Postagens com a palavra-chave ‘Mato Grosso do Sul’

Eleições para os governos estaduais

03/07/2010

Findo o período de convenções, começam a despontar os principais nomes que disputarão os governos estaduais por todo o País :

Região Sudeste

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB)

Aloizio Mercadante (PT)

Paulo Skaf (PSB)

Celso Russomano (PP)

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB)

Fernando Gabeira (PV)

Fernando Pellegrino (PR)

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB)

Antonio Anastasia (PSDB)

José Fernando Aparecido (PV)

Espírito Santo

Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB)

Renato Casagrande (PSB)

Brice Bragato (PSOL)

Região Sul

Rio Grande do Sul

Yeda Crusius (PSDB)

José Fogaça (PMDB)

Tarso Genro (PT)

Montserrat Martins (PV)

Santa Catarina

Ângela Amim (PP)

Raimundo Colombo (DEM)

Ideli Salvatti (PT)

Paraná

Osmar Dias (PDT)

Beto Richa (PSDB)

Paulo Salamuni (PV)

Região Nordeste

Alagoas

Fernando Collor (PTB)

Teotônio Vilela (PSDB)

Ronaldo Lessa (PDT)

Bahia

Jaques Wagner (PT)

Geddel Vieira Lima (PMDB)

Paulo Souto (DEM)

Ceará

Marcos Cals (PSDB)

Cid Gomes (PSB)

Marcelo Silva (PV)

Maranhão

Jackson Lago (PDT)

Roseana Sarney (PMDB)

Flávio Dino (PCdoB)

Paraíba

José Maranhão (PMDB)

Ricardo Coutinho (PSB)

Pernambuco

Jarbas Vasconcelos (PMDB)

Eduardo Campos (PSB)

Piauí

Silvio Mendes (PSDB)

Wilson Martins (PSB)

João Vicente Claudino (PTB)

Teresa Britto (PV)

Rio Grande do Norte

Rosalba Ciarlini (DEM)

Iberê Ferreira (PSB)

Carlos Eduardo (PDT)

Sergipe

João Alves Filho (DEM)

Marcelo Déda (PT)

Arivaldo José dos Santos (PSDC)

Região Centro-Oeste

Brasília

Joaquim Roriz (PSC)

Agnelo Queiroz (PT)

Eduardo Brandão (PV)

Frank Svensson (PCB)

Goiás

Marconi Perillo (PSDB)

Iris Rezende (PMDB)

Vanderlan Cardoso (PR)

Mato Grosso

Silval Barbosa (PMDB)

Wilson Santos (PSDB)

Mauro Mendes (PSB)

Mato Grosso do Sul

André Puccinelli (PMDB)

Zeca do PT (PT)

Região Norte

Acre

Tião Bocalon (PSDB)

Tião Viana (PT)

Amazonas

Omar Aziz (PMN)

Alfredo Nascimento (PR)

Roraima

Neudo Campos (PP)

Anchieta Júnior (PSDB)

Rondônia

Confúcio Moura (PMDB)

João Cahúlla (PPS)

Expedito Júnior (PSDB)

Eduardo Valverde (PT)

Pará

Simão Jatene (PSDB)

José Priante (PMDB)

Ana Júlia (PT)

Amapá

Jorge Amanajás (PSDB)

Camilo Capiberibe (PSB)

Lucas Barreto (PTB)

Tocantins

Carlos Gaguim (PMDB)

Siqueira Campos (PSDB)

Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

Incoerência: Puccinelli promete votos na Convenção peemedebista para Dilma e campanha para Serra no MS

28/01/2010

Informa o colunista Ilimar Franco:

“O governador André Puccinelli (MS) fez um acordo com a cúpula do PMDB. Vai dar os votos na convenção do partido para aprovar a coligação com o PT e o apoio a Dilma Rousseff.

Mas no seu estado fará campanha para José Serra.”

Vocês querem saber o que é incoerência? Pois não precisam recorrer ao dicionário.

Basta analisar este acordo aceito pelo Governador André Puccinelli (PMDB-MS).

Está explicado.

O que fica sem explicação é a lógica de Puccinelli. Se ele quer apoiar Serra, provavelmente espera ter força em um possível governo tucano futuro. Pois bem. Como a terá ajudando Dilma a aumentar seu tempo de televisão?

Jogada arriscada.

Manter cada pé em um barco pode possibilitar a alguém escolher melhor em qual decidirá ficar de vez, mas também pode derrubar a pessoa no riacho.

Coluna do dia: Reforma penitenciária já!

10/01/2010

Por Jessica Riegg*

Nesta semana, presidiários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Rondônia, Espírito Santo, Amapá, Distrito Federal e Minas Gerais puderam fazer a prova do Enem.

Doze mil presos em trezentas e trinta unidades prisionais realizaram a prova que teve suas questões modificadas, mas que manteve o nível de dificuldade. Antigamente os presos já podiam fazer o Enem, mas tinham que ser deslocados para os locais de prova definidos pelo MEC. Além de poderem prestar vestibular, os detentos podem fazer faculdade desde que a justiça assim o permita.

Enfim, até os detentos notaram que a educação pode modificar um país e a realidade deles. Eles desejam um futuro melhor a ser iniciado assim que cumprirem a sua pena. Muitos deles desejam voltar a ter uma completa cidadania, com direito a saúde, lazer, alimentação, educação e liberdade.

Esses presos mostram que com a persistência, podem alcançar o que almejam, mudar as suas histórias.

Atualmente, o governo incentiva o poder privado a aceitar esses ex-detentos, dando uma segunda chance para essas pessoas que já cumpriram a sua pena. O que é muito justo, pensando no fato de que se a justiça acredita que aquele tempo é necessário, e o mesmo já foi cumprido, o indivíduo já fez a sua parte e pagou por seus atos.

O governo pede, mas não faz quase nada concreto para que tudo isso aconteça. Afinal, permitir que o detento possa sair da prisão, não garante que ele terá oportunidades suficientes de terminar o curso universitário. O que deveria ser feito, e há muito tempo já é necessário, é uma reforma penitenciária. É necessário que o País modifique o modo com que trata esses presos, aumente a quantidade de presídios para que eles tenham uma vida ao menos digna nesses locais e aumente o policiamento.

Mas esses três aspectos implicam em muitas outras coisas. A primeira de todas é que este ano é ano de eleição e por isso o Presidente não pode começar nenhum projeto novo. Outro aspecto relevante é que seriam necessários ser gastos bilhões com novos presídios, coisa que o governo não deseja atualmente. E aumentar o policiamento implica em aumentar o gasto com esse setor, primeiramente pelo contingente e em segundo lugar porque seria necessário treinar esse efetivo e, principalmente, aumentar os salários destes vigilantes.

O pagamento destinado a esses policiais é muito baixo, o que os desanima a exercer função tão perigosa. Além disso, o número de policiais corruptos é tão alto porque é mais fácil ganhar dinheiro sendo desonesto e fechando os olhos para as irregularidades do que arriscando suas vidas enfrentando bandidos perigosos.

Obrigar os presidiários a exercerem uma profissão dentro dos presídios ao invés de pensar em fugas ajudaria-os a crescer, e ainda renderia um bom dinheiro para esses locais. Manteria-os ocupados! Produzir roupas, ou artigos em madeira por exemplo, são soluções já adotadas em outros países que resolveriam alguns desses problemas.

Mas essa reforma teria que ser feita em conjunto, e já, para evitar que episódios como o do Carandiru se repitam diariamente na nossa frente, e nos obriguem a colocar grades em nossas janelas…

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

PMDB cobra ação de Lula para aliança com PT nos estados

26/11/2009

Comentou este blogueiro que vos fala recentemente:

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Pois bem. Confiram o que informa o Estadão:

“No primeiro encontro dos dois principais partidos da base aliada após a eleição que renovou a cúpula petista, dirigentes do PMDB cobraram do PT a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para acertar os palanques nos Estados. A principal queixa foi em relação a Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, onde a corrente majoritária do PT rachou e tem dois pré-candidatos à sucessão do governador Aécio Neves (PSDB) desafiando o ministro das Comunicações, Hélio Costa, postulante do PMDB.

O outro nó difícil de desamarrar para a parceria sair do papel está no Rio. Lá, o governador Sérgio Cabral (PMDB) exige apoio à sua reeleição para entrar na campanha de Dilma ao Palácio do Planalto, mas fatia considerável do PT quer no páreo o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Há percalços também para a montagem de chapas em mais cinco Estados: Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Paraná e Ceará.

[...]

Pelos cálculos do PMDB, os insatisfeitos e adversários tradicionais dos petistas somam 410 dos 805 votos de convencionais que vão às urnas para decidir se querem se aliar ao PT ou deixar o partido ’solto’ na corrida presidencial, para que cada Estado faça a dobradinha que quiser.”

O Perspectiva vem desenhando quadro fiel das negociações entre PT e PMDB.

PT e PMDB: Parceria complicada

25/11/2009

Não é de hoje que aqueles que acompanham a política nacional sabem que a aliança entre PT e PMDB em nível nacional é uma operação complicada. Isso se dá pela necessidade de resolução de conflitos estaduais delicadíssimos.

Este blog mesmo já comentou que, por conta das dificuldades nos acertos, a estratégia das cúpulas petista e peemedebista foi alterada. Eles desejavam, antes, acomodar os interesses de ambos os partidos nos estados para, mais tarde, se unir nacionalmente em torno de Dilma Rousseff.

Não foi possível. As negociações regionais emperraram e foi daí que surgiu o pré-acordo nacional, que visa pressionar os entendimentos estaduais.

Acontece que o problema não é só o fato de interesses conflitantes nos estados colocarem PT e PMDB em lados opostos. O fato de a cúpula peemedebista, ao contrário da petista, não ter o controle sobre todos os diretórios regionais também agrava, e muito, a situação.

No PT há, certamente, o sentimento de desconforto em alguns estados com relação à cessão de espaços para o PMDB, porém, vinda a ordem de cima, dificilmente o diretório regional se insurgirá. Com o PMDB isso não ocorre. Diretórios como o paulista e o catarinense já estão fechados com a oposição e outros, como o mineiro, o baiano e o sul-matogrossense, não aceitam abrir mão da candidatura própria para atender às pretensões estaduais petistas. E isso ainda traz o revés de fornecer argumentos aos petistas mais rebeldes que não gostam nem um pouco de serem podados pela direção nacional, o que gera a iniciativa pró-candidatura própria de certos grupos de alguns estados como o Rio.

É por essas e por outras que, fechado o pré-acordo, as zonas de tensão estaduais pouco se acalmaram. Por mais que a estratégia das cúpulas de PT e PMDB tenha mudado, isso não quer dizer que o novo plano será bem-sucedido, para o sorriso maroto dos peemedebistas oposicionistas, como o paulista Orestes Quércia, ou defensores da candidatura própria, como o paranaense Roberto Requião, que veem na dificuldade para unificar os palanques estaduais com o PT uma chance de, mais do que isso, anular a aliança formal com o governo como um todo.

Inclusive a própria pré-candidata Dilma Rousseff e o Presidente do Senado, José Sarney, admitem sem cerimônias que os acertos estaduais são difíceis. Dilma Rousseff que considera difícil que uma eventual aliança nacional do PT e do PMDB em torno da sua possível candidatura à sucessão do presidente Lula seja reproduzida nos Estados. Sarney a respaldou e afirmou que as duas legendas devem ter palanques distintos em Estados onde não há possibilidade da aliança se efetivar.

Em resumo, o PMDB tem, nacionalmente, três caminhos: Caminhar com o governo, caminhar com a oposição ou caminhar sozinho, pelo menos, no primeiro turno.

Excetuado o caminho da candidatura própria, nenhum deles deverá ser respaldado pelos diretórios de todos os estados. Nos dois casos, caminhe o PMDB com o PT ou com o PSDB, existirão dissidências.

Além delas, aonde não ocorrerem dissidências quanto à corrida presidencial, ainda existirá a possibilidade de uma candidatura do PMDB ao governo do estado em questão que se oponha ao aliado nacional, seja ele qual for.

Essa é a complicação que demonstra como o PMDB nada mais é do que uma federação de caciques.

É a mesma complicação que permite ao PMDB ser o maior partido do Brasil, fato que a mantém viva, e que dá ao PMDB o grande tempo de televisão que, na realidade, é o que mais interessa a todos os presidenciáveis.

Sucessão no Mato Grosso do Sul: Puccinelli e PMDB se afastam do governo

28/10/2009

Informa o colunista Ilimar Franco, a respeito do fato de o Governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, e seu PMDB regional, estarem cada vez mais afastados do governo e mais próximos de outros grupos, como o de Ciro Gomes e a aliança PSDB-DEM:

“O deputado Ciro Gomes (PSB) estava reunido com seu partido em Campo Grande (MS), há um mês, quando o governador André Puccinelli (PMDB) entra na sala e declara que pode apoiar sua candidatura à Presidência da República. Puccinelli está em rota de colisão com o PT por causa da candidatura de Zeca do PT ao governo do estado. Já o PSDB e o DEM dão o apoio de Puccinelli ao candidato da oposição como favas contadas.”

Coluna do dia: Em terra de Gilmar, alguns jornalistas também são capangas

21/06/2009

Por Tiago Franz*

Estou a menos de um mês de conquistar meu diploma de jornalista. Passei os nove semestres de curso, cá em Chapecó, Santa Catarina, com planos de regressar formado para a terra onde cresci e onde vivem meus pais e irmãos. Sempre pensei: serei um jornalista feliz se puder fazer, naquele lugar, o jornalismo que acredito. Mas de que lugar eu falo? Literalmente, é uma terra de Gilmar. Nova Mutum, onde mora minha família, é um município mato-grossense de vinte anos de idade. Foi emancipado do município de Diamantino, terra da família do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

A Excelência Gilmar Mendes foi um dos 8 ministros que derrubaram a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista, na última quarta-feira, 17 de junho. O presidente do STF também foi o relator do recurso. É o fim de mais um capítulo da “novela”. Desta vez, o Supremo não chamou o “intervalo comercial” e decidiu por 8 votos a 1.

Da forma como eu tratarei a questão, pode parecer que sou um daqueles representantes da categoria que, como dizem os contrários ao diploma, só querem proteger sua reserva de mercado. Quatro anos e meio na universidade e vem aí um Gilmar me tirar a garantia de emprego e comparar a profissão de jornalismo com a de chefe de cozinha! Mas não é isso. Diferentes segmentos da sociedade brasileira, e até mesmo estudantes de jornalismo, estão bastante divididos sobre a questão. Também estou dividido, embora tenha mais concordância com a obrigatoriedade do diploma. Nem mesmo a convivência diária com acadêmicos e profissionais de jornalismo me fez tomar uma das partes com mais convicção.

Admiro os dotes de um bom chefe de cozinha. Entretanto, comparar as duas profissões, no aspecto em questão, como fez Mendes, é uma piada (pelo menos eu achei engraçado). O jornalismo existe por uma demanda social; é uma atividade essencialmente política, assim como o Direito. Será que Gilmar, que é proprietário de instituições de ensino de Direito, acha que a formação acadêmica em sua área de atuação também é desnecessária? Aliás, a Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da Uned, criada por Gilmar e administrada pela família Mendes, ficou entre as piores do Brasil, com conceito 2 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Pelo menos a OAB está do lado da Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj) na defesa do diploma, demonstrando coerência com o significado de categoria profissional organizada.

Duas vezes por ano visito meus pais no Mato Grosso. Conheço bem a realidade dos veículos de comunicação de lá, principalmente os de cidades do interior como Nova Mutum e Diamantino. Infelizmente, há poucos profissionais na região aptos a exercerem um jornalismo independente e crítico.

O debate sobre a exigência ou não do diploma é bastante extenso e complexo para se abordar aqui, mas faço questão de defender um ponto a favor da formação acadêmica. Uma categoria profissional sem regulamentação e sem o devido preparo fica vulnerável e deixa de ser independente. Ao invés de servir à sociedade, pode servir de capanga a grupos políticos e interesses privados. É o que vejo escancaradamente no Mato Grosso. Se hoje os veículos de imprensa são controlados por esses interesses, é de se prever que os jornalistas ficarão, num grau ainda maior, subordinados ao poder.

Gosto muito das palavras do sociólogo francês Dominique Wolton: “O jornalismo cumpre seu papel quando permite a organização da controvérsia”. É por achar que de ambos os lados existem argumentos interessantes que não defendo com maior convicção a causa do diploma. Se a democracia brasileira não fosse tão defasada, não haveria maiores problemas com a decisão do Supremo. Mas já que a realidade não é das melhores, creio que a sociedade sai perdendo, muito mais do que os jornalistas formados. Temo que o país, mais do que já é, torne-se de vez uma “terra de Gilmar”, onde alguns jornalistas também são capangas.

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo