Postagens com a palavra-chave ‘Oposição’

Análise Geral: O eleitor e a lógica de mercado

30/08/2010

Uma das primeiras coisas que se aprende quando se estuda economia é a lógica do mercado: O empreendedor de sucesso é o que promove oferta para preencher uma demanda.

Rapidamente, em um curso de verão, entende-se que o lucro só vem quando há demanda, seja ela explícita, reprimida ou fabricada. Se ela inexistir não há oferta que dê jeito.

Por essas e por outras alguns empresários criam demandas com o marketing. As pessoas passam a desejar o que eles ofertam.

Pois bem. E o que isso tem a ver com o eleitor?

Simples: O empresário é o candidato, a mercadoria é o seu discurso e o consumidor, claro, é o eleitor. O marketing é o eleitoral.

Como há demanda de continuidade das políticas governamentais, Serra decidiu ofertar isso.

Acontece que também há demanda da continuidade de Lula e isso só Dilma pode ofertar.

Serra decidiu comparar preparo e biografia, ofertando competência, mas não há essa demanda.

O PSDB só venceria as eleições se explorasse, com seu discurso, as demandas reprimidas: Serra não as compreendeu.

Restaria fabricar demandas. Nesse caso, Luiz Gonzalez, o marqueteiro, falhou miseravelmente.

A lógica de mercado explica, facilmente, a vitória de Dilma.

A oposição realmente tinha um trabalho árduo para decidir o que ofertar.

Mas não era impossível.

Agora é.

Análise Geral: A continuidade e a virada de Anastasia em Minas

27/08/2010

Não há dúvida de que o povo brasileiro, em sua maioria, quer hoje continuidade das políticas que lhe agradam.

Por conta disso, a oposição se vê um tanto quanto encurralada e sem poder propor a mudança radical.

Ao invés de defender a mudança no que caminha mal, José Serra pregou um continuísmo alternativo e meteu os pés pelas mãos.

Mas esse não é o tema em questão. Tratemos aqui de como a tendência de continuidade afeta os estados e, especificamente, Minas Gerais.

Nas unidades da federação se quer, como já dito, a continuidade a nível federal. Contudo, isso varia a nível estadual.

Se a discussão em um estado específico for nacionalizada, ganha espaço quem quer que seja o candidato de Lula.

Mas se o debate for regionalizado, ganha terreno o candidato da máquina estadual, com a sensação de bem-estar sendo conectada com a gestão da unidade federativa.

Portanto, chega-se à conclusão de que os candidatos dos partidos da oposição, quando tentando a reeleição ou apoiados pelos governadores, podem se aproveitar da tendência de continuidade se não nacionalizarem o debate, mesmo sem o apoio de Lula.

É por essas e por outras que os candidatos da oposição nos estados tendem a abandonar Serra: Significaria perder um pouco da relação com o status quo desejado pelo povo.

Por conta disso, Alckmin lidera com folga em São Paulo mesmo sem a ajuda de Lula, mas sendo acusado de não se empenhar na campanha de Serra.

Mas o maior exemplo não é Alckmin e sim Anastasia. Apoiado por Aécio e pregando a continuidade a nível estadual, o atual Governador caminha a passos largos para virar o jogo e ultrapassar Hélio Costa nas pesquisas. Aécio é para Minas quase o que Lula é para o Brasil.

Tanto é verdade o que digo que os peemedebistas já estão preocupadíssimos com o destino da campanha de Hélio.

E mais do que isso: O governo torce para que, no intuito de auxiliar Serra, Aécio nacionalize a campanha mineira, facilitando a vida de Lula.

Aécio gravou depoimento para Serra que passou na televisão ontem.

Os petistas acham que Aécio mordeu a isca.

Mas se a virada de Anastasia for ameaçada, ele retira o anzol da boca em dois tempos.

Como um bom mineiro.

PSDB decide seus rumos de olho na sobrevivência

24/08/2010

Informa a Folha:

Preocupado com a queda do candidato José Serra nas pesquisas de opinião, o comando do PSDB já discute ajustes na campanha nacional e uma estratégia de sobrevivência da oposição em caso de derrota na corrida presidencial.

O partido apostará suas fichas na eleição de governadores de quatro Estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Além da correção de rumo para a Presidência, a cúpula tucana se reúne, amanhã em São Paulo, para discutir o futuro da campanha e o destino do partido.

Chamado a São Paulo a pretexto de gravar sua participação na propaganda de Serra, o ex-governador de Minas Aécio Neves tem encontro marcado com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

Segundo tucanos, está prevista ainda a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na conversa. A assessoria de FHC afirma, porém, que ‘até o momento, não consta nada do tipo na agenda dele’.

