Postagens com a palavra-chave ‘Morte’

Morre Saramago

18/06/2010

Morreu o escritor e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago.

O português tinha 87 anos e faleceu nas Ilhas Canárias, Espanha.

Fica o registro da partida do escritor que ficou famoso não só por seus livros e artigos, mas também por suas posições políticas de cunho socialista.

Artigo do leitor: O corcel branco

11/06/2010

Continuando a abrir espaço para artigos escritos por leitores do Perspectiva, reforçando cada vez mais a interação entre estes e o blog, publico texto, de autoria do leitor Fábio Liberal, construído após uma sessão do filme ”Viajo porque preciso, volto porque te amo”:

Fábio Liberal*

Ontem, depois de assistir um filme, lembrei do dia em que meus avós dançavam no quarto às vésperas do São João. O rádio tocava baixinho ‘Riacho do Navio’ de Luis Gonzaga.

Guardo essa cena como quem guarda o melhor pedaço da vida. Por sorte eu usufruía de um ângulo que impossibilitava o flagrante. Fiquei ali até que a música findasse. Eram dois velhos movendo seus corpos sem a mínima fração de ânsia, duas pessoas que dificilmente teriam ainda o que dizer um ao outro.

Lembro que poucos meses depois eu estava encarregado de dirigir o carro do velho, um corcel branco enfurnado de baratas, caindo os pedaços. Um câncer comia-lhe as tripas e eu fora designado a dar assistência à família.

A tarefa consistia em levar e trazer minha avó, minhas tias e minha mãe à UTI de um hospital na Ilha do Leite. Assim como aquele velho corcel, meu avô não tinha direção hidráulica, era bruto como uma caixa de ferramentas e talvez por isso mesmo capaz de surpreender as todos com os gestos mais singelos.

No quinto dia de sua internação, como ninguém quisesse entrar na UTI, por desejo do meu próprio avô, pediram que eu fosse porque ainda não tinha o visto em tal situação. Talvez ele estivesse fadigado por ver as mesmas expressões nas mesmas caras, pensavam. Ninguém aceitava que ele estava morrendo.

O mito do último contato, da última palavra, quando o sujeito se encontra desvelado de suas máscaras sempre percorreu o imaginário coletivo. Dizem que Goethe clamava por “mais luz!”; Tomas Hobbes dizia-se “diante de um terrível salto nas trevas”; até Nietzche temia publicamente: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens”.

Eu me sentia culpado por estar violando o desejo daquele homem de não ser importunado com a piedade alheia. Entrei a contragosto. Tentei não notar a infinidade de tubos que lhe desfiguravam o rosto; cumprimentei-o de maneira ridícula; segurei-lhe a mão e, covardemente, esperei pela iniciativa de um resquício de ser vivo que agonizava na cama.

Os poucos segundos que passaram foram os mais mórbidos que já presenciei. Quando então percebi que a boca dele estava prestes a se mexer, curvei-me para ouvi-lo. “A correia do carro precisa ser trocada”, ele me disse baixinho.

Foram as suas únicas palavras, as últimas dele para mim. Um dia depois ligaram do hospital de manhã cedo. Aposto que Goethe, Hobbes, Nietzche e a maioria dos grandes homens invejariam a incorruptibilidade daquela frase: “a correia do carro precisa ser trocada”.

Prometi a mim mesmo que passadas as resoluções funerárias eu iria a um mecânico.

*Fábio Liberal é jornalista e leitor do Perspectiva Política

Coluna do dia: As Tumbas da Contemporaneidade – Capítulo 5

20/05/2010

Monólogo

Por Felipe Liberal*

Deus, sábios são os mortos?

Deus, e os sábios vivos?

Isso, aqueles que não conhecem a Morte.

Como podem ser sábios se não conhecem a Morte,

mas apenas a Vida?

Se a Vida não é Tudo,

como podem saber de Tudo os que não sabem de Tudo?

Deus, não é justo que caminhemos para o fim da Vida.

Por que esse maldito empréstimo?

Por que tamanha dificuldade pra Nada?

Por que não tornas isso Tudo apenas em um grande Nada?

Por que nos ilude com hipóteses,

se a única verdade é a Morte?

Deus, se o amor não é Tudo,

pra que senti-lo?

Não é mais justo sentir Tudo que é Tudo sem desperdiçar Nada?

Se a Vida não é Tudo,

o amor o é menos ainda.

Deus se os sentimentos são menores que a Vida,

por que nos deste tantos prazeres,

tantas dores e tantas saudades?

Deus, se a Vida é menor que a Morte, por que a Vida e não logo a Morte?

Por que nos concede o morno e não o quente?

