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Coluna do dia: Dia Internacional da Mulher – Mitos infundados e verdades que devem ser ditas

08/03/2010

Por Arthurius Maximus*

Costuma-se dizer que se as mulheres dominassem a política ela seria muito melhor do que é hoje. Infelizmente, a prática mostra que esse é apenas um sonho e um mito infundado. Poderíamos aqui traçar um número enorme de elogios e repetir os clichês de sempre para homenagear as mulheres. No entanto, esses clichês repetidos “ad nauseam” são a mola propulsora dos hipócritas.

A verdade nos mostra que, aqui no Brasil, especificamente, muitas mulheres que se sobressaíram na política preferiram o caminho do mal, da desonra, da corrupção e da desfaçatez.

Quem pode esquecer da infame “dancinha da pizza”? E o apoio de uma influente Senadora ao coronel corrupto e carcomido pelo tempo?

E que tal a conspiradora que tomou de assalto a ex-capital da República e, com seu marido, é alvo de uma série de processos e acusações quase constantes de fraudes e desvios?

Lembram-se também da ex-ministra que falsificou diplomas para seus filhos conseguirem um “empreguinho” e que toda vez que assume um cargo está envolvida em escândalos e em acusações de desvios de verbas e mal versação de fundos?

E a Governadora que instala em seu secretariado uma verdadeira máfia com o único propósito de pilhar os cofres de seu estado e provoca uma convulsão administrativa nas instituições locais?

E a repórter que é teúda e manteúda de um Senador e que, a peso de muito dinheiro público desviado, vive nababescamente com seu rebento bastardo?

Infelizmente essas mulheres não merecem qualquer homenagem nesse dia.

Contudo, como sempre, há o outro lado.

Reservo-me o direito de homenagear apenas aquelas mulheres que fazem jus aos mitos que se constroem em torno delas. Mulheres de raça e de fibra que acordam cedo, trabalham em casa e nas fábricas e escritórios e, depois de um dia estafante, ainda trabalham em suas próprias casas.

Mulheres que deram suas vidas por uma causa, pelo combate ao mal e à injustiça, pela luta por um mundo realmente melhor. Felicito as mulheres que honram as suas vidas não compactuando com a corrupção, a desordem, a desonra e a discórdia.

Abraço cada uma que se ergue contra a enorme maré de descaso e de desfaçatez que toma conta de nossa sociedade e ousa fazer mais. Fazer algo além “da sua obrigação”, apenas porque assim o deseja.

Beijo as mães, as amantes, as namoradas, as esposas e as amigas que lutam para fazer de seus companheiros homens melhores e que os repreendem quando se desviam, ao invés de simplesmente compactuarem com a situação.

A essas mulheres o meu carinho, a minha devoção e a minha homenagem.

Para as outras… Bem… O inferno.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Coluna do dia: Elas querem reformar

31/05/2009

Por Tiago Franz*

As informações que embasam este comentário foram publicadas pela imprensa brasileira há exatamente dois meses. São do tipo que não perdem tão cedo a atualidade. Para somar argumentos na defesa da reforma política, levanto-as novamente.

No dia 31 de março, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou no Rio de Janeiro o relatório Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009. Os dados divulgados sobre o Brasil viraram duas notícias na imprensa do país, uma positiva e uma negativa.

A positiva diz respeito à Lei Maria da Penha, que a diretora executiva do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), Inés Alberdi, considerou uma das mais avançadas do mundo entre as leis de combate à violência contra mulheres.

A negativa refere-se à participação feminina nas câmaras federais. O relatório informou que o Brasil é o penúltimo no ranking sul-americano, com apenas 9% de mulheres parlamentares. Só ganha da Colômbia, cujo índice é de 8%. A Argentina, com 40%, tem a melhor representação feminina do continente. O ideal, segundo a ONU, é que haja um equilíbrio: mínimo de 40% e máximo de 60% de vagas ocupadas por um mesmo sexo.

Mas como corrigir isso no Brasil? A imprensa publicou, juntamente com os dados do relatório, depoimento da presidente da Comissão de Defesa das Mulheres da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputada estadual Inês Pandeló (PT), e da coordenadora da bancada feminina da Câmara Federal, deputada Sandra Rosado (PSB-RN). Ambas sugerem a mesma solução: reforma política.

Até mesmo a notícia positiva, sobre a Lei Maria da Penha, tem um aspecto negativo. Ela nos recorda o ainda gravíssimo quadro de violência contra a mulher no Brasil. A lei não deixa de ser importante, mas em termos de resultados, ela acaba sendo semelhante à atual cota obrigatória de 30% de mulheres por partido nas candidaturas às instâncias parlamentares. Além de a cota estar abaixo do ideal sugerido pela ONU, não garante a eleição. Como vimos, nem um terço da cota consegue se eleger.

Sandra Rosado diz que as representantes do sexo feminino têm mais dificuldade em conseguir financiamento para suas campanhas. Corrigir a desigualdade de gênero é corrigir também uma das incoerências que o país comete com a democracia representativa, já que este é o modelo de sociedade que adotamos. E não há maior incoerência do que a atual forma de financiamento das campanhas eleitorais. Elegemos pessoas para nos representar em cargos públicos, mas essas pessoas são eleitas com apoio de dinheiro privado, em quantias imensamente desproporcionais.

Se implantado, o financiamento público de campanhas mudaria profundamente a atual pragmática “eleitoresca” tão manjada no Brasil. Enquanto isso, as brasileiras, como na Grécia antiga dos sofistas iluminados, seguem submissas. Continuam apanhando, mas agora assistidas por uma das mais avançadas leis de combate à violência do mundo.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo