Postagens com a palavra-chave ‘Olívio Dutra’

2ª Coluna do dia: Uma mancha vermelha na história do Rio Grande do Sul

02/04/2010

Por Bruno Medina*

O Partido dos Trabalhadores governou o Estado do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002, na pessoa do sindicalista Olívio Dutra. Foi um período triste da história gaúcha. Na época, o PT fez uso das instituições do Estado (Polícia, Poder Judiciário, Ministério Público, etc…) para intimidar, calar, e impedir a atuação de qualquer setor da imprensa que ousasse criticar o governo “popular” de Olívio Dutra.

Quem se manifestasse contra era, imediatamente, rotulado de “direitista”, “golpista”, “inimigo do povo”, etc. A intenção era amordaçar todos os formadores de opinião que não coadunavam com o pensamento ideológico do PT. Houve um ataque deliberado à imprensa em geral.

Cito abaixo alguns fatos daquele período de puro desrespeito à democracia, não necessariamente relacionados à liberdade de opinar, mas que, sem dúvida, demonstram o quão retrógrados eram (e ainda são) os petistas e seus aliados, pelo menos no Rio Grande do Sul:

1. Bandeira de Cuba hasteada na janela do Palácio Piratini (sede do governo) na posse de Olívio Dutra.

2. Invasão de lojas do McDonald’s, com atos de violência contra clientes.

3. Audiência oficial e privada do Governador com lideranças terroristas das FARC.

4. Abraço fraterno do Secretário de Segurança Pública, José Paulo Bisol, ao sequestrador de um ônibus que manteve várias pessoas reféns durante horas.

5. Partidarização e ideologização da TVE (Televisão Educacional), impedindo a participação de divergentes nos programas da emissora.

6. Bandeira do MST na sala do Secretário da Agricultura.

7. Uso de um boné da MAB (Movimentos dos Atingidos por Barragens), ligada ao MST, pelo Secretário de Segurança e pelo Comandante da Brigada Militar.

8. Tentativa de invasão do maior jornal em circulação no Estado, a Zero Hora.

9. Ordem do governo para que em todas as repartições públicas, quando atendessem ao telefone, dissessem a seguinte frase: governo democrático e popular!

10. Expulsão da montadora Ford que estava praticamente instalada no Rio Grande do Sul.

O jornalista Hélio Gama foi um dos intimidados pelo governo Olívio. Disse, uma vez, em entrevista:

“Me chamaram no Mistério Público. Fui lá. Entro já com aquele clima, o cara com a minha letter na frente. Daí ele me disse: ‘Olha, eu lhe chamei a pedido do governador do Estado, que pediu para abrir um processo por causa dessa sua letter.’ Eu digo: Tá, e aí? Daí ele disse: ‘É um primeiro contato que eu gostaria de ter com o senhor para que me explique as sua posições.’”

Na coluna da semana que vem pretendo demonstrar como os fatos acima relacionados, e muitos outros, infelizmente, se sucederam.

*Bruno Medina é colunista do Perspectiva Política às sextas

2ª Coluna do dia: Tarso Genro desnorteado no Rio Grande do Sul

05/03/2010

Por Bruno Medina*

Lula já avisou que não participará das campanhas políticas nos Estados em que seus aliados estiverem divididos. Como se sabe, o fisiológico PMDB apóia Dilma Rousseff para a sucessão presidencial de Lula, pedindo em troca a Vice-Presidência. Circunstância que lhe permitirá, se não interferir diretamente nas decisões governamentais, ao menos manter ou adquirir cargos políticos nas estatais.

Por isso, o PT gaúcho deve estar roendo as unhas de preocupação com a possibilidade de nem chegar à disputa do segundo turno para o governo do Estado.

Yeda Crusius (PSDB), que provavelmente oficializará candidatura à reeleição, apesar das denúncias de corrupção no DETRAN gaúcho com envolvimento de membros do governo do estado, tem a seu favor a bandeira do Déficit Zero, projeto concluído cujo objetivo era liquidar as contas do governo gaúcho.

José Fogaça (PMDB), Prefeito reeleito de Porto Alegre, deixará a Prefeitura da cidade e apoiará Dilma. Tarso Genro e o PT estão à própria sorte. E ainda há o azarão Beto Albuquerque (PSB), que corre por fora na eleição.

Não haverá palanque de Tarso com Lula e Dilma, como naturalmente ocorreria. Situação constrangedora especialmente para Tarso, que foi Ministro de Estado de Lula nos dois mandatos presidenciais.

Nesse caso, o PT gaúcho é vítima de suas próprias ações: radicalismo, pensamento político retrógrado e isolamento. Nem mesmo a tradicional esquerda (PCdoB) deve apoiá-lo, já que tem trabalhado uma aliança alternativa com o PSB.

Há um antipetismo forte no Rio Grande do Sul que se consolidou após a terrível experiência por que os gaúchos passaram com o governo Olívio Dutra, que se caracterizou por tentativas de amordaçar a imprensa, apoio incondicional aos movimentos sociais e desprezo pelas instituições. Em outras palavras, o antipetismo significa que o eleitorado prefere “qualquer candidato a algum petista”.

Para Tarso, não ter o apoio explicito de Lula, Presidente com maior índice de popularidade da história do País, pode lhe custar a eleição. E mais: Terá de se conformar em ver aquele a quem serviu por sete anos apoiar o seu principal rival na corrida eleitoral para o governo do estado.

Para piorar, à Tarso e ao PT, em um eventual segundo turno com Yeda e Fogaça, restará apoiar este último, por força da aliança nacional PT-PMDB. O que seria intragável para o PT gaúcho, uma vez que o PMDB é seu inimigo histórico no Rio Grande do Sul.

De orgulho e exemplo para o PT e Lula durante muito tempo, em função da titularidade da Prefeitura de Porto Alegre por dezesseis anos corridos e da bandeira do “orçamento participativo”, os petistas gaúchos passaram a não ter importância política alguma para Lula e Dilma nas próximas eleições.

Na verdade, mais atrapalham e seria melhor que não existissem.

*Bruno Medina escreve no Pespectiva Política às sextas

Sucessão Gaúcha: Yeda em baixa como previu o blog

22/03/2009

Na postagem “Sucessão Gaúcha: Yeda, Fogaça e Rigotto” este blog falou sobre a possibilidade do PSDB apoiar o candidato peemedebista ao governo do Rio Grande do Sul, em troca do apoio do PMDB regional ao candidato tucano à presidência.

A possibilidade desse acordo era justificada por este blog pelo fato da reeleição da tucana Yeda Crusius ser vista como remota pela cúpula do PSDB. Mais valeria a pena assegurar o apoio do PMDB regional do que apoiar uma tentativa de reeleição praticamente fadada ao fracasso.

Pois é justamente isso que as pesquisas recentes do Datafolha mostram, confirmando as informações do blog, que informava ainda, na postagem citada, que os pré-candidatos do PMDB eram Germano Rigotto e José Fogaça.

Segundo a Folha de São Paulo, nos quatro cenários pesquisados pelo Datafolha, os prováveis candidatos do PT e do PMDB -partidos que antecederam o PSDB no governo gaúcho- se revezam na dianteira das intenções de votos. Yeda aparece em terceiro, com percentuais que oscilam de 8% a 9% das intenções de votos.

Fogaça aparece em vantagem, com 30%, quando a opção do PT é o ex-governador Olívio Dutra, que soma 24%. Na simulação, os percentuais de Yeda e Beto Albuquerque se mantêm.

No cenário de disputa mais acirrada, Tarso atinge 33% de preferência nos municípios da região metropolitana de Porto Alegre, onde o PT conquistou a hegemonia nas últimas eleições. Na capital, tem 28%.