Postagens com a palavra-chave ‘Marcos Valério’

Absurdo completo: Lula diz que mensalão foi golpe da oposição

16/11/2009

Este blogueiro que vos fala sempre bate na mesma tecla neste Perspectiva Política: Aqui critica-se o que tem que ser criticado e elogia-se o que deve ser elogiado. O critério é sempre baseado em pontos como a legalidade, a moralidade, o interesse público e a economicidade.

Foi construída assim a grande credibilidade do Perspectiva Política. O blog e este que vos fala, por ser seu autor e editor, são elogiados por pessoas que são desde petistas até tucanos, desde desenvolvimentistas até ambientalistas, desde esquerdistas até direitistas. O grupo eclético de colunistas do blog contribui muito para tal.

Pois bem. Digo isso tudo para afirmar que não possível para este blog entender nada a respeito de o Presidente Lula ter dito que o mensalão foi um “golpe da oposição” que não seja a visão de que é um absurdo completo, gigantesco, paquidérmico.

Ora, que vergonha! Como pode o Presidente da República ter a coragem de dizer algo desse tipo? Esta declaração é conivente com as más práticas políticas e, para completar, falta com a verdade. Ainda insulta, obviamente, nossa inteligência, afinal, querer que o povo brasileiro creia que não houve mensalão é acreditar que a população nacional é um coletivo de boçais e nada mais.

Como fica o reconhecimento de que houve mensalão por parte do importante petista e ex-Presidente da Câmara Arlindo Chinaglia? Onde ficam escondidos os indícios e as provas?

Vale ainda citar que Lula, ainda por cima, teve a coragem de dizer que Marcos Valério foi infiltrado no PT pelo PSDB.

Ora, está claro que não foi isso que ocorreu, porém, se tivesse ocorrido, isso não justificaria em momento algum que os petistas tenham aderido aos planos vergonhosos do publicitário.

Em resumo, o Presidente da República provocar a oposição sem mais nem menos é algo equivocado por si só, mas Lula o faz com as declarações que deu. Além disso, afirmar que não existiu algo que nitidamente aconteceu é um desrespeito com o cidadão brasileiro e, pior, uma mentira.

É isso. A palavra é forte mas é necessária. Negar que existiu mensalão é mentir. E o Presidente da República Federativa do Brasil mentir ao povo que comanda é um absurdo completo.

O Perspectiva Política não poderia nunca deixar de criticar duramente o que Lula disse.

Promotoria aponta desvio de R$ 2,7 mi em gestão Azeredo

28/09/2009

Informa a Folha:

“O Ministério Público de Minas Gerais acusa o senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), de ter se beneficiado, durante a gestão dele (1995-98), de um esquema de fraudes em licitação que teria abastecido o chamado valerioduto tucano e causado prejuízo de R$ 2,7 milhões aos cofres do Estado, informa reportagem de Breno Costa, publicada nesta segunda-feira pela Folha.

O valerioduto tucano, segundo a Polícia Federal, foi um esquema operado pelo publicitário Marcos Valério para ocultar a origem e o destino de R$ 28,5 milhões em recursos públicos desviados e verbas privadas não declaradas, que financiaram a campanha derrotada de Azeredo em 1998.

O valerioduto tucano gerou uma ação penal no Supremo Tribunal Federal contra Azeredo e outra na Justiça Estadual, contra outros 14 réus.

Segundo a reportagem, a Promotoria diz ter identificado um novo braço de financiamento irregular daquela campanha, com ‘pagamentos irregulares’ do governo Azeredo, que resultaram em ‘vultuosas contribuições’ à campanha eleitoral.

Para o Ministério Público, o suposto esquema envolveu sete empresas vencedoras de 25 licitações na gestão Azeredo para fornecimento de terceirizados ao Estado.

Azeredo informou desconhecer a ação apresentada há um mês pelo Ministério Público. Ele diz que ‘terceirização não é assunto de governador’”.

Se as ditas irregularidades, transgressões e falcatruas cometidas por membros do PT com o auxílio do publicitário Marcos Valério devem ser investigadas a fundo e, se comprovadas totalmente, punidas, nas pessoas de seus  agentes, com todo o rigor da lei, o mesmo vale para qualquer tipo de ação semelhante empreendida por membros do PSDB com o auxílio do mesmo Valério.

O suposto valerioduto petista configura esquema vergonhoso, corrupto e pernicioso. Se comprovado o valerioduto tucano, merecerá este os mesmos adjetivos negativos.

O Perspectiva prima pela Justiça, como não poderia deixar de ser, e defende veementemente a investigação de ambos os casos.

Além disso, este blogueiro não pode deixar de dizer que as suspeitas, por mais que possam ainda ser mostradas como infundadas, dispõem de evidências realmente comprometedoras para os envolvidos em ambos os casos.

Sendo assim, é natural que sejam questionadas desde já, embora não judicialmente, mas sim moralmente, as idoneidades tanto dos envolvidos petistas, como dos envolvidos tucanos, em esquemas com a participação de Marcos Valério.

A Justiça trabalhará, infelizmente em ritmo aquém do desejado, e o Perspectiva manterá a vigilância sobre ambos os casos.

Ricardo Noblat – Artigo: A herança maldita de Lula

20/07/2009

Escreve o jornalista Ricardo Noblat em seu blog:

“O senador Antonio Carlos Magalhães inaugurou a Lavanderia Lula.

Em 2003, acusado de grampear telefones de adversários políticos na Bahia, correu o risco de ser julgado pelo Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro. Apoiara a eleição de Lula um ano antes.

Lula retribuiu salvando-lhe o mandato. Desde então a lavandeira é um sucesso.

O que Lula fez por ACM não impediu que os dois quase saíssem no tapa anos mais tarde.

ACM sentiu seu império baiano ameaçado pelo PT de Jacques Wagner. Soltou os cachorros em cima de Lula. Que respondeu chamando-o de rato e suando a camisa para eleger Wagner.

Os dois só voltaram a se encontrar quando ACM estava em um hospital de São Paulo a poucos dias de morrer. Lula fez questão de visitá-lo.

Entre ACM e José Sarney (PMDB-AP), o mais recente freguês da lavanderia, Lula meteu as mãos em muito pano sujo.

O êxito dele não consiste em transformar pano sujo em pano imaculado. Por ora, ainda não opera milagres. Amanhã, nunca se sabe.

Mas Lula sempre tenta dar um jeito de impedir que pano encardido acabe jogado no lixo por imprestável. Na maioria das vezes é bem-sucedido.

Lula não discrimina entre aliados fiéis, aliados nem tão confiáveis assim, adversários moderados e adversários históricos.

Se vir alguma vantagem em enxaguá-los até que recuperem parte da pureza perdida ou se livrem de nódoas comprometedoras, ele se entrega à tarefa com gosto.

Do controverso Roberto Jefferson, na época presidente do PTB, Lula disse que se tratava de um homem a quem daria um cheque em branco.

O homem merecedor de tamanha prova de confiança deflagrou o escândalo que quase derrubou o governo.

Em meio ao escândalo, informado sobre a disposição do publicitário Marcos Valério de contar tudo o que sabia, um Lula alterado por algumas doses a mais de bebida chegou a falar em renúncia.

Foi um Deus nos acuda. Lula só sossegou quando lhe garantiram que Valério estava sob controle. Está até hoje.

Procurem algo de duro dito depois por Lula a respeito de Jefferson. É possível que encontrem um elogio.

Nada encontrarão contra José Dirceu, apontado pelo Procurador Geral da República como o chefe da ’sofisticada organização criminosa’ que quis se apoderar de parte do aparelho do Estado.

Lula escalou Dirceu para pagar a conta do mensalão. Para compensar, lava a biografia do amigo toda vez que julga necessário.

Foi quase pedindo desculpas públicas a Antonio Palocci que Lula o demitiu do Ministério da Fazenda forçado pelo caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Pereira.

Palocci jurou diante de uma CPI que jamais frequentara certa mansão suspeita de Brasília.

O caseiro jurou tê-lo visto por lá uma dezena de vezes. Lula chamou Palocci de ‘meu irmão’. E sonha com o dia de tê-lo de volta no governo.

E o ‘nosso Delúbio’, hein?

E Romero Jucá que ofereceu fazendas inexistentes como garantia de um empréstimo tomado em banco oficial? Lula saiu em defesa dos dois.

Ficou rouco de repetir: ‘Ninguém é culpado até ser condenado pela Justiça’.

Ao pé da letra, de acordo. Mas o que se espera de um presidente não é o mesmo que se espera de um juiz. Presidente deve satisfações à sociedade. Juiz, somente à sua consciência.

Um mau exemplo dado por um juiz nem de longe equivale a um mau exemplo dado pela pessoa mais observada e admirada pelos brasileiros.

Foi um bom exemplo o empenho de Lula em manter Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado? Quase conseguiu.

Lula dá um bom exemplo quando chama Sarney de ‘pessoa incomum’ e obriga o PT a sustentá-lo no cargo?

A Lavanderia Lula presta inestimáveis serviços ao seu fundador e único dono, e também aos que dela precisam.

Mas bem não faz – pelo contrário – ao avanço entre nós de uma prática política decente e justa, capaz de atrair gente interessada em servir à coisa pública, e não em se servir dela.

Essa será a herança maldita de Lula.”

Este blogueiro pensa, e já disse aqui neste blog, que o legado positivo de Lula, que é reconhecido por mim, será manchado, infelizmente, pelo legado negativo que diz respeito à prática política, aos bastidores do poder e à moralidade das relações políticas.

Concordo plenamente com Ricardo Noblat quando ele diz que a atuação do governo neste âmbito representará a “herança maldita” de Lula. Adiciono que há uma herança positiva também, que não pode deixar de ser louvada.

Por Noblat ter dito exatamente o que eu penso sobre o âmbito ético do governo Lula, não tenho mais o que comentar.

Só me resta bater palmas.

Mensaleiros teriam se reunido até mesmo no Planalto

15/05/2009

Informa o jornal O Globo:

“No terceiro dia de depoimentos das testemunhas do mensalão na Justiça Federal no Rio, o ex-assessor especial da Casa Civil Marcelo Sereno, arrolado pela defesa do deputado cassado José Dirceu, afirmou que Delúbio Soares e Silvio Pereira foram ‘muitas vezes’ ao Palácio do Planalto. Sereno repetiu o que dissera à CPI dos Bingos: que recebeu Marcos Valério, apontado como operador do esquema, na Casa Civil. Segundo ele, os dois conversaram sobre a participação de Valério em campanha política em Petrópolis, Região Serrana do Rio. O ex-assessor disse ainda que Valério chegou a ser recebido por Dirceu.”

Olha, não é por nada não, mas fica muito difícil acreditar plenamente naquela declaração do Presidente Lula em que ele diz que “não sabia” nada sobre o esquema do mensalão.

Se os grandes operadores do mensalão chegaram a se reunir no Planalto, é complicado crer que Lula sequer desconfiou. Logo Lula, um lince. Acho improvável que alguém que é denominado como “gênio político” não tenha visto algo assim acontecendo na sala ao lado.

Mas enfim, nunca se sabe, não é?

A volta ou não de Delúbio: O debate continua

22/03/2009

Diz o colunista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, sobre a possibilidade de Delúbio Soares, tesoureiro do PT nos tempos do mensalão, retornar à política:

“Não existe pena de morte no Brasil. Isso vale também para a política. Depois de sofrer impeachment, o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, por exemplo, cumpriu seu período de inelegibilidade e voltou à vida pública quando se elegeu senador em 2006.

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT expulso do partido em 2005, tem todo o direito de querer voltar à política. No seu caso, não há inelegibilidade. Ele pode se candidatar a qualquer cargo, desde que esteja filiado a alguma legenda.

Para isso, ele pediu à direção do PT que lhe dê anistia. O pedido deverá ser examinado pelo Diretório Nacional do PT no seu encontro de maio.

Como o Partido dos Trabalhadores já deu mostras suficientes de tolerância com a corrupção, não surpreenderia uma decisão favorável a Delúbio. Mas seria um escárnio, um escândalo.

Segundo a Comissão de Ética do PT, a expulsão de Delúbio aconteceu porque ele violou o estatuto do partido nos seguintes pontos: ‘improbidade no exercício’ da Tesouraria, ‘infração grave às disposições legais e estatutárias’ e ‘inobservância grave dos princípios programáticos, da ética, da disciplina e dos deveres partidários’.

Ora, uma anistia equivaleria a um confissão de culpa do PT. Todo o partido deveria admitir que errou e imolou em praça pública um homem probo. Ou então poderia votar uma resolução legitimando a corrupção como o modo petista de fazer política.

Mais: o PT deveria, se anistiá-lo, erguer um monumento em sua homenagem pelos serviços prestados. Melhor: deveria esquecer esse negócio de candidatura de Dilma Rousseff e apresentar logo Delúbio como candidato à Presidência em 2010. Quem sabe Marcos Valério não aceitaria ser vice?”

Concordo plenamente. Se Delúbio retornar à política será um caso claro de cinismo. Mais um na política brasileira. O que eu chamo de cinismo, Kennedy Alencar caracteriza como escárnio.

No fim das contas, ambas as palavras querem dizer a mesma coisa. Elas significam que a política brasileira chegou a um ponto onde pessoas como Collor fazem discursos de retorno à vida política propalando valores morais e éticos. O retorno de Delúbio seria mais um caso do tipo, ou seja, mais um episódio que provaria que, no Brasil, pode-se fazer tudo e pagar-se por nada.

Disputa enlameada

09/02/2009

Leia mais: “Collor e PT, tudo a ver”

O PSDB não apoiou a candidatura de José Sarney à presidência do Senado. Ao contrário, caminhou ao lado de Tião Viana. Mesmo assim, tem direito, pela proporcionalidade que pauta a ocupação dos cargos, a ter a terceira escolha no que diz respeito às nomeações para as presidências das Comissões.

As Comissões mais cobiçadas são as de maior poder e que, consequentemente, servem de vitrine para o parlamentar. Entra elas estão a Comissão de  Economia, que será alvo do PMDB, que tem a primeira escolha, a Comissão de Constituição e Justiça, que terá seu comandante indicado pelo DEM, que tem a segunda escolha e a Comissão de Relações Exteriores, justamente a pretendida pelo PSDB, que tem a terceira escolha.

Acontece que, como o PSDB não esteve com Sarney, perdeu poder de fogo. A Comissão de Relações Exteriores foi prometida por Renan Calheiros, articulador da candidatura de Sarney, para o PTB. O interlocutor de Renan no PTB é o Senador Gim Argello, porém, a Comissão, é pretendida pelos trabalhistas para o ex-Presidente Fernando Collor.

Se não se chegar a um acordo, a disputa pode ir para o plenário, com o enfrentamento de Collor e o mineiro Eduardo Azeredo, indicado pelo PSDB. Precavido, Arthur Vírgilio, líder dos tucanos, já fechou acordo com DEM e PT para derrotarem Collor, caso a votação realmente ocorra. Mas não é nada disso que me chama a atenção.

O que chama a atenção é o nível de lama envolvida na disputa, por força de seus protagonistas. Renan Calheiros, o articulador da campanha de Sarney e aquele que prometeu a vaga para Collor, teve de renunciar à presidência da casa para não ser cassado por força de escândalos. Eduardo Azeredo, o indicado pelo PSDB para presidir a Comissão, é envolvido com o início da “carreira” de Marcos Valério. Gim Argello, aquele que garantiu o apoio do PTB a Sarney e articula para dar a Comissão para Collor, responde a 38 processos por crimes eleitorais e é investigado em inquéritos que apuram corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. A história de Collor todos conhecem. Parece que a salvação da lavoura é Arthur Virgílio. E olha que nem vou falar daquele que influencia Gim Argello e Collor, ou seja, Roberto Jefferson.

Infelizmente, disputas enlameadas como essas vão se tornar cada vez comuns se o cinismo continuar imperando na política brasileira e políticos envolvidos em escândalos, desvios e corrupção puderem emergir, depois de se esconderem na época dos holofotes, como se nada tivesse acontecido.