Serra deve estar no Rio Grande do Norte amanhã, dia da reunião”.

É o PSDB de olho na sobrevivência da oposição no Brasil.

Pela democracia, seria saudável que ela sobrevivesse.

 

A última gota d’água: Lula afirma que “oposição vai perder as eleições”

04/08/2010

Informa a Agência Estado:

“‘A oposição vai perder as eleições presidenciais.’ Sorrindo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou a frase durante a 39ª Cúpula de presidentes do Mercosul, realizada hoje na cidade argentina de San Juan.

[...]

‘Para quem está no governo oito anos não é nada’, disse Lula, em referência a seus dois mandatos presidenciais consecutivos. ‘Mas, com certeza, para a oposição, oito anos é uma eternidade’, ironizou o brasileiro perante os presidentes do Mercosul, vários dos quais riram com o comentário de Lula, que teve cautela em evitar de citar de forma explícita o candidato José Serra, do PSDB.”

Está posta a última gota d’água. Na realidade, transbordou o copo.

Como autor do blog, estou oficialmente desistindo de enxergar seriedade e compostura no Presidente Lula.

Fazer chacota da oposição? Rir dos adversários motivado, provavelmente, pela subida de Dilma Rousseff nas pesquisas?

Ora, mas que falta de respeito. Um absurdo!

Era só o que faltava depois de uma campanha antecipada flagrantemente ilegal e de um aparelhamento da administração pública estratosférico, que gera o uso da máquina na campanha.

Lula joga no lixo a liturgia do cargo. Se comporta como um político qualquer, espertalhão, e não como o Presidente de nossa República.

Haja salto alto! Haja arrogância! Haja prepotência!

Como eleitor, me irritei. Sinceramente.

Embora tenha criticado duramente os erros da gestão do Presidente, tenho elogiado os acertos do governo Lula desde sempre.

E continuarei a fazê-lo, por uma questão de honestidade intelectual.

Mas não dá mais para enxergar em Lula um estadista. Imaginem o que diriam os petistas de Fernando Henrique se ele risse da oposição em 1998.

Essa foi, sim, a gota d’água.

O Perspectiva, por ser democrático, não vota. Mas eu, particularmente, voto Marina Silva e já disse isso aqui.

Contudo, com essa soberba do Presidente começo a ter uma pontinha de vontade de votar em Serra.

A vitória dele provaria ao PT que não se ri antes da hora.

Ainda mais dessa forma desrespeitosa para com o processo democrático brasileiro e, principalmente, para com o eleitor.

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Lula colocou a vaga de Vice no colo do Democratas

01/07/2010

Informa o colunista Ilimar Franco:

“O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) está perplexo com a atitude de seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR). O ex-vice de José Serra foi pego de surpresa, na noite de anteontem, com a candidatura do irmão ao governo do Paraná.

Aos mais próximos, Álvaro se queixou: se Osmar o tivesse avisado, ele poderia salvar as aparências retirando sua candidatura em favor de um entendimento com o DEM.

Mas Osmar acabou puxando o tapete dos pés do irmão, dando argumento para que o DEM o descartasse da vice, como era o desejo dos demistas desde que seu nome foi anunciado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson.”

No fim das contas, percebe-se o seguinte:

O Democratas provavelmente estaria esperneando até agora se Osmar Dias não tivesse lançado candidatura ao governo do Paraná, dizimando o argumento em prol da candidatura de seu irmão a Vice de Serra.

Curiosamente, o que fez Osmar fechar questão em torno da candidatura ao governo paranaense foi uma ligação telefônica do Presidente Lula.

Em suma, Lula colocou, paradoxalmente, a vaga de Vice da oposição de volta ao colo do Democratas.

Se fez propositalmente não se sabe.

Acredito que Lula imagine, na realidade, que passado o alvoroço da escolha do Vice, o nome perderá importância.

O palanque dilmista no Paraná não.

Lula articula para assumir ONU ou Banco Mundial

23/05/2010

Comentou este blog quase um ano atrás – isso mesmo, um ano atrás – quando o nome de Lula foi cogitado para comandar o Banco Mundial a partir de 2011:

Todos os que acompanham a política sabem o tamanho do ego do Presidente Lula e sabem, também, o quanto ele gostaria de ter um cargo que se assemelhasse ao de “líder mundial”.

Como não pode ser Presidente dos EUA, ainda, Lula visa os órgãos internacionais. Há algo além da presidência do Brasil para galgar, é o que pensa o Presidente.

