleone’. Sem muita efervescência, Simon chegou a cochilar.

- Num jantar como que aconteceu no Alvorada, podem decidir no máximo a sobremesa, nunca a vida, o futuro e a história do maior partido desse país – discursou Requião, completando que não se podia aceitar uma aliança não programática, apenas para dar emprego a meia dúzia de pessoas.”

O próprio Roberto Requião diz que se trata de uma “espécie de exército brancaleone”, ou seja, um grupo que é idealista, mas que está provavelmente fadado ao insucesso.

É uma verdade? É! Requião tem chance de se tornar candidato do PMDB à Presidência? Pouquíssima. Requião tem chance de vencer em 2010? Menos ainda.

Contudo, quem foi que disse que ganhar é tudo? Quem foi que afirmou que pré-candidaturas só são válidas se forem vitoriosas?

Acredito que Roberto Requião é um político que, embora tenha suas falhas, merece ser respeitado. Tanto é que vejo a sua pré-candidatura com bons olhos.

Creio que ela não tem chance alguma de vingar, porém, é saudável, é expressão do que deveria ser feito.

O PMDB, hoje comandado por um grupo de políticos fisológicos, que mantém sob controle uma federação de caciques através de um loteamento de cargos e espaços políticos, só poderia um dia reviver os tempos do Dr. Ulysses se trocasse as alianças interesseiras por atitudes como a de Requião.

O Perspectiva é a favor da pré-candidatura do Governador do Paraná. É a favor, até mesmo, da remota possibilidade de ele concorrer em 2010.

Não sei se votaria nele para Presidente, mas seria ótimo tê-lo como candidato e, principalmente, ver um PMDB diferente, que é subjugado dia após dia, dando a cara a tapa.

PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos estados

26/11/2009

Comentou este blogueiro que vos fala recentemente:

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Pois bem. Confiram o que informa o Estadão:

“No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados. A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

[...]

Pelos cálculos do PMDB, os insatisfeitos e adversários tradicionais dos petistas somam 410 dos 805 votos de convencionais que vão às urnas para decidir se querem se aliar ao PT ou deixar o partido ’solto’ na corrida presidencial, para que cada Estado faça a dobradinha que quiser.”

O Perspectiva vem desenhando quadro fiel das negociações entre PT e PMDB.

PT e PMDB: Parceria complicada

25/11/2009

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Inclusive a própria pré-candidata Dilma Rousseff e o Presidente do Senado, José Sarney, admitem sem cerimônias que os acertos estaduais são difíceis. Dilma Rousseff que considera difícil que uma eventual aliança nacional do PT e do PMDB em torno da sua possível candidatura à sucessão do presidente Lula seja reproduzida nos Estados. Sarney a respaldou e afirmou que as duas legendas devem ter palanques distintos em Estados onde não há possibilidade da aliança se efetivar.

Em resumo, o PMDB tem, nacionalmente, três caminhos: Caminhar com o governo, caminhar com a oposição ou caminhar sozinho, pelo menos, no primeiro turno.

Excetuado o caminho da candidatura própria, nenhum deles deverá ser respaldado pelos diretórios de todos os estados. Nos dois casos, caminhe o PMDB com o PT ou com o PSDB, existirão dissidências.

Além delas, aonde não ocorrerem dissidências quanto à corrida presidencial, ainda existirá a possibilidade de uma candidatura do PMDB ao governo do estado em questão que se oponha ao aliado nacional, seja ele qual for.

Essa é a complicação que demonstra como o PMDB nada mais é do que uma federação de caciques.

É a mesma complicação que permite ao PMDB ser o maior partido do Brasil, fato que a mantém viva, e que dá ao PMDB o grande tempo de televisão que, na realidade, é o que mais interessa a todos os presidenciáveis.