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Saiba como foram construídas as candidaturas de Serra e Dilma ao Planalto

16/06/2010

As jornalistas Christiane Samarco e Vera Rosa, do Estadão, investigaram, respectivamente, a construção das candidaturas a Presidente atuais de José Serra e Dilma Rousseff.

Pode-se dizer que tratam-se de dois trabalhos jornalísticos espetaculares. Ambos trazem detalhes a respeito de como as peças foram sendo unidas e montando as duas mais importantes candidaturas que hoje se apresentam ao brasileiro.

Muitos destes detalhes não são de conhecimento de grande público e alguns poucos não eram sabidos, até mesmo, por aqueles que acompanham a política de perto.

Por essas e por outras o Perspectiva não poderia deixar de reproduzir.

Seguem abaixo, portanto, respectivamente, as reportagens “Você não está vendo que é minha última oportunidade?” de Christiane Samarco sobre a candidatura de Serra e “Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!” de Vera Rosa sobre a candidatura de Dilma.

Você não está vendo que é minha última oportunidade?

Christiane Samarco – O Estado de São Paulo

Ele sonha com a Presidência da República desde menino e trabalha metódica e obstinadamente para chegar lá há exatos 12 anos, 2 meses e 12 dias, desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, em 1998. Mas quando tudo parecia resolvido, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já fora do páreo, no final de janeiro deste ano José Serra vacilou.

A indecisão assombrou os cinco políticos mais próximos do candidato, a quem ele mais ouve. Foi o mais ilustre membro deste quinteto – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – quem deu o ultimato e acabou com a indefinição: “Serra, agora é tarde. Você não pode mais desistir”.

O comando tucano estabelecera prazo até o Carnaval para que Serra desse uma demonstração pública que não deixasse dúvidas quanto à decisão de enfrentar o mito Lula e a máquina petista do governo. Serra ainda silenciou por quase uma semana. Voltou à cena, pedindo ao presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), e ao amigo deputado Jutahy Júnior (BA), que organizassem uma programação para ele participar dos carnavais de rua do Recife e de Salvador, na semana seguinte.

A pressão pela definição era tão grande, que até a reportagem de uma revista semanal britânica repercutiu no Brasil. A respeitada The Economist que circulou na primeira semana de fevereiro trazia um artigo afirmando que o governador José Serra esperava, “com paciência demais” pela Presidência. Disse ainda: “Serra precisa subir no banquinho e começar a cantar seus elogios agora. Do contrário será lembrado como o melhor presidente que o Brasil nunca teve.”

Bem no clima do dito popular sobre o calendário do Brasil, no qual o ano só começa depois do carnaval, Serra assumiu mesmo os compromissos pré-eleitorais no embalo do Momo. “As dúvidas do Serra nunca foram hamletianas. Sempre foram objetivas”, diz o governador Alberto Goldman.

Em conversas reservadas, Serra já havia reclamado da “falta de estrutura” do partido. Boa parte da dúvida vinha da falta de sustentação partidária. Diferentemente do PT, o PSDB não é um partido de base e de organização, com estrutura para dar o suporte que uma disputa acirrada pela Presidência da República requer. Para o amigo Jutahy, os momentos de indefinição decorreram do fato de que Serra “nunca jogou com uma alternativa única”. Da mesma forma, acrescenta, ele jamais seria candidato só para marcar posição. “O Serra acredita na possibilidade de vitória”.

O convite explícito ao ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para que aceitasse a vice na chapa puro-sangue do PSDB, demorou mais 30 dias – veio na primeira hora da terça-feira 3 de março, no Hotel Meliá em Brasília. Na conversa reservada, sem testemunhas, que avançou pela madrugada, Serra não hesitou em usar seus 68 anos de idade como argumento, para convencê-lo a aceitar a dobradinha café com leite.

“Você não está vendo que esta é minha última oportunidade?”, ponderou, para salientar que Aécio é jovem e que um dia, “fatalmente”, o neto de Tancredo Neves chegará a Presidência da República. Em resposta, o mineiro repetiu a tese de que a melhor forma de ajudá-lo seria dedicando-se à campanha de Minas, disputando o Senado – e o governador Antônio Anastasia, a reeleição.

No voo de volta a Belo Horizonte, no dia 10 de abril, depois do Encontro dos Partidos Aliados – quando Serra apresentou a candidatura e Aécio foi recebido por 3 mil militantes aos gritos de “vice, vice, vice” – o governador de Minas confidenciou a um interlocutor o temor de que o anúncio da dobradinha com Serra fosse um “fato político efêmero”.

Admitiu que sua presença na chapa poderia até dar um “upgrade” à candidatura tucana, mas também avaliou que o entusiasmo seria rapidamente consumido. “Muita gente fala que é importante eu ser vice, mas um anúncio desses só alimentaria o noticiário por 15 dias”. Ainda assim, ele não fechou de todo a porta à chapa café com leite.

Serra já estava avisado de que, com Aécio, não adiantaria pressão. O recado velado veio embutido no discurso de homenagem ao centenário de nascimento de seu avô Tancredo, realizada uma semana depois. Da tribuna do Senado, em sessão solene para lembrar Tancredo Neves, Aécio fez questão de citar a frase com a qual o avô respondera à pressão do então deputado João Amazonas (PC do B) em 1985, para que assumisse posições radicais: “Não adianta empurrar. Empurrado eu não vou.”

Não foi por pressão ou por temor do confronto que Aécio decidiu sair do páreo. Na lógica de um dirigente tucano que o acompanha, ele não quis “ir para o pau” porque não poderia construir uma candidatura a presidente rompido com o candidato a governador de São Paulo. Além disso, ao final do ano passado as pesquisas eleitorais mostravam que ele não havia empolgado o País. Ficou claro que insistir na disputa interna seria um desgaste político.

Boa parte dos movimentos de Aécio rumo ao Planalto foi feita no embalo da resistência de companheiros a mais uma candidatura de São Paulo. Desde 2002, o tucanato das várias regiões amarga um incômodo e um certo cansaço em relação à hegemonia paulista. A queixa geral é de que ser um candidato a presidente “fora do establishment” é muito difícil em qualquer circunstância. Praticamente impossível, se houver um concorrente de São Paulo.

Esse sentimento tomou conta das regionais do partido depois da morte de Mário Covas. O câncer que tirou Covas do governo de São Paulo levou junto o candidato natural do PSDB a presidente da República e também a possibilidade da construção pacífica de uma candidatura de consenso.

Já bastante doente, Covas recebeu, em 2000, a visita de Tasso no Palácio dos Bandeirantes. Em meio à conversa sobre cenário político nacional e a sucessão presidencial, o anfitrião abriu o jogo. “Não vou ter saúde para ser candidato. Essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”, avisou. Em seguida, fez questão de telefonar para o presidente Fernando Henrique, comunicando sua preferência.

Tasso lançou-se na disputa presidencial em 2001, ao final do seu terceiro mandato de governador do Ceará. Além do incentivo de Covas, morto em março daquele ano, arrebanhou apoios públicos no PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Mas acabou desistindo, com queixas de que havia “uma espécie de conspiração paulista em favor de Serra, desequilibrando a disputa interna”.

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você… o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

Diante da desistência pública do cearense e das indagações da imprensa sobre o racha no PSDB e sobre o que Serra poderia fazer para unir o partido, Arthur Virgílio disse diante das câmeras de televisão que falar com Tasso era fácil. “Basta discar o DDD 085 e o número do telefone”, sugeriu.

“Mas o que é isso? Você me ensinando a falar com Tasso pela TV?”, cobrou Serra. “Não fiz para te sacanear. Só respondi à pergunta de como vocês iriam se falar. Você é o meu candidato a presidente”, amenizou Virgílio. O telefonema não aconteceu e Tasso acabou optando pela candidatura presidencial do amigo e conterrâneo Ciro Gomes, que lhe pedia apoio e ajuda e com quem nunca se atritou.

Também foi nos braços de Ciro que os aliados do PFL se jogaram na eleição de 2002. Serra estava rompido com os pefelistas, hoje rebatizados de DEM, desde o desmonte da candidatura presidencial de Roseana Sarney, a partir de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Sudam. Em 1º de março de 2001, a PF encontrou R$ 1,34 milhão em cédulas de R$ 50 no cofre da empresa Lunus Participações e Serviços Ltda, de propriedade de Roseana e seu marido Jorge Murad. O casal não esclareceu a origem do dinheiro. O episódio deixou sequelas.

O PFL demorou a se aproximar de Serra. O cacique Antonio Carlos Magalhães dizia que Serra fazia aquilo que era a especialidade do baiano: atropelava todos de quem não gostava. Contava que ele próprio fora atropelado por conta da amizade do paulista com Jutahy.

Nos últimos meses de Serra à frente do Ministério da Saúde, em 2002, quando agilizava os convênios com prefeituras de todo o Brasil para deixar a pasta, o ministro recebeu um telefonema de ACM com um recado direto: “Eu quero que Jutahy perca esta eleição. Quem ajudá-lo não é meu amigo”. O pedido ali embutido era para que o ministério não assinasse convênios com prefeituras ligadas ao deputado baiano. Serra ponderou que não tinha como ajudar Jutahy. “O senhor é o presidente do Senado e ele está sem mandato”, argumentou.

Mas, em vez de vetar o acesso dos prefeitos da base de Jutahy aos programas da Saúde, Serra o alertou: “Trate desta eleição como se estivesse tratando da sua vida”. Abertas as urnas, ACM acusou o golpe com outro telefonema: “Quero te informar que seu amigo se elegeu”. Serra ganhou ali um adversário de peso na Bahia.

Aloysio lembra que, antes mesmo da derrota de 2002, Serra já amargava uma campanha sofrida, mal organizada e sem estrutura, da qual saíra muito abatido. “Até o coordenador se mandou no meio da campanha”, recorda bem humorado, referindo-se à saída de Pimenta da Veiga. “Mas, naquele momento, foi muito sofrido. Ele se levantou porque não é homem de ficar chorando pelos cantos”.

Talvez por isto, correligionários e aliados já identificassem em 2004 um Serra bem diferente, e hoje enxerguem nele um “candidato humanizado” pelas derrotas. Afinal, depois de ser o presidenciável do partido que forçara Lula a disputar dois turnos para chegar ao Palácio do Planalto, ele teve que pedir voto aos próprios companheiros.

Sem mandato, só lhe restava a opção de presidir o partido. “Ele conheceu bem o outro lado. Com 33 milhões de votos, teve que lutar para ser presidente do PSDB”, conta Virgílio, que lhe emprestou o gabinete da liderança do governo no Congresso para a campanha interna, sem adversário.

Do comando partidário, Serra ainda foi forçado a assumir a contragosto a candidatura para prefeito de São Paulo. “Você é o único capaz de vencer a Marta Suplicy” diziam todos os tucanos de São Paulo e do Brasil, referindo-se à prefeita petista, que disputava a reeleição. O apelo mais forte veio do ex-presidente Fernando Henrique.

Ele sabia que a Prefeitura complicaria seu projeto mais importante: a Presidência da República. Queria continuar presidente do partido e estava certo de que era o caminho para chegar como candidato mais forte ao Planalto em 2006. Mas não teve como resistir à pressão de dirigentes nacionais e paulistas, por conta da convicção geral de que, se Marta fosse reeleita, a hegemonia do PT se tornaria irreversível.

Mas foi assim que também se tornou tributário de uma dívida de apoio para a pretensão de 2010. A parceria com o DEM nas eleições municipais de 2008 foi iniciativa de Serra, já mirando o Palácio do Planalto mais adiante. Foi ele quem, na condição de presidente nacional do PSDB, procurou o presidente do PFL para propor a dobradinha. Àquela altura, o PFL tinha um candidato – José Pinotti – que aparecia com cerca de 15% da preferência do eleitorado nos levantamentos do partido.

Bornhausen sugeriu Kassab para vice e o tucano resistiu. Argumentou que Kassab fora secretário do Planejamento na gestão de Celso Pitta, uma ligação com potencial de desastre eleitoral. Queria Lars Grael, o velejador campeão mundial que tivera uma perna mutilada em um acidente e fora secretário nacional de Esportes no governo FHC. Mas Grael era cristão novo e Bornhausen bateu o pé. Praticamente impôs Kassab.

Habilidoso, Kassab nunca agiu como o nome imposto nem se ressentiu do veto. Dizia que a postura de Serra sempre foi muito transparente e que suas ponderações eram de caráter político eleitoral, e não pessoais. E se apresentou ao parceiro de forma objetiva: “Serei uma pessoa leal à chapa. Pode contar comigo”.

Na construção da disputa municipal de 2008, Serra teve de administrar duas candidaturas do mesmo campo político, uma delas de seu próprio PSDB. Kassab sabia que era o preferido por para continuar o trabalho em parceria com tucanos do primeiro time.

Três ex-ministros de Fernando Henrique – Aloysio, Andrea Matarazzo e Clóvis Carvalho – participaram da Prefeitura. Ao final, no entanto, acabou tendo que engolir o apoio público de Serra a Alckmin.

Goldman ainda articulou e coordenou uma reunião com Serra e Aloysio no Palácio dos Bandeirantes, em que propuseram a Alckmin desistir da Prefeitura em troca do apoio garantido do trio para a volta ao governo, dois anos mais tarde. “Governador eu já fui. Quero muito ser prefeito.”

A construção da unidade interna só foi possível depois de Kassab se reeleger prefeito. Derrotado, Alckmin sabia que o único caminho para voltar ao governo de São Paulo seria dentro do próprio governo. Mas, no tucanato, ninguém acreditava que Serra o convidasse e, tampouco, que o outro aceitasse.

Não foi tão difícil. Se o acerto era o passaporte de Alckmin para uma nova candidatura, também era fundamental ao projeto Serra criar um ambiente de unidade interna a partir de São Paulo. Serra investiu na operação certo de que ela teria serventia dupla, além do fato de trazer votos. Mais do que resolver a sucessão paulista, a ofensiva serviria ao projeto mais arrojado de mudança de imagem no plano nacional.

Como Aécio construía a candidatura presidencial vendendo o modelo de político agregador, capaz de aglutinar mais apoios fora do PSDB do que Serra, chegara o momento de o paulista desfazer este entendimento. E nada melhor, para se livrar da pecha de desagregador, do que uma demonstração nacional de que ele seria poderia, sim, encarnar o figurino de político competente também para agregar apoios e unir o partido.

O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e o presidente da regional paulista, José Henrique Lobo, foram encarregados de fazer a sondagem para poupar o governador de uma eventual recusa. Além deles, apenas Serra, Goldman e Aloysio sabiam do encontro e não deixaram vazar o convite para não subtrair impacto do fato político.

Na tarde de 23 de dezembro, antevéspera do Natal, Alckmin foi tomar um café com Serra a pretexto de lhe desejar boas festas, e deu o OK. O convite aceito foi o fator de aglutinação que faltava para dar seguimento à estratégia de chegar ao Planalto.

Mas nem por isto a pendenga com Aécio estava resolvida. Embora Serra ocupasse o primeiro lugar da fila de presidenciáveis tucanos, o ex-governador de Minas também estava convencido de que sua melhor hora para entrar na corrida sucessória era aquela. Depois de oito anos de administração bem sucedida no governo de Minas, ele avaliava que este seria o melhor momento para apresentar sua candidatura.

Foi aí que Sérgio Guerra teve seu papel mais relevante na construção da candidatura tucana. Foi ele quem administrou a dupla de presidenciáveis e convenceu Serra a acatar a ideia das prévias que Aécio exigia. O governador paulista chegou a se irritar com a pressão de Aécio, que se sentia liberado para correr o País em busca de apoios, depois de sete anos de administração bem sucedida em Minas.

Serra, ao contrário, avaliava que não podia se afastar um milímetro do governo estadual para tratar de eleição, sob pena de perder o voto dos paulistas – que já haviam amargado sua saída da Prefeitura de São Paulo no meio do mandato. Com muita habilidade e alguma paciência, impediu um atrito entre os dois assegurando ao paulista que as prévias acabariam não acontecendo. E assim foi.

Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!

Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Ávida por descobrir o que o futuro lhe reserva, Dilma Rousseff quer encomendar um mapa astral e tenta de todo jeito saber a hora exata de seu nascimento, ausente da certidão. Depois de infrutíferas entrevistas na família, a candidata do PT à Presidência mandou buscar a informação no arquivo do hospital São Lucas, de Belo Horizonte. Não encontrou a resposta até agora, mas a persistência em busca do horário perdido revela o quanto rejeita o veredicto “impossível”.

