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Submarinos que Brasil vai comprar da França custarão 10 vezes valor que seria pago à empresa alemã

12/07/2009

Informa o jornal O Globo:

“O Brasil está prestes a adquirir da empresa estatal francesa DCNS (Direction des Constructions Navales Services) cinco submarinos pagando dez vezes o valor que poderia desembolsar se tivesse aceitado a proposta da empresa privada alemã HDW (Howaldtswerke-Deutsche Werft), revela reportagem publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.

Para justificar a opção pela França, custo de 6,7 bilhões de euros – contra os 670 milhões de euros cobrados pela firma da Alemanha – o governo diz que o pacote incluirá a construção de um estaleiro e de uma base naval, na área de Itaguaí, no litoral do Rio de Janeiro.

Essas obras, no entanto, não tinham sido planejadas pelo Brasil. Elas foram incluídas no pacote pelo governo francês como condição para a venda dos submarinos, mais a transferência de tecnologia para a sua construção no país. Para ter as embarcações, o Brasil teria de concordar tanto em adquirir aquelas duas instalações – gasto extra considerado desnecessário inclusive por altos oficiais da Marinha. Eles impuseram que as obras ficassem nas mãos da brasileira Odebrecht, sem licitação.

Perguntado a respeito pelo GLOBO, na última terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, esquivou-se:

Nós não temos nada a ver com isso. Compramos um pacote pronto. O fato de a França colocar as obras em mãos da Odebrecht tem a ver com um acordo de parceria realizado entre eles – justificou.”

É impressão minha ou está bem claro que o governo brasileiro está empreendendo uma política externa duvidosa, que visa objetivos como a vaga do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e a fama do Presidente Lula no exterior, às custas do nosso dinheiro?

O governo tem a obrigação de fazer um cálculo de custo-benefício, meus caros. A vaga no Conselho de Segurança é importante, porém, dez vezes mais é um acréscimo absurdo no gasto.

Este blogueiro pede, como cidadão brasileiro, sérios esclarecimentos. Infelizmente, dificilmente será ouvido.

Coluna do dia: O Brasil e o conselho da discórdia

07/05/2009

Por Eduardo Schneider*

Muito se tem dito a respeito de o Brasil, como potência emergente, almejar uma posição permanente no Conselho de Segurança da ONU, pois sua composição é obsoleta por refletir a ordem mundial surgida logo após a 2ª Guerra Mundial.

O Brasil tem feito amplo esforço diplomático ao redor do planeta a fim de convencer os mais diversos governos a apoiarem sua candidatura, tentando, a todo custo, futuramente garantir, na Assembleia Geral da ONU, o número mínimo de votos para validar tal pretensão.

A adoção de uma política externa de orientação universalizante, de parcerias não excludentes, não tem nada de equivocada. Mas a coerência termina por aí. A priorização de uma “agenda sul-sul” se impôs sobre um tratamento equilibrado entre os interesses do Brasil em todo o mundo.

O país trata a China como parceira estratégica, embora os chineses não tenham feito o mesmo (em abril, a China foi o maior parceiro comercial brasileiro). Reconhece a economia chinesa como economia de mercado, embora não tenha garantido nada concreto em troca. Busca de qualquer maneira um acordo comercial com a Índia, embora existam poucas oportunidades claras de negócios identificados. Festeja uma parceria com a Rússia que ainda carece de consistência.

O governo faz visitas a países africanos de pouca relevância, chegando ao ponto de perdoar dívidas de regimes autoritários. Tudo isso para, entre outros objetivos difíceis de mensurar, buscar apoio de parte da comunidade internacional para uma eventual cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Inicialmente, trata-se de algo que irá afetar nossa tradição diplomática de neutralidade, mudando drasticamente nossas relações com o resto do mundo, pois o uso do poder de veto, ou sua negação – caracterizada, inclusive, pela abstenção – é absolutamente incompatível com qualquer forma de neutralidade. E, para garantir a segurança nacional, frente às decisões tomadas no conselho de segurança, far-se-ia necessário um re-aparelhamento de nosso exército, marinha e aeronáutica. Grandes responsabilidades trazem grandes deveres e necessitaríamos de meios para nos defendermos.

As Forças Armadas brasileiras precisam, urgentemente, de aumento de efetivo e de orçamento. O raciocínio básico por trás dessa resposta envolve cálculos comparativos entre os vários países do mundo, normalmente relacionando elementos como população, território, PIB, orçamento militar e efetivo das Forças.

Assim, comparam-se dados como efetivo militar em relação à população e área do país, chegando-se sempre à constatação de que países muito menores e menos povoados do que o Brasil tem, proporcionalmente, muito mais homens em armas. Estes cálculos sempre acabam por chegar à mesma conclusão: se o Brasil quer restaurar seu poder militar, é fundamental aumentar os efetivos das Forças Armadas.

Os artífices da política exterior do Brasil estão se perdendo mais uma vez, hiperdimensionando as possibilidades de uma hipotética mudança que não deverá acontecer tão cedo e, que mesmo que aconteça um dia, não dará à ONU maior importância ou poder do que tem hoje.

Falta a este governo o pragmatismo que já sobrou a outros em matéria de política exterior. Aquele que faz da política externa verdadeiro instrumento do desenvolvimento, que busca alianças com os fortes e batalha verdadeiramente pelo acesso aos grandes mercados.

* Eduardo Schneider é colunista do Perspectiva Política às quintas.

Imperialismo chinês

28/03/2009

Conta Marcos Guterman, em seu blog, sobre o interessante fato do poder econômico crescente da China estar gerando uma espécie de “imperialismo chinês”. Imperialismo esse que, tão criticado quando exercido pelos Estados Unidos, começa a se fazer presente na potência emergente que é a China.

Diz Guterman:

“Desde a emergência dos EUA como potência, o país é acusado de exercitar seus músculos econômicos e militares – o chamado ‘hard power’ – para fazer prevalecer seus interesses ao redor do mundo, constrangendo nações a fazer as vontades emanadas de Washington. Os críticos antiamericanos dão a isso o nome genérico de ‘imperialismo’.

Pois parece agora que a China, cujo crescente poder militar tem preocupado o Pentágono, segue o mesmo caminho. Festejada como contraponto ao tal imperialismo ianque, Pequim tem feito uso do ‘hard power’, e a vítima da vez foi a África do Sul.

O comitê organizador da Copa do Mundo na África do Sul havia convidado o dalai-lama, líder espiritual do Tibete, para uma conferência de paz que incluiria Nelson Mandela e Desmond Tutu. Mas o governo sul-africano negou-lhe o visto de entrada. ‘É uma traição total à nossa história de luta’, protestou o arcebispo Tutu.

O governo do presidente Kgalema Motlanthe admitiu que a decisão foi tomada tendo em vista a relação da África do Sul com a China. Um quinto do comércio chinês na África é feito com o país, e os sul-africanos dependem do dinheiro da China para manter seus principais bancos funcionando.”