Talvez por conhecerem esse entendimento, alguns dizem com firmeza que Lula pode até aceitar o Banco Mundial mas que queria ser, mesmo, Secretário-Geral da ONU.

Pois bem. Trata-se de mais uma informação divulgada com acerto pelo Perspectiva. Confiram o que informa a Folha:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou articulações com outros líderes mundiais para definir seu futuro após deixar o cargo. Gostaria de virar secretário-geral de uma renovada Organização das Nações Unidas ou de presidir o Banco Mundial.

A Folha apurou que Lula já tratou dos dois temas com outros presidentes e primeiros-ministros. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também fala com diplomatas estrangeiros.

A avaliação de Lula, Amorim e alguns líderes mundiais é que o brasileiro conquistou cacife político que o credencia a assumir um posto internacional de relevo.”

Além do fato de que o Perspectiva adiantou este boato com um ano de antecedência, vale ressaltar que o destino político do Presidente parece estar traçado:

Se José Serra vencer e Lula não conseguir nenhum dos cargos internacionais que pretende, o Presidente deve tentar retornar ao poder em 2014.

Se Dilma Rousseff vencer e Lula não conseguir nenhum dos cargos, o Presidente talvez cogite retornar, barrando a reeleição de Dilma, em um cenário menos provável que o anterior, mas possível.

Se Dilma Rousseff perder e Lula conseguir os cargos, o Presidente pode atazanar o governo fazendo oposição do alto de seu novo posto e talvez tentar retornar.

Mas o cenário mais definidor é o seguinte: Dilma vencer e Lula conseguir os cargos. Nesse caso, a petista parte para a reeleição.

É claro que em política não se trabalha muito com essas hipóteses distantes, afinal, tudo pode mudar.

Contudo, verdade seja dita, o quarto cenário, onde Lula não concorre em 2014, está nos sonhos de Aécio Neves.

Lula é eleito um dos líderes mundiais mais influentes e Serra o parabeniza antes de Dilma

01/05/2010

Informa o Portal Terra:

“Em seu Twitter, o pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, deu os parabéns ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por integrar a lista publicada pela revista “Time” elencando os 25 líderes que mais influenciaram o mundo em 2010.

‘Parabéns ao Presidente Lula, escolhido líder do ano pela revista americana Time. É bom para o Brasil’, disse Serra em seu twitter às 14h17, horário pouco habitual ao ex-governador de São Paulo que é famoso na web por postar de madrugada.

Corrigido por uma internauta de que Lula não encabeçava a lista, Serra reviu seus parabéns: ‘O Presidente Lula é um dos 25 líderes da revista Time. Bom do mesmo jeito para o Brasil’.”

É preciso realmente que se cite e se reconheça o feito do Presidente Lula, eleito pela Time como um dos líderes mundiais mais influentes. Tentar minimizar a importância da citação da revista americana lembrando, por exemplo, que Adolf Hitler também foi premiado no passado é bobagem.

Alguns que se opõem ao Presidente têm feito isso. Não concordo.

Contudo, de qualquer forma, o mais curioso fato não foi a premiação de Lula e nem os artifícios retóricos que alguns oposicionistas começaram a utilizar, e sim José Serra ter parabenizado Lula com certa animação e antes de Dilma Rousseff.

Parece que o tucano está mesmo engajado em se apresentar como candidato que reconhece os avanços de Lula, mas que se vê como mais indicado para manter o ritmo de desenvolvimento do Brasil e até acelerá-lo, fazendo assim um contraponto com Dilma Rousseff baseado mais no currículo e menos no partido a que cada um pertence ou no suposto “legado” que cada um defende.

É o tal pós-Lula.

O Presidente quer porque quer apresentar Dilma como a defensora de seu governo e Serra como Fernando Henrique Cardoso II.

Faltou “combinar com os russos”.

E chamar Serra de “lobo em pele de cordeiro” não resolve.

Só piora.

Coluna do dia: Serra – Talvez uma má escolha tucana

22/04/2010

Por Felipe Liberal*

Pelos meus cálculos, José Serra não vencerá em outubro. Mas posso estar errado, incerto ou precipitado. Talvez esteja sendo apressado demais ou bastante parcial. Talvez.

O PSDB começou mal. A escolha de Serra para uma candidatura ao pós-Lula foi errada. Além de ter sido “surrado” em 2002 pelo mesmo Lula, o presidenciável não possui os requisitos para uma “mudança continuada” que provavelmente será o lema das próximas eleições desta década.