“Também isso foi há 62 anos, não é?”, justifica ela, não muito resignada. “Minha mãe diz que eu nasci antes da meia noite e minha tia, que foi um pouco depois. Como é que eu vou saber? O que sei é que sou sagitariana.”

Nascida em 14 de dezembro de 1947, a mineira Dilma tem mais essa “semelhança” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pernambucano, dois anos mais velho do que ela. Lula nunca soube a hora de seu nascimento. Nem mesmo o dia. A mãe contava que era 27 de outubro, mas o menino foi registrado pelo pai como sendo do dia 6. Para o presidente, a conjunção dos astros conspirou a seu favor por “pura sorte”.

Seis e 27 de outubro foram as datas dos dois turnos da eleição de 2002, quando Lula chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto, derrotando José Serra (PSDB), hoje adversário de Dilma. Quatro anos depois, reeleito após atravessar uma sucessão de crises e quase ser apeado do poder com o escândalo do mensalão, em 2005, ele encasquetou com Dilma, a ministra da Casa Civil.

Começou ali, na transição do primeiro para o segundo mandato, o planejamento do que parecia impossível: a construção da candidatura de Dilma, uma cristã nova no PT. Com os herdeiros naturais abatidos por escândalos e a cúpula do PT dizimada, Lula tomou uma decisão solitária sobre o seu espólio. Apenas o círculo mais íntimo de auxiliares percebia os sinais emitidos por ele.

No fim de 2006, o Palácio do Planalto abrigou várias reuniões reservadas para a discussão dos rumos do novo governo. “Eu sempre tive medo de que o segundo mandato caísse na mesmice”, revelou Lula ao Estado.

Gerente da equipe, Dilma teve papel destacado nesses debates, com ênfase em desenvolvimento, distribuição de renda e educação. Nos encontros, com a participação de um seleto grupo de ministros, foram gestados o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançados em 2007.

“Antes de deixar o governo, em março daquele ano, eu avisei: “Dilma, se prepare que a candidata em 2010 vai ser você!”", conta o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. “Ela respondeu: “Imagine, não posso! O meu trabalho é muito absorvente.”"

Com recursos de R$ 503,9 bilhões em sua primeira edição, o PAC logo se transformaria no carro-chefe da campanha petista. Lula, porém, estava longe de falar com a titular da Casa Civil sobre o assunto.

“Um dia, caminhando com ele até a sua sala, ouvi a seguinte frase: “Estou pensando cada vez mais sério em fazer a Dilminha candidata”", descreve Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência. “Levei um susto.”

O publicitário João Santana, responsável pelo marketing político de Lula na campanha de 2006, foi escalado para dar consultoria à ministra da Casa Civil no ano seguinte. “Se a gente trabalhar direito, elege a Dilma”, dizia o presidente.

Conhecida por seus métodos pouco ortodoxos de treinamento, que incluem até arte marcial japonesa, a jornalista Olga Curado também foi recrutada para preparar Dilma antes de entrevistas, palestras e debates.

Na primeira pesquisa feita pelo PT, em 2007, ela apareceu com 3% das intenções de voto. A lista dos ministros mais conhecidos do governo era encabeçada pelo cantor Gilberto Gil, da Cultura. Dilma estava lá embaixo. Desânimo geral.

Foi duro o trabalho para transformar a técnica sisuda na candidata sorridente que terá o nome homologado hoje, em convenção do PT. Filha de pai búlgaro e mãe mineira, com sobrenome de difícil pronúncia, Dilma começou a ser chamada de “Vilma do Chefe” em 2008, quando Lula passou a levá-la a tiracolo nos palanques. A simbiose foi comemorada pelo comando da campanha.

Pesquisas encomendadas por Santana mostraram que a imagem de Dilma tinha de ser cada vez mais associada à de Lula, um presidente popular, e aos programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Luz para Todos. Assim foi feito. “A força inicial do lançamento é determinante para saber a altura do voo”, argumentava o marqueteiro. Pilar dessa estratégia, o programa Minha Casa, Minha Vida, de 2009, foi planejado sob medida para a eleição.

“Essa história de dizer que Dilma é técnica embute uma tentativa de desqualificá-la”, afirma o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu ex-marido e companheiro em organizações de extrema esquerda, como a Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), no fim dos anos 60 e início dos 70. “Então uma pessoa que é presa aos 22 anos, torturada, sai da prisão e ajuda a organizar um partido, o PDT, é técnica? Ela sempre foi política.”

O PT prepara antídotos para combater o ataque à participação de Dilma em grupos que pregavam a luta armada. Além da vinculação de sua biografia à do líder sul-africano Nelson Mandela, pacifista, a ideia é apresentá-la como uma espécie de heroína do movimento contra a ditadura, uma mulher que sempre defendeu a democracia. “Dilma nunca deu um tiro”, reforça Araújo, pai de sua única filha, Paula (33 anos), a quem ela chama, até hoje, de “meu bebê”.

O tiro de Lula, porém, deixou muita gente boquiaberta. Na noite de 30 de outubro de 2007, ao voltar de Zurique, ele fez um diagnóstico sobre a própria sucessão. “São Paulo não vai eleger o próximo presidente nem que a vaca tussa”, previu, em conversa no avião com o ministro Orlando Silva (Esporte) e Marta Suplicy, então titular do Turismo. Era uma terça-feira e a comitiva retornava da viagem de apresentação da candidatura do Brasil à sede da Copa de 2014.

O argumento de Lula, que àquela altura já vislumbrava a candidatura de Serra, era um só: São Paulo se portava como locomotiva “divorciada” do Brasil. Na sua avaliação, um candidato paulista não agregaria tanto apoio quanto a desconhecida Dilma.

Ela entrou no governo em 2003 pelas mãos de Antônio Palocci, hoje um dos principais coordenadores de sua campanha. Ex-secretária de Energia do governo Olívio Dutra (PT), foi convidada por Palocci a integrar a equipe de transição. Egressa do PDT de Leonel Brizola, tinha menos de um ano de filiação ao PT.

Sem papas na língua, ela logo comprou briga com Luiz Pinguelli Rosa e Ildo Sauer, os dois pesos-pesados que preparavam o programa do PT para um novo modelo energético, mas encantou Lula. Foi assim que virou ministra de Minas e Energia, desbancando o PMDB.

José Dirceu, então presidente do PT, negociava a entrada do PMDB no governo, mas foi logo avisado de que aquela vaga seria de Dilma. “Essa moça conseguiu conter a crise de energia no Rio Grande do Sul. O ministério está reservado para ela, não vai para indicação política”, esbravejou Lula.

A poucos dias de assumir a Casa Civil, Dirceu foi obrigado a desfazer um acordo fechado com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), hoje candidato a vice na chapa de Dilma. “Eu só fui conhecê-la muito tempo depois”, diz Temer.

Dirceu e Palocci disputavam os rumos do governo. O ministro da Casa Civil caiu com o escândalo do mensalão, em 2005. Cinco meses depois, em novembro, teve o mandato de deputado cassado pela Câmara. “Quando sobreveio a crise e a queda do Zé, o presidente logo falou: “Eu tenho um nome”", lembra Carvalho. “Era a Dilma.”

Sob intenso cerco político, o governo precisava mostrar resultados rápidos para reagir ao terremoto. Com fama de durona, Dilma se encaixou no figurino idealizado por Lula. Não tinha litígios políticos nem almejava o poder.

Nas palavras do presidente, “era de uma dedicação a toda prova”. Ficava até altas horas no Planalto e de manhã integrava o grupo que batia ponto às 8 horas para monitorar as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

No auge da crise, auxiliares mais próximos de Lula chegaram a sugerir a ele, em reunião no Palácio da Alvorada, que não concorresse à reeleição. Era a saída para acalmar os adversários do PSDB e do DEM, que, assim, dariam uma trégua ao governo. Dilma foi contra a ideia.

Lula chegou a convidar Palocci, em julho, para ser o candidato do PT em 2006, sob o argumento de que não queria um segundo mandato. “Não existe essa hipótese. Você vai ser candidato”, devolveu o ministro da Fazenda. Mesmo antes da queda de Dirceu, o nome preferido do presidente para a sua sucessão sempre foi o de Palocci.

Furioso ao saber que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia pregado sua renúncia à disputa como forma de restaurar a ética no País, Lula não se conteve. Entre um e outro palavrão, disse que não apenas entraria de novo no páreo como venceria a peleja. “Essa gente não conhece minha ligação com o povo”, reagiu.

Implacável nas cobranças, Dilma ganhou a confiança do chefe. Os gritos da ministra, famosos no Planalto, não assustavam Lula. Não eram raros aqueles que deixavam a sala dela, no quarto andar, para reclamar no gabinete dele, no terceiro. Palocci figurou nessa lista.

Em novembro de 2005, o ministro da Fazenda se queixou porque Dilma – chamada por ele de “a tia” – classificou o ajuste fiscal de longo prazo como “rudimentar”, numa entrevista ao Estado. Para Dilma, o efeito do corte de gastos, com os juros altos, era o mesmo que “enxugar gelo”.

Reconduzido ao poder, Lula ainda acalentava o sonho de fazer Palocci o sucessor, agora em 2010. Foi obrigado a desistir do plano em março de 2006. Envolvido em acusações de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, reveladas pelo Estado, o homem forte da Fazenda caiu.

Sem os dois generais do primeiro mandato, Lula se antecipou em três anos às previsíveis cotoveladas entre as correntes do PT para a indicação de seu herdeiro no inventário e passou a testar Dilma. Soltava o nome vez por outra, como balão de ensaio. Não foi só Gilberto Carvalho quem tomou susto.

O PMDB torcia o nariz para a ministra. “Achávamos que ela era muito técnica, muito dura”, resume o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). As divergências aumentavam na temporada de negociação dos cargos cobiçados pelo PMDB.

Eram 17 horas de uma segunda-feira, em janeiro de 2008, quando um bambolê cor de rosa aterrissou no Planalto. Comprado por R$ 1,99, o “presente” foi despachado por Alves para o gabinete de Dilma. “Foi a forma que encontramos de dizer que ela precisava ter mais jogo de cintura”, admite Alves.

Nas fileiras do PT e do PSB, os muxoxos sobre a preferência de Lula também se fizeram ouvir. “Ela não tem militância nem vínculo partidário”, bradou Tarso Genro, à época ministro da Justiça, com a autoridade de quem conhecia Dilma desde o Rio Grande do Sul. “É um grave erro político o lançamento de um único candidato da base aliada”, protestou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Sem contar Tarso e Ciro, que não escondiam a intenção de concorrer à cadeira de Lula, várias alas do PT também já se assanhavam.

Dirigentes da tendência Construindo um Novo Brasil – como foi rebatizado o antigo Campo Majoritário, grupo de Lula – punham na roda o nome do ministro do Desenvolvimento Social, o mineiro Patrus Ananias. Discípulos de Marta achavam que, se ela saísse vitoriosa da eleição para a Prefeitura, em 2008, poderia assumir a tarefa. Não emplacou.

Patrus comandava o Bolsa-Família, a grande aposta do governo, mas, na opinião do presidente, tinha “personalidade tímida”, característica vista como problema para uma campanha plebiscitária contra o PSDB. Além de não ser da corrente de Lula, Tarso causava receio por seu estilo polêmico.

Ainda em 2007, na manhã de 8 de novembro, outro sinal dado por Lula não deixou dúvidas de que Dilma era a favorita. A bordo do avião que conduzia a comitiva de ministros ao Rio, o presidente só ali contou aos passageiros o motivo da viagem: a Petrobrás havia descoberto um “bilhete premiado”, a camada de pré-sal.

E quem faria o anúncio da boa nova? Dilma Rousseff, a candidata.

“A descoberta do pré-sal não podia vazar, por causa das ações da Petrobrás”, atesta o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Além de Dilma e Bernardo, formavam a comitiva os ministros Guido Mantega (Fazenda), Nelson Hübner (Minas e Energia), Franklin Martins (Comunicação Social), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).

Dias depois, ao cruzar com Dilma nos corredores do Planalto, Clara Ant abriu um sorriso. “Dilma, você é o nosso pré-sal!”, exclamou a assessora de Lula.

A transformação de Dilma, no entanto, começou a aparecer apenas em meados de 2008, ano de eleições municipais. Com miopia de oito graus, ela trocou os pesados óculos por lentes de contato, contratou um “ghost writer” para pôr uma pitada social em seus discursos cheios de números e subiu em palanques de candidatos às prefeituras.

Perto do Natal de 2008, Dilma fez uma plástica no rosto que suavizou as olheiras e a fisionomia. Retomou as atividades após as festas de fim de ano com novo visual. Sua exposição no balanço do PAC foi mais objetiva, com tempo cronometrado, resultado do treinamento com João Santana.

A falta do convite oficial de Lula, porém, virou piada nas reuniões semanais da coordenação de governo. “A essa altura, ele já falava com todo mundo sobre a candidatura, menos com ela”, recorda Carvalho.

O baque veio em abril do ano passado, quando Dilma descobriu que estava com câncer no sistema linfático. A notícia da doença vazou 24 horas depois de Lula ser informado por ela e Franklin Martins sobre o assunto. O presidente, ministros e dirigentes do PT conversaram com médicos. Todos garantiram que a chance de cura era alta, já que o tumor fora detectado em estágio inicial. “Vá lá e dê uma entrevista. Esclareça tudo, se não vão pensar que estamos escondendo as coisas”, recomendou Lula.

Sentada ao redor de uma mesa no restaurante italiano Magari, no Itaim Bibi, Dilma almoçou com Thomaz Bastos e Martins, após a entrevista no Hospital Sírio Libanês. Pediu salada e nhoque com cordeiro. O tema da conversa era a campanha.

“Falamos sobre a importância de organizar um grupo de confiança, para discutir política com ela”, relata Thomaz Bastos, hoje consultor jurídico do comitê petista. “Em nenhum momento a doença foi posta como fator impeditivo.” Amigo de Dilma, o ex-ministro passou a integrar esse núcleo, ao lado de Martins, Carvalho, Palocci, do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do então presidente do PT, Ricardo Berzoini. As reuniões, sempre às terças-feiras, fazem parte da rotina até hoje, com novos integrantes.

Lula abortou as especulações sobre um Plano B para substituir Dilma. Em São Bernardo do Campo (SP), porém, dirigentes do PT chegaram a se reunir duas vezes para examinar alternativas, caso ela não pudesse levar adiante a candidatura. Nos encontros foi sugerido o nome do recém-eleito prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). O presidente desautorizou a articulação.

Foi somente depois que Dilma terminou o tratamento de quimioterapia para combater o câncer, em julho, que Lula teve uma conversa séria com ela sobre a montagem do comando de campanha. “Chegou a hora de trabalhar mais profissionalmente”, avisou. “Você chama o Pimentel que eu chamo o Palocci.”

Em 16 de setembro, o presidente organizou um jantar para ela, no Palácio da Alvorada. Convidou Pimentel, Palocci, Carvalho, Martins, Berzoini e Santana. “Bom, Dilma, agora é oficial. Eu vou falar na frente deles o que me cobraram todos esses anos. Você está sendo escolhida a nossa candidata”, disse Lula, provocando gargalhadas.

Um segundo jantar no Alvorada, já com o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, eleito em novembro, sacramentou a estratégia. A portas fechadas, a cúpula do partido avaliava que era necessário correr riscos, mesmo levando multas por campanha eleitoral antecipada, para tornar Dilma conhecida.

Até agora, Lula já tomou cinco multas, aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que somam R$ 37,5 mil. A punição foi calculada, mas ninguém imaginava um novo dossiê no meio do caminho.

Depois da trapalhada produzida por um “bando de aloprados”, como Lula definiu o grupo de petistas que tentou comprar um dossiê contra tucanos, em 2006, outra rede de intrigas envolve a campanha do PT.

Suspeitas de espionagem contra Serra, fogo amigo e disputas de poder rondam o comitê de Dilma. Com a alegação de que é vítima de “armadilha”, o PT desafiou o rival para a briga na Justiça.

Disposta a afastar o mau olhado, a candidata exibe, no pulso esquerdo, uma pulseira de ouro com olho grego, presente da primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça. Reza a lenda que se trata de poderoso talismã para combater a inveja e dar proteção.

Enquanto não faz o mapa astral, Dilma recorre à superstição “na medida certa”, como diz. Ela não crê em bruxas, “pero que las hay, las hay”.

Marta chama Gabeira de sequestrador – Presidente do PT a desautoriza

17/05/2010

Marta Suplicy, com o objetivo de defender Dilma Rousseff, chamou Fernando Gabeira de sequestrador.

Dilma é sempre questionada por seu passado guerrilheiro. É vista por alguns com ressalvas por conta disso.

Pois bem. Visando embasar um argumento de que Dilma só tem seu passado lembrado por ser a candidata do PT, Marta afirmou que Gabeira sequestrou e que mesmo assim não tem esse passado lembrado frequentemente.

Isso seria motivado, supostamente, por ele ser aliado do PSDB no Rio.

A ex-Prefeita de São Paulo foi além e, sem dados, disse que Gabeira era o escalado para assassinar o embaixador dos EUA, cujo sequestro foi organizado pelo grupo que tinha Gabeira entre seus membros.

Resumindo, Marta quis proteger Dilma e acabou sendo apenas infeliz em suas colocações contra Gabeira, atingindo-o de forma gratuita e criticável.

No fim das contas, Marta meio que assumiu que o passado de Dilma é um ponto fraco, tendo apenas reclamado de não apontarem o suposto ponto fraco de Gabeira.

Não conseguiu defender um. Atacou o outro de forma agressiva e equivocada.

Parece até que a ex-Prefeita resolveu pautar-se pelo tom dos comerciais que sua campanha utilizou em 2008 para atingir a vida pessoal do atual Prefeito de São Paulo e então concorrente de Marta, Gilberto Kassab.

Resultado disso tudo: Gabeira respondeu de forma educada e, ao mesmo tempo, incisiva contra Marta, que se desgastou por conta da bobagem que disse.

José Eduardo Dutra, Presidente nacional do PT, por sua vez, desautorizou Marta, gerando mais um revés para a pré-candidata ao Senado por São Paulo.

Não podia ser diferente.

A declaração de Marta foi de uma infelicidade tremenda.

Análise: Tuma, Tuma Júnior e as curiosidades da política brasileira

08/05/2010

As principais chapas que concorrerão nas eleições estaduais paulistas estão sendo fechadas.

Romeu Tuma, político de longa data e com considerável cacife, estava tendo dificuldades para se encaixar em uma delas.

Do lado governista, Aloizio Mercadante concorrerá ao governo acompanhado por Marta Suplicy e Netinho de Paula ou Gabriel Chalita tentando o Senado.

Já do lado oposicionista, Geraldo Alckmin tentará manter o PSDB no poder regional acompanhado por Aloysio Nunes Ferreira e Orestes Quércia tentando a Casa Alta do Congresso Nacional.

Conclui-se que Tuma se viu sem espaço.

Contudo, seu peso político existe, até porque está tentando a reeleição, ou seja, por mais que esteja sem vaga nas chapas principais, é um adversário complicado de derrotar.

Eis que Tuma começou a flertar com candidatos que possuem menores chances de chegar ao Palácio dos Bandeirantes: Paulo Skaf e Celso Russomano.

É neste momento que tomam as páginas dos jornais algumas informações sobre uma investigação da Polícia Federal que aponta suposto envolvimento do filho de Tuma, Romeu Tuma Júnior, com uma máfia de pirataria e contrabando.

Não demorou muito para o efeito colateral surgir: Tuma, o pai, está tendo dificuldades para conseguir espaço em qualquer chapa após a eclosão do escândalo envolvendo o filho.

Resumindo, Tuma se viu colocado de lado pelos grupos majoritários e começou a buscar espaço junto aos candidatos menores para poder fazer frente aos candidatos ao Senado das principais chapas.

Neste exato momento, notícias negativas envolvendo seu filho encheram as páginas dos jornais, sendo elas frutos de uma investigação que já corre há tempos e que durante todo esse período era desconhecida pelo grande público.

Curioso.

Haja verdade nas acusações ou não, o fato é que o momento foi perfeito para alguns.

Parece até proposital.

Coluna do dia: Em São Paulo, desafio de Mercadante será perder de pouco

31/03/2010

Por Alexandre Campbell*

Com a possibilidade de Ciro Gomes (PSB) concorrer em São Paulo cada vez mais remota, o PT sacrificará Aloizio Mercadante, que troca uma reeleição certa para o Senado por uma derrota mais certa ainda para o governo do estado, com o objetivo de tentar assegurar um palanque “consistente” para a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

Anteontem (29), o também Senador Eduardo Suplicy, que tem ainda mais quatro anos de mandato, sem contar com o apoio da cúpula partidária, retirou seu nome em favor de Mercadante.

Para tentar manter o lugar de Mercadante no Senado, o PT lançará a ex-Prefeita Marta Suplicy. Para completar a chapa, entregará a vice e a outra vaga no Senado para os partidos aliados. O partido sonha em, mesmo sem Ciro, formar uma ampla frente para concorrer em território paulista.

Talvez mais prudente seria adotar uma estratégia diferente da nacional e incentivar a candidatura do Presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pelo PSB, para tentar forçar um segundo turno, cenário que, mantidas as condições atuais, não é uma tarefa fácil.

Os petistas enfrentarão o favoritismo do ex-Governador Geraldo Alckmin, que, segundo a recente pesquisa Datafolha, tem entre 49% e 53% das intenções de voto e poderia vencer a eleição já na primeira etapa. Falta muito tempo para as eleições? Sim, mas o percentual de largada do tucano é muito alto. Terá ainda a seu favor o fato do atual Governador José Serra disputar a Presidência, o que deve impulsionar sua candidatura.

A escolha de Mercadante foi pessoal de Lula. Disse que um dos erros do partido foi nunca repetir candidato em São Paulo. Mercadante, contra Serra em 2006, teve 32% dos votos válidos, sendo derrotado no primeiro turno. Conseguirá melhorar esse índice?

Por via das dúvidas, é melhor para Mercadante torcer por uma vitória de Dilma, visando ser recompensado com uma vaga na Esplanada dos Ministérios, lugar que não teve sob Lula, ou quem sabe começar a planejar uma disputa para Prefeitura paulistana em 2012…

*Alexandre Campbell, escrevendo excpecionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças, jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política.

Análise Geral da Sucessão Paulista: PSDB e DEM acertam chapa com Alckmin e Afif – PT vai de Mercadante

25/03/2010


O período de campanha eleitoral vai se aproximando e o cenário sucessório paulista vai se definindo: PSDB e Democratas vão de Geraldo Alckmin e Afif Domingos e o PT vai de Aloizio Mercadante – e não de Ciro Gomes – faltando ainda definir se o PDT ou o PR indicará o Vice da chapa governista.

Já era nítido há algum tempo que Aloysio Nunes Ferreira – preferido pelo Governador José Serra – não conseguiria tomar a indicação tucana ao Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin. Por mais que Aloysio fosse e seja mais bem visto por Serra, Alckmin era e é mais bem visto pelo povo paulista.

Definido o nome de Alckmin, faltava o Vice. Natural que venha do Democratas, parceiro prioritário do PSDB, principalmente em São Paulo. Natural também que seja Afif, segundo nome de mais peso do Democratas paulista, atrás apenas do Prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Alckmin e Afif, que são secretários do governo Serra, devem deixar os cargos em breve para poderem concorrer em outubro, assim como fará o próprio Governador, que passa o cargo para Alberto Goldman, seu Vice, para poder concorrer ao Planalto.

Caberá a Alckmin, também, retribuir a gentileza de Aloysio Nunes Ferreira, que retirou seu nome da corrida estadual em favor dele a pedido de Serra. O ex-Governador que pleiteia retornar ao cargo terá que demover José Aníbal,  líder do PSDB na Câmara dos Deputados, de disputar prévias com Aloysio.

Fica pendente a resolução do problema da acomodação do PTB, que quer lançar ao Senado o já Senador Romeu Tuma. Sendo uma vaga na chapa de Aloysio e estando a outra já prometida a Orestes Quércia em troca do apoio do PMDB à chapa, não sobrará espaço para Tuma. Nessa questão ainda passará muita água por baixo da ponte.

Do lado governista, Ciro Gomes tanto falou mal do PT e, principalmente, da aliança deste com o PMDB que inviabilizou de vez sua candidatura. Fez de propósito. Sabe que sua candidatura em São Paulo seria absurdamente artificial.

Restou ao governo buscar uma alternativa dentro do PT. Aloizio Mercadante, que viria candidato à reeleição no Senado, surgiu como nome provável. Agora, já é dado como certo, abrindo espaço para a candidatura da ex-Prefeita Marta Suplicy ao Senado. Emidio de Souza, Prefeito de Osasco e pré-candidato petista ao governo, já desistiu em favor de Mercadante.

Mercadante provavelmente terá PDT, PR, PC do B, PSL e PRB em sua coligação. O Vice deve sair de um dos dois primeiros. A não ser que o governo consiga convencer o PSB a não lançar o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, como candidato ao governo de São Paulo. Nesse caso, o próprio Skaf pode ser o Vice de Mercadante, em uma frente ampla formada por partidos que a nível federal formam a base do governo.

De certa forma, os esforços do lado governista provavelmente só servirão para fazer bonito e para tentar conquistar as vagas do Senado. Além de Marta Suplicy, será lançado pela coligação outro nome, que pode ser o do cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) ou o de Gabriel Chalita (PSB).

A disputa pelo governo em si já parece resolvida.

Geraldo Alckmin tem tudo para levar mais uma vez o governo do São Paulo e sua vitória parece uma das apostas mais seguras para as eleições deste ano.

Se não for Ciro o candidato governista em São Paulo, Lula prefere Mercadante

01/02/2010

Informa o jornalista Josias de Souza, a respeito do fato de o Presidente Lula preferir o nome do Senador Aloizio Mercadante para ser o representante governista na disputa pelo governo de São Paulo, caso Ciro Gomes não aceite sê-lo ou tenha uma menos provável má recepção do PT paulista:

“Informado pela direção do PSB de que Ciro Gomes não quer disputar o governo de São Paulo, Lula começa a virar a página. O presidente discute, em privado, alternativas a Ciro. Entre todos os nomes disponíveis, Lula pende para o de Aloizio Mercadante.

Líder do PT no Senado, Mercadante declara, em público e entre quatro paredes, que prefere concorrer à reeleição. Natural. Trocando a refrega pelo Senado pela briga estadual, Mercadante largaria o quase certo e se agarraria ao muito duvidoso.

No ringue do Senado, Mercadante está bem-posto. Sondagem do Datafolha divulgada no final do ano passado acomodou-o na liderança. O instituto atribuiu ao líder petista 32% dos votos. Atrás dele vem Romeu Tuma (PTB), com 27%; e Orestes Quércia (PMDB), com 24%.

Na corrida estadual, Mercadante teria de encarar Geraldo Alckmin. O postulante do PSDB frequenta as pesquisas com ares de favorito. Dependendo do cenário, Alckmin belisca índices de intenção de voto próximos ou superiores 50%. Até por essa razão, Lula acha que o PT precisa comparecer às urnas com um quadro do seu primeiro escalão.

Apenas dois nomes se enquadram nesse perfil: além do de Mercadante, o da ex-ministra e ex-prefeita Marta Suplicy. Lula diz preferir o primeiro. O presidente repete privadamente um raciocínio que esgrimira em conversa com repórteres no final de 2009. Acha que o petismo comete, em São Paulo, o ‘grave erro de não repetir candidato’. Atribui a esse suposto equívoco a hegemonia do tucanato no Estado.

Em 2006, Mercadante disputou o governo paulista. Ficou em segundo. Obteve coisa de 32% dos votos. Com 58%, o tucano José Serra prevaleceu no primeiro turno. A presidenciável Dilma Rousseff está, por assim dizer, a pé em São Paulo. Daí a inquietação de Lula.

Por razões óbvias, o presidente considera essencial erguer um palanque competitivo para Dilma no maior colégio eleitoral do país. Apostara em Ciro. Sem ele, afora Mercadante e Marta, há no PT um leque de nomes que oscilam nas pesquisas próximos ou abaixo dos 5%.

O principal deles, o deputado Antonio Palocci, foi convidado a integrar a coordenação da campanha de Dilma. E saiu de fininho do córner paulista. Lula refuga os outros três nomes: Emidio de Souza, prefeito de Osasco; Fernando Haddad, ministro da Educação; e o senador Eduardo Suplicy. Quanto a Haddad, Lula prefere que permaneça na Esplanada. Suplicy ainda não teve seu nome testado em pesquisas. Mas não dispõe do voto de Lula, o eleitor número um do PT.

Resta saber se, espremido por Lula, Mercadante vai trocar o quase certo pelo duvidoso. Como se sabe, o senador não costuma lidar bem com pressões do Planalto. No auge da crise do Senado, anunciara uma renúncia ‘irrevogável’ à liderança do PT. Ante um pedido de Lula, Mercadante revogou o ‘irrevogável’.”

Se Lula não conseguir realmente acomodar Ciro Gomes na disputa paulista, servindo-se dele como língua de aluguel – e afiada – contra José Serra, poderemos conferir se Mercadante atende ou não ao pedido do Presidente.

Caso levemos em conta que em 2006 Mercadante continuaria Senador se perdesse para Serra e que, agora, ficará sem mandato se perder, poderemos chegar à conclusão de que ele recusará.

Contudo, se utilizarmos como parâmetro o caso do irrevogável revogado, talvez tenhamos a impressão de que Mercadante faz o que Lula manda. E fim.

A ver.

Negativas de Ciro Gomes, fazem PT procurar alternativa para o governo de São Paulo

29/01/2010

Informa a Folha:

“Diante da insistência do PSB em deixar para março a decisão sobre a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), petistas de São Paulo prometem intensificar a partir de agora as negociações com os demais partidos atrás de alianças e ‘turbinar’ a agenda dos pré-candidatos do PT ao governo.

Dirigentes do partido também cobram do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência, uma maior participação em eventos no Estado, para dar mais visibilidade à legenda e levar os pré-candidatos juntos para o palanque. ‘Precisamos fortalecer a agenda popular e a agenda política [em SP], inclusive com a participação dos dois maiores nomes do partido’, disse o deputado federal José Genoino (PT-SP).

[...]

‘Todo mundo sabe que o PT paulista, que todos os dirigentes preferem uma candidatura própria, mas todo mundo também sabe que tem que aguardar o presidente Lula’, afirmou Chinaglia. ‘Não podemos fazer política que dependa dele [Ciro] só’, completou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Neste um mês e meio que falta para o lançamento oficial de uma pré-candidatura, quatro petistas podem ganhar força: Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, Emidio de Souza e Antonio Palocci. O primeiro já saiu na frente. Em encontro com deputados anteontem em Brasília, o próprio Lula disse que, sem Ciro, prefere o senador.”

Ficam mais do que comprovados dois fatos:

O PT paulista, como tem dito o Perspectiva e outros meios há meses, não gosta nada da ideia de ter que apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo de São Paulo. Prefere uma candidatura própria e só não enxota Ciro por temer Lula.

A pré-candidatura do Senador Eduardo Suplicy já é descartada. Ela não tem chances, como comentou recentemente o Perspectiva.

Sobre o primeiro fato, acredito que forçar o PT a apoiar um Ciro Gomes que nada tem a ver com a política paulista significa impingir equivocadamente ao PT paulista um sacrifício. O PT abre mão de espaço político, formação de novos quadros e exibição da marca nos estados em benefício de Dilma. Mas e se a Ministra for derrotada? Fica o PT com o quê? Pelo visto, apenas com o terço nas mãos, rezando pelo retorno de Lula em 2014.

Sobre o segundo fato, já era de se esperar. Suplicy, como já disse este blog, é um homem elogiável, mas dificilmente poderá, por seu estilo e por seu comportamento, ser Prefeito, Governador ou Presidente, enfim, liderar o Executivo.

De qualquer forma, levando em conta todos esses pontos, uma certeza se sobrepõe:

Seja quem for o candidato petista ou seja Ciro Gomes o candidato governista, se o tucanato concorrer com Geraldo Alckmin a derrota do governo é certa.

Ponto pacífico.

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29/01/201009h43

Sem Ciro, PT de São Paulo quer viabilizar alternativa

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MARIA CLARA CABRAL
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Diante da insistência do PSB em deixar para março a decisão sobre a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), petistas de São Paulo prometem intensificar a partir de agora as negociações com os demais partidos atrás de alianças e “turbinar” a agenda dos pré-candidatos do PT ao governo.

Dirigentes do partido também cobram do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência, uma maior participação em eventos no Estado, para dar mais visibilidade à legenda e levar os pré-candidatos juntos para o palanque. “Precisamos fortalecer a agenda popular e a agenda política [em SP], inclusive com a participação dos dois maiores nomes do partido”, disse o deputado federal José Genoino (PT-SP).

Anteontem, em Pernambuco, Lula fez mais um apelo aos dirigentes do PSB para que Ciro abrisse mão de sua candidatura à Presidência e aceitasse concorrer ao governo de São Paulo em uma chapa apoiada pelo PT. Ele acha que o melhor cenário para a eleição presidencial é uma eleição plebiscitária entre Dilma e o governador José Serra (PSDB-SP).

Como o presidente saiu do encontro sem resposta, os petistas acham que está mais do que na hora de reagir. “[Deixar a decisão para março] compromete a construção de um nome, principalmente se for alguém que nunca disputou nenhuma eleição majoritária”, disse o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP).

A estratégia é intensificar a pré-campanha, mas sem desagradar Lula: apesar do esforço para dar visibilidade para os nomes petistas, o martelo só será oficialmente batido em março. Mas os petistas têm convicção de que as chances de Ciro concorrer ao governo de São Paulo são pequenas.

“Todo mundo sabe que o PT paulista, que todos os dirigentes preferem uma candidatura própria, mas todo mundo também sabe que tem que aguardar o presidente Lula”, afirmou Chinaglia. “Não podemos fazer política que dependa dele [Ciro] só”, completou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Neste um mês e meio que falta para o lançamento oficial de uma pré-candidatura, quatro petistas podem ganhar força: Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, Emidio de Souza e Antonio Palocci. O primeiro já saiu na frente. Em encontro com deputados anteontem em Brasília, o próprio Lula disse que, sem Ciro, prefere o senador.

Ele prometeu que vai começar a “falar duro” para que Mercadante seja o candidato no Estado. Até agora, Mercadante diz que quer disputar o Senado.

A intensificação da agenda dos petistas tem o aval do presidente. Segundo deputados que estiveram com ele anteontem, Lula quer fazer uma reunião com os dirigentes do PT de São Paulo para acertar os detalhes dessa articulação no Estado.

Comentários dos leitores

Valdir Baptista (65) 29/01/2010 12h14
Quem sabe com Ciro governador de São Paulo com o apoio do PT, ele possa fazer a transposição do rio Tiete para o Nordeste e assim acabar com a seca do nordeste e o alagamento na capital Paulista rsrsrs. sem opinião
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EMERSON ANTONIO MIGUEL (1) 29/01/2010 12h14
A candidatura de Ciro em São Paulo pode ser boa para os interesses do PT em nível federal, mas não é boa para o estado. Ciro tem poucas chances de vencer em SP. Isso propiciaria mais uma vitória tucana com o “Picolé de Chuchu” Geraldo Alckmin para completar 20 anos de PSDB governando o estado. Torço para que surja um nome forte para quebrar a hegemonia tucana pelo bem de São Paulo. PSDB, nunca mais!!! sem opinião
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Ruiz Cezário (1) 29/01/2010 11h43
Os que brigam hoje eram companheiros de ontem, não importa o partido à corrupção sempre esta presente, temos uma quantidade mínima de parlamentares preocupados com a nossa nação. Doloroso mesmo é ler alguns tipos de comentários que não apontam nenhuma solução ou perspectiva crítica que nos leve a adotar caminhos no sentido da moralidade. Enquanto isso pessoas morrem de fome, afogadas ou assassinadas, enquanto isso aqueles que um dia se intitularam defensores da democracia, hoje no poder são os maiores ditadores que já conheci, pois nos enfiam tudo goelas abaixo e jamais levam em consideração a opinião daqueles que sofrem e realmente trabalham pelo país como filhos da verdadeira democracia. Gostaria que a mídia brasileira assumisse seu compromisso de forma verdadeira e promovessem campanhas diuturnas contra a corrupção e a ignorância políticas dos nossos irmãos brasileiros que infelizmente são a grande maioria. Grande abraço a todos do humilde Cabo Cezário da PM de São Paulo e Presidente da Associação dos Praças do Estado de São Paulo. Saliento que não sou candidato a absolutamente nada, apenas represento minha classe com dignidade. sem opinião
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Perspectiva adianta: Lula teria desistido de Ciro em São Paulo, mas exige palanque forte para Dilma

26/12/2009

Corre nos bastidores a informação de que o Presidente Lula já teria desistido de empurrar uma candidatura ao governo de São Paulo goela abaixo do Deputado Ciro Gomes. Por mais que o Presidente ainda deseje retirar Ciro da corrida presidencial de alguma forma, já teria se resignado com o fato de o PT paulista ser contrário à ideia e com o fraco desempenho do socialista nas pesquisas paulistas.

Contudo, Lula teria exigido dos petistas paulistas um palanque forte para Dilma. Além disso, teria dito que Emídio de Souza, Prefeito de Osasco e postulante à candidatura, e Antonio Palocci, ex-Ministro e próximo do empresariado paulista, não teriam atualmente força suficiente para montar para Dilma o palanque robusto que ele deseja.

A solução apresentada por Lula teria sido, segundo as notícias que correm, a candidatura de um nome petista mais forte nas pesquisas, como Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante, ou até mesmo uma aliança com partidos que nacionalmente fazem parte da base aliada, como o PP de Paulo Maluf, visando uma chapa forte encabeçada ou não pelo PT.

Mercadante estaria resistindo por saber que viria para o sacrifício, afinal, Geraldo Alckmin só perde as eleições estaduais paulistas do ano que vem se ocorrer um desastre. Seria esse o motivo que teria levado Mercadante a fazer as declarações polêmicas com relação a Ciro Gomes que proferiu recentemente. O Senador disse, há pouco tempo, que Ciro “pegou o pau de arara no sentido contrário”, fazendo alusão ao fato de o Deputado ter ido de São Paulo para o Ceará quando ainda jovem.

Em resumo, Lula estaria pressionando o PT paulista para que um palanque forte para Dilma seja armado, visando minimizar a vantagem do PSDB no estado, e já teria aceitado o fato de que Ciro Gomes não concorrerá no estado, por mais que tenha transferido para lá seu domicílio eleitoral.

Resta agora saber se essa informação adiantada pelo Perspectiva se confirma e, caso confirmada, onde Ciro Gomes se acomodará no jogo de 2010, afinal, se Lula não o quer na corrida presidencial e quer dar a vaga de Vice de Dilma para o PMDB, o que sobra?

Ciro é hoje reserva do nome peemedebista. Entra em campo se o PMDB, na Convenção do ano que vem, decidir não respaldar a aliança formal com o PT. Mas e se não adentrar o gramado?

Terminará como Ministro de Lula, ocupando a partir de abril algum ministério deixado por um ex-Ministro que sairá candidato e carregando a promessa de que será um Ministro forte se Dilma vencer.

É pouquíssimo se comparado ao que Ciro sempre ambicionou.

Pesquisas Datafolha: Rio, São Paulo, Minas, Bahia, Pernambuco, Ceará e Distrito Federal

22/12/2009

O Instituto de Pesquisas Datafolha divulgou, ontem e hoje, suas novas pesquisas de intenção de voto no que diz respeito às eleições para os governos estaduais do ano que vem.

Foram coletadas informações no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais, na Bahia, em Pernambuco, no Ceará e no Distrito Federal.

Seguem os números, que poderão ilustrar aos leitores do Perspectiva a quantas anda a sucessão estadual de cada ente da federação listado, além de breves comentários meus:

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB) – 36%

Anthony Garotinho (PR) – 24%

Fernando Gabeira (PV) – 17% ou Cesar Maia (DEM) – 13%

Lindberg Farias (PT) – 10%

Fica nítido que, por mais que o Governador Sérgio Cabral lidere com alguma folga, deverá haver segundo turno. Neste, o Governador tem tudo para se complicar, pois todos os outros candidatos lhe fazem oposição ferrenha e, provavelmente, indicariam a seus eleitores o voto no adversário final de Cabral.

São Paulo

Geraldo Alckmin (PSDB) – 50% ou José Serra (PSDB) – 44%

Marta Suplicy (PT) – 19% ou Ciro Gomes (PSB) – 16% ou Antonio Palocci (PT) – 4%

Paulo Maluf (PP) – 10% ou Celso Russomano (PP) – 6%

Soninha Francine (PPS) – 7%

Com a desistência de Aécio Neves com relação à disputa presidencial, confirma-se a previsão deste blog de que José Serra será o presidenciável tucano. Isso joga a eleição paulista no colo de Geraldo Alckmin, que só não ganha se não concorrer.

Minas Gerais

Hélio Costa (PMDB) – 31%

Fernando Pimentel (PT) – 19% ou Patrus Ananias (PT) – 12%

Antonio Anastasia (PSDB) – 10%

O Ministro das Comunicações Hélio Costa mantém a liderança mas vem caindo aos poucos. Isso anima os petistas a decidirem pela candidatura, coisa que, curiosamente, pode empurrar Hélio para o Senado, apoiando Anastasia, candidato de Aécio, que se viabilizará se chegar a aproximadamente 30% até julho.

Bahia

Jaques Wagner (PT) – 39%

Paulo Souto (DEM) – 24%

Geddel Vieira Lima (PMDB) – 11%

Se PT e PMDB continuarem distantes na Bahia, Wagner não poderá vencer no primeiro turno. Isso também quer dizer que, no segundo turno, enfrentará ou um Paulo Souto apoiado por Geddel, ou um Geddel apoiado por Paulo Souto. Em ambos os casos, Wagner é, dependendo da campanha, derrotável. Se Lula unir Geddel e Wagner, o PT leva no primeiro turno.

Pernambuco

Eduardo Campos (PSB) – 57%

Jarbas Vasconcelos (PMDB) – 29% ou Roberto Magalhães (DEM) – 10%

Em Pernambuco, a eleição está decidida. Salvo um desastre, Eduardo Campos se reelegerá e Jarbas, ou Magalhães, fará apenas o palanque da oposição.

Ceará

Cid Gomes (PSB) – 53%

Tasso Jereissati (PSDB) – 23% ou Roberto Pessoa (PR) – 14%

Luizianne Lins (PT) – 8%

Caso Ciro Gomes saia candidato ao Planalto, o PT provavelmente lançará candidatura própria no Ceará, em represália. Isso reduziria a folga de Cid Gomes, porém, provavelmente não seria suficiente para tirar-lhe a vitória. Se a disputa for para o segundo turno, já será uma vitória da oposição a Cid que, provavelmente, não terá chances de vencer o Governador nesta segunda fase.

Distrito Federal

Joaquim Roriz (PSC) – 44%

Cristovam Buarque (PDT) – 17% ou José Reguffe (PDT) – 6%

Agnelo Queiroz (PT) – 11%

José Roberto Arruda (DEM) – 11% ou Paulo Octávio (DEM) – 7%

Gim Argello (PTB) – 5%

O escândalo ocorrido no Distrito Federal fez despencar as intenções de voto de Arruda que, hoje, não tem nem mesmo condições legais de concorrer, já que está sem partido. O maior beneficiário foi Joaquim Roriz, ex-Governador, que subiu nas pesquisas. Curiosamente, é Roriz o apontado como iniciador de todos os esquemas relevados recentemente. Justamente por isso, novos fatos podem surgir e dar o favoritismo a Cristovam Buarque.

CPI do MST é finalmente instalada, mas governo quer esvaziá-la

10/12/2009

Informa o Globo:

“A CPI do MST, que investigará repasses da União para entidades defensoras da reforma agrária, foi instalada nesta quarta-feira. A comissão será presidida pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE) e terá como relator o deputado Gilmar [sic] Tatto (PT-SP). A escolha foi feita por meio de acordo entre os líderes partidários, na primeira reunião da comissão, realizada nesta quarta-feira.

Os ruralistas já apresentaram uma lista de convocações de ministros do governo Lula e requerimentos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de entidades ligadas ao Movimento dos Sem Terra. Deputados ligados ao setor apresentaram 22 requerimentos, que pedem também explicações do Palácio do Planalto sobre encontro do presidente Lula com líderes do MST.

O foco da CPI é a investigação de repasses de recursos públicos para o MST. A suspeita é de que ONGs ligadas ao movimento agrário façam convênios com a União e transfiram a verba para o movimento.”

O fato de a CPI do MST ter sido finalmente instalada é motivo de comemoração. Com certeza os repasses de verbas públicas a entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra precisam ser investigados, afinal, trata-se do dinheiro do contribuinte.

Porém, o caso não vive, nem de longe, só de boas notícias.

Informa também o Globo:

“Derrotado na tentativa de impedir a instalação da CPI, o governo preparou uma ofensiva para assegurar o controle sobre a comissão e reduzir o seu potencial de produzir desgaste político às vésperas da eleição presidencial de 2010.

O objetivo é repetir a estratégia adotada na CPI da Petrobras, onde a divisão dos postos-chave entre PT e PMDB tem permitido ao governo barrar requerimentos incômodos e ditar o ritmo dos trabalhos.”

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

É uma barbaridade que os cidadãos brasileiros sejam obrigados a ver que o governo luta, descaradamente, para que nada seja apurado no que diz respeito aos repasses de verbas públicas para ONGs ligadas ao MST.

É lamentável percebermos que o governo visa montar, sem pudor, um forno de pizza nas barbas do distinto público.

Tenho sempre dito no Perspectiva e repito: Uma coisa é um governo lutar contra uma CPI que, claramente, foi montada pela oposição visando desgastar politicamente os governantes. Outra coisa é fingir que um tema de claro interesse público não dá razões para que haja o desejo de que ele seja investigado aprofundadamente e fazer aquelas ridículas afirmações de que fatos, sabidamente consumados, são “fantasiosos”.

Em suma, as CPIs “inventadas” diferem em grande parte daqueles que são necessárias. Obviamente que a oposição tem interesse no desgaste do governo, mas não se trata de uma CPI política apenas. É uma CPI que tratará de repasses de verbas que ocorreram sabidamente. É, sim, uma das CPIs necessárias.

É um absurdo que tenhamos aqui uma pizza pré-anunciada. O governo colocou Almeida Lima, soldado de Renan Calheiros, como Presidente da CPI e Jilmar Tatto, petista da tropa de Marta Suplicy, na relatoria.

Tudo será feito para que as investigações não levem a grandes descobertas e para que os repasses governamentais que transferem nossos impostos para o MST, através de entidades de fachada ligadas ao Movimento, sejam mantidos.

Tudo isso entristece, mas não podemos nos conformar. Foi importante termos a CPI do MST aprovada e, agora, instalada. A população brasileira precisa, a partir de hoje, pressionar para que a verdade apareça. A verdade pura e simples. Nada mais do que isso. O Perspectiva estará nesta luta.

Aproveito para repetir porque a CPI do MST é tão importante:

A CPI é necessária porque existem repasses de dinheiro público para ONGs que, disfarçadas de instituições que auxiliam a produção agrária do pequeno produtor, financiam o MST com os nossos impostos.

A CPI é necessária pois o MST conta com membros que transitam armados sem terem porte de armas, o que configura uma organização paramilitar.

A CPI do MST é necessária porque o governo conta, hoje, com um Ministério que tem como atribuição principal atender aos interesses do MST, o Ministério do Desenvolvimento Agrário que, além de ter essa função no mínimo questionável, tem uma área de atuação oficial que poderia, muito bem, configurar uma Secretaria do Ministério da Agricultura, encerrando a necessidade de termos outra estrutura ministerial e novos gastos.

A CPI do MST é necessária pois os interesses do Movimento, que de pronto não devem ter um Ministério feito para atendê-los, não são os interesses dos Sem Terra. Aqueles que são a razão de ser do MST continuam à míngua e não são ouvidos. Os interesses do MST são os interesses da cúpula cooptada pelo governo e não o das bases.

A CPI do MST é necessária porque 37% dos assentamentos nada produzem, 75% não tiveram acesso ao crédito rural e 73% não têm renda, fato que está criando favelas rurais.

A CPI do MST é necessária, em suma, pois as relações que o governo não deve ter com o MST existem, enquanto os apoios necessários e devidos, que realmente auxiliam quem precisa de auxílio, são deixados de lado.

Não permitamos que a CPI do MST seja mais uma CPI da Petrobras, ou seja, uma Comissão Parlamentar de Inquérito importantíssima, relevantíssima, que, por força do lobby do governo, transformou-se em vergonhoso forno de pizza.