Postagens com a palavra-chave ‘Moralização’

Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa

08/02/2010

Por Tiago Franz*

Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?

Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?

Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.

Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.

A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.

Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.

Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.

Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.

Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.

Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.

Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.

Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.

*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz

CPI da Petrobras: Não basta instalar, tem que funcionar

10/07/2009

É fato que a oposição mudou de estratégia no Senado. Deixou um pouco de lado a crise e focou na CPI da Petrobras. Como diz o jornal o Globo, trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem.

Pois bem. Com essa mudança a oposição conseguiu um acordo para que a CPI seja instalada. Sarney assentiu, negociou com os governistas e a Comissão vai sair na semana que vem.

Pode parecer que a oposição conseguiu alguma grande vitória, mas não é o caso.

Primeiramente, pois Sarney só assentiu por dois motivos que nada tem a ver com a força da oposição ou com a habilidade de articulação da mesma. O Presidente do Senado só concordou pois:

1- A CPI sairia de qualquer forma se a oposição requisitasse isso junto ao STF, que provavelmente ordenaria a instalação da CPI, já que esse tipo de Comissão é direito garantido pela lei das minorias parlamentares.

2- Queria sair um pouco do foco, ganhando um respiro.

Em segundo lugar, o mais importante: Não existe vitória da oposição pois não basta instalar a CPI, é preciso fazê-la funcionar. Isso sim seria uma vitória.

A CPI da Petrobras terá membros que representarão uma situação de 11 contra 3 a favor do governo. Sendo assim, parece que, infelizmente, as irregularidades da estatal não serão descobertas e não terão seus culpados punidos.

A CPI tem tudo para não funcionar, não andar. Travar.

Ninguém acredita que o governo, que diz já sem graça não temer a CPI, deixará que ela apure de verdade alguma coisa.

Lamentável que vivamos em um País onde investigações tão importantes e tão necessárias são moedas de troca submetidas ao jogo político do câmbio de escândalos.

Nova estratégia: Oposição deixa a crise um pouco de lado e foca CPI da Petrobras

09/07/2009

Informa o jornal O Globo sobre a nova estratégia da oposição no Senado:

” A crise do Senado passou longe do plenário nesta terça-feira. Em vez das denúncias que atingem a instituição e seu presidente, senador José Sarney (PMDB-AP) , a oposição concentrou artilharia sobre a CPI da Petrobras. Não houve cobranças para que o chefe do Congresso deixasse o cargo.

- Nós centramos fogo na CPI. Sem número, você não provoca nada, é uma questão aritmética – disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

Trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem. Em 2010, dois terços da Casa passarão pelo crivo das urnas.

Tanto democratas como tucanos advogaram pela licença de José Sarney do comando da Casa. Por ora, decidiram tirar o pé do acelerador. A mudança de estratégia foi definida em uma reunião da cúpula dos dois partidos oposicionistas na manhã de terça-feira. O efeito da decisão foi imediato.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), não descartou a possibilidade de instalação da CPI da Petrobras.

O clima no plenário na tarde de terça foi completamente diferente. Ao contrário da semana passada, José Sarney presidiu a sessão. Ninguém falou na crise. Há exatos sete dias, o peemedebista vivia um calvário. Pressionado, chegou a pensar em renúncia . Foi salvo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interessado na governabilidade.

- A crise está no colo do presidente Lula e do PT – alfinetou Agripino, negando estar lavando as mãos em relação às denúncias que atingem a Casa e o parlamentar que a lidera. “

Fica claro que a mudança de estratégia parte do pressuposto de que é mais interessante para a oposição conseguir instalar a CPI da Petrobras do que manter o calvário de José Sarney.

E esse pressuposto se baseia na seguinte conclusão: A crise do Senado atingirá a todos, a CPI da Petrobras atingirá só o governo, ou seja, é um cálculo eleitoral. Há ainda a tentativa de jogar a manutenção do impopular Sarney no colo do governo, atingindo assim a imagem dele.

Esse cálculo eleitoral não deveria ser feito. Pelo menos não é o tipo de política que este blogueiro faria. Acima deste cálculo deveria estar a luta pela moralização do Senado e esta luta em nada é fortalecida com o abandono da pressão sobre Sarney.

Ambas as lutas devem ser priorizadas, a da moralização do Senado e a da moralização da Petrobras. A oposição não deveria deixar que interesses eleitorais, que são até certo ponto válidos, prevalecessem. Eles são aceitáveis, mas não devem ser os mais importantes. Nunca.

O Senador Jarbas Vasconcelos resumiu bem. Disse que essas lutas devem ser complementares e não excludentes. Este blogueiro concorda plenamente.

Alguns dirão: Mas seria impossível agir nas duas frentes. É fato que na política atual é preciso barganhar.

Respondo: Discordo. Se há barganha é porque há a consideração do interesse pessoal. E não deveria ser assim. É triste que seja assim.

E digo mais: A culpa, no fim das contas, não é do político. É da população. Afinal, o político que não pensa em si, e sim nela, não se reelege. Vejam que paradoxo. E a população não sabe votar corretamente, em grande parte, pois não foi educada de forma a se politizar. E quem contribui muito para que não haja essa educação são os políticos. Mais um paradoxo.

O Brasil é paradoxal.

Pergunta de um leitor, resposta do blogueiro: O que fazer para melhorar a política nacional?

30/06/2009

Pergunta para este blogueiro que vos escreve, em comentário feito aqui no blog, o leitor que se assina Eziquiel de Souza Silva:

“Prezado blogueiro, preciso da sua contribuição editorial, estou num momento de intensa revolta como cidadão, sou paulistano, acabei de fazer uma viagem ao Maranhão, e a conclusão é que tenho o dever de botar a boca no trombone, espernear, berrar, não podemos permitir que o clã dos Sarney simplesmente tome conta do nosso país, por favor, nos dê uma luz, qual bandeira nós mortais da classe média (baixa) podemos empunhar para barrar tudo isto que está acontecendo em Brasilia?????”

Primeiramente, eu gostaria de dizer que fico muito lisonjeado de saber que este leitor vê no Perspectiva, blog que é escrito com tanto esmero por mim todos os dias, um meio que pode lhe ajudar a encontrar um norte, um caminho a seguir, uma batalha a lutar, no que tange a melhoria e moralização da política nacional. Que grande motivo de orgulho é saber que hoje, menos de um ano depois da criação do Perspectiva, um leitor recorre a mim para orientá-lo.

Dito isso, responderei a você, Eziquiel, com uma resposta que vale para todos os leitores deste blog, sem exceção:

A bandeira que deve ser erguida é a da indignação, a do protesto, a da vontade de mudar. Mas isso, com certeza, não é novidade. É a outro ponto que temos que nos ater.

O principal é saber como e onde focar esta indignação, este protesto. Afirmo a você que o alvo a ser escolhido não deveria ser José Sarney. Não por ele não merecer, ao contrário, mas sim, por ele estar longe, muito longe, de ser o mal maior do nosso Brasil.

O nosso mal maior, meu amigo Eziquiel, é nossa cultura política. Sim, a culpa é nossa. É claro que quando digo nossa, quero dizer que os brasileiros são os culpados e não, necessariamente, que eu ou você tenhamos contribuído para a construção dessa situação que dá desesperança e desespero.

É o brasileiro comum de hoje que será político amanhã. É o brasileiro que critica o político mas que, em seu lugar, faria as mesmas falcatruas que é o culpado. É o brasileiro que elege os mesmos ladrões eleição após eleição que deve colocar a mão na consciência.

Muitos dirão: Mas os brasileiros têm, muitas vezes, vida precária. Dependem de assistencialismos baratos, dependem de pratos de comida, dependem das práticas que perpetuam as ervas daninhas no poder.

Sim, é verdade. Mas cabe a aqueles que não se encontram nessa situação, e que são muitos também, não quererem levar vantagem, não quererem a vaga no emprego público para o parente que é indicado politicamente, não quererem a mutreta para se livrar de tarifas, não quererem reclamar de quando os outros fazem o mesmo que eles fizeram, não quererem, por fim, se valer de “pistolão”.

Parece lugar-comum mas a resposta é a mesma de sempre: Voto consciente e educação. Só isso transforma.

É com o voto consciente dos que têm possibilidades de ter consciência que será possível moralizar uma grande parte da política. No momento que tivermos a maioria da política regida pela ética, e não o contrário, poderemos esperar que a moralização se intensifique em um ciclo.

Uma vez moralizada a política, será a educação de qualidade para todos os brasileiros, aquela que não é dada hoje pois a ética não rege o poder e os que o ocupam não gostam da ideia de eleitores mais informados, que dará a eles consciência social e política, além de cidadania.

São esse atributos que impedirão, provavelmente, que a calamidade da política do conchavo, do empreguismo, do loteamento de cargos, das oligarquias e dos sarneys, que são inúmeros, continue.

Nada de “fora Sarney” meu caro Eziquiel. “Fora brasileiro que é imoral nas pequenas atitudes” é que deveria ser o grito das ruas.

O que podemos fazer, então, é votar direito e incentivar outros a fazerem o mesmo. Façamos isso com nossos pais, avós, filhos, irmãos, primos, sobrinhos, amigos, vizinhos e, principalmente, com os mais necessitados, como a empregada doméstica, o inspetor do colégio, o cobrador do ônibus e o camelô da esquina.

O conformismo nesse caso é nocivo. É terrível pensar que nada irá mudar. E se nós mesmos praticarmos o errado, mudemos.

Tudo pode mudar, Eziquiel. Tudo. Inclusive o brasileiro que pede a renúncia do Presidente do Senado, mas é, em sua vida privada, um mini-Sarney.

Eu acredito nisso. O Perspectiva Política é filho dessa crença.

Restrições ao uso de passagens por familiares de políticos irá ao Plenário da Câmara

23/04/2009

“Pressionado, Temer recua e decide submeter restrições ao uso de passagens ao plenário”

Se é verdade que as medidas defendidas por Michel Temer com relação ao uso da cota de passagens pelos deputados federais representavam, dependendo de como fossem aplicadas, um avanço para a moralização da Câmara dos Deputados, também é verdade que seu recuo atua no sentido contrário.

O fato de Temer ter decidido submeter as restrições ao uso das passagens ao Plenário é prova de uma vitória daqueles que não desejam a moralização do sistema.

Como informa a Folha, as mudanças poderiam ser referendadas por ato da Mesa Diretora da Câmara. Porém, a assessoria de Temer divulgou que ele vai apresentar na terça-feira um projeto de resolução sobre o tema para ser votado em plenário. Lendo nas entrelinhas, a assessoria disse que Temer recuou frente às pressões do “baixo clero”, expressão que foi convencionada como sinônimo do grupo de deputados menos influentes mas em maior número.

E por que o “baixo clero” pressiona? Para que, sendo apreciada em Plenário, a proibição do uso das passagens das cotas dos parlamentares por familiares destes seja derrubada.

O “baixo clero” argumenta que para atender à pressão exercida pela imprensa, Temer e a Mesa presidida por ele afrontam a lógica, ou seja, dizem que é inviável para os parlamentares que os familiares deles não possam viajar a Brasília, e de volta para casa, às custas do erário.

Porém, na minha opinião, a verdade não é essa, a realidade é que quem pressiona, através da imprensa, é a opinião pública, que deseja menos escândalos, menos arroubos e mais austeridade. Além disso, me parece totalmente viável que o parlamentar cumpra seu mandato com eficiência sem que seus familiares possam viajar às custas dos nossos impostos.

Acontece que a viabilidade é uma desculpa esfarrapada que não será retirada pelo “baixo clero” e a opinião pública é algo que não importa muito para eles, pelo menos não a que não se resume à opinião dos seus redutos eleitorais em época de campanha.

Câmara culpa mídia por imagem negativa, mas os escândalos não são inventados

10/04/2009

“Câmara culpa mídia por imagem negativa”

Caro Presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer,

É verdade que certos setores da imprensa entendem que, desmoralizados os políticos, aumentará o poder de fogo da mídia, tornando a imprensa, literalmente, o quarto poder. Reconheço isso.

Porém, ao mesmo tempo, não se pode culpar a mídia pela imagem negativa dos políticos, meu caro. Por acaso os escândalos são inventados? Por acaso as falcatruas são obras da fantasia dos jornalistas? Não. Pois então.

Se por acaso você, como político, entende que a mídia quer boicotá-los e satanizá-los, que inicie um movimento de moralização que faça com que a classe não dê motivos para que a mídia ataque e se comporte em consonância com a ética, já que, no momento atual, ela não precisa, por mais que o senhor possa entender que ela quisesse, inventar nada.

Os políticos brasileiros dão motivos para imagem negativa de sobra e a imprensa presta serviço importante ao informar os cidadãos sobre isso, pois, de certa forma, instrui melhor o voto, ao dar ciência aos eleitores de que o eleito por eles se desvirtuou e de que ele não deve ser eleito novamente.

Admito que pode até existir uma tendência de se agigantarem os ataques contra políticos, porém, nada é inventado. Se os políticos não querem ser “negativizados”, que não se “negativizem”.

Cinismo total

02/03/2009

“PMDB propõe CPI para investigar fundos de pensão”

Poucas vezes vi tanto cinismo na política brasileira como neste episódio que irei narrar.

Primeiramente, o PMDB, com sua sanha de lotear cargos e ocupá-los, desejava substituir parte da direção do fundo Real Grandeza, o fundo de pensão de Furnas, e colocar no lugar dos substituídos pessoas indicadas pelo partido, enfim, indicações políticas.

Visto que não foi possível conseguir que isso fosse feito, em parte pelo momento de desconfiança pairando sobre o PMDB após as declarações de Jarbas Vasconcelos, o partido resolveu então apoiar a criação de uma CPI para investigar todos os fundos.

Pode parecer que o PMDB esteja com boas intenções e deseje, já que foi acusado de estar querendo adentrar mais ainda em Furnas para roubar, mostrar boa vontade. Mas, em minha modesta opinião, não é bem isso.

Para mim, o que ocorre é que o PMDB quer dar o troco, se vingar do fato de não ter podido indicar quem queria.

Alguns podem se perguntar: Mas como uma CPI que investigue todos os fundos poderia ser uma vingança?

Ora bolas, se o PMDB não pode se utilizar de Furnas, quer impedir que todos os outros se utilizem do que têm também. Daí a criação da CPI, que investigará não só outros fundos dominados pelo PMDB como os fundos dominados por partidos como o PT, um dos que, nos bastidores, barrou a entrada do PMDB em Furnas.

Pelo outro lado, percebendo que o PMDB provavelmente está sendo apenas cínico, defendendo que a CPI moralize os fundos mas na verdade apenas querendo arrastar todos para o mesmo barco, o PT se arma contra a proposta, afinal, se o PMDB conseguir o que quer, “atrapalhará” o PT, da mesma forma como por ele foi “atrapalhado”.

O PT, também cinicamente, critica a proposta. Porém, assim como o PMDB não pode assumir que quer vingança, o PT não pode assumir que não quer deixar o PMDB se vingar assim dele. Então, o partido alega que é contra a Comissão Parlamentar de Inquérito pois o governo tem outros métodos de averigurar irregularidades e uma CPI não é necessária.

Ainda não se sabe como a história vai terminar, embora provavelmente fiquemos sem CPI. O que já se sabe é que o cinismo total já reina.

O embrião

25/02/2009

Disse Jarbas Vasconcelos sobre a frente suprapartidária anticorrupção, que ele está pretendendo criar com ajuda dos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) e que foi comentada aqui no blog na postagem “A frente anticorrupção”:

“Essa reunião não pode ser confundida como o embrião de um novo partido. Isso pode até surgir mais à frente, não nessa fase”.

Ora Senador, se um partido pode surgir mais para frente, em outra fase, quer dizer que esse grupo, a fase atual, pode dar origem a algo que leve a isso. Se isso ocorre, a frente é, sim, um embrião.

E um ótimo embrião, caso cumpra o que se digna a fazer, diga-se de passagem.

Pena que, no fundo, não tenho muitas esperanças de que o grupo consiga fazer mais do que combater a corrupção dentro dos meios possíveis para os políticos que o compõem. Dificilmente levará a um partido ou algo dessa magnitude. Há que haver vontade política para tal e isso traduz-se em apoio de grande parte da classe política. Esse apoio parece não existir, infelizmente, quando o assunto é combate à corrupção e ao loteamento de cargos. Tomara que eu esteja errado e algumas poucas andorinhas façam verão.

E antes que alguém diga que estes políticos estão apenas querendo aparecer, fazer marketing pessoal e auxiliar o projeto da oposição para 2010, vou logo respondendo que pode até ser que um político use a moralização da política como plataforma para se eleger, porém, quem pode criticar uma plataforma como essa?

Sim, pode ser demagogia e isso sim é condenável. Porém, cabe a nós esperarmos e vermos os resultados obtidos por esses políticos. Por hora, apóio totalmente a iniciativa, pois tenho esperanças de ver um Brasil melhor.

Posso ser taxado de ingênuo mas no dia em que eu não me deixar acreditar em iniciativas idealistas para o Brasil, que incluem o fim das práticas políticas espúrias e o bom serviço prestado pelos políticos, esse blog terminará.

Espero que isso não aconteça nunca. Nessa linha, até que eu por acaso venha a ser provado errado, o que me faria reconhecer o erro no exato momento, acreditarei neste embrião. A desconfiança de que alguém que clama pela moralização possa estar se utilizando disso para se beneficiar não pode fazer com que eu nunca creia e me disponha a apoiar alguém que levanta essa bandeira.

A frente anticorrupção

23/02/2009

O jornalista Josias de Souza noticia em postagem do seu blog que os deputados Fernando Gabeira, Jarbas Vasconcelos e Gustavo Fruet iniciaram um movimento no Congresso para criar uma frente suprapartidária parlamentar que lute contra a corrupção e a favor da moralização política e da melhoria da imagem do parlamento brasileiro.

Segundo o jornalista, Fernando Gabeira informou que a frente poderia, já de início, contar com 30 parlamentares da oposição. O deputado teria dito também que o desejo é que o movimento faça o que o Congresso não tem feito, ou seja, “se articular com a opinião pública”. O senador Jarbas Vasconcelos adicionou, sobre o tema, que é necessário o “combate à corrupção e às práticas políticas nocivas”.

Em um tempo em que a política brasileira vive um momento em que diversos fatos esvaziam a influência do Legislativo sobre os rumos do Brasil, abrindo espaço para que todos os deputados e senadores sejam taxados de inúteis e formatados dentro do estereótipo de corrupto pelo povo e, até mesmo, por parte da imprensa, uma iniciativa como essa vem a calhar.

É claro que o reclame da sociedade sobre a corrupção e sobre os maus costumes políticos é o mais importante, o que mais pressiona, se for feito de forma ordeira e mobilizada, porém, não deixa de ser importantíssimo que inciativas para que a política se moralize venham de dentro da própria classe política, afinal, esses representantes estarão levando para o plenário o desejo daqueles que representam. E é justamente isso que deve ocorrer. Eles mesmo o reconhecem ao dizerem buscar, justamente, “articular com a opinião pública”.

O Legislativo, além, claro, da política brasileira como um todo, precisa se moralizar, ser produtivo, atender às demandas da sociedade que elegeu seus membros. Por outro lado, deve parar de se encerrar em si mesmo, deixando os grandes problemas da vida brasileira a cargo dos outros poderes e se preocupando com seus próprios problemas internos e arranjos políticos, em torno dos quais gira seu mundinho manchado de corrupção.

Os legisladores estão contribuindo fortemente para a dispersão da tenebrosa idéia de que todos os políticos são inúteis e de que toda a política está contaminada. É importante que parlamentarem influentes como Gabeira, Jarbas e Fruet lutem, de dentro do monstro, contra isso.

O povo deve pressionar para que se abram as gavetas

22/02/2009

Muitos visitantes do blog, quando comentam, demonstram claramente sua falta de crença na honestidade da política brasileira. Demonstram que não acreditam que possam existir muitas boas intenções nas atitudes da classe política nacional. Mas este blogueiro que vos escreve afirma que não é bem assim, afinal, é isso que mantêm minha esperança.

A realidade é que, por mais que possa ser a minoria, existem políticos comprometidos com o bem servir ao cidadão, com a ética e com a população em geral. E para fins de comprovação disso, apareceu em boa hora postagem (clique aqui) recente do Blog do Josias.

Nela, o jornalista demonstra, através dos episódios que relata, como que na verdade existem, sim, boas iniciativas, que acabam sendo travadas por outros políticos não tão interessados na moralização da prática política graças ao fato da falta de pressão da sociedade. Resumindo, em momentos de escândalo, políticos comprometidos lançam boas medidas, porém, assistem ao engavetamento delas assim que o barulho diminui na sociedade e aqueles que não estão tão dispostos a ir contra o establishment encontram cenário propício para relegar as tais medidas à escuridão.

Casos como o da proposta do voto aberto no plenário das Casas Legislativas, que faria com que fosse possível aos cidadãos saber como está votando o seu representante, inclusive em casos de cassação de corruptos, ou o da proposta que traria o fim da farra dos suplentes de Senador são exemplos.

Ambas chegaram a ser aprovadas, a primeira em primeiro turno no Plenário e a segunda no âmbito da Comissão, porém, mais tarde, vieram a ser engavetadas por Aldo Rebelo e Garibaldi Alves, presidentes da Câmara nas respectivas épocas, quando cessou o reclame das ruas.

Outro exemplo é o da proposta que propunha que políticos de ficha suja fossem impedidos de disputar eleições depois de condenados na primeira instância do Judiciário. Relatada por Demóstenes Torres, assim como a proposta do fim da farra dos suplentes já citada, a proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, porém, foi engavetada por Garibaldi.

No fim das contas, fica claro que existem, embora alguns achem que não, boas iniciativas no âmbito dos representantes populares brasileiros. O grande problema é que elas advém de políticos que, rodeados por pessoas não tão comprometidos com essas propostas assim, muitas vezes não têm força para, sozinhos, levarem elas adiante. O fato é que eles precisam do protesto da sociedade, do reclame das ruas, para criar um ambiente favorável para essas suas propostas moralizantes.

Isso mostra que o brasileiro tem, sim, o direito de reclamar, afinal, a maioria da classe política não o representa dignamente, porém, deve ele também não se acomodar, reivindicar, reclamar, pressionar, para auxiliar aqueles que trabalham a seu favor.

Contra quem não pretende fazer pelo bem da política honesta e, consequentemente, pelo povo, deve ele pressionar para que se abram as gavetas.