Por Bruno Medina*
O Partido dos Trabalhadores governou o Estado do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002, na pessoa do sindicalista Olívio Dutra. Foi um período triste da história gaúcha. Na época, o PT fez uso das instituições do Estado (Polícia, Poder Judiciário, Ministério Público, etc…) para intimidar, calar, e impedir a atuação de qualquer setor da imprensa que ousasse criticar o governo “popular” de Olívio Dutra.
Quem se manifestasse contra era, imediatamente, rotulado de “direitista”, “golpista”, “inimigo do povo”, etc. A intenção era amordaçar todos os formadores de opinião que não coadunavam com o pensamento ideológico do PT. Houve um ataque deliberado à imprensa em geral.
Cito abaixo alguns fatos daquele período de puro desrespeito à democracia, não necessariamente relacionados à liberdade de opinar, mas que, sem dúvida, demonstram o quão retrógrados eram (e ainda são) os petistas e seus aliados, pelo menos no Rio Grande do Sul:
1. Bandeira de Cuba hasteada na janela do Palácio Piratini (sede do governo) na posse de Olívio Dutra.
2. Invasão de lojas do McDonald’s, com atos de violência contra clientes.
3. Audiência oficial e privada do Governador com lideranças terroristas das FARC.
4. Abraço fraterno do Secretário de Segurança Pública, José Paulo Bisol, ao sequestrador de um ônibus que manteve várias pessoas reféns durante horas.
5. Partidarização e ideologização da TVE (Televisão Educacional), impedindo a participação de divergentes nos programas da emissora.
6. Bandeira do MST na sala do Secretário da Agricultura.
7. Uso de um boné da MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens), ligada ao MST, pelo Secretário de Segurança e pelo Comandante da Brigada Militar.
8. Tentativa de invasão do maior jornal em circulação no Estado, a Zero Hora.
9. Ordem do governo para que em todas as repartições públicas, quando atendessem ao telefone, dissessem a seguinte frase: governo democrático e popular!
10. Expulsão da montadora Ford que estava praticamente instalada no Rio Grande do Sul.
O jornalista Hélio Gama foi um dos intimidados pelo governo Olívio. Disse, uma vez, em entrevista:
“Me chamaram no Mistério Público. Fui lá. Entro já com aquele clima, o cara com a minha letter na frente. Daí ele me disse: ‘Olha, eu lhe chamei a pedido do governador do Estado, que pediu para abrir um processo por causa dessa sua letter.’ Eu digo: Tá, e aí? Daí ele disse: ‘É um primeiro contato que eu gostaria de ter com o senhor para que me explique as sua posições.’”
Na coluna da semana que vem pretendo demonstrar como os fatos acima relacionados, e muitos outros, infelizmente, se sucederam.
*Bruno Medina é colunista do Perspectiva Política às sextas










