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Artigo: Disputa por espaço – Merval Pereira

31/08/2010

Reproduzo aqui no Perspectiva artigo longo – mas que vale a pena ser lido – de Merval Pereira, colunista de O GLOBO. Ele aponta com competência a provável correlação de forças político-partidárias que teremos no País a partir de 1° de janeiro de 2011:

Disputa por espaço

Merval Pereira*

O presidente Lula está utilizando sua força eleitoral para transferir aos estados a mesma expectativa de poder que conseguiu no plano nacional, no qual, antes mesmo de sua candidata oficial aparecer na frente das pesquisas, já havia uma percepção generalizada entre os eleitores de que ela acabaria sendo a vencedora.

A estratégia eleitoral do presidente Lula, que vem sendo vitoriosa em relação à campanha presidencial — com sua candidata se colocando com folga à frente do candidato oposicionista —, se desdobra agora na fase regional, onde o objetivo não é fazer a maioria dos governadores, mas, sim, garantir uma maioria sólida no Senado.

Um senador vale por três governadores, avisava bem antes da reta final da eleição o próprio Lula, justificando ter aberto mão de disputar muitos governos estaduais em favor de aliados em melhores condições.

Até o momento, no entanto, as pesquisas indicam que, além de mais governadores, a oposição e os independentes dos partidos aliados estão conseguindo manter um equilíbrio de forças dentro do Senado.

O PSDB hoje aparece com possibilidade de eleger nada menos que dez governadores, sendo que está na liderança das pesquisas do Ibope nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo, com Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, com Antonio Anastasia.

Pode vencer ainda em Goiás, com Marconi Perillo; no Paraná, com Beto Richa; no Piauí, com Sílvio Mendes; em Rondônia, com Expedito Júnior.

Além disso, tem boas chances no Amapá, com Jorge Amanajás; no Mato Grosso, com Wilson Santos; em Roraima, com José Anchieta Júnior; e em Tocantins, com Siqueira Campos.

O DEM lidera no Rio Grande do Norte, com Rosalba Ciarlini, e tem chance de vencer em Santa Catarina, com Raimundo Colombo, e em Sergipe, com João Alves. No Distrito Federal, por enquanto, a liderança está com Joaquim Roriz, do PSC.

No Senado, das 27 cadeiras que estão fora da disputa, por seus detentores terem mais quatro anos de mandato, nada menos que 14 são de oposicionistas ou de independentes: Marconi Perillo (Goiás) — que pode se eleger governador e colocará seu suplente Ciro Miranda Junior, também do PSDB —; Elizeu Rezende (DEM); Marisa Serrano (PSDB); Jaime Campos (DEM); Mario Couto (PSDB); Cícero Lucena (PSDB); Jarbas Vasconcellos (PMDB); Álvaro Dias (PSDB); Francisco Dornelles (PP) — que terá seu caráter independente reforçado pela chegada ao Senado de Aécio Neves; Rosalba Ciarlini, do DEM — que deve ser eleita governadora do Rio Grande do Norte e colocará em seu lugar o pai do senador Garibaldi Alves ou Ivonete Alves da Silva; Mozarildo Cavalcanti (PTB); Pedro Simon (PMDB); Raimundo Colombo (DEM) — que pode ser eleito governador de Santa Catarina e colocará em seu lugar o suplente Casildo Maldaner, do PMDB independente; Maria do Carmo Alves (PSDB); Katia Abreu (DEM).

Na nova safra de senadores a serem eleitos este ano, são os seguintes os senadores da oposição ou independentes que podem se eleger: Heloisa Helena (PSOL); Arthur Virgílio (PSDB) — que disputa a segunda vaga com Vanessa Grazziotin, do PCdoB —; Cesar Borges (PR); Tasso Jereissati (PSDB); Cristovam Buarque (PDT); Maria Abadia (PSDB) — que disputa a segunda vaga do Distrito Federal com Rodrigo Rollemberg, do PSB —; Demóstenes Torres (DEM); Lucia Vania (PSDB); Aécio Neves (PSDB); Itamar Franco (PPS); Valéria Pires (DEM); Antero Paes e Barros (PSDB).

Outros prováveis futuros senadores são Cassio Cunha Lima (PSDB da Paraíba; é o favorito, mas luta no Supremo para não ser considerado “ficha-suja”), Efraim de Moraes (DEM) — que disputa uma vaga com Vital do Rego Filho, do PMDB —; Marco Maciel (DEM) — que disputa a vaga com Armando Monteiro Filho, do PTB —; Mão Santa (PSC); Cesar Maia (DEM); José Agripino Maia (DEM); Ivo Cassol (PP); Ana Amélia Lemos (PP); Germano Rigotto (PMDB); Luiz Henrique (PMDB); Albano Franco (PSDB); e Orestes Quércia (PMDB) — que disputa uma vaga com Netinho, do PCdoB.

Como se vê, o equilíbrio real de forças no Senado continuará sendo grande, com uma pequena vantagem governista, que não garante a aprovação de questões polêmicas, e, muito menos, mudanças constitucionais que exigem quórum de 3/5 dos senadores.

Ao mesmo tempo, a presumível força eleitoral com que o PMDB sairá das urnas — deve eleger a maior bancada da Câmara e do Senado e grande número de governadores — está fazendo com que tanto governo quanto oposição comecem a negociar alianças para neutralizá-lo.

O PMDB pode eleger até nove governadores, sendo que dois deles — André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul — são independentes e não estão envolvidos na campanha de Dilma Rousseff.

O partido deve eleger ainda Roseana Sarney no Maranhão, Sinval Barbosa no Mato Grosso, José Maranhão na Paraíba, Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e Carlos Gaguim em Tocantins.

E tem chances também em Minas Gerais, com Hélio Costa, e em Rondônia, com Confúcio Moura.

Esse poder todo está movimentando não apenas a base petista, que sabe que vai ter que dividir realmente o poder, inclusive a distribuição de cargos, com o PMDB, mas também a base governista mais ampla, que teme que não sobrará espaço para mais ninguém com a disputa entre PT e PMDB.

O PSB, que deve eleger pelo menos três governadores — Cid Gomes no Ceará, Eduardo Campos em Pernambuco e Renato Casagrande no Espírito Santo —, é o mais preocupado em ganhar espaço para negociar e já propõe uma união entre PT, PSDB e PSB para se contrapor ao PMDB.

O ex-governador Aécio Neves — que terá sua liderança reforçada se conseguir eleger seu candidato Antonio Anastasia — prevê que a polarização com o PT continuará, e pretende fazer uma aliança do PSDB com PDT, PSB, PPS, DEM e mais PP, PTB e parte do PMDB, para disputar com o PMDB oficial e o PT o comando do Senado.

Pode ser que uma onda governista altere esse quadro, mas até o momento isso não aconteceu.

Aécio quer valer por três: Ele mesmo, Anastasia e Itamar

10/07/2010

O ex-Governador mineiro Aécio Neves é tido como o homem com mais prestígio político em Minas Gerais.

A aprovação de seu governo e sua popularidade são astronômicas e as estatísticas já foram postas à prova quando sua reeleição foi conseguida com mais de 70% dos votos válidos.

Pois bem. Eis que Aécio colocará todo esse prestígio em jogo mais uma vez. Ele quer valer por três nas eleições deste ano: Por ele mesmo, pelo atual Governador Antonio Anastasia e pelo ex-Presidente Itamar Franco.

Aécio concorrerá ao Senado e tem uma eleição ganha.

Anastasia concorrerá a reeleição para o cargo de Governador e se chegar à vitória o terá feito única e exclusivamente por conta da influência de Aécio.

Itamar também tentará o Senado e, mesmo tendo votos próprios, conta com o auxílio de Aécio para superar sem sobressaltos o petista Fernando Pimentel.

Obviamente Aécio deseja a sua própria eleição. Todo político precisa de um gabinete para alocar sua equipe mais próxima e dizem que o ex-Governador pensa em presidir e moralizar o Senado.

Também compreende-se que Aécio queira eleger Anastasia, afinal, o seu grupo político continuaria hegemônico em Minas Gerais, o que representaria muito para o projeto nacional de Aécio.

Por fim, Aécio está arregaçando as mangas para eleger também Itamar não só por ser seu aliado e pelo belo topete, mas também porque a derrota de Pimentel é importante.

O petista é próximo de Dilma Rousseff e teria um ministério e mais um suplente no Senado em caso de vitória da petista. Aécio quer tirar-lhe pelo menos o suplente no Senado. Se Serra vencer e Pimentel terminar sem nada, melhor ainda para o neto de Tancredo.

Se ocorrerem as vitórias de Aécio, Itamar e Anastasia, o ex-Governador controlará nada mais, nada menos, do que o governo estadual e as três vagas de Senador, já que também têm influência sobre o democrata Eliseu Resende, eleito em sua chapa em 2006.

Isso tudo independendo da vitória de José Serra.

Aécio não está jogando contra e deve ajudar Serra, mas está se garantindo.

Se o tucano vencer, ótimo. Se perder, Aécio controla Minas, menos mal.

E no fim das contas, a realidade é que temos que admitir que, deixadas de lado as ideologias, Anastasia é melhor que Hélio Costa e Aécio e Itamar são melhores que Pimentel e  o comunista e membro da chapa governista Zito Vieira.

Em suma, Aécio tem melhores candidatos e, para os que não têm tanta popularidade hoje, ele emprestará a dele.

PMDB catarinense fecha apoio ao democrata Colombo e irrita Temer

16/06/2010

O cenário catarinense se apresentava, até pouco tempo atrás, como um onde o grande derrotado seria o ex-Governador Luiz Henrique.

Eleito por uma tríplice aliança que reunia o seu PMDB e mais o Democratas e o PSDB, Luiz Henrique renunciou para poder concorrer ao Senado e deixou o cargo para o seu Vice, o tucano Leonel Pavan.

A ideia era a de que Pavan apenas completaria o mandato, levando o seu PSDB para uma nova aliança com o PMDB e com o Democratas, dessa vez em torno do democrata e Senador Raimundo Colombo.

Acontece que Pavan resolver lançar sua candidatura à reeleição e, para completar, Luiz Henrique perdeu o controle do PMDB, o que fez com que o partido realizasse prévias e lançasse o vencedor, Eduardo Pinho Moreira, que prevaleceu sobre o Prefeito de Florianópolis, Dário Berger, como pré-candidato peemedebista ao governo.

Embora Colombo fosse o único nome dos três partidos a ser apresentado pelas pesquisas como capaz de enfrentar Angela Amim (PP), a coligação ao redor de seu nome era dada como improvável. Cada legenda tinha o seu candidato.

Pinho Moreira conversou com Michel Temer e consolidou a rebelião contra Luiz Henrique. Depois disso, referendado pelo Presidente do PMDB, foi falar com Dilma Rousseff. Ofereceu seu palanque à candidata e iniciou negociações para apoiar Ideli Salvatti, candidata do PT ao governo catarinense e atualmente Senadora, em um eventual segundo turno.

Eis que ocorre uma reviravolta!

Pinho Moreira abriu mão da candidatura em favor de Colombo sem mais nem menos.

Fim do rompimento entre Democratas e PMDB. Fim do segundo palanque de Dilma. Fim da negociação de apoio a Ideli no segundo turno.

Quem ganha um palanque robusto é José Serra, que já cortejava Angela Amin por conta do vislumbre de desmembramento da aliança que elegeu Luiz Henrique.

Temer está furioso. Ficou desmoralizado. Enviou para falar com Dilma um pré-candidato que passou a perna na queridinha de Lula.

O PMDB nacional, capitaneado por Temer, pensa em intervenção em Santa Catarina. O PT faz um olhar pidão e ao mesmo tempo cobrador, que visa lembrar ao PMDB que a direção nacional petista enquadrou as regionais do Rio, de Minas e do Maranhão para beneficiá-lo.

Enquanto isso, Pavan, atual Governador, está sendo pressionado para desistir assim como fez Pinho Moreira e permitir a reedição da tríplice aliança e o retorno ao plano inicial de apoio dos três partidos a Raimundo Colombo.

Luiz Henrique, antes “o perdedor”, agora é “o astuto”.

Até quando?

Essa é a política.

Fascinante, imprevisível, surpreendente.

Ingrata.

Perspectiva adiantou: Hélio Costa será candidato ao governo mineiro com o apoio do PT – Pimentel fora

08/06/2010

Comentou o Perspectiva recentemente:

O petista e ex-Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel venceu as prévias petistas em Minas Gerais. Foi escolhido pelo PT-MG como candidato do partido ao governo do estado.

Acontece que sabe-se, assim como dois e dois são quatro, que o candidato do PT que saísse das prévias para o governo mineiro seria, na verdade, ungido como candidato ao Senado.

A submissão do PT mineiro ao PMDB do estado e à candidatura de Hélio Costa já está selada. Só não vê quem não quer. E só quem quer acredita nas falsas prévias petistas.

Tanto é assim que de cerca de 108 mil potenciais eleitores, apenas 30 mil compareceram às urnas. O resto não quis ser feito de bobo.

Pimentel venceu. Será candidato ao Senado.

Patrus Ananias perdeu. Será candidato à Câmara dos Deputados.

Hélio Costa nem concorreu nas prévias petistas. Será o candidato do PT ao governo de Minas.

Pois bem. Foi fechado oficialmente ontem o acordo que já estava selado há tempos.

Hélio Costa será candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB com o apoio do PT. Fernando Pimentel será candidato ao Senado.

Tenta-se convencer Patrus Ananias a não concorrer a Deputado Federal e sim a Vice de Hélio.

Caso Patrus não aceite, estará confirmada toda a previsão do Perspectiva.

Na realidade, uma previsão consideravelmente fácil de se fazer, afinal, estão brincando de “tudo que o Mestre mandar”.

O Mestre todos sabem quem é. E ele só pensa na eleição federal.

Os diretórios regionais do PT e a formação de novos quadros petistas que se explodam.

Análise: Os vices de 2010 e os companheiros de chapa de sempre

03/06/2010

Definidos os candidatos a Presidente, é chegada a hora da definição dos Vices.

Embora um Presidente possa, hoje, por conta das inovações tecnológicas, governar a partir de qualquer lugar do mundo, o instituto do Vice permanece.

Uns alegam que é preciso que seja previsto quem comandará o País em caso de enfermidade ou morte do Presidente. Outros afirmam que o Vice protege contra crises institucionais no caso de um afastamento do Presidente.

De minha parte creio que, na realidade, o grande papel do cargo de Vice é outro: Ser um conselheiro um tanto quanto discreto que preenche uma vaga que se mantém existente para facilitar – e muito – as articulações políticas.

Ora, o que é mais ouvido quando se trata de acordos políticos do que a velha oferta da vaga de Vice em troca de apoio ao candidato ponteiro?

De qualquer forma, 2010 não será diferente e todos os candidatos executivos terão seus Vices, assim como os Senadores terão seus suplentes.

Sendo assim, os presidenciáveis vão definindo seus companheiros de chapa.

Marina Silva é a mais adiantada. A verde já fechou questão em torno de Guilherme Leal, empresário, co-proprietário da Natura, defensor da sustentabilidade e interessantíssimo financiador de campanha.

Dilma Rousseff não escolheu, na verdade, um Vice. Na realidade, não escolheu nada. Lula definiu o PMDB como parceiro preferencial e, daí, surge o nome de Michel Temer. No começo, existiam pressões para que o Vice fosse Henrique Meirelles, cristão novo no PMDB. Não colou. O PMDB só viria com Temer. E assim será. O constitucionalista Temer foi engolido, não por seus conhecimentos, mas por influenciar a fatia maior do maior e mais fisiológico partido do País.

Eis que surge a questão do Vice de José Serra. Dez entre dez oposicionistas sonham com Aécio Neves, mas apenas uma reviravolta espetacular o colocaria ao lado de Serra na eleição presidencial. Aécio não está convencido de que, estando ao lado de Serra, alteraria tanto assim. Ao contrário, crê que não afetaria em muita coisa e que o rebuliço seria meramente midiático e efêmero. Pior ainda: Atrapalharia seus planos de se dedicar a Minas Gerais para eleger o seu poste, Antonio Anastasia, atual Governador mineiro.

Colocada esta negativa definitiva do neto de Tancredo, ocorre agora o que já se esperava: O Democratas, aliado preferencial do PSDB, cobra a Vice.

Aparentemente, dois nomes estão sendo fortemente cogitados, por conta de se ter fechado questão a respeito de ser um democrata do Nordeste. Estes são José Carlos Aleluia (Dem-BA) e José Agripino Maia (Dem-RN), sendo o último aquele que é apontado por este que vos escreve como forte candidato a Vice há meses.

Resumo da ópera: Marina tem seu Vice, Dilma está prestes a digerir o seu e Serra deve dar ao Democratas o que é seu de direito, já que Aécio não cedeu.

A verde traz um empresário milionário para uma candidatura sem recursos, a petista aceita um Vice não desejado para sacramentar um acordo político e o tucano entregará a vaga a algum político que venha do partido aliado que mais o apóia e de uma região onde sua votação precisa melhorar.

Precaução contra enfermidade ou morte do Presidente? Proteção contra crises institucionais?

Nada disso.

Necessidades político-econômicas e conveniências eleitorais.

Os vices de 2010 são os companheiros de chapa de sempre.

Aécio afirma querer o Senado: Nomes para a Vice de Serra começam a ser cogitados mais fortemente

29/05/2010

Informa o Globo, a respeito dos nomes que, após mais uma negativa de Aécio Neves, estão sendo cogitados para ocupar a posição de Vice na chapa oposicionista liderada por José Serra:

“Se não bastassem as preocupações suscitadas pelo resultado das últimas pesquisas de intenção de votos, que apontam o empate técnico entre o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff na disputa presidencial, a oposição agora enfrenta um novo problema: encontrar um vice para a chapa tucana até a convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 12 de junho. Já sem esperanças de ter o ex-governador mineiro Aécio Neves no posto , PSDB, DEM e PPS começam a discutir internamente outras alternativas ao seu nome, como, por exemplo, o do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

- Se dependesse de mim, seria o Tasso – tem repetido o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), em conversas reservadas.

Apesar da grande recepção preparada na semana passada para Serra no Ceará, Tasso voltou a dizer esta semana aos companheiros de partido que não quer a vice. Ele teria confidenciado a amigos que um dos motivos seria porque não aceitaria levar bronca de Serra e que, se fosse escolhido, haveria crise entre os dois logo no começo. Pesam a favor da indicação do nome de Tasso o fato de ele ser nordestino e também o de ter popularidade no Ceará, o que poderia ajudar Serra a capitalizar os votos dos eleitores do ex-presidenciável Ciro Gomes.

Outra alternativa seria o nome do senador Sérgio Guerra, também nordestino. Ele é hoje um dos principais interlocutores do pré-candidato tucano e tem sido fundamental na negociação das alianças estaduais do PSDB e na ampliação do palanque nacional de Serra. Sua preocupação principal nesta quinta-feira, porém, era colocar um ponto final nas especulações em torno do nome de Aécio.

- Isso não ajuda a consolidar a candidatura de Serra, nem abre espaço para a negociação de outras alternativas para a vaga de vice. Há seis meses, Aécio já havia me dito que não seria candidato a vice nem gostaria de ser pressionado. Claro que seu nome na chapa melhoraria nossa situação em Minas, mas está claro que ele não aceitará ser vice. Nossa expectativa é que Aécio não só vai conseguir eleger Antonio Anastasia governador de Minas como vai levar Serra a uma vitória no estado – afirmou Guerra.

No DEM, as opções de vice seriam os senadores José Agripino (RN) e Kátia Abreu (TO). A senadora encontra resistência dentro do PSDB e no núcleo próximo de Serra, por sua forte identificação com o setor ruralista, geralmente classificado como de direita. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), prefere não tratar desse assunto neste momento:

O presidente do PPS, Roberto Freire, um dos que mais apostavam na possibilidade de Aécio aceitar a vaga de vice, admitiu que é preciso colocar um ponto final nessa novela:

- O que poderia ser uma solução agora começa a ser um problema. Não sei que alternativa temos. Não pensei nisso. Mas estou certo de que conseguiremos encontrar um bom candidato a vice – disse Freire, admitindo também que o nome do ex-presidente Itamar Franco poderá ser analisado.”

Caso Aécio Neves realmente não concorra ao lado de Serra, o que hoje parece provável, o Democratas deve exigir a vaga de Vice, visto que é aliado preferencial do PSDB.

Com isso, acredito que são boas as chances de o Vice ser o Senador José Agripino Maia (DEM-RN). Já afirmei isto aqui no Perspectiva e reitero.

Quanto à qualidade dos nomes, com certeza muitos deles teriam algo a acrescentar. Mas nenhum chegaria ao nível do Presidente Itamar Franco (PPS-MG).

Acontece que Presidente que se preza não se candidata a Vice.

Análise: Senado mineiro – Aécio e Itamar lideram pesquisa

27/05/2010

O jornal O Tempo, de Belo Horizonte, divulgou pesquisa realizada pelo DataTempo/CP2, visando aferir as intenções de voto para o Senado de Minas Gerais. O levantamento foi feito entre os dias 14 e 17 de maio, entrevistou 2.043 pessoas e tem margem de erro de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Cenário 1 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 72,88%

Itamar Franco (PPS) – 45,47%

Hélio Costa (PMDB) – 44,45%

Clésio Andrade (PR) – 6,41%

Cenário 2 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,68%

Itamar Franco (PPS) – 57,41%

Fernando Pimentel (PT) – 17,77%

Clésio Andrade (PR) – 8,52%

Cenário 3 (Somando 1° Voto e 2° Voto)

Aécio Neves (PSDB) – 77,09%

Itamar Franco (PPS) – 59,76%

Patrus Ananias (PT) – 14,30%

Clésio Andrade (PR) – 9,10%

Os resultados permitem algumas conclusões inegáveis:

Aécio Neves tem uma popularidade astronômica, fenomenal, inigualável, em Minas Gerais. Praticamente 80% dos mineiros desejam dar seu 1° ou seu 2° voto a Aécio. E olhem que ele esteve viajando e longe da mídia. Em campanha, o percentual pode aumentar.

Aécio representa mais para Minas do que Lula para o Brasil. Impressionante.

Quanto ao grande Presidente Itamar Franco, seu patamar confirma o que o Perspectiva diz há meses: Aécio está eleito e Itamar só teria adversário de José Alencar concorresse.

Estando Alencar fora da corrida pelo Senado mineiro, Itamar está caminhando rumo à Casa alta do Legislativo nacional.

Com relação aos representantes de PMDB e PT, percebe-se que Hélio Costa tem bons patamares tanto nas pesquisas para o governo, como nas pesquisas para o Senado. Mas é o único.

Fernando Pimentel parece ter mais chances de conquistar o governo se convencer o PMDB a apoiá-lo do que de ganhar vaga no Senado.

A realidade é que, surpreendentemente, os políticos mineiros têm mais chance de conquistar o governo do que o Senado.

O que acontece é que na disputa pelo governo Aécio não pode estar.

Se aceitar ser o Vice de José Serra, não estará na disputa pelo Senado também.

Nesse caso as chances dos outros aumentam.

A prova de fogo de Aécio é a eleição de seu sucessor, Antonio Anastasia.

Ser Vice de Serra ou ser candidato ao Senado, o que for melhor para ajudar Anastasia a vencer ele fará.

Está até agora convencido de que a segunda opção é melhor.

Poderá andar por Minas de braços dados com seu pupilo.

Pesquisa Vox Populi: Sem Pimentel, Hélio Costa tem boa liderança – Anastasia depende de Aécio

19/05/2010

O Instituto Vox Populi divulgou pesquisa de intenção de voto referente à corrida para o governo de Minas Gerais. A pesquisa foi encomendada pela Rede Bandeirantes e realizada recentemente, tendo 3,1 pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

Hélio Costa (PMDB) – 45%

Antonio Anastasia (PSDB) – 17%

Vanessa Portugal (PSTU) – 2%

João Batista (PSOL) – 2%

Outros e indecisos – 34%

O ponto principal a ser ressaltado é a ausência do nome do ex-Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel na sondagem, embora ele tenha vencido o ex-Ministro Patrus Ananias nas prévias do PT que definiram o candidato da legenda ao governo mineiro.

Percebe-se que já é dado como certo o acordo entre PT e PMDB e que estão corretos os analistas que dizem que tanto as prévias petistas como a divulgação de que está havendo uma negociação entre os partidos para que se decida entre Costa e Pimentel representam apenas jogo de cena para tentar não melindrar a militância petista e colocá-la na campanha de Hélio.

Sendo assim, o verdadeiro rival de Costa é o atual Governador Antonio Anastasia, que há pouco tempo era Vice de Aécio Neves e que será o palanque mineiro de José Serra, fazendo o contraponto com relação ao palanque do PMDB que será de Dilma Rousseff.

Com a vantagem de 45% a 17% de Hélio Costa sobre Anastasia poderíamos interpretar que a eleição está ganha.

Mas não é bem assim.

Aécio Neves se engajará completamente na eleição de seu sucessor e representa, em Minas, mais do que Lula representa para o Brasil atualmente. O neto de Tancredo tem popularidade astronômica em seu estado.

Aécio crê que pode dar uma enorme parte destes 34% de indecisos para Anastasia, além de tirar uma casquinha dos índices de Hélio Costa.

É ver para crer.

Impossível não é.

Coluna do dia: Quando o PDT copia o PMDB e joga ao lado de quem estiver ganhando

12/05/2010

Por Rafa Policarpo*

O disputa pelo governo de Minas Gerais ainda parece incerta.

Alguns partidos participaram de uma reunião na manhã de terça-feira (11), incluindo PT e PMDB, e confirmaram o apoio a Dilma Rousseff nas eleições nacionais.

Contudo, nada de acertos para o governo estadual. Além disso, partidos que constituem a base da aliança nacional liderada pelos petistas não participaram desta solenidade e por isso parecem não aceitar o famoso palanque único tão debatido nos últimos dias no estado.

Com exceção da ausência do PP, que negocia com o PSDB a Vice na chapa de Antonio Anastasia, e do PDT, que parece mais indeciso do que as chapas que irão disputar o governo mineiro, a falta dos outros partidos não foi surpresa.

O Presidente do PDT confirmou contato por parte do PMDB solicitando a indicação de um nome para Vice de Hélio Costa, caso o PT-MG continue insistindo no pleito de algum de seus filiados.

Por sinal, na semana passada, petistas foram às urnas, seguindo a decisão do diretório estadual de que haveriam prévias no partido entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel, para definir o candidato ao Palácio da Liberdade.

Porém, para descontentamento das lideranças mais conservadoras, Pimentel derrotou Patrus por diferença de 2% e parece abrir caminho para o apoio do PT-MG ao PMDB e a Hélio Costa, uma vez que o ex-Prefeito de Belo Horizonte é coordenador da campanha presidencial da ex-ministra Dilma e certamente faria de um tudo para poupar sua candidata e acertar as melhores opções em seu favor.

Enquanto nada é decidido, o PDT corre e atira para todos os lados. O Presidente mineiro da sigla afirmou em reportagem do Jornal Hoje em Dia que realmente ocorreram conversas entre seu partido e peemedebistas para definirem um nome para a Vice de Costa e, ao que tudo indica, Zezé Perrella estaria de olho e de ouvidos atentos na proposta.

Além disso, Paulo César Freitas, Presidente do PDT-MG disse que não se surpreenderia caso o convite para a indicação de um nome para Vice viesse do PT ou do próprio PSDB e afirmou que o partido está aberto, e que na altura do campeonato não descartaria nem mesmo candidatura própria do PDT.

Para o PDT mineiro não existe ideologia e nem mesmo princípios. O que o partido reivindica, seja de quem for, é o cargo de Vice-Governador do estado, seja em chapa encabeçada por Hélio Costa, por Pimentel, por Anastasia  ou talvez, quem sabe, até mesmo pela mula-sem-cabeça.

Semelhanças ou não, essa mesma característica é atribuída a nível nacional ao PMDB.

Resta saber se o PDT-MG terá o mesmo sucesso que obtiveram os peemedebistas com Lula.

Cristovam Buarque e todas as boas lideranças do PDT é que devem estar “imensamente felizes” com a conduta de sua sigla no estado de Minas Gerais…

*Rafa Policarpo, colunista do Perspectiva às quartas, é estudante de propaganda e publicidade, amante do marketing político e editor do blog RafaPolicarpo.

Parcelas do PMDB hesitam no apoio a Dilma: Poderia essa divisão afetar a aliança nacional?

09/05/2010

O jornalista Ricardo Noblat divulgou o seguinte texto, de autoria de Rosane Oliveira, do jornal Zero Hora:

“Quando o ex-prefeito José Fogaça diz que o PMDB gaúcho vai até o fim defendendo a candidatura própria, não está apenas fugindo de se definir entre Dilma Rousseff, como quer o PDT, e José Serra, como preferem as bases do seu partido. Fogaça segue uma estratégia, montada por cabeças coroadas do PMDB, para garantir uma saída honrosa no caso de o partido ser forçado pelas circunstâncias a romper as negociações para a aliança com Dilma Rousseff.

Por mais estranho que pareça, essa estratégia prevê, sim, a candidatura própria, mesmo sem qualquer chance de chegar ao segundo turno. Na falta de um nome competitivo, o candidato seria o deputado Michel Temer, cotado para ser o vice de Dilma caso sejam superados os obstáculos que hoje atrapalham a aliança com o PT. Além da forte resistência das bases do partido a Dilma no Sul, a aliança PT-PMDB tem três grandes impasses a resolver: Minas, Bahia e Pará.

Foram esses impasses que levaram o PMDB a desistir da reunião que faria dia 12 para anunciar Temer como vice. Pesou a opinião de Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração e hoje um dos principais caciques do partido, e que está em pé de guerra com o PT na Bahia. Em Minas, o preço do PMDB é o apoio do PT a Hélio Costa.

Com tanta gente afinada com o PSDB, por que o PMDB não apoia logo o candidato José Serra? Porque não dá para simplesmente pular do barco de Dilma para o do seu principal adversário. Com a candidatura própria, o PMDB faria uma escala para o poder e aplainaria o terreno para decidir o apoio no segundo turno ou aderir ao vencedor, se a eleição se decidir no primeiro.

O grande trunfo do partido será, como é hoje, a bancada numerosa. Em nome da governabilidade, o próximo presidente terá de ceder para contar com essa base de apoio sempre ávida por cargos, emendas e obras em seus redutos eleitorais.”

Só me resta fazer um comentário: Será mesmo possível que ocorra algo desse tipo?

Há algum tempo cogitei esta possibilidade no Perspectiva. Naquela época, eu ainda via espaço de manobra para que o PMDB abandonasse o barco de Dilma, o que tornava o rompimento da aliança possível, embora não o tornasse provável.

Hoje, não enxergo mais esse espaço. Acredito que a aliança formal com o PT já é quase fato consumado.

A grande questão reside justamente neste “quase”.

É aqui que se coloca a dúvida que repito: Será?

Acho extremamente improvável, mas se há um partido que prova dia após dia que a política é “dinâmica” este é o PMDB.

Abro o espaço para a discussão nos comentários. Tenho dúvidas.