O tucano não tem programa e se esconde do papel de oposição, se apresentando a todo momento como a continuação do atual governo.

Mas ser contra Lula é ruim?

Óbvio, a popularidade do governo orbita em torno dos 75% no final do segundo mandato.

Mas não se pode esquecer que apesar das graves semelhanças entre os dois partidos, existem duas diferenças determinantes entre o PT e o PSDB: política externa e privatizações. E por mais que sejam omitidas tais divergências, o povo e o empresariado irão questionar.

O PSDB e a cúpula “direitista” (porque nesses dois pontos ser de esquerda ou de direita é interessante) já discutem sobre privatizações dos setores “desorganizados” como Infraero e Eletrobrás (esta que se fortaleceu com Lula), mudando e quebrando todo um sistema de contratos que essas duas entidades possuem com o setor particular, caso venham a acontecer as privatizações.

Uma nova onda de desemprego e instabilidade para incontáveis trabalhadores brasileiros virá com essa política que, em minha opinião, é abominável.

Lembrando: A privatização hoje é considerada impopular no Brasil.

Em relação à política externa, fato mais complexo de ser alterado, um provável governo tucano talvez não entendesse como viáveis alguns pactos comerciais importantes com Venezuela, Irã e parcialmente a China. Isso desestabilizaria totalmente a economia e a estrutura empresarial brasileira. Seria talvez o maior dos retrocessos que esse País já viu, e olha que não foram poucos. Por isso acho difícil um apoio maciço dos empresários à chapa tucana, mesmo parecendo ironia.

Serra, em 2002, expôs tudo isso diante das câmeras de TV e esse é um fator negativo na sua escolha para a candidatura. Claro que tudo isso já faz quase oito anos, mas as lembranças persistem numa parcela da população que tem poder e vota. Sua ideologia camuflada não vai conseguir se sustentar por muito tempo, pois Serra é oposição apesar da sua negação em relação a isso.

Mas Aécio Neves realmente seria um bom nome para o PSDB? Talvez. Domina de forma espetacular o 2º maior colégio eleitoral do País (Minas Gerais) e não está “desgastado” nacionalmente como Serra. Apareceria como “figura nova” assim como Dilma, porém mais carismático que a petista. O mineiro sempre foi mais próximo à Lula do que Serra, principalmente a partir de 2007, ou seja, mais recentemente.

Talvez eu esteja errado, mas não acredito numa vitória tucana. Dilma, mesmo sendo ainda “desconhecida” nas camadas mais pobres, já incomoda o tucano nas últimas pesquisas realizadas. Serra é uma incerteza certa.

Mas claro, talvez seja mais uma ilusão ou insanidade deste pobre colunista nordestino.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Utilização da expressão “pode mais” por Lula pode gerar menção involuntária do slogan de Serra

20/04/2010

Comentou o jornalista Ricardo Noblat:

“O que disse Lula a um grupo de índios reunidos para ouvi-lo, ontem, no aniversário de um ano da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima:

- Nós precisamos fazer mais. E precisamos fazer cada vez mais.

Propaganda indireta da candidatura de José Serra, está na cara.

Até aqui, o slogan de Serra é: ‘O Brasil pode mais’.

Alguém precisa alertar Lula que qualquer coisa que tenha a ver com ‘mais’ ou ‘pode mais’ só ajuda Serra.”

Comentário bem colocado.

Realmente qualquer menção, seja de Lula ou de qualquer outro membro do governo, à expressão “pode mais” ou simplesmente à palavra “mais” funcionará como propaganda indireta da pré-candidatura de José Serra.

Mas isso – e aqui complemento Noblat – não se dá e não se dará por descuido de Lula ou coisa parecida. Se dá porque o slogan de José Serra é de rara eficiência.

É sempre difícil explicar um avanço para a população sem a palavra “mais”. Lula, querendo propagandear o governo, terá que utilizar a palavra muitas vezes, batendo na tecla que fará soar a nota musical de Serra, e não de Dilma.

O mote de pré-campanha de Serra explora isso com genialidade. Méritos para a equipe de marketing da oposição que, além de conseguir o que comento aqui, ainda traduz na mesma frase o reconhecimento dos avanços de Lula somado à necessidade de mudar para conseguir ir além.

Ressalte-se que não faço aqui nenhuma defesa da candidatura de Serra em si.

Apenas reconheço o brilhantismo do slogan que, como se já não bastasse o conceito bem colocado, ainda criará constrangimentos para o governo como o comentado por Ricardo Noblat.