Por que não o êxtase?

Deus, às vezes tenho medo de que não nos reconheça mais.

Talvez seja isso?

Estamos muito diferentes do que você quis?

Somos o que pensaste?

Foi tudo como planejado?

Como podemos ajudar?

Desculpe qualquer coisa!

Deus, por favor,

perdoe-nos por algumas desconfianças e medo.

Mas a Vida é tão complexa que pra mim já seria suficientemente Tudo.

A Vida é tão Tudo,

mesmo sendo apenas parte do Tudo e outra parte do Nada.

Deus, eu não pedi pra nascer,

mas peço pra não morrer,

pois tenho medo que a Morte seja insuportavelmente Tudo

e que tudo que eu tenha vivido seja um verdadeiro Nada.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: Ataque americano no Iraque – Bem-vindo ao mundo real

08/04/2010

Por Felipe Liberal*

Bastards, rebels and terrorists são as palavras que me fizeram chorar ontem à noite. Essas imagens acima são o reflexo de tudo que escrevi até hoje e que tento expressar, ostentando dias melhores.

É contra tudo isso que luto, que lutamos, nós, de esquerda, ultrapassados, retrógrados e “comedores de criancinhas”. É por conta disso que ainda insisto, que ainda sinto vontade de estar aqui, gritando nesse vazio interminável e denso onde estamos metidos 24 horas, todos os dias.

Essas imagens são de um helicóptero Apache estadunidense, em Bagdá, de onde se comunicam os bravos soldados democráticos e libertadores com a torre em terra. Através do rádio, os soldados avisam: “Have five or six individuals with AK 47s” e daí pedem permissão para atirar, pois eles disseram que os “tais” carregavam fuzis e lançadores de granada.

A permissão foi dada e junto com ela surgiram tiros e uma nuvem de fumaça e sangue. A fumaça suja de sangue vinha de dois civis, jornalistas da Reuters, Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh, mortos pelo exército norte-americano. Um deles ainda tenta, se arrastando, chegar a uma van preta que tenta também ajudá-lo, mas uma nova rajada de tiros detona o veículo, que possuía duas crianças no seu interior, que, por sorte, saíram apenas feridas.

Essa é só uma amostra do que acontece no Iraque. Milhares de vídeos como esse não são divulgados, por se tratarem as vítimas de civis anônimos e invisíveis.

O imperialismo é isso, para quem o defende. Os Estados Unidos da América são isso, para quem os defende. A democracia e a liberdade americanas são isso, para quem as cultua. Tudo que escrevo não é apenas raiva ou ódio do capitalismo ou imperialismo, mas indignação e tristeza com o que eles geram como consequência inevitável.

O maldito sistema pede sangue, morte e desprezo pela vida humana. Ninguém em sã consciência pode negar que isso é uma prática do capitalismo, e não apenas dos EUA. A guerra é um fator econômico, que compra vidas através da morte.

Declaração Universal dos Direitos Humanos? ONU? A maior democracia do mundo? Respeito pela dignidade humana? Paz? Tudo isso parece piada diante das imagens da verdade.

A mentira nos condena à moderação, aos caminhos da aceitação, à burra imparcialidade e à venenosa omissão. Essa é a verdade, meus amigos e amigas, essa é a mais pura verdade do que acontece todos os dias no planeta Terra.

Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro são criancinhas, comparados a pessoas como Reagan, Bush ou Obama.

O mundo precisa entender quem são os verdadeiros culpados pela nossa terrível situação como seres humanos. Saiamos desse conto de fadas falado em inglês e comprado em dólar. Precisamos entender e combater os verdadeiros Bastards, rebels and terrorists do mundo real.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Coluna do dia: A justificação da moderna inconsequência adolescente e a morte de J. D. Salinger, o reacionário

29/01/2010

Por Yashá Gallazzi*

O escritor Jerome David Salinger morreu ontem, quinta-feira, aos 91 anos. Morreu exatamente da mesma forma que sempre viveu: ocupado apenas consigo mesmo e com o pequeno mundo dentro do qual resolveu habitar.

Salinger sempre foi considerado um ídolo por aqueles estranhos profissionais que passarei a chamar de “modernos psicólogos”. Sua obra mais famosa, “O apanhador no campo de centeio”, sempre foi encarada como sendo uma espécie de tratado sobre a rebeldia na adolescência. Não que a adolescência tenha nascido com o livro de Salinger. Longe disso. É que foi a partir dele que se começou a cultuar a ideia de que há, necessariamente, uma fase da vida na qual a rebeldia e a contestação são aceitáveis.

A verdade é que Salinger acabou morrendo sem conseguir mandar para o diabo todos os imbecis que utilizaram sua obra de arte para abafar as palmadas que várias gerações de moleques deixaram de levar em seus traseiros rebeldes.

Não que ele tivesse vontade de desmentir, recriminar ou mandar pro diabo quem quer que fosse. Salinger era, antes de qualquer outra coisa, um indivíduo pleno em sua individualidade. Em uma das raríssimas entrevistas que concedeu, ao “The New York Times”, perguntado sobre o que tentava passar aos seus leitores, o escritor respondeu assim: “Não dou muita importância ao sentimento do leitor. Eu amo escrever, mas só escrevo para mim mesmo. Faço isso para meu prazer pessoal.”

Trata-se da síntese daquilo que considero a essência de uma boa relação entre escritor e leitor. É muito melhor ler as grandiosidades escritas por “um Salinger”, que não está nem aí pra você, do que se debruçar sobre as escoiceadas de “um Saramago”, sempre em busca de catequizar o mundo.

Salinger foi grandioso por ter escrito com extrema simplicidade o óbvio. Ele deixou de lado qualquer recurso a mensagens subliminares ou morais escondidas e ocupou-se apenas da fria narrativa dos acontecimentos. Por isso sua obra parece tão emocionante e envolvente. Paulo Coelho precisa rabiscar uma “lição de vida” diferente a cada três linhas de texto para conseguir emprestar alguma profundidade àquilo que produz. Salinger só precisava escrever para ele mesmo, nada mais.

“O apanhador no campo de centeio” é um livro fascinante porque se ocupa do que é prático. Ali, Holden Caulfield divaga tentando compreender a si mesmo, desafiado cada vez mais pelas nuances do seu próprio individualismo. A obra não poderia jamais ser vista como uma ode à rebeldia adolescente, simplesmente porque Caulfield, o contestador de Salinger, é o vilão da trama! Antes de ser um salvo-conduto para as trapalhadas dos moleques, o livro é, pois, uma sonora bofetada na cara espinhenta de todos eles.

A personagem principal do livro realmente enfrenta dramas e tormentos pessoais, mas em nenhum momento o autor os relativiza em razão da idade do atormentado. Muito menos tenta justificar as idiotices cometidas por Caulfield – e foram muitas! – valendo-se do discurso vitimista. Assim, se o moleque bombou na escola e foi expulso – por três vezes! -, fica claro que o problema é ele, não uma suposta “incompreensão do mundo exterior”. Em outras palavras, quando cada estranho na rua olha Caulfield como se este fosse uma aberração, Salinger deixa claro o óbvio: Não será ele, de fato, uma aberração?

Salinger morreu. Mas não ontem, numa quinta-feira fria de janeiro. Morreu há muitos anos, na primeira vez em que um “moderno psicólogo” subjugou sua obra prima e a seviciou intelectualmente, usando-a para molestar adolescentes ávidos por justificar suas irresponsabilidades.

O vilão criado por Salinger foi, assim, alçado à condição de mocinho-vítima, cujos atos destrambelhados deveriam sempre ser creditados a uma suposta revolta com um mundo e com uma escala de valores opressiva. Desta feita, quando Caulfield conseguiu ser expulso de três diferentes escolas, os “modernos psicólogos” passaram a questionar as políticas de ensino, deixando de lado o mais evidente: o moleque não queria estudar!

Foi de perversões assim que nasceram absurdos como a tal “avaliação no processo”, o “ensino voltado a formar cidadãos” e o culto à aprovação desmedida – mesmo sendo imerecida. Ao ler “O apanhador no campo de centeio”, os pensadores pegaram o caminho errado da interpretação: o pobre adolescente tem tantas dúvidas, tantos transtornos, que precisa ser acarinhado e protegido do mundo e de si mesmo, inclusive garantindo-lhe o direito à rebeldia. Na verdade, a escolha certa seria exatamente a oposta: o vagabundo precisa tomar uns tabefes o mais rápido possível! Ele que pare de se preocupar com os olhos do tal “mundo exterior” e se concentre nos livros. Simples assim.

Salinger morreu quando notou que “o mundo exterior” transformou seu romance em um livreco de auto-ajuda, bem ao melhor – pior? – estilo Paulo Coelho. O mais dramático, porém, talvez nem tenha sido isso, mas a enormidade de livrecos de auto-ajuda que nasceram sob a pretensão de explicar o livreco de auto-ajuda, que a estupidez moderna pensou ter sido escrito por Salinger. Aí a coisa ficou realmente crítica: caímos de Paulo Coelho para Chico Buarque, apanhados por histórias ridículas.

Não é de se estranhar que Salinger tenha vivido por décadas como um eremita, isolado da imprensa e negando-se a escrever continuações do livro. Quem poderia suportar a obra de sua vida sendo espancada, assassinada e, por fim, vilipendiada de forma tão cruel?

Nas últimas décadas – em especial nesta última -, presenciamos um exército de “experts” sustentando que a rebeldia e a contestação dos adolescentes são algo “bom e normal”, sempre a partir de uma psicologia que parece ter sido inventada no bar. Essa gente corrompeu toda uma leva de pais e de jovens, que cuidaram de se acomodar diante de sua própria estupidez e ignorância, encarando-as como “uma fase”, “um sinal da idade”.

Tomaram um romance brilhante sobre a conduta do ser humano e suas consequências, e transformaram-no em uma ode à irresponsabilidade sem causa. Fizeram de Holden Caulfield uma vítima do mundo, quando, na verdade, Salinger o descreveu como um vilão, causador de toda a sua mesquinharia interior.

Enquanto o “mundo moderno” se derrete pela rebeldia adolescente, encarada como uma espécie de revolução contra os “costumes caretas”, Salinger pintou o adolescente rebelde perfeito: aquele que merece levar uma boa surra, sofrer um castigo exemplar e, por fim, ser urgentemente obrigado a deixar de lado as baboseiras da contestação e se dedicar aos livros. Contra os “modernos psicólogos” revolucionários, Salinger foi, pois, um reacionário.

Aliás, não! Isso é o que eu acho que Salinger foi. Afinal, como dito, ele escrevia apenas para ele, não para passar mensagens secretas e libertadoras ao leitor. Por isso sua obra é tão brilhante. Por isso sua perda deve ser tão sentida.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Coluna do dia: Enquanto o Haiti passa fome, os EUA temem “invasão” em seu território

24/01/2010

Por Jessica Riegg*

No dia 12 de janeiro, o Haiti sofreu com um terremoto de magnitude 7. O país recebeu várias doações e tenta se reeguer após o pesadelo. O Brasil mantém 1300 militares no país. Já os EUA aportaram em Porto Príncipe com 16 mil soldados que controlam o porto e o aeroporto da capital.

Os EUA temem a invasão de seu território pelos haitianos por causa da situação em que o país se encontra. Escolas, hospitais, casas, supermercados e todo o resto essencial para a vida em sociedade foi praticamente destruído.

Milhares de crianças estão abandonadas sem ter com quem ficar e estão sendo encaminhadas para a adoção em outros países, onde terão condições de sobreviver dignamente. A situação é triste: Cerca de 111.499 mortos e, para cada mil mortos, 1 sobrevivente resgatado. Agora o governo do país encerrou a busca por sobreviventes, diminuindo a esperança daqueles que ainda sonhavam em encontrar parentes perdidos.

Enquanto várias autoridades  se preocupam em enviar dinhero e alimentos para os habitantes do Haiti, o governo americano teme a invasão de seu território. Não são enviados mais soldados apenas para ajudar na reestruturação do país. Eles se preocupam também  em impedir que os haitianos imigrem para o território americano.

A invasão de território é, de certa forma, comum nos EUA por proporcionar melhores condições a quem chega lá, mas esses haitianos, que passaram dias sem comer, jamais chegariam com vida ao norte. No fundo, eles querem apenas viver em paz. E para isso precisam de uma estrutura no seu país, quase totalmente destruída pelo terremoto.

Se os Estados Unidos enviassem mais tropas para garantir a organização da distribuição de alimentos (completamente bagunçada e permitindo que apenas pessoas fortes consigam adquirir as doações), os haitianos provavelmente pensariam duas vezes mais em ficar no seu país.

É necessária a ajuda internacional urgentemente. É extremamente preciso que a ONU envie tropas de paz para ajudar nas construções e no cuidado com os feridos. É preciso ajudar o país a se reerguer.

Fico muito triste ao ver notícias como esta que cita que os EUA pensam mais na sua qualidade de vida, sem se lembrar que outros estão em uma situação caótica, e que eles podem resolver, ou pelo menos ajudar muito a solucionar, o caos. Aguardemos os novos fatos enquanto os haitianos unidos, com a ajuda de tropas brasileiras que estão sendo enviadas, reconstroem seu país e sua dignidade.

Em meio ao luto, há sinais de que o país caribenho, o mais pobre das Américas, começa a voltar à vida. Os bancos devem reabrir no sábado e as agências de transferência de dinheiro voltam a operar.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Tributo a Michael Jackson

25/06/2009

Por mais que este blog fale muito raramente de algo que não se relacione com a política nacional ou internacional, não poderia este blogueiro deixar de prestar homenagem a Michael Jackson.

E esse tributo é devido por um simples motivo: Michael Jackson foi um homem desastroso pessoalmente, porém, genial artisticamente.

É a esse gênio que presto homenagem. Coisa rara no Perspectiva Política.

Para que os leitores possam relembrar a obra de Michael, morto hoje aos 50 anos, seguem duas músicas que podem ser ouvidas aqui mesmo no blog.

A primeira delas remete ao “estilo Michael Jackson” e a segunda ao fato de Michael também ter sido um artista com consciência socio-política:

Michael Jackson – Billie Jean

Michael Jackson – Black Or White

Manuel Rosales diz que Hugo Chávez queria matá-lo na prisão

24/04/2009

“Líder oposicionista venezuelano diz que Hugo Chávez queria matá-lo na prisão”

Informa o jornal O Globo na matéria referendada acima:

“Numa de suas primeiras entrevistas desde que pediu asilo ao Peru, o líder oposicionista venezuelano Manuel Rosales afirmou [...] que o governo do presidente Hugo Chávez pretendia matá-lo, e que as acusações contra ele são falsas e já tinham sido arquivadas pela Justiça, mas foram retomadas por decisão política. Além disso, ele estaria sendo perseguido pela polícia política de Chávez, mesmo sem que houvesse um mandado de prisão contra ele

Depois de semanas escondido na Venezuela, Rosales, que é prefeito de Maracaibo, fugiu para Lima no início da semana. Ele é presidente de um dos principais partidos da oposição, o Um Novo Tempo, e foi o candidato oposicionista único nas eleições presidenciais de 2006, vencidas por Chávez”.

Antes de comentar o episódio, destaco a seguinte passagem da entrevista de Rosales:

Se o senhor fosse à audiência da segunda-feira passada, acredita que seria preso?

Pensava em ir, mas a sentença que tinham preparado vazou. Iriam me mandar para uma prisão chamada La Planta, que tem condições desumanas. Há celas para três ou cinco pessoas com 20 detentos. Queriam me prender lá simplesmente para que me matassem. Saí da Venezuela para proteger minha integridade física, porque podiam me matar e depois dizer que briguei com eles, ou podiam dizer que estava fugindo pela fronteira. Salvei a minha vida”.

Antes de mais nada, quero dizer que não sou defensor de Manuel Rosales, que não conheço o passado do opositor de Chávez, que não coloco minha mão no fogo por ele e que não afirmo que ele não é culpado das acusações que foram feitas contra sua pessoa.

Dito isso, eu gostaria de salientar que o caso de Manuel Rosales se configura como um forte indício de que o argumento dos chavistas de que o regime de Hugo Chávez não é uma ditadura, pois não existiria perseguição política, começa a ir por água abaixo.

Alguns me perguntarão: “Mas se você não atesta a idoneidade de Rosales e a verdade das declarações do mesmo, como pode dizer que o caso dele prova o viés ditatorial do regime chavista?”

Muito simples. Rosales ser culpado ou não e estar mentindo ou não não quer dizer que ele não está sendo perseguido. Está claro que ele está sendo perseguido, independentemente de sua culpa.

Explico: Por mais que Rosales possa ser, sim, culpado, está cristalino que os trâmites do processo que o envolve estão sendo influenciados politicamente.

Em resumo, Chávez influenciar um processo para prejudicar um opositor já é, por si só, prova de perseguição. Não é necessário que Rosales seja inocente. A perseguição já se comprova com a influência.

Novas perguntas virão: “Como você sabe que Chávez influenciou o processo?”

A resposta é: Não sei. Suponho. Mas não suponho baseado em nada, suponho observando os indícios.

Manuel Rosales abandonou seu país, sua família, e seu cargo para se refugiar no Peru. Pode até ser que ele tenha feito isso por medo de ser condenado corretamente, porém, acho difícil que tudo não tenha sido motivado por medo da morte.

E o medo da morte só existe por conta da perseguição, já que uma condenação e um encarceramento que não fossem influenciados politicamente não resultariam em morte.

Admito que meu raciocínio é frágil e que pode estar errado, porém, ele está, com certeza, mais perto da verdade do que o raciocínio de que Rosales mente em tudo que diz e de que Chávez em hora nenhuma perseguiu esse Prefeito espalhafatoso e pretenso mártir.

Para os que disserem que eu não sei do que Rosales é capaz, eu respondo: Então não se comportem como amigos íntimos de Chávez, meus caros. Muitos de vocês nunca saíram do Brasil, não passaram nem perto da Venezuela e não sabem do que Chávez é capaz.