Por Arthurius Maximus*
Mais uma vez percebemos como o enfoque partidário, aplicado numa área que deveria ser eminentemente pragmática, pode ser danoso a imagem do Brasil como nação. O episódio em que o presidente Lula muda sua opinião em relação à iraniana acusada de adultério e condenada a morte por apedrejamento é mais um de muitos maus exemplos e vexames dados pela administração atual.
Há poucos dias, Lula havia comentado sobre o assunto dizendo: “Se pedirmos para que um país ignore suas leis, o negócio acaba em esculhambação”. Diante da repercussão eleitoral negativa e da ameaça de sua candidata ser confrontada com esse apoio às piores ditaduras do planeta e a suas práticas; Lula se viu obrigado a voltar atrás.
Mas, o que seria até uma oportunidade de mudar realmente de direção, acabou se transformando em mais um escárnio aos direitos humanos. Ao dizer: “Se esta mulher está causando problemas, teremos prazer em recebê-la (…)” – Lula mostra claramente que ainda apóia a absurda lei islâmica e pouco se preocupa com a aplicação de uma pena desumana e bárbara. Afinal de contas, é a mulher que está “causando problemas” e não o governo iraniano que tem leis medievais e pune exageradamente “crimes” insignificantes.
Não era de se esperar coisa diferente. Pois, quem anseia por uma oportunidade de se tornar um “líder” autoritário e impor a sua vontade sobre os “dissidentes” não poderia agir e pensar de outra forma.
Ao brasileiro médio falta a capacidade de “ler nas entrelinhas” e de inspirar-se nos exemplos de um passado tenebroso e nem tão distante para evitar que os mesmos erros cometidos nos assombrem.
Perdemos relevância em nossa área tradicional de atuação e somos ridicularizados pelas grandes potências. Muito ao contrário do que a propaganda governamental quer mostrar, o assento no Conselho de Segurança da ONU nunca esteve tão distante de nós como agora.
Ao optar por ser “o do contra”; o Brasil deixa de lado seu papel de potência emergente para se tornar apenas um bufão internacional e um “gigante iludido”. Nos tornamos uma “Venezuela Grande”. Conduzidos por um “líder” que se acha “o messias reencarnado” e levados como um rebanho de carneiros para o abate moral que se anuncia no horizonte das grandes nações, o Brasil simplesmente não merecia o papel de palhaço que faz hoje.
Apanhamos da Bolívia, que invadiu e expropriou nosso patrimônio sem pagar as indenizações devidas. Apanhamos do Equador, que construiu uma enorme hidroelétrica e várias estradas com os nossos impostos e não pagou. Tomamos um “passa fora” da Colômbia, graças ao nosso “líder” falastrão e suas idiotices e, finalmente, até a Argentina nos rouba constantemente impedindo que nossos produtos sejam vendidos em seu solo; aplicando taxas e sobretaxas alfandegárias a despeito do que reza o tratado do Mercosul.
E nós; o que fazemos?
Ficamos fazendo beicinho para o “imperialismo yankee”.
